quarta-feira, 19 de julho de 2017

Como a Economia Comportamental pode te ajudar a se aposentar rico

 


O Professor da Duke University, Dan Ariely, especialista em economia comportamental, sabe que pequenas mudanças podem causar grandes impactos. A missão do laboratório “Common Cents” que ele coordena, focado em estudos sobre a tomada de decisões financeiras e tendo um ano de existência, é definida como “Piratear o comportamento humano, para o bem”.
Em seu primeiro relatório anual o laboratório conta histórias de colaboração entre firmas de tecnologia financeira (fintechs) como a Qapital e empresas de acesso a dados tipo Plaid, com cooperativas de crédito do Alaska e com organizações sem fins lucrativos como a plataforma de empréstimos Kiva nos EUA.
O objetivo dessas parcerias tem sido melhorar - através de uma visão comportamental - o bem estar financeiro de Americanos de baixa renda ou de renda moderada. No entanto, muitos dos comportamentos estudados pelo laboratório e das soluções encontradas, se aplicam não só aos Americanos de todas as faixas de renda como a pessoas de qualquer nacionalidade, inclusive aos Brasileiros.
“A indústria da tentação está melhorando a cada dia mais”, disse Ariely numa entrevista recente. “A tecnologia briga conosco porque é muito mais fácil nos seduzir e nos levar a fazer as coisas pela emoção do que pela razão”. Seu laboratório desenha maneiras para intervir sutilmente nas transações financeiras, dando uma chance à razão nessa batalha.
Texto + restituição de impostos = poupança
Preencher a declaração de imposto de renda é descrito por muitos defensores dos consumidores como “o momento de ouro para poupar”.
Talvez seja o único momento do ano em que as pessoas se concentram de forma holística em suas situações financeiras. Além disso, restituições de impostos representam o maior cheque que muitas famílias verão ao longo do ano, com uma restituição média nos EUA da ordem de R$ 9.900 ou US$ 3.000. No Brasil, segundo a receita federal, a restituição média do imposto de renda em 2016, paga a 13,99 milhões de contribuintes, foi de R$ 1.410.
A equipe de Ariely fez um estudo para aumentar o montante poupado da restituição do imposto de renda pelos usuários de um aplicativo para smartphone que se comunica com seus usuários principalmente através de mensagens de texto.
Os usuários conectam suas contas-correntes com o aplicativo e um algoritmo analisa seus padrões de gasto e de poupança. Isso permite que o aplicativo julgue quando transferir pequenos montantes da conta corrente para a poupança, sem que o usuário sinta falta desse dinheiro.
Num dos estudos, foi enviada uma simples mensagem de texto para um grupo de controle logo depois de uma restituição ter sido creditada em sua conta. Perguntava qual a percentagem do valor restituído o usuário estaria disposto a poupar. A resposta: em média 10%.
Os demais participantes do estudo receberam uma mensagem antes da restituição ter sido creditada em suas contas. O texto dizia que os membros deveriam receber em breve uma restituição e perguntava quanto estariam dispostos a poupar quando o dinheiro fosse creditado: estes responderam, em média, 15%. O aplicativo, então, automaticamente transferia os montantes para a poupança do usuário quando o dinheiro aparecia na conta corrente.
Nos dois casos, dentre aqueles que responderam a mensagem de texto optando por poupar, a taxa média de poupança para o grupo de controle (aqueles que já haviam recebido o dinheiro) foi de 12% enquanto para os participantes do estudo (aqueles que ainda não tinham o dinheiro em suas contas) foi de 22%, quase o dobro da média de poupança do grupo de controle.
“Comprometimento prévio é uma ferramenta que ajuda as pessoas a efetivamente fazerem aquilo que decidiram”, escreveu no relatório anual Kristen Berman, responsável pelo laboratório em São Francisco. “Ao invés de confiar em nós mesmos como sendo excelentes pessoas, tornamos mais difícil para o nosso futuro eu estragar as coisas”.
Os programas que nos fazem poupar de forma automática removem as tentações. “Todos nós olhamos os extratos bancários e quando vemos um monte de dinheiro em nossa conta, nos sentimos ricos e gastamos mais do que deveríamos” diz Ariely. “Se o saldo for pequeno, gastamos menos”.
Uma maneira de neutralizar isso é programar tipos diferentes de pagamento automático. Se você paga prestações de um imóvel todo mês e vencem poucas semanas após você receber seu salário, Ariely sugere que você tenha outra conta apenas para aquele pagamento. Transfira o dinheiro automaticamente para essa outra conta quando seu salário for depositado, mesmo que o vencimento seja apenas dali a algumas semanas.
Um plano de previdência complementar é um mecanismo que te faz assumir um compromisso previamente. “Imagine um mundo no qual você não tivesse um plano de previdência e tivesse que decidir todo mês o quanto poupar” sugere Ariely. “Seria um mundo terrível, sob a perspectiva de poupança”. 
Melhor ainda são programas que transferem contribuições para um plano de previdência complementar.  A Fidelity Investments, nos EUA, fez algumas contas sobre isso. Consideraram um jovem empregado com 25 anos de idade ganhando US$ 40 mil por ano, com aumentos salarias anuais de 1,5% acima da inflação. Se esse empregado aumentasse suas contribuições para um plano de previdência em 1% ao ano por 12 anos, teria um benefício mensal de aposentadoria acrescido de US$ 1.930.
Ganho = mc ²
A forma como as coisas nos são apresentadas pode ser poderosa tanto para o bem como para o mal. A equipe de Ariely fez um estudo para testar a associação que as pessoas fazem entre poupança e a forma de remuneração, no caso, pagamentos por hora versus contrato com pagamento anual. "Quando apresentamos o salário em termos de contrato anual, as pessoas pensam mais no longo prazo e poupam mais", disse ele. "Já quando as pessoas pensam no salário com base na hora trabalhada, não é que não entendam os números, mas sim que de repente elas passam a pensar no curto prazo. Isso significa, por exemplo, não poupar em um plano de previdência. 
Prazo + recompensa = $ 
Kiva, a firma Norte-Americana de empréstimos através de crowdfunding, procurou o laboratório de Ariely por que apenas 20% dos pequenos negócios que procuravam empréstimos, completavam o formulário que haviam começado a preencher. Mesmo para receber empréstimos a juros zero. Então, o laboratório incluiu um prazo para envio do formulário. Essa simples alteração levou a um aumento de 24% no recebimento de formulários completos em relação a um grupo de controle cujos formulários não tinham prazo nenhum para submissão.
“Prazos são, basicamente, uma forma de fazer com que as intenções não se evaporem e se tornem parte de uma realidade imediata”, comenta Ariely. “Precisamos aproveitar as situações em que as pessoas possuem boas intenções e ajudá-las a traduzir essas intenções em ações. Prazos são uma excelente maneira de fazer isso”.
Digamos que você não tem um testamento. É improvável que você vá atrás de um hoje, disse Ariely. Mas você poderia se comprometer a procurar um advogado e marcar uma até o final do mês.  Se você anotar os passos e definir um prazo, não há garantia de que você fará o que se propôs, mas você estará ciente de que não fez isso. Definir um prazo torna mais difícil manter a ilusão de que você está agindo.

