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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Quatro palavras que podem dobrar a chance de você conseguir o que está pedindo. Meu pedido para você: poupe para a aposentadoria ...




De São Paulo, SP

Nunca é fácil quando você tem que pedir a uma pessoa para fazer alguma coisa para você.
Mas existe uma maneira para aumentar suas chances de obter o que quer. Tudo que você tem a fazer é se lembrar dessas quatro palavrinhas mágicas:
“Não se sinta obrigado”.
É simples, surpreendentemente eficaz e cientificamente comprovado. Memorize essas palavras, elas podem dobrar seu poder de persuasão.
Em Inglês, essas palavras são “but you are free” (BYAF) e a técnica funciona assim: você tem um pedido para fazer para alguém. Então, depois do pedido você coloca o “não se sinta obrigado” ou “sinta-se à vontade para recusar”.
Porque isso funciona?
Em 2013, um acadêmico da área de comunicação chamado Christopher Carpenter, publicou no Journal of Comunication Studies um artigo sobre a técnica do BYAF.
No artigo, Christopher descreve o primeiro experimento feito no ano 2000 pelos pesquisadores franceses Nicholas Guéguen e Alexandre Pascual, em que essa técnica foi aplicada.
Um dos pesquisadores abordou pessoas andando sozinhas em um shopping center na França. No grupo de controle, o pesquisador fez um pedido simples e direto para o desconhecido:
- Com licença Senhor(a), teria algumas moedas para eu poder pegar o ônibus, por favor?  
No outro grupo, de teste experimental, o pesquisador acrescentou ao final:
- ... mas você é livre para aceitar ou recusar meu pedido.
As pessoas sob condição de teste experimental se mostram substancialmente mais inclinadas a atender o pedido feito pelo pesquisador.
Tem mais, aqueles que doaram as moedas no grupo experimental, doaram duas vezes mais do que as pessoas do grupo de controle.
Christopher explicou que a técnica BYAF funciona muito bem porque suaviza a percepção do interlocutor de que sua capacidade de dizer “não” lhe está sendo subtraída.
Em outras palavras, seu pedido é acompanhado da possibilidade da pessoa se sentir desobrigada a realiza-lo, tira fortemente a pressão do seu interlocutor.
Apesar da pesquisa original ter sido feita na França, a troca para outro idioma não tem nenhuma influência no resultado.
As palavras exatas usadas na frase não têm muita importância. Guéguen e Pascual também testaram a frase: "obviamente você não precisa se sentir obrigado” e descobriram que elas são tão eficazes quanto as da frase original.
Ou seja, de acordo com a meta-analise, o fator mais consistentemente importante que emergiu nos resultados foi a importância de se reconhecer a liberdade do interlocutor em dizer “não”.
Portanto, aqui vai meu pedido: poupe para a aposentadoria, mas não se sinta obrigado viu!
Grande abraço,
Eder

Fonte: Adaptado do artigo “These 4 Words Can Double Your Chances of Getting What You Want”, escrito por Joanie Faletto.
Crédito de Imagem: https://cdn.shortpixel.ai/client/q_lossless,ret_img,w_425/https://clubatbocapointe.com/wp-content/uploads/2017/04/Not-Mandatory-280px.png


domingo, 28 de abril de 2019

Porque ajustamos a resposta para se encaixar naquilo que buscamos: pense que precisa poupar mais para aposentadoria


De São Paulo, SP

Sob diversos aspectos a vida hoje é muito melhor do que era um século atrás, a humanidade tem evoluído dramaticamente
Vivemos com boa saúde até idades mais avançadas, há menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza e graças à saúde pública quase não morremos mais de doenças infectocontagiosas
Claro que ainda existem inúmeros problemas a resolver e precisamos melhorar cada vez mais em áreas em que já avançamos bastante.
A maioria das pessoas, porém, discute e argumenta com uma visão negativa da vida, como se o mundo fosse terminar amanhã. Não parecemos felizes nesse mundo de relativa abundância.
As preocupações atuais recaem sob o fim da vida na terra por causa das mudanças climáticas, os robôs tomando conta dos nossos empregos e nossa incapacidade de acompanhar o ritmo das novas tecnologias.
Um grupo de cientistas pode ter encontrado uma explicação para essa visão negativa que muitos carregam das coisas à sua volta.

Eles chamaram isso de “mudança conceitual induzida-pela-prevalência”.

