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domingo, 28 de abril de 2019

Porque ajustamos a resposta para se encaixar naquilo que buscamos: pense que precisa poupar mais para aposentadoria


De São Paulo, SP

Sob diversos aspectos a vida hoje é muito melhor do que era um século atrás, a humanidade tem evoluído dramaticamente
Vivemos com boa saúde até idades mais avançadas, há menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza e graças à saúde pública quase não morremos mais de doenças infectocontagiosas
Claro que ainda existem inúmeros problemas a resolver e precisamos melhorar cada vez mais em áreas em que já avançamos bastante.
A maioria das pessoas, porém, discute e argumenta com uma visão negativa da vida, como se o mundo fosse terminar amanhã. Não parecemos felizes nesse mundo de relativa abundância.
As preocupações atuais recaem sob o fim da vida na terra por causa das mudanças climáticas, os robôs tomando conta dos nossos empregos e nossa incapacidade de acompanhar o ritmo das novas tecnologias.
Um grupo de cientistas pode ter encontrado uma explicação para essa visão negativa que muitos carregam das coisas à sua volta.

Eles chamaram isso de “mudança conceitual induzida-pela-prevalência”.

“Quando parte de um conceito se torna menos prevalente, o conceito pode se expandir para que inclua outras partes, que anteriormente excluía, mascarando assim a magnitude de seu próprio declínio”.

Explicando: quando estamos procurando algo, por exemplo, um mal comportamento e aquilo que consideramos mal comportamento diminui, nós expandimos nosso conceito para incluir o que antes quase não considerávamos mal comportamento. Ou seja, expandimos a régua daquilo que classificamos como “mal”.

Os pesquisadores realizaram vários testes, nos quais os participantes tinham que classificar o que consideravam pontos de cor azul dentre uma série de pontos cuja cor variava do tom “muito azul” para “muito roxo”.

Depois de algumas rodadas do experimento, os cientistas reduziram a quantidade de pontos de tonalidade azul e os participantes reagiram selecionando como pontos azuis aqueles que antes consideravam roxo – a definição da categoria “azul” se expandia na medida que diminuía a quantidade de pontos azuis na amostra.

Em outro teste, os pesquisadores se depararam com efeito semelhante quando os participantes tiveram que identificar rostos agressivos de um grupo de faces humanas que variavam de “muito agressiva” para “não muito agressiva”. O mesmo foi verificado, ainda, em uma bateria de testes separando propostas de pesquisas consideradas antiéticas de propostas de pesquisas éticas.

No teste dos pontos azuis, quando aumentou o número de pontos azuis ao invés de diminuir, o resultado foi o inverso – pontos que anteriormente foram considerados azuis, repentinamente passaram a ser desconsiderados.

O mais impressionante é que esse efeito continuou acontecendo mesmo quando as pessoas foram alertadas que estavam agindo assim e mesmo quando as pessoas foram pagas para não cair nessa armadilha.

Esses experimentos parecem provar que somos incapazes de adotar conceitos rígidos e somos suscetíveis a idas e vindas.

No entanto, deve ser notado que esse efeito ocorre quando as pessoas estão procurando por partes de um conceito – a categoria azul se expandiu quando as pessoas procuravam pontos azuis, faces neutras se tornaram ameaçadoras quando a missão das pessoas era procurar rostos ameaçadores.

Em circunstancias normais, nas quais as pessoas não estão procurando ativamente rotular certas coisas, elas não são suscetíveis às mesmas mudanças de conceito.

Se eu permanecer indiferente a atos de agressão ou de gentileza dirigidos à mim, ainda que mude a frequência de qualquer desses dois atos, será mais provável que eu reconheça essa mudança ou eu tenderei a mudar minha definição?

Será que algum dia vou considerar um sorriso amistoso como um ato de agressão? É bem provável que exista um limite para o alcance dessa mudança de conceito

Talvez alguns pontos roxos se tornem azuis, mas será que jamais vamos rotular um ponto vermelho como sendo azul? Claramente existe um limite para as categorias que se expandem. Eu pelo menos espero que exista, porque sempre há um monte de pessoas procurando o que quer que “mal” signifique para elas.

