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domingo, 3 de fevereiro de 2019

O que os Investimentos Responsáveis, a integração dos riscos “ESG” nas estratégias dos fundos de pensão e a terrível tragédia de Brumadinho têm em comum?




De São Paulo, SP.

A maior transferência de riqueza da história está acontecendo nesse momento!

Na medida em que a geração do pós-guerra – os chamados “baby boomers” – vão saindo de cena, eles vão deixando cerca de US$ 30 trilhões em ativos para seus descendentes.

Essa transferência de riqueza sem precedentes na história está acontecendo ao mesmo tempo em que a geração conhecida por Geração Z (pessoas nascidas entre 1996 e 2010) bate às portas do mercado de trabalho e a Geração do Milênio ou Geração Y (pessoas nascidas entre 1981 e 1996) começa a ocupar posições de liderança nas organizações.

Essas novas gerações, filhos e netos, herdeiros dessa incrível montanha de patrimônio, possuem fortíssimos valores ambientais e sociais e estão moldando a forma como os investidores institucionais operam.

Uma indiscutível mudança no comportamento dos gestores profissionais de investimentos está acontecendo. Cerca de 75% dos milênios estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços sustentáveis, requerendo um reposicionamento das empresas e gestores de ativos, se quiserem atrair a confiança de uma geração socialmente e ambientalmente consciente.

Não é à toa que hoje, de acordo com o “Report on US Sustainable, Responsible and Impact Investing Trends 2018”, cerca de 25% - ou um em cada quatro dólares - dos US$ 46,6 trilhões sob gestão profissional, são investidos nos EUA levando em consideração estratégias de sustentabilidade, responsabilidade social e governança.

O aumento de 136% entre 2012 e 2016 e outro salto de 38% de 2016 a 2018 nos Investimentos Responsáveis (RI ou “Responsible Investments”, em inglês) mostram que eles chegaram para ficar, incorporando no processo de investimentos, análises de questões ambientais, sociais e de governança ou simplesmente ESG que em inglês quer dizer “Environmental, Social and Governance”.


O que são Investimentos Responsáveis (Responsible Investments)?

Durante anos os Investimentos Responsáveis - RI, Social Responsible Investments - SRI ou ESG, nas várias formas como têm sido chamados, foram relegados à periferia do sistema financeiro.

Os Investimentos Responsáveis são definidos como uma abordagem que leva em consideração fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) em cada decisão de investimentos.

Por exemplo, se um fundo de pensão está avaliando a compra de ações de determinada empresa, o processo decisório analisa como essa empresa trata, em sua gestão, as questões ambientais, sociais e de governança. Dependendo da maneira como a empresa incorpora tais questões em suas operações, esse investimento pode representar no longo prazo um risco maior ou menor.

A importância dos Investimentos Responsáveis não se resume ao interesse social por trás da alocação de ativos, mas considera principalmente o risco de se perder valor quando se investe em empresas que se furtam em levar em consideração nas suas operações, o bem comum e o interesse da sociedade como um todo.

Com certa frequência os Investimentos Responsáveis são confundidos e incorretamente circunscritos aos “Investimentos Éticos” ou “Investimentos de Impacto”, que são estratégias focadas historicamente em evitar investimentos em setores específicos como os de óleo & gás, tabaco, bebidas e armas.

Os Investimentos Responsáveis são muito mais amplos, centrados simultaneamente na criação de valor para a sociedade, mitigação dos riscos de longo prazo para os investimentos e entrega de retornos saudáveis para os investidores.

Ainda são considerados uma abordagem holística e há muita incerteza sobre como devem ser definidos, quantificados e reportados.

Existem métricas diferentes para mensurar os riscos ESG e cada empresa ou gestor acaba determinado o que Investimentos Responsáveis representa para eles, adotando visões próprias desse conceito.

Apesar da necessidade de se estabelecer padrões concretos e definições que venham a ser adotadas de modo uniforme por toda a indústria de investimentos, os Investimentos Responsáveis e os riscos ESG vem sendo amplamente abraçados pelo mercado, com um montante substancial de recursos aplicados sob essa abordagem nos EUA e Europa.

