terça-feira, 1 de setembro de 2026

O FUNDO DE PENSÃO DO FUTURO NÃO SERÁ UM FUNDO DE PENSÃO


De Sāo Paulo, SP.


Esse é um daqueles títulos que fazem muita gente do segmento de previdência complementar coçar a cabeça, mas a provocação é bastante simples:

O fundo de pensão do futuro não será uma instituição

Será apenas uma funcionalidade dentro de uma carteira digital, uma wallet, na qual conviverāo:

  • Sua conta para pagamentos;

  • Investimentos;

  • Crédito;

  • Seguros;

  • Seu patrimonio em ativos digitais; e

  • Em algum cantinho da tela do celular ou laptop — nāo mais chamado pelo inatrativo nome de “previdência” — sua poupança para daqui a 30, 40 ou 50 anos.

Parece ficção pra você?

Entāo você está alheio do que anda rolando na cryptoeconomia, pois várias das peças necessárias para construir isso já existem.

Quando a wallet engole bancos e fundos de pensāo

Um artigo publicado recentemente, intitulado What If the Bank of the Future Isn’t a Bank?, faz uma provocação muito parecida em relação aos bancos.

O autor imagina uma nova geração de wallets reunindo ações, Bitcoin, Ethereum, stablecoins, investimentos tokenizados, crédito e pagamentos dentro do mesmo ambiente digital.

Ao invés de se desfazer de determinado investimento para obter liquidez, alguns ativos poderiam ser usados como garantia colateral de um empréstimo.

A mudança importante não está no Bitcoin, no Ethereum nem nas stablecoins, está na arquitetura do funcionamento.

Hoje nossa vida financeira é fragmentada:

  • Dinheiro no banco;

  • Investimentos na corretora de valores,

  • Previdência complementar em fundos de pensāo,

  • Ativos digitais numa exchange ou wallet;

  • Seguro em alguma seguradora;

  • Credito em outra instituiçāo.

A tokenização começa a derrubar essas fronteiras e a separaçāo entre elas já vem desaparecendo.

Se diferentes ativos financeiros puderem existir onchain (no blockchain), uma wallet deixa de ser simplesmente uma carteira de cryptoativos e passa a funcionar como a interface de toda a vida financeira de uma pessoa.

Acrescente mais uma coisa nessa wallet - a poupança de longo prazo - e começa a surgir algo muito interessante.

Fundos de pensāo foram fruto do emprego

A arquitetura de previdência complementar que conhecemos nasceu em um mundo bastante diferente do atual.

Intimamente conectada ao trabalho e vinculo de emprego, os fundos de pensāo ainda nāo percebram que sua sustentabilidade futura está em se desvincular de sua arquitetura primitiva.

A própria OCDE já chamou atenção para um problema estrutural dos planos ocupacionais, aqui chamados de previdencia complementar corporativa:

Quando trabalhadores trocam frequentemente de emprego, podem acumular contas inativas ou simplesmente deixar de contribuir. Planos pessoais, ao contrário, são por definição mais portáteis, porque podem acompanhar a pessoa ao longo de sua vida profissional, independentemente do empregador.

O Aspen Institute chega à mesma conclusão por outro caminho:

Os benefícios do futuro precisam estar cada vez mais vinculados ao trabalhador, não a determinado emprego.

Se Neil Armstrong fosse atuario, ele teria cunhado a frase ligeiramente diferente, teria dito: “uma pequena mudança conceitual, um grande passo para a previdéncia complementar”.

Uma wallet em 2035

Credito de Imagem: Adobe Stock


Você recebe R$ 15 mil de diferentes fontes durante o mês, cuja origem pode ser:

  • Salário de um emprego temporario ou permanente;

  • Um trabalho paralelo ou principal como freelancer;

  • Receita por algum conteúdo digital que produziu;

  • Dividendos;

  • Renda de algueis;

  • Qualquer outro ganho ou receita.

Tudo chega (é “depositado”) na mesma infraestrutura financeira: sua wallet.

Um contrato inteligente / smart contract sabe que você decidiu destinar, automaticamente, 12% de toda renda recebida para objetivos de longo prazo.

O $$$ é distribuído dentro da sua wallet, automaticamente.

  • Uma parcela compra títulos públicos tokenizados;

  • Outra compra ações globais tokenizadas;

  • Outra vai para investimentos imobiliários ou imóveis fracionados;

  • Outra para investimentos em infraestrutura';

  • Uma pequena parcela para Bitcoin e outros ativos digitais;

  • Outra parcela para investimentos privados, anteriormente inacessíveis ao pequeno investidor.

A inteligência artificial ajusta as proporções dessas destinacoes / investimentos, considerando:

  • Sua idade;

  • Seu patrimônio;

  • Sua renda media ao lngo dos meses

  • Sua tolerância a risco e

  • Sua expectativa de vida (longevidade esperada).

Você muda de emprego?

Nada acontece.

Vira autônomo?

Nada acontece.

Muda de país?

