terça-feira, 24 de março de 2026

UMA PEDRA DO GOVERNO NO CAMINHO DA "PREVIDÊNCIA PARA TODOS"

 


De Sāo Paulo, SP.


Enquanto Wall Street aposta na tokenização para democratizar o acesso aos investimentos, a previdência complementar brasileira continua parecendo um clube fechado, que fala em inclusão, mas cobra ingresso caro na porta.

Durante muito tempo, o mercado financeiro vendeu inclusão do mesmo jeito que certos clubes vendem “democratização”:

Com belas palavras no discurso e uma catraca escondida logo depois da entrada.

No discurso, investir é para todos, na prática, investir tem sido para poucos. Para os que já tem renda, sobra de caixa, familiaridade com o sistema e paciência para lidar com uma linguagem incompreensível ao cidadāo comum.

Com a previdência complementar acontece algo parecido.

Em tese, ela existe para ampliar a segurança financeira no futuro, na prática, ela ainda conversa muito melhor com quem já está dentro do sistema do que com quem mais precisaria dela para entrar.

Talvez esteja aí uma das maiores contradições do setor: falamos muito em cobertura, educação previdenciária, inclusão, poupança de longo prazo e proteção social.

… mas seguimos oferecendo, em larga medida, soluções pouco aderentes à vida real dos trabalhadores de renda menor, autônomos, informais, intermitentes e milhões de brasileiros que jamais tiveram acesso estável a esse tipo de veículo para poupar.

Compare isso com o que começa a acontecer no mundo dos investimentos. Lá fora cresce a aposta de que a tokenização pode fazer com os investimentos, algo parecido com o que a Internet fez com oas cartas enviadas pelo correio:

Reduzir fricçāo, baratear a infraestrutura, permitir fracionamento, ampliar o acesso e facilitar a distribuição.

Não se trata apenas de uma mudança tecnológica, trata-se de uma mudança que amplia o acesso a todas as faixa de renda.

O PROBLEMA SEMPRE FOI CONSEGUIR ENTRAR.

Credito de Imagem: www.iplacas.com.br

Essa é a parte mais importante.

Durante décadas, o sistema financeiro operou como uma espécie de agência de correio antiga:

Pesado, caro, lento, cheio de carimbos, balcões e gente cobrando pedágio.

A Internet não inventou a comunicação, ela simpesmente derrubou barreiras de acesso às informaçōes.

tokenização não inventou os investimentos, o que ela está fazendo é derrubar as barreiras que impedem os que estāo fora do sistema, de investir e poupar para o futuro.

Esse é o ponto.

Quando grandes instituições passam a olhar para ativos digitais tokenizados com seriedade, elas não estão apenas brincando de modernidade para parecer descoladas num painel sobre inovação.

Estão percebendo que a infraestrutura tradicional talvez já não seja eficiente para um mundo que exige menor custo, maior velocidade, mais transparência, mais portabilidade e tickets menores.

Em português claro: o mercado está começando a descobrir que, no futuro, talvez ganhe mais quem conseguir abrir a porta para mais gente do que quem continuar apenas enfeitando o salão para os mesmos convidados de sempre.

Credito de Imagem: Paul Morigi/Getty Images

Em sua carta anual aos acionistas, o CEO da BlackRock - Larry Fink (foto acima) alertou que o modelo econômico dos EUA está deixando muita gente para trás. Fink escreveu:

“O capitalismo está funcionando — só que para poucos. Metade da populaçāo mundial carrega uma carteira digital no telefone celular, imagine se essa mesma wallet permitisse investir no longo prazo tāo facilmente como fazer um pagamento”

Nāo é à toa que gestores de investimentos como a BlackRock, com seus US$ 11,6 trilhōes em ativos sob gestāo, vem expandindo as apostas na infraestrutura de cryptomoedas e ativos digitaia, como uma estratégia de longo prazo para demcratizar o acesso de pessoas de baixa renda aos veiculos de investimento.

OS FUNDOS DE PENSĀO FALAM DIFÍCIL COM QUEM VIVE DIFÍCIL

A pergunta desconfortável que ninguem quer fazer é:

Por que a previdência complementar ainda não se transformou, de verdade, num veículo de poupança de massa para os brasileiros?

Não estou falando de discurso institucional, estou falando da vida real:

  • da manicure,

  • do entregador,

  • do motorista por aplicativo,

  • do pequeno comerciante,

  • do autônomo,

  • do profissional que ganha pouco,

  • do trabalhador que alterna meses bons e ruins,

  • da família que até quer se organizar para o futuro, mas não consegue entrar num sistema desenhado como se estabilidade de renda fosse a regra e não privilégio.

A previdência complementar brasileira foi pensada para quem consegue contribuir com regularidade, entender a lógica do produto, navegar por regras complexas e suportar uma jornada que muitas vezes parece mais um teste de resistência do que uma solução de longo prazo.

