sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

TE CONTEI? ELES NÃO ENTENDEM ...

 



De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Os fundos de pensão foram idealizados para oferecer benefícios corporativos, mas a diferença entre planos de previdência complementar aberta (PGBLs e VGBLs) e fechada já sumiu, estamos diante de uma hiper-personalização da demanda em um mercado que oferece benefícios homogêneos, pasteurizados. A pandemia causada pelo Covid-19 acendeu nas pessoas o alerta para a fragilidade da vida, mas os planos corporativos se preocupam mesmo é com aposentadoria e a esmagadora maioria não oferece cobertura suficiente para os riscos de invalidez e morte. Uma característica importante no futuro do trabalho será “portabilidade”, as pessoas quererem levar consigo os benefícios que valorizam, seja o plano de previdência, o odontológico ou o seguro de vida, então o custo entre manter as coberturas atuais ou adquirir novos produtos no mercado, tem que compensar. Além disso, a visão de produto pontual mudou para soluções mais abrangentes, as pessoas não buscam um plano de aposentadoria isolado, elas buscam ajuda para gerenciar suas finanças, seu patrimônio, seus riscos, seus gastos - sabe aquele papo de “wealth management”, pois é!


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Os fundos de pensão oferecem desenhos de plano com regras muito parecidas, mudam apenas parâmetros como idade de aposentadoria, critérios de elegibilidade, regras de resgate, coisas assim e não existe absolutamente nenhuma correlação entre a taxa de administração cobrada pelos planos e a qualidade entregue. Os novos consumidores estão dispostos a jogar fora os antigos desenhos de plano em troca de algo mais simples, flexível e digital, no fundo de pensão do futuro não vai haverá “desenho de plano”, o produto será individual, baseado em contas digitais de acumulação. Isso muda todo o modelo de negócios, muda os processos de gestão e muda o atual produto oferecido. A maioria dos fundos de pensão enxerga o mundo pela lente do seu desenho de plano e não com o foco no participante, no que ele precisa, quando ele precisa. Essa é uma visão de fora para dentro, por isso não se vê fundos de pensão tradicionais oferecendo isso.


CONCLUSÃO: 

Propiciar aos participantes experiências digitais personalizadas envolve um grande nível de complexidade, diferentes parcerias, canais de distribuição diversificados e um conjunto de tecnologias diferentes para chegar lá. A estratégia de negócios direciona a estratégia de tecnologia e implica em desinvestir nos sistemas legados, não se implanta uma nova tecnologia e se continua a usar os mesmos processos e fazer as mesmas coisas que se fazia antes. O fundo de pensão do futuro tem a ver com parcerias e relacionamento, não com transações e administração. "Elevator pitch" para o presidente do conselho do seu fundo de pensão: não subestime os experts para te ajudar no processo de transformação, se for contar apenas com o que pensam seus atuais participantes e patrocinadoras, seus dias de relevância estão contados.


Grande abraço,

Eder.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

TE CONTEI? O QUE OS CONSELHOS DELIBERATIVOS DOS FUNDOS DE PENSÃO PODEM APRENDER COM AMOSTRAGEM ESTATISTICA

 



De São Paulo, SP.


 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Em estatística, uma amostra não-aleatória, também chamada de amostra não-probabilística, serve para sondagens sem propósitos inferenciais. Exemplo: 1) amostragem voluntaria: quando os próprios componentes da população se voluntariam para participar da pesquisa; 2) amostragem por bola de neve: escolhem-se os voluntários e esses indicam “conhecidos” com o mesmo perfil para responder a pesquisa e assim, sucessivamente, vão formando redes de referência; 3) amostragem por quotas: busca-se repetir a proporção de elementos de cada estrato da população, os elementos da amostra não são selecionados por sorteio; e 4) amostragem por escolha racional: quando o pesquisador busca na população uma parte dela que interessa, escolhendo os participantes por terem uma ou mais características especificas. Nas amostragens não-aleatórias, há uma escolha deliberada dos elementos da amostra, que depende dos critérios e julgamento do pesquisador. 

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Na busca pela sobrevivência, os fundos de pensão estão buscando crescer, mudar o modelo de negócios e se reinventar, mas você nunca saberia disso apenas olhando seus conselhos deliberativos. Os membros dos conselhos dos fundos de pensão são oriundos das patrocinadoras e 99,99% são participantes dos planos que administram. O que raramente você vai encontrar nos conselhos, inclusive dos maiores fundos do país, são experts em previdência complementar. Uma das obrigações centrais de um conselho é acessar riscos e uma década atrás o risco de disruptura dos fundos de pensão e a sustentabilidade do negócio nem apareciam no mapa de riscos, algo que agora começa a ficar obvio para os conselhos ... ou deveria. É chocante ver fundos de vários matizes - grandes, médios e pequenos, estatais, públicos e privados - seguirem relutantes em nomear para seus conselhos membros  profissionais independentes.

 

CONCLUSÃO: 

O mundo mudou, seria bom ter nos conselhos dos fundos de pensão pessoas que entendam e saibam antecipar para onde caminha o segmento de previdência complementar, o futuro do trabalho e essas coisas. É um imperativo estratégico fugir do pensamento em grupo, evitar que a escolha dos elementos da “amostra” caiba a um par de indivíduos, implantar comitês de nomeação (ou sucessão) nos fundos de pensão. As vezes enxergar o obvio é a coisa mais difícil que existe.


