quinta-feira, 21 de setembro de 2023

QUAL O SENTIDO DE FUNDOS DE PENSĀO, NUM MUNDO PÓS-TRABALHO?

 


De Sāo Paulo, SP.


Cerca de cinco anos atrás, publiquei um artigo cujo título era: “Estamos preparados para um mundo pós-trabalho, no qual a aposentadoria será aposentada?”

De lá para cá um rápido avanço dos modelos de aprendizado de máquina chamados de Large Language Model (LLM), fizeram explodir o uso de ferramentas de IA - Inteligência Artificial, tipo o ChatGPT (OpenIA), o Bard (Google) e tantas outras.

As discussões sobre os avanços da IA e o futuro do trabalho tem sido acompanhadas por duas concepções erradas, por dois equívocos, em relação ao futuro do trabalho.

Equívoco #1 - A tecnologia não gera desemprego

O primeiro equívoco é a ideia de que, só porque a tecnologia não causou desemprego no passado, isso não vai acontecer no futuro.

É fácil entender a razão dessa ideia ser tão amplamente disseminada. Por séculos o trabalho tem sido automatizado. Ascensorista, trabalhador rural, metalúrgico, são apenas alguns trabalhos que eram feitos por seres humanos e que agora são feitos por máquinas.

Os seres humanos que foram desalojados de seus empregos, subiram na cadeia de valor ou encontraram novos empregos.

A automação destrói empregos individualmente, mas melhora a eficiência, o que cria riqueza, que gera demanda por produtos e serviços, que cria novos empregos, melhor remunerados e mais interessantes.



No entanto, nem sempre acontece dessa maneira. Em 1915 havia 22 milhões de cavalos trabalhando nos EUA, hoje em dia, a população de cavalos é de 2 milhões.

Não existe nada que os cavalos façam atualmente que as máquinas não possam fazer melhor, mais barato e mais rápido.

A pergunta é se as máquinas desenvolverão, algum dia, a capacidade de fazer praticamente todo trabalho que os seres humanos são capazes de fazer?

A resposta inescapável é: sim, a menos que paremos de desenvolver as máquinas, o que não acontecerá.

A transição para uma economia sem trabalho, provavelmente, vai acontecer de forma rápida, da mesma maneira que uma nova era de desenvolvimento surgiu de imediato a partir do momento em que a água se transformou em vapor e passamos a usar o vapor para impulsionar as máquinas.

Antes da 1ª Revolução das Máquinas - termo que acho muito mais adequado do que “quarta revoluçāo industrial” - haverá muitos trabalhos novos para os humanos porque, como mencionamos antes, a automação aumenta a produtividade, que cria riqueza, que gera demanda, que requer empregos.

Após a 1ª Revolução das Máquinas, a automação continuará a criar novos trabalhos, mas os novos trabalhos serão feitos por máquinas, não por humanos.

Insistir que é impossível a tecnologia gerar desemprego é o mesmo que afirmar que a experiência passada é uma garantia de que teremos os mesmos resultados no futuro. Se isso fosse verdade, o homem não seria capaz de voar …

Assegurar que a tecnologia nunca, jamais, irá gerar desemprego, é enterrar a cabeça no chāo (como fazem os avestruzes), é uma complacência perigosa.


Equívoco #2 – As pessoas trabalham por um propósito

A segunda concepção errada, o segundo equívoco, é achar que o maior desafio imposto pelo desemprego causado pela tecnologia é o propósito, a ideia de que as pessoas trabalham por um propósito, pela busca de um significado na vida.

Não trabalham, as pessoas trabalham por dinheiro.

As pessoas que discutem publicamente o desemprego causado pela tecnologia, geralmente são aquelas que encontram algum grau de significado em seus empregos. São uma minoria.


Para a maioria das pessoas, o propósito do trabalho é colocar comida na mesa. O trabalho, para alguns, pode proporcionar certa estrutura, talvez algum status. Porém, as pesquisas mostram que para a esmagadora maioria dos mortais, o trabalho não está associado a nenhum significado, a nenhum proposito.

A verdade é que encontramos significado e propösito, na família, nos amigos, em nossas crenças, nossos hobbies e nossas paixões.

Existem três grupos de pessoas que provam de modo inequivoco que o trabalho não é necessário para se ter uma vida com significado: os ricos (aristocratas), os confortavelmente aposentados e as crianças.

Fundos de pensāo num mundo sem trabalho?

Contrariamente ao que a maioria das pessoas pensa por instinto, não é ser pessimista achar que um dia as máquinas irão tirar nosso trabalho, roubar nossos empregos. Pessimismo é achar que os humanos devem ser etrnamente escravos de um salario.


Ser otimista é achar que as máquinas, um dia, poderão nos liberar para fazermos o que quisermos. Brincar, aprender, produzir arte, nos conectar com novos pessoas, viajar, explorar. Poderíamos ter uma segunda era da Renascença.  

O desafio de uma sociedade pós-trabalho não é encontrar um significado, um propósito para a viver, mas sim ter um rendimento.

