quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O RISCO QUE PAGA A CONTA: OS FUNDOS DE PENSĀO PRECISAM PARAR DE CONFUNDIR PRUDÊNCIA COM PARALISIA

 



De Sāo Paulo, SP.


Existe uma ideia confortável — quase reconfortante — que ronda os conselhos deliberativos dos fundos de pensão:

“Previdência não é para enriquecer. É para proteger.”

É bonito, poético, ético, seguro … e perigosamente incompleto.

No mundo real, dominado pelos planos de contribuiçāo definida (CD):

Não é a ausência de risco que ameaça a aposentadoria, é a ausência de retorno.

O mito da estratégia 100% passiva

Durante anos, principalmente depois da pandemia do Covid-19, muitos fundos de pensão brasileiros e estrangeiros adotaram uma postura quase monástica, uma estratégia passiva de investimentos, previsível e silenciosa:

  • Comprar títulos públicos;
  • Carregar até o vencimento; e
  • Repetir o ritual.

O problema é que o mundo ao redor virou um parque de diversões macroeconômico com ciclos de juros globais, inflação estrutural, disrupção tecnológica e novos ativos digitais, embalados por uma longevidade que nāo para de esticar o tempo de pagamento dos benefícios.

Nesse cenário, ser 100% passivo não é ser conservador, é ser vulnerável.

Estratégias ativas de investimentos não significam “apostas de cassino”, significam:

  • Alocação dinâmica entre classes de ativos;

  • Gestão profissional dos riscos;

  • Busca disciplinada por prêmios de risco onde eles realmente existam.

Ou seja: não tem a ver com correr atrás do mercado e sim nāo ficar parado e estagnado, sentado em cima de uma pilha de titulos publicos que limitam os retornos.

Risco não é vilão — desde que controlado


Credito de Imagem: iStock

Outro mito muito popular é que fundos de pensão devem investir sempre com risco mínimo, quase zero. A pergunta que ninguém gosta de fazer é:

“Risco mínimo para quem?

Para o Diretor de Investimentos, que hoje não quer correr o risco de ter que dar explicações desconfortáveis na próxima reunião do conselho?

Ou para o participante, que amanhã vai viver 25, 30, talvez 40 anos após se aposentar e depender da rentabilidade creditada no seu saldo de conta ao longo do caminho?

Assumir risco de forma ordenada, profissional e transparente não é imprudência, é antes de tudo, dever fiduciário da previdência complementar.

O verdadeiro erro não é perder rentabilidade em um ano ruim, mas sim garantir, com perfeição técnica, uma aposentadoria medíocre depois de passar três décadas limitando o retorno dos investimentos.

Risco do participante, responsabilidade do fundo

Nos planos de contribuição definida (planos CD) existe uma confusão conceitual, perigosa até:

A ideia de que cabe ao fundo de pensāo ou ao diretor de investimentos “proteger” o participante de si mesmo, limitando suas escolhas.

Na prática, o papel moderno de um fundo de pensāo deveria ser outro:

  • Oferecer no plano CD, portfólios com diferentes níveis de risco;

  • Fazer o assessment (avaliaçāo) do perfil de risco do participante;

  • Investir pesado em educação financeira e previdenciária;

Então, permitir que ele acesse estratégias mais arrojadas e maior risco em seus investimentos.

Liberdade sem educação é abandono, porém: 

Educação sem liberdade é paternalismo financeiro nāo solicitado.

Desacumulação com 100% em renda fixa?

Aqui mora um dos maiores paradoxos da previdência complementar moderna, que parece ter ficado parada no tempo:

  • O participante passa 30, 40 anos investindo para crescer sua poupança, seu patrimônio previdenciário e …

  • … no momento em que começa a sacar, o sistema empurra tudo para a renda fixa, como se nos 30, 40 anos seguintes, o risco tivesse acabado, desaparecido.

A longevidade atual mudou essa equação.

A fase de desacumulação virou, na prática, uma nova fase de investimentos de longo prazo.

Alocar 100% em ativos conservadores nesse momento (da desacumulaçāo) pode parecer seguro no curto prazo — e ser devastador no longo.

Quando desempenho vira problema jurídico

Nos Estados Unidos, a lógica é diferente da nossa. Lá, fundos de pensāo, planos 401k (como eles chamam os planos CD corporativos) e patrocinadores que apresentam desempenho sistematicamente baixo, não são apenas criticados — são processados.

A tese é simples e brutal:

  • Se existiam alternativas melhores, mais baratas ou mais eficientes …

  • … e o gestor não as ofereceu, isso pode ser visto como falha no dever fiduciário.

Na quinta feira da semana passada o plano 401k da Bloomberg - cujo patrimônio soma mais de US$ 5 bilhōes - foi acusado de má gestāo dos investimentos em uma açāo impetrada em Nova York.

Os cerca de 20.000 participantes pedem US$ 70 milhōes em ressarcimento. Alegam que o fundo de pensāo nāo tirou do plano dois perfis de investimentos que apresentaram performances ruins por mais de uma década. Um deles, entregou por 16 anos retornos muito abaixo do benchmark.

