terça-feira, 5 de setembro de 2017

Decisões financeiras, o envelhecimento do cérebro e os planos de previdência complementar

Com a troca dos planos de benefício definido pelos planos de contribuição definida, o bem estar dos aposentados passou a depender cada vez mais da habilidade deles tomarem decisões financeiras adequadas ao longo da aposentadoria.

Isso tem causado preocupação porque o declínio cognitivo que acompanha o envelhecimento pode comprometer a capacidade dos idosos de tomarem decisões, por conseguinte, ameaçando seu bem-estar financeiro.

“Os médicos precisam entender como o envelhecimento do cérebro, seja este sadio ou afetado por doenças neurológicas, impacta a tomada de decisões financeiras”, diz o Dr. Mark Lachs da Weill Cornell Medical College em Nova York. “Pessoas idosas podem não ter renda suficiente nem um horizonte de investimentos longo o bastante, que permitam recuperar perdas”, completa ele.
Uma perda considerável de recursos pode resultar em mudanças dramáticas na qualidade de vida desses idosos, sendo inconsistente com as escolhas que fizeram quando eram mais jovens.
O Dr. Lachs e seu colega Duke Han, do University Medical Center em Chicago, definiram a “vulnerabilidade financeira” associada à idade, como um padrão de comportamento arriscado relacionado a dinheiro, que coloca adultos mais velhos em perigo substancial.
Metade dos casos de abuso de idosos recai na exploração financeira. Os idosos ficam financeiramente vulneráveis por fatores que incluem declínio cognitivo ou emocional, deficiência visual, auditiva ou de mobilidade, progressão de doenças graves e isolamento social. Além disso, determinados medicamentos podem contribuir para o declínio cognitivo tornando mais difícil para adultos mais velhos gerenciarem seu dinheiro.
"No mundo ideal, faria sentido mensurar a vulnerabilidade financeira como parte da avaliação regular e periódica dos problemas mais comuns relacionados ao envelhecimento, como quedas, questões de mobilidade, dificuldades para dirigir automóveis ou nas atividades cotidianas, causados por mudanças cognitivas e que frequentemente afetam a vida e saúde dos adultos mais velhos”, comenta o Dr. Eric Widera, especialista em geriatria da Universidade da Califórnia em São Francisco.
Assim, quando a vulnerabilidade financeira fosse diagnosticada e enquanto os indivíduos ainda tivessem a capacidade de tomar decisões, eles poderiam pensar em coisas como planejamento financeiro antecipado e na indicação de alguém, por exemplo, um membro da família, para tomarem determinadas decisões em seu favor.
As pessoas também poderiam dar alguns passos na meia-idade para melhorar sua proficiência financeira, ficando de olho nos sinais antecipados de que precisam de ajuda para gerenciar seu dinheiro, na opinião do Dr. Leslie Kernisan, um geriatra americano que mantem um blog sobre o assunto (GeriatricsForCaregivers.net).
Um estudo intitulado “Como o envelhecimento afeta nossas decisões financeiras” (How does aging affect financial decisions) publicado em 2015 pelo Centro de Pesquisas da Aposentadoria (Center for Retirement Research) do Boston College mostrou alguns aspectos desse problema.
Um grupo de idosos, com idade média de 82 anos e razoavelmente bem-educados, foi acompanhando por alguns anos. O score obtido num conjunto de 19 testes aos quais os indivíduos eram submetidos anualmente possibilitou medir as alterações cognitivas experimentadas ao longo do tempo. Foram excluídos os indivíduos diagnosticados com sinais de demência ao responderem o primeiro questionário no inicio do estudo. O conjunto de testes foi usado para identificar o efeito ano a ano do declínio cognitivo no processo de tomada de decisões, avaliando três aspectos:
  1. Se o declínio cognitivo reduz a proficiência em assuntos financeiros e, consequentemente, a habilidade de tomar boas decisões;
  2. Se aqueles com declínio cognitivo perdem a confiança na sua própria capacidade de gerenciar seu dinheiro; e
  3. Se estes são mais propensos a pedir ajuda para gerenciar suas finanças.