“Quando parte de um conceito se torna menos prevalente, o conceito pode se expandir para que inclua outras partes, que anteriormente excluía, mascarando assim a magnitude de seu próprio declínio”.

Explicando: quando estamos procurando algo, por exemplo, um mal comportamento e aquilo que consideramos mal comportamento diminui, nós expandimos nosso conceito para incluir o que antes quase não considerávamos mal comportamento. Ou seja, expandimos a régua daquilo que classificamos como “mal”.

Os pesquisadores realizaram vários testes, nos quais os participantes tinham que classificar o que consideravam pontos de cor azul dentre uma série de pontos cuja cor variava do tom “muito azul” para “muito roxo”.

Depois de algumas rodadas do experimento, os cientistas reduziram a quantidade de pontos de tonalidade azul e os participantes reagiram selecionando como pontos azuis aqueles que antes consideravam roxo – a definição da categoria “azul” se expandia na medida que diminuía a quantidade de pontos azuis na amostra.

Em outro teste, os pesquisadores se depararam com efeito semelhante quando os participantes tiveram que identificar rostos agressivos de um grupo de faces humanas que variavam de “muito agressiva” para “não muito agressiva”. O mesmo foi verificado, ainda, em uma bateria de testes separando propostas de pesquisas consideradas antiéticas de propostas de pesquisas éticas.

No teste dos pontos azuis, quando aumentou o número de pontos azuis ao invés de diminuir, o resultado foi o inverso – pontos que anteriormente foram considerados azuis, repentinamente passaram a ser desconsiderados.

O mais impressionante é que esse efeito continuou acontecendo mesmo quando as pessoas foram alertadas que estavam agindo assim e mesmo quando as pessoas foram pagas para não cair nessa armadilha.

Esses experimentos parecem provar que somos incapazes de adotar conceitos rígidos e somos suscetíveis a idas e vindas.

No entanto, deve ser notado que esse efeito ocorre quando as pessoas estão procurando por partes de um conceito – a categoria azul se expandiu quando as pessoas procuravam pontos azuis, faces neutras se tornaram ameaçadoras quando a missão das pessoas era procurar rostos ameaçadores.

Em circunstancias normais, nas quais as pessoas não estão procurando ativamente rotular certas coisas, elas não são suscetíveis às mesmas mudanças de conceito.

Se eu permanecer indiferente a atos de agressão ou de gentileza dirigidos à mim, ainda que mude a frequência de qualquer desses dois atos, será mais provável que eu reconheça essa mudança ou eu tenderei a mudar minha definição?

Será que algum dia vou considerar um sorriso amistoso como um ato de agressão? É bem provável que exista um limite para o alcance dessa mudança de conceito

Talvez alguns pontos roxos se tornem azuis, mas será que jamais vamos rotular um ponto vermelho como sendo azul? Claramente existe um limite para as categorias que se expandem. Eu pelo menos espero que exista, porque sempre há um monte de pessoas procurando o que quer que “mal” signifique para elas.

“Quando bananas amarelas se tornam menos prevalentes, o conceito de ‘maduras’ de um consumidor se expande e passa a incluir as bananas pintadas (passando do ponto de maduras), mas quando crimes violentos se tornam menos comuns, o conceito que um policial tem de ‘agressão’ não se expande para incluir atravessar a rua fora da faixa”.

Ainda que o mundo esteja se tornando melhor, parece que não somos tão inclinados a notar essa mudança. Quando os elementos negativos são reduzidos, tendemos a encontrar negatividade em elementos que antes não considerávamos negativos. Se estamos atentos às coisas boas e elas aumentam em quantidade, nossa definição do que é bom pode se reduzir para excluir exemplos do que anteriormente considerávamos bom.

Essa, claro, é a direção que gostaríamos de ver o mundo caminhar, mas seria legal se fossemos mais conscientes daquilo que já conseguimos realizar ao longo do caminho.

Então, vamos tratar como exceção a poupança para a aposentadoria, poupar nunca vai ser demais, continue poupando!


Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo “The Psychology of Finding What You’re Looking For”, escrito por Sam Brinson.

Crédito de Imagem: https://www.coloradomesa.edu/social-behavioral-sciences/degrees/psychology/index.html


domingo, 7 de abril de 2019

Sem reforma da Previdência Complementar a reforma da Previdência Social vai ficar capenga: Vamos pegar carona com o Tio Sam?


