segunda-feira, 24 de agosto de 2026

SE A GERAÇĀO Z PREFERE INVESTIR USANDO IA, FUNDOS DE PENSĀO NĀO SERĀO PARA ELA

 



De Sāo Paulo, SP.


Quase 8 em cada 10 participantes de fundos de pensāo nāo fazem ideia de que o crescimento dos investimentos ao logo do tempo é o maior fator de aumento de suas poupanças para a aposentadoria.

É isso que mostra um estudo feito pela seguradora britânica Standard Life.

Entitulado Retirement Voice, a pesquisa perguntou aos poupadores sobre a percepçāo deles em relaçāo ao fator que mais acrescenta dinheiro em seus planos de previdencia complementar, durante a vida profissional.

Apenas 25% apontaram para os investimentos como principal fator de crescimento da poupança acumulada, com quase 4 em cada 10 pessoas atribuindo esse aumento às contribuiçōes individuais.

No entanto, números produzidos pelo governo mostram que um saldo acumulado típico de £$ 100,000 em um plano CD é composto por:

  • £$ 65,000 de retorno dos investimentos;

  • £$ 18,000 de contribuiçōes individuais;

  • £$ 13,000 de contribuiçōes da empresa; e

  • £$ 4,000 de incentivos fiscais.

A importância dos juros compostos como fator de crescimento dos investimentos é negligenciada, com apenas 15% das pessoas priorizando ativamente a poupança para a aposentadoria, enquanto 21% afirmando que o planejamento da aposentadoria é algo com que se preocupar mais tarde — índice que chega a 35% entre a Geração Z.

Ao apresentar os resultados, a Diretora de Poupança e Investimento da Standard Life, Jenny Holt, disse:

“O crescimento composto dos investimentos pode ser uma das forças mais poderosas na poupança para a aposentadoria, mas nossa pesquisa sugere que muitas pessoas subestimam o papel que ele desempenha”

… e completou

“As contribuições individuais são importantes, mas o verdadeiro benefício muitas vezes vem de dar a elas tempo para crescer e gerar retornos ao longo de décadas.

Ela explicou que começar cedo, mesmo que fazendo contribuiçōes modestas, pode fazer toda a diferença e citou alguns números.

Por exemplo, um jovem que ganha £$ 25,000 por ano, recolhe o mínimo de contribuiçōes previstas no plano e adia por apenas cinco anos o inicio da poupança para a aposentadoria, dos 22 para os 27 anos de idade, reduz o saldo acumulado em cerca de £$ 40,000.

A constataçāo do estudo da Standard Life explica porque participantes de planos CD brasileiros nāo se revoltam, quando seus fundos de pensāo limitam o retorno de suas poupanças ao teto do juros dos títulos públicos - quando na verdade existem estratégias de investimento ativo, que entregam retornos bem acima disso.

Essa é uma realidade de participantes de fundos de pensāo, composta por geraçōes anteriores ao surgimento da IA, que pouco ou nada se aventuravam pelos investimentos sozinhas e desde cedo.

Isso mudou.

Credito de Imagem: www.tamayyaz.com


A Gen Z prefere investir com IA

Cerca de 48% dos adultos da Geraçāo Z (nascidos entre 1997 e 2010) mudou de ideia sobre ao decidir sobre investimentos, após consultar uma IA - Inteligéncia Artificial.

Isso se compara a apenas 2% das pessoas da Geraçāo Sileciosa, que tem 81 anos de idade ou mais, de acordo com um estudo da Aegon.

O estudo patrocinado pela Aegon Money, revelou uma grande divisāo geracional quanto a atitude relativa ao uso de IA para poupar e investir:

  • 55% da Gen Z, com idade entre 18-29 anos, disseram confiar e usar a tecnologia;

  • Comparado a 18% dos Baby-Boomers, com idade entre 62-80 anos; e

  • 11% da Geraçāo Silenciosa, com idades acima de 81 anos.

Adultos mais jovens também sāo mais propensos a usar a IA para questões pessoais, com quase um quarto (24%) afirmando se sentir confortável discutindo preocupações financeiras com a IA, em comparação com 5% da geração Baby-boomer.

Conforme disse o Dr. Tom Mathar, Head de Investimentos da Aegon:

“A questão não é se as pessoas estão usando IA, mas sim como elas a estão utilizando.”

O que chama especialmente a atenção é que quase metade da Geração Z afirma que a IA mudou sua opinião sobre alguma decisão.

Para muitos jovens adultos, a IA está se tornando mais do que uma fonte de informação. Ela é, cada vez mais, uma ferramenta para explorar opções, testar hipóteses e refletir sobre escolhas importantes.

