quarta-feira, 15 de julho de 2026

PREVIDENCIA PARA TODOS NĀO É UMA QUESTĀO DE EDUCAÇĀO FINANCEIRA: É UMA QUESTĀO DE TECNOLOGIA

 


De Sāo Paulo, SP.


Governos, reguladores, fundos de pensão e entidades de previdência complementar têm demonstrado a intençāo de ampliar a cobertura previdenciária e levar a poupança de longo prazo para toda a população.

A intenção é boa e correta. O problema é que tentar fazer isso utilizando uma infraestrutura inadequada, concebida para outro mundo.

A chamada “previdência para todos” dificilmente se tornará realidade enquanto insistirmos em operar sobre uma arquitetura financeira construída para atender grandes patrocinadoras, investimentos vultosos e aportes mensais elevados.

O obstáculo não é convencer as pessoas a poupar

Quem busca ampliar a previdência complementar no Brasil, normalmente concentra a discussão em torno de:

  • educação financeira;

  • incentivos fiscais;

  • campanhas de conscientização; ou

  • novos desenhos de planos (como os instituídos).

Tudo isso ajuda, mas existe um problema muito mais profundo. A matemática simplesmente não fecha.

Imagine uma pessoa que consiga poupar R$ 50 por mês.

Se parte relevante desse valor for consumida por custos administrativos, taxas de gestāo dos investimentos, despesas operacionais, custódia, distribuição, gestão de investimentos, auditorias, intermediários e toda a estrutura tradicional do mercado financeiro, sobra muito pouco para efetivamente construir e acumular patrimônio.

Não existe milagre, quanto menor a contribuição do participante, menor precisa ser o custo da infraestrutura. Idealmente, esse custo deveria caminhar para zero.

Essa é, sem duvida, a condição mais importante — e menos discutida — para que a previdência complementar alcance milhões de brasileiros hoje excluídos.

O problema não está apenas nos planos

Credito de Imagem: Wikipidia


Ao longo da ultima década, os fundos de pensão brasileiros passaram a criar planos família, planos instituídos, se desvincular das empresas que originalmente os criaram e a tentar atrair pessoas físicas.

São avanços importantes, mas que continuam funcionando sobre a mesma infraestrutura que trouxe os fundos de pensāo até aqui.

É como construir trens de alta velocidade (como o TGV francês e o KTX sul-coreano), mais modernos e confortáveis, utilizando trilhos de uma ferrovia do século passado.

A velocidade vai continuar limitada pela infraestrutura inadequada.

O que precisa mudar nos fundos de pensāo, para permitir a democratizaçāo da previdencia complementar, não é apenas o produto.

É a infraestrutura sobre a qual as EFPC funcionam.

A tokenização muda completamente essa equação

Nāo há como falar em previdencia para todos, sem falar em ativos digitais, especialmente os chamados Real World Assets (RWAs).

A tokenização permite nāo apenas representar digitalmente ativos reais — títulos públicos, imóveis, recebíveis, crédito privado, infraestrutura, cotas de fundos e diversos outros investimentos — em redes de blockchain.

Os ativos digitais permitem o fracionamento (praticamente sem limite) de qualquer classe de investimentos, reduzindo o valor mínimo de entrada e ampliando o acesso.

Nāo se trata de apenas digitalizar os investimentos via blockchain. Trata-se de reduzir drasticamente os custos de emissão, liquidação, registro, distribuição e custódia.

Um ativo que antes exigia aplicações mínimas de milhares de reais (ex: imóvel comercial) pode passar a aceitar investimentos de poucos reais.

Não é apenas uma inovação tecnológica. é uma mudança na própria lógica econômica dos investimentos.

O investimento mínimo cai de US$ 10 mil para US$ 10

Essa é uma transformação revolucionária!

A partir dpo momento que um CDB, uma açāo, um imóvel ou um título público tokenizado passam a existir onchain, a discussão deixa de ser sobre tecnologia.

Passa a ser sobre alcance, democratizaçāo e acesso.

Quem passa a investir nessas alternativas de investimento? São apenas os mesmos investidores migrando para uma tecnologia diferente? Ou estamos finalmente incluindo pessoas que jamais tiveram acesso a esses ativos?

O mercado já começa a responder essa pergunta. Basta ver o caso de uma gestora europeia de investimentos chamada Spiko. Esse caso é ilustrativo.

Seu fundo de investimentos tokenizado, lastreado em títulos públicos europeus, cresceu 38% em um mês, alcançando US$ 929 milhões sob gestão, grande parte emitida no blockchain Stellar.

