De Sāo Paulo, SP.
A máquina da renovação demográfica, econômica e social que alimentou a existencia dos fundos de pensāo ao longo de todo o Seculo XX, começa a falhar.
As pessoas estão:
Se casando menos e formando famílias mais tarde;
Tendo menos filhos; e
Construindo carreiras profissionais diferentes de todas as gerações anteriores.
Você já fez as contasdo que isso significa para o futuro dos fundos de pensão?
A crise do casamento é uma catástrofe economica
Os Beatles costumavam cantar: “All you need is love.” Eles estavam certos, mas junto com amor costumava vir o casamento
Mas as taxas de casamento despencaram, especialmente entre os homens jovens.
Nos EUA:
Em 2025: o número de homens solteiros entre 18 e 39 anos era quase o dobro do número de casados.
Havia 30,4 milhões de homens solteiros nessa faixa etária em 2025, um aumento de 47% em relação aos 20,7 milhões registrados em 2000.
No mesmo período, o número de homens casados nessa faixa etária caiu 15%, de 18,1 milhões para 15,4 milhões.
Os dados mais recentes do censo americano indicam que 47% dos domicílios dos EUA eram chefiados por casais no ano passado, uma queda em relação aos 78,8% registrados em 1949.
De acordo com a psicóloga educacional Donna R. Turner, 42% dos homens da classe trabalhadora são solteiros. Em 1980, 73% dos homens da classe trabalhadora eram casados.
No Brasil, a situação não é muito diferente.
Dados do IBGE mostram que o número de casamentos civis passou de aproximadamente 1,14 milhão, em 2015, para 941 mil, em 2023.
Uma redução de aproximadamente 17%.
Mas o problema econômico não é simplesmente o desaparecimento dos casamentos.
Afinal, as pessoas podem constituir famílias, ter filhos e compartilhar suas vidas sem necessariamente formalizar uma união.
O que realmente importa é que estamos testemunhando uma transformação profunda na formação das famílias, na decisão de ter filhos e na maneira como as pessoas organizam suas vidas econômicas.
Todas essas transformaçōes estāo acontecendo simultaneamente ao envelhecimento populacional mais acelerado da história moderna.
Uma bomba demográfica
A OCDE estima que a taxa média de fecundidade dos países integrantes da organizaçāo esteja próxima de 1,46 filho por mulher.
Muito abaixo dos 2,1 filhos por mulher necessários para manter uma população estável no longo prazo, desconsiderando a migração.
No Brasil, a taxa de fecundidade já havia recuado para 1,58 filho por mulher em 2022, segundo o IBGE.
Isso significa que as novas gerações serão numericamente menores do que aquelas que as precederam e isso é muito preocupante.
De acordo com as projeções demográficas do IBGE, a população brasileira deverá atingir seu máximo por volta de 2041, com aproximadamente 220 milhões de habitantes.
Depois disso, começará a diminuir e em 2070, deverá estar próxima de 199 milhões.
Ou seja, perderemos aproximadamente 21 milhões de habitantes entre o pico populacional de 2041 e 2070.
É como se uma população equivalente à de um grande estado brasileiro desaparecesse. Esse fenômeno não será exclusivamente brasileiro.
Japão, Coreia do Sul, Itália, Espanha e diversos outros países já enfrentam, em diferentes estágios, as consequências econômicas do envelhecimento e da baixa fecundidade.
Agora, pense comigo.
Se teremos menos crianças, teremos menos jovens.
Se teremos menos jovens, teremos menos pessoas ingressando no mercado de trabalho.
E, se teremos menos trabalhadores, quem serão os novos participantes dos fundos de pensão?
Essa é uma pergunta muito mais importante para a sobrevivência da previdência complementar do que discutir se uma EFPC deve fazer rebranding ou nāo.
Consequência # 1: Perda da fonte natural de renovaçāo
Em artigos anteriores do TECONTEI?, venho insistindo que o maior problema dos fundos de pensão brasileiros não é sua rentabilidade, nem seu tamanho.
É sua capacidade de continuar existindo.
O fato de um fundo de pensão administrar bilhões de reais, possuir uma excelente estrutura de governança, apresentar custos administrativos competitivos e entregar bons resultados de investimentos:
Nāo garante sua sobrevivência institucional.
Especialmente quando a população de participantes envelhece e não existe renovação suficiente na outra ponta (entrada).
Até aqui, os fundos de pensão corporativos dependiam de um mecanismo relativamente simples para continuar existindo:
Empregados antigos se aposentavam;
Empregados novos eram contratados;
E esses novos empregados ingressavam nos planos de previdência complementar.
O mecanismo funcionava porque existia uma combinação favorável entre crescimento populacional, expansão do emprego formal e relativa estabilidade dos vínculos trabalhistas.
O que acontece quando essas três condições deixarem de existir simultaneamente?