Em outras palavras, a IA está ajudando as pessoas a analisar decisões familiares sob uma perspectiva diferente e isso pode ser “poderoso”, especialmente ao ponderar decisões financeiras complexas, que envolvem escolhas e concessões.

Nas palavras do Dr. Mathar:

“Nossa pesquisa sugere que as pessoas estão tratando cada vez mais a IA como uma parceira para analisar esses dilemas”.

Muitas das decisões mais importantes da vida, como poupar para o futuro, são moldadas por experiências, relacionamentos e prioridades pessoais.

Quando:

  • Essas decisōes começam a aparecer em janelas de prompt e chats com IA; e

  • A IA começa a trazer informações à tona e desafiar nossas suposições.

Aquilo que já estava díficil - atrair jovens para poupar em fundos de pensāo - pode se tornar impossivel.

Investir em títulos públicos, sobre a perspectiva de uma IA, dificilmente vai aparecer em uma janela de chat como a melhor das alternativas para formaçāo de poupança de longo prazo.

Ainda mais quando esse investimento envolve escolhas financeiras e o planejamento para uma vida cada vez mais longa.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Fontes: ”Pension scheme members unaware investment is main pension growth driver” e “AI changed financial decisions for almost half of Gen Z”, escritos por Ellie Carric.


A VIDA FICOU MAIS LONGA, MAS A PREVIDÊNCIA CONTINUA COMEÇANDO AOS 25 ANOS

 


De Sāo Paulo, SP.

Varias iniciativas estão surgindo agora nos EUA, Itália e Alemanha e existe uma coincidência interessante, uma ideia que defendo há anos:

“Parar de pensar a previdência como algo que se inicia quando a pessoa consegue o primeiro emprego” — está começando a aparecer como política pública em vários países.

Há muitos anos venho refletindo sobre um conceito bastante simples:

Por que a previdência tem que começar só quando começamos a trabalhar? Por que a poupança para a velhice continua atrelada ao trabalho?

Parece uma discussāo meio estranha, afinal, uma criança não trabalha, não recebe salário e muito menos está preocupada com aposentadoria.

Justamente por isso.

Nossos sistemas previdenciários foram construídos em torno do emprego. A pessoa começa a trabalhar, passa a contribuir para a Previdência Social e, eventualmente, adere a um plano de previdência complementar.

Ei pessoal, o mundo mudou!

  • Vivemos cada vez mais;

  • Acrescentamos décadas à expectativa de vida; e

  • Estamos desesperadamente discutindo como financiar esses anos adicionais.

Aumentamos indefinidamente a idade de aposentadoria num processo que trata apenas a consequência, sem tocar na causa do problema.

Mudamos regras de benefícios, elevamos contribuições, reduzimos benefícios. refazemos cálculos atuariais, mas toda essa discussão olha para um único lado da vida

E se olhássemos para o outro lado?

Olhando para o lado errado o tempo todo

Credito de Imagem: www.amazon.com


Imagine a vida financeira como uma linha do tempo:

Nascimento → 25 anos (começa a trabalhar) → 65 anos (se aposenta) → 90 anos (fim)

A longevidade esticou brutalmente essa linha do lado direito. O sujeito, que antes precisava financiar 10, 15 anos de período de aposentadoria, precisa financiar hoje 25, 30, 35 anos.

Só que continuamos deixando praticamente intactos os primeiros 20 ou 25 anos de vida ao nascer, do lado esquerdo da linha do tempo.

Uma criança nasce hoje e, salvo a iniciativa individual de pais ou avós, poderá passar duas décadas ou mais sem acumular um único centavo especificamente para sua aposentadoria.

É um gigantesco desperdício de tempo.

Quando falamos de investimentos de longo prazo, tempo é patrimônio. Ou seja, R$ 1 investido aos cinco anos de idade não é financeiramente equivalente a R$ 1 investido aos 50.

O dinheiro é o mesmo. O tempo que acompanha aquele dinheiro não é.

Tio Sam acaba de colocar essa ideia em pratica

Em julho passado, começaram a funcionar nos EUA as chamadas Trump Accounts, previstas na Section 530A do código tributário americano.

Independentemente da simpatia ou antipatia pelo nome — a ideia é muito mais interessante do que a política em torno dela.

São contas individuais de aposentadoria, no estilo CD, criadas para menores de 18 anos. Para crianças americanas elegíveis nascidas entre 2025 e 2028, o Tesouro americano deposita US$ 1.000 (uns R$ 5.000) como capital inicial.