O dado mais relevante aqui não é o patrimônio alcançado, é o investimento mínimo. Ao reduzir a aplicação inicial de aproximadamente US$ 10.000 para apenas US$ 10, a natureza do mercado mudou completamente.

Não estamos apenas digitalizando investimentos, estamos democratizando o acesso e democratizar acesso sempre foi o maior desafio da previdência complementar.

Previdência para todos exige universalizar investimentos

Ao longo da historia econômica recente, determinadas classes de ativos permaneceram praticamente exclusivas de investidores institucionais ou grandes investidores.

Os pequenos poupadores ficavam limitados a poucas alternativas, muitas vezes caras, pouco diversificadas e com elevado custo de intermediação.

Os ativos tokenizados começam a eliminar essa barreira.

Eles permitem que pequenos investidores tenham acesso, de forma simples e eficiente, a ativos antes reservados para grandes patrimônios.

Essa democratização representa, para a previdência complementar, algo muito maior do que apenas investir em cryptoativos e ativos virtuais.

Representa uma nova infraestrutura para formação de patrimônio.

O futuro raramente chega em cima do passado

Há vinte anos, blockchain não existia. Há pouco mais de uma década, stablecoins ainda não faziam parte do sistema financeiro. As finanças descentralizadas (DeFi) sequer haviam surgido.

Nenhuma dessas inovações foi amplamente prevista. Elas simplesmente apareceram e depois, passaram a redefinir o mercado.

Quando a arquitetura muda, a história deixa de ser um bom instrumento para prever o futuro. É muito mais fácil corrigir o momento da adoção de uma nova tecnologia do que recuperar anos perdidos por falta de visão.

“Devemos usar ativos digitais?” precisa dar lugar a “como pretendemos construir uma previdência verdadeiramente universal utilizando uma infraestrutura incapaz de atender milhões de pessoas que só conseguem poupar R$ 50 ou menos por mês?”

A próxima fase da revolução financeira não será liderada simplesmente pelas instituições que possuírem maiores ativos.

Será liderada por aquelas capazes de transformar o acesso a esses ativos.

O fundo de pensāo do futuro não será medido apenas pela rentabilidade que entrega aos poupadores da classe média.

Será medido pela capacidade de incluir quem nunca conseguiu poupar.

Se quisermos uma previdência complementar realmente aberta a todos os brasileiros, o primeiro passo vai muito além de criar novos planos.

O primeiro passo envolve usar uma nova infraestrutura financeira.

Não existe previdência para todos utilizando uma infraestrutura acessivel a poucos.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “The Year Institutions Stopped Asking If”, escrito por José Fernandez da Ponte.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


ATIVOS DIGITAIS E FUNDOS DE PENSĀO: ADERIR OU SUMIR ...

 


De Sāo Paulo, SP.


A propriedade de ações está migrando para blockchains públicos.

Em vez de manter ações por meio de corretoras de valores tradicionais, os investidores agora estāo passando a deter em suas carteiras digitais um token, que representa a mesma propriedade.

O que é uma ação tokenizada?

Uma ação tokenizada (ou tokenized stock) é um token digital que representa a propriedade de uma ação real.

O token é lastreado pelo ativo subjacente, portanto, a propriedade do investidor não muda, apenas a forma como é mantida, negociada e transferida essa propriedade é que muda bastante.

A maioria das ações tokenizadas opera com base em um dos dois modelos abaixo:

  1. Modelo de custódia: Um custodiante licenciado detém as ações reais e emite um token correspondente, em um blockchain como o Ethereum ou Solana;

  2. Modelo de emissāo própria: Uma empresa tokeniza diretamente suas próprias açōes, emitindo o token ao invés de depender de um custodiante separado.

Para investidores comuns, ações tokenizadas significa que as ações que eles já possuem, ou vierem a possuir, poderão em breve se movimentar com a mesma velocidade e flexibilidade de qualquer outro ativo digital, sem alterar a natureza dessas ações.

Isso significa que as ações das empresas de capital aberto estão se tornando mais uma classe de ativos integrada diretamente à infraestrutura da cryptoeconomia.

O setor de cryptomoedas está simplesmente tomando conta da antiga infraestrutura do mercado de açōes - corretoras de valores, custodiantes, traders … deixando tudo para trás.

… açōes tokenizadas sāo apenas o começo

Credito de Imagem: www.blockchainx.tech


O próximo passo será colocar praticamente todos os ativos do mundo real — os chamados Real World Assets (RWAs) — dentro da nova infraestrutura digital.