“Quando bananas amarelas se tornam menos prevalentes, o conceito de ‘maduras’ de um consumidor se expande e passa a incluir as bananas pintadas (passando do ponto de maduras), mas quando crimes violentos se tornam menos comuns, o conceito que um policial tem de ‘agressão’ não se expande para incluir atravessar a rua fora da faixa”.

Ainda que o mundo esteja se tornando melhor, parece que não somos tão inclinados a notar essa mudança. Quando os elementos negativos são reduzidos, tendemos a encontrar negatividade em elementos que antes não considerávamos negativos. Se estamos atentos às coisas boas e elas aumentam em quantidade, nossa definição do que é bom pode se reduzir para excluir exemplos do que anteriormente considerávamos bom.

Essa, claro, é a direção que gostaríamos de ver o mundo caminhar, mas seria legal se fossemos mais conscientes daquilo que já conseguimos realizar ao longo do caminho.

Então, vamos tratar como exceção a poupança para a aposentadoria, poupar nunca vai ser demais, continue poupando!


Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo “The Psychology of Finding What You’re Looking For”, escrito por Sam Brinson.

Crédito de Imagem: https://www.coloradomesa.edu/social-behavioral-sciences/degrees/psychology/index.html


domingo, 24 de fevereiro de 2019

Um robô com inteligência artificial é feito para ser inteligente, não para ser humano - Poupe para a aposentadoria com a inteligência de um robô.




 De São Paulo, SP.

Se quiser passar no “Teste de Turing” um robô falando com você do outro lado do celular, precisa te convencer de que ele é uma pessoa de carne e osso.

Para isso, o robô precisa responder a uma série de perguntas, como diria o Presidente, sem fraquejar. Brincadeirinha! O robô falando com você não pode deixar você perceber que está conversando com uma máquina.

“Um computador merece ser chamado de inteligente se puder enganar um humano fazendo-o acreditar que é humano” — Alan Turing

Mas afinal, convencer uma pessoa numa situação dessas prova o quê? Inteligência? Na verdade, não. O que o teste mostra para nós é que um computador pode se passar por uma pessoa. É um teste para o computador fingir que é humano.

Passar num teste assim pode não ser grande coisa. Isso porque as pessoas, frequentemente, não são lá tão inteligentes. Tendemos a cometer erros de julgamento, somos tendenciosos, tomamos decisões irracionais e somos passíveis de manipulação.

Na realidade, nossos erros e vieses de julgamento em diversas situações, são até previsíveis, como nos ensina Dan Ariely em seu magnifico livro “Previsivelmente Irracional”. No livro Ariely mostra que cometemos erros de maneira incrivelmente repetitiva.

A natureza humana evoluiu para sobreviver e procriar, não para ser lógica e racional. Muitas de nossas decisões são baseadas em emoção e intuição e não o resultado de cuidadosas análises embasadas pela racionalidade. A maioria de nossas decisões são adotadas pelo cérebro em nível subconsciente, conforme amplamente comprovam os estudos de Neurociência.

Prova disso é que muitas pessoas não poupam para a aposentadoria, o que seria para lá de lógico, racional e inteligente todo mundo fazer né!

Isso não significa que o genial Alan Turing estivesse errado. 

Apesar de nossa tendência a cometer erros, somos considerados a espécie mais inteligente do planeta – pelo menos, até agora. Portanto, se pudermos ser convencidos de que uma máquina é uma pessoa, claro que deveríamos dizer que ela é inteligente.

No entanto, ser inteligente é ser mais do que as pessoas são. Alguns de nossos comportamentos são inteligentes, outros não. Determinados comportamentos, por mais inteligentes que sejam, nós nunca adotamos.

Os computadores podem fazer uma série de cálculos inteligentes e tomar decisões de modo que nós nunca havíamos pensado antes. Deveríamos desconsiderar esse tipo de inteligência só porque nunca seria considerada humana?
Teste de Inteligência versus Teste de Humanidade

Qualquer coisa querendo se passar por uma pessoa precisaria falhar de acordo com os mesmos erros de comportamento que os humanos cometem.

Uma máquina que não comete os mesmos erros que uma pessoa, falhará no teste de humanidade. Já uma máquina que erra igual a uma pessoa, estará se tornando burra ou nivelando sua inteligência com a “inteligência” humana.
Nenhuma dessas opções é interessante.
Inteligência Artificial nível-humano 
 
Se um computador for tão inteligente quanto uma pessoa, então cometerá os mesmos erros que nós cometemos. Mas ué! Isso (errar) não é exatamente o que um robô com IA - inteligência artificial não deveria fazer?

