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domingo, 7 de abril de 2019

Sem reforma da Previdência Complementar a reforma da Previdência Social vai ficar capenga: Vamos pegar carona com o Tio Sam?


Plenárias do Congresso Americano e do Congresso Brasileiro




De São Paulo, SP.

No mesmo momento em que a Sociedade Brasileira debate a reforma da sua Previdência Social, ganha tração no Congresso Americano a mais profunda mudança nos planos de previdência complementar das últimas décadas.

Nossa reforma da previdência social ainda engatinha e sequer passou pela porta de entrada dos projetos de lei, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Já a alteração da previdência complementar americana foi aprovada por unanimidade na Tax-Writing Ways and Means Committee, uma Comissão chave para andamento dos projetos de lei no caso deles, algo como nossa Comissão de Assuntos Econômicos quando o assunto envolve tributação.

Isso aconteceu na terça feira da semana passada, dia 26 de março, enquanto a mídia brasileira se via absorta em questões do tipo golpe ou revolução. Vai vendo como se deixa o bonde passar ....

Mesmo diante de um Congresso amargo e polarizado (lembra vagamente um outro Congresso?) o projeto de lei americano, conhecido por “Secure Act” – algo como Lei de Segurança Financeira, em tradução livre – vem com apoio tanto da liderança Democrata como da Republicana.

A iniciativa americana surge em meio à grave crise da aposentadoria deles e busca endereçar problemas que são igualmente caros à previdência complementar brasileira.

O bill (projeto de lei) americano, visa aumentar a flexibilidade e melhorar o acesso, particularmente das pequenas empresas e seus empregados, aos planos 401(k) que são semelhantes aos planos de contribuição definida dos nossos fundos de pensão e os PGBL das seguradoras.

Resumidamente as mudanças, que nós também deveríamos urgentemente fazer aqui, incluem:
  • Uma série de incentivos voltados a encorajar os pequenos negócios a oferecerem benefícios de previdência complementar para seus trabalhadores;
  • Permitem que as pequenas empresas se juntem para oferecer planos de previdência complementar, criando um crédito tributário de US$ 500 para aquelas que implementarem planos com adesão automática;
  • Tornam obrigatório o acesso aos planos (benefícios) de previdência complementar aos empregados temporários com contratos de longo prazo; 
  • Adotam diversas medidas que afetam outras formas de poupança previdenciária, como expandir o uso dos planos 529 (um produto de previdência complementar voltado à poupança para pagamento da faculdade dos filhos) para incluir empréstimos estudantis e educação em casa. 
Traçando um paralelo com a situação brasileira, nossa legislação possui incentivo tributário para que as empresas criem planos de previdência complementar. Mas esse incentivo alcança apenas as grandes.

Como as pequenas e muitas vezes até as media empresas adotam a tributação pelo Simples ou Lucro Presumido - que seria o formulário simplificado das pessoas físicas - elas não se beneficiam do mesmo incentivo que as grandes empresas, tributadas pelo Lucro Real ou o equivalente ao formulário completo das pessoas físicas.

Não é à toa que mais de 90% das grandes empresas já ofereçam o benefício de previdência complementar para seus empregados, enquanto menos de 10% das pequenas empresas o façam.

Além disso, nossos planos de previdência complementar corporativos são voltados apenas para os empregados com contratos de trabalho permanente (sem prazo específico) e por tempo integral.

Ficam de fora dos planos corporativos todos os empregados com outros tipos de contrato de trabalho como os temporários, os contratados em tempo parcial, ainda que por prazo indeterminado e os estagiários, dentre outros.

Conforme declarou o Presidente da Comissão que aprovou o andamento do projeto de lei na Câmara dos Deputados Americana, o Deputado Richard Neil de Massachussetts:

“Os americanos estão enfrentando atualmente uma crise na aposentadoria, com pessoas demais correndo perigo de não terem renda suficiente para manterem seu padrão de vida e podendo escorregar para baixo da linha de pobreza”.

O Deputado classificou o projeto de lei como “uma realização bipartidária”, porque conta com o apoio tanto do partido da situação quanto da oposição.

É uma das poucas propostas legislativas com chance significativa de se tornar lei num congresso que vive aos tapas como o nosso. Lá figuradamente, aqui literalmente.

A grande diferença é que lá vigora o espírito da coletividade quando o assunto é maior do que os interesses partidários. Que inveja!!!