Procurando tornar o conceito mais claro e guiar os investidores institucionais ao longo de todo o ciclo de investimentos a ONU estabeleceu, em 2006, seis princípios denominados de “Princípios para Investimentos Responsáveis” (em inglês, PRI – Principles for Responsible Investiments).  A iniciativa é de adesão totalmente voluntária e a ONU não avalia se os signatários estão ou não seguindo os princípios na prática. A grande virtude do PRI foi disseminar a importância desse conceito apoiado no “peso” que a ONU possui.

O Morgan Stanley registrou em um relatório de 2018, que o conceito de “Investimentos Responsáveis tem permitido aos investidores pensar, mais sistematicamente, sobre os riscos que surgem inesperadamente, causados por fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) que podem prejudicar os retornos de longo prazo de suas aplicações”.


O futuro dos Investimentos Responsáveis

Existe para muitos uma suspeita, amplamente disseminada, de que focar os aspectos ambientais, sociais e de governança nos investimentos (ESG) significa sacrificar os lucros e reduzir os retornos dos investimentos.

Porém, estudos recentes revelam a falta de fundamento dessas preocupações dos investidores com os retornos gerados pelos Investimentos Responsáveis / ESG.

O índice “FTSE4Good” cujas aplicações seguem os princípios de Investimentos Responsáveis no Reino Unido, rendeu 60,31% nos últimos cinco anos, comparados com um retorno de 50,85% do tradicional índice FTSE100 da bolsa inglesa.

Da mesma forma, nos EUA, o principal benchmark de investimentos éticos, o índice KLD400, entregou retornos de 109,19% ao longo dos últimos 10 anos, comparado com um retorno de 107,65% das 500 maiores empresas americanas, no mesmo período, medido pelo principal índice da bolsa, o S&P 500.

Na medida em que crescem os investimentos em empresas que focam nas questões ESG, atrair investidores vai requerer que as empresas incorporem em suas operações todos os cuidados com esses aspectos, se quiserem ser incluídas nos índices ESG.

Somente assim os investidores serão capazes de salvar o mundo e ao mesmo tempo, obter altos retornos.


Brumadinho e os princípios ESG

Apenas três dias após a tragédia de Brumadinho os impactos iniciais na Vale foram:
  •  Perda de R$ 71 bilhões no valor de mercado da companhia ou 24% de seu valor;
  • Impacto negativo com redução de R$ 16 bilhões no patrimônio de 4 fundos de pensão - PREVI, FUNCEF, PETROS e FUNCESP - que juntos possuem 21% do controle da empresa;
  • Suspensão do pagamento de dividendos para seus 200 mil investidores individuais e outros tantos investidores institucionais;
  • Redução da nota de crédito de BBB+ para BBB- pela agência de classificação de risco Fitch e ameaça da S&P de rebaixar sua avaliação de risco em vários degraus, em razão das implicações financeiras decorrentes do desastre;
  • Pedidos de bloqueio de R$ 11 bilhões de valores nas contas da empresa feitos pela Justiça, Ministério Público e Advocacia Geral de Minas Gerais;
  • Aplicação de multa de R$ 250 milhões pelo IBAMA;
Nas palavras de Cesar Caselani – Professsor de Finanças da FGV: “Ficou escancarada uma negligência, uma total falta de controle, processos ruins. Qual é a confiabilidade de uma declaração da Vale de que as barragens estão seguras depois desses dois eventos?”

Não por acaso os analistas estimam que o desastre afeta mais a imagem do que as finanças da Vale, uma empresa avaliada em R$ 300 bilhões.

Esse exemplo recente fala por si e mostra a razão de CEOS (Presidentes) e CIO (Diretores de Investimentos), não apenas na Europa e EUA, mas também em países como China, estarem aderindo ao PRI da ONU e integrando os riscos ESG em suas estratégias de investimentos.

Em resumo, muitos investidores institucionais, gerentes de carteira e analistas de renda fixa e renda variável, estão levando em consideração os riscos ESG em suas decisões de investimentos.

Em um mundo onde o crescente poder de processamento e interpretação de dados não tem limite, a oportunidade para se mensurar e avaliar os riscos ESG são vastas!

Quer saber mais?

Ligue pra mim!


Grande abraço,
Eder.



Fonte: Adaptado dos artigos “Investing in The Future“ e do “Special Report – ESG Takes room”, escrito por Liam Kennedy
Crédito de Imagem: Chudomir Tsankov 


terça-feira, 8 de maio de 2018

Se você não passar no menor teste de QI do mundo – com apenas três perguntas – faça contribuição para um plano de previdência complementar, combinado? Se passar, provavelmente já fez!



