segunda-feira, 29 de junho de 2026

QUE O TRABALHO MUDOU, NÓS SABEMOS, MAS OS FUNDOS DE PENSĀO MUDARĀO A TEMPO?

 


De Sāo Paulo, SP.


Tanto na ciência quanto na história, trabalho é uma ferramenta definitiva de modificação do estado das coisas.

Na física, trabalho (T) é uma grandeza que mede a transferência de energia para um corpo através da aplicação de uma força, que gera um deslocamento (a formula basica é T = F x D). O conceito é puramente vetorial e mecânico. A força precisa ter direção e sentido úteis para gerar deslocamento. Se você empurrar uma parede até cansar e ela não se mover, o trabalho na física é zero, não importando o seu esforço.

Na história, o trabalho humano, potencializado pelas máquinas a vapor, tinha como foco a transformação brutal da matéria-prima em produtos. O trabalhador na industria aplicava uma força real e exaustiva, mas perdeu o propósito subjetivo daquilo que produzia. Segundo a teoria da alienação de Karl Marx, o operário não era mais dono do processo e nem do produto final; seu único propósito imediato passou a ser a subsistência através do salário. Ele vendeu a sua capacidade física de gerar energia (trabalho), quantificada em horas, para que o sistema industrial a canalizasse em lucro.

Na etmologia, a palavra trabalho deriva do latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta de três pernas que imobilizava animais de traçāo (cavalos e bois) para colocar ferradura. Curiosamente, era também o nome de um instrumento de tortura usado contra escravos e presos, que originou o verbo tripaliare cujo primeiro significado era “torturar”. Nesse sentido insere-se também a antiga tradição bíblica do trabalho como castigo, ao condenar o homem comum expulso do paraiso (Adāo) à labuta para ganhar o pão de cada dia (”tu comerás o teu pão, no suor do teu rosto”).

O sistema de previdência complementar foi construído sobre uma premissa aparentemente sólida de trabalho.

Era uma linha reta: escola-emprego-carreira-aposentadoria. Esse modelo fez sentido por mais de um seculo, enquanto o trabalho também seguia uma linha reta.

Mas essa linha se quebrou.

O setor de previdência complementar já percebeu que há uma transformação em curso naquilo que, por força do hábito, ainda chamamos de “trabalho”.

Porém, nāo percebeu o suficiente!

Notar que o trabalho está mudando é apenas o primeiro passo. O passo realmente importante para o setor de fundos de pensāo é entender para onde essa mudança está levando o trabalho, o emprego, a renda, a contribuição previdenciária e a própria ideia de segurança financeira.

Os fundos de pensão nasceram em um mundo industrial, um mundo em que o trabalho era medido por unidade de tempo.

O empregado vendia horas de trabalho, a empresa comprava essas horas, o salário remunerava essas horas e a previdência era calculada sobre esse salário. A segurança financeira futura era financiada por uma relação relativamente estável entre empregado, empregador e planos de benefícios de fundos de pensāo.

Credito de Imagem: GettyImages


Essa arquitetura funcionava porque havia uma espécie de “física planetária do trabalho” embutida.

  • O emprego era o centro em torno do qual tudo gravitava.

  • A carreira era a órbita.

  • A empresa era o planeta.

  • A aposentadoria era o destino final.

A tecnologia não mudou apenas as ferramentas usadas no trabalho, ela mudou essa física inteira. As pessoas não vivem mais de um único emprego e muitas nem vivem de emprego, vivem de:

  • Projetos

  • Plataformas

  • Contratos

  • Consultorias,

  • Venda de conteúdo,

  • Comunidades,

  • Marcas pessoais,

  • Produtos digitais,

  • Renda de investimentos,

  • Participação em negócios,

  • Atividades paralelas e

  • Combinações que ainda nem sabemos nomear direito.

A carreira, como conceito, está desaparecendo e é aqui que os fundos de pensão precisam prestar atenção.

O setor pode até ter percebido que o futuro do trabalho está mudando, mas isso, sozinho, não assegura o futuro dos próprios fundos de pensão. Pelo contrário: pode apenas transformá-los em espectadores bem informados do próprio ocaso.

O desafio é redesenhar produtos, serviços e modelos de negocios para um mundo em que o trabalho é fragmentado, digital, instável, autônomo e na maioria dos casos, independente de um emprego formal.

Como fica a previdência complementar nesse mundo?

