terça-feira, 7 de julho de 2026

A IA NÃO VAI MATAR AS CONSULTORIAS ATUARIAIS, MAS VAI MOSTRAR QUE MUITAS JÁ ESTAVAM MORRENDO

 


De Sāo Paulo, SP.


TLDR: Saiba porque as grandes firmas globais de consultoria em riscos atuariais e capital humano se tornaram incapazes de gerar inovaçōes disruptivas na previdencia complementar. E porque, agora, a IA poderá expor essa incapacidade.


Você nāo contrata a Mercer, a WTW, a Aon ou a Locton pelo deck de slides de PowerPoint que você recebe, detalhando a soluçāo de previdencia complementar mais adequada à realidade da sua organizaçāo.

Isso é facil provar na era da IA.

Descreva sua estrátegia de desenho de plano para o Claude, deixe ele gerar 75 slides e descubra que você nunca apresentará o resultado para o Conselho de Administraçāo de um cliente.

Os slides parecem ok, a árvore de decisōes está correta, a modelagem de plano segue padrōes de mercado, mesmo assim, um consultor sênior com taxa horaria de R$ 2.193 vai dar uma olhada, jogar tudo fora e começar do zero.

A leitura superficial é que a IA ainda é ruim, mas vai melhor, entāo, as firmas de consultoria ainda têm alguns anos pela frente.

A liçāo, real, é que o deck de slides nunca foi o produto das firmas de consultoria Quando um modelo de IA generativa consegue produzir a parte visivel de um trabalho intelectual, a custo próximo de zero, ele expōe e torna visivel uma separaçāo que sempre existiu, mas que ninguem precificava corretamente:

A separaçāo entre a tarefa e o trabalho.


A mudança

O discurso corrente de que a “IA vai roubar o trabalho” tem um problema: trabalho nāo pode ser tratado como uma coisa unica.

Se você contrata a Mercer para obter um deck com 75 slides, o Claude Code pode produzir uma versāo para você, mas ela será muito, muito ruim.

Mesmo que fosse boa, você nāo pagaria uma firma consultoria por isso.

O que você paga à WTW para fazer é entender minuciosamente sua organizaçāo, os desafios que tem, o perfil do seu quadro de profissionais, como funcionam as politicas de RH, o objetivo da organizaçāo com o plano de previdencia complementar, a cultura da empresa …

O deck de slides final é a tarefa. Coversar com a liderança, entrevistar o CEO, trocar ideia com o CHRO, entender as politicas de RH locais e da matriz, imaginar o que o cliente realmente precisa: isso é o trabalho.

Preste atençāo onde o corte de profissionais está acontecendo em firmas de consultoria de gestāo como a McKinsey e essa separaçāo se tornará visivel também no organograma das grandes firmas de consultoria em fundos de pensāo.

Entre 2025 e 2026 a McKinsey demitiu entre 3 e 4 mil pessoas, reduzindo 10% do headcount. Os cortes se concentraram em funçōes de apoio, analistas, pesquisadores, consultores juniores e back-office.

Esse é o pessoal responsável pelas tarefas, que produz drafts, elabora gráficos, faz análises técnicas, conduz pesquisas, cria planilhas. Essa camada, responsável pelas tarefas, está entrando em colapso:

  • menos analistas;

  • sínteses e pesquisas mais rápidas;

  • menos ciclos de desenvolvimento;

  • produçāo de rascunhos mais curtos.

A despeito da reduçāo de 10% do headcount, houve um ganho de 30% ou mais de produtividade na elaboraçāo de pesquisas e sinteses, mas isso nāo se refletiu em ganho de receitas, que ficaram estagnadas em $15B a $16B nos ultimos cinco anos

Lendo esses números em conjunto, fica claro que a McKinsey está eliminando a camada que a IA barateou (responsável pelas tarefas), mantendo a camada que a IA nāo tocou (responsável pelo trabalho) e gerando a mesma receita.

Vemos a separaçāo entre tarefa e trabalho acontecendo em tempo real.

Credito de Imagem: GettyImages


A conclusāo errada e o que está de fato acontecendo

Na superficie, a impressāo é que a “IA está automatizando o trabalho de consultoria”, mas quem conclui isso nāo percebe que a coisa está indo numa direçāo diferente.

Todo trabalho intelectual (como o de consultoria) é um conjunto complexo de fatores:

  • De um lado está a tarefa: aquilo que você aponta, entrega e verifica. A apresentação em PPT, o documento, o relatorio, o software, a minuta do contrato, o atendimento do cliente quando ele liga.

