terça-feira, 7 de julho de 2026

O AVANÇO DA IA AFETARÁ DE FORMA DIRETA, PROFUNDA E CERTEIRA OS FUNDOS DE PENSĀO



De Sāo Paulo, SP.


Dentro de alguns poucos anos a IA deslocará de seus atuais empregos uma parcela significativa dos trabalhadores nas faixas salariais mais altas.

A demanda agregada na economia sofrerá e os fluxos de contribuiçōes creditados em planos de previdencia complementar, investidos visando a aposentadoria, se tornarão negativos:

Os trabalhadores não apenas deixarão de contribuir para os fundos de pensāo, como também precisarão sacar seus recursos para pagar suas contas.

É o que aponta Carson Cutler Block, investidor americano fundador da Muddy Waters Research e da Muddy Waters Capital, respectivamente uma empresa de pesquisa de investimentos e um “hedge fund”.

A Inteligência Artificial está em um ponto de inflexão no qual os grandes modelos de linguagem estão melhorando a uma taxa não linear e em breve se tornarão exponenciais, porque eles próprios estão codificando seus sucessores.

Meu filho, que trabalha em NovaYork como Gerente de IA da Ideas42 e usou por apenas dois dias o Claude Fable 5 da Anthropic, antes do governo americano proibir seu uso, me disse que o novo modelo de IA é in-crí-vel em comparaçāo aos demais hoje existentes.

Nota: Ideas42 é uma ONG americana que aplica pesquisas de behavioral science (ciência do comportamento) na soluçāo dos problemas sociais e de negócios mais complexos do mundo.

Os usuários mais sofisticados de IA estão em empresas de tecnologia. Usando a geração atual de modelos, eles, em muitos casos, reduziram equipes que antes tinham meia dúzia de funcionários ou mais para apenas um.

É razoável acreditar que, dentro de três a quatro anos, a IA terá substituído de forma geral cerca de 15% dos empregos na “economia do conhecimento” americana.

O impacto sobre os empregos será diferente dessa vez

Os dois contra-argumentos para os efeitos da IA sobre os empregos, são:

  • O “Paradoxo de Jevons”: a experiência histórica de que novas tecnologias aumentam a eficiência, mas também aumentam a demanda, criando assim novos empregos, que compensam as perdas de empregos antigos; e

  • O ceticismo em relação à rapida inclinação da curva de adoção da IA.

Esses dois argumentos serão refutados e restará provado que estavam errados.

Acontece que a capacidade da humanidade de inovar e inventar, supera claramente sua capacidade de se adaptar rapidamente às suas próprias inovações e invenções.

Os modelos de IA estão dobrando de poder aproximadamente a cada seis meses. Isso significa que os trabalhadores que se tornarem obsoletos não conseguirão desenvolver as habilidades necessárias para usar a IA como uma ferramenta e passarāo a competir com ela.

Mesmo que a demanda por serviços e produtos aumente devido à queda dos custos e dos preços, muitos trabalhadores deslocados de seus empregos estarão obsoletos, com mais e mais trabalhadores se tornando obsoletos nas gerações sucessoras.

Além disso, conforme mostei numa apresentaçāo que fiz no Congresso Internacional de Atuarios em Sāo Paulo, em 2025, seguindo todas as disrupturas tecnológicas anteriores, nessa 1a Revoluçāo das Máquinas:

  • Haverá, sim, a criaçāo de inúmeros novos empregos, como consequencia da automaçāo e de todas as inovaçōes, mas …

  • … diferente do que ocorreu até aqui, os novos empregos serāo ocupados por máquinas, nāo por humanos.

Credito de Imagem: Calun Chase

A IA terá um impacto tão profundo nas estruturas de custos e preços das empresas que a falha em adotá-la rapidamente poderá ser fatal para grande parte da economia, provando-se uma ameaça existencial para os negócios.

Uma catástrofe para a poupança previdenciária

O deslocamento dos empregos afetará desproporcionalmente os trabalhadores altamente qualificados e bem remunerados, cujas economias para a aposentadoria impulsionam os mercados de ações americanos e o financiamento da divida publica no Brasil.

Michael Green, da Simplify Asset Management, demonstrou como o investimento passivo resultou em mercados de ações “disfuncionais”, amplamente influenciados, em nível de índice, pelos fluxos para contas de aposentadoria.

As pesquisas de Green, assim como as de outros, mostram como o investimento passivo gerou multiplicadores no mercado agregado e em ações individuais, fazendo com que a entrada ou saída líquida de um dólar tenha um impacto muito maior nas ações em que é investido, possivelmente chegando a um múltiplo de 75 a 100 para as maiores empresas.

O S&P 500 tornou-se um índice que cria seu próprio “momentum” para seus maiores componentes (i.e., para açōes de empresas especificas). As dez maiores empresas agora representam uma parcela sem precedentes do valor de mercado do indice.

O índice deixou de ser uma cesta diversificada de açōes e se tornou uma armadilha de volatilidade concentrada. Aqui, a concentraçāo tem a ver com titulos publicos e o fnanciamento da divida do governo federal.

Quando a classe profissional começar a sacar seus recursos para pagar hipotecas residenciais e as contas do dia a dia, o impacto resultante no mercado financeiro será repentino e violento, pois os fundos passivos serão forçados a vender o índice para atender às demandas de resgate dos investidores perdedores.

Ironicamente, as empresas com os múltiplos mais altos, que apresentam o maior risco de saídas líquidas de capital, são em grande parte aquelas que compõem a cadeia de valor da Inteligência Artificial.

Quando a tese de substituição da mão de obra se concretizar, serão os preços das ações dessas estrelas do novo mundo que sofrerão o maior impacto.

A consequente queda nos preços das ações, combinada com a diminuição da demanda agregada, será suficiente para causar uma crise financeira da mesma magnitude da crise global de 2007-2009, senão maior.

Problemas nos balanços, no crédito privado, nas seguradoras, no financiamento da divida publica e - dessa vez - dos fundos de pensāo, podem agravar ainda mais a situação.

Vocês ainda nāo viram nada

Credito de Imagem: Claudio Lisias, Instagram

A redução da liquidez global afetará o valor de todos os ativos. As pressões deflacionárias aumentarão.

  • A boa notícia é que a crise de 20 anos atrás forneceu aos formuladores de políticas publicas um conjunto de estratégias bem testadas para restaurar a liquidez e reativar os ativos.

  • A má notícia é que estabilizar os mercados financeiros será a parte fácil para os governos, que terão muito mais dificuldade em gerenciar a reorganização da sociedade que resultará do deslocamento em massa de mão de obra altamente produtiva.

Em última análise, em mais uma ironia, a revolução da IA ​​nos levará a um mundo em que muitos consumidores não terão mais renda suficiente para participar dessa revolução tecnologica.

Reconstruir uma sociedade em que o crescimento econômico se desvinculou do emprego é uma tarefa para a qual as estruturas políticas atuais estão despreparadas, para dizer o mínimo.

Testemunharemos não apenas uma enorme correção de mercado, mas o fim do contrato social vigente. Extamente por isso, remendar os sistemas de previdencia social ou tentar reinventar os fundos de pensāo sem inovaçōes disruptivas é ińocuo.

Em termos de política e políticas públicas, como diz o ditado e alerta Carson Block:

“Vocês ainda não viram nada”.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “If you thought the global financial crisis was bad…”, escrito por Carson Block.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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