Grande abraço,

Eder.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

TE CONTEI? O QUE É “ZERO KNOWLEDGE PROOF” E COMO UMA SOLUÇÃO DESENVOLVIDA POR MATEMÁTICOS, APLICADA NA COMPUTAÇÃO, ESTÁ MUDANDO O MUNDO

 




De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

traduzido literalmente para o português "Zero Knowledge Proof" ou ZKP significa “prova com conhecimento zero”. É um meio pelo qual uma parte (o provador) pode provar à outra parte (o verificador) que uma determinada afirmação é verdadeira, SEM transmitir qualquer informação além do fato de que a afirmação é realmente verdadeira. Na essência, é trivial provar que alguém possui conhecimento de certa informação, simplesmente revelando-a. O desafio é provar tal posse do conhecimento sem revelar a própria informação, qualquer parte dela ou qualquer informação adicional. A ZKP resolve um grande desafio da sociedade moderna que é “confiança”, permitindo fazer negócios e qq tipo de transação não-financeira com total segurança e transparência, mantendo a privacidade e sem precisar confiar na outra parte.  


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Apoiados nos conceitos teóricos do ZKP desenvolvidos por matemáticos, usando fortemente conhecimentos probabilístico e lógica, a turma da computação e os “coders” desenvolveram os sistemas modernos de criptografia, sem os quais não haveria as soluções atuais que usam o blockchain e nos levarão a economia digital. Apenas para citar algumas aplicações: 1) Votação: sistemas baseados em ZKP podem provar que você votou, sem revelar seu voto - nota: as urnas eletrônicas brasileiras estão a anos luz dessa tecnologia, infelizmente. Tentei trazer para o Brasil um sistema assim, da VOATZ (https://voatz.com) para eleição de conselheiros de fundos de pensão, mas estava muito avançado para a época; 2) Identidade: você pode entrar num website sem que sua senha seja guardada no sistema dele, pode provar que você esta autorizado a entrar num prédio, sem mostrar sua carteira de identidade, conforme já é possível com o EarthID (https://www.myearth.id), com isso seus dados ficam totalmente protegidos; 3) Validar transações financeiras: sem revelar dados da carteira digital que originou a transação, sem dizer para qual outra carteira digital o $$$ foi enviado ou mesmo quanto $$$ mudou de mãos, a operação pode ser registrada no blockchain combatendo fraudes. No vídeo abaixo (em inglês) cinco níveis de explicação sobre o que é o ZKP mostrando desde uma criança até um PHD entendendo o conceito.

  

CONCLUSÃO: 

Se quiser saber para onde vão os fundos de pensão, comece a se inteirar sobre esses e outros conceitos por trás do blockchain e da economia digital. O futuro imaginado lá atrás para 2020, com pequeno delay, aos poucos vai se tornando realidade: 




Grande abraço,

Eder.



terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

TE CONTEI? ESTÁ NA HORA DE REVERMOS OS INCENTIVOS FISCAIS PARA A PREVIDENCIA, MAS QUE NEM PORCO-ESPINHO FAZ AMOR, COM MUITO CUIDADO

 



De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Em 1989 a Nova Zelândia passou a taxar contribuições e rendimentos dos fundos de pensão em 33%, deixando os benefícios isentos. Como resultado, no primeiro ano de tributação verificou-se um decréscimo de 43% no número de planos de aposentadoria complementar um declínio de 26% nas contribuições e uma queda de 8,4% em seus ativos. Essa queda na procura de planos é chamada de “efeito substituição”, se o poder de compra futuro do dinheiro poupado for diminuído em razão de uma taxação maior hoje ou adiante, as pessoas pouparão menos, porque o consumo imediato se tornará relativamente mais atraente do que o consumo futuro. Na minha dissertação de mestrado intitulada “Os Fundos de Pensão na Sociedade do Conhecimento” (https://bit.ly/3gqMinA) escrita em 1996, dediquei um tópico inteiro à discussão da isenção tributária da previdência complementar no mundo e só pra ficar claro, eu não defendo a eliminação dos incentivos fiscais para previdência.


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O que defendo é a revisão dos incentivos fiscais para abrir espaço para novos desenhos de planos, com maior flexibilidade nas retiradas ao longo da fase de formação da poupança e possibilidade de contribuição na fase de desacumulação (isso mesmo, o “aposentado” poder contribuir e receber benefício ao mesmo tempo). Resgates não tributados na fase de acumulação podem ajudar no fomento de planos de previdência conjugados a gastos com saúde (pagamento de exames e consultas, por exemplo). Aposentado contribuindo para o próprio plano de previdencia, do qual recebe uma renda mensal, será algo comum no futuro do trabalho e pode contar com incentivos fiscais também, porque não? Surgido pela primeira vez na Inglaterra em 1921 e no Brasil em 1977, o alívio tributário para a previdência privada passou o século XX praticamente inalterado. Criado para incentivar empresários a estabelecer fundos de pensão, como havia feito a Reuters em 1893 e a WH Smith em 1894, os incentivos fiscais beneficiam hoje também as pessoas físicas, só que apenas as de renda mais alta. Não é a toa que o governo Biden quer estabelecer um valor fixo em dinheiro para a isenção das contribuições aos fundos de pensão, estendendo-a assim aos salários de qq valor, inclusive os salários menores, ao invés de isentar de tributos um % do salário ou da própria contribuição, como vigora hoje em muitos países.  


CONCLUSÃO: 

Se quisermos criar poupança de longo prazo, lançar as bases para novas abordagens de planos de previdência e saúde e criar condições para novos produtos, mais alinhados com o futuro do trabalho, o caminho passa por aí, mas tem que ser feito com muito cuidado, para não prejudicar os avanços já conquistados. Isso sim é política publica de previdência complementar.


Grande abraço,

Eder.



FONTE: “Is it time to ‘retire’ pensions tax relief?”, publicado na revista Pensions Expert.



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