  • Do outro, está o trabalho: o julgamento do contexto, o alinhamento da soluçāo com a cultura da organizaçāo, a decisāo sobre qual veiculo financeiro adotar (seguradora, fundo de pensāo, plano instituido …), a modelagem do plano de previdencia complementar adequada a este cliente especifico e não a um genérico, as questões políticas, a responsabilidade pelo resultado, o que significa que o nome de um humano estará atrelado a soluçāo final.

Na época em que atuei em grandes empresas globais de consultoria em previdencia complementar, esses dois lados eram inseparáveis, não se podia comprar uma coisa, sem a outra.

Exceto um único cliente, a Schincariol, cuja diretoria me chamou para ouvir minha opinião sobre um problema/desafio que tinha. Nāo quis projeto, nāo pediu proposta, apenas pagou por quatro horas de consultoria senior, ouviu meu “julgamento” e usou o que fazia sentido para eles. Foi o uso mais inteligente de uma firma de consultoria que vi em 40 anos de profissão.

A única maneira de obter a opinião de um consultor senior, de um sócio, era também pagar pela equipe que produzia a apresentação em PPT.

A opinião era real, mas a soluçāo nunca era faturada separadamente, ela vinha junto, agrupada no relatório final, como se o relatorio final fosse o item principal.

Um modelo generativo é uma máquina que desvenda essa lacuna. A IA leva o custo marginal do relatorio a zero e não interfere no julgamento que o produziu.

O trabalho é o conhecimento junto com a sabedoria implicita e um julgamento, a opiniāo, a intuiçāo, as ideas, a sacada, a parte que nāo pode ser decomposta em regras nem escrita em uma receita a ser copiada.

Ao desenhar um plano de previdencia complementar corporativo, você nāo consegue enumerar quais passos levam um consultor senior a sacar que o CEO nāo quer incluir a pensāo por morte no desenho, porque a preocupaçāo dele e da empresa é com o funcionario e nāo com a familia do funcionario.

A IA absorve a metade que pode ser decomposta e deixa intacta a metade que nāo pode.

É aqui que a narrativa apocalíptica da IA roubando empregos se inverte.

Quando as tarefas custavam mais caro, o julgamento estava implícito no preço delas e parcialmente subsidiado por elas. Quando as tarefas se tornam gratuitas, duas coisas acontecem simultaneamente:

  • O julgamento perde esse subsídio e precisa se sustentar por si só, o que expõe todos aqueles cujo “julgamento” era, na verdade, apenas a capacidade de produzir uma tarefa (conheci alguns consultores assim); e

  • O real julgamento se torna mais valioso, não menos, porque a tarefa que levou a ele agora é barata e sem diferenciaçāo. Quando qualquer pessoa pode gerar setenta e cinco slides plausíveis, o que falta é saber qual slide está correto e qual recomendação a organização realmente precisa e implementará.

Credito de Imagem: Forbes


A tarefa barata aumenta o preço do trabalho

É por isso que a McKinsey consegue cortar dez por cento das pessoas e manter a receita constante. Está monetizando o ganho de produtividade ao eliminar a camada de tarefas que subsidiava o trabalho e reprecificando a camada de julgamento.

Essa dinâmica fica clara na estrutura de faturamento. Os clientes se recusam cada vez mais a pagar por horas de analistas e em vez disso, atrelam o pagamento a resultados operacionais quantificáveis.

A taxa horaria era uma unidade de tarefa, o resultado é uma unidade de trabalho e o comprador passou a pagar diretamente pelo segundo, agora que o primeiro está barato.

Isso afeta o modelo de negocios das firmas de consultoria, construído inteiramente em torno de uma abordagem de pacotes.

A firma clássica de consultoria opera em uma estrutura piramidal:

  • alguns sócios e consultores seniores caros no topo;

  • uma ampla base de analistas com custo reduzido na parte de baixo; e

  • a margem de lucro vinda da cobrança do tempo dos analistas com uma alta margem de lucro sobre seus salários.

Essa pirâmide só funcionava porque o produto final exigia mão de obra. Alguém precisava analisar a literatura, formatar a apresentação, criar as planilhas, fazer os graficos e essa ampla base de horas faturáveis ​​de analistas é o que financiava o sócio / consultor senior.

A IA elimina a base da pirâmide.

Quando a tarefa não precisa mais de uma base de analistas para ser feita, a margem de lucro que subsidiava o sócio desaparece e a empresa precisa justificar a presença do sócio / consultor senior apenas com base no trabalho de julgamento.