As contribuições começaram a ser permitidas em 4 de julho de 2026.

Durante a fase de crescimento da criança, há um limite anual de US$ 5.000 para determinadas contribuições para essa conta, além de categorias de aportes que recebem tratamento específico.

O conceito por trás disso é poderoso:

A criança começa sua vida já com uma conta de investimento de longo prazo.

Não aos 25 anos de idade, não quando conseguir o primeiro emprego, não quando o RH da primeira empresa fizer uma apresentação sobre o plano de previdência complementar, mas … ao nascer.

A Italia passa a olhar na mesma direçāo

Agora mesmo em am agosto, o governo italiano revelou que estuda criar um fundo previdenciário para cada criança, desde o nascimento.

A proposta prevê um pequeno aporte inicial do governo, que posteriormente poderia receber contribuições dos pais, familiares e mais tarde, do próprio beneficiário.

Segundo a ministra do trabalho italiana, Marina Calderone, o projeto está sendo analisado como uma forma de colocar a previdência em funcionamento desde o início da vida. A proposta conta também com apoio do INPS, o Instituto Nacional de Previdência Social italiano.

A Itália não está sozinha.

A Alemanha aprovou, também agora no mês de agosto, um projeto chamado Frühstart-Rente, algo como “Pensão de Início Precoce”.

O modelo prevê aportes públicos mensais de €$ 10,00 em contas de investimento destinadas à aposentadoria de crianças e jovens entre 6 e 17 anos, permitindo também contribuições voluntárias das famílias.

Estados Unidos, Alemanha, Itália, estamos assistindo ao começo de uma mudança muito maior na maneira como pensamos previdência.

Poupar para a velhice deveria estar dissociado do crachá

Credito de Imagem: www.lomecard.com.br


Esse é um assunto sobre o qual venho provocando o setor há bastante tempo. Nosso modelo previdenciário nasceu em um mundo no qual a vida era organizada ao redor do trabalho:

  • Você nascia;

  • Estudava;

  • Entrava numa empresa;

  • Construía uma carreira;

  • Contribuía durante 30 ou 40 anos;

  • Se aposentava; e

  • Morria alguns anos depois.

Essa sequência está sendo desmontada.

  • Carreiras são descontínuas;

  • Pessoas passam períodos trabalhando por conta própria;

  • Mudam constantemente de empregador;

  • Trabalham para plataformas de Internet;

  • Criam empresas;

  • Tornam-se freelancers;

  • Trabalham no Brasil para empresas localizadas do outro lado do planeta.

… e num futuro nāo tāo distante, teremos cada vez mais renda produzida com participação de máquinas e Inteligência Artificial.

Por que, então, o nascimento de nossa poupança previdenciária continua dependendo do nascimento de nossa relação de emprego?

Os 25 anos que jogamos fora

Façamos uma conta apenas ilustrativa.

Imagine que uma criança receba somente R$ 100 por mês desde o nascimento - quando a receita federal brasileira a obriga a tirar um CPF, de olho nos impostos, nāo no futuro da crianca.

Considere uma rentabilidade real de 5% ao ano.

Aos 25 anos, a criança teria acumulado aproximadamente R$ 59 mil em dinheiro de hoje. Agora, vem a parte interessante.

Suponha que esse jovem nunca mais colocasse um único real nessa reserva. Zero. Apenas deixasse aqueles cerca de R$ 59 mil investidos até os 65 anos, mantendo os mesmos 5% de retorno real a cada ano.

Chegaria lá com algo próximo de R$ 415 mil em valores de hoje. Tudo originado por modestos R$ 100 mensais, depositados somente durante os primeiros 25 anos de vida.

É claro que isso é apenas uma simulação matemática. Rentabilidade não é constante, existem custos, impostos, riscos e inúmeras outras variáveis, mas o princípio permanece o mesmo.

O maior ativo previdenciário de uma criança não é dinheiro, é tempo e estamos desperdiçando esse ativo.

Uma ideia que lancei dois anos atrás

Em fevereiro de 2024 escrevi aqui mesmo sobre a criação da Conta POUPE — Poupança para Educação.

Minha provocação naquela época era ampliar o conceito tradicional de previdência complementar e permitir que fundos de pensão administrassem contas constituídas pelos pais em benefício dos filhos, inspiradas nos Planos 529 americanos.

A ideia incluía algo particularmente importante: permitir que o saldo remanescente fosse posteriormente transferido para a previdência do próprio beneficiário.

Ou seja, começaríamos a construir patrimônio muito antes do primeiro emprego.