Plenárias do Congresso Americano e do Congresso Brasileiro




De São Paulo, SP.

No mesmo momento em que a Sociedade Brasileira debate a reforma da sua Previdência Social, ganha tração no Congresso Americano a mais profunda mudança nos planos de previdência complementar das últimas décadas.

Nossa reforma da previdência social ainda engatinha e sequer passou pela porta de entrada dos projetos de lei, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Já a alteração da previdência complementar americana foi aprovada por unanimidade na Tax-Writing Ways and Means Committee, uma Comissão chave para andamento dos projetos de lei no caso deles, algo como nossa Comissão de Assuntos Econômicos quando o assunto envolve tributação.

Isso aconteceu na terça feira da semana passada, dia 26 de março, enquanto a mídia brasileira se via absorta em questões do tipo golpe ou revolução. Vai vendo como se deixa o bonde passar ....

Mesmo diante de um Congresso amargo e polarizado (lembra vagamente um outro Congresso?) o projeto de lei americano, conhecido por “Secure Act” – algo como Lei de Segurança Financeira, em tradução livre – vem com apoio tanto da liderança Democrata como da Republicana.

A iniciativa americana surge em meio à grave crise da aposentadoria deles e busca endereçar problemas que são igualmente caros à previdência complementar brasileira.

O bill (projeto de lei) americano, visa aumentar a flexibilidade e melhorar o acesso, particularmente das pequenas empresas e seus empregados, aos planos 401(k) que são semelhantes aos planos de contribuição definida dos nossos fundos de pensão e os PGBL das seguradoras.

Resumidamente as mudanças, que nós também deveríamos urgentemente fazer aqui, incluem:
  • Uma série de incentivos voltados a encorajar os pequenos negócios a oferecerem benefícios de previdência complementar para seus trabalhadores;
  • Permitem que as pequenas empresas se juntem para oferecer planos de previdência complementar, criando um crédito tributário de US$ 500 para aquelas que implementarem planos com adesão automática;
  • Tornam obrigatório o acesso aos planos (benefícios) de previdência complementar aos empregados temporários com contratos de longo prazo; 
  • Adotam diversas medidas que afetam outras formas de poupança previdenciária, como expandir o uso dos planos 529 (um produto de previdência complementar voltado à poupança para pagamento da faculdade dos filhos) para incluir empréstimos estudantis e educação em casa. 
Traçando um paralelo com a situação brasileira, nossa legislação possui incentivo tributário para que as empresas criem planos de previdência complementar. Mas esse incentivo alcança apenas as grandes.

Como as pequenas e muitas vezes até as media empresas adotam a tributação pelo Simples ou Lucro Presumido - que seria o formulário simplificado das pessoas físicas - elas não se beneficiam do mesmo incentivo que as grandes empresas, tributadas pelo Lucro Real ou o equivalente ao formulário completo das pessoas físicas.

Não é à toa que mais de 90% das grandes empresas já ofereçam o benefício de previdência complementar para seus empregados, enquanto menos de 10% das pequenas empresas o façam.

Além disso, nossos planos de previdência complementar corporativos são voltados apenas para os empregados com contratos de trabalho permanente (sem prazo específico) e por tempo integral.

Ficam de fora dos planos corporativos todos os empregados com outros tipos de contrato de trabalho como os temporários, os contratados em tempo parcial, ainda que por prazo indeterminado e os estagiários, dentre outros.

Conforme declarou o Presidente da Comissão que aprovou o andamento do projeto de lei na Câmara dos Deputados Americana, o Deputado Richard Neil de Massachussetts:

“Os americanos estão enfrentando atualmente uma crise na aposentadoria, com pessoas demais correndo perigo de não terem renda suficiente para manterem seu padrão de vida e podendo escorregar para baixo da linha de pobreza”.

O Deputado classificou o projeto de lei como “uma realização bipartidária”, porque conta com o apoio tanto do partido da situação quanto da oposição.

É uma das poucas propostas legislativas com chance significativa de se tornar lei num congresso que vive aos tapas como o nosso. Lá figuradamente, aqui literalmente.

A grande diferença é que lá vigora o espírito da coletividade quando o assunto é maior do que os interesses partidários. Que inveja!!!

Esse foco no bem comum ficou muito bem sintetizado pela fala do próprio Deputado Richard Neill quando ele disse: “A Comissão de Assuntos Econômicos é onde encontramos as soluções e fazemos as coisas acontecerem para o povo americano”.