Algumas firmas de consultoria descobrirão que seus sócios / consultores seniores eram, na verdade, “analistas seniores” disfarçados, rápidos na criação de tarefas, mas com pouco discernimento. Essas empresas se comprimirão em direção à base.

As firmas cujos sócios / consultores seniores possuem julgamento real, algo que nāo pode ser decomposto, manterão os lucros e se livrarão da base, que é precisamente o formato do corte na McKinsey.


Credito de Imagm: www.yahoo.com


Diferente da McKinsey, elas perderam o topo da pirâmide

A reduçāo da quantidade de fundos de pensāo no mundo todo, está afetando o mercado das firmas globais de consultoria em riscos atuariais e capital humano.

Trabalhei na Mercer até 2019, naquela época, havia uma dezena de consultores seniores com décadas de experiência acumulada cada um. Hoje, com elevada experiencia e senioridade, nāo resta nem meia duzia.

Diferente do que ocorreu com a McKinsey, as firmas globais de consultoria em riscos atuariais e capital humano não estão apenas eliminando a base da pirâmide.

Elas já perderam, ao longo da ultima decada e meia, parte relevante do topo. Esse que é o ponto central.

A IA ameaça a camada de tarefas, mas não substitui julgamento, repertório, experiência acumulada, leitura política, intuição profissional nem capacidade de imaginar soluções que ainda não existem.

O problema é que, em muitas dessas firmas, justamente essa camada superior foi sendo esvaziada à medida que:

  • o mercado de fundos de pensão foi encolhendo,

  • os grandes planos de previdencia corporativos foram fechando,

  • as estruturas corporativas foram reduzidas e

  • os consultores mais experientes se aposentaram, saíram ou deixaram de ser substituídos.

O resultado é uma pirâmide deformada: menos base - que diminui ainda mais porque a IA começa a executar as tarefas repetitivas - e menos topo, porque a senioridade capaz de criar o futuro foi sendo perdida antes mesmo da chegada da IA.

Sobram equipes muito competentes para operar tarefas, revisar premissas, preparar relatórios, atender demandas regulatórias e entregar soluções conhecidas.

Falta a combinação rara de conhecimento técnico, visão de negócios, memória histórica e a ousadia intelectual necessária para desenhar o fundo de pensão do futuro.

É por isso que a ameaça da IA para esse mercado - de consultorias em risco atuarial e capital humano - não é apenas a substituiçāo de analistas.

A ameaça maior da IA é revelar que a maior parte das grandes firmas consultoria já vinha funcionando sem a musculatura estratégica que tinham no passado.

No momento em que o cliente puder gerar diagnósticos, pesquisas, benchmarks, apresentações e propostas de desenho preliminares, a custo quase zero, ficará mais claro o que realmente vale ser comprado: não a tarefa, mas o julgamento.

… só que, a capacidade de julgamento não nasce em prompt engeneering.

Capacidade de julgamento nasce de:

  • conversas, ao longo de décadas, com conselhos de administraçāo de empresas de capital aberto, conselhos consultivos de startups, ONGs, universidades, com todo tipo de organizaçāo;

  • errando e acertando a modelagem e o desenho de planos para os mais variados setores econômicos, porte de organizaçāo, cultura de negocios, segmentos de atividade;

  • entendendo o negócio e a cultura das patrocinadoras;

  • negociando com sindicatos, advogados e governos;

  • interpretando mudanças demográficas;

  • acompanhando e passando por crises econômicas;

  • vendo reformas regulatórias falharem; e

  • percebendo, antes dos outros, o ponto exato em que o mundo mudou.

O paradoxo é que exatamente quando a previdência complementar mais precisa de imaginação, de sabedoria, de criatividade e de capacidade de julgamneto — para responder ao envelhecimento populacional, ao trabalho fragmentado, à longevidade, à IA, aos ativos digitais, à economia de plataformas e à perda de centralidade do emprego formal — parte das firmas de consultoria que deveriam liderar essa reinvenção, se tornou boa demais … em administrar o passado.

A IA não matará as firmas de consultoria de risco atuarial e de capital humano porque elas perderam a capacidade de fazer slides, relatórios ou planilhas.

A IA poderá feri-las de morte porque exporá uma dura realidade:

Depois que a tarefa virar commodity restará, ainda, alguém no topo da pirâmide capaz de apontar para as organizaçōes clientes qual futuro elas devem seguir?


Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Why AI just made consulting more expensive”, escrito por Mohamed Krizi.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


O AVANÇO DA IA AFETARÁ DE FORMA DIRETA, PROFUNDA E CERTEIRA OS FUNDOS DE PENSĀO



De Sāo Paulo, SP.