Mais recentemente, ao discutir marcas e crescimento dos fundos de pensão, voltei ao mesmo ponto por outro caminho:

Se realmente pretendem conquistar pessoas físicas, os fundos de pensāo deveriam estar presentes nos grandes acontecimentos da vida financeira das famílias.

Hora de juntar essas ideias.

Se todo brasileiro nascesse com uma conta de previdencia?

Credito de Imagem: Internet


Imagine algo simples.

Ao nascer e receber seu CPF (obrigatório), cada brasileiro teria automaticamente criada em seu nome uma Conta de Previdenciária Individual.

Ela poderia começar com um pequeno aporte do governo. Não precisa ser uma fortuna, digamos R$ 500 ou R$ 1.000.

Talvez valores maiores para crianças de famílias de baixa renda.

Pais poderiam contribuir, avós poderiam contribuir, padrinhos poderiam contribuir, tios poderiam contribuir, empresas poderiam contribuir.

Programas sociais poderiam direcionar pequenos valores dos impostos. Estados e municípios poderiam criar incentivos.

Quando o jovem começasse a trabalhar, a conta simplesmente continuaria existindo.

O emprego entraria na previdência da pessoa, a pessoa não precisaria entrar na previdência do emprego.

Essa inversão parece pequena, mas mudaria radicalmente a arquitetura do sistema de previdencia social e complementar. A conta acompanharia o indivíduo do nascimento à morte:

  • Empregos passariam;

  • Empresas passariam;

  • Bicos passariam;

  • Profissões desapareceriam;

  • Novas formas de trabalho surgiriam.

  • A conta de previdencia permaneceria.

Uma consequência ainda mais importante

Esse novo modelo mudaria a relação psicológica das pessoas com a previdência e poupança de longo prazo.

Hoje estamos tentando convencer um jovem de 25 anos a começar a pensar em alguma coisa que acontecerá aos 65.

Boa sorte!

Uma criança que cresce sabendo que possui patrimônio investido em seu nome, provavelmente desenvolverá uma relação diferente com dinheiro, poupança, investimento e propriedade.

A previdência deixaria de aparecer repentinamente numa palestra do RH aos 25 anos e passaria a fazer parte da arquitetura financeira da vida, desde o seu começo.

Não seria apenas uma conta de poupança. Seria também educação financeira incorporada ao próprio sistema.

Os juros compostos adoram crianças

Celebramos cada novo avanço da medicina que acrescenta anos às nossas vidas e, imediatamente depois, os atuários aparecem dizendo: “Temos um problema.”

  • Vivemos demais …;

  • Precisamos de mais dinheiro;

  • Precisamos trabalhar mais;

  • Precisamos contribuir mais;

  • Precisamos nos aposentar mais tarde.

Mas existe outra possibilidade.

Se acrescentamos 20 ou 30 anos na ponta final, nas idades mais avançadas da vida, deveríamos aproveitar melhor os 20 ou 25 anos que continuamos desperdiçando na ponta inicial.

Os juros compostos têm uma característica maravilhosa: eles adoram crianças.

Quanto mais cedo você entrega dinheiro para eles, mais tempo eles têm para trabalhar. Os Estados Unidos começaram. A Alemanha está avançando. A Itália está estudando.

Enquanto isso, no Brasil, continuamos discutindo como convencer alguém a aderir a um plano de previdência depois de entrar numa empresa.

Daqui a alguns anos, nossos políticos vāo descobrir que:

  1. A maior inovação previdenciária deste século não foi aumentar a idade de aposentadoria;

  2. Foi algo muito mais simples;

  3. Foi diminuir a idade de entrada para zero;

  4. Previdência do nascimento à morte, literalmente.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fontes: “Trump Accounts”, website do governo dos EUA; e “Itália estuda fundo de pensão para crianças desde o nascimento”, publicado no Investidor Institucional.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


APOSTAR APENAS NA CONSOLIDAÇÃO DE FUNDOS DE PENSÃO É COMO REARRUMAR AS CADEIRAS NO DECK DO TITANIC

 


De Sāo Paulo, SP.


O sistema de fundos de pensāo, no Brasil e no mundo, está passando por uma espécie de “rouba-monte



Os fundos de pensāo maiores perceberam que podem ganhar escala incorporando a administração de planos e fundos menores.

Um fundo transfere seu plano para o outro, que passa a administrar maior patrimônio e mais quantidade de participantes, teoricamente, diluindo seus custos fixos.

Faz sentido.

O problema é apostar nessa estratégia de eficiência operacional, como estratégia de sobrevivência de todo o sistema de previdencia complementar corporativa.