Esse foco no bem comum ficou muito bem sintetizado pela fala do próprio Deputado Richard Neill quando ele disse: “A Comissão de Assuntos Econômicos é onde encontramos as soluções e fazemos as coisas acontecerem para o povo americano”.

Nossos congressistas também tem a chance de adotar medidas positivas e modernizar o sistema de previdência complementar brasileiro, cuja última alteração de relevo ocorreu há quase 20 anos.

Poderiam fazer isso junto com a aprovação da reforma da previdência social, colocando os interesses coletivos acima de tudo.

Seria pedir demais?

Abraço,
Eder.



Fonte: Adaptado do artigo “House committee passes bill to upgrade 401(k) plans amid retirement income crisis”, escrito por Ylan Mui

Crédito de Imagem: Rob Crandall/Shutterstock e Adriano Machado/Reuters

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Caminhe na contramão da raça humana e mostre que seu QI está aumentando - poupe para a aposentadoria


De São Paulo, SP.


Quociente de Inteligência é um valor obtido por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito. É a expressão do nível de habilidade de um indivíduo num determinado momento em relação ao padrão ou normas, comum à sua faixa etária, considerando que a inteligência de um indivíduo, em qualquer momento, é o ‘produto’ final de uma complexa sequência de interações entre fatores ambientais e hereditários”.

Essa é a definição de QI na Wikipédia.

Os testes de QI das últimas três décadas revelam uma tendência preocupante. Novas pesquisas concluíram que o QI médio dos humanos vem caindo.

Os potenciais culpados são a piora na nossa alimentação - particularmente, menor consumo de peixes – baixa educação e o surgimento de novas tecnologias.

A tendência surpreende porque nos primeiros anos do século 20, as pessoas estavam ficando mais inteligentes.

A melhora no QI que o ser humano experimentou anteriormente foi chamada de “Efeito Flynn” ou Flynn effect, em homenagem ao Psicólogo americano responsável pelas pesquisas do assunto.

Acontece que aquela tendência de aumento do QI no século passado foi interrompida e está caminhando na direção contrária. 

Ao longo dos últimos vinte ou trinta anos, os humanos começaram a ficar mais tapados, sugerem pesquisadores da Noruega.

Os dados nos quais eles se baseiam são provenientes de testes compulsórios de QI aplicados nos jovens que entraram para o serviço militar na Noruega entre os anos de 1970 e 2009.

Os 730.000 resultados dos testes indicam uma queda média de 07 pontos no QI a cada geração, sendo cada geração composta por cerca de 25 anos.

Esse não é o primeiro estudo apontando que o QI médio está caindo. 

Dados do Reino Unido e dos países Escandinavos, incluindo a Finlândia, Noruega e Dinamarca, também sugerem estar havendo uma redução no QI.

Mas porque o QI está caindo?

O Efeito Flynn foi explicado como resultado do aumento na nutrição, de uma melhor educação, de melhora no ambiente social e por aí vai.

Resumindo em uma única palavra: progresso. Então, como explicar agora que os scores de QI estejam caindo?

O estudo foi procurar a causa em fatores genéticos, mas não encontrou evidências de que essa fosse a explicação. Escreveram os autores da pesquisa: 

“…mostramos que o aumento, o ponto de inflexão e o declínio no efeito Flynn podem ter resultado de variações nos scores de inteligência dentro de uma mesma família. As grandes mudanças nos pontos médios das diversas faixas de inteligência são um reflexo de fatores ambientais...”.

Isso nos deixa com a possibilidade de que após progredir até os anos 1970, a sociedade começou a regredir.

Nutrição ruim, piora na educação, novas tecnologias e ampliação das mídias, são fatores que podem ser culpados, escrevem os autores:

“… nossos resultados são consistentes com as diversas hipóteses propostas para explicar a redução do QI: alterações na qualidade ou na exposição à educação, mudanças na exposição à mídia, piora na nutrição ou na saúde.”

Em outras palavras, a raça humana pode estar tornando a si mesma mais estúpida com seu próprio estilo de vida.

Se você está poupando para a aposentadoria, pode se considerar na contra mão da humanidade, você está ficando mais inteligente!

Grande abraço,

Eder.



Fonte: Adaptado do artigo “These Huge Changes In Human IQ Are Frightening” publicado no PSYBLOG.
Crédito de Imagem: http://www.guaranoticias.com.br/noticias/ler/id/27792

segunda-feira, 26 de março de 2018

Se a culpa é do vizinho – poupe mais para a aposentadoria







De São Paulo, SP.