Temos menos jovens disponíveis para contratação.
As empresas passam. a empregar menos pessoas e a recorrer a automação e inteligência artificial.
Os trabalhadores começam a desenvolver carreiras com múltiplos empregadores, atividades autônomas e períodos de trabalho intermitente.
O resultado?
Uma redução estrutural da capacidade dos fundos de pensāo renovarem seus participantes .
Consequencia # 2: Fundos de pensāo começam a morrer
Há uma armadilha na maneira pela qual se avalia a saúde do sistema brasileiro de previdência complementar.
A medida do seu sucesso foca no tamanho do patrimônio acumulado. Se o patrimônio cresce, concluímos que o sistema está saudável.
Sò que essa conclusão pode estar completamente errada e isso é bem facil de perceber.
Um fundo de pensão que hoje conta com R$ 20 bilhões de patrimônio e 30 mil participantes, daqui a 20 anos poderá estar administrando R$ 30 bilhões, mas possuir apenas 15 mil participantes, majoritariamente aposentados.
Seu patrimônio terá crescido 50%, enquanto sua população terá diminuído consideravelmente, será metade do que era hoje.
O fundo estará melhor ou pior?
Financeiramente, poderá continuar muito sólido. Institucionalmente, entretanto, estará em franco processo de extinção.
Patrimônio acumulado não é sinônimo de vitalidade institucional. Aliás, essa foi uma das motivações que me levaram a propor, recentemente, a construção da PF-BRA2026, uma tábua de mortalidade para os próprios fundos de pensão brasileiros.
Todo ano a midia especializada estampa nas manchetes que o patrimonio do sistema de fundos de pensāo cresceu de “X” trilhōes para “X+Y” trilhōes.
Talvez estejamos olhando para os indicadores errados.
Consequencia # 3: Uma previdencia diferente
Um outro aspecto dessa transformação merece atenção.
Boa parte dos produtos de previdencia complementar foi desenvolvida considerando uma estrutura familiar relativamente tradicional.
O trabalhador, seu cônjuge, filhos e eventualmente outros dependentes.
Essa estrutura familiar influenciou o desenho dos planos de benefícios, as pensões por morte, rendas reversíveis ao cônjuge e diversas outras características dos planos.
Mas como será a família em 2040?
Provavelmente teremos mais pessoas vivendo sozinhas, casais sem filhos, famílias recompostas, uniões não formalizadas e diferentes arranjos de convivência social.
Isso não significa que haverá menos necessidade de previdência complementar. Pode significar exatamente o contrário.
Pessoas que envelhecem sem filhos ou sem uma rede familiar de apoio poderão depender ainda mais de recursos financeiros próprios para custear moradia, cuidados pessoais, assistência médica e serviços de cuidado na velhice.
A diferença é que suas necessidades serão muito diferentes daquelas consideradas no desenho dos planos tradicionais do Seculo XX.
Uma pessoa solteira, sem filhos e com 75 anos talvez esteja menos preocupada em deixar uma pensão para dependentes e muito mais interessada em garantir recursos para financiar seus cuidados aos 90 ou 100 anos.
Outra pessoa poderá querer deixar seu patrimônio para irmãos, sobrinhos, amigos ou instituições. O desenho dos benefícios precisará acompanhar essas mudanças.
O problema não será ter menos participantes. Será continuar oferecendo produtos concebidos para famílias que estão deixando de representar o padrão dominante.
Consequencia # 4: Muda a lógica da poupança
Essa é ma dimensão econômica pouco discutida.
A formação de famílias está associada a decisões importantes de consumo, investimento e acumulação patrimonial, tipo:
Compra de imóveis;
Educação dos filhos;
Seguros, proteção financeira e planejamento da aposentadoria.
Quando as pessoas passam a viver sozinhas ou em arranjos familiares menores, diferentes, essas decisões mudam.
Por um lado, indivíduos podem ter maior liberdade para poupar e investir. Por outro, perdem parte das economias de escala proporcionadas pelo compartilhamento de despesas domésticas.
Uma residência ocupada por duas pessoas não custa necessariamente o dobro de uma residência ocupada por uma.
Quando cresce o número de domicílios unipessoais, despesas com moradia, energia, transporte e serviços podem consumir uma parcela maior da renda individual.
Isso pode reduzir a capacidade de poupança de longo prazo, especialmente entre trabalhadores de renda mais baixa.
Ao mesmo tempo, pessoas sem filhos podem ter maior disponibilidade financeira em determinadas fases da vida.
Portanto, o efeito não será uniforme.
O que parece provável é que os modelos padronizados de previdência complementar perderão progressivamente sua capacidade de atender às necessidades de uma sociedade muito mais heterogênea.
A previdência do futuro precisará ser muito mais individualizada, muito mais focada nas necessidades do individuo.