Consolidar fundos de pensão não cria, necessariamente, novos participantes. Em grande parte, apenas muda os mesmos participantes que já existem, de endereço.

É como rearrumar as cadeiras no deck do Titanic.

As cadeiras ficam mais organizadas, tudo bonitinho, enquanto o navio continua navegando na mesma direção, com um iceberg à frente.

O rouba-monte tem data para terminar

Os números oficiais de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) no Brasil mostram que:

  • Em 2006, existiam 370 EFPC no país;

  • Em 2016 eram 307 EFPC;

  • Em 2025 restavam 265.

A tendência é bastante clara.

Os fundos maiores disputam os planos dos menores porque conseguem oferecer escala, estruturas administrativas mais robustas e custos unitários potencialmente menores.

Essa lógica não é exclusivamente brasileira.

No Reino Unido, por exemplo, o número de planos ocupacionais (previdencia complementar corporativa) do modelo CD e híbrido, excluindo os muito pequenos, caiu de 920 em 2024 para 790 em 2025 — redução de 15% em apenas um ano.

O próprio regulador britânico The Pensions Regulator, estuda os ganhos decorrentes da escala e da consolidação.

Só que existe um detalhe quase óbvio:

O estoque de fundos para consolidar é finito.

Depois que o Fundo A incorpora o B, o C e o D, esses três deixam de existir. É um mercado no qual cada negócio realizado, reduz o tamanho do mercado

Portanto, consolidação pode aumentar escala, mas dificilmente constitui uma estratégia permanente de crescimento no tempo.

Estamos consolidando o passado

Credito de Imagem: ShutterStock


Há um outro problema com a consolidaçāo, ainda mais importante.

Transferir participantes de um fundo pequeno para um grande não os torna mais jovens.

Aqui surge o maior de todos os desafios, um problema estrutural da previdência complementar fechada brasileira.

Em 2025, os fundos de pensão receberam aproximadamente R$ 65 bilhões em contribuições e pagaram R$ 104 bilhões em benefícios previdenciários. (Serviços e Informações do Brasil)

Para cada R$ 1 entrando nos planos de previdencia complementar corporativos em contribuições, cerca de R$ 1,60 estavam saindo em benefícios.

Isso não significa que o sistema está insolvente — são conceitos completamente diferentes — mas revela algo importante sobre o estágio de maturidade do sistema.

Estamos administrando uma gigantesca máquina de pagamento de benefícios construída principalmente para atender as gerações anteriores.

Em outras palavras, consolidar dois fundos de pensāo maduros não produz um fundo de pensāo jovem, produz apenas um fundo maduro ainda maior.

O curioso fenômeno dos jovens atuais

Os jovens não desistiram de poupar para o futuro, eles começaram a fazer isso mais cedo do que todas as geraçōes anteriores.

Pesquisa da Transamerica encontrou uma idade mediana extraordinariamente baixa para o início da poupança previdenciária dos jovens de hoje:

  • A Geração Z começa a poupar aos 19 anos, contra …

  • … aproximadamente 25 anos entre Millennials …

  • … cerca de 30 entre integrantes da Geração X; e

  • 35 entre os Baby Boomers, em levantamentos anteriores.

Entre os jovens da Gen Z que participam de planos 401(k), a contribuição mediana chegou a 20% da remuneração naquele levantamento. (Default)

Pesquisas mais recentes continuam apontando na mesma direção.

Em 2025, a Transamerica encontrou 76% dos trabalhadores da Gen Z poupando para aposentadoria, dentro ou fora do ambiente de trabalho começando, em media, aos 20 anos de idade.

A Vanguard estima que Gen Z e Millennials podem chegar à aposentadoria em condições melhores do que gerações anteriores justamente pela combinação de início mais cedo e melhores mecanismos de acumulação. (Vanguard)

Ou seja, os fundos de pensāo nāo estāo diagnosticando o problema certo:

Não existe uma geração que não quer poupar. Existe uma geração que não quer poupar dentro das estruturas que construímos no século passado.

O problema é levar a previdência até o jovem

Dados do Raio X do Investidor Brasileiro 2025, da ANBIMA/Datafolha, mostram que os brasileiros entre 16 e 29 anos possuem comportamento de investimento diferente das gerações anteriores:

  • Usam menos a tradicional caderneta de poupança,

  • Diversificam mais; e

  • Buscam informações sobre investimento e poupança, predominantemente, em canais digitais.

