
De Sāo Paulo, SP.
Estamos entrando em uma nova era das finanças globais. Não é uma era futura, teórica, experimental ou restrita a meia dúzia de entusiastas de cryptoativos, vivendo em uma bolha digital.
É uma era que está sendo construída por bancos globais, bandeiras de cartão, gestoras de recursos, bolsas de valores, custodiantes, empresas de tecnologia e mercados financeiros regulados.
Só que os fundos de pensão brasileiros, justamente as instituições que deveriam estar pensando em poupança de longo prazo, segurança financeira futura e inovação, continuam presos ao mundo antigo.
Um mundo de liquidação lenta das operaçōes financeiras, custos elevados, intermediários em excesso, baixa transparência operacional e uma regulação que, ao proibir investimentos diretos ou indiretos em ativos virtuais pelas EFPC, fechou a porta para uma das transformações mais importantes do mercado financeiro contemporâneo.
A própria PREVIC informou que a Resolução CMN 5.202/2025 manteve a vedação:
As EFPC não podem “adquirir ou manter, de forma direta ou indiretamente, investimentos em ativos virtuais”.
Enquanto isso, o resto do mundo se move rapidamente e deixa para trás um sistema que surgiu com a criação da primeira moeda oficial na Anatólia, em 640 a.C..
A Chainlink, em conjunto com a Qivalis, FairSquareLab e UniKA, lançou o Project Pangea, iniciativa voltada à modernização do mercado internacional de câmbio por meio de liquidação atômica, em tempo real, de ativos digitais referenciados em moedas fiduciárias.
A proposta é reduzir o ciclo tradicional de liquidação de operações internacionais de câmbio para T+0, preservando padrões como Swift e ISO 20022, mas conectando essas instruções à liquidação on-chain (no blockchain).
Isso é enorme!
O que está sendo desenvolvido não é apenas uma “cryptomoeda”, é uma tubulação invisível, uma nova estrada, uma infrestrutura por onde passará a operar o mercado financeiro global:
liquidação;
custódia;
transferência de recursos;
risco de contraparte;
capital parado; e
custo operacional.
Em outras palavras, o blockchain está deixando de ser apenas uma estrutura que abriga classes de ativos digitais para se tornar “a” infraestrutura de todo o sistema financeiro.
Os exemplos se multiplicam em velocidade impressionante.
A Open Standard anunciou o Open USD (OUSD), uma stablecoin global com mais de 140 empresas participantes, incluindo nomes como Visa, Mastercard e Coinbase.
A Mastercard passou a expandir suas capacidades de liquidação das operaçōes financeiras para incluir stablecoins reguladas, liquidação intradiária, fins de semana e feriados. (Mastercard)
O Citi lançou recibos de depósito bancário tokenizados para ações privadas, em infraestrutura de blockchain regulada, operada pela SIX. (Citi)
A State Street lançou no mercado um fundo voltado para reservas em stablecoins, alinhado ao GENIUS Act. (State Street)
O DBS anunciou em Singapura um token de ouro físico, que vai permitir acesso digital, negociação e resgate de ouro tokenizado a partir do segundo semestre de 2026. (DBS Bank)
A mensagem é clara, as finanças tokenizadas sairam do papel e entraram em produção.
No Brasil, a realidade dos fundos de pensão ainda é outra. A B3 informa que o mercado brasileiro de ações segue em D+2, com projeto para migrar para D+1 apenas em fevereiro de 2028. (B3)
Ou seja, no momento em que o mundo discute liquidação em tempo real, parte relevante do mercado brasileiro ainda está tentando sair do “dois dias depois” para o “um dia depois”.
É claro que os fundos de pensão quase não operam ações. Suas carteiras incluem títulos públicos e em menor escala, fundos de investimento, crédito privado, imóveis, FIPs, FIIs e outros instrumentos, cada um com sua própria dinâmica de liquidação, cotização e resgate.
Por isso, não existe um único “D+?” médio para os investimentos dos fundos de pensão brasileiros, mas existe uma constatação objetiva:
O sistema de previdencia complementar brasileiro opera em infraestruturas de liquidação, custódia e movimentação de recursos que não foram desenhadas para um mundo 24/7, programável e quase instantâneo. Mesmo que esse mundo existisse no Brasil, os fundos de pensāo estariam impedidos de se beneficiar dele.
Quanto isso custa?
Uma forma conservadora de estimar o custo é olhar apenas para o “float” financeiro, o dinheiro que fica parado, ou menos eficiente, enquanto uma operação ainda não foi liquidada.
Considerando o setor de previdência complementar corporativo, com ativos totais em torno de R$ 1,3 trilhão ao fim de 2024, segundo relatório da PREVIC, cada dia de atraso econômico sobre uma fração relevante da carteira pode representar valores expressivos.
Se apenas 20% desse patrimônio girasse ao longo do ano em operações sujeitas a uma diferença média de liquidaçāo de dois dias (o mundo D+2 e o mundo D+0) e se usarmos uma taxa anual de retorno de referência, próxima a 15% ao ano, o custo financeiro aproximado seria da ordem de R$ 300 milhões por ano.
Se o giro fosse de 50%, esse número se aproximaria de R$ 770 milhões.
Se fosse 100%, passaria de R$ 1,5 bilhão por ano.
Nota: foi usada a fórmula Custo anual = patrimônio x giro anual x taxa anual x 2/252 (considerando 252 dias uteis e nāo 365 dias).
Não é uma conta definitiva, é só uma aproximação, mas nāo precisa ser exata para mostrar a ordem de grandeza da perda financeira deixada na mesa pelo atraso.
O custo maior não está apenas nos dias perdidos na liquidação. Está no custo de oportunidade, está em ficar fora de uma nova arquitetura, de um novo sistema financeiro que tende a oferecer:
produtos mais baratos;
mais líquidos;
mais transparentes;
mais programáveis; e
potencialmente mais rentáveis para a poupança de longo prazo dos participantes.
Ou seja:
Ativos digitais não significam apenas comprar bitcoin ou apostar em cryptomoedas voláteis, significam stablecoins reguladas, fundos tokenizados, depósitos bancários tokenizados, títulos privados digitais, cotas programáveis, liquidação atômica, custódia automatizada, compliance embutido no ativo, redução de intermediários e acesso mais eficiente a mercados globais.
A previdência complementar brasileira corre o risco de perder mais um bonde da história.
Enquanto bancos, gestoras de ativos, bolsas de valores, empresas administradoras de cartão e plataformas financeiras globais constroem a infraestrutura da próxima geração financeira, os fundos de pensão seguem impedidos pelo governo de:
experimentar;
aprender;
testar;
errar pequeno; e
evoluir.
A regulação brasileira, ao alegar proteger os participantes, está produzindo um efeito totalmente oposto, está, na verdade:
Amarrando o sistema contra a chegada do futuro.
A poupança de longo prazo dos jovens não será necessariamente capturada pelas instituições que hoje administram planos de previdência complementar.
Será capturada por aqueles que oferecerem melhor experiência, menor custo, maior transparência, liquidação mais rápida, acesso global e produtos mais alinhados com o mundo digital em que as novas gerações vivem e portanto, melhor rendimento.
Os fundos de pensão brasileiros, em sua maioria, olham para ativos digitais como se fossem uma ameaça exótica. O mercado global olha para eles como infraestrutura de um novo sistema financeiro.
A diferença entre essas duas visōes, quem paga, é o participante e os jovens, intuitivamente, sabem disso …
Grande abraço,
Eder.
Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Unlocking The Digital Asset Economy", publicado pela Chainlink.
Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.