O resultado pode ser visto na tabela abaixo:


Efeito Estimado no Declínio de 1-Unidade na Cognição

 

Avaliação

Inicial

Após declínio na cognição

Proficiência financeira

% perguntas respondidas corretamente

    Habilidade geral

69,3%

61,5%

    Habilidade com números

69,6

61,1

    Habilidade com finanças

68,9

62,1

Confiança

Respostas numa escala de 0-10

    Autoconfiança

7,2

6,5

    Confiança no conhecimento financeiro

6,9

6,6

    Confiança em gerenciar suas finanças

8,1

8,0

Responsabilidade pelas decisões

% dos participantes

    O participante é responsável primário

87%

55%

    O participante procura ajuda

45

61

    Procura ajuda sem ser o cônjuge

29

46

O estudo confirmou que o declínio cognitivo, comum em indivíduos na faixa dos 80 anos de idade, está associado a um declínio significativo da proficiência financeira. Mostrou, porém, que grandes perdas na cognição e na proficiência financeira causam pouco efeito no nível de confiança que um indivíduo idoso possui em sua própria capacidade de tomar decisões financeiras e essencialmente, nenhum efeito na confiança que tem de poder gerenciar seu dinheiro apesar da diminuição de sua capacidade de tomar boas decisões financeiras.
Pessoas com declínio cognitivo são mais propensas a procurar ajuda para gerenciar suas finanças. Não obstante, conforme mostrou o estudo, mais da metade dos idosos com declínio significativo na cognição, busca ajuda apenas do cônjuge e de ninguém mais.
Dada a crescente dependência dos aposentados nos planos do tipo contribuição definida, a diminuição da cognição vai, provavelmente, causar um efeito adverso significativamente maior no bem estar dos idosos.

Fico imaginando um idoso tendo que avaliar qual percentual do saldo remanescente quer receber de renda em determinado ano. Ou então, tendo que decidir se muda o saldo para outro perfil de investimentos dentre os vários disponíveis. Ou ainda, se vai retirar um montante do saldo acumulado e receber na forma de pagamento único em dado momento ao longo da aposentadoria. Os desenhos dos planos de previdência complementar, permitem tudo isso e mais um pouco....

Algo preocupante se considerarmos que mais da metade daqueles experimentando um declínio cognitivo significativo retém a responsabilidade primária de gerenciar suas finanças.
Há solução? Sim, existem inúmeras medidas que podem ajudar. Os desenhos dos planos de contribuição definida, por exemplo, podem incorporar estratégias para ajudar os aposentados nas idades mais avançadas. Se quiser saber mais, me pague um café que eu te conto.

Abraço forte,
Eder


Fonte: Adaptado do artigo “Aging brain influences financial decision-making”, publicado pela Thonsom Reuters e na pesquisa “How does aging affect financial decison making?” de autoria de Keith Jacks Gamble, Patricia A. Boyle, Lei Yu e David A. Benneti publicado pelo Center for Retirement Research do Boston College.
Crédito de Imagem: Depositphoto e seniorslifestylemag.com

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Seis maneiras para fazer as pessoas pouparem mais para a aposentadoria




De São Paulo, SP.