Será que estamos destinados a uma eterna insatisfação com aquilo que temos?

Imagine a seguinte cena: você se sente nas nuvens ao acabar de tirar da concessionária o seu carro zero km, estiloso, moderno e muito confortável. Conseguiu se livrar da sua antiga lata velha, que além do risco de te deixar na mão era um carro feioso, enferrujado e ultrapassado.

Mas, o que é isso que você vê pelo canto do olho ao chegar na garagem da sua casa? Seu vizinho, a família Silva, também tem um carro novo? Só que o deles é maior, mais potente e mais bonito do que o seu? Que chato! Isso tem tudo para estragar o seu dia.
Esse é um bom exemplo para mostrar como nós, seres humanos, temos uma estranha irracionalidade. Seu novo “possante” atende a todas as suas necessidades ... com uma exceção, os Silva tem um melhor.

Para avaliar o valor de um carro nós não olhamos apenas para praticidade e características materiais, como espaço no banco de trás, aceleração, consumo e design, ou mesmo para a satisfação emocional de sentar nosso “derrière” num banco de couro e fitar aquele famoso emblema no centro do capô.

Também queremos que seja um carro que nos posicione pelo menos em pé de igualdade com nossos colegas de trabalho, amigos e sim, vizinhos. Isso também se aplica a moradias, férias, roupas e até educação: não podemos ficar atrás dos Silva.


Posicionamento dos bens

Os economistas chamam isso de posicionamento dos bens, um termo cunhado pelo economista Fred Hirsch, que morreu prematuramente aos 46 anos de idade. Hirsch observou que as pessoas não se satisfazem em ter uma vida melhor do que tiveram seus pais e avós. Se todo mundo é classe média, então não existe classe média. Para ser classe média de verdade, você também precisa estar melhor do que seus vizinhos, o que significa comprar bens que eles não podem se dar ao luxo de comprar.

Essa posição relativa em relação aos nossos pares é muito semelhante a um fenômeno evolucionário. Não é a altura absoluta de uma flor que determina a quantidade de sol que receberá: o que realmente importa é que seja mais alta do que as flores ao redor.

Para realmente impressionar uma companheira em potencial, um pavão precisa ter uma cauda maior e mais bonita do que a de seus rivais. Para se tornar o líder da manada, um alce macho tem que ter uma galhada mais grandiosa do que os demais.


 
“Ei vizinho, o que acha dessa galhada, heim?”

Não é surpresa, portanto, que tenhamos tendência a comparar nossos salários com o de nossos colegas. Em 1991 Amos Tversky e Dale Griffen publicaram um estudo no qual ofereciam a estudantes do ultimo ano universitário, dois possíveis trabalhos após se formarem: o primeiro pagando R$ 2.900 por mês numa empresa na qual as pessoas com o mesmo nível de experiência recebiam salários de R$ 3.100 por mês ou outro, pagando R$ 2.700 onde colegas recém-formados ganhavam R$ 2.500. 
Resultado, 62% dos estudantes responderam que se sentiriam mais felizes no emprego ganhando menos, mas com salários acima dos colegas.
Esse não é apenas um fenômeno detectado em pesquisas de laboratório. O viés da ilusão de superioridade mostra que não gostamos de receber menos do que nossos colegas, afinal, temos convicção de que somos melhores do que a maioria deles.

A corrida por melhores salários
Por esse mesmo motivo foi que falharam os esforços para reduzir a remuneração dos altos executivos, obrigando as empresas a serem transparentes e divulgarem seus salários. Em 2012 um estudo feito por Cornelius Schmidt sobre a evolução da remuneração de executivos na Alemanha logo após uma reforma nas regras de governança ter tornado obrigatório divulgar o pacote de remuneração dos executivos-chave. Ele concluiu que “o aumento na divulgação pode causar um efeito reverso, levando a níveis mais elevados de remuneração, o que explicaria a remuneração excessiva observada recentemente”.

Essa queda de braço por melhores salários individualmente reduz o bem estar de todos, argumenta Robert Frank, um economista que vem estudando por décadas o fenômeno de posicionamento dos bens. Em seu livro The Darwin Economy, (“A Economia de Darwin”, em tradução livre) ele compara a evolução da velocidade das gazelas com o aumento no tamanho da galhada dos alces machos.

