
Sāo Paulo, SP.
Talvez todos no setor de previdencia complementar corporativo estejam olhando para o lugar errado.
A maior ameaça ao fundos de pensão do futuro pode vir sob a roupagem de outro fundo de pensão, ou seja, de empresas que hoje sequer se enxergam como parte do segmento de planos de aposentadoria.
Essa história está começando pelos bancos
O setor financeiro está alguns anos à frente do segmento de previdência complementar, nessa transformação.
Nos últimos meses, surgiram iniciativas propondo um conceito radical:
O surgimento dos ‘crypto banks’, instituiçōes financeiras originadas sob a infraestrutura do blockchain, operando com stablecoins, com a negociaçāo de ativos digitais, contratos inteligentes e finanças descentralizadas (DeFi), funcionando com carta-patente de bancos tradicionais. .
A proposta não é apenas “digitalizar” um banco comum. A ideia é redesenhar completamente a arquitetura financeira.
A mudança mais interessante, entretanto, não é tecnológica, é estratégica.
Um banco tradicional jamais seria capaz de operar sob a nova infraestrutura da cryptoeconomia, pois seria simplesmente impossvel adaptar seus sistemas, seus processos e sua cultura para uma nova realidade.
Em vez de fazer um banco tradicional “oferecer serviços da era dos ativos digitais”, a estrategia que vem surgindo tem sido transformar negocios - inovadores e disruptivos - que surgiram fora do sistema bancário … em bancos.
Essa pequena mudança de perspectiva muda absolutamente tudo!
É extamaente isso que a corretora de cryptomoedas Kraken está fazendo. A Kraken inciou o processo de obtençāo de licença para operar na Europa como um banco.
A Kraken será a primeira plataforma de negociaçāo de cryptoativos do mundo a ter um banco para chamar de seu.
Esse movimento é uma suroresa total para a comunidade crypto, que jamais imnaginou que uma corretora de cryptmoedas buscasse uma licenca para funcionar formalmente sob o guarda-chuvas de uma intituiçāo financeira.
A Kraken, para quem nāo acompanha a comunidade crypto, está no processo de obtençāo de licenca formal para operar como banco na Lituania, com suporte do Bank of Lithuania.
Ao fazer isso, a Kraken passa a ser capaz de aceitar depositos, emprestar dinheiro diretamente, sem intermediarios e sem precisar de bancos parceiros.
De acordo com o CEO da Kraken, Arjun Sethi, “o plano para os proximos 10 anos é obter todas essas licenças, seja começando do zero, ou comprando a licença de um banco existente.
Quando uma farmácia decide virar instituição financeira
Outro exemplo curioso veio do México.
A Farmacias Similares, rede de farmácias populares conhecida pelo famoso Dr. Simi, lançou um cartão de crédito em parceria com uma fintech para atender milhões de pessoas sem acesso adequado ao sistema financeiro tradicional.
Até pouco tempo atrás, isso pareceria absurdo, hoje, faz todo sentido. A farmácia já possui:
milhões de clientes;
confiança da população;
presença física;
relacionamento com fidelidade;
dados de consumo.
Adicionar serviços financeiros tornou-se apenas mais uma camada sobre uma estrutura que já existia.
A instituição financeira nāo é o centro da relação com os clientes. Passou a ser apenas parte de uma infraestrutura que já existia.
A Web3 muda completamente o paradigma
Durante toda a era da Web2 (a Internet fora do blockchain):
vender um produto era uma coisa;
receber o pagamento, era outra;
guardar dinheiro também era outra coisa;
investir, era uma coisa diferente das anteriores;
contratar seguros … outra coisa;
poupar para o futuro, mais uma coisa diferente.
Cada atividade pertencia a um setor, a um segmento, a um tipo de negócio diferente.
Na Web3 (Internet no blockchai) essas fronteiras começaram a desaparecer.
Carteiras digitais deixaram de servir apenas para armazenar cryptomoedas
Wallets passaram a ser usadas para fazer pagamentos, investimentos, obter crédito, contratar seguros, armazenar ativos digitiais (tokenizados);
Servem, ainda, de identidade digital
Tudo isso, em um único ambiente.
Contratos inteligentes permitem automatizar processos que antes exigiam diversos intermediários. Na prática, qualquer plataforma que concentre usuários, ativos e confiança, e gestao de dados, poderá incorporar serviços financeiros, por exemplo:
Websites de comércio eletrônico;
Midias sociais;
Marketplaces;
Aplicativos de mobilidade;
Plataformas de jogos eletronicos;
Plataformas (marketplaces) de freelancers;
Plataformas de criadores de conteúdo;
Ecossistemas de educação;
Até mesmo empresas industriais poderão oferecer produtos financeiros diretamente aos seus clientes.