De São Paulo, SP.


Fazer um Teste de QI não precisa ser igual a enfrentar a maratona de perguntas que é passar por um exame de vestibular. O teste considerado o menor Teste de QI do mundo tem ao todo três perguntas. Sim, você pode fazer esse teste agora mesmo e já ir se gabar com seus amigos em menos de 30 minutos.


Perguntas Que Pregam Peça 

O Teste de QI com três perguntas é baseado no Teste de Reflexo Cognitivo - TRC (The Cognitive Reflection Test - CRT) e foi desenvolvido nos EUA pelo psicólogo Shane Frederick em 2005.

Em um trabalho publicado no “The Journal of Economic Perspectives”, Frederick nos explica que selecionou as três perguntas para desenvolver o TRC porque descobriu que todas elas induziam as pessoas a responderem impulsivamente e de forma errada.

Ou seja, as perguntas tornavam mais fácil para as pessoas tirarem conclusões rápidas ao invés de analisarem mais detidamente as questões, aparentemente simples de um mini-teste.

Essa espécie de armadilha mental por trás do TRC faz com que poucas pessoas consigam acertar na mosca cada uma das três perguntas.

Em janeiro de 2003 o TRC foi aplicado em 3.428 pessoas, em 35 sessões distintas, ao longo de um período de 26 meses. Durante o experimento, somente 17% dos estudantes das melhores universidades do mundo (como Yale e Harvard) conseguiram “gabaritar”, ou seja, acertar todas as questões do TRC.

Tendo por base àquela experiência de 26 meses, Frederick apresentou o TRC para o mundo em 2005. Esse pequeno teste foi desenhado para aferir a capacidade das pessoas ignorarem seus próprios instintos, que as induz a responderem impulsivamente, para pensarem e responderem mais racionalmente. 

Aqui estão todas as três questões do teste de QI

1. O problema da bola e do taco 
Um taco e uma bola custam juntos R$ 1,10. O taco custa R$1,00 a mais que a bola. Quanto custa a bola? 

2. O problema da máquina que faz ferramentas 
Se 5 máquinas levam 5 minutos para fazer 5 ferramentas, quanto tempo levam 100 máquinas para fazer 100 ferramentas? 

3. O problema das Vitórias-Régias 
Um lago tem uma parte coberta por Vitórias-Régias. A cada dia as Vitórias-Régias dobram de tamanho. Se demora 48 dias para elas cobrirem o lago inteiro, quanto tempo levaria para cobrirem a metade do lago?

Para saber as respostas corretas desse pequeno teste em que 50% dos estudantes de Harvard não respondem corretamente ... aguarde o próximo post no qual publicarei o gabarito.

Lembre-se do nosso acordo: se não acertar todas as três questões, você fará uma contribuição adicional para o plano de previdência complementar da sua empresa ou para seu plano individual.

Grande abraço. 
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo “The World’s Shortest   IQ Test is Only Three Questions”, escrito por Joanie Faletto
Crédito de Imagem:   https://cdn-images-1.medium.com

quarta-feira, 14 de março de 2018

Estamos preparados para um mundo pós-trabalho, no qual a aposentadoria será aposentada?




De São Paulo, SP.
 