Nossos congressistas também tem a chance de adotar medidas positivas e modernizar o sistema de previdência complementar brasileiro, cuja última alteração de relevo ocorreu há quase 20 anos.

Poderiam fazer isso junto com a aprovação da reforma da previdência social, colocando os interesses coletivos acima de tudo.

Seria pedir demais?

Abraço,
Eder.



Fonte: Adaptado do artigo “House committee passes bill to upgrade 401(k) plans amid retirement income crisis”, escrito por Ylan Mui

Crédito de Imagem: Rob Crandall/Shutterstock e Adriano Machado/Reuters

sábado, 30 de março de 2019

A fonte que ajuda você a lembrar o que leu e a mensagem que você nunca deve esquecer



De São Paulo, SP

Um psicólogo, um designer e um economista comportamental entram em um laboratório. O que acontece quando eles saem?

Não, não é uma daquelas piadas que começam assim, onde só mudam os personagens e sempre terminam em gargalhadas.

Porém, o final também é divertido, além de instrutivo e instigante!

A reunião dessa equipe multifuncional aconteceu no Instituto Real de Tecnologia de Melbourne (RMIT University), uma universidade da Austrália.

O resultado foi o desenvolvimento de um tipo de letra que faz você lembrar mais aquilo que lê.

O nome que eles deram para a fonte foi:


Essa nova fonte foi cientificamente desenhada para ser difícil de ler, as letras se inclinam para a esquerda e falta grandes nacos de cada uma.

Usando princípios de psicologia e técnicas de desenho tipográfico, a fonte cria uma condição neurológica conhecida por “dificuldade desejável”.

Dificuldade desejável é a obstrução de um processo de aprendizado, que para ser concluído requer um considerável, mas desejável, nível de esforço.

Consequentemente, melhora (no caso da Sans Forgetica) a retenção e a recordação da informação.

Diferentemente das fontes convencionais, o visual distinto da Sans Forgetica leva os leitores a se deterem por um período maior em cada palavra.

Isso fornece ao cérebro mais tempo para se engajar, permitindo um processamento cognitivo mais profundo da informação, o que aumenta a retenção das mensagens.

Segundo Stephen Banham, Professor de Tipografia da RMIT e um tipógrafo de renome mundial, que liderou o desenho da Sans Forgetica:

“... esse tipo de letra prega uma pequena peça na mente, que fica confusa e tenta instantaneamente resolver o problema, a mente procura tornar mais claro as formas, os círculos, as diagonais etc. Isso diminui a velocidade de processamento da leitura no nosso cérebro e força você a pensar sobre aquilo que está lendo".

Esse esforço adicional é um boom para a memória. O benefício desse esforço que fazemos à mais é o mesmo que resulta do conceito da dificuldade desejável.

Por isso que aprendemos melhor quando escrevemos e falamos ativamente, do que quando apenas lemos ou ouvimos de forma passiva.      

As fontes que são familiares são fáceis de ler, mas igualmente fáceis de esquecer. A Sans Forgetica não é fácil, mas também não é tão difícil. Fica no meio do caminho, se por um lado é legível, por outro nos faz pensar duas vezes para extrair a informação. 

“A Sans Forgetica fica no ponto ideal onde foi acrescentada dificuldade apenas o suficiente para criar aquela retenção na memória” — comenta Janneke Blijlevens do Laboratório de Negócios Comportamentais da RMIT.

A fonte foi testada com cerca de 400 estudantes da universidade e o nível de retenção atingiu 57%, ultrapassando o nível de retenção de outras fontes como Arial que chegou em torno de 50%. 

Benefício à parte, os criadores da nova fonte não recomendam que você exagere, alertando que tudo que você conseguirá se tentar escrever um romance com a Sans Forgetica, provavelmente, será uma enorme enxaqueca.

A nova fonte é eficaz porque é difícil de ler e difícil porque não é familiar — melhor usar com moderação, apenas para ressaltar trechos importantes do texto, ao invés de usar no conjunto integral do trabalho.  

Através desse link, você pode baixar a nova fonte e usar gratuitamente nos seus próprios projetos: https://www.sansforgetica.rmit/

Com a ajuda da Sans Forgetica deixo aqui minha maior mensagem para todos vocês:



Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo “The Font That Helps You Remember”, escrito por Sam Brinson

Crédito de Imagem: www.sambrinson.com/sans-forgetica/

sábado, 23 de março de 2019

As consequências da telepatia e minha mensagem telepática a todos: Poupem para a aposentadoria






De São Paulo, SP.