Todos poderão se tornar, de certa forma, uma espécie de “banco” e isso vale até para pessoas fisicas, pois o celular já é, em si, um banco na māo das pessoas.
O mesmo está prestes a acontecer com a previdência
Agora imagine que esses negocios decidam oferecer segurança financeira de longo prazo para seus clientes?
Não necessariamente sob o nome de “previdência complementar”, nem sob a forma jurídica de um fundo de pensão constituido.
Vamos imaginar alguns exemplos.
Uma plataforma com atuaçāo global, que ofrece serviços para freelancers, poderia automaticamente destinar parte de cada pagamento recebido pelos profissionais para um portfólio tokenizado de investimentos de longo prazo;
Um marketplace poderia devolver parte das compras realizadas na forma de ativos digitais destinados exclusivamente à aposentadoria;
Uma grande empresa de tecnologia poderia remunerar usuários com tokens, que gerassem renda futura;
Um app de mobilidade poderia transformar cada corrida realizada em pequenas contribuições automáticas para formaçāo de patrimônio financeiro individual pelos usuarios (tanto motoristas, operadores, como clientes);
Uma corretora de imoveis poderia permitir que os alugueis pagos acumulassem frações tokenizadas formando uma resrrva de poupança para o futuro.
Nenhuma dessas empresas precisaria nascer como fundo de pensão, mas todas poderiam acabar competindo com o mesmo objetivo:
construir patrimônio, acumular reservas, para o futuro das pessoas.
A concorrência pode nem usar o termo “previdência”
Os fundos de pensão acreditam competir com seguradoras, bancos e entidades abertas. Porém, a próxima geração sequer vai saiber distinguir essas categorias.
Os jovens enxergaram apenas plataformas capazes de resolver o problema de:
Poupar;
Investir;
Receber renda;
Transferir patrimônio;
Consumir.
Tudo dentro do mesmo ambiente digital. Nesse cenário, a previdência deixa de ser um produto e passa a ser uma funcionalidade.
Assim como hoje ninguém compra um smartphone por causa da calculadora, imagino que amanhã ninguém vai escolher uma plataforma apenas porque ela oferece um “plano de previdência”.
A previdência será apenas um recurso embutido em ecossistemas digitais muito maiores.
Os fundos de pensão ainda têm enorme vantagem
Nada disso significa que os fundos de pensão estejam condenados, muito pelo contrário.
Eles possuem experiência em investimentos de longo prazo, governança, gestão fiduciária, controles, solvência e administração de grandes patrimônios.
Esse conhecimento continuará extremamente valioso. O problema surge quando se acredita que essas competências, sozinhas, garantirão sua sobrevivencia futura.
A história mostra exatamente o contrário.
Os bancos não estão sendo desafiados por outros bancos.
As seguradoras não estão sendo desafiadas por seguradoras.
As empresas de mídia não perderam espaço para outros jornais.
As locadoras não foram derrotadas por outras locadoras.
As empresas de telefonia não competem apenas entre si.
A concorrência passou a vir de lugares inesperados.
Olhe para os lados
A maior ameaça aos fundos de pensão brasileiros não está na:
Redução do emprego formal;
Nem na consolidação do setor;
Nem no envelhecimento populacional;
Nem mesmo na inteligência artificial.
A maior ameaça é outra, a maior ameça surge quando milhares de empresas percebem que a confiança conquistada junto aos seus clientes vale muito mais do que vender apenas seus produtos tradicionais.
Nesse momento, nascerá uma nova geração de modelos de negócios em que a aposentadoria não será vendida como um plano de previdência, mas entregue como consequência natural do relacionamento contínuo entre pessoas e plataformas.
De repente, um desses novos modelos de negócio pode resolver criar um fundo de pensāo apenas para ter a licenca para operar como intituiçāo de previdencia complementar, só que oferecdendo soluçōes inovadoras, produtos disruptivos e nada, nadas semelhante aos planos CD, planos CV, perfis de investimentos …
No momento que isso acontecer, será que os fundos de pensão conseguirão competir com esses fundos de pensāo do futuro? Ou pior:
Serão os fundos de pensāo capazes de perceber que a próxima grande disrupção da previdência complementar chegou de fora para dentro do próprio sistema?
Grande abraço,
Eder.
Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “First Ever Crypto Bank”, escrito por ColdKnight10.
Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.