Títulos públicos, debêntures, cotas de fundos mútuos, crédito privado, recebíveis, commodities, obras de arte, direitos autorais, participações em empresas, imóveis … tudo será representado por tokens programáveis, negociado e utilizado como garantia em redes de blockchain.

Isso não significa necessariamente transformar prédios, fazendas ou títulos do Tesouro em cryptomoedas especulativas.

Significa criar uma representação digital desses ativos, com direitos econômicos e jurídicos vinculados ao bem real original.

No mercado imobiliário, por exemplo, um edifício poderá ser dividido em milhares ou milhões de frações digitais.

O investidor não precisa comprar um imóvel inteiro nem esperar meses para concluir uma transação: pode adquirir uma pequena participação, receber proporcionalmente os rendimentos e - dependendo da estrutura adotada - vender sua posição no mercado secundário.

A tokenização não garante, por si só, que todo ativo se tornará líquido — um imóvel ruim, continuará sendo um imóvel ruim.

Mas reduz custos de entrada, facilita o fracionamento, amplia o universo de investidores, democratiza o acesso aos investimentos e pode tornar a negociação, a custódia e a transferência muito mais eficientes.

Estudos recentes do BIS - Bank for International Settlements ou Banco de Compensações Internacionais (instituição financeira internacional conhecida como o “banco dos bancos centrais”) mostram que a tokenização imobiliária já começa a preencher algumas lacunas deixadas pelos mercados tradicionais.

Na renda fixa a transformação poderá ser ainda mais profunda.

Títulos públicos tokenizados tendem a funcionar como uma das principais peças da nova infraestrutura financeira.

Poderão ser emitidos, transferidos, oferecidos em garantia e liquidados em plataformas programáveis, reduzindo reconciliações, intermediários, custos operacionais e riscos de contraparte.

O BIS já trata os títulos soberanos tokenizados, ao lado dos certificados de deposito bancário e das reservas de bancos centrais tokenizadas, como elementos fundamentais de um futuro sistema financeiro digital.

Debêntures, empréstimos, recebíveis e instrumentos de crédito privado seguirão o mesmo caminho.

Em vez de sistemas inteiros conferindo planilhas, posições de custódia, notas de negociação e movimentações financeiras, parte relevante desses processos poderá ocorrer automaticamente, quase em tempo real.

O mercado de fundos também está sendo levado para dentro do blockchain.

Fundos tokenizados de títulos públicos e instrumentos de liquidez já administram bilhões de dólares, permitindo que cotas sejam movimentadas e utilizadas como garantia durante as 24 horas do dia.

O BUIDL, fundo tokenizado da BlackRock, tornou-se um dos exemplos mais visíveis dessa convergência entre a gestão tradicional de recursos e a cryptoeconomia.

Não estamos, portanto, diante da criação de uma classe isolada de investimentos chamada “ativos digitais”. Estamos diante da digitalização das próprias classes de ativos que já conhecemos.

As ações continuarão sendo ações. Os títulos públicos continuarão representando dívida soberana. Os imóveis continuarão sendo imóveis.

A diferença é que a propriedade, transferência, liquidação, distribuição de rendimentos e utilização como garantia passarão a ocorrer dentro de uma infraestrutura digital, programável e potencialmente disponível 24 horas por dia.

Essa distinção é decisiva.

Em pouco tempo, proibir uma instituição de operar com ativos digitais poderá equivaler a proibi-la de operar com uma parcela crescente do próprio mercado financeiro.

O que acontecerá nos próximos dois anos

Credito de Imagem: www.brasil.babycenter.com


Os fundos de pensão brasileiros permanecem presos a um arcabouço de investimentos construído para um mercado formado por intermediários tradicionais, horários de funcionamento bancário, liquidação em vários dias úteis, documentos fragmentados e ativos mantidos em sistemas que não se comunicam.

Enquanto isso, instituições financeiras, bolsas, governos, gestores globais e empresas de tecnologia estão construindo outra infraestrutura.

O mercado de RWAs tokenizados ainda é pequeno diante do tamanho do sistema financeiro mundial, mas já reúne dezenas de bilhões de dólares efetivamente distribuídos em blockchain, com crescimento concentrado justamente em produtos institucionais, como títulos públicos, fundos, crédito privado e commodities.

Se os fundos de pensão brasileiros permanecerem por mais um ou dois anos impedidos de sequer experimentar essa transformação, o prejuízo não será apenas a perda de rentabilidade em uma nova classe de ativos.

