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BLOG DO EDER

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O PROBLEMA NĀO É O PRODUTO, NEM O MARKETING, O PROBLEMA É A FALTA DE PRATELEIRA ONDE COLOCÁ-LO


De Sāo Paulo, SP.

O seu fundo de pensāo pode ser o melhor do mundo, mas isso nāo adianta nada se você nāo tiver onde vendê-lo.

Uma história empresarial ocorrida que aconteceu há alguns anos, deveria ser estudada com atenção pelos conselhos deliberativos dos fundos de pensão brasileiros.

Em 2012, a DIAGEO— dona de marcas como Johnnie Walker, Smirnoff, Baileys e Guinness — decidiu pagar cerca de R$ 900 milhões pela Ypióca.

Sim, ela mesma, a tradicional cachaça cearense.

À primeira vista, seria fácil imaginar que a multinacional DIAGEO estivesse simplesmente comprando uma marca brasileira reconhecidissima, com mais de 160 anos de história no mercado.

Mas havia algo muito mais interessante naquele negócio.

A que a DIAGEO estava comprando nāo era somente a marca, o produto e sua fabricaçāo, ela estava adquirindo, também, a rede de distribuição.

Na época, a Ypióca possuia a quase 250 mil pontos de venda e tinha uma presença particularmente forte no Nordeste.

A própria DIAGEO descreveu a aquisição como uma forma de fortalecer suas “routes to market” — suas rotas até o mercado consumidor.

A lógica é poderosa!

A DIAGEO já tinha algumas das marcas de bebidas mais conhecidas do planeta. O que a Ypióca tinha que poderia ser ainda mais valioso?

Exatamente a “estrada que leva até o consumidor” e essa é uma das maiores lições estratégicas para os fundos de pensão brasileiros.

Nāo confunda marketing com distribuiçāo

Nos últimos anos, os fundos de pensão começaram — finalmente — a perceber que precisam competir por participantes.

  • Criaram planos família, i.e., planos para indivíduos;

  • Criaram planos instituídos, i.e., nāo voltados para empresas;

  • Contrataram agências de identidade visual;

  • Reformularam suas marcas;

  • Criaram perfis no Instagram, Facebook, Youtube

  • Alguns até descobriram que o TikTok existe …

Tudo isso é importante, mas quase tudo isso pertence ao universo do marketing e marketing, meu caro, não é a mesma coisa que distribuição.

Marketing procura fazer alguém desejar um produto. Distribuição coloca o produto diante dessa pessoa, no lugar e no momento em que ela pode efetivamente adquiri-lo.

Uma diferença pequena?

Não, nāo é. A diferença é gigantesca.

A Coca-Cola não se tornou Coca-Cola apenas porque fez grandes campanhas publicitárias. Tornou-se Coca-Cola porque você encontra uma garrafa praticamente onde quer que esteja.

O banco não precisa esperar você procurar um seguro, ele oferece o seguro dentro do aplicativo que você já abriu para pagar uma conta.

Uma plataforma de investimentos não espera que o cliente saia procurando previdência complementar. Coloca o produto ao lado do fundo imobiliário, do ETF, da ação e do título público.

Amazon, Mercado Livre, Nubank, Apple e tantas outras empresas da economia digital entenderam muito bem algo fundamental:

Quem controla a interface com o cliente, possui uma enorme vantagem competitiva.

Pergunto: onde está a interface dos fundos de pensão com seus futuros clientes?

Qual é a rede de disribuiçāo de um fundo de pensāo?

Credito de Imagem: Lexos

Esse é um assunto que deveria aparecer nos planejamentos estratégicos de todas as EFPCs. Imagine que um fundo de pensão desenvolva um plano de previdencia complementar com:

  • Taxas de administraçāo e gestāo dos investimentos bem reduzidas;

  • Governança “top”;

  • Ótimo app e excelente experiência do usuário;

  • Opções interessantes de investimento;

  • Comunicação moderna;

  • Flexibilidade.

Um belo produto!

Onde alguém compra isso?

Se a resposta for “no nosso site”, você tem um problema. É como fabricar uma excelente bebida e vendê-la somente na lojinha de fábrica da própria destilaria.

O desafio dos fundos de pensão deixou de ser apenas desenvolver bons produtos previdenciários (o que já nāo é pouco).

Passou a ser construir canais de distribuiçāo pelos quais esses produtos cheguem nas pessoas.

Cadê a Ypióca dos fundos de pensāo?

Pense nas possibilidades. Por que um plano de previdencia complementar não poderia estar disponível e ser oferecido por:

  • Prestadores de serviço que rodam a folha de pagamento de milhares de pequenas e médias empresas?

  • Ou plataformas de RH que essas empresas já utilizam?

