sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O LIMITE DE CHANDRA E OS FUNDOS DE PENSĀO

 



De Sāo Paulo, SP.


Em 1930, Subrahmanyan Chandrasekhar — conhecido por todos simplesmente como Chandra — deixou a Índia rumo à Inglaterra.

Havia conquistado uma rara bolsa governamental para estudar física na prestiada Universidade de Cambridge, um dos polos científicos mais respeitados do mundo.

Levava pouca bagagem: algumas peças de roupa, alguns livros e uma mente inquieta, tomada por perguntas incessantes sobre o funcionamento do universo.

A travessia durou semanas. Enquanto outros passageiros relaxavam no convés, Chandra mergulhava nos estudos.

Absorvia as teorias mais recentes da física — a mecânica quântica e a relatividade — e refletia obsessivamente sobre as estrelas:

  • Como nascem?

  • Como evoluem?

  • Como morrem?

Já se sabia que estrelas semelhantes ao Sol terminam sua vida como anãs brancas: restos estelares extremamente densos, onde uma simples colher teria o peso de toneladas. Mas quase ninguém ousava formular a pergunta decisiva:

Qual é o limite máximo de massa que uma anã branca pode suportar?

Isolado em sua cabine, cercado apenas pelo oceano e pelo silêncio, Chandra começou a fazer contas.

Aplicando princípios da mecânica quântica combinados com a relatividade de Einstein, levou a matemática até suas últimas consequências.

O resultado foi surpreendente:

As anãs brancas só permanecem estáveis até um valor muito específico — cerca de 1,44 vezes a massa do Sol.

Ultrapassado esse limite, nenhuma força conhecida seria capaz de conter a estrela. a gravidade venceria. O colapso continuaria, comprimindo a matéria em algo ainda mais extremo.

Ali, com lápis e papel, em pleno mar, um jovem de 19 anos havia identificado uma lei fundamental do universo: a fronteira exata entre estabilidade colapso catastrófico.

Ao chegar a Cambridge, Chandra esperava reconhecimento. Parecia óbvio que sua descoberta despertaria entusiasmo. O que encontrou, porém, foi resistência.

Seu orientador reagiu com cautela.

Arthur Eddington, o astrônomo mais influente da época, era uma verdadeira autoridade científica cuja opinião moldava consensos. Eddington rejeitou as conclusões de Chandra de forma direta.

Mais do que isso: fez pouco caso delas (na foto abaixo, Chandra em 1934)

Credito de Imagem: Wikipedia

Em 1935, durante uma reunião da Sociedade Astronômica Real, Eddington descartou publicamente a ideia, afirmando que a natureza jamais permitiria tal colapso.

O impacto foi devastador: um jovem físico indiano sendo desautorizado e ridicularizado diante da elite científica pelo nome mais respeitado da área.

Chandra ficou profundamente abalado. Por algum tempo, chegou a considerar abandonar a astrofísica, mas seguiu em frente.

Publicou seu trabalho discretamente e continuou sua trajetória, acreditando que a verdade científica — e não o prestígio — acabaria prevalecendo.

A vida na Inglaterra tampouco foi simples. Como cientista indiano nos anos 1930, enfrentou isolamento, preconceito velado e explícito e a constante sensação de não pertencer a instituições que se viam como o centro intelectual do mundo.

Em 1937, mudou-se para os Estados Unidos e passou a integrar a Universidade de Chicago. Ali construiu uma carreira sólida. Lecionou, formou gerações de alunos, produziu pesquisas profundas e rigorosas em astrofísica.

… e aguardou.

Com o passar do tempo, o próprio universo confirmou sua teoria.

À medida que as observações astronômicas avançaram, começaram a surgir objetos que só podiam ser explicados à luz do Limite de Chandrasekhar: estrelas que ultrapassavam a fase de anã branca, explodiam como supernovas e deixavam para trás estrelas de nêutrons ou buracos negros.

Aquilo que antes fora alvo de escárnio, tornou-se essencial.

O chamado Limite de Chandrasekhar revelou-se crucial para compreender o fim das estrelas. Ele explica por que algumas se extinguem de forma tranquila, enquanto outras colapsam violentamente, dando origem aos objetos mais extremos do cosmos.

Em 1983 — cinquenta e três anos após aquela travessia solitária — Subrahmanyan Chandrasekhar recebeu o Prêmio Nobel de Física.

Tinha 72 anos.

A ideia que o astrônomo mais famoso de sua geração havia desprezado foi confirmada pelo próprio universo.

Em sua palestra na solenidade de entrega do Nobel, Chandra falou apenas de ciência, não dos conflitos. Era do seu feitio.

Mas o significado era claro para todos: o prêmio simbolizava não apenas genialidade, mas perseverança. Uma verdade retardada pelo preconceito, finalmente reconhecida.

Chandra faleceu em 1995, aos 84 anos. Quatro anos depois, a NASA lançou o Observatório de Raios X Chandra, um telescópio (foto abaixo) dedicado a estudar exatamente os fenômenos extremos que seus cálculos juvenis haviam previsto.

Credito de Imagem: www.freeserfnop.click/

Sua trajetória é um lembrete de que o gênio não pede autorização.

Ele pode surgir em qualquer lugar: em um navio cruzando o Mar Arábico, no trabalho silencioso de alguém cuja voz o poder ainda não está pronto para escutar.

Chandra mostrou que até as estrelas têm limites. Que além de certas fronteiras, o colapso é inevitável. E que instituições, por mais influentes que sejam, também podem estar erradas.

Algumas semanas no mar bastaram para vislumbrar uma verdade que a humanidade levaria décadas para aceitar.