Idealmente, quase nada acontece — embora tributação e regulação ainda imponham fronteiras.

A empresa que quiser contribuir para sua aposentadoria simplesmente deposita a contribuição “patronal” naquela estrutura.

A previdência passa a acompanhar você, em vez de você acompanhar a previdência.

O interessante: nāo chamaremos isso de previdência

Há um conceito em tecnologia chamado embedded finance: quando os serviços financeiros desaparecem dentro de outras experiências digitais.

Já existem estudos propondo exatamente isso para planos de aposentadoria.

A Financial Planning Association, por exemplo, imaginou trabalhadores da GIG Economy (autonomos, economia informal etc) com poupanca para aposentadoria embutida no próprio aplicativo, onde recebem sua remuneração.

O motorista de Uber, o entregador do IFood ou prestador de serviços, poderiam decidir, no momento em que recebem $$$, quanto vai para consumo e quanto vai diretamente para uma conta de “aposentadoria”. (Financial Planning Association)

Percebe a mudança?

A previdência deixa de ser um “produto” que você compra. Torna-se “parte integrada”, automática, da sua vida financeira cotidiana.

Do mesmo jeito que hoje ninguém pensa na infraestrutura tecnológica utilizada quando faz um PIX, ninguem estará preocupado se a nova infraestrutura está usando blockhain e cryptoativos.

Nāo, nāo estamos começando do zero

Algumas peças desse quebra-cabeça já estão por aí.

Nos EUA, a Fidelity já oferece um Crypto IRA, uma Conta Individual de Aposentadoria, com vantagens tributárias, que permite exposição direta a Bitcoin, Ethereum, Litecoin e Solana. (Fidelity)

Isso ainda está muito distante da wallet previdenciária que estou imaginando, mas representa uma quebra importante de paradigma:

Ativos digitais já fazem parte diretamente de uma estrutura voltada para aposentadoria.

Em maio de 2025, o Departamento do Trabalho americano revogou uma orientação de 2022 que recomendava “extreme care” (muito cuidado) antes da inclusão de cryptomoedas em planos 401(k), retornando a uma posição regulatória neutra em relação à essa classe de ativo. (Department of Labor)

Poucos meses depois, uma ordem executiva determinou a revisão das regras para ampliar o acesso dos participantes de planos de contribuição definida (CD) a investimentos alternativos, incluindo explicitamente veículos financeiros que invistam em ativos digitais. (The White House)

E agora em 2026, a discussão avançou ainda mais: uma proposta regulatória americana para ampliar o acesso dos planos 401(k) a ativos alternativos alcançou um mercado estimado em US$ 14,2 trilhões, embora permaneçam discussões importantes sobre custos, liquidez e proteção dos participantes. (Reuters)

Ou seja: a porta para essa nova realidade começou a se abrir.

Credito de Imagem: A-Z Quotes


Quando o fundo de pensāo vira um protocolo

Vamos avançar um pouco mais nessa provocação.

Hoje um fundo de pensão precisa de uma enorme estrutura organizacional e institucional para executar funções como:

  • Arrecadar contribuições;

  • Manter cadastros;

  • Registrar direitos sobre o $$$;

  • Fazer a gestāo dos investimentos;

  • Contabilizar ativos e passivos;

  • Controlar limites legais de aplicaçāo;

  • Pagar benefícios e

  • Prestar informações aos donos do dinheiro.

A maior parte dessas funções existe porque nossa infraestrutura financeira ainda funciona através de bancos de dados separados, que precisam conversar uns com os outros, reconciliar informações e identificar entre si quem possui o quê.

Em uma infraestrutura financeira tokenizada, a maioria dessas funções vai se tornar programável dispensando intervençāo e comandos humanos:

  • Smart contracts determinarāo regras de contribuição;

  • Identidades digitais controlarāo elegibilidade de acesso aos valores;

  • Ativos digitais carregarāo suas próprias regras de transferência;

  • Pagamentos ocorrerāo automaticamente;

  • Portfólios serāo rebalanceados por algoritmos;

  • A inteligência artificial fornecerá orientação financeira individualizada;

  • Regras de desacumulação transformarāo, de modootimizado, patrimônio em renda ao longo das idades mais avançadas.

Isso não significa ausência de regulação, de governança ou de responsabilidade fiduciária, significa:

Separar a função previdenciária da instituição previdenciária.

A instituição, a organizaçāo que hoje chamamos de “fundo de pensão” se transformará numa camada de governança, curadoria, proteção e gestão fiduciária sobre uma infraestrutura que funciona de maneira completamente diferente.

Ah, mas e a contribuiçāo da empresa?

Ela pode continuar existindo, nāo precisamos destruir aquilo que funciona no modelo atual. Qualquer empresa pode continuar oferecendo matching contribution.

Só que, em vez de prender o trabalhador ao fundo de pensāo daquela empresa, o a contribuição será creditada numa estrutura previdenciária individual e portátil, do trabalhador.