Eles deixarão de aprender e:

  • Não desenvolverão sistemas de custódia digital;

  • Não formarão profissionais capazes de analisar protocolos e contratos inteligentes;

  • Não criarão estruturas de governança para wallets (carteirs digitais) institucionais;

  • Não testarão liquidação atômica, tokenização de passivos, uso de stablecoins reguladas, nem ativos tokenizados como garantia.

  • Também não participarão da definição dos padrões tecnológicos que poderão governar o mercado financeiro das próximas décadas.

Quando, finalmente, forem autorizados, provavelmente encontrarão uma infraestrutura já construída por bancos, grandes gestores, seguradoras, fintechs, corretoras de crypto e plataformas digitais.

Entrarão atrasados, pagando:

  • Pelos sistemas;

  • Pela custódia;

  • Pela tecnologia; e

  • Pelo conhecimento desenvolvido por terceiros.

Pior: poderão descobrir que seus próprios participantes já terão encontrado alternativas de poupança de longo prazo, fora do setor de previdência complementar.

As novas gerações podem constituir reservas de longo prazo por meio de carteiras digitais, capazes de reunir títulos públicos tokenizados, fundos globais, imóveis fracionados, stablecoins remuneradas (em dólar), ações tokenizadas e estratégias automatizadas de investimento.

Tudo dentro de uma única interface, disponível permanentemente, com baixos valores mínimos para cada investimento, custos de gestāo financeira e administraçāo muito inferiores aos cobrados pelas estruturas tradicionais, portanto, com maior rendimento potencial.

Aderir ou sumir

Os reguladores brasileiros ainda tratam os ativos virtuais como um compartimento perigoso e separado do sistema financeiro, mas essa separação está desaparecendo.

A cryptoeconomia não está apenas criando Bitcoin, stablecoins ou novos protocolos.

Está absorvendo títulos públicos, fundos mútuos, ações, crédito privado e ativos imobiliários, está reconstruindo os trilhos pelos quais a propriedade e o dinheiro circulam.

Em breve, perguntar se um fundo de pensão pode investir em ativos digitais será tão estranho quanto perguntar se ele pode usar a internet!

O debate deixará de ser sobre quanto investir em cryptoativos e passará a ser sobre como operar num mercado em que praticamente todos os ativos tem representação digital.

Por isso, o governo precisa abandonar a proibição absoluta e substituí-la por uma regulação prudencial progressiva, com:

  • limites iniciais,

  • custodiantes qualificados,

  • segregação patrimonial,

  • auditoria dos contratos inteligentes,

  • critérios de liquidez, governança de chaves, monitoramento de riscos e ambientes regulatórios de experimentação.

Os fundos de pensão, por sua vez, precisam começar agora — ainda que apenas por meio de estudos, projetos-piloto e capacitação de conselheiros e dirigentes.

Se nada mudar, nos próximos dois anos os fundos de pensão brasileiros não estarão apenas proibidos de comprar determinados ativos. Estarão proibidos de participar do novo sistema financeiro.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “MoonPay Miniute”, escrito pelo Team MoonPay.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.



MARCA NÃO É "LOGO": O QUE OS FUNDOS DE PENSÃO PRECISAM APRENDER SE REALMENTE QUISEREM CRESCER



De Sāo Paulo, SP.

Historicamente, os fundos de pensão brasileiros praticamente não precisavam disputar a atenção de ninguém.

Os participantes chegavam por força do vínculo empregatício. As patrocinadoras eram bem definidas. A concorrência pequena. O marketing quase irrelevante. O foco era interno.

Esse mundo acabou, zilt, gone. Nāo existe mais.

Hoje, praticamente todas as grandes EFPC (entidades fechadas de previdencia complementar) falam em fomento, crescimento, planos instituídos, expansão comercial, novas patrocinadoras, atrair pessoas físicas, cooperativas, associações, startups, PME - Pequenas e Medias Empresas ...

Algumas até passaram por processos de rebranding, trocaram nomes, modernizaram logotipos, criaram slogans e lançaram novas identidades visuais.

O problema é que identidade visual não é marca, conforme venho apontando, insistentemente, para o setor.

Pra mim, essa é uma das maiores lacunas estratégicas da previdência complementar brasileira.

Rebranding por si só, não cria marca

Há algum tempo publiquei uma apresentação exatamente sobre esse tema (video: aqui).

O argumento segue mais válido do que nunca.

A maioria dos processos de rebranding realizados pelos fundos concentrou recursos e esforços em elementos visuais:

  • novo nome;

  • novo logotipo;

  • nova paleta de cores;

  • novo site;

  • novo posicionamento institucional.