A pergunta feita no ano passado, durante o Congresso anual da Associação de Fundos de Pensão e Poupança para Aposentadoria do Reino Unido (“Pensions and Lifetime Savings Association”), foi:
Como podemos ajudar as pessoas a poupar o suficiente?
Ao longo de uma semana os dois grupos criados para responder o desafio chegaram a três ideias-chave cada um, totalizando seis sugestões sobre como alcançar esse objetivo.
1. Rebatizar a palavra aposentadoria
Há consenso de que os termos mais comuns usados na área de previdência complementar não são nada positivos. “Pensão”, “Mortalidade”, “Aposentadoria por Idade”, “Participante Assistido”, “Benefício por Invalidez”.
Isso causa uma impressão ruim nas pessoas, então, uma ideia que surgiu foi banir e rebatizar o termo “aposentadoria” (tradução livre de pensions em Inglês). Descartar a palavra aposentadoria e mudar inteiramente a abordagem para passarmos a falar de poupança ao longo da vida, pode ser um passo na direção correta. Uma forma para dar início a essa caminhada é incorporando a educação previdenciária no currículo nacional das escolas.
“Sentimos que poupança ao longo da vida é algo que precisa ser levado às escolas e fazer parte do currículo de educação. É importante fazermos os jovens falarem sobre poupar e tornar a poupança algo divertido. Penso que levar isso para as escolas é a melhor maneira de começar”, apontou um participante de uma das equipes.
2. Contribuição Compulsória
A segunda ideia foi tornar compulsórias as contribuições para a previdência complementar, com um mínimo de 10% do salário logo que entrarmos no mercado de trabalho.
“Todo mês são deduzidos dos nossos salários impostos federais e contribuições para o INSS e por mais que todos se queixem, essa é a regra, então nós nos conformamos, nós aceitamos e na maior parte do tempo nem pensamos sobre isso. Se todo mês tivermos contribuições compulsórias deduzidas dos nossos salários, eventualmente isso vai se tornar a norma e quando finalmente nos aposentarmos todos vão ficar felizes por isso ter sido obrigatório”, disse outro membro das equipes.
3. Painel de Controle Unificando a Poupança para Aposentadoria
Outra ideia foi criar um sistema que reunisse em um único lugar todas as fontes de renda para a aposentadoria. Considerando o sucesso dos serviços bancários móveis, uma equipe sugeriu a criação de um aplicativo simples onde “você tivesse em um único painel de controle (dashboard) todas as suas poupanças/economias voltadas para a aposentadoria”.
Apesar da equipe nunca ter ouvido falar antes de um app de previdência desse tipo, ela se baseou na ideia de um aplicativo que não apenas permitisse às pessoas enxergarem em um só lugar todas as suas economias e fontes de renda, mas também permitisse às pessoas consolidar ou transferir essas economias entre as alternativas existentes.
4. Programa de Fidelidade da Previdência
Outra das equipes também considerou a ajuda que a tecnologia pode fornecer às pessoas para fazê-las economizar mais. A ideia central deles foi um sistema de fidelidade voltado para previdência.
Eles consideraram um cartão para acumulação de pontos para troca por recompensas. Nos moldes daqueles adotados nos programas de milhagem de companhias aéreas e cartões de crédito que convertem pontos em produtos ou serviços.
Ao invés de receber os pontos daquela forma, a pontuação poderia creditar fundos adicionais em nossos planos de previdência ou contas de poupança.
“Os montantes acumulados nos programas de fidelidade equivalem a uma soma de dinheiro que vale muito a pena. Podem chegar a cerca de R$ 500 por mês por pessoa”, frisou um membro da equipe.
5. Educação Previdenciária em três etapas
A importância da educação financeira foi enfatizada por mais de uma equipe. A ideia, dessa vez, foi centrada em um programa de educação em três estágios-chave ao longo da vida: (i) imediatamente após a formação acadêmica; (ii) no momento em que a pessoa se tornar um novo empregado; e (iii) quando começar uma família.
“Acreditamos ser preciso ensinar como funciona a previdência, o que é um plano de aposentadoria, quanto você precisa poupar para ter uma boa qualidade de vida no futuro. Nós não aprendemos isso, somos educados em terminologia financeira porque existe um estigma com a palavra aposentadoria. Se você mencionar a palavra aposentadoria para alguém na nossa geração nós levantaremos uma barreira para o assunto, mas é apenas um jargão. Precisamos ser educados em termos leigos, assim nos sentiremos confiantes em quanto investir para nosso futuro e em qual idade”.
6. Permanência Mínima nos Planos de Previdência
A última ideia foi só permitir que as pessoas desistam de um plano de previdência complementar depois de seis meses da adesão. Na opinião deles, esse é o tempo suficiente para as pessoas obterem maior entendimento sobre seus investimentos voltados para a aposentadoria. Assim, poderiam enxergar melhor os benefícios de contribuir com uma percentagem de seus salários a cada mês.
* * * * * *
Em última instância, ambas as equipes destacaram a necessidade de quebrar as barreiras entre as gerações mais jovens e os planos de previdência. Aumentando a educação previdenciária e usando termos mais simples, os poupadores se sentirão menos alienados sobre o assunto aposentadoria sendo mais provável que permaneçam em seus planos de previdência complementar.
A introdução da tecnologia para auxiliar na consolidação da poupança previdenciária poderá ajudar a assegurar que a  poupança para a aposentadoria esteja em primeiro plano nas mentes das pessoas e não que seja apenas algo a considerar no estágio final da vida.
Concluindo o desafio, foi pedido que a audiência do Congresso votasse nas seis ideias. A ideia número 2 – poupança compulsória ao longo da vida – foi a ideia mais votada e ganhou das demais com 30% dos votos.
Se num país que prima pela liberdade de escolha a compulsoriedade da previdência complementar foi escolhida como solução, anotem aí, veremos isso implantado por aqui ainda em nossa vida ativa.
 