IA é essa grande inovação em função do seu potencial de melhorar aquilo que os humanos são, em particular, superar nossas fraquezas e deficiências. Para ser justo, a IA já é melhor do que nós em muitas áreas.

Os assistentes de voz encontrados no mercado, raramente cometerão erros de gramática nem, provavelmente, farão cálculos matemáticos errados. As pessoas sim, cometem erros desse tipo.

Inteligência não se resume a dominar uma habilidade, envolve o domínio de muitas habilidades.

A IA está lentamente elevando seu nível em direção a inteligência humana. Para se passar por uma pessoa a IA precisaria, simultaneamente, melhorar e piorar, se tornar mais esperta e mais estúpida.

Como saberemos quando ela tiver nos alcançado?
IA nível-mega inteligente

Uma IA que propositalmente forçasse sua burrice seria preocupante por motivos não tão óbvios. Você ficaria impressionado ou se sentiria manipulado por um algoritmo que conseguisse te convencer de que é humano?

O próprio Turing estabeleceu que um computador seria inteligente quando conseguisse nos enganar fazendo a gente pensar que é humano. Claro, saberíamos que por trás daquela fachada computacional haveria muito mais domínio de informações e processamento de dados do que nosso cérebro seria capaz de processar.

Mas não seria um insulto interagir com uma máquina mais inteligente do que nós que apesar disso, ficasse tentando nos imitar e insistindo em nossos erros? Não seria esquisito saber que poderia ter uma inteligência muito melhor que a nossa, corrigir nossos erros e que mesmo assim só estaria querendo andar, falar e agir como nós? 

O homem sempre construiu ferramentas e meios para superar suas deficiências. Carro para andar mais rápido, avião para chegar mais longe, martelo para imprimir força concentrada, óculos para enxergar direito e por aí vai.

O propósito da IA é ser mais inteligente do que nós e não ser um humano melhor do que nós. Então, o que queremos de uma máquina é a maior inteligência possível.
A “mente” de um robô

Os robôs em suas mais variadas formas e finalidades terão uma “mente” – se é que podemos chamar a IA assim – diferente da nossa. Não vamos querer uma IA que fique com raiva ou que tenha ciúmes. Também não havemos de querer uma IA que possa ser convencida de que a terra é plana (essa é a parte da idiotice) ou que algumas pessoas são melhores do que outras.

Ou seja, vamos querer separar a natureza humana e pegar apenas a parte que consideramos boa para, então, achar uma maneira de programar isso num computador.

Ainda assim, o funcionamento dessa mente robótica feita da parte boa seria imensamente diferente da nossa. A IA será capaz de reter, de uma única vez, muito mais coisas na mente do que nós somos. Não esquecerá como esquecemos. Será capaz de pensar em 3-4 ou mais dimensões. Conseguirá pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo.

Seria um esforço inútil tentar forçar um sistema único desses a pensar e se comportar da maneira que as pessoas agem. Mal comparando, seria como tentar rodar o MacOS Mojave num PC que roda Windows. Como o hardware não foi desenvolvido para aquele sistema operacional seria necessário um esforço muito maior para funcionar.

Ou seja, se você está tentando desenvolver humanidade em um computador, você estaria tentando rodar um sistema operacional baseado em biologia químico-orgânica em uma máquina feita de chips, circuitos e componentes eletrônicos que funcionam de forma específica.

A IA deverá ser imbuída de alguns elementos humanos. Seria bom falar as mesmas línguas que nós falamos, para que a forma de interagirmos e nos comunicarmos com ela nos seja familiar.

Também deverá ter determinadas emoções (ou algo que funcione como uma emoção) para ajudar a nos direcionar para o caminho certo e de forma amigável ao ser humano, com comportamentos e cognição – empatia, por exemplo.

Ainda, a IA pode ser programada para mostrar certas emoções que ajudam na nossa interação e relacionamento com terceiros ou que nos fazem sentir confortáveis. Isso, claro, sem que a IA sinta ou experimente essas emoções da mesma maneira que um ser humano o faz.