Há inúmeros outros projetos sendo conduzidos pelo Laboratório Common Cents. No entanto, existe um fato que se aplica a todos nós. Os pequenos empurrões financeiros podem, no limite, ajudar. Agora, a forma mais simples e poderosa para os empregados pouparem significativamente mais é ganhando maiores salários. Talvez o Ariely e a turma dele possam testar um pouco de economia comportamental para convencer o seu chefe ou sua empresa sobre isso né!

Se você e sua empresa quiserem repetir uma das experiências do Laboratório Common Cents, fale comigo, tenho o maior interesse em aplicar esse novo conhecimento nos fundos de pensão aqui no Brasil.

Abraço grande.
Eder Costa e Silva

 
Fonte: Adaptado do artigo “How Behavioral Economics Can Help You Retire Rich”, escrito por Suzanne Woodley.
Crédito de Imagem: Ilustrações por Sasapost

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Porque a política de redução dos juros do Banco Central Brasileiro e do Banco Central Europeu poderá causar grande impacto nos fundos de pensão


De São Paulo, SP.

Em 2015 o Banco Central Europeu (EBC – European Central Bank) anunciou um programa de expansão de compra de ativos chamado de QE - Quantitative Easying (Flexibilização Quantitativa, em tradução livre).  O programa era parte da política de estabilidade de preços do EBC e levou, posteriormente, a redução da taxa de juros. É difícil determinar o impacto exato do programa sobre as taxas de juros, mas o Banco Central Europeu estimou que o impacto nos títulos com prazo de 10 anos foi uma redução dos juros da ordem de 47 pontos base.
 