  • Se a renda do futuro será mais irregular, os planos precisam aceitar e ter sistemas para receber contribuições intermitentes;

  • Se o vínculo empregatício é mais curto, o saldo acumulado precisa ser portátil de verdade e acompanhar automatiamente o participante para onde ele for.

  • Se as pessoas terão múltiplas fontes de renda, o plano precisa receber contribuiçōes mensais não (apenas) de salários, mas de fontes variadas de recolhimento, tipo, % de gastos com cartōes, aluguéis, honorários PJ, debito em conta-corrente etc.

  • Se a educação financeira tradicional não engaja, o setor precisa estar nas plataformas tipo TikTok onde as pessoas realmente estão no dia-a-dia.

  • Se a vida será menos linear, os produtos precisam deixar de ser lineares.

Não basta oferecer acumulação para uma aposentadoria aos 65 anos, será preciso oferecer segurança financeira ao longo de toda a vida:

  1. Seja entre momentos de perda de renda: a pessoa fica sem trabalho;

  2. Seja diante dos riscos: invalidez, morte, longevidade;

  3. Seja em situaçōes de emergência: gastos inesperados com saúde, acidentes, despesas com a casa ….

Isso significa criar soluções para pausas de carreira, transições profissionais, períodos de renda baixa ou nula, requalificação, empreendedorismo, desacumulação parcial, proteção contra longevidade, renda complementar temporária, fundos de emergência e orientação financeira personalizada.

Credito de Imagem: Shutterstock


Em outras palavras:

Os fundos de pensão precisam sair da lógica de “guardar dinheiro para o fim da vida” e entrar na lógica de “entregar segurança financeira para uma vida imprevisível”

A previdência complementar brasileira tem uma oportunidade enorme, mas essa oportunidade não está em ajustar o modelo antigo. Está em redesenhar o modelo, criar um modelo novo, antes que outros fora do setor de fundos de pensāo façam isso.

Neobanks digitais, fintechs, plataformas de investimento, seguradoras, big techs, exchanges, carteiras digitais e agentes de inteligência artificial já estão disputando a atenção financeira das novas gerações.

Eles não precisam pedir licença ao sistema de previdência complementar para oferecer soluções de longo prazo para os consumidores.

Eles aparecem no celular, falam a linguagem do usuário e entregam conveniência.

Se o sistema de previdência complementar quiser continuar relevante, precisará entender que:

  • O produto previdenciário do futuro não será apenas um plano de acumulaçāo de capital seguido de desacumulaçāo, na forma de renda contínua.

  • Será uma plataforma, que entrega segurança financeira ao longo da vida, de toda ela, que dá suprte no curto, nomedio e no longo prazo.

Uma plataforma:

  1. Que acompanha a pessoa ao longo de toda a vida e conversa com suas fontes de renda reais hoje, amanhā e depois;

  2. Que permite contribuições pequenas ou grandes, variáveis e automáticas;

  3. Que aceita múltiplos vínculos de trabalho, proprio ou emprego.

  4. Que ofereça orientação em tempo real, digital, rápida e facil de acessar, de qualquer lugar e a qualquer hora;

  5. Que use IA para orientar, educar e ajudar nas decisões;

  6. Que permita transições entre acumulação permanente e desacumulação temporária ou permanente;

  7. Que proteja contra os riscos de longevidade, mas também contra os riscos de uma vida profissional instável.

O fundo de pensão do futuro não será um lugar para onde o trabalhador manda contribuiçōes mensais, mas sim um lugar que organiza sua vida financeira.

Aqui no TECONTEI estamos apenas antecipando o caminho. O trabalho deixou de ser linear, a carreira deixou de ser previsível e a aposentadoria deixou de ser um evento isolado no final da vida.

A separaçāo entre aposentadoria e vida ativa, simplesmente, nāo existe mais.

O trabalho nāo vai desaparecer, mas nunca mais será o mesmo e os fundos de pensão desaparecerāo se ficarem ancorados no antigo conceito.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Careers Are Collapsing. Jobs Are Dying. The Smartest People Are Doing This Right Now”, escrito por Thomas Oppong.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


MERCADO DE ANUIDADES: VAI SE PERDENDO O BONDE DA HISTÓRIA, OUTRA VEZ ...

 


De Sāo Paulo, SP.


As sondagens de seguradoras para compra de anuidades por pessoas acima de 75 anos, mais do que quadruplicou desde 2024 no Reino Unido.