Dentro de alguns poucos anos a IA deslocará de seus atuais empregos uma parcela significativa dos trabalhadores nas faixas salariais mais altas.

A demanda agregada na economia sofrerá e os fluxos de contribuiçōes creditados em planos de previdencia complementar, investidos visando a aposentadoria, se tornarão negativos:

Os trabalhadores não apenas deixarão de contribuir para os fundos de pensāo, como também precisarão sacar seus recursos para pagar suas contas.

É o que aponta Carson Cutler Block, investidor americano fundador da Muddy Waters Research e da Muddy Waters Capital, respectivamente uma empresa de pesquisa de investimentos e um “hedge fund”.

A Inteligência Artificial está em um ponto de inflexão no qual os grandes modelos de linguagem estão melhorando a uma taxa não linear e em breve se tornarão exponenciais, porque eles próprios estão codificando seus sucessores.

Meu filho, que trabalha em NovaYork como Gerente de IA da Ideas42 e usou por apenas dois dias o Claude Fable 5 da Anthropic, antes do governo americano proibir seu uso, me disse que o novo modelo de IA é in-crí-vel em comparaçāo aos demais hoje existentes.

Nota: Ideas42 é uma ONG americana que aplica pesquisas de behavioral science (ciência do comportamento) na soluçāo dos problemas sociais e de negócios mais complexos do mundo.

Os usuários mais sofisticados de IA estão em empresas de tecnologia. Usando a geração atual de modelos, eles, em muitos casos, reduziram equipes que antes tinham meia dúzia de funcionários ou mais para apenas um.

É razoável acreditar que, dentro de três a quatro anos, a IA terá substituído de forma geral cerca de 15% dos empregos na “economia do conhecimento” americana.

O impacto sobre os empregos será diferente dessa vez

Os dois contra-argumentos para os efeitos da IA sobre os empregos, são:

  • O “Paradoxo de Jevons”: a experiência histórica de que novas tecnologias aumentam a eficiência, mas também aumentam a demanda, criando assim novos empregos, que compensam as perdas de empregos antigos; e

  • O ceticismo em relação à rapida inclinação da curva de adoção da IA.

Esses dois argumentos serão refutados e restará provado que estavam errados.

Acontece que a capacidade da humanidade de inovar e inventar, supera claramente sua capacidade de se adaptar rapidamente às suas próprias inovações e invenções.

Os modelos de IA estão dobrando de poder aproximadamente a cada seis meses. Isso significa que os trabalhadores que se tornarem obsoletos não conseguirão desenvolver as habilidades necessárias para usar a IA como uma ferramenta e passarāo a competir com ela.

Mesmo que a demanda por serviços e produtos aumente devido à queda dos custos e dos preços, muitos trabalhadores deslocados de seus empregos estarão obsoletos, com mais e mais trabalhadores se tornando obsoletos nas gerações sucessoras.

Além disso, conforme mostei numa apresentaçāo que fiz no Congresso Internacional de Atuarios em Sāo Paulo, em 2025, seguindo todas as disrupturas tecnológicas anteriores, nessa 1a Revoluçāo das Máquinas:

  • Haverá, sim, a criaçāo de inúmeros novos empregos, como consequencia da automaçāo e de todas as inovaçōes, mas …

  • … diferente do que ocorreu até aqui, os novos empregos serāo ocupados por máquinas, nāo por humanos.

Credito de Imagem: Calun Chase

A IA terá um impacto tão profundo nas estruturas de custos e preços das empresas que a falha em adotá-la rapidamente poderá ser fatal para grande parte da economia, provando-se uma ameaça existencial para os negócios.

Uma catástrofe para a poupança previdenciária

O deslocamento dos empregos afetará desproporcionalmente os trabalhadores altamente qualificados e bem remunerados, cujas economias para a aposentadoria impulsionam os mercados de ações americanos e o financiamento da divida publica no Brasil.

Michael Green, da Simplify Asset Management, demonstrou como o investimento passivo resultou em mercados de ações “disfuncionais”, amplamente influenciados, em nível de índice, pelos fluxos para contas de aposentadoria.

As pesquisas de Green, assim como as de outros, mostram como o investimento passivo gerou multiplicadores no mercado agregado e em ações individuais, fazendo com que a entrada ou saída líquida de um dólar tenha um impacto muito maior nas ações em que é investido, possivelmente chegando a um múltiplo de 75 a 100 para as maiores empresas.