Tudo isso é importante, claro, mas nada disso, isoladamente, constrói uma marca.

Uma marca existe na cabeça das pessoas, não em manuais de identidade visual. Se amanhã alguém perguntar a um brasileiro comum:

“Qual o primeiro fundo de pensão que vem à sua cabeça?”

Muito provavelmente a resposta será:

Nenhum”

Percebeu o problema?

Continuam falando para dentro da bolha

Existe uma mudança silenciosa acontecendo.

Quase todas as grandes entidades passaram a buscar públicos que nunca tiveram qualquer relação com suas patrocinadoras originais. Só existe um detalhe.

  • Esses públicos não acompanham a imprensa especializada em previdência;

  • Não participam de Congressos da Abrapp;

  • Não sabem o que é PREVIC;

  • Não fazem ideia do que significa EFPC e até fundo de pensāo.

Ou seja, o setor continua investindo enorme energia e $$$ em comunicação voltada para dentro da própria bolha, enquanto seu futuro vive completamente fora dela.

Está na hora de medir marcas

Credito de magem: www.scuadra.com.br


Uma das metodologias mais interessantes que vi recentemente é o Category Advantage, desenvolvido pela Morning Consult.

A ideia é simples.

Em vez de medir apenas lembrança espontânea ou reputação institucional, o framework procura entender a força mental que uma marca possui dentro de sua categoria de produto ou serviço.

Ele combina métricas de disponibilidade mental (mental availability) e conexão emocional, buscando explicar por que algumas marcas crescem muito mais rápido do que outras.

Entre os indicadores estão três particularmente interessantes.

1. Mental Market Share (MMS)

O Mental Market Share mede a frequência com que uma marca vem espontaneamente à mente, quando alguém pensa em determinada categoria.

Não mede clientes, mede espaço mental.

Na prática, responde à pergunta:

“Quando alguém pensa em previdência complementar, em quem pensa primeiro?”

2. Category Entry Points (CEPs)

Os Category Entry Points representam os momentos, necessidades ou situações que fazem alguém pensar em determinada categoria.

No caso dos fundos de pensão, poderiam ser perguntas como:

  • Vou trocar de emprego;

  • Comecei minha empresa;

  • Nasceu meu filho;

  • Recebi uma herança;

  • Quero pagar menos imposto;

  • Quero investir para aposentadoria;

  • Preciso proteger minha família;

  • Quero deixar patrimônio;

  • Comecei a poupar ou a investir.

A pergunta seguinte é ainda mais importante:

Qual fundo de pensão está associado a cada um desses momentos?

Provavelmente, nenhum.

3. Network Size

O terceiro indicador mede quantas situações diferentes estão conectadas mentalmente a uma marca.

Quanto maior essa rede de associações, maior tende a ser seu potencial de crescimento.

Em diversos mercados analisados pela Morning Consult, marcas líderes não são apenas as mais conhecidas: são aquelas lembradas em um número muito maior de ocasiões de uso ou decisão.

Um exercício provocativo

Imagine que realizássemos essa pesquisa hoje com alguns dos fundos de pensāo que passaram por processos de reposicionamento, como Vivest, Quanta, Value Prev e outros.

Não temos dados públicos para calcular seus indicadores, mas podemos fazer uma inferência qualitativa.

Vivest

Provavelmente possui um bom nível de reconhecimento dentro do setor de previdência, já que é a maior EFPC do setor privado.

Fora dele?

Muito limitado.

Quando um jovem empreendedor ou os fundadores de uma stratup pensam em aposentadoria, dificilmente “Vivest” aparece entre suas primeiras lembranças.

Quanta

Talvez seja o caso mais interessante.

A entidade já nasceu com vocação para atrair pessoas fisicas através de cooperativas, expandiu significativamente sua base de participantes e hoje ultrapassa 250 mil poupadores, consolidando-se entre as maiores EFPC do país em número de pessoas atendidas.

Mesmo assim, a marca ainda parece estar muito associada ao universo cooperativista e ao sul do país, onde tem sua sede.

Será que alguém fora desse ecossistema pensa espontaneamente na Quanta quando decide começar a poupar para o futuro?

Provavelmente ainda não.

Value Prev

Sua estratégia declara explicitamente a ambição de estar entre as cinco maiores administradoras de planos instituídos até 2029.

É uma meta ousada, muuuuito ousada.

Para alcançar essa posição dependerá menos da qualidade do regulamento dos planos que oferece e muito mais da capacidade de construir presença mental junto a públicos que hoje sequer conhecem a instituição.