Anuidade - também chamada de renda vitalícia ou anuidade de seguros - é um contrato financeiro em que você entrega um capital acumulado para uma seguradora e em troca, ela garante o pagamento de uma renda mensal regular por toda a sua vida. O produto, inexistente no Brasil, foi desenhado especificamente para eliminar o risco de longevidade, ou seja, o medo de se viver mais do que o seu dinheiro durar.

De acordo com a seguradora britânica Standard Life, os pedidos de proposta por clientes com mais de 75 anos aumentou de 1,3% para 5,5% no acumulado até 2026.

O interesse, informa a seguradora da Terra de Sua Majestade, surge impulsionado por uma combinaçāo de fatores.

Um dos fatores sendo a atratividade dos preços das anuidades e outro a certeza oferecida pelo produto, que paga renda vitalícia, i.e., até o participante morrer.

A Standard Life estima um aumento de 39% na demanda pela compra de anuidades por indicaçāo de planejadores financeiros.

Essa maior demanda também tem a ver com um aumento na tributaçāo de saldos de previdencia complementar deixados como herança (IHT - Inheritance Tax), no Reino Unido, a valer a partir de abril de 2027.

Mas o ponto aqui nem é esse.

De acordo com o Head de Annuities da Standard Life, Pete Cowel:

As taxas de juros (das annuities) estão atualmente em níveis historicamente altos, atingindo os maiores patamares desde maio, depois da aprovaçāo de uma nova lei de previdência complementar. (no Reino Unido).

Vai de perdendo o bonde … de novo

O Brasil vive, neste momento, uma daquelas janelas raras que aparecem poucas vezes na história financeira dos países mais desenvolvidos.

  • Juros elevados;

  • População envelhecendo;

  • Planos de contribuição definida amadurecendo;

  • Trabalhadores chegando à aposentadoria com saldos acumulados

Nessa conjunçāo de fatores, faz mais sentido do que nunca uma pergunta angustiante: “como transformar poupança em renda segura, que dure pelo resto da vida”?

Essa é uma questāo que deveria estar no centro da agenda pública, regulatória e estratégica do setor de previdência complementar e de seguros.

Mas não está!

Juros altos, que tantos problemas causam à economia, têm pelo menos uma virtude quando se trata de previdencia:

Eles ajudam a tornar viáveis produtos de renda vitalícia (anuidades). Quanto maior a taxa de juros usada para precificar uma anuidade, maior tende a ser a renda mensal que pode ser oferecida ao participante aposentado

Em outras palavras, agora seria justamente o momento ideal para o Brasil idealizar, regular, testar e implantar em escala um verdadeiro mercado de anuidades.

Mas … o governo parece não ter percebido que esse bonde está passando.

Em vez de usar esta fase da economia para construir soluções capazes de proteger o aposentado contra o risco de viver mais do que o seu dinheiro, seguimos presos ao velho modelo:

  • poupadores acumulam recursos $$$;

  • fundos de pensão e seguradoras compram títulos públicos com retorno fácil;

  • o governo obtém financiamento garantido, liquido e certo.

Só que o participante, pobre participante, continua sozinho diante da pergunta mais difícil da fase de aposentadoria: quanto posso gastar sem correr o risco de ficar sem dinheiro?

É um arranjo confortável para o governo, cômodo para todos os gestores de investimentos dos fundos de pensāo, mas insuficiente para participantes e cidadãos.

No Reino Unido, a combinação entre juros mais altos, envelhecimento da população, mudanças tributárias e maior demanda por previsibilidade abre ainda mais espaço para as anuidades.

No Brasil, a mesma janela poderia estar sendo aproveitada pelas seguradoras para criarem produtos modernos, transparentes, flexíveis e adequados à nossa realidade:

  • anuidades vitalícias puras;

  • anuidades vitalicias reversíveis ao cônjuge;

  • anuidades parciais, combinadas com saques programados;

  • anuidades diferidas,

  • soluções híbridas de desacumulação;

  • produtos desenhados para diferentes faixas etárias e de renda.

Nada disso exige reinventar a roda, requer apenas reconhecer que o dever fiduciário da previdência complementar não se limita (nem termina) na acumulação.

A grande omissão brasileira está em tratar a aposentadoria como se o problema da seguranca financeira futura fosse apenas juntar dinheiro e fazer o saldo aumentar o maximo possível.

Não é!

O problema maior começa depois da aposentadoria: transformar patrimônio em renda, renda em segurança, segurança em dignidade e dignidade em liberdade.


