quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O PERIGO QUANDO AS GERAÇŌES MAIS NOVAS OLHAM PARA UM LADO E OS FUNDOS DE PENSĀO PARA O OUTRO

 


De Sāo Paulo, SP.

A turma da Geraçāo Z (nascidos entre 1997 e 2012) e os Millenials (nascidos entre 1981-1996) alocam três vezes mais seus portfólios em investimentos alternativos, do que as gerações mais velhas.

Indivíduos com patrimônio mais elevado acreditam que as ações de empresas americanas oferecem as melhores oportunidades para o crescimento de seus ativos.

Essa convicção, no entanto, nāo é compartilhada por investidores mais jovens, segundo mostra um estudo do Bank of America feito com americanos ricos, em 2024.

Os Millennials e a Geração Z estão, cada vez mais, buscando alternativas aos mercados tradicionais de ações, renda fixa e títulos, para construir seu patrimonio e formar poupança.

Eles estāo impulsionando a demanda por tudo, desde imóveis, private equity, ativos digitais (crypto) e ouro.

O mercado global de investimentos alternativos cresceu quase sete vezes desde a crise financeira global de 2008, à medida que os investidores olham cada vez mais para além das ações tradicionais e da renda fixa (grafico abaixo).

As classes de ativos alternativos - que abrangem Private equity, fundos de hedge, cryptomoedas, crédito privado, venture capital, imóveis, infraestrutura e recursos naturais (commodities) - continuam a representar uma parcela maior dos portfólios de invesimentos dos mais jovens.


As preferências de alocação das diferentes geraçōes sugerem que essa tendência pode se fortalecer à medida que a riqueza muda de mãos.

O estudo do Bank of America, mencionado acima, constatou que investidores com idades entre 21 e 43 anos alocam 55% de seus portfólios fora de ações e títulos tradicionais de renda fixa, em comparação com 26% entre aqueles com mais de 44 anos.

O que mostra o estudo sobre os investimentos das geraçōes mais novas:

  • 47% de seus portfólios são compostos por ações e renda fixa, uma porcentagem bem menor do que a dos investidores com mais de 44 anos (74%).

  • 17% de seus portfólios de investimento estão alocados em investimentos alternativos, em comparação com os 5% alocados por investidores mais velhos.

  • A maioria (93%) afirma que planeja alocar mais recursos em investimentos alternativos nos próximos anos.

  • Quase metade (49%) possui cryptomoedas e outros 38% têm interesse em adquiri-las. Eles classificam as cryptomoedas entre as principais áreas de oportunidade de crescimento, perdendo apenas para os investimentos imobiliários.

  • 45% possuem ouro físico como ativo e outros 45% têm interesse em adquiri-lo. No geral, 41% dos ricos possuem (18%) ou têm interesse em comprar (23%) ouro físico.

Uma explicação para essa mudança é que os investimentos alternativos se tornaram muito mais acessíveis.

Novos produtos e plataformas permitem que os investidores invistam nessas classes de ativos sem pecisar de infraestrutura especializada ou da expertise historicamente exigidas.

As cryptomoedas seguiram um caminho semelhante, na medida em que produtos de investimentos regulamentados, como os ETPs (Exchange Traded Product) de Bitcoin e a infraestrutura do mercado institucional introduziram formas mais simplificadas e familiares para se obter exposição a esses ativos.

As barreiras menores, aliadas aos fortes retornos históricos, ajudaram a atrair mais capital para os ativos alternativos.

Katy Knox, CEO do Bank of America Private Bank, comenta:

“Estamos vivendo um período de grandes mudanças sociais, econômicas e tecnológicas, juntamente com a maior transferência intergeracional de riqueza da história”

… e vai além:

“Nosso estudo mostra que os americanos ricos estão focados na diversificação, em objetivos de longo prazo e em causar um impacto duradouro com seu patrimônio.”

Tabela detalhando a alocação dos investimentos dos mais jovens e mais velhos:


O que pensam os investidores mais jovens

Setenta e dois por cento dos investidores mais jovens (idades entre 21 e 43 anos) acreditam que já não é possível obter retornos de investimento acima da média investindo exclusivamente em ações e títulos tradicionais

Isso se compara com apenas 28% dos investidores com idades superiores a 44 anos, que partilham da mesma opinião.

Fazer doaçāo e praticar filantropia é uma característica quase universal entre os ricos, inspirada principalmente por um senso de responsabilidade (52%) e pelo desejo de causar um impacto positivo duradouro (40%).

No entanto, o destino das doações que fazem e o gosto por colecionar itens de arte e outros objetos, variam muito de geração para geração.

Os mais jovens mais abastados doam com propósito e colecionam com paixão:

  • 91% dos ricos são apoiadores fervorosos da filantropia. Porém, os doadores mais jovens têm quase duas vezes mais probabilidade de apoiar causas como a de pessoas sem-teto (41%), justiça social (33%) e meio ambiente/mudanças climáticas (32%) em comparação com os doadores mais velhos (21%, 18% e 17%, respectivamente).