Os algoritmos da IA também podem ser desenhados para ler as emoções das pessoas e responder de forma apropriada. Nenhuma dessas programações, no entanto, fará a AI assumir a condição humana.

Um algoritmo que tenha medo da sua própria morte, que consiga odiar alguém ou alguma coisa ou que fique aborrecido quando estiver perdendo um jogo, provavelmente não funcionará muito bem.

Vamos ter que achar e selecionar com equilíbrio suficiente os elementos emocionais entre humanidade e “roboticidade”. Conforme bem definido por Patrick Lin – Diretor de Ética + Grupo de Ciências Emergentes da Cal Poly (California Polytechnic State University): “Quando dizemos que os robôs têm emoções, não significa que eles fiquem alegres ou tristes ou passem por estados mentais. Significa que eles apresentam comportamentos que nós humanos interpretamos dessa ou daquela forma”.  
IA artística

Ao acharmos um meio de fazer a IA ter seu próprio "eu" e trabalhar junto conosco, ao invés de tentar simular a mente e o comportamento humanos, estaremos ajudando a reservar determinadas áreas para os humanos – arte é um bom exemplo.

Sem o espectro completo de emoções que as pessoas possuem, conseguiria a IA criar arte e música verdadeiramente tocantes?

As artes plásticas costumam provocar reações emocionais. Sabemos que muitos dos grandes trabalhos artísticos foram produzidos a partir de sentimentos negativos como decepções amorosas, saudade e tristeza.
Sim, já existe arte desenvolvida por IA que conseguiu produzir alguns resultados interessantes que poderiam se passar por criações humanas. A despeito disso, a arte produzida por IA depende de:
1.    Definição de regras: Antes da IA criar qualquer coisa que possamos apreciar, os engenheiros humanos precisam estabelecer os limites ou definir as regras do campo de criação – restringindo o programa a certo estilo em música, por exemplo.
2.    Aprendizado com os melhores: a IA é treinada a partir de exemplos de arte produzida por outras pessoas – acaba, assim, com um conceito homogeneizado de arte. A IA foi capaz de criar novos trabalhos seguindo o estilo de pintores famosos e criou músicas que soam como os Beatles, ou seja, a IA fica presa aos limites desses artistas.   
Nós também fazemos dessa forma, claro – estudamos música e praticamos instrumentos copiando nossos ídolos. 
Mas não paramos aí. Simplesmente seguir as regras e copiar os maiores artistas não garantirá que você fará músicas que as pessoas vão querer ouvir. Com imitações baratas você provavelmente vai apenas diluir o mercado de um estilo já suficientemente explorado por outros artistas.
A chave para uma boa arte é desenvolver algo a mais, levar a um lugar novo, elevar a um nível inesperado ou nunca atingido antes e fazer isso de uma forma que provoque uma resposta emocional, conforme a intenção do artista.
Será que conseguimos que a IA crie seu próprio estilo que não seja simplesmente uma réplica de outro artista? 
Conseguiríamos que criasse um estilo que não seja apenas uma “média” de tudo que aprendeu? Será que conseguimos – e essa é a grande questão – fazer a IA criar um estilo de arte que mesmo desconhecido nos sensibilize, algo que provoque emoção nas pessoas, não aleatoriamente, mas intencionalmente?   
De modo a criar algo ao mesmo tempo bom e novo a IA teria que saber quando e como quebrar as regras. Você pode programar uma escala musical e como se mover entre os acordes, mas será que conseguiria ensinar como quebrar essas regras e se afastar dessas estruturas quando o contexto emocional da música demandar – e fazer isso da forma esteticamente mais prazerosa?
Sem uma mente semelhante à de uma pessoa, sem a habilidade de associar o espectro completo de emoções ou de sentir por si mesmo a música e a arte da maneira que nós sentimos, as chances da IA nos levar às lágrimas através da música são praticamente impossíveis. Iria precisar constantemente de um julgamento humano para nos dizer: “Ei, essa música é legal!”, porque simplesmente não seria capaz de julgar por si mesmo.
Separados seguiremos