Credito de Imagem: InvestNews

O escritório de advocacia Charles Field, que defende os participantes do plano da Bloomberg, declarou à imprensa que:

“Casos como este contra a Bloomberg são uma ferramenta importante para proteger as economias de aposentadoria arduamente conquistadas pelos funcionários e garantir mudanças positivas contínuas na gestão de planos de aposentadoria".

"Isso é especialmente importante para grandes planos como o da Bloomberg, que detém bilhões de dólares das economias de aposentadoria de seus funcionários".

Ou seja: não buscar retorno sob a alegaçāo que está sendo prudente, nāo está incorrendo em riscos nos investimentos, coisa e tal, pode ser considerado uma forma de negligência. Imagine se a moda pega por aqui ….

Não enriquecer, nāo significa empobrecer

Existe um discurso confortável de que previdência não deve buscar o crescimento máximo do patrimônio, mas sim apenas preservá-lo.

O problema é que, em um mundo com inflação persistente, longevidade crescente e mercados financeiros cada vez mais sofisticados, preservar patrimônio sem crescer é, na prática, ir perdendo devagar.

Talvez o maior risco nos fundos de pensão de hoje em dia não esteja nos mercados financeiros, nem nas classes de ativos alternativos ou nas estratégias ativas de investimentos.

Talvez, o risco esteja nas salas de reunião, escondido atrás de uma frase aparentemente virtuosa:

“Somos pautados pela prudência e baixo risco nos investimentos”

A previdência é implacável com quem confunde prudência com imobilidade.

O verdadeiro risco não está em buscar a melhor aposentadoria para as pessoas e sofrer perdas ao longo do caminho. O verdadeiro risco está em garantir, com excelência técnica, que a aposentadoria nunca melhore.


Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Bloomberg hit with $70M ERISA lawsuit over decade of 401(k) underperformance”, escrito por Alan Goforth.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts, na profunda experiencia profissional do autor e nas informações das fontes citadas.


FUNDOS DE PENSĀO: FICANDO VELHOS DEMAIS NUM MUNDO QUE ENVELHECE

 



De Sāo Paulo, SP.

Se você está contratando alguém em 2026, há uma chance cada vez maior do novo colega de trabalho ainda estar ressentido com o fim da “discoteca”.

Isso não é piada de RH, é estatística.

Os dados mostram que a idade média dos novos contratados subiu para 42 anos. Ao mesmo tempo, a participação dos trabalhadores com até 25 anos despencou. As empresas estão colocando para dentro quem tem experiência — não quem tem “potencial”.

Em plena era da inteligência artificial, o mercado resolveu que o “profissional verde” ficou caro demais.

Acontece que, enquanto o mercado de trabalho envelhece, os fundos de pensão continuam correndo atrás dos jovens para viabiliar a continuidade de seus planos de previdencia complementar corporativos.

Um mundo ao contrário

Por décadas, os planos de previdência complementar corporativos foram desenhados sobre uma suposição básica:

Haverá sempre uma fila de jovens entrando no mercado de trabalho e contribuindo, para substituir o patrimônio dos mais velhos, que saem e começam a reduzir seus saldos de conta.

Acontece que essa fila está ficando curta!

Com menos jovens no mercado formal de trabalho, mais pessoas acima de 60 e até 65 estāo sendo contratadas. A força de trabalho já não segue o roteiro tradicional do:

  1. Estuda,

  2. Trabalha,

  3. Aposenta,

  4. Desaparece do sistema produtivo.

Nesse novo cenário - que deverá se agravar ainda mais com a reduçāo populacional já dada como certa - a aposentadoria deixa de ser um evento único no tempo e passa a ser um processo intermitente, tipo:

  • Trabalha,

  • Desacelera,

  • Volta com velocidade total,

  • Sai,

  • Reentra,

  • Reduz jornada,

  • Muda de função,

  • Vira consultor, mentor, freelancer ...

O problema?

A maioria dos planos de previdência complementar corporativos e do sistema de fundos de pensāo, ainda trata a aposentadoria como um botão de “off”, só desliga.

Credito de imagem: Mercado Livre

O impacto silencioso sobre os fundos de pensão

Com essa tendência se consolidando — e tudo indica que sim, o mundo caminha nessa direçāo — os fundos de pensão vão enfrentar três impactos estruturais:

I. Contribuições e formaçāo de poupança mais irregulares

Carreiras fragmentadas geram um fluxo irregular de contribuição.

O modelo de “salário fixo, desconto fixo, crescimento linear da poupança” começa a parecer uma relíquia do museu corporativo, para onde os escritórios um dia irāo, inexoravelmente .

Sabe aquele plano do seu fundo de pensāo que permite suspender as contribuiçōes a qualquer momento, mas exige que se espere seis meses para retomá-las? Ou que permite alterar o percentual de contribuiçōes duas vezes por ano?

Coisa ultrapassada!

Desenhos de plano assim, com regras totalmente desalinhadas das novas realidades, precisariam, na verdade deveriam, ser revistos.

Quer contribuir por dois dias no mês? Quer poupar 5% do que recebeu por um trabalho ou projeto único? Faz um Pix da contribuiçāo. Pronto!