  • 40% dos ricos em geral possuem uma coleção de arte ou têm interesse em colecioná-la, incluindo 83% dos millennials e da Geração Z.

  • 65% dos entrevistados no estudo, incluindo 94% dos menores de 44 anos, têm interesse em itens colecionáveis. Os Millennials e a Gen z Z têm pelo menos duas vezes mais probabilidade do que as gerações mais velhas de serem colecionadores de relógios (46%), vinhos ou bebidas destiladas (36%), carros raros ou clássicos (32%), tênis (30%) e antiguidades (30%)

Conclusão

Existe claramente uma desconexão crescente entre aquilo que as novas gerações esperam de uma estratégia de construção de patrimônio e aquilo que os fundos de pensão continuam oferecendo.

Enquanto Millennials e Geração Z diversificam, buscam inovação, aceitam novas classes de ativos e procuram retornos compatíveis com horizontes de investimento de 30, 40 anos, os fundos de pensão permanecem com patrimonio concentrado em títulos públicos, limitando seus participantes, na prática, ao retorno dos juros soberanos.

O problema não é investir em títulos públicos. Eles continuam tendo um papel importante em qualquer carteira de longo prazo. O problema é transformá-los na única estratégia de investimento, justamente para um público que enxerga o futuro de forma completamente diferente.

As novas gerações não estão abandonando apenas uma classe de ativos. Estão mudando a forma de pensar risco, retorno, propriedade e diversificação.

Se os fundos de pensão insistirem em oferecer apenas aquilo que fazia sentido para seus pais e avós, não perderão apenas rentabilidade potencial.

Perderão a geraçāo capaz de fazê-los continuar sobrevivendo.

Se um jovem conclui que consegue montar sozinho um portfólio mais diversificado, com acesso a ações globais, imóveis, private equity, ouro, ativos digitais e outras alternativas de investimento, será cada vez mais difícil convencê-lo de que vale a pena entregar sua poupança de décadas a uma instituição cujo horizonte de investimentos termina no vencimento dos títulos públicos.

O risco, portanto, não está na volatilidade dos mercados alternativos, mas na velocidade com que as novas gerações vāo escapando por entre os dedos de um sistema que insiste em continuar olhando para o passado, enquanto elas já estão investindo no futuro.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “BofA Private Bank Study of Wealthy Americans Finds Generational Divide in Investing, Giving and Preserving Wealth”, escrito por Julia Ehrenfeld.



E SE A SUA APOSENTADORIA FOSSE CALCULADA ... EM SEGUNDOS?

 



De Sāo Paulo, SP.


Se você tivesse a oportunidade de trocar de lugar com Warren Buffett, você aceitaria? Você poderia ser uma das pessoas mais ricas do mundo, mas também teria que ter 95 anos de idade.

A maioria das pessoas pensa que quer dinheiro, até ser forçada a avaliar a falta de tempo que vem junto com ele. Rapidamente, o valor do tempo se torna evidente e as pessoas optam por ser mais jovens, em vez de mais ricas.

Um milhāo de segundos equivalem a cerca de 11 dias. Um bilhão de segundos correspondem a aproximadamente 31,7 anos.

Se sua expectativa de vida ainda supera o tempo de um bilhāo de segundos, parabéns:

Você é um “bilionário do tempo”.

O conceito de “time billionaire” (bilionário do tempo) foi popularizado pelo investidor americano Graham Duncan e:

  • Normalmente é usado para falar com os jovens;

  • Quanto mais tempo você tem pela frente, maior é o poder dos juros compostos sobre sua poupança;

No papo de hoje vamos inverter essa lógica, porque ela fica ainda mais interessante depois da aposentadoria.

Nossa sociedade supervaloriza os bilionarios do dinheiro e subvaloriza os bilionarios do tempo. O conceito de bilionario do tempo me toca profundamente.

Dificil nāo ficar impressionado com a questāo do tempo, depois de assistir um filme de 2011 intitulado “In Time”. O filme conta a história de um mundo futuro no qual as pessoas sāo pagas, nāo em $$$, mas em tempo.

As pessoas vivem até 25 anos de idade e a partir daí um relogio no braço começa a contagem regressiva em direçāo a 00:00:00. Se todo o seu tempo expirar, você morre cedo. Se você acumulou tempo suficiente, pode viver para sempre.

Um problema que mudou

A previdência complementar, historicamente, se preocupa e construir suas soluçōes em torno de uma pergunta:

Como acumular dinheiro suficiente para a aposentadoria?

Com a disseminação dos planos de contribuição definida (CD), a partir dos anos 90, a previdência complementar criou outro problema, que é extremamente menosprezado pelos fundos de pensāo:

Como gastar esse dinheiro depois?

O aposentado chega aos 60, 65, 70 anos com R$ 500 mil, R$ 1 milhão, R$ 2 milhões acumulados em seu saldo de conta, no fundo de pensāo.