O mundo está caminhando a passos largos para um futuro pós-trabalho.
A cada dia que passa, a produção de bens e serviços nos países desenvolvidos está ocorrendo sem a intervenção humana. Cada dólar, real, ou renmimbi (veja final do artigo) de valor criado nas economias hoje em dia é feito com menos trabalho.
Por isso os empregos estão desaparecendo e talvez muitos de nós não tenhamos nos dado conta de que estamos nos dirigindo para uma verdadeira revolução: um mundo sem trabalho.
Porém, os frutos de uma economia sem trabalho não estão sendo alocados da melhor forma, ou seja, de forma justa, eficiente, efetiva, ótima, que leve as sociedades a prosperarem – ao invés de colapsarem em algo tipo, oligarquias neofeudais e sem leis.
O próprio trabalho está se tornando a commodity mais escassa nas economias modernas. É por isso que estamos vendo as carreiras de ontem virarem pó. Bicos substituindo empregos. Jovens procurando desesperadamente uma forma de entrar no mercado, mas tendo dificuldade. A economia informal com soluços crescentes à margem da formal.
Em países como os EUA o mercado de trabalho inteiro está quebrando todas as regras que valiam antigamente – baixos níveis de desemprego e inflação também baixa, mas sem ganhos na renda das famílias, que continua a diminuir.
Como pode? Esses fatores não podem ocorrer todos ao mesmo tempo a menos que alguma coisa no coração da economia esteja mudando e mudando profundamente.
Essa coisa é tecnologia-automação. Algoritmos estão tomando o lugar de todos os níveis gerenciais na Uber e na Amazon. Eles estão substituindo completamente alguns setores — como propaganda e mídia — no Google e no Facebook. Estão tomando o lugar de profissões inteiras, como contabilidade, direito e medicina. Vamos deixar de lado a pergunta se estão fazendo isso tão bem assim — essa é uma discussão para outra ocasião.
Então, somos atuários, economistas, gerentes, intelectuais, políticos, pessoas – procurando desesperadamente por trabalho, empregos e carreiras, numa economia que tem cada vez menos trabalho para oferecer.
Estamos tentando resolver um problema que, um dia, víamos como solução. Queríamos vidas fáceis e confortáveis, onde o trabalho se tornasse obsoleto.
Agora, chegamos ao limiar do mundo de ficção científica ou de sonho, que tanto desejávamos. Só não imaginávamos que a transição seria a parte mais difícil!
Usando uma metáfora: uma economia industrial é como uma fábrica. Precisa de pessoas para funcionar. Essa agora é como um balão de gás. Sobe sozinho. A pergunta é: quem terá permissão para subir nele - com ele?
A estrada para um mundo pós-trabalho será pavimentada com revoluções. Revoluções políticas, sociais e culturais, mudanças profundas — não apenas com revoluções tecnológicas e automação.
Como distribuir os US$ 20 trilhões de bens e serviços produzidos anualmente nos EUA, no Brasil são R$ 6,6 trilhões, numa sociedade sem emprego? Esse já é um grande problema no mundo hoje porque a riqueza não é distribuída igualmente – a desigualdade gera extremismos e tende a se agravar, por isso terá que ser resolvida num futuro que já está aqui.
Nos EUA, toda rede de proteção pública e privada está conectada ao “emprego” das pessoas — plano de saúde, seguro desemprego, subsídios à educação e por aí vai. Mas isso deixou os EUA com um contrato social ultrapassado — porque num mundo em que o próprio trabalho está se tornando a commodity mais escassa, ligar a qualidade de vida de alguém a um “emprego” é a receita certa para o desastre social.
Se a democracia falhar as pessoas se voltarão a movimentos autoritários que forneçam a elas aquilo que a economia não conseguir lhes dar — saúde, educação, renda. O balão está subindo — ninguém está a bordo e aqueles que estão no solo provavelmente tentarão puxá-lo para baixo.
O contrato social Americano está ultrapassado porque foi construído para um mundo com trabalho – num mundo sem trabalho, terá que ser totalmente reescrito. Para fazer a transição para um mundo sem trabalho, os requisites básicos para uma vida decente terão que ser desconectados dos empregos. “Renda”, “poupança” e “investimentos”, da mesma forma, terão que ser desconectados do “emprego”.
Num mundo onde os próprios “empregos” são uma coisa do passado, atrelar a competência das pessoas à capacidade de conseguir um, levará o estilo de vida Americano ao colapso.
Agora, como reescrever um contrato social? Bem, vai levar uma ou duas gerações de reformas. De movimentos de massa em direção à mudança e a transformação. O “status quo” vai lutar contra a mudança a cada passo ao longo do caminho.
Normas e valores na sociedade terão que mudar — de “as pessoas pobres são preguiçosas” para “todo mundo merece uma renda” — e então as instituições terão que mudar.