Para as gazelas, ficar mais rápido significa aumentar a chance de escapar das onças. Isso confere uma vantagem tanto aos indivíduos quanto a espécie como um todo.

Já nos alces, a principal razão de uma galhada grande é combater outros machos, significando que a seleção natural levará ao desenvolvimento de galhadas ainda maiores e vistosas. O que será benéfico aos indivíduos será, na verdade, prejudicial para toda a espécie: uma matilha de lobos certamente terá mais facilidade para caçar um alce carregando 18 kg de protuberância óssea na cabeça. Uma galhada grande é inútil, assim como é, para nós humanos, querer carros melhores e rendas maiores do que os de nossos vizinhos.

E se não forem apenas indivíduos a sentirem que estão sendo deixados para trás, mas sim grupos populacionais inteiros?

Discriminação por gênero ou etnia na remuneração é um problema recorrente. A discussão surgiu novamente nos jornais do Reino Unido há alguns meses quando Carrie Gracie, editora chefe da BBC na China, pediu demissão por ter salário muito inferior ao de seus colegas editores.

Um relatório feito pela PwC encontrou uma diferença inferior a 7% nos salários de 824 jornalistas da BBC. Isso implica, necessariamente, que existe um viés na definição dos salários na BBC (o relatório alega não ter encontrado nenhum)? Um dos problemas é a dificuldade de controlar os fatores que não estão relacionados ao gênero na definição dos salários. Essa falta de clareza significa que é difícil conduzir um debate produtivo: estamos falando de salários anuais ou por hora? Estamos misturando empregos temporários com tempo integral? Estamos, de fato, comparando laranja com laranja?


O que está por trás da diferença?


Um estudo bastante recente conduzido por cinco economistas analisou 740 milhões de corridas de taxi na plataforma Uber e pode lançar alguma luz sobre essa discussão.

Coincidentemente, a diferença na remuneração por hora entre motoristas homens e mulheres do Uber foi de 7% - muito próxima daquela encontrada entre os jornalistas da BBC. Esse resultado (tabela abaixo) surpreendeu os autores. Eles esperavam que os algoritmos que alocam as corridas para os motoristas teriam evitado qualquer discriminação, já que tais algoritmos são simplesmente cegos para a questão de gênero.

Um dos economistas, especializado em economia comportamental, chegou a prever uma ligeira vantagem para as mulheres: por trabalharem menos, poderiam escolher as horas mais produtivas durante a semana e os passageiros, pensou ele, dariam preferência a motoristas mulheres.


Mas não, uma vantagem de 7% para os motoristas do sexo masculino ... como isso seria possível? Eles descobriram que a diferença era completamente explicada por causa de três fatores:
 
  • Primeiro: experiência do motorista, explicava 1/3 da diferença - a experiência favorecia os motoristas que dirigiam muito e estavam na profissão por mais tempo, eles sabiam melhor, por exemplo, qual corrida aceitar e quais rejeitar;
  • Segundo: responsável por 20% da diferença - era a decisão de onde rodar, os homens tendem a escolher as localidades mais lucrativas, rodar a noite etc.;
  • Terceiro: o fator preponderante, explicando metade da diferença – velocidade media, os homens correm mais, ou seja, dirigem mais rápido, portanto, fazem mais corridas.

O que podemos aprender com isso? Que a diferença no pagamento por causa do gênero pode existir inteiramente como resultado da preferencia das pessoas, como no estudo do Uber, sem qualquer viés na definição da remuneração. Determinar objetivamente o que está por trás das diferenças na remuneração na maioria dos outros trabalhos é muito difícil. Isso significa que a injustiça, real ou percebida, provavelmente continuará a influenciar nossa atitude em relação à remuneração.
Se não sabemos a situação dos outros, podemos ser perfeitamente felizes com aquilo que temos. Mas assim que descobrimos que os outros estão ligeiramente melhores do que nós, nossa natureza inata de nos compararmos e de ficarmos tão bem quanto “os Silva”, vai assegurar que continuemos com nossa queda de braço.
Portanto, sabendo ou não quanto seu vizinho poupou para a aposentadoria, poupe você mesmo o máximo que puder para ter uma aposentadoria melhor ainda.

Grande abraço,
Eder.

Fonte: Adaptado do artigo “All because of the Joneses”, escrito pot Koen Smets.
Crédito de imagem: werner22brigitte.
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