Estou indo para o Rio de Janeiro pela Dutra como tenho feito regularmente ao longo dos últimos 26 anos. Minha esposa está lá e estou indo buscá-la

Subitamente, ao desviar de um animal na pista, sou envolvido em um acidente. Meu carro está virado, as rodas para cima, escondido sob a vegetação do barranco ao lado da estrada. É tarde da noite e os poucos carros que passam pela estrada não são capazes de me enxergar.  

Os serviços de emergência da NovaDutra captaram meu pedido de socorro e estão enviando ajuda, ainda que em meio ao meu estado de pânico, eu apenas tenha pensado nisso, pois além de estar sem bateria meu celular está perdido em algum lugar do carro.

Tem mais, ouço uma voz de fundo em minha mente dizendo para eu permanecer calmo, mas estranhamente não é a minha própria voz. É a voz da operadora do serviço de emergência.
Que diabos aconteceu? Telepatia. Nosso futuro pode ser assim? Pode! Se a comunicação cérebro-a-cérebro for desenvolvida.
Comunicação cérebro-a-cérebro
Numa realidade que é hoje apenas ficção científica, nano dispositivos digitais posicionados em nossos cérebros, transformariam os impulsos elétricos dos nossos neurônios em sinais, que seriam transmitidos para outras pessoas ou dispositivos.

Assim, nossos pensamentos, ideias e imaginações poderiam ser experimentados por mais alguém além de nós mesmos.    

Já existem tecnologias sendo desenvolvidas com objetivo de tornar possível a comunicação entre duas pessoas, simplesmente pelos pensamentos.

Essas novas tecnologias, ainda rudimentares, estão nos estágios iniciais de desenvolvimento. Estamos muito longe de transmitir frases completas apenas por pensamento, o que dirá transmitir uma conversa inteira na velocidade que falamos.

A tecnologia atual precisará ser miniaturizada, se tornar mais seguras e muito mai robusta, para que a telepatia se torne uma realidade.   

Além disso, precisaremos descobrir o que cada sinal do cérebro está dizendo – pode ser totalmente diferente de um cérebro para outro.

Sim, como todos sabemos, a tecnologia pode avançar muito rápido e existe um bando de empreendedores com muita grana já bancando essa ideia, dentre eles, Elon Musk e sua empresa NeuraLink.

Então, vamos imaginar que um dia a telepatia se torne realidade no nosso cotidiano. Como essa inovação na comunicação alteraria nossa vida da maneira que a conhecemos?

1. Inovação

Um dos pontos de inflexão na evolução humana foi a linguagem. A força por trás da inovação é a capacidade de partilhar as ideias — quanto mais as pessoas disseminam seu conhecimento, mais outras pessoas são capazes de aumentar e fazer esse conhecimento evoluir. No dia que pudermos pensar de forma coletiva, com todos conectados em uma rede gigante de mentes conjugadas, a velocidade com que a informação poderá ser criada, criticada e espalhada aumentará exponencialmente.

2. Coordenação

Atividades em equipe deverão se tornar mais estratégicas e coordenadas. No mundo militar, por exemplo, grandes contingentes de tropas dispersas poderão permanecer em contato, seguir ordens e compartilhar as notícias de forma instantânea entre todos. Da mesma forma, serviços de emergência serão capazes de responder a situações e coordenar esforços de modo mais eficaz.

No mundo dos esportes, os times que forem capazes de se comunicar em silêncio, transmitindo mensagens claras para as mentes de todos, conseguirão jogar melhor e seguir suas táticas de jogo. A vantagem é que o barulho da multidão de expectadores e a distância entre os jogadores não atrapalharão.

3. Silêncio

Começamos pintando as paredes das cavernas e progredimos lentamente para escrever, falar e hoje nos comunicamos pela Internet. Porém, ainda somos limitados por nossos dedos, conexões de WiFi, tamanhos de tela e duração de baterias. Se conseguirmos reduzir essas limitações a ponto de nos comunicarmos pelo pensamento, o que acontecerá com a linguagem? Continuaremos a usar nossas vozes quando estivermos face a face? Ou simplesmente recostaremos e pensaremos para frente e para trás? Fazer o ar passar pelos nossos pulmões, garganta e lábios requer um esforço e tanto.  Porque desperdiçar essa energia toda se podemos obter melhor resultado por meio dos pensamentos?