Apenas 13% investiam na poupança tradicional, contra 27% entre integrantes da Geraçāo X e Baby Boomers. (InfoMoney)

Percebe-se uma transformação ainda mais profunda acontecendo. Para Gen Z e Millennials:

A vida financeira está deixando de acontecer dentro de uma instituição, ela acontece dentro de aplicativos.

Pesquisa da Deloitte publicada em 2026 mostra que esses jovens apresentam maior propensão a trocar de banco e utilizam diferentes aplicativos para pagamentos, investimentos, orçamento e outras necessidades financeiras.

Quase 70% dos Millennials e integrantes da Gen Z pesquisados já haviam autorizado bancos a compartilhar seus dados com outros provedores financeiros. (Deloitte)

Isso muda completamente a discussão sobre previdência complementar.

O futuro não está em convencer alguém a entrar em uma instituição aos 25 anos, contribuir mensalmente durante 40 anos e somente reencontrar aquele dinheiro aos 65 anos de idade.

É preciso desvincular previdência de trabalho

Credito de Imagem: Phil Leo / Michael Denora, Criador PM Images


Durante todo o Século XX fizemos uma associação quase automática:

Emprego → salário → contribuição → aposentadoria.

Só que o trabalho mudou.

Carreiras são descontínuas, pessoas trabalham simultaneamente para várias empresas, criadores de conteúdo, freelancers, motoristas de aplicativos, empreendedores e profissionais independentes transitam entre diferentes fontes de renda, inconstante e nāo previsiel.

Tentar resolver essa nova realidade simplesmente trazendo trabalhadores de aplicativos e pessoas de baixa renda para dentro do modelo de previdencia complementar corporativa existente, não vai resolver o problema estrutural.

Da mesma forma, tornar a previdência complementar compulsória, pode aumentar estatisticamente o número de participantes.

Tudo isso, porém, nāo muda o desafio estrutural do sistema resumido numa pergunta:

Por que a poupança de longo prazo precisa continuar vinculada ao trabalho e ao emprego?

… e se a previdência estivesse vinculada ao consumo?

Imagine:

  • Comprar um cafezinho por R$ 12 e automaticamente R$ 0,12 serem destinados à sua poupança de longo prazo;

  • Abastecer o carro: R$ 200 para o posto e + R$ 2 para seu futuro;

  • Comprar uma passagem aérea: cashback automaticamente investido;

  • Receber pagamento por um trabalho no aplicativo: pequena parcela direcionada instantaneamente para sua reserva;

  • Pagar uma conta, fazer uma transferência, usar cartão, fazer um PIX.

Cada pequena transação financeira cotidiana geraria uma micropoupança

Não seria necessário lembrar de “fazer previdência”, a previdência estaria embutida na nossa vida cotidiana.

Aqui entram inteligência artificial, tokenização, ativos digitais, smart contracts e outras tecnologias capazes de reduzir a fraçōes de um centavo o custo de processar pequenas transações.

A unidade econômica da previdência deixaria de ser - exclusivamente - uma contribuição mensal fixa, descontada de um salário mensal na folha de pagamentos.

Passaria a ser cada transação financeira realizada ao longo do dia, todos os dias da vida.

Quanto tempo resta para o “rouba-monte”?

É impossível estabelecer uma data precisa … mas, podemos fazer um exercício.

O Brasil possuía 370 EFPC em 2006 e chegou a 265 em 2025. Ao mesmo tempo, a pressão por escala aumentou e o movimento internacional aponta na mesma direção.

Minha aposta?

Estratégias de consolidaçāo tem entre cinco e dez anos.

Por volta de 2031–2036, boa parte das EFPC (fundos de pensāo) menores, economicamente atraentes para consolidação, terāo sido incorporadas, transferido seus planos ou encontrado outro arranjo.

Não significa que não existirão mais consolidações.

Significa que consolidação deixará progressivamente de ser uma avenida suficientemente larga para sustentar o sistema de fundos de pensāo.

Em alguns mercados / países desenvolvidos esse momento poderá chegar antes. Em outros, um pouco depois.

Sistemas como Reino Unido, Holanda e Austrália estão bem avançados no processo de concentração. Mas a matemática é inexorável:

Não é possível consolidar infinitamente um número finito de entidades.

O futuro nāo se parecerá com o passado


Começa aqui uma especulação interessante.

O grande fundo de pensão de 2040 não será uma instituição que administra, simplesmente, planos de aposentadoria.

Será uma plataforma dinâmica de poupança e de gastos ao longo da vida.

Uma infraestrutura capaz de receber dinheiro de qualquer origem e a qualquer tempo — emprego, trabalho independente, consumo, herança, renda de investimentos, micropoupanças automáticas, transferencias financerias.