Grande abraço,
Eder.
 
Fonte: Adaptado do artigo “PLSA 2016: Conference Challenge - breaking down the pensions stigma” escrito por Talya Misiri, publicado no PensionsAge.
Crédito de Imagem: Cartoon Stock

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Como a Economia Comportamental pode te ajudar a se aposentar rico

 


O Professor da Duke University, Dan Ariely, especialista em economia comportamental, sabe que pequenas mudanças podem causar grandes impactos. A missão do laboratório “Common Cents” que ele coordena, focado em estudos sobre a tomada de decisões financeiras e tendo um ano de existência, é definida como “Piratear o comportamento humano, para o bem”.
Em seu primeiro relatório anual o laboratório conta histórias de colaboração entre firmas de tecnologia financeira (fintechs) como a Qapital e empresas de acesso a dados tipo Plaid, com cooperativas de crédito do Alaska e com organizações sem fins lucrativos como a plataforma de empréstimos Kiva nos EUA.
O objetivo dessas parcerias tem sido melhorar - através de uma visão comportamental - o bem estar financeiro de Americanos de baixa renda ou de renda moderada. No entanto, muitos dos comportamentos estudados pelo laboratório e das soluções encontradas, se aplicam não só aos Americanos de todas as faixas de renda como a pessoas de qualquer nacionalidade, inclusive aos Brasileiros.
“A indústria da tentação está melhorando a cada dia mais”, disse Ariely numa entrevista recente. “A tecnologia briga conosco porque é muito mais fácil nos seduzir e nos levar a fazer as coisas pela emoção do que pela razão”. Seu laboratório desenha maneiras para intervir sutilmente nas transações financeiras, dando uma chance à razão nessa batalha.
Texto + restituição de impostos = poupança
Preencher a declaração de imposto de renda é descrito por muitos defensores dos consumidores como “o momento de ouro para poupar”.
Talvez seja o único momento do ano em que as pessoas se concentram de forma holística em suas situações financeiras. Além disso, restituições de impostos representam o maior cheque que muitas famílias verão ao longo do ano, com uma restituição média nos EUA da ordem de R$ 9.900 ou US$ 3.000. No Brasil, segundo a receita federal, a restituição média do imposto de renda em 2016, paga a 13,99 milhões de contribuintes, foi de R$ 1.410.
A equipe de Ariely fez um estudo para aumentar o montante poupado da restituição do imposto de renda pelos usuários de um aplicativo para smartphone que se comunica com seus usuários principalmente através de mensagens de texto.
Os usuários conectam suas contas-correntes com o aplicativo e um algoritmo analisa seus padrões de gasto e de poupança. Isso permite que o aplicativo julgue quando transferir pequenos montantes da conta corrente para a poupança, sem que o usuário sinta falta desse dinheiro.
Num dos estudos, foi enviada uma simples mensagem de texto para um grupo de controle logo depois de uma restituição ter sido creditada em sua conta. Perguntava qual a percentagem do valor restituído o usuário estaria disposto a poupar. A resposta: em média 10%.
Os demais participantes do estudo receberam uma mensagem antes da restituição ter sido creditada em suas contas. O texto dizia que os membros deveriam receber em breve uma restituição e perguntava quanto estariam dispostos a poupar quando o dinheiro fosse creditado: estes responderam, em média, 15%. O aplicativo, então, automaticamente transferia os montantes para a poupança do usuário quando o dinheiro aparecia na conta corrente.
Nos dois casos, dentre aqueles que responderam a mensagem de texto optando por poupar, a taxa média de poupança para o grupo de controle (aqueles que já haviam recebido o dinheiro) foi de 12% enquanto para os participantes do estudo (aqueles que ainda não tinham o dinheiro em suas contas) foi de 22%, quase o dobro da média de poupança do grupo de controle.
“Comprometimento prévio é uma ferramenta que ajuda as pessoas a efetivamente fazerem aquilo que decidiram”, escreveu no relatório anual Kristen Berman, responsável pelo laboratório em São Francisco. “Ao invés de confiar em nós mesmos como sendo excelentes pessoas, tornamos mais difícil para o nosso futuro eu estragar as coisas”.