4. Internet das coisas

Enquanto nos preocupamos com comunicação cérebro-a-cérebro, a comunicação computador-a-computador está avançando. A comunicação, então, vai convergir para cérebro-a-computador. Isso significa que um dia você poderá ter conversas com a Siri no conforto da sua própria mente. Na medida em que a Inteligência Artificial por trás dessas assistentes de voz se tornar mais inteligente, acharemos a conversa com elas extremamente informativas e até educativas.

Nossa comunicação irá além da conversa telepática envolvendo uma assistente com acesso à Internet. 

Um dia sua mente será capaz de se comunicar com seu carro, sua TV, seu rádio relógio, com o termostato do seu ar-condicionado e até com o sistema de alarme da sua residência. Um dia sua mente poderá estar falando com sua casa ou pedindo para seu carro abrir a porta em um dia de chuva.  

5. Privacidade

Todos temos pensamentos que nunca deveriam ser expostos à luz do dia. Mas e se tais pensamentos se tornarem algo como os atuais e-mails, como garantir que não estarão sendo monitorados? Na área de segurança pública poderia ser benéfico, sendo mais fácil identificar psicopatas e terroristas através de seus pensamentos, mas quais de nós se sentiria confortável com esse tipo de vigilância?

6. Hackers

Ao invés de simplesmente espionar o que pensamos, poderiam potenciais hackers de mente usar essa tecnologia para infiltrar em nossos cérebros informações perigosas ou maliciosas? Seríamos mais facilmente convencidos por algo que surgiu como um pensamento, permitindo que fôssemos manipulados por terceiros? Indo mais além, poderia o dispositivo em nossos cérebros ser hackeado para permitir a transmissão não apenas da nossa linguagem? E se um dano real pudesse ocorrer, como apagar certas conexões ou deixar partes do cérebro offline?

7. Desconectar

Estamos disponíveis para comunicação na maior parte do tempo. A tecnologia tenderá a exacerbar isso. Claro, precisaremos ter a opção de “desconectar” ou ficar “offline" - não vamos querer que o pensamento de outras pessoas se meta em nossa mente durante uma noite de bom sono. Se manter nossa mente conectada pode nos trazer benefícios, vamos querer ficar o máximo possível “online”.

Durante uma emergência, esse link imediato e direto com alguém que possa nos ajudar será uma ferramenta valiosa. E se você não estiver a fim de falar com ninguém? Vai ter uma secretária eletrônica ou uma caixa de entrada (“inbox”)? Você não vai poder esquecer sua cabeça em algum lugar da mesma forma que esquece hoje um celular ou um laptop. O dispositivo em seu cérebro vai estar lá o tempo todo. Quando alguém estiver tentando entrar em contato com seu pensamento e não estiver conseguindo, vai concluir que você não quer falar ou que algo pode estar errado.

8. Quem?

De que forma saberemos que outra pessoa está se comunicando conosco? Se o sinal for muito parecido com nossa própria voz interior, poderíamos ficar confusos? Quando falamos nós ouvimos nossa própria voz, mas há uma distinção clara entre aquilo que estamos vocalizando e a voz dos outros que estamos ouvindo. A comunicação cérebro-a-cérebro vai envolver as duas partes enviando e recebendo sinais baseados nos mesmos impulsos neurais. O engajamento em uma conversa vai demandar a diferenciação entre nosso monólogo interior e o monólogo interior do nosso interlocutor ou interlocutores.

… e tem muito mais coisas a se pensar.

Provavelmente esse tipo de comunicação vai envolver muito mais do que transmitir apenas linguagem. E se for possível partilharmos experiências sensoriais como visão, audição, paladar e até emoções, conhecimento e outros conceitos abstratos?  

As possibilidades são infinitas e o mesmo são as repercussões. Na medida em que a tecnologia se aproxima do cérebro, da mente e daquele subjetivo conceito do “nosso eu”, mais cuidadosos teremos que ter.

Nesse ponto tenho que dizer que qualquer mente que cruzasse meu caminho, receberia minha mensagem telepática mais forte: poupe para a aposentadoria e seja feliz no futuro!

Grande abraço,
Éder.

Fonte: Adaptado do artigo “The Consequences of Telepathy”, escrito por Sam Brinson.
Crédito de Imagem: Andrew Rich via Getty Images
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