Ótimo!

Mas como ninguém sabe quando vai morrer, o desafio dos aposentados em planos CD é o chamado risco da longevidade individual:

  • Se o aposentado retirar $$$ demais do seu saldo acumulado no plano de previdencia complementar, corre o risco de sobreviver ao próprio dinheiro;

  • Se retirar de menos, pode morrer deixando uma parcela relevante da poupança que acumulou, justamente para desfrutar de uma vida confortavel durante a aposentadoria.

Que tal, entāo, mudarmos a unidade de medida?

SUA CONTA PASSA A TER DOIS SALDOS

Imagine abrir o aplicativo do seu plano de previdência complementar e encontrar:

  • Saldo financeiro: R$ 1.000.000

  • Saldo estimado de vida: 742.318.291 segundos

De repente, você descobre que possui dois patrimônios.

  • Um patrimônio que está depositado no fundo.

  • O outro que está depositado no seu corpo … no tempo.

Ambos diminuem, a diferença é que:

  • O primeiro, pode render, ficar constante e até aumentar;

  • O segundo não, jamais aumenta, nem fica estabilizado … diminui sempre.

O “RELÓGIO ATUARIAL”

Qualquer fundo de pensāo pode criar um relôgio atuarial e incorporá-lo à conta individual do participante, para ele fazer a gestāo da renda mensal com uma bússola do tempo.

Nāo seria tecnicamente complicado, pelo contrário, é até bastante simples.

Todos os meses, um pequeno software poderia recalcular a renda sugerida para o aposentado considerando, entre outros fatores:

  • saldo remanescente +

  • rentabilidade esperada +

  • idade no momento +

  • probabilidade de sobrevivência +

  • tempo esperado de vida restante.

As tábuas de mortalidade já fazem parte do mundo atuarial, a novidade seria transformar aquelas probabilidades quase invisíveis para o participante em algo que ele pudesse usar para administrar sua própria renda.

A cada mês, o sistema recalcularia os parametros e apontaria a renda a ser retirada. Sobreviveu mais um mês?

  • Seu saldo financeiro mudou.

  • Sua idade mudou.

  • Sua curva de sobrevivência mudou.

  • Sua renda sustentável também vai mudar.

Fazendo a pergunta certa:

Em vez de simplesmente perguntar “Quanto dinheiro ainda tenho?”, o aposentado passaria a perguntar “Quanto dinheiro tenho para financiar cada unidade provável do tempo que ainda me resta?”

Credito de Imagem: Shutterstock

DO BILIONÁRIO DO DINHEIRO AO BILIONÁRIO DO TEMPO

Existe uma ironia interessante nisso tudo. Quando somos jovens, somos pobres em dinheiro e bilionários em tempo.

Passamos boa parte da vida convertendo parte desse tempo em dinheiro. Trabalhamos, poupamos, investimos, até que, na aposentadoria, acontece algo curioso.

Podemos finalmente estar ricos em dinheiro, justamente quando começamos a descida para ficar pobres em tempo.

A função principal funçāo dos planos de previdencia complementar, bem como o dever fiduciario dos fundos de pensāo, deveria ser ajudar o aposentado a fazer a conversão no sentido contrário.

Transformar dinheiro novamente em tempo.

Tempo para viajar.

Tempo com os filhos.

Tempo com os netos.

Tempo para estudar.

Tempo para não fazer absolutamente nada.

A desacumulação não deve ser tratada, simplesmente, como a retirada periódica de $$$ de um saldo financeiro acumulado. Ela deveria ser pensada como a gestão simultânea de dois patrimônios finitos: dinheiro e tempo.

Isso nos leva a uma quesāo importantíssima.

Os fundos de pensão desenvolvem, o tempo todo, ferramentas sofisticadas para ajudar as pessoas a acumular patrimônio.

Justamete agora, quando o país envelhece e milhões de participantes começam a chegar à aposentadoria em planos CD, não estaria na hora de desenvolver ferramentas igualmente sofisticadas — e muito mais simples de usar — para ajudar as pessoas a usar / consumir esse patrimônio?

O aplicativo de previdência complementar do futuro não vai mostrar apenas quanto dinheiro você tem. Vai mostrar, também, uma forma clara e simpes de visualizar algo muito mais precioso:

Quanto tempo o dinheiro restante precisa financiar.

Quem pensa que o unico objetivo da previdencia complementar é acumular o maior saldo possível, só consegue enxergar metade do problema.

A missāo dos fundos de pensāo tem a ver, claro, com acumular poupança, porém, o desafio que surge na sequência é transformar o saldo que você acumulou na melhor vida possível durante o tempo que ainda resta.

Segurança financeira requer subir uma escada e quando você chega no topo dela, saber descer com cuidado para nāo cair e se esborrachar no chāo.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Time Billionaire”, escrito por Anthony Pompliano.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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