Se a arte ficará livre da automação graças a complexa interação entre regras, criatividade e emoções, então talvez outras áreas possam ficar também.
Campos que requerem certos níveis de inteligência emocional e habilidades relacionadas à condição humana podem permanecer empreendimentos largamente humanos.
Música, arte, cinema, literatura, esportes, ilustração e muitos outras atividades ligadas à criação, requerem a distorção da psique humana de um modo que apenas outro ser humano possa apreciar ou prever.
Não deveria ser assim mesmo? Deixemos os computadores lidarem com dados e processamento, deixemos que eles conduzam análises mais detalhadas e melhorem nosso processo decisório que é apoiado somente na lógica. Mas deixemos as pessoas lidem com o subjetivo e com os mundos interiores de outras pessoas.  
Olhando para o futuro, na medida em que os computadores aumentem seu poder e inteligência, a IA provavelmente vai criar arte capaz de nos tocar. Vai desenvolver coisas novas. 
Com nossa ajuda, poderá entender, mesmo que não seja capaz de sentir, a forma que reagimos emocionalmente. Saberá, mesmo que não consiga vivenciar por si só, como e quando usar determinadas emoções da mesma forma que nós fazemos.
Mas deveríamos almejar isso? Eu não quero ser convencido de que um computador superinteligente é uma pessoa. Eu não quero algo que é capaz de solucionar problemas complexos, desperdiçando tempo tentando agir como um cérebro. Deixemos que fale como o Spock, deixemos me convencer que é esperto, deixemos se exibir resolvendo problemas que eu nunca conseguiria resolver.       
Deixemos a condição humana, a volatilidade emocional e com ela a arte, para nós, humanos.
“... parece que dar a IA a compreensão da condição humana seria apenas mais uma forma de nos tornar obsoletos – e nesse processo, renunciar a qualidade final que nos diferencia das máquinas e nos torna humanos” (Singularity Hub).
Poupe para a aposentadoria com sua inteligência humana, porque a IA não vai precisar disso!
Abraço, com calor humano,
Eder.

Fonte: Adaptado do artigo “All Too Human—Why Passing the Turing Test is a Bad Idea “, escrito por Sam Brinson. 
Crédito de Imagem: Photo: NA Films/ Film4/ Universal Pictures

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Caminhe na contramão da raça humana e mostre que seu QI está aumentando - poupe para a aposentadoria


De São Paulo, SP.


Quociente de Inteligência é um valor obtido por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito. É a expressão do nível de habilidade de um indivíduo num determinado momento em relação ao padrão ou normas, comum à sua faixa etária, considerando que a inteligência de um indivíduo, em qualquer momento, é o ‘produto’ final de uma complexa sequência de interações entre fatores ambientais e hereditários”.

Essa é a definição de QI na Wikipédia.

Os testes de QI das últimas três décadas revelam uma tendência preocupante. Novas pesquisas concluíram que o QI médio dos humanos vem caindo.

Os potenciais culpados são a piora na nossa alimentação - particularmente, menor consumo de peixes – baixa educação e o surgimento de novas tecnologias.

A tendência surpreende porque nos primeiros anos do século 20, as pessoas estavam ficando mais inteligentes.

A melhora no QI que o ser humano experimentou anteriormente foi chamada de “Efeito Flynn” ou Flynn effect, em homenagem ao Psicólogo americano responsável pelas pesquisas do assunto.

Acontece que aquela tendência de aumento do QI no século passado foi interrompida e está caminhando na direção contrária. 

Ao longo dos últimos vinte ou trinta anos, os humanos começaram a ficar mais tapados, sugerem pesquisadores da Noruega.

Os dados nos quais eles se baseiam são provenientes de testes compulsórios de QI aplicados nos jovens que entraram para o serviço militar na Noruega entre os anos de 1970 e 2009.

Os 730.000 resultados dos testes indicam uma queda média de 07 pontos no QI a cada geração, sendo cada geração composta por cerca de 25 anos.

Esse não é o primeiro estudo apontando que o QI médio está caindo. 

Dados do Reino Unido e dos países Escandinavos, incluindo a Finlândia, Noruega e Dinamarca, também sugerem estar havendo uma redução no QI.

Mas porque o QI está caindo?

O Efeito Flynn foi explicado como resultado do aumento na nutrição, de uma melhor educação, de melhora no ambiente social e por aí vai.