  • Ou integrado às plataformas utilizadas por trabalhadores autônomos?

  • Ou escritórios de contabilidade, que atendem milhares de pequenas empresas?

O raciocínio muda completamente. Em do desafio ser “como convencer mais pessoas a entrar no nosso plano?”, passa a ser “quem já possui relacionamento com as pessoas que queremos alcançar?”

Essa é uma pergunta de distribuição, muito mais importante do que discutir a próxima campanha de comunicaçāo e marketing.

A patrocinadora sempre foi o canal de distribuiçāo

Os fundos de pensão tiveram, provavelmente, um dos melhores sistemas de distribuição que qualquer negócio poderia imaginar.

Chamava-se empresa patrocinadora que:

  • Contratava o empregado;

  • Apresentava o benefício, como parte do pacote de benefícios;

  • Descontava a contribuição;

  • Fazia sua uma contribuição em contrapartida;

  • E ainda disponibilizava a infraestrutura para operacionalizar tudo isso.

O participante chegava pronto. Diante dessa realidade, o setor nunca precisou desenvolver uma verdadeira competência em distribuição.

Só que .. esse mundo já era. As pessoas trocam de emprego como quem troca de roupa. Cresce o trabalho sem vinculo empregatício. Surgem novas formas de contratação que nāo ofecerem a previdencia complementar como beneficio.

Os fundos de pensão, agora, precisam crescer além da população tradicional de suas patrocinadoras. O problema?

Disputar novos mercados, requer novos canais de distribuição

Credito de Imagem: Mercado Livre

Ter um bom produto, nāo basta

Há uma frase muito conhecida no mundo dos negócios:

“Distribution beats product” ou “A distribuiçāo supera o produto”

Um produto extraordinário com distribuição ruim tende a desaparecer. Um produto razoável com distribuição extraordinária, pode conquistar milhões de consumidores.

Está na hora dos fundos de pensão começarem a pensar dessa maneira. Nessa nova fase, não bastará administrar bem os participantes que já existem.

Será imprescindível encontrar os próximos e os próximos participantes, muito provavelmente, não estarão esperando pacientemente na porta da entidade.

  • Eles estão no celular;

  • Nas midias sociais;

  • Nos aplicativos de carona;

  • Nos marketplaces;

  • … ou em algum canal que ainda nem existe.

No planejamento estratégico de 2027 e daqui para frente, inclua na pauta uma disucussāo extremamente simples:

Qual será a nossa estratégia de distribuição?

  • Não a estratégia de comunicação;

  • Não a estratégia de marketing;

  • Não a estratégia de marca.

A estratégia de distribuição. Como nosso produto chega às mãos de alguém que ainda não sabe que precisa dele?

A DIAGEO já possuía Johnnie Walker, Smirnoff e diversas das marcas mais poderosas do mundo quando comprou a Ypióca.

Mas enxergou valor numa empresa que possuía algo que suas marcas globais não conseguiriam criar rapidamente:

250 mil portas abertas para chegar ao consumidor.

Enquanto os fundos de pensão gastam tempo e energia tentando produzir uma propaganda melhor da garrafa. As entidades abertas estāo procurando uma maneira de colocá-la em 250 mil prateleiras.

Se a antiga previdência complementar corporativa quiser descobrir onde estāo essas prateleiras, primeiro precisará encontrar algo muito mais importante do que uma nova campanha de marketing.

O press release oficial da ⁠DIAGEO dizia que a Ypióca tinha uma extensa rede comercial no Nordeste e a segunda maior penetração nacional no varejo.

Posteriormente, a companhia descreveu a aquisição como parte do fortalecimento de suas rotas ao mercado.

Quem sabe eu nāo escrevo uma Parte 2 muito interessante desse artigo aqui? Desenhando, concretamente, como seria uma “Route to Market” de uma EFPC e identificando, talvez 8 a 10 canais de distribuição, do B2B2C?

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: Video abaixo.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


Postado por Blog do Eder às 14:59 0 comentários
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A CONJECTURA JACOBIANA RESOLVIDA PELO FABLE 5 E A CONJECTURA DE ERDOS, SOLUCIONADA PELO ASTRA

 



De Sāo Paulo, SP.


Enquanto o resto do mundo assistia à Copa do Mundo numa noite de domingo, em julho passado, o matemático Levent Alpöge anunciou informalmente no X, que havia utilizado o Fable 5, da Anthropic, para refutar a “Conjectura Jacobiana”.

A Conjectura Jacobiana é um problema matemático da geometria algébrica, que ficou sem soluçāo por longa data, desafiando matemáticos de grande renome por quase 90 anos. Ela foi incluída nos “Problemas de Smale”, uma lista de problemas matemáticos não resolvidos, proposta pelo matemático Stephen Smale em 1998.