Os fundos de pensão na Holanda tem um patrimônio da ordem de €1,3 trilhões – 168% do PIB do país. Cerca de 94% desse patrimônio pertence a planos de benefícios definidos. Nesse tipo de plano os benefícios são “garantidos” de modo que cortes nas rendas de aposentadoria só são permitidas pela legislação holandesa como último recurso.
 
Por serem “garantidas”, o órgão regulador da previdência complementar holandesa determina que os fundos de pensão usem como fator de desconto no cálculo de suas obrigações, a taxa de juros livre de risco na economia.  Isso faz com que os fundos de pensão holandeses, da mesma forma que no resto do mundo, sejam muito sensíveis às mudanças nas taxas de juros.
 
Nas últimas décadas as taxas de juros na Zona do Euro caíram devido a queda da inflação (também da expectativa de queda da inflação), do crescimento econômico e da mudança na estrutura demográfica da população. O declínio da taxa de juros reduziu o nível de cobertura das reservas dos fundos de pensão, ou seja, as obrigações são hoje bem maiores do que o dinheiro existente para pagá-las. Devido a esses níveis reduzidos de cobertura das reservas, os benefícios dos fundos de pensão na Holanda deixaram de ser reajustados pela inflação já faz muitos anos e em alguns casos, os benefícios foram reduzidos (a legislação de lá determina isso). Ao mesmo tempo, aumentaram as contribuições para custear os fundos de pensão.
 
O impacto nos participantes e empresas patrocinadoras dos fundos de pensão holandeses, decorrente desse declínio, tem sido enorme. O valor das obrigações aumentou em cerca de €100 bilhões. O patrimônio também aumentou – devido aos preços maiores dos títulos (efeito da marcação a mercado) e ao hedge das taxas de juros – mas, esse aumento foi da ordem de €40 bilhões. Ou seja, os participantes e as patrocinadoras ainda terão que arcar com aproximadamente €60 bilhões, isso representará um aumento de 20% nas contribuições, se as taxas de juros continuarem baixas em função da política do EBC.
 
Graças a um mecanismo de suavização previsto na regulamentação de previdência complementar holandesa, a redução de 47 bps nas taxas de juros apontado acima não teve efeito imediato, portanto, ainda não foi sentida pelos participantes dos fundos de pensão. O mecanismo de suavização existe para evitar as flutuações diárias nas taxas de juros, que acontecem de forma aleatória devido à volatilidade de curto prazo dos mercados - fundos de pensão são, por natureza, investidores de longo prazo. Em função dos longos períodos em que suas obrigações têm que ser pagas, o mecanismo de suavização evita que os fundos de pensão sofreram os efeitos de curto prazo de políticas de juros como a estabelecida pelo Banco Central Europeu através da QE.
 
Não obstante, a QE não é mais uma questão de curto prazo. Quanto mais tempo perdurar e quanto mais tempo as taxas de juros permanecerem baixas, mais prejudiciais serão aos poupadores Europeus de planos de previdência complementar.
 
Nos próximos três anos os fundos de pensão holandeses poderão “implodir” se as taxas de juros permanecerem baixas. Os efeitos da suavização sobre o cálculos dos compromissos, prevista na regulamentação holandesa, duram 5 anos e terminarão em 2020. A partir daí, caso as taxas de juros continuem no patamar reduzido de hoje e os fundos de pensão não atinjam o nível mínimo de capital requerido para cobrir suas obrigações, em muitos fundos de pensão haverá mais cortes nos benefícios e aumento das contribuições.
 
No dia 13 de fevereiro de 2017, o Parlamento Holandês alertou os formuladores de política na Europa para os efeitos das baixas taxas de juros nos participantes dos fundos de pensão Europeus. Se persistirem, poderão envenenar lentamente o sistema Europeu de previdência complementar.
 
E no Brasil?
 
O sistema de fundos de pensão no Brasil é composto por 307 instituições com patrimônio da ordem de R$ 800 bilhões, o que representa quase 13% do PIB. Quando fecharam os balanços de 2016, os fundos apuraram um déficit da ordem de R$ 71 bilhões.
 