O participante poderá manter diferentes “cofres” financeiros, voltados para:

  • Emergência;

  • Projetos de curto prazo;

  • Educação;

  • Compra de moradia;

  • Projetos de médio prazo;

  • Gastos com saúde;

  • Longevidade e aposentadoria.

Uma inteligência artificial vai ajustar, continuamente, quanto deve ir para cada objetivo, conforme renda, idade, patrimônio, comportamento de consumo e expectativa de vida / longevidade.

O veiculo de poupança, a instituição de investimento, o fundo de pensāo, deixará de perguntar:

“Como atrair mais participantes para nossos planos?”

E passará a perguntar:

“Como nos tornamos a infraestrutura financeira que acompanhará as pessoas durante toda a vida?”

É uma mudança de modelo de negócio.

Consolidar é meio, nāo o fim em si

Não há nada errado com consolidação.

Fundos pequenos, economicamente inviáveis, devem mesmo buscar escala para sobreviver, devem compartilhar estruturas, transferir planos e reduzir custos administrativos, isso é absolutamente racional.

O problema, o erro, está em confundir melhorar eficiência com crescer.

Mover participantes de um lugar para outro melhora a eficiência do sistema, aumenta o Tamanho das entidades isoladamente, não aumenta o tamanho do sistema.

Enquanto os fundos de pensāo disputam entre si quem ficará com os participantes existentes, uma geração inteira de “participantes” está aprendendo a poupar, investir e organizar sua vida financeira … em outro ecossistema de poupança.

No Titanic, o problema nunca foi a posição das cadeiras no passadiço. O problema era perceber o iceberg a tempo de mudar a direção do navio.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O PERIGO QUANDO AS GERAÇŌES MAIS NOVAS OLHAM PARA UM LADO E OS FUNDOS DE PENSĀO PARA O OUTRO

 


De Sāo Paulo, SP.

A turma da Geraçāo Z (nascidos entre 1997 e 2012) e os Millenials (nascidos entre 1981-1996) alocam três vezes mais seus portfólios em investimentos alternativos, do que as gerações mais velhas.

Indivíduos com patrimônio mais elevado acreditam que as ações de empresas americanas oferecem as melhores oportunidades para o crescimento de seus ativos.

Essa convicção, no entanto, nāo é compartilhada por investidores mais jovens, segundo mostra um estudo do Bank of America feito com americanos ricos, em 2024.

Os Millennials e a Geração Z estão, cada vez mais, buscando alternativas aos mercados tradicionais de ações, renda fixa e títulos, para construir seu patrimonio e formar poupança.

Eles estāo impulsionando a demanda por tudo, desde imóveis, private equity, ativos digitais (crypto) e ouro.

O mercado global de investimentos alternativos cresceu quase sete vezes desde a crise financeira global de 2008, à medida que os investidores olham cada vez mais para além das ações tradicionais e da renda fixa (grafico abaixo).

As classes de ativos alternativos - que abrangem Private equity, fundos de hedge, cryptomoedas, crédito privado, venture capital, imóveis, infraestrutura e recursos naturais (commodities) - continuam a representar uma parcela maior dos portfólios de invesimentos dos mais jovens.


As preferências de alocação das diferentes geraçōes sugerem que essa tendência pode se fortalecer à medida que a riqueza muda de mãos.

O estudo do Bank of America, mencionado acima, constatou que investidores com idades entre 21 e 43 anos alocam 55% de seus portfólios fora de ações e títulos tradicionais de renda fixa, em comparação com 26% entre aqueles com mais de 44 anos.

O que mostra o estudo sobre os investimentos das geraçōes mais novas:

  • 47% de seus portfólios são compostos por ações e renda fixa, uma porcentagem bem menor do que a dos investidores com mais de 44 anos (74%).

  • 17% de seus portfólios de investimento estão alocados em investimentos alternativos, em comparação com os 5% alocados por investidores mais velhos.

  • A maioria (93%) afirma que planeja alocar mais recursos em investimentos alternativos nos próximos anos.

  • Quase metade (49%) possui cryptomoedas e outros 38% têm interesse em adquiri-las. Eles classificam as cryptomoedas entre as principais áreas de oportunidade de crescimento, perdendo apenas para os investimentos imobiliários.

  • 45% possuem ouro físico como ativo e outros 45% têm interesse em adquiri-lo. No geral, 41% dos ricos possuem (18%) ou têm interesse em comprar (23%) ouro físico.

Uma explicação para essa mudança é que os investimentos alternativos se tornaram muito mais acessíveis.