Se o país perder mais essa oportunidade, não será por falta de condiçōes ideais de juros, de necessidade social ou de exemplos internacionais. Será por falta de visão …

Mais uma vez, o setor de previdência complementar e o mercado segurador terão assistido ao bonde da história passar diante de seus narizes — enquanto permaneciam sentados, confortavelmente, financiando o governo com a compra passiva de títulos públicos.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Annuity demand from over-75s quadruples in two years, escrito por Ellie Carric.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


ADESĀO AUTOMÁTICA: "NO REPLY" | "NĀO RESPONDA ESSE E-MAIL


 

De Sāo Paulo, SP.


O número de pessoas optando por cancelar a adesāo automática nos planos de previdência complementar dos fundos de pensāo do Reino Unido, atingiu a marca de 500.000 por ano.

É isso que mostram os dados do DWP - Department of Work and Pensions, responsável pelos planos de previdencia complementar corporativos da Terra de Sua Majestade.

Uma firma de gestāo de investimentos, a Lubbock Fine Wealth Management, analisou os dados públicos disponíveis. Os dados mais recentes, do final de 2023, mostram que:

158.000 participantes, o equivalente a 9,3% do total de pessoas que foram incluidas pela adesāo automatica em planos de previdência complementar corporativos e pediram para sair, sāo de jovens abaixo de 30 anos de idade.

Outros 139.000 participantes, equivalentes a 9,4% dos que pediram para sair dos respectivos planos de previdencia ao longo do ano de 2023, sāo pessoas de 30 a 40 anos.

Andrew Tricker, um dos planejadores financeiros certificados da Lubbock, disse ser “uma vedadeira preocupaçāo o fato de tantos jovens estarem optando por nāo permanecer nos planos de previdência complementar dos fundos de pensāo”.

A matematica mostra que, se você quiser formar uma poupança razoavel para ter segurança financeira na aposentadoria, é preciso começar o mais cedo possivel.

Além disso, ao abrir māo de participar do fundo de pensāo da empresa onde trabalham, os jovens estāo perdendo $$$, pois deixam de contar com a contribuiçāo do empregador para formaçāo de sua poupança.

Mas os jovens sabem de tudo isso e se mesmo assim pedem para sair, o que está errado, o que anda acontecendo?

Sāo inúmeros fatores.

  • Vāo desde o desafio de remuneraçōes que nāo tem acompanhando o aumento do custo de vida, fazendo o jovem priorizar o dia a dia em detrimento do futuro.

  • Até a opçāo por outras formas de poupar para a aposentadoria, com mais flexibilidade de acesso, com uso de mais tecnologia para engajamento, com investimentos alinhados aos propositos individuais e melhores rendimentos.

Uma coisa é certo, a adesāo automática veio para proteger as pessoas delas mesmos, usando a seu favor o “viés de procrastinaçāo”, tipico do comportamento humano.

Mas quando as pessoas pedem, conscientemente, para sair e optam por nāo participar de um plano de previdencia complementar corporativo, o minimo que deveriamos fazer é pesquisar para saber quais as reais razōes por trás dessa decisāo.

Ainda mais quando se trata de jovens.

No reply | Nāo responda esse e-mail

Se o seu fundo de pensāo tem um serviço de atendimento e relacionamento ou uma área de marketing que usa um daqueles e-mails com o título “no reply” (nāo responda essa mensagem”), está deixando escapar o principal.

Bilhōes de reais sāo gastos anualmente pelas empresas na esperança de se fazerem notar, de atrairem a atençāo das pessoas.

A atençāo humana é fugaz, está cada vez mais curta e o mundo está cada vez mais cheio de bots, no entanto:

  • No momento em que um cliente, real ou potencial, se atreve a querer falar;

  • No momento em que eles podem demonstrar interesse em dizer QUALQUER coisa, fazer QUALQUER pergunta ou mostrar por um segundo que se importam;

  • Não nos damos ao trabalho nem de ler o que eles estão tentando dizer?

Sim, sim, sim, sabemos os motivos desses e-mails pedirem para você nāo responder, mas esses motivos sāo uma grande mentira.

Especialmente na era da IA, empresas e entidades de previdencia complementar deveriam se esforçar ao máximo para

  • ouvir;

  • conversar;

  • entender; e

  • aprender tudo que puderem.