Assim como na Holanda, o déficit do sistema Brasileiro acontece em planos de benefícios definidos. Cerca de 90% do déficit está concentrado aqui em 10 entidades, a maioria patrocinada por empresas estatais. Apesar de localizado, o valor é significativo e sempre preocupa por causa do risco sistêmico que pode causar na imagem dos fundos de pensão como um todo.
 
No cálculo de suas obrigações os fundos Brasileiros utilizam uma taxa de desconto que, simplificando, é baseada em uma média das taxas de juros de longo prazo definidas pelo Banco Central nos três anos anteriores ao cálculo.
 
Essa média existe como mecanismos de suavização, bem semelhante ao adotado pela Holanda. A única diferença é que na lá a média cobre um período de 5 anos e no Brasil esse prazo é de 3 anos.
 
Por isso, a taxa de desconto utilizada pelos fundos de pensão para apurar as obrigações em 2016 refletiam a política de juros altos que vinha vigorando desde 2013. No apagar das luzes de 2016 a taxa de juros nominal dos títulos públicos de longo prazo era de 13,75% ao ano.
 
Porém, devido a queda abrupta da inflação e ao baixo crescimento econômico, a política monetária passou por uma inflexão no início de 2017 e o mais recente boletim Focus do Banco Central, de abril, aponta previsão média do mercado para Selic nominal de 8,75% em dezembro. Uma queda e tanto! Perto de 40% de redução em apenas 1 ano.
 
Supondo que a política de juros baixos do Banco Central do Brasil permaneça nos próximos anos, o impacto dessa redução só será sentido pelos fundos de pensão em 2020. Da mesma forma que na Holanda, o efeito será drástico, podendo-se esperar grande impacto no equilíbrio dos planos de previdência, com déficits maiores e aumento imediato de contribuições para participantes e empresas patrocinadoras.
 
Há solução para isso? Sim, há solução. Vamos tomar um café e eu te conto.
 
Grande abraço,
ECCS.
 
 
 
Fonte: Adaptado do artigo “PGGM: ECB’s policy could cause Dutch pension system 'implosion'”, escrito por Agnes Joseph / Niels Kortleve e publicado em 25/04/2017 na revista Pensions & Investment Europe.
Crédito de Imagem: Deutschland Magazine

quarta-feira, 5 de abril de 2017

As pessoas te julgam em segundos, o que elas estão avaliando? Algo fundamental se você quer fazê-las poupar para a aposentadoria




Prof. Amy Cuddy da Harvard Business School


A Professora Amy Cuddy, da Harvard Business School, vem estudando há mais de 15 anos, junto com seus colegas Psicólogos Susan Fiske e Peter Glick, a primeira impressão que as pessoas causam quando são apresentadas aos outros. Eles descobriram que há alguns padrões nessas interações.

Em seu novo livro “Presença” (Presence, em Inglês), a Professora Amy diz que as pessoas respondem rapidamente a duas perguntas quando te conhecem pela primeira vez:

  • Eu posso confiar nessa pessoa?
  • Eu devo respeitar essa pessoa?

Os Psicólogos se referem a essas duas dimensões, respectivamente, como credibilidadee e competência e idealmente você deveria querer ser percebido como tendo ambas.

Curiosamente, diz a Professora Amy, a maioria das pessoas, especialmente num contexto profissional, acredita que competência é o fator mais importante. Afinal de contas, as pessoas querem provar que são espertas e talentosas o bastante para cuidar do trabalho que você tem para elas.

Não obstante, a credibilidade ou cordialidade constituem o fator mais importante sobre a avaliação que as pessoas fazem de você.

"Sobre uma perspectiva evolucionária”, diz a Profa. Amy, "É mais crucial para nossa sobrevivência saber se uma pessoa merece nossa confiança”.

Faz todo sentido quando você considera que na época do homem-das-cavernas era mais importante se o seu colega hominídeo iria te matar e roubar todos os seus pertences ou se ele era competente o bastante para acender uma boa fogueira.

Porém, enquanto competência é uma característica altamente valorizada, a Profa. Cuddy diz que ela só é avaliada depois que a confiança é estabelecida. Além disso, focar demasiadamente em apresentar seus pontos fortes pode ser um tiro pela culatra.

Ela ensina que trainees com MBA normalmente são muito preocupados em ser percebidos como inteligentes e competentes. Isso pode leva-los a faltar a eventos sociais, não pedirem ajuda (socorro) e serem, geralmente, avaliados como inacessíveis.

