De Sāo Paulo, SP.
A turma da Geraçāo Z (nascidos entre 1997 e 2012) e os Millenials (nascidos entre 1981-1996) alocam três vezes mais seus portfólios em investimentos alternativos, do que as gerações mais velhas.
Indivíduos com patrimônio mais elevado acreditam que as ações de empresas americanas oferecem as melhores oportunidades para o crescimento de seus ativos.
Essa convicção, no entanto, nāo é compartilhada por investidores mais jovens, segundo mostra um estudo do Bank of America feito com americanos ricos, em 2024.
Os Millennials e a Geração Z estão, cada vez mais, buscando alternativas aos mercados tradicionais de ações, renda fixa e títulos, para construir seu patrimonio e formar poupança.
Eles estāo impulsionando a demanda por tudo, desde imóveis, private equity, ativos digitais (crypto) e ouro.
O mercado global de investimentos alternativos cresceu quase sete vezes desde a crise financeira global de 2008, à medida que os investidores olham cada vez mais para além das ações tradicionais e da renda fixa (grafico abaixo).
As classes de ativos alternativos - que abrangem Private equity, fundos de hedge, cryptomoedas, crédito privado, venture capital, imóveis, infraestrutura e recursos naturais (commodities) - continuam a representar uma parcela maior dos portfólios de invesimentos dos mais jovens.
As preferências de alocação das diferentes geraçōes sugerem que essa tendência pode se fortalecer à medida que a riqueza muda de mãos.
O estudo do Bank of America, mencionado acima, constatou que investidores com idades entre 21 e 43 anos alocam 55% de seus portfólios fora de ações e títulos tradicionais de renda fixa, em comparação com 26% entre aqueles com mais de 44 anos.
O que mostra o estudo sobre os investimentos das geraçōes mais novas:
47% de seus portfólios são compostos por ações e renda fixa, uma porcentagem bem menor do que a dos investidores com mais de 44 anos (74%).
17% de seus portfólios de investimento estão alocados em investimentos alternativos, em comparação com os 5% alocados por investidores mais velhos.
A maioria (93%) afirma que planeja alocar mais recursos em investimentos alternativos nos próximos anos.
Quase metade (49%) possui cryptomoedas e outros 38% têm interesse em adquiri-las. Eles classificam as cryptomoedas entre as principais áreas de oportunidade de crescimento, perdendo apenas para os investimentos imobiliários.
45% possuem ouro físico como ativo e outros 45% têm interesse em adquiri-lo. No geral, 41% dos ricos possuem (18%) ou têm interesse em comprar (23%) ouro físico.
Uma explicação para essa mudança é que os investimentos alternativos se tornaram muito mais acessíveis.
Novos produtos e plataformas permitem que os investidores invistam nessas classes de ativos sem pecisar de infraestrutura especializada ou da expertise historicamente exigidas.
As cryptomoedas seguiram um caminho semelhante, na medida em que produtos de investimentos regulamentados, como os ETPs (Exchange Traded Product) de Bitcoin e a infraestrutura do mercado institucional introduziram formas mais simplificadas e familiares para se obter exposição a esses ativos.
As barreiras menores, aliadas aos fortes retornos históricos, ajudaram a atrair mais capital para os ativos alternativos.
Katy Knox, CEO do Bank of America Private Bank, comenta:
“Estamos vivendo um período de grandes mudanças sociais, econômicas e tecnológicas, juntamente com a maior transferência intergeracional de riqueza da história”
… e vai além:
“Nosso estudo mostra que os americanos ricos estão focados na diversificação, em objetivos de longo prazo e em causar um impacto duradouro com seu patrimônio.”
Tabela detalhando a alocação dos investimentos dos mais jovens e mais velhos:
O que pensam os investidores mais jovens
Setenta e dois por cento dos investidores mais jovens (idades entre 21 e 43 anos) acreditam que já não é possível obter retornos de investimento acima da média investindo exclusivamente em ações e títulos tradicionais
Isso se compara com apenas 28% dos investidores com idades superiores a 44 anos, que partilham da mesma opinião.
Fazer doaçāo e praticar filantropia é uma característica quase universal entre os ricos, inspirada principalmente por um senso de responsabilidade (52%) e pelo desejo de causar um impacto positivo duradouro (40%).
No entanto, o destino das doações que fazem e o gosto por colecionar itens de arte e outros objetos, variam muito de geração para geração.
Os mais jovens mais abastados doam com propósito e colecionam com paixão:
91% dos ricos são apoiadores fervorosos da filantropia. Porém, os doadores mais jovens têm quase duas vezes mais probabilidade de apoiar causas como a de pessoas sem-teto (41%), justiça social (33%) e meio ambiente/mudanças climáticas (32%) em comparação com os doadores mais velhos (21%, 18% e 17%, respectivamente).
40% dos ricos em geral possuem uma coleção de arte ou têm interesse em colecioná-la, incluindo 83% dos millennials e da Geração Z.
65% dos entrevistados no estudo, incluindo 94% dos menores de 44 anos, têm interesse em itens colecionáveis. Os Millennials e a Gen z Z têm pelo menos duas vezes mais probabilidade do que as gerações mais velhas de serem colecionadores de relógios (46%), vinhos ou bebidas destiladas (36%), carros raros ou clássicos (32%), tênis (30%) e antiguidades (30%)
Conclusão
Existe claramente uma desconexão crescente entre aquilo que as novas gerações esperam de uma estratégia de construção de patrimônio e aquilo que os fundos de pensão continuam oferecendo.
Enquanto Millennials e Geração Z diversificam, buscam inovação, aceitam novas classes de ativos e procuram retornos compatíveis com horizontes de investimento de 30, 40 anos, os fundos de pensão permanecem com patrimonio concentrado em títulos públicos, limitando seus participantes, na prática, ao retorno dos juros soberanos.
O problema não é investir em títulos públicos. Eles continuam tendo um papel importante em qualquer carteira de longo prazo. O problema é transformá-los na única estratégia de investimento, justamente para um público que enxerga o futuro de forma completamente diferente.
As novas gerações não estão abandonando apenas uma classe de ativos. Estão mudando a forma de pensar risco, retorno, propriedade e diversificação.
Se os fundos de pensão insistirem em oferecer apenas aquilo que fazia sentido para seus pais e avós, não perderão apenas rentabilidade potencial.
Perderão a geraçāo capaz de fazê-los continuar sobrevivendo.
Se um jovem conclui que consegue montar sozinho um portfólio mais diversificado, com acesso a ações globais, imóveis, private equity, ouro, ativos digitais e outras alternativas de investimento, será cada vez mais difícil convencê-lo de que vale a pena entregar sua poupança de décadas a uma instituição cujo horizonte de investimentos termina no vencimento dos títulos públicos.
O risco, portanto, não está na volatilidade dos mercados alternativos, mas na velocidade com que as novas gerações vāo escapando por entre os dedos de um sistema que insiste em continuar olhando para o passado, enquanto elas já estão investindo no futuro.
Grande abraço,
Eder.
Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “BofA Private Bank Study of Wealthy Americans Finds Generational Divide in Investing, Giving and Preserving Wealth”, escrito por Julia Ehrenfeld.