Consequencia # 5: Consolidaçāo nāo resolve o problema
Aqui chegamos a um ponto que venho abordando repetidamente no TECONTEI?. A indústria mundial de fundos de pensão está apostando suas fichas na consolidação.
Entidades de previdencia complementar maiores absorvem planos administrados por entidades menores.
O objetivo é ganhar escala, reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.
Até aí, tudo bem. Só que existe um problema:
A consolidação redistribui os participantes existentes. Não cria novos participantes.
Um sistema com 100 fundos de pensão e um milhão de participantes, depois de passar por diversas fusões e transferências de gerenciamento, passa a ter apenas 20 fundos.
Apos a consolidaçāo, continuará contando com o mesmo um milhão de participantes.
Se, ao longo dos anos seguintes, essa população cair para 700 mil pessoas, a consolidação não terá resolvido o problema demográfico.
Teremos é uma menor quantidade de instituições administrando uma população menor.
O processo poderá se repetir:
Vinte fundos poderão virar dez.
Dez poderão virar cinco.
Até que a própria justificativa econômica de determinadas estruturas institucionais comece a desaparecer.
Naturalmente, entidades maiores e multipatrocinadas poderão sobreviver por mais tempo. Algumas poderão inclusive prosperar, caso consigam conquistar novos públicos.
Mas isso dependerá de inovação e expansão efetiva do mercado, não apenas da transferência de participantes entre instituições.
Ao contrario do que se supōe, consolidaçāo é uma estrategia de aumento da eficiência, nāo é uma estratégia de crescimento.
Consequencia # 6: A IA agravará o problema
O crescimento das empresas semore esteve associado à contratação de mais empregados. Uma empresa que dobrava seu faturamento frequentemente precisava ampliar sua força de trabalho.
Essa relação está mudando.
As empresas hoje aumentam significativamente sua produção e seu faturamento sem expandir proporcionalmente o número de empregados.
Em determinados setores, até reduzem suas equipes.
Isso representa uma transformação importante para os fundos de pensão corporativos.
Mesmo que uma patrocinadora continue crescendo economicamente, não existe garantia de que sua população de empregados também crescerá.
Consequentemente, não existe garantia de que o número de participantes de seu plano de previdência complementar aumentará.
Teremos, portanto, dois movimentos simultâneos.
De um lado, a demografia reduzindo a oferta futura de trabalhadores.
De outro, a tecnologia reduzindo a necessidade de trabalho humano em determinadas atividades.
É verdade que a inteligência artificial também poderá criar novas ocupações e aumentar a produtividade e os salários.
Mas não existe garantia de que esses ganhos se traduzirão em mais empregos formais vinculados a patrocinadoras de fundos de pensão.
O crescimento econômico se desacoplará definitivamente do crescimento da população de participantes dos planos corporativos de previdencia complementar.
.Essa possibilidade deveria estar no centro dos planejamentos estratégicos das EFPC.
Os fundos de pensāo nos próximos 30 anos
Não se trata de uma previsão baseada em modelagem específica das EFPC brasileiras, mas vamos fazer um exercício prospectivo.
Considerando uma combinação entre demografia, transformação do trabalho e mudanças no comportamento financeiro das novas gerações, o cenario a seguir é bastante plausivel.
2030–2035: O envelhecimento institucional
O sistema de fundos de pensāo deverá enfrentar uma pressão crescente decorrente do envelhecimento populacional, portanto, de seus participantes, do atingimento da maturidade de diversos planos e da dificuldade de atrair novos entrantes.
A consolidação continuará sendo uma das principais respostas da indústria para ganhar um fôlego adicional.
Entretanto, a expansão da previdência complementar corporativa começará a perder velocidade, entrando em declinio diante de soluções individuais de acumulação patrimonial e poupança de longo prazo.
Os primeiros sinais dessa transformação já estão presentes.
2035–2045: A contraçāodo mercado
Nesse período, o Brasil estará se aproximando do pico populacional previsto pelo IBGE e poderá começar a experimentar uma redução mais pronunciada da população em idade ativa (entre 30 e 60anos).
Muitas entidades de previdencia complementar (EFPC) passarāo a administrar planos com proporçōes crescentes de aposentados e pensionistas.
A quantidade de empresas patrocinadoras e participantes cobertos pelos modelos tradicionais de previdencia complementar corporativa diminuirá em diversos segmentos econômicos.
A competição pela poupança das novas gerações se intensificará.
NeoBanks, fintechs e plataformas de investimentos, carteiras digitais e novas soluções financeiras disputarāo diretamente recursos que, no passado, seriam direcionados aos fundos de pensão.
2045–2055: A bifurcaçāo da previdencia
A partir daqui, vejo dois caminhos possíveis.