Esses “high potentials” ficam surpresos quando não conseguem uma oferta de emprego e a razão é porque ninguém chegou a conhecê-los e confiar neles como pessoas.

A Professora Cuddy diz:

Se alguém que você está tentando influenciar não confia em você, certamente você não irá muito longe. Você pode até levantar suspeita porque vai parecer manipulador.

Uma pessoa afável e confiável, que também possui pontos fortes, causa admiração. Mas apenas depois que essa pessoa conquistou sua confiança é que os pontos fortes dela se tornam algo positivo, ao invés de uma ameaça.

Portanto, se você quer convencer alguém que você nunca viu antes na vida, a poupar para a aposentadoria, antes de apresentar suas credenciais na área de previdência complementar, procure ser visto como um ser humano que merece confiança.

Sem isso, não vai convencer ninguém!

Grande abraço
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo People size you up in seconds, but what exactly are they evaluating?, escrito por Jenna Goudreau e publicado no Business Insider.

Crédito de Imagem: Craig Barritt/Getty

domingo, 8 de março de 2015

Indecisão Insegura

De São Paulo, SP.

Roy Tuscany tinha 24 anos de idade quando quebrou as costas depois de errar um salto de esqui e se estatelar na neve.
Duas semanas antes do acidente que mudou sua vida em 2006, ele poderia ter optado pela cobertura de invalidez permanente incluída no seguro de vida em grupo oferecido pela sua empresa.
Da mesma forma que muitos jovens adultos da sua idade, ele não deu nenhuma importância para aquilo, achando que não era necessário. Afinal, ele era instrutor de esqui na cidade de Norden, na California nos EUA e instrutores de esqui não se envolvem em acidentes, certo?
"Eu tinha acabado de me inscrever no plano de saúde da empresa e já estava incomodado o bastante em ter que pagar por aquilo" lembra Tuscany.
Tuscany, que hoje tem movimentos limitados nas duas pernas e anda com a ajuda de muletas, disse que não tem ideia de quanto a cobertura de invalidez teria lhe custado e que não entendia naquela época porque um cara jovem como ele precisaria daquela cobertura.
Sabendo o que sei agora, eu teria dito para mim mesmo que devido ao meu estilo de vida a cobertura de invalidez seria quase que obrigatória”, resignou-se.
... e o custo?
"Teria valido a pena deixar de comprar uma dúzia cervejas por mês para pagar por aquela cobertura”, Tuscany disse.
Enquanto muitas pessoas adquirem seguro para seus carros, suas casas e suas despesas médicas, nem todo mundo se preocupa com aquilo que pode ser mais importante:  suas vidas e seus empregos.
Muitos trabalhadores dizem que a razão de não terem esse tipo de cobertura é porque eles não entendem os custos e os benefícios que teriam com tais seguros.
Não surpreende, portanto, que o setor de seguros tenha obtido fracos resultados em sua tentativa de aumentar a participação dos consumidores nos seguros de vida e invalidez.
Para piorar esse quadro aqui no Brasil, ao longo dos últimos 20 anos as empresas vem diminuindo sensivelmente o foco nas coberturas de invalidez e morte de seus programas de benefícios.
Até meados dos anos 90 os planos de previdência complementar no país garantiam uma renda vitalícia para o cônjuge em caso de morte do empregado ou a segurança de uma renda mensal ao próprio empregado diante das agruras de uma invalidez permanente.
Hoje, se um empregado morre ou se invalida cedo em sua carreira, o seguro de vida em grupo da empresa somado ao benefício por morte ou invalidez de seu plano de aposentadoria não garantem mais do que uns poucos anos de renda, antes de acabarem.
Completando esse cenário, cada vez mais empresas estão fazendo com que o empregado tenha que escolher voluntariamente e pagar por todo tipo de benefício — desde ticket alimentação e até a própria cobertura de seguro de vida e de invalidez.
Ter que decidir qual benefício escolher no momento da admissão pode ser algo intimidador e confuso para o empregado.
 