O S&P 500 tornou-se um índice que cria seu próprio “momentum” para seus maiores componentes (i.e., para açōes de empresas especificas). As dez maiores empresas agora representam uma parcela sem precedentes do valor de mercado do indice.

O índice deixou de ser uma cesta diversificada de açōes e se tornou uma armadilha de volatilidade concentrada. Aqui, a concentraçāo tem a ver com titulos publicos e o fnanciamento da divida do governo federal.

Quando a classe profissional começar a sacar seus recursos para pagar hipotecas residenciais e as contas do dia a dia, o impacto resultante no mercado financeiro será repentino e violento, pois os fundos passivos serão forçados a vender o índice para atender às demandas de resgate dos investidores perdedores.

Ironicamente, as empresas com os múltiplos mais altos, que apresentam o maior risco de saídas líquidas de capital, são em grande parte aquelas que compõem a cadeia de valor da Inteligência Artificial.

Quando a tese de substituição da mão de obra se concretizar, serão os preços das ações dessas estrelas do novo mundo que sofrerão o maior impacto.

A consequente queda nos preços das ações, combinada com a diminuição da demanda agregada, será suficiente para causar uma crise financeira da mesma magnitude da crise global de 2007-2009, senão maior.

Problemas nos balanços, no crédito privado, nas seguradoras, no financiamento da divida publica e - dessa vez - dos fundos de pensāo, podem agravar ainda mais a situação.

Vocês ainda nāo viram nada

Credito de Imagem: Claudio Lisias, Instagram

A redução da liquidez global afetará o valor de todos os ativos. As pressões deflacionárias aumentarão.

  • A boa notícia é que a crise de 20 anos atrás forneceu aos formuladores de políticas publicas um conjunto de estratégias bem testadas para restaurar a liquidez e reativar os ativos.

  • A má notícia é que estabilizar os mercados financeiros será a parte fácil para os governos, que terão muito mais dificuldade em gerenciar a reorganização da sociedade que resultará do deslocamento em massa de mão de obra altamente produtiva.

Em última análise, em mais uma ironia, a revolução da IA ​​nos levará a um mundo em que muitos consumidores não terão mais renda suficiente para participar dessa revolução tecnologica.

Reconstruir uma sociedade em que o crescimento econômico se desvinculou do emprego é uma tarefa para a qual as estruturas políticas atuais estão despreparadas, para dizer o mínimo.

Testemunharemos não apenas uma enorme correção de mercado, mas o fim do contrato social vigente. Extamente por isso, remendar os sistemas de previdencia social ou tentar reinventar os fundos de pensāo sem inovaçōes disruptivas é ińocuo.

Em termos de política e políticas públicas, como diz o ditado e alerta Carson Block:

“Vocês ainda não viram nada”.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “If you thought the global financial crisis was bad…”, escrito por Carson Block.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


O FIM DA FESTA DOS TITULOS PUBLICOS: UM ALERTA VERMELHO PARA OS FUNDOS DE PENSĀO

 


De Sāo Paulo, SP.


O economista Philippe Gijsels - Estrategista-Chefe do BNP Paribas - disparou um alerta no programa Market Insider:

Os últimos 40 anos de inflação controlada e juros em queda global ficaram no passado. Entramos em uma nova era estrutural moldada por cinco forças implacáveis:

  • inflação perene,

  • explosão das dívidas públicas,

  • envelhecimento populacional,

  • transição climática e

  • fragmentação geopolítica.

A única grande força contrária capaz de segurar esse rojão e gerar ganhos de produtividade deflacionários é a revolução da Inteligência Artificial (IA).

Para o investidor comum, isso muda o jogo, mas para os fundos de pensão brasileiros - que a legislaçāo chama pelo horroroso nome de EFPC - Entidades Fechadas de Previdência Complementar - isso deveria exigir uma mudança radical e imediata de postura.

O vício em títulos públicos virou bomba-relógio

Credito de Imagem: www.medlineplus.gov


Os fundos de pensão no Brasil operam em uma zona de conforto institucionalizada.

Com as taxas Selic cronicamente elevadas do país, o raciocínio tem sido: basta entupir o portfólio com títulos públicos federais, como as NTN-Bs atreladas à inflação, para bater as metas atuariais sem correr riscos.

No novo cenário global, descrito por Gijsels, essa estratégia virou uma armadilha.

O endividamento descontrolado dos governos (com o Brasil disputando a perniciosa liderança) e a inflação estrutural, geram o risco real de desvalorização da moeda e perda do poder de compra real a longo prazo.