Isso não foi um obstáculo para o Fable 5, um modelo de IA de ponta da Anthropic. Fable 5, a versão pública do Claude Mythos Preview, foi o modelo de IA que, segundo a Anthropic, possuía capacidades de cybersegurança tão avançadas que era perigoso demais para ser lançado ao público.

Enquanto isso, para aqueles de nós que não entendem de funções polinomiais em espaços de “n” dimensões, a questão é se isso:

  • Representa um grande avanço na inteligência artificial?

  • Significa um salto na matemática?

  • Ou é uma ruptura nos dois campos e deve gerar preocupaçāo?

“Isso não me fez rever minhas estimativas iniciais sobre o que a IA pode ou não fazer”, disse o professor e matemático Andrew Blumberg, numa entrevista ao Mashable.

“Esse é exatamente o tipo de coisa que eu esperaria que a IA fosse capaz de realizar. Se existir um contraexemplo conciso e fácil de formular, que as pessoas não encontraram porque é trabalhoso vasculhar todo esse material, a IA o encontrará.”

O que se quer é aprender alguma coisa com a resposta

Credito de Imagem: Internet

Andrew afirmou que apresentar um contraexemplo para a Conjectura Jacobiana é uma conquista significativa para a IA na matemática.

No entanto, ele também disse que há uma grande diferença entre apresentar uma demonstração afirmativa para um grande problema matemático e apresentar um único contraexemplo que o refute. Eis a metáfora que ele usou:

“Suponha que Moisés descesse da montanha com tábuas e nelas estivesse escrito: ‘O câncer pode ser curado’. Você se importaria com isso? Não queremos apenas a resposta para a pergunta, queremos aprender algo com a resposta. A razão pela qual Smale considerava esse problema importante é que ele acreditava que, se o resolvêssemos, entenderíamos mais coisas sobre a maneira como a natureza é estruturada.”

Em outras palavras, diz Andrew:

“Esse contraexemplo não nos diz praticamente nada. Tipo, existem muitos polinômios e é difícil para as pessoas verificarem todos eles, mas não é difícil para as máquinas”.

Entāo, aqui vai o que deveria surpreender

A Conjectura Jacobiana não foi o único problema matemático que a IA resolveu nos últimos meses. Em maio, a OpenAI anunciou que um “modelo interno” (mais tarde sabido ser o Astra ou GPT 6) havia refutado a Conjectura sobre Distâncias Unitárias de Erdős, um problema central na geometria discreta.

No entanto, nesse caso, o resultado foi mais produtivo, diz Andrew, porque a OpenAI não forneceu apenas um contraexemplo, mas fez uma refutação do próprio problema provando matematicamente que era falso:

“A refutação, nesse caso, já levou a descobertas interessantes, pois especialistas da área analisaram a lógica por trás dela e a utilizaram para realizar outros trabalhos”.

O relevante nisso tudo nāo é ainda estarmos aprendendo do que a IA é capaz. O impressionate - e assustador - é que o primeiro modelo de IA da era moderna foi tornado público em 30 de novembro de 2022.

Em apenas três anos e pouco, aquele modelo que era usado inicialmente para escrever textos, passou rapidamente a ser capaz de lidar com imagens e sons.

… e a tecnologia de IA continua evoluindo a passos impressionantes.

Se, agora, em tāo curto período de tempo, ela já começa a desvendar mistérios da matemática, os alertas sobre riscos existenciais nāo devem ser subestimados.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “AI just disproved a major math problem. A mathematician explains”, escrito por Timothy Beck Werth.


Postado por Blog do Eder às 14:44 0 comentários
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Mestre em Administração Profissional pela EAESP/FGV, Bacharel em Ciências Atuariais pela UFRJ, com especialização em Propaganda & Marketing pela ESPM-RJ e em Governança Corporativa pelo IBGC. Mais de 25 anos de atuação no mercado de previdência complementar, Membro nº 641 e ex-Diretor do Instituto Brasileiro de Atuária e ex-Professor do MBA de Gestão de Riscos Financeiros e Atuariais da USP/FIPECAFI. Gerenciou inúmeros projetos internacionais e regionais na área de benefícios, tendo morado em Jacksonville, FLA-EUA e em Lincolnshire, CH-EUA. Ocupou cargos de alta gerência e direção nas maiores empresas globais de benefícios, em fundos de pensão, em seguradoras e em bancos.

Desenvolve Pesquisas, Projetos e Palestras sobre Previdência, Seguros (RE), Benefícios a Empregados, Programas de Saúde, Economia Comportamental, Neuromarketing e Investimentos Responsáveis.


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