DESCONEXÃO COM A REALIDADE
 
Os trabalhadores não são os únicos que se sentem confusos em relação às coberturas de invalidez e morte oferecidas pelas empresas. Os gestores de RH podem estar deixando escapar maneiras importantes para ajudar os empregados e suas famílias. O papel social das empresas está se esvanecendo.
No mundo moderno, onde viver 100 anos já não causa espanto, a preocupação de morrer cedo deixando a família desamparada foi dando lugar para o medo de viver demais e ficar sem dinheiro no fim da vida
Isso pode ser visto nos planos de previdência das empresas, que foram voltando seu foco para o benefício de aposentadoria e se afastando paulatinamente dos riscos de invalidez e morte.
A maioria dos gestores de RH pode pensar que ter um bom seguro de vida em grupo no pacote de benefícios da companhia é o bastante para tranquilizar os empregados. Mas não se pode confundir seguro com previdência.  Seguro de invalidez e morte cobre alguns meses (24, 36, 72 vezes o salário mensal) enquanto os benefícios de previdência garantem (ou deveriam garantir), nesses casos, uma renda mensal de longo prazo
São simplórios os valores pagos hoje pela maioria dos planos de previdência das empresas, diante de invalidez ou morte do empregado.
Quando se trata de invalidez a maioria das pessoas não entende mesmo, diz Carol Harnett, Presidente do “Council for Disability Awareness”, uma ONG com sede em Portland, no estado americano do Maine.
Carol propõe chamarmos essa cobertura de seguro de renda ao invés de seguro por invalidez. Concordo com ela porque para a maioria das pessoas, seguro por invalidez tem a ver com curtos períodos de tempo durante os quais a pessoa não pode trabalhar, como durante a recuperação após um acidente, uma cirurgia, ou então durante a gravidez.
 
FAZENDO DIFERENTE
 
Jovens já são maioria na força de trabalho. Os chamados “milênios”, pessoas com idades entre 18 e 34 anos, são a mais numerosa geração viva nos dias de hoje.
Nos EUA eles são cerca de 75,3 milhões contra 74,5 milhões de “baby boomers”, a geração nascida após a II Guerra e que está agora com idades na faixa de 51 a 69 anos.
Esse perfil jovem da força de trabalho, aliado a tendência das empresas transferirem para os empregados a responsabilidade pela escolha dos benefícios, ressalta ainda mais a importância de uma comunicação eficiente.
A geração dos “milenials” está direcionando as tendências da comunicação nas empresas.
“Tem a ver com a explicar as coisas de uma maneira diferente de modo que elas possam coloca-las no contexto e tomar decisões mais bem informadas”, explica Tom Dupuis - Vice Presidente de Desenvolvimento de Produtos e Mercados do Grupo Unum.
Em setembro do ano passado a MetLife criou uma série de vídeos chamada de Who I Live For, “Qual a minha razão de viver”, em tradução livre para o Português.
Os vídeos foram lançados exclusivamente através das mídias sociais tipo Facebook, LinkedIn, Twitter e YouTube, ou seja, nada de televisão.
Foram filmadas pessoas de diferentes origens, idades e sexo e as respostas foram bem similares. Cada pessoa contou sua história individual, algumas mostrando fotos gravadas em  seus “smartfones”, outras escrevendo em pequenos cartazes (veja abaixo).
“Ao invés de promover a necessidade de seguro de vida ressaltando o medo de morrer ou de se invalidar, como tradicionalmente se faz, os vídeos tinham mais a ver com proteger e cuidar das pessoas que você ama”, comentou Stephen Pontecorvo, Vice Presidente Sênior da MetLife.
 

"É uma forma de pegar mais leve na conversa sobre seguro de vida”.
A campanha da MetLife atraiu mais atenção do que qualquer outra campanha da empresa fora do campeonato futebol americano, registrando mais de 354.000 acessos aos vídeos e 146.000 tweets.
Foi um bom exemplo de como atrair a atenção dos empregados jovens com mensagens criadas de uma maneira que eles querem receber.
Ninguém gosta de falar sobre morte e invalidez, então, é preciso sair do lugar comum e criar uma comunicação mais inteligente, que atinja o mesmo objetivo por um caminho diferente.
Ainda há um longo caminho pela frente para ajudar os empregados a fazerem a conexão entre os riscos que correm e a proteção oferecida pelas empresas onde trabalham.
Tuscany, por exemplo, conseguiu fazer essa conexão – infelizmente, o fez por acidente.
 
Forte abraço,
Eder


Fonte: Adaptado do artigo “Insurance Indecision”, de Patty Kujawa.
Crédito de Imagem: www.pt.depositphotos.com
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Cuidados na Portabilidade

Hora no Mundo?

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