O caso PayPal ajuda a entender o problema

Credito de Imagem: Morningstar | O PayPall está presente nos maiores momentos


A Morning Consult mostrou recentemente que marcas fortes não vencem apenas porque oferecem um bom produto.

Vencem porque conseguem ocupar mais momentos na cabeça do consumidor.

Quanto maior o número de situações em que alguém lembra espontaneamente de uma marca, maior tende a ser sua vantagem competitiva.

O mesmo raciocínio vale para fundos de pensão.

Se uma pessoa só lembra de uma entidade quando o RH entrega um formulário de adesão, essa marca possui um CEP - Category Entry Point extremamente estreito.

Agora imagine outra situação. A marca do fundo de pensāo também é lembrada quando alguém:

  • Abre uma empresa;

  • Começa a investir ou poupar;

  • Procura planejamento financeiro;

  • Pensa em $$$ para pagar a educação dos filhos;

  • Recebe participação nos lucros;

  • Vende um imóvel;

  • Planeja sucessão patrimonial;

  • Quer reduzir imposto;

  • Conversa sobre longevidade;

  • Acompanha conteúdos sobre finanças pessoais nas redes sociais.

Essa entidade passa a existir em muito mais momentos da vida, consequentemente, sua marca torna-se muito mais forte.

O concorrentes nāo sāo os outros fundos

Existe outra provocação importante. Quando um jovem pensa em investir para o futuro, ele não compara apenas diferentes fundos de pensão.

Ele compara:

  • Tesouro Direto;

  • ETFs;

  • Crypto;

  • Fundos imobiliários;

  • Corretoras digitais;

  • Fintechs;

  • Bancos digitais;

  • Plataformas de investimento;

  • Carteiras internacionais.

Ou seja, o verdadeiro mercado relevante já não é mais restrito ao universo de “previdência complementar”. A disputa é pela poupança de longo prazo.

Quem entender isso primeiro provavelmente conquistará uma vantagem enorme.

A verdadeira transformação ainda não começou

Trocar logotipos é relativamente barato. Construir uma marca leva anos.

Exige pesquisa, medição contínua, produção consistente de conteúdo, presença nas redes sociais, educação financeira, relacionamento, reputação, comunidade.

Se eu fosse um fundo de pensão brasileiro, faria uma pergunta muito simples antes de investir em um processo de rebranding:

Se entrevistarmos dez brasileiros na rua, quantos lembrarão espontaneamente do nome da nossa entidade quando pensarem em poupança para o futuro?

Se a resposta continuar sendo “quase ninguém”, o problema nāo é o logotipo. O problema é acreditar que uma nova identidade visual será suficiente para construir uma marca.

Nesse momento em que os fundos de pensāo disputam espaço com fintechs, plataformas de investimento, finfluencers (influenciadores financeiros) e ativos digitais, permanecer invisível fora da bolha da previdência nāo é apenas uma questão de marketing — é uma questão de sobrevivência …

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Our Best Intel: PayPall”, publicado pela Morning Consult.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

O QUE UMA REGRA DE DRESSING CODE QUE NĀO TEM LÓGICA DIZ SOBRE FUNDOS DE PENSĀO?


De Sāo Paulo, SP.

Usar bermudas no escritório faz todo sentido e os códigos de vestimento parecem ficar mais permissivos a cada dia: jeans, tênis e camisetas são onipresentes entre os trabalhadores que frequentam escritórios.

O tabu contra o uso de bermudas em ambientes profissionais, no entanto, resiste, mesmo em lugares como o Rio de Janeiro, Australia e Washington D.C., no verāo, quando o ar quente e úmido parece um bafo de cachorro no seu cangote.

O pensamento corrente é que bermudas, sāo coisa de criança.

Afinal, por que que a resistencia contra bermudas insiste tanto em sobreviver? Ninguém tem uma resposta satisfatória, mesmo sendo a convenção de moda mais ilógica ainda de pé.

Isso significa que seus dias provavelmente estão contados e que a gloriosa era da libertação das pernas está próxima.

Houve um tempo em que bermudas realmente eram coisa de meninos pequenos. No fim do período vitoriano, por volta de 1900, as escolas britânicas adotaram calças curtas para os alunos mais novos e do sexo masculino.

Essa prática acabou se espalhando para países fora da Commonwealth (Comunidade de 56 paises, a maioria ex-colônias do Império Briânico).

A associação entre bermudas e crianças ainda era forte em 1932, quando o astro inglês do tênis Bunny Austin, que era baixinho, decidiu que estava cansado de correr usando “calças encharcadas de suor” e estreou de bermuda no U.S. National Championships.