Toda vez que um jovem participante opta por cancelar a adesāo ao plano de previdencia complementar, depois de ter sido incluido nele por adesāo automatica e o fundo de pensāo nāo pergunta a razāo da saida, para entender o que está acontecendo, é como se tivesse enviando um e-mail do tipo “no reply” …

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Almost 10% of under-30s opting out of AE as overall annual opt-outs reach 500,000, escrito por Jack Gray.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


quarta-feira, 17 de junho de 2026

EM TEMPOS DE CONSOLIDAÇĀO E DE PLANOS INSTITUÍDOS, É PRECISO EVOLUIR NA GOVERNANÇA DOS FUNDOS DE PENSĀO



De Sāo Paulo, SP.

Existe uma regra simples no mundo corporativo: quando uma empresa cresce, administra bilhões e impacta a vida financeira de milhares de pessoas, ela precisa prestar contas.

Prestar contas não apenas através de relatórios anuais bonitos, informaçōes publicadas no site ou reuniões de seu conselho de administraçāo.

Precisa olhar para seus acionistas, explicar o que fez no ano, ouvir perguntas, responder críticas e submeter decisões relevantes ao escrutínio público.

Nas companhias de capital aberto, as S/A, isso acontece por meio da Assembleia Geral Ordinária, a famosa AGO. É nela que todos os acionistas são chamados a aprovar contas, examinar demonstrações financeiras, eleger administradores e discutir os rumos da empresa.

A pergunta que fica é:

Se isso vale para as sociedades empresariais, por que não deveria valer também para os grandes fundos de pensão?

A proposta é simples: os grandes fundos de pensão brasileiros classificados como S1 pela legislação, assim como todos os fundos multipatrocinados, deveriam realizar anualmente uma AGO dos participantes.

A PREVIC informou que, em 2026, haverá 10 EFPC no segmento S1, 75 no S2, 89 no S3 e 72 no S4, classificação baseada em porte e complexidade

Uma Assembleia Geral Ordinária de Participantes, aberta a todos, digital, gravada, com pauta mínima obrigatória, direito a perguntas, prestação de contas clara e possibilidade de manifestação formal de qualquer participante.

Não se trata de substituir conselhos deliberativos, conselhos fiscais ou diretorias executivas. Trata-se de complementar a governança.

A AGO do fundo de pensāo seria uma camada adicional de legitimidade, transparência e escuta. Em vez de o participante:

  • aparecer apenas na hora de contribuir;

  • votar de tempos em tempos em seus representantes nos conselhos;

  • ter voz indireta nos órgaos superiores de gestāo; ou

  • reclamar quando algo dá errado …

… ele passaria a ter um espaço institucional anual para acompanhar, questionar e influenciar diretamente.

Consolidaçāo e planos instituidos

Credito de Imagem: www.churchleadership.com

A ideia se torna ainda mais necessária diante da consolidação dos fundos de pensão no Brasil e no mundo.

O setor está caminhando para entidades maiores, mais complexas, multipatrocinadas e com carteiras de planos cada vez mais diversas e pulverizadas.

A consolidação pode trazer ganhos de escala, redução de custos e maior profissionalização. Mas traz, também, um risco óbvio:

Quanto maior a entidade, mais distante fica o participante comum.

Quando planos de várias patrocinadoras passam a ser administrados por uma mesma entidade, a representatividade nos conselhos tende a se diluir.

  • O participante de uma patrocinadora menor pode se sentir apenas um CPF perdido dentro de uma estrutura gigantesca.

  • O aposentado pode achar que sua voz já não chega a lugar algum.

  • O jovem participante, acostumado a interagir digitalmente com bancos, corretoras, redes sociais e plataformas de investimento, pode olhar para a governança tradicional dos fundos de pensão e pensar: “isso não é uma comunidade, isso conversa comigo”.

O problema fica ainda mais interessante — e mais urgente — com a expansão dos planos instituídos, especialmente os chamados planos família.

O modelo tradicional dos fundos de pensão foi construído em torno da relação empresa-empregado: patrocinadora de um lado, trabalhadores e assistidos de outro.

A governança refletiu essa lógica.

Conselhos compostos por representantes das patrocinadoras e dos participantes, com vínculos empregatícios, associativos ou sindicais bem definidos.

Mas os planos instituídos trouxeram outra figura para dentro dos fundos de pensão: a pessoa física, sem vínculo de emprego com uma patrocinadora.

Pode ser o filho, o cônjuge, o parente, o associado, o profissional liberal, o participante que entrou por uma porta diferente daquela velha relação empresa-trabalhador.