Isso vale, ainda mais, para os poupadores da previdencia complementar, mesmo com suas poupanças abarrotadas de ativos teoricamente indexados.

Continuar 100% ancorado na dívida pública do governo brasileiro é ignorar que as regras do capitalismo global mudaram.

Os fundos de ensāo deveriam migrar imediatamente seus investimentos para ativos tangíveis e geradores de valor real:

  • projetos de infraestrutura;

  • private equity;

  • ativos ligados a commodities, especialmente o cobre, essencial para a transição energética; e

  • empresas globais diretamente expostas ao ecossistema de inovação da IA.

Tic-tac-tic-tac: qual é o prazo limite para a transição?

Os fundos de pensão têm uma janela estimada de 2 a 5 anos para remodelar drasticamente suas carteiras sem fritar os rendimentos atuais.

Como o Brasil ainda mantém juros nominais elevados no curto prazo, existe uma “janela de oportunidade” técnica.

As posições atuais em títulos de longo prazo ainda garantem a rentabilidade no papel quando se pensa sob a vigencia das regras antigas.

Contudo, como a realocação de bilhões de reais em ativos reais e internacionais leva tempo:

Por questões de governança, regulação e liquidez, o processo deveria começar agora.

Esperar os títulos publios atuais vencerem para, só então, buscar outras alternativas de investimentos será tarde demais.

A inércia: o que acontece se não mudarem?

Se as lideranças dos fundos de pensão brasileiros ignorarem essa virada de ciclo macroeconômico (o que vem acontecendo), as consequências serão catastróficas para você, futuro aposentado, que enfrentará:

  1. Ilusão nominal e perda real: seu fundo pode até reportar que atingiu a meta de rendimento nominal, mas o poder de compra real do seu dinheiro, resgatado por você e pelos demais beneficiários, será corroído pela inflação global e local persistentes.

  2. Déficits atuariais crônicos: à medida que a volatilidade geopolítica e os choques da transiçāo climática baterem nos preços, os títulos públicos não serāo mais suficientes para cobrir as obrigações futuras de uma população brasileira que também está envelhecendo e pior, diminuindo, rapidamente.

  3. Risco de insolvência e quebradeira: os investidores institucionais e você, participante de planos de fundos de pensāo está de māos dadas com eles, que financia apenas a dívida de um governo sufocado por déficits fiscais, assume um risco de concentração perigoso. Se o seu fundo de pensāo não diversificar seus investimentos, local e globalmente, aplicando em ativos da economia real, o sistema de previdência complementar brasileiro enfrentará uma crise severa de solvência na próxima década.

O recado é claro:

A previdência baseada em “rentismo passivo” e no conforto de títulos públicos está com os dias contados e quem não se mover em direção à economia real, tecnologia e commodities vai pagar a conta da nova ordem econômica mundial.

Quem quiser acessar a entrevista completa, pode assistir: aqui.

O que você, participante, pode fazer hoje?

Os conselhos deliberativos dos fundos de pensão tendem a ser conservadores e lentos demais para reagir às mudanças globais.

Como o seu patrimônio em jogo e o seu futuro também, cabe ao participante cobrar proatividade na gestão.

A melhor forma de fazer isso é exercer a democracia interna da sua entidade, questionando formalmente os conselhos deliberativos sobre os planos de diversificação, o prazo de realoçāo dos ativos e a forma de proteção contra os riscos fiscais e inflacionários dessa nova era macroeconômica.

Abaixo, sugerimos uma minuta de e-mail direta e fundamentada para você enviar aos canais de atendimento, ouvidoria ou diretamente aos conselheiros eleitos do seu fundo de pensão:

Credito de Imagem: Adobe Stock

Assunto: Questionamento sobre diversificação local e global e proteção do patrimônio frente ao cenário macroeconômico que se descortina

Prezados membros do Conselho Deliberativo e Comitê de Investimentos,

Como participante e futuro beneficiário desta entidade, venho manifestar minha preocupação com a atual super concentração de nossa carteira de investimentos em títulos públicos federais.

Diante do novo cenário econômico global — marcado por inflação estrutural, endividamento fiscal crescente e a urgência de alocação em negócios das novas tecnologias (IA) e commodities — estratégias baseadas majoritariamente em rentismo passivo, estatal, representam um risco elevado de perda do poder de compra real a longo prazo.

Gostaria de solicitar esclarecimentos formais sobre quais medidas e estudos de viabilidade estão sendo adotados por este conselho para acelerar a diversificação de nosso portfólio.