Novos produtos e plataformas permitem que os investidores invistam nessas classes de ativos sem pecisar de infraestrutura especializada ou da expertise historicamente exigidas.

As cryptomoedas seguiram um caminho semelhante, na medida em que produtos de investimentos regulamentados, como os ETPs (Exchange Traded Product) de Bitcoin e a infraestrutura do mercado institucional introduziram formas mais simplificadas e familiares para se obter exposição a esses ativos.

As barreiras menores, aliadas aos fortes retornos históricos, ajudaram a atrair mais capital para os ativos alternativos.

Katy Knox, CEO do Bank of America Private Bank, comenta:

“Estamos vivendo um período de grandes mudanças sociais, econômicas e tecnológicas, juntamente com a maior transferência intergeracional de riqueza da história”

… e vai além:

“Nosso estudo mostra que os americanos ricos estão focados na diversificação, em objetivos de longo prazo e em causar um impacto duradouro com seu patrimônio.”

Tabela detalhando a alocação dos investimentos dos mais jovens e mais velhos:


O que pensam os investidores mais jovens

Setenta e dois por cento dos investidores mais jovens (idades entre 21 e 43 anos) acreditam que já não é possível obter retornos de investimento acima da média investindo exclusivamente em ações e títulos tradicionais

Isso se compara com apenas 28% dos investidores com idades superiores a 44 anos, que partilham da mesma opinião.

Fazer doaçāo e praticar filantropia é uma característica quase universal entre os ricos, inspirada principalmente por um senso de responsabilidade (52%) e pelo desejo de causar um impacto positivo duradouro (40%).

No entanto, o destino das doações que fazem e o gosto por colecionar itens de arte e outros objetos, variam muito de geração para geração.

Os mais jovens mais abastados doam com propósito e colecionam com paixão:

  • 91% dos ricos são apoiadores fervorosos da filantropia. Porém, os doadores mais jovens têm quase duas vezes mais probabilidade de apoiar causas como a de pessoas sem-teto (41%), justiça social (33%) e meio ambiente/mudanças climáticas (32%) em comparação com os doadores mais velhos (21%, 18% e 17%, respectivamente).

  • 40% dos ricos em geral possuem uma coleção de arte ou têm interesse em colecioná-la, incluindo 83% dos millennials e da Geração Z.

  • 65% dos entrevistados no estudo, incluindo 94% dos menores de 44 anos, têm interesse em itens colecionáveis. Os Millennials e a Gen z Z têm pelo menos duas vezes mais probabilidade do que as gerações mais velhas de serem colecionadores de relógios (46%), vinhos ou bebidas destiladas (36%), carros raros ou clássicos (32%), tênis (30%) e antiguidades (30%)

Conclusão

Existe claramente uma desconexão crescente entre aquilo que as novas gerações esperam de uma estratégia de construção de patrimônio e aquilo que os fundos de pensão continuam oferecendo.

Enquanto Millennials e Geração Z diversificam, buscam inovação, aceitam novas classes de ativos e procuram retornos compatíveis com horizontes de investimento de 30, 40 anos, os fundos de pensão permanecem com patrimonio concentrado em títulos públicos, limitando seus participantes, na prática, ao retorno dos juros soberanos.

O problema não é investir em títulos públicos. Eles continuam tendo um papel importante em qualquer carteira de longo prazo. O problema é transformá-los na única estratégia de investimento, justamente para um público que enxerga o futuro de forma completamente diferente.

As novas gerações não estão abandonando apenas uma classe de ativos. Estão mudando a forma de pensar risco, retorno, propriedade e diversificação.

Se os fundos de pensão insistirem em oferecer apenas aquilo que fazia sentido para seus pais e avós, não perderão apenas rentabilidade potencial.

Perderão a geraçāo capaz de fazê-los continuar sobrevivendo.

Se um jovem conclui que consegue montar sozinho um portfólio mais diversificado, com acesso a ações globais, imóveis, private equity, ouro, ativos digitais e outras alternativas de investimento, será cada vez mais difícil convencê-lo de que vale a pena entregar sua poupança de décadas a uma instituição cujo horizonte de investimentos termina no vencimento dos títulos públicos.

O risco, portanto, não está na volatilidade dos mercados alternativos, mas na velocidade com que as novas gerações vāo escapando por entre os dedos de um sistema que insiste em continuar olhando para o passado, enquanto elas já estão investindo no futuro.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “BofA Private Bank Study of Wealthy Americans Finds Generational Divide in Investing, Giving and Preserving Wealth”, escrito por Julia Ehrenfeld.



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