Sem revolução social, cultural e política, um mundo sem trabalho ameaçará de colapso as sociedades cujos contratos sociais continuarem a ser escritos para uma era industrial.
Quem está mais bem posicionado para fazer a transição para um mundo sem trabalho? A Europa e os países Nórdicos. Lá, o que é básico para a vida não está ligado a empregos. São direitos básicos. Saúde, educação, bem estar.
Até mesmo renda e poupança, em menor escala, não dependem do “emprego” de alguém. Na Europa e nos países Nórdicos, o contrato social terá que ser atualizado — talvez não totalmente reescrito como nos EUA. Na Europa e nos países Nórdicos, o balão só terá que ser feito grande o bastante para caber todo mundo. No Brasil, a divisão atual do “nós” contra “eles” terá que ser superada antes que todos entrem no balão, não vai dar para ficar se estapeando dentro de um balão.
Onde irão parar as sociedades que não conseguirem fazer a transição? Países como os EUA e o Brasil podem nos dar uma boa pista. Contratos sociais escritos para sociedades industriais, que estão crescendo sem emprego, as tornará sociedades feudais. A classe média e os pobres se tornarão parecidos com servos e camponeses, enquanto aqueles que “dominarem” os algoritmos que vão controlar a economia sem emprego, serão semelhantes a lordes e barões, com poder absoluto.
Assim como nas primeiras eras da história humana, a capacidade dos servos e camponeses permanecerem vivos dependerá da ajuda dos nobres certos. Se ninguém puder entrar, o balão vai se espatifar, ao invés de subir.
Por isso que fazer essa transição será revolucionário, também, sob outro aspecto. Se as mudanças não forem feitas com humanidade, com cuidado e antecipadamente, as sociedades irão regredir para uma era passada que combina o pior de todas as eras passadas: autoritarismo, feudalismos, fascismo, tudo junto ao mesmo tempo. Revoluções, a final de contas, podem ser positivas ou negativas, para o bem ou para o mal.
Você pode estar imaginando: o que seria uma “sociedade sem emprego”. Seria uma sociedade em que as pessoas ficariam assistindo MTV ou novela da Globo o dia inteiro e vegetando? Que não teria nenhum trabalho a ser feito? Claro que não!
O trabalho do futuro será bem diferente do trabalho do passado e de muitas maneiras não será absolutamente um “trabalho”. Não será hierárquico, não será baseado em comando-e- controle, não será rotineiro e padronizado e não será algo sofrido, a ser suportado, mas sim algo a ser abraçado e desfrutado.
O trabalho do futuro tem a ver com recuperar nossa dignidade, humanidade e liberdade — no sentido mais profundo dessas palavras. Será criativo e significativo, profundamente emocional e intelectual — não apenas técnico analítico e mundano, como montar engrenagens.
Há uma tarefa a ser feita — e tem a ver com achar meios de resolver esses grandes problemas atuais, as mudanças climáticas, esticar a longevidade humana, entender quem nós humanos realmente somos, descobrir o que é essa coisa que chamamos de universo. Essas grandes questões que vem nos assombrando desde os primórdios de nossa existência — é esse o trabalho que precisa ser feito num mundo em que o pão de cada dia já foi ganho, seja através da arte, literatura ou ciência.
Há outra forma de enxergar isso. Se formos bem sucedidos em fazer a transição para um mundo pós-trabalho, todos estarão a bordo do balão. Todo mundo, junto. A questão será então, para onde vamos? O que vamos explorar? Ver? Descobrir? O que existe acima das nuvens? O trabalho do futuro tem a ver com criar as invenções, sistemas de governo, contratos sociais, meios de vida, formas de organização, modos de expressão, que permitam as pessoas prosperar cada vez mais alto, num mundo sem trabalho.
Essa é a maior de todas as ironias. Deveria ser fácil, mas de fato, viver sem o peso do trabalho pode ser o trabalho mais difícil — e recompensador — de todos.
Num mundo sem trabalho, ninguém vai precisar se aposentar, não é mesmo? Porém, mesmo que a aposentadoria seja aposentada, sempre teremos que nos preparar financeiramente para o amanhã. Só não dá para dizer o que substituirá a previdência complementar como a conhecemos hoje, nesse futuro sem trabalho, sem aposentadoria.
* * * * *
Ah, quase esqueci. Renmimbi é o nome oficial da moeda da Republica Popular da China. O Yen é a unidade básica do renmimbi, mas o Yen acabou sendo usado também para designar a moeda chinesa em geral, principalmente em contexto internacional. Em Portugal, por exemplo, antes do Euro, quando circulavam Escudos (moeda), os preços eram indicados em Contos (unidade básica ou unidade de conta).
 
Grande abraço,
Eder.
 
Fonte: Adaptado do artigo “Are we ready for a post-work world?”, escrito por Umair Haque.
Crédito de imagem: Brain World Magazine


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