Especificamente, peço informações sobre os planos e prazos de aumento de exposição em ativos tangíveis de economia real (como infraestrutura e private equity) e investimentos globais, visando proteger nosso patrimônio de déficits atuariais sistêmicos.

Agradeço desde já pela atenção e ressalto que a transparência e a agilidade na resposta a essas transformações estruturais são fundamentais para garantir a segurança e a solvência dos nossos planos de previdência, a rentabilidade dos meus investimentos e minha renda de aposentadoria.

Atenciosamente,
[Seu Nome Completo]
Matrícula/Inscrição: [Seu Número]


Pronto, falei!

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “The Global Economy Is Changing—Here’s Why, Market Insider.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


segunda-feira, 29 de junho de 2026

QUE O TRABALHO MUDOU, NÓS SABEMOS, MAS OS FUNDOS DE PENSĀO MUDARĀO A TEMPO?

 


De Sāo Paulo, SP.


Tanto na ciência quanto na história, trabalho é uma ferramenta definitiva de modificação do estado das coisas.

Na física, trabalho (T) é uma grandeza que mede a transferência de energia para um corpo através da aplicação de uma força, que gera um deslocamento (a formula basica é T = F x D). O conceito é puramente vetorial e mecânico. A força precisa ter direção e sentido úteis para gerar deslocamento. Se você empurrar uma parede até cansar e ela não se mover, o trabalho na física é zero, não importando o seu esforço.

Na história, o trabalho humano, potencializado pelas máquinas a vapor, tinha como foco a transformação brutal da matéria-prima em produtos. O trabalhador na industria aplicava uma força real e exaustiva, mas perdeu o propósito subjetivo daquilo que produzia. Segundo a teoria da alienação de Karl Marx, o operário não era mais dono do processo e nem do produto final; seu único propósito imediato passou a ser a subsistência através do salário. Ele vendeu a sua capacidade física de gerar energia (trabalho), quantificada em horas, para que o sistema industrial a canalizasse em lucro.

Na etmologia, a palavra trabalho deriva do latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta de três pernas que imobilizava animais de traçāo (cavalos e bois) para colocar ferradura. Curiosamente, era também o nome de um instrumento de tortura usado contra escravos e presos, que originou o verbo tripaliare cujo primeiro significado era “torturar”. Nesse sentido insere-se também a antiga tradição bíblica do trabalho como castigo, ao condenar o homem comum expulso do paraiso (Adāo) à labuta para ganhar o pão de cada dia (”tu comerás o teu pão, no suor do teu rosto”).

O sistema de previdência complementar foi construído sobre uma premissa aparentemente sólida de trabalho.

Era uma linha reta: escola-emprego-carreira-aposentadoria. Esse modelo fez sentido por mais de um seculo, enquanto o trabalho também seguia uma linha reta.

Mas essa linha se quebrou.

O setor de previdência complementar já percebeu que há uma transformação em curso naquilo que, por força do hábito, ainda chamamos de “trabalho”.

Porém, nāo percebeu o suficiente!

Notar que o trabalho está mudando é apenas o primeiro passo. O passo realmente importante para o setor de fundos de pensāo é entender para onde essa mudança está levando o trabalho, o emprego, a renda, a contribuição previdenciária e a própria ideia de segurança financeira.

Os fundos de pensão nasceram em um mundo industrial, um mundo em que o trabalho era medido por unidade de tempo.

O empregado vendia horas de trabalho, a empresa comprava essas horas, o salário remunerava essas horas e a previdência era calculada sobre esse salário. A segurança financeira futura era financiada por uma relação relativamente estável entre empregado, empregador e planos de benefícios de fundos de pensāo.

Credito de Imagem: GettyImages


Essa arquitetura funcionava porque havia uma espécie de “física planetária do trabalho” embutida.

  • O emprego era o centro em torno do qual tudo gravitava.

  • A carreira era a órbita.

  • A empresa era o planeta.

  • A aposentadoria era o destino final.

A tecnologia não mudou apenas as ferramentas usadas no trabalho, ela mudou essa física inteira. As pessoas não vivem mais de um único emprego e muitas nem vivem de emprego, vivem de:

  • Projetos

  • Plataformas

  • Contratos

  • Consultorias,

  • Venda de conteúdo,

  • Comunidades,

  • Marcas pessoais,

  • Produtos digitais,

  • Renda de investimentos,

  • Participação em negócios,

  • Atividades paralelas e

  • Combinações que ainda nem sabemos nomear direito.

A carreira, como conceito, está desaparecendo e é aqui que os fundos de pensão precisam prestar atenção.