Com um chapéu branco de linho e bermudas de flanela, o pequeno jogador inglês parecia uma criação de A. A. Milne (autor dos livros sobre o ursinho Winnie-the-Poo)”, escreveu na época o The New York Times.

Talvez ele realmente tivesse algo de Christopher Robin. Foi Austin, que chegou a duas finais de Wimbledon, quem introduziu as bermudas nas quadras de tenis.

Ele perdeu as partidas, mas as bermudas venceram a guerra. Ao menos em contextos esportivos elegantes, homens adultos podiam se livrar das calças compridas sem se preocupar com o que o Times diria.

Segundo o historiador de moda James Laver, a moda masculina tende a nascer no campo esportivo ou no campo de batalha.

Durante a II Guerra Mundial, um enorme número de soldados britânicos e da Commonwealth usou bermudas no norte da África, popularizando o visual.

Depois da guerra, você passa a ter uma quantidade enorme de bermudas cáqui em lojas de sobras de uniforme do Exército e da Marinha ”, disse o eminente jornalista de moda masculina G. Bruce Boyer.

Credito de imagem: www.reddit.com/r/AskHistorians/

“Então, os homens começaram a usá-las para lavar o carro, depois para jogar golfe e assim por diante”, completou.

Nos anos 1950, as bermudas — uma calça na altura dos joelhos — eram aceitas como traje formal na ilha que deu o nome ao vestimento — mas nāo eram usadas em absolutamente nenhum outro lugar, a nāo ser entre o público dos clubes de campo.

Havia uma barreira rígida entre os lugares onde bermudas eram apropriadas — o clube, a praia, um churrasco — e o escritório, onde não eram.

Boyer lembra que marcas de moda americanas tentaram vender ternos masculinos com calças curtas já nos anos 1950. “A razão pela qual não se fala disso”, disse ele, “é porque não funcionou”.

As bermudas continuaram proibidas mesmo enquanto outros pilares do código de vestimenta corporativo desmoronavam.

  • Jeans eram originalmente roupa de trabalhadores braçais.

  • Camisetas costumavam ser roupa de baixo.

  • Camisas polo passaram do campo de golfe para a sala de reuniões.

  • Há uma década, tênis esportivos ainda eram, em grande parte, malvistos;

O código de vestimenta recentemente aprovado pelo Senado dos EUA, conhecido informalmente como SHORTS Act, exige paletó, gravata e — zero surpresa — calças compridas. Como não menciona calçados, hoje em dia até membros do congresso circulam pelo Capitólio de tênis.

A tendência clara é em direção ao conforto.

Segundo uma pesquisa Gallup de 2023:

  • 3% dos americanos usam terno para trabalhar no dia a dia.

  • 41% disseram usar “roupas business casual”, e

  • 31% disseram usar roupas comuns do dia a dia.

“Esses códigos mudam com o tempo”, diz Derek Guy, escritor de moda mais conhecido como Menswear Guy.

Eu não consigo lhe dar uma razão para explicar por que, de algum modo, as bermudas têm sido um pouco mais resistentes”, comenta ele.

Quando pressionados por uma explicação, vários especialistas de moda mencioam o ex-estilista Tom Ford. Em uma entrevista de 2011 à revista Another Man, Ford apresentou suas “cinco lições sobre como ser um cavalheiro moderno”.

Tudo ia bem — Lição 4: não seja racista nem sexista — até a lição final: “Bermudas só devem ser usadas na quadra de tênis ou na praia”.

Isso nos fz especular sobre por que bermudas poderiam ser consideradas pouco cavalheirescas. Uma possibilidade é que elas simplesmente podem ser feias.

Certamente, se forem longas demais, as bermudas podem encurtar visualmente as pernas, o que não é particularmente lisonjeiro. Talvez seja por isso que Tom Cruise, que tem 1,70 metro de altura, usou jeans compridos, não bermuda, enquanto jogava vôlei de praia no filme Top Gun.

Credito de Imagem: @joshcarlosjosh no X

A solução simples é usar bermudas que terminem alguns centímetros acima do joelho.

Para alguns céticos das bermudas, porém, essa cura específica seria pior que a doença. Ninguém quer ver pernas peludas.

O problema com essa teoria é a inconsistência com que ela é invocada. Se as pernas dos homens fossem realmente tão desagradáveis de se ver, então seriam consideradas feias em todos os lugares — mas não são.