Essas pessoas passam a acumular poupança dentro de uma entidade cuja governança, ainda pensa com a cabeça do Século XX.

Uma questāo inevitável: quem representa essas pessoas? A resposta não pode ser apenas “os conselhos já representam todos”.

Formalmente, no papel, pode até ser, mas na prática, a distância existe e é enorme. Quando essa distância cresce, a confiança diminui.

Fundos de pensão não administram apenas $$$, administram expectativa, medo, futuro, aposentadoria, renda familiar. Governança, nesse contexto, não se reduz a um organograma, passa a ser um pacto de confiança.

AGO em fundo de pensāo

Credito de Imagem: Internet

Uma AGO anual ajudaria a reconstruir esse pacto. A pauta poderia incluir:

  • apresentação dos resultados dos planos;

  • desempenho dos investimentos;

  • custos administrativos;

  • remuneração de dirigentes;

  • principais riscos;

  • reclamações recorrentes;

  • política de comunicação;

  • politica de desacumulaçāo;

  • qualidade do atendimento;

  • estrategias de inovação;

  • uso de tecnologia;

  • educação previdenciária; e

  • metas para o ano seguinte.

Além disso, a AGO poderia ter votações consultivas. Por exemplo:

  • os participantes aprovam a qualidade da prestação de contas?

  • Consideram adequada a comunicação da entidade?

  • Estão satisfeitos com os canais digitais?

  • Querem mais transparência nos investimentos?

  • Defendem novos produtos de desacumulação?

  • Desejam maior participação em decisões relevantes?

Essas votações não precisariam ter, em um primeiro momento, caráter vinculante, mas teriam enorme valor político, reputacional e institucional.

Seria difícil para um fundo de pensão ignorar, ano após ano, a manifestação organizada de milhares de participantes.

E vou derrubar por terra a velha desculpa operacional de “não dá para reunir tanta gente”. Hoje dá, sim.

Existem soluções tecnológicas para assembleias digitais, votação simultânea, autenticação, trilhas de auditoria, registro de presença, perguntas organizadas, moderação, transmissão ao vivo e apuração eletrônica.

Se bancos conseguem autenticar milhões de transações por dia, se corretoras permitem ordens de compra e venda em segundos, se companhias abertas realizam assembleias digitais, os fundos de pensão também podem fazer melhor do que publicar um relatório anual e torcer para alguém ler.

A AGO de participantes não seria uma revolução contra os fundos de pensão, seria uma modernização a favor de sua governança na era digital.

Aliás, os fundos deveriam abraçar essa ideia antes que ela venha por imposição regulatória. Conforme venho frisando, esta na hora dos fundos de pensāo deixarem as melhorias incrementais em sua governanca, forçadas pos-facto pela relamentaçāo governamental e passarema atuar antes, buscando melhorias mais profundas.

As entidades que saírem na frente poderão transformar transparência em vantagem reputacional, poderão dizer ao mercado, aos participantes, aos patrocinadores e ao regulador: “não temos medo de prestar contas”.

Em um setor que fala tanto de longo prazo, confiança e responsabilidade fiduciária, isso deveria ser o mínimo esperado.

A proposta poderia começar pelos fundos classificados como S1, justamente por seu porte, complexidade e relevância sistêmica.

Depois, deveria alcançar todos os fundos multipatrocinados, porque ali a questão da representatividade é ainda mais sensível. Quanto mais diversa a base de patrocinadores, instituidores, planos e participantes, maior a necessidade de um fórum comum de escuta e prestação de contas.

No futuro, talvez a questāo deixe de ser se os fundos de pensão devem realizar Assembleias Gerais Ordinárias de Participantes e passe a ser por que demoraram tanto a fazê-lo.

Convenhamos, se o dinheiro é dos participantes, se o risco é dos participantes, se o benefício futuro é dos participantes, já passou da hora dos participantes deixarem de ser uma plateia silenciosa e passarem a ocupar, pelo menos uma vez por ano, o palco principal da governança.

Fundo de pensão sem participante é só uma estrutura administrativa procurando uma razão para existir.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas. Fonte: “Assembleias Gerais de Participantes: Uma Revoluçāo Necessaria na Governança dos Fundos de Pensāo” e “Explorando uma Proposta Radical: Governança Direta na Representaçāo dos Participantes dos Fundos de Pensāo”, Eder C. Costa e Silva.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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