O setor pode até ter percebido que o futuro do trabalho está mudando, mas isso, sozinho, não assegura o futuro dos próprios fundos de pensão. Pelo contrário: pode apenas transformá-los em espectadores bem informados do próprio ocaso.

O desafio é redesenhar produtos, serviços e modelos de negocios para um mundo em que o trabalho é fragmentado, digital, instável, autônomo e na maioria dos casos, independente de um emprego formal.

Como fica a previdência complementar nesse mundo?

  • Se a renda do futuro será mais irregular, os planos precisam aceitar e ter sistemas para receber contribuições intermitentes;

  • Se o vínculo empregatício é mais curto, o saldo acumulado precisa ser portátil de verdade e acompanhar automatiamente o participante para onde ele for.

  • Se as pessoas terão múltiplas fontes de renda, o plano precisa receber contribuiçōes mensais não (apenas) de salários, mas de fontes variadas de recolhimento, tipo, % de gastos com cartōes, aluguéis, honorários PJ, debito em conta-corrente etc.

  • Se a educação financeira tradicional não engaja, o setor precisa estar nas plataformas tipo TikTok onde as pessoas realmente estão no dia-a-dia.

  • Se a vida será menos linear, os produtos precisam deixar de ser lineares.

Não basta oferecer acumulação para uma aposentadoria aos 65 anos, será preciso oferecer segurança financeira ao longo de toda a vida:

  1. Seja entre momentos de perda de renda: a pessoa fica sem trabalho;

  2. Seja diante dos riscos: invalidez, morte, longevidade;

  3. Seja em situaçōes de emergência: gastos inesperados com saúde, acidentes, despesas com a casa ….

Isso significa criar soluções para pausas de carreira, transições profissionais, períodos de renda baixa ou nula, requalificação, empreendedorismo, desacumulação parcial, proteção contra longevidade, renda complementar temporária, fundos de emergência e orientação financeira personalizada.

Credito de Imagem: Shutterstock


Em outras palavras:

Os fundos de pensão precisam sair da lógica de “guardar dinheiro para o fim da vida” e entrar na lógica de “entregar segurança financeira para uma vida imprevisível”

A previdência complementar brasileira tem uma oportunidade enorme, mas essa oportunidade não está em ajustar o modelo antigo. Está em redesenhar o modelo, criar um modelo novo, antes que outros fora do setor de fundos de pensāo façam isso.

Neobanks digitais, fintechs, plataformas de investimento, seguradoras, big techs, exchanges, carteiras digitais e agentes de inteligência artificial já estão disputando a atenção financeira das novas gerações.

Eles não precisam pedir licença ao sistema de previdência complementar para oferecer soluções de longo prazo para os consumidores.

Eles aparecem no celular, falam a linguagem do usuário e entregam conveniência.

Se o sistema de previdência complementar quiser continuar relevante, precisará entender que:

  • O produto previdenciário do futuro não será apenas um plano de acumulaçāo de capital seguido de desacumulaçāo, na forma de renda contínua.

  • Será uma plataforma, que entrega segurança financeira ao longo da vida, de toda ela, que dá suprte no curto, nomedio e no longo prazo.

Uma plataforma:

  1. Que acompanha a pessoa ao longo de toda a vida e conversa com suas fontes de renda reais hoje, amanhā e depois;

  2. Que permite contribuições pequenas ou grandes, variáveis e automáticas;

  3. Que aceita múltiplos vínculos de trabalho, proprio ou emprego.

  4. Que ofereça orientação em tempo real, digital, rápida e facil de acessar, de qualquer lugar e a qualquer hora;

  5. Que use IA para orientar, educar e ajudar nas decisões;

  6. Que permita transições entre acumulação permanente e desacumulação temporária ou permanente;

  7. Que proteja contra os riscos de longevidade, mas também contra os riscos de uma vida profissional instável.

O fundo de pensão do futuro não será um lugar para onde o trabalhador manda contribuiçōes mensais, mas sim um lugar que organiza sua vida financeira.

Aqui no TECONTEI estamos apenas antecipando o caminho. O trabalho deixou de ser linear, a carreira deixou de ser previsível e a aposentadoria deixou de ser um evento isolado no final da vida.

A separaçāo entre aposentadoria e vida ativa, simplesmente, nāo existe mais.

O trabalho nāo vai desaparecer, mas nunca mais será o mesmo e os fundos de pensão desaparecerāo se ficarem ancorados no antigo conceito.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Careers Are Collapsing. Jobs Are Dying. The Smartest People Are Doing This Right Now”, escrito por Thomas Oppong.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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