Ou seja, continua sofisticada demais para as pessoas simples que mais precisam dela.

A PREVIDÊNCIA PARA TODOS PODE VIR DE ONDE MENOS SE ESPERA

É aqui que o paralelo com a tokenização fica interessante.

A promessa mais relevante dessa nova infraestrutura de ativos digitais não é “crypto”, “blockchain” ou qualquer uma dessas palavras que fazem metade do mercado arregalar os olhos e a outra metade fingir que entendeu.

A promessa real é outra da economia da cryptografia é:

  • reduzir o custo de entrada;

  • permitir fracionamento dos ativos, reduzindo o ticket de entrada;

  • facilitar a distribuição dos produtos de investimento;

  • melhorar a portabilidade entre prestadores;

  • diminuir o peso da intermediação para reduzir custos;

  • aproximar o produto do usuário;

  • integrar investimento, registro, custódia e movimentação numa lógica mais fluida.

Traduzindo: a tokenizacao e os ativos digitais, diferente do qe o governo enxerga, chegou para deixar de tratar acesso aos investimentos como um serviço de luxo.

Isso interessa diretamente à previdência complementar, porque exclusão previdenciária e exclusão financeira caminham de māos dadas.

Quem está fora da previdência complementar também está fora dos melhores instrumentos de investimento e formação de patrimônio e quem está fora da formação de patrimônio chega mais vulnerável à velhice.

Quem chega mais vulnerável à velhice depende mais de um Estado que já está sobrecarregado e de uma renda futura que nunca será suficiente.

Credit de Imagem: www.abill.io/

A POUPANÇA DO FUTURO TALVEZ PAREÇA MAIS COM UM APP

Imagine o seguinte cenário: uma pessoa de renda menor consegue fazer pequenos aportes, quando puder, sem obrigação de linearidade irreal.

Consegue carregar sua poupança de longo prazo de uma plataforma de acumulaçāo para outra, de uma ocupação para outra, de uma fase da vida para outra.

Consegue visualizar com clareza o que tem, onde está, quanto rendeu e quanto falta juntar, consegue unir previdência, reserva de emergência e investimento numa mesma experiência.

Consegue fazer contribuições automatizadas, poupar com arredondamentos de pagamentos, receber matching de incentivo e outros mecanismos inteligentes de acumulação.

Consegue começar com pouco e continuar poupando mesmo ganhando pouco.

Isso não é fantasia. Isso é exatamente o tipo de direção que as nova infraestrutura dos ativos digitais permite.

A Previdência Complementar vai aproveitar essa onda para se redesenhar ou vai observá-la de longe, com a altivez burocrática de quem sempre chega atrasado e ainda acha que chegou cedo?

UM TALENTO ESPECIAL PARA CHAMAR ATRASO DE PRUDÊNCIA

Esse talvez seja o ponto mais delicado. O Brasil tem um histórico impressionante de confundir prudência com paralisia.

Prudência é testar, regular onde cabe limite, criar salvaguardas, proteger o investidor e corrigir excessos. Paralisia é usar o medo como desculpa para não repensar o modelo.

Se a tokenização e os ativos digitais evoluirem como uma nova infraestrutura de acesso, mas o debate brasileiro continuar reduzindo tudo a caricaturas, o país corre o risco de perder mais uma vez o bonde da historia e da inclusão previdenciaria.

Aí meu irmāo, acontecerá o de sempre. Os mais ricos entrarão na festa primeiro, os mais sofisticados capturarão primeiro os ganhos de eficiência, as novas oportunidades de ganho chegarão antes ao topo do que à base.

E o sistema venderá isso como modernização, mas a desigualdade de acesso continuará quase intacta.

O TEMA NÃO É TECNOLOGIA, É OPORTUNIDADE DE ACESSO

Se Wall Street está apostando pesado na tokenização para ampliar o acesso aos investimentos, a previdência complementar deveria prestar atenção não por modismo, mas por sobrevivência.

A grande questão não é saber se o futuro da previdência complementar está nos ativos digitais, isso já está resolvido!

A grande questão é saber se esse futuro, em que os ativos sāo digiatis, servirá para incluir quem ficou de fora, estendendo a previdencia para todos, ou servirá apenas para oferecer uma versão mais moderna, elegante e eficiente da mesma exclusão de sempre.

A tecnologia que nos levou aos ativos digitais vai abrir essa porta ou só trocar a maçaneta?

So para constar, as pessoas invariavelmente encontrarao a chave da porta, com ou sem ajuda do governo, da mesma forma que eu encontrei a entrada … (nota: isso nāo é aconselhamento financeiro, nem sugestāo alguma de investimento, apenas uma amostra de que já estāo rolando alternativas de ganho passivo com ativos digitais) 👇

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fontes: “BlackRock is betting billions that tokenized funds will do for Wall Street what the internet did to mail”, escrito por Helene Braun.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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