Resumindo em uma única palavra: progresso. Então, como explicar agora que os scores de QI estejam caindo?

O estudo foi procurar a causa em fatores genéticos, mas não encontrou evidências de que essa fosse a explicação. Escreveram os autores da pesquisa: 

“…mostramos que o aumento, o ponto de inflexão e o declínio no efeito Flynn podem ter resultado de variações nos scores de inteligência dentro de uma mesma família. As grandes mudanças nos pontos médios das diversas faixas de inteligência são um reflexo de fatores ambientais...”.

Isso nos deixa com a possibilidade de que após progredir até os anos 1970, a sociedade começou a regredir.

Nutrição ruim, piora na educação, novas tecnologias e ampliação das mídias, são fatores que podem ser culpados, escrevem os autores:

“… nossos resultados são consistentes com as diversas hipóteses propostas para explicar a redução do QI: alterações na qualidade ou na exposição à educação, mudanças na exposição à mídia, piora na nutrição ou na saúde.”

Em outras palavras, a raça humana pode estar tornando a si mesma mais estúpida com seu próprio estilo de vida.

Se você está poupando para a aposentadoria, pode se considerar na contra mão da humanidade, você está ficando mais inteligente!

Grande abraço,

Eder.



Fonte: Adaptado do artigo “These Huge Changes In Human IQ Are Frightening” publicado no PSYBLOG.
Crédito de Imagem: http://www.guaranoticias.com.br/noticias/ler/id/27792

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Decisões financeiras, o envelhecimento do cérebro e os planos de previdência complementar

Com a troca dos planos de benefício definido pelos planos de contribuição definida, o bem estar dos aposentados passou a depender cada vez mais da habilidade deles tomarem decisões financeiras adequadas ao longo da aposentadoria.

Isso tem causado preocupação porque o declínio cognitivo que acompanha o envelhecimento pode comprometer a capacidade dos idosos de tomarem decisões, por conseguinte, ameaçando seu bem-estar financeiro.

“Os médicos precisam entender como o envelhecimento do cérebro, seja este sadio ou afetado por doenças neurológicas, impacta a tomada de decisões financeiras”, diz o Dr. Mark Lachs da Weill Cornell Medical College em Nova York. “Pessoas idosas podem não ter renda suficiente nem um horizonte de investimentos longo o bastante, que permitam recuperar perdas”, completa ele.
Uma perda considerável de recursos pode resultar em mudanças dramáticas na qualidade de vida desses idosos, sendo inconsistente com as escolhas que fizeram quando eram mais jovens.
O Dr. Lachs e seu colega Duke Han, do University Medical Center em Chicago, definiram a “vulnerabilidade financeira” associada à idade, como um padrão de comportamento arriscado relacionado a dinheiro, que coloca adultos mais velhos em perigo substancial.
Metade dos casos de abuso de idosos recai na exploração financeira. Os idosos ficam financeiramente vulneráveis por fatores que incluem declínio cognitivo ou emocional, deficiência visual, auditiva ou de mobilidade, progressão de doenças graves e isolamento social. Além disso, determinados medicamentos podem contribuir para o declínio cognitivo tornando mais difícil para adultos mais velhos gerenciarem seu dinheiro.
"No mundo ideal, faria sentido mensurar a vulnerabilidade financeira como parte da avaliação regular e periódica dos problemas mais comuns relacionados ao envelhecimento, como quedas, questões de mobilidade, dificuldades para dirigir automóveis ou nas atividades cotidianas, causados por mudanças cognitivas e que frequentemente afetam a vida e saúde dos adultos mais velhos”, comenta o Dr. Eric Widera, especialista em geriatria da Universidade da Califórnia em São Francisco.
Assim, quando a vulnerabilidade financeira fosse diagnosticada e enquanto os indivíduos ainda tivessem a capacidade de tomar decisões, eles poderiam pensar em coisas como planejamento financeiro antecipado e na indicação de alguém, por exemplo, um membro da família, para tomarem determinadas decisões em seu favor.
As pessoas também poderiam dar alguns passos na meia-idade para melhorar sua proficiência financeira, ficando de olho nos sinais antecipados de que precisam de ajuda para gerenciar seu dinheiro, na opinião do Dr. Leslie Kernisan, um geriatra americano que mantem um blog sobre o assunto (GeriatricsForCaregivers.net).
Um estudo intitulado “Como o envelhecimento afeta nossas decisões financeiras” (How does aging affect financial decisions) publicado em 2015 pelo Centro de Pesquisas da Aposentadoria (Center for Retirement Research) do Boston College mostrou alguns aspectos desse problema.
Um grupo de idosos, com idade média de 82 anos e razoavelmente bem-educados, foi acompanhando por alguns anos. O score obtido num conjunto de 19 testes aos quais os indivíduos eram submetidos anualmente possibilitou medir as alterações cognitivas experimentadas ao longo do tempo. Foram excluídos os indivíduos diagnosticados com sinais de demência ao responderem o primeiro questionário no inicio do estudo. O conjunto de testes foi usado para identificar o efeito ano a ano do declínio cognitivo no processo de tomada de decisões, avaliando três aspectos:
  1. Se o declínio cognitivo reduz a proficiência em assuntos financeiros e, consequentemente, a habilidade de tomar boas decisões;
  2. Se aqueles com declínio cognitivo perdem a confiança na sua própria capacidade de gerenciar seu dinheiro; e
  3. Se estes são mais propensos a pedir ajuda para gerenciar suas finanças.