Não há razão para uma parte do corpo que parece perfeitamente aceitável em uma cervejaria ao ar livre ou em um churrasco na casa dos amigos, se torne subitamente grotesca no momento em que aparecem na frente uma mesa e um laptop.

Por fim, mesmo que bermudas fossem inerentemente feias, isso ainda não explicaria totalmente a regra, basta olhar as roupas (feias) usadas em trajes casuais nos escritórios.

Mas bermudas podem compor um traje estiloso. Que tal uma boa bermuda, mocassins e digamos, uma camisa de linho ou de algodão leve com as mangas dobradas?

Como tantas vezes acontece, uma regra que prende um dos sexos acaba deixando ambos em situação pior.

Como se espera que os homens usem calças compridas, os termostatos dos escritórios são ajustados para temperaturas irracionalmente frias no verão. As mulheres, vestidas de maneira sensata para o clima, com saias e blusas sem mangas, acabam tremendo o dia inteiro.

É um desperdício de energia e dinheiro que faz tanto sentido quanto proibir suéteres no inverno.

Os tempos mudam e os verões continuam ficando mais quentes. Em abril passado, enquanto a guerra entre Estados Unidos e Irã fazia os preços da energia dispararem, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, anunciou que funcionários públicos poderiam usar bermudas no escritório.

Há cada vez menos camadas para tirar, e as pessoas agora chegaram às bermudas”, explicou ela a repórteres”

A Copa do Mundo deste ano é a primeira a exigir uma pausa para hidratação dos jogadores no meio de cada tempo. Eles também podem usar bermudas no trabalho :)

As bermudas parecem destinadas a um dia se juntar aos tênis e aos jeans como traje aceitável nos escritórios.

Em uma pesquisa de 2023 do The Wall Street Journal, a opinião de que bermudas nunca são aceitáveis em um ambiente de escritório, recebeu apoio majoritário de apenas um grupo: pessoas com 58 anos ou mais.

Hoje, os baby boomers estāo no topo da hierarquia dos escritorios, são os chefes dos locais de trabalho, mas não serão para sempre.

Setenta e cinco por cento dos millennials disseram que “às vezes pode ser apropriado” um homem usar bermuda no escritório”. Em algum momento, o joelho masculino será libertado. Quando isso acontecer, será difícil lembrar por que alguém teve tanto medo dele.

Credito de Imagem: www.deluccaclassico.com.br

A bermuda e os fundos de pensāo

A resistência histórica ao uso de bermudas nos escritórios é apenas uma metáfora aparentemente banal para algo muito maior:

A dificuldade das instituições em abandonar regras que já perderam sentido, mas continuam de pé por inércia, tradição ou medo do ridículo.

O mundo do trabalho mudou, os escritórios mudaram, o clima mudou, a tecnologia mudou — mas o joelho masculino continuou interditado em nome de uma ideia antiga de profissionalismo.

Com a previdência complementar ocorre algo parecido:

  • Os vínculos de trabalho se tornaram mais curtos, fragmentados e instáveis;

  • A demografia se transformou e a populaçāo envelheceu;

  • A carreira linear deixou de ser o eixo organizador da vida financeira;

  • Novas tecnologias passaram a permitir produtos mais baratos, personalizados e portáveis; e

  • Os ativos digitais surgiram como uma nova classe de investimento de longo prazo.

Ainda assim, o setor de fundos de pensão segue preso a desenhos de planos CD ultrapassados, a uma visão excessivamente patrimonialista da poupança e a uma lógica regulatória que olha mais para o retrovisor do que para o futuro.

Enquanto a bermuda no escritório pode ser apenas uma questão estética, a demora da previdência complementar em se adaptar às transformaçōes economicas e sociais tem consequências profundas.

A poupança do futuro não poderá mais ser pensada apenas como um cofrinho a ser aberto na distante a aposentadoria.

Terá que integrar objetivos de curto, médio e longo prazos, dialogar com novas formas de trabalho, usar tecnologia para reduzir custos e melhorar a experiência do participante, incorporar inovação no desenho dos planos e reconhecer que as novas gerações não aceitarão produtos financeiros com cara, linguagem e arquitetura do século passado.

Em algum momento, o joelho masculino será libertado nos escritórios.

A questāo mais importante é saber se os fundos de pensão também conseguirão libertar a própria imaginação — antes que os participantes encontrem, do lado de fora deles, soluções mais simples, mais baratas, mais flexíveis e mais alinhadas ao mundo em que estamos vivendo.

Grande abraço,

Eder.


Opinioes: Todas minhas. Fonte: “The Least Logical Fashion Rule”, escrito por Gilad Eldeman


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