Trabalhou cinco anos na empresa A? As contribuições foram para wallet individual. Depois trabalhou outros três anos na empresa B? As contribuiçōes continuaram indo para a mesma wallet individual, alicada na parte previdenciária dela.

Virou freelancer? Você continuou contribuindo individualmente. Criou uma startup Continuou contribuindo para sua wallet individual.

Voltou a trabalhar numa grande empresa? O empregador volta a fazer contribuições para sua wallet individual.

A aposentadoria finalmente vai acompanhar uma carreira que já deixou de ser linear.

Quanto tempo falta para isso acontecer?

Vou arriscar uma previsão.

  1. Entre 2026 e 2030 - Veremos, principalmente, a fase de experimentação: fundos de investimentos tokenizados, títulos tokenizados, stablecoins, ETFs de ativos digitais, custódia institucional e investimentos alternativos entrando gradualmente nas estruturas previdenciárias.

  2. Entre 2030 e 2035 - Começaremos a ver a convergência: wallets oferecendo investimento, pagamentos, crédito, seguros e poupança de longo prazo no mesmo ambiente. A previdência continuará juridicamente existindo como produto específico, mas tecnologicamente começará a desaparecer dentro da experiência financeira.

  3. Entre 2035 e 2040 - Assistiremos ao surgimento de algo realmente diferente: contas de patrimônio de longo prazo portáteis, programáveis e parcialmente onchain, acompanhando indivíduos durante diferentes empregos, países e formas de trabalho.

Não significa que todos os fundos de pensão desaparecerão em 2040. Muitos deles continuarão existindo ainda por algumas décadas.

Tecnologias antigas raramente desaparecem imediatamente, o que desaparece é sua centralidade como soluçāo do problema.

A própria Fidelity compara a evolução da tokenização dos ativos reais à trajetória dos ETFs e estima que um ecossistema completo de solucoes digitais poderá levar algo próximo a 20 anos para amadurecer. (CoinDesk)

Portanto, minha aposta é que:

Em cinco anos veremos as peças surgindo; em dez anos veremos a integração dessas peças; em quinze anos começaremos a questionar seriamente a necessidade de uma instituição como os fundos de pensāo, no formato que conhecemos hoje.

O que pode atrasar a chegada desse futuro?

Credito demagem: www.televendasecobranca.com.br


Claro, nada disso está garantido.

  • A custódia precisa ser extremamente segura;

  • As fraudes precisam ser combatidas;

  • Os smart contracts podem conter falhas;

  • Cryptoativos podem ter volatilidade incompatível com determinados perfis previdenciários;

  • Tokenização não elimina risco de crédito, risco de mercado ou risco de liquidez — apenas muda a infraestrutura através da qual esses riscos são administrados.

O maior desafio será regulatório.

Uma poupança de 40 anos precisa de proteção jurídica, regras de sucessão, tributação diferenciada, governança e mecanismos de proteção contra decisões ruins do próprio poupador.

Justamente aí pode existir um enorme espaço para os fundos de pensão que entenderem essa transformação antes dos demais.

A ideia por trás dos fundos de pensāo nāo morrerá

Que os fundos de pensāo deixarāo de ser aquilo que conhecemos, nāo tenho a menor dúvida, mas a busca pela segurança financeira futura, seguirá como uma necessidade.

Veremos o abandono gradual do papel dessas grandes estruturas administrativas que guardam dinheiro e executam processos de pagamento.

Elas se transformarāo em algo mais interessante, tipo, um fiduciário digital, responsável por selecionar estratégias, estabelecer defaults, controlar riscos, negociar taxas, proteger participantes, oferecer aconselhamento e desenhar a desacumulação — enquanto a infraestrutura tecnológica faz grande parte do restante.

Nesse cenário, o valor não estaria em possuir a infraestrutura, estaria em conquistar a boa e velha confiança do “participante”.

Esse é o unico fator que pode mudar completamente o jogo.

Uma wallet global, uma fintech, uma gestora de ativos, uma seguradora, uma big tech ou uma empresa que ainda nem existe, poderāo oferecer a mesma infraestrutura.

A competição deixará de acontecer entre fundos de pensãome passará a acontecer entre ecossistemas financeiros.

O futuro chega sem pedir licnça

A poupança para o futuro que hoje é organizada em empresa, emprego e fundo de pensāo, nessa próxima geraçāo, passará a ser organizada em torno de pessoa, transaçōes financeiras e wallet.

O objetivo, continuará exatamente igual, ou seja, transformar uma parcela do dinheiro produzido hoje em liberdade financeira amanhã.

O que vao mudar radicalmente é a instituição utilizada para se chegar lá

Foi assim com música, fotografia, jornais, telecomunicações, táxis e bancos. A função que eles desempenhavam sobreviveu. A infraestrutura mudou.

Deixe de perguntar:

“Como será o fundo de pensão do futuro?”

… porque:

“O fundo de pensão do futuro, não será um fundo de pensão”.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “What If the Bank of the Future Isn’t a Bank?”, escrito por Giuseppe.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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