No primeiro: os fundos de pensão tradicionais continuarão, por inercia, administrando o patrimônio acumulado pelas gerações anteriores, com participação progressivamente menor na formação de nova poupança previdenciária. Nesse cenário, muitas EFPC que nāo passaram por consolidaçāo nas duas decadas anteriroes, serāo incorporadas, transferindo seus planos e encerrando suas atividades.
No segundo: umas poucas instituições (fundos de pensāo) conseguirão se reinventar. Deixarão de depender exclusivamente do vínculo empregatício e passarão a oferecer soluções de poupança e renda de longo prazo para pessoas com diferentes formas de trabalho, estruturas familiares e necessidades financeiras. Poderão incorporar novas tecnologias, modelos de distribuição, produtos de desacumulação e serviços de proteção à longevidade.
A diferença entre esses dois caminhos não será determinada pelo tamanho atual do patrimônio da EFPC, mas sim por sua capacidade de conquistar participantes que ainda nem nasceram ou que sequer pensam em ingressar em um fundo de pensão.
Existe saída?
Sim, mas isso exigiria abandonar as premissas que orientaram a indústria de fundos de pensāo ao longo de toda sua existência.
Seria preciso reconhecer que a previdência complementar não poderá continuar dependendo predominantemente do emprego formal tradicional.
Tambem seria preciso fazer com que os novos produtos acompanhem as transformações das famílias e das trajetórias profissionais.
Por fim, demandaria o desenvolvimento de soluções de poupança que começem muito antes do primeiro emprego.
Já escrevi aqui no TECONTEI? sobre iniciativas internacionais de contas de poupança de longo prazo abertas desde o nascimento.
Essa talvez seja uma das transformações mais importantes para o futuro da previdência complementar.
Se a população jovem será menor, cada novo poupador se tornará ainda mais crucial.
Não faz sentido esperar que alguém complete 25 ou 30 anos, consiga um emprego em uma empresa patrocinadora e somente então comece a poupar para a aposentadoria.
A poupança deveria acompanhar o indivíduo desde a infância, independentemente de quem sejam seus pais, de seu estado civil ou de sua trajetória profissional.
Também precisaremos de soluções muito mais flexíveis de desacumulação.
Pessoas que vivem sozinhas, que não possuem filhos ou que não contam com redes familiares de apoio precisarão de instrumentos financeiros capazes de protegê-las durante toda a velhice.
Isso inclui rendas vitalícias, proteção contra custos dos cuidados na velhice e mecanismos de gestão do risco da longevidade.
Finalmente, será indispensável desenvolver estratégias reais de distribuição dos produtos de previdencia complementar.
Não basta criar novos planos de previdencia complementar e esperar que as pessoas apareçam do nada.
Os fundos de pensão precisarão disputar ativamente a poupança de uma população cada vez menor, mais exigente e com acesso a alternativas financeiras que sequer existiam quando essas instituições foram criadas.
Enquanto a sociedade abandona progressivamente diversos modelos tradicionais de organização familiar e profissional, os fundos de pensão continuam estruturados sobre premissas herdadas de uma outra época.
Ainda dependem de empresas patrocinadoras;
Ainda concentram suas estratégias na administração do patrimônio acumulado;
Ainda discutem consolidação como se ganhar escala fosse suficiente para garantir sua sobrevivência; e
Ainda dedicam pouca atenção ao que realmente importa: de onde, nos próximos 30 anos, virão os participantes?
O declínio dos casamentos não significa necessariamente o desaparecimento das famílias, mas, combinado à redução da fecundidade, ao envelhecimento populacional e à transformação do mercado de trabalho, sinaliza o enfraquecimento das condições demográficas e econômicas sobre as quais construímos boa parte do sistema de previdência complementar corporativo.
O problema não é haver menos pessoas. O problema é que as pessoas que existirão terão vidas, famílias, empregos e necessidades financeiras muito diferentes daquelas para as quais os fundos de pensão foram originalmente concebidos.
Estamos diante de algo maior do que uma simples crise demográfica. Estamos diante de uma crise do próprio modelo institucional da previdência complementar.
Conforme já venho alertando há algum tempo, o desaparecimento gradual dos fundos de pensão não significa que as pessoas deixarão de poupar para a aposentadoria.
Significa que acharão outras maneiras de fazer isso.
A maior ameaça aos fundos de pensão não está nos mercados financeiros, na regulação nem na concorrência. Ela está acontecendo, silenciosamente, nas maternidades.
Grande abraço,
Eder.
Opiniões: Todas minhas | Fonte: “The Marriage Deficit Is an Economic Catastrophe”, escrito por Stephen Moore.
Disclaimer: Este artigo foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial, a partir de orientações do autor, de sua experiência profissional e das informações das fontes consultadas. As projeções relativas ao futuro dos fundos de pensão representam cenários prospectivos, e não previsões atuariais.