Tecnologia para fazer uma gestāo assim, totalmente flexivel, existe e custa “peanuts”.

II. Desacumulação mais longa e menos previsível

Se as pessoas vivem mais, trabalham por mais tempo e se aposentam em fases, o patrimônio não precisa apenas durar mais.

Ele precisa ser gerenciado em movimento contínuo, não congelado, estocado em renda fixa, como se o aposentado tivesse virado uma “estátua financeira”.

III. Planos corporativos em crise de identidade

Credito de Imagem: www.lingolandedu.com

O plano que nasce dentro da empresa para um funcionário “típico” de 25 anos e encerra o recolhimento de conribuiçōes aos 60, quando ele se aposenta, não conversa mais com um mercado em que o novo contratado entra na empresa aos 42 anos e pode trabalhar até os 75, 80 anos.

No desenho de plano de previdencia complementar dessa nova era, o participante pode estar recebendo renda e contribuindo ao mesmo tempo. Pode se “aposentar” por um perido de anos ou meses, se “desaposentar” e voltar à ativa, receber renda, fazer contribuiçāo, tudo simultaneamente.

Vamos parar de falar em plano de aposentandoria e começar a falar em plano de segurança financeira.

O fim do “produto padrão”

O grande risco hoje em dia para os fundos de pensão:

Não é demográfico. É conceitual!

Os produtos atuais — aqueles pacotes fechados, planos com perfil conservador, moderado e agressivo, com data-alvo para parar a formaçāo de poupança e regra rígida de migração dos investimentos para renda fixa — foi desenhado para um mundo em que a interrupçāo do trabalho era previsível no tempo.

Esse mundo acabou. Zilt. Fim. The end. No more baby!

No lugar dele, surge um participante que:

  • Pode trabalhar por necessidade, não por escolha;

  • Ou pode trabalhar por propósito, nāo por dinheiro;

  • Pode alternar períodos de renda alta, com tempos de renda baixa;

  • Mistura salário de emprego formal com honorários PJ de consultoria;

  • Entrelaça investimento com retirada,

  • Une previdência com consumo.

Esse participante não quer um plano.

Ele quer um sistema de poupança adaptativo, um saldo de conta em que ele aperta o botāo on ou o botāo off de acordo com suas circunstâncias do momento.

O que os fundos de pensão podem fazer

Se os novos profissionais contratados estão envelhecendo, os fundos de pensão precisam rejuvenescer — não na idade, mas na arquitetura, nos produtos, nos servicos, nas soluçōes.

Seguem algumas provocações do TECONTEI? para o conselho deliberativo do seu fundo de pensāo colocar na pauta (considere isso um free consulting):

i) Previdência em módulos, não em pacotes.

Contribuição totalmente flexível, “pausável”, retomável. Como um streaming financeiro: você ajusta o plano ao momento de vida, não o momento de vida ao plano.

ii) Desacumulação inteligente, não defensiva

A lógica de “chegou aos 60, vai tudo para renda fixa” faz cada vez menos sentido em um mundo com longevidade estendida e aposentadoria em camadas.

Se o saldo de conta vai continuar sendo investido por 30, 40 anos depois que o ritmo de trabalho for reduzido, com saidas e entradas em diversos montantes, será preciso otimizar o retorno, isso exige uma “estratégia ativa” de investimentos.

Sabe aquela historia de sentar em cima de uma montanha de titulos publicos? Como diria um consultor amigo meu: “forgetti it”.

iii) Um mundo corporativo e individual, coletivo e personalizado

Se a carreira é móvel, fluída, o plano também precisa ser.

O plano de previdência complementar não pode ser uma “soluçāo fechada, dentro da empresa” — tem que virar uma plataforma que acompanha o participante fora dela.

iv) Educação como produto, não como palestra anual

Se o mercado de trabalho virou um labirinto, a previdência precisa virar um GPS.

Perfil de risco, escolha de portfólio e decisões de retirada não podem continuar a ser tratadas como regras de gestāo do plano. São decisões de vida.

O paradoxo da previdência

Credito de Imagem: Shutterstock

O mercado sinaliza vida dificil nāo apenas para o profissional “verde” — jovem, inexperiente, que está apostando no futuro. Indica, também, que a vida ficará cada vez mais dificil para os negócios que dependiam deles.

Diante desse cenario, os fundos de pensão correm o risco oposto: estāo ficando velhos demais em um mundo que está mudando e envelhecendo demais.

Enquanto as empresas contratam experiência para sobreviver à era da IA, a previdência precisa contratar imaginação para sobreviver à era da longevidade, da reduçāo populacional e do trabalho sem aposentadoria.

O maior risco para sobrevivência dos fundos de pensāo, no fim das contas, não é as pessoas estarem vivendo demais.

O que pode tornar os fundos de pensāo irrelevantes, é continuar tentando financiar o futuro com regras desenhadas para um passado que se aposentou …

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Boomers are staying in the job market as Gen Z struggles to break through”, escrito por Taylor Telford para o The Washington Post.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts, na profunda experiencia profissional do autor e nas informações das fontes citadas.


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