Às vezes, as descobertas mais transformadoras não nascem em salões prestigiados ou laboratórios movimentados, mas no silêncio, na solidão e na coragem de confiar na matemática quando todos os outros se recusam a fazê-lo.

Para aqueles que trabalham com previdencia complementar corporativa e fundos de pensāo, cuja sustentabilidade vem sendo colocada em duvida:

O que diz o Chandra dentro de você?

Eu, particularmente, já calculei o Limite de Carva: ponto no tempo a partir do qual as forças demográficas, sociais, econômicas e tecnológicas, fazem um fundo de pensāo colapsar.

Grande abraço,

Eder.

Fonte: Nobel Prize (“Comunicado de Imprensa: Prêmio Nobel de Física 1983”, 19 de outubro de 1983)


Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Crônicas Históricas”, Facebook


MEU FUNDO DE PENSĀO PASSOU POR "REBRANDING": E AGORA?


 



De Sāo Paulo, SP.


A fase de “rebranding” dos fundos de pensāo anda a pleno vapor, muitos deles já mudaram seus logotipos, trocaram de nome e adotaram nova identidade visual .

rebranding, porém, é uma estratégia que vai muito além da simples alteraçāo na comunicaçāo visual. Implica num reposicionamento de mercado.

Conforme deixa claro a definiçāo abaixo, o fundo de pensāo que faz esse movimento, busca conectar-se com novos públicos, expandir seus negócios e acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor.

Rebrandingprocesso estratégico de renovar a identidade de uma marca (nome, logo, posicionamento, valores) para alterar sua percepção no mercado, conectando-se com novos públicos ou atualizando-se. Envolve mudanças visuais e de comunicação, necessárias para acompanhar mudanças de comportamento do consumidor, expansão de negócios ou reposicionamento.

Se você quer saber o que, de fato, significa fazer um reposionamento de marca (rebranding), assista esse reel abaixo, que publiquei há alguns anos.

Feito o rebranding, o que determinará o alcance, a eficácia e a assetividade das mudanças, serāo as açōes, as iniciativas e os resultados obtidos pelo fundo de pensāo.

O risco que o setor corre é o de “caminhar para mais uma geração de pessoas com poupança abaixo do necessario, a menos que surjam novas abordagens para o engajamento dos atuais e potenciais participantes.

Engajamento para desenvolver novas marcas

As iniciativas de busca por novos participantes para os fundos de pensāo, em anos recentes, como a implantaçāo de plano família e a atraçāo de empresas que andam abandonando a gestāo de seus planos de previdência complementar, apesar de bem intencionadas, tem se mostrado limitadas.

O futuro do setor nāo está na venda de planos para os familiares dos empregados das empresas patrocinadoras nem, tāo pouco, na seduçāo de grandes empresas que já possuem planos de previdencia corporativo para os empregados.

Isso é facil enxergar.

  • No primeiro caso: como a quantidade de empregados está diminuindo nas grandes empresas, logo, logo, haverá menos “familia” para entrar nos planos.

  • No segundo caso: a estratégia de rouba monte (atrair empreas que já possuem planos e estāo fechando seus fundos de pensāo) provoca apenas um rearranjo do setor. Além de nāo fazer o mercado de previdencia complementar corporativa crescer, a consolidaçāao de fundos de pensāo, em algum momento, vai se esgotar.

O foco deveria ser no desenvolvimento de estratégias inovadoras de engajamento do publico alvo, em particular, da Geraçāo Z,.

Os jovens sāo a faixa etária com maior probabilidade de nāo aderir aos planos de previdencia complementar dos fundos de pensāo, mesmo sendo a que tem o maior horizonte de tempo para acumular poupança.

Um case como exemplo: People’s Pension

O fundo de pensāo multipatrocinado do Reino Unido, cujo foco sāo planos de previdencia complementar corporativos, chamado People’s Pension, optou no ano passado por expandir seu alcance.

Em busca de engajamento, partiu para uma campanha publicitária em nível nacional, ressaltando as diferenças entre os modelos de fundo de pensāo existentes.

A campanha nas midias sociais, feita principalmente em plataformas como Facebook, TikTok, Instagram e Youtube (exemplo abaixo), resultou em um aumento de 35% na identificação da marca, de acordo com eles.

Adotando o formato de videos curtos entitulados “Pilula de Previdencia” (Pension Drop’) o fundo de pensāo buscou inserir mensagens sobre previdencia complementar em contextos inesperados, para alcançar públicos menos receptivos às comunicações tradicionais.

Kirsty Ross - Diretora de Parcerias:, fez um alerta:

Se o setor continuar a abordar a previdencia complementar com o mesmo pensamento e as mesmas táticas, não deverá surpreender-se ao ver resultados igualmente decepcionantes

Kirsty argumentou que o setor precisa “desesperadamente” romper o que ela descreveu como um ciclo de ideias fracassadas e estar disposta a tentar algo diferente, especialmente considerando a oportunidade de influenciar as perspectivas de aposentadoria da Geração Z.

Nāo por acaso, o fundo de pensāo britânico expandiu sua mensagem para canais e formatos que ressoam mais fortemente com o público mais jovem. Isso incluiu:

  • Explorar a cultura popular

  • Fazer parcerias com pessoas que a Geração Z já assiste e ouve

  • Marcar presença em espaços públicos onde as mensagens sobre poupança são difíceis de ignorar.

O conselho de Kirsty se encaixa perfeitamente no que os fundos de pensāo brasileiros precisam na fase pós-rebranding. Nas palavras dela

“Seja ousado, experimente algo diferente e descubra o que realmente pode entusiasmar as pessoas sobre poupança.


Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Industry urged to ‘break cycle of failed ideas’ on pensions adequacy”, escrito por Callum Conway.


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