Os programas que nos fazem poupar de forma automática removem as tentações. “Todos nós olhamos os extratos bancários e quando vemos um monte de dinheiro em nossa conta, nos sentimos ricos e gastamos mais do que deveríamos” diz Ariely. “Se o saldo for pequeno, gastamos menos”.
Uma maneira de neutralizar isso é programar tipos diferentes de pagamento automático. Se você paga prestações de um imóvel todo mês e vencem poucas semanas após você receber seu salário, Ariely sugere que você tenha outra conta apenas para aquele pagamento. Transfira o dinheiro automaticamente para essa outra conta quando seu salário for depositado, mesmo que o vencimento seja apenas dali a algumas semanas.
Um plano de previdência complementar é um mecanismo que te faz assumir um compromisso previamente. “Imagine um mundo no qual você não tivesse um plano de previdência e tivesse que decidir todo mês o quanto poupar” sugere Ariely. “Seria um mundo terrível, sob a perspectiva de poupança”. 
Melhor ainda são programas que transferem contribuições para um plano de previdência complementar.  A Fidelity Investments, nos EUA, fez algumas contas sobre isso. Consideraram um jovem empregado com 25 anos de idade ganhando US$ 40 mil por ano, com aumentos salarias anuais de 1,5% acima da inflação. Se esse empregado aumentasse suas contribuições para um plano de previdência em 1% ao ano por 12 anos, teria um benefício mensal de aposentadoria acrescido de US$ 1.930.
Ganho = mc ²
A forma como as coisas nos são apresentadas pode ser poderosa tanto para o bem como para o mal. A equipe de Ariely fez um estudo para testar a associação que as pessoas fazem entre poupança e a forma de remuneração, no caso, pagamentos por hora versus contrato com pagamento anual. "Quando apresentamos o salário em termos de contrato anual, as pessoas pensam mais no longo prazo e poupam mais", disse ele. "Já quando as pessoas pensam no salário com base na hora trabalhada, não é que não entendam os números, mas sim que de repente elas passam a pensar no curto prazo. Isso significa, por exemplo, não poupar em um plano de previdência. 
Prazo + recompensa = $ 
Kiva, a firma Norte-Americana de empréstimos através de crowdfunding, procurou o laboratório de Ariely por que apenas 20% dos pequenos negócios que procuravam empréstimos, completavam o formulário que haviam começado a preencher. Mesmo para receber empréstimos a juros zero. Então, o laboratório incluiu um prazo para envio do formulário. Essa simples alteração levou a um aumento de 24% no recebimento de formulários completos em relação a um grupo de controle cujos formulários não tinham prazo nenhum para submissão.
“Prazos são, basicamente, uma forma de fazer com que as intenções não se evaporem e se tornem parte de uma realidade imediata”, comenta Ariely. “Precisamos aproveitar as situações em que as pessoas possuem boas intenções e ajudá-las a traduzir essas intenções em ações. Prazos são uma excelente maneira de fazer isso”.
Digamos que você não tem um testamento. É improvável que você vá atrás de um hoje, disse Ariely. Mas você poderia se comprometer a procurar um advogado e marcar uma até o final do mês.  Se você anotar os passos e definir um prazo, não há garantia de que você fará o que se propôs, mas você estará ciente de que não fez isso. Definir um prazo torna mais difícil manter a ilusão de que você está agindo.

Há inúmeros outros projetos sendo conduzidos pelo Laboratório Common Cents. No entanto, existe um fato que se aplica a todos nós. Os pequenos empurrões financeiros podem, no limite, ajudar. Agora, a forma mais simples e poderosa para os empregados pouparem significativamente mais é ganhando maiores salários. Talvez o Ariely e a turma dele possam testar um pouco de economia comportamental para convencer o seu chefe ou sua empresa sobre isso né!

Se você e sua empresa quiserem repetir uma das experiências do Laboratório Common Cents, fale comigo, tenho o maior interesse em aplicar esse novo conhecimento nos fundos de pensão aqui no Brasil.

Abraço grande.
Eder Costa e Silva

 
Fonte: Adaptado do artigo “How Behavioral Economics Can Help You Retire Rich”, escrito por Suzanne Woodley.
Crédito de Imagem: Ilustrações por Sasapost
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