O resultado pode ser visto na tabela abaixo:


Efeito Estimado no Declínio de 1-Unidade na Cognição

 

Avaliação

Inicial

Após declínio na cognição

Proficiência financeira

% perguntas respondidas corretamente

    Habilidade geral

69,3%

61,5%

    Habilidade com números

69,6

61,1

    Habilidade com finanças

68,9

62,1

Confiança

Respostas numa escala de 0-10

    Autoconfiança

7,2

6,5

    Confiança no conhecimento financeiro

6,9

6,6

    Confiança em gerenciar suas finanças

8,1

8,0

Responsabilidade pelas decisões

% dos participantes

    O participante é responsável primário

87%

55%

    O participante procura ajuda

45

61

    Procura ajuda sem ser o cônjuge

29

46

O estudo confirmou que o declínio cognitivo, comum em indivíduos na faixa dos 80 anos de idade, está associado a um declínio significativo da proficiência financeira. Mostrou, porém, que grandes perdas na cognição e na proficiência financeira causam pouco efeito no nível de confiança que um indivíduo idoso possui em sua própria capacidade de tomar decisões financeiras e essencialmente, nenhum efeito na confiança que tem de poder gerenciar seu dinheiro apesar da diminuição de sua capacidade de tomar boas decisões financeiras.
Pessoas com declínio cognitivo são mais propensas a procurar ajuda para gerenciar suas finanças. Não obstante, conforme mostrou o estudo, mais da metade dos idosos com declínio significativo na cognição, busca ajuda apenas do cônjuge e de ninguém mais.
Dada a crescente dependência dos aposentados nos planos do tipo contribuição definida, a diminuição da cognição vai, provavelmente, causar um efeito adverso significativamente maior no bem estar dos idosos.

Fico imaginando um idoso tendo que avaliar qual percentual do saldo remanescente quer receber de renda em determinado ano. Ou então, tendo que decidir se muda o saldo para outro perfil de investimentos dentre os vários disponíveis. Ou ainda, se vai retirar um montante do saldo acumulado e receber na forma de pagamento único em dado momento ao longo da aposentadoria. Os desenhos dos planos de previdência complementar, permitem tudo isso e mais um pouco....

Algo preocupante se considerarmos que mais da metade daqueles experimentando um declínio cognitivo significativo retém a responsabilidade primária de gerenciar suas finanças.
Há solução? Sim, existem inúmeras medidas que podem ajudar. Os desenhos dos planos de contribuição definida, por exemplo, podem incorporar estratégias para ajudar os aposentados nas idades mais avançadas. Se quiser saber mais, me pague um café que eu te conto.

Abraço forte,
Eder


Fonte: Adaptado do artigo “Aging brain influences financial decision-making”, publicado pela Thonsom Reuters e na pesquisa “How does aging affect financial decison making?” de autoria de Keith Jacks Gamble, Patricia A. Boyle, Lei Yu e David A. Benneti publicado pelo Center for Retirement Research do Boston College.
Crédito de Imagem: Depositphoto e seniorslifestylemag.com
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