Uma economia na qual as máquinas fazem todo o trabalho, será altamente produtiva, criando uma riqueza enorme, mas como assegurar que todo mundo receba uma parte dela?


Muita gente acha (alô Suplicy) que uma renda mínima para todos, uma renda básica universal, é uma bala de prata. Porém, aquela palavrinha no meio (básica) é parte dos inúmeros problemas.

Precisamos assegurar para todo mundo muito mais do que uma renda básica universal, acima da linha de pobreza. Deveríamos nos preocupar em proporcionar uma renda capaz de assegurar uma vida com todo conforto, até um padrão de vida luxuoso para todo mundo.



Como fazer isso sem impor uma tributação onerosa naqueles que detém ativos? Que provavelmente acharão uma forma de se evadir dela.

A resposta é uma economia abundante, levando a praticamente zero o custo de tudo aquilo que é necessário para se ter uma vida satisfatória.

Isso pode ser feito, em parte, removendo os humanos de todo o processo de produção, o que é exatamente aquilo que a automação faz. O resultado seria um capitalismo luxuoso integralmente automatizado, definido por Calum Chace no livro “The Economic Singularity” (em tradução livre: “A Singularidade Econômica”).


Há um sem-número de perguntas sobre como fazer essa transição de forma segura, evitando o pânico ,que poderia levar a eleição de políticos ainda piores do que a atual onda de políticos populistas, polarizados, donos da pós-verdade, que temos mundo afora.

Mas há também uma certeza: num mundo pós-trabalho, no qual as maquinas assumirão os empregos, a aposentadoria não fará sentido, muito menos fundos de pensão, mas se tudo der certo, será por uma boa causa.

Ao contrário do que você ouve e lê na mídia, um mundo pós-trabalho está chegando. Se formos inteligentes e dermos um pouco de sorte, será maravilhoso.


Grande abraço,


Eder.



Disclaimer: Esse artigo foi baseado no vídeo “Two fallacies about the future of Jobs”, apresentado por Calum Chase. Quem tiver interesse no vídeo completo, aqui está:



terça-feira, 19 de setembro de 2023

PATRIMÔNIO DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NO BRASIL ATINGE R$ 2,59 TRILHÕES, EQUIVALENTES A 25% DO PIB

 



6m • Edited •De Sāo Paulo, SP.
De Sāo Paulo, SP.

👉 Quando você lê a manchete (☝ titulo do artigo), amplamente divulgada na midia no inicio de setembro de 2023, qual a sua impressāo? Que o segmento de previdência complementar cresceu absurdamente, que está "bombando"? Vamos lá 👇

👉 Nos anos 80, o patrimnio da previdência complementar no país era inferior a R$ 100 bilhões e representava menos de 10% do PIB. Quarenta anos depois, esse patrimonio - em percentual do PIB - mais do que dobrou, passando para 25%.

👉 Esse crescimento, porém, tem muito pouco a ver com a ampliaçāo da cobertura dos planos de previdencia complementar, que seguem focados em pessoas com faixas salariais mais altas (acima do teto de benefïcios do INSS).

👉 Apesar do patrimônio ter crescido bastante, a quantidade de fundos de pensāo (EFPC) e seguradoras operando planos de previdência complementar (EAPC) vem diminuindo no pais, ano após ano, desde o inicio do Seculo XXI.

👉 A reduçāo da quantidade de instituições que administram planos de previdência complementar no Brasil (EFPC e EAPC) é sinal de que o segmento está encolhendo e nāo se expandindo.

👉 Grande parte do aumento do patrimonio se deve ao movimento de inércia, de capitalizaçāo dos planos ao longo do tempo. Nosso sistema de previdencia complementar amadureceu, temos muitos planos com fluxo negativo, pagam mais benefïcios do que recebem de novas contribuições, fechando a conta com os rendimentos dos investimentos.

👉 É preciso ter pensamento critico, fazer uma analise criteriosa das informações, nāo se deixar levar pela primeira impressāo, nāo aceitar tudo pelo valor de face.

👉 Na imagem acima, primeiro você vê um homem correndo numa floresta gelada. Poderia parar por aí, mas quando você analisa a imagem com mais cuidado, se dá conta de que na verdade, se trata de um cachorro ...

Grande abraco,
Eder.

domingo, 17 de setembro de 2023

LIÇÕES DO MUNDO CORPORATIVO



☝ Perguntei a um sábio: 👇
🧐 "Senhor, diga-me em qual área posso construir uma grande carreira?"

✌ Ele me disse com um sorriso: 👇
😎 "Seja um bom ser humano. Há um monte de oportunidades nessa área e muito pouca competiçāo."

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Transformando digitalmente os fundos de pensão na nova era do trabalho




De Sao Paulo SP.


Fustigados pelas tremendas transformações sociais, econômicas e tecnológicas da era digital, chacoalhados pelas mudanças no mundo do trabalho e desafiados pelas inovações da cryptoeconomia, os fundos de pensāo se encontram numa encruzilhada da historia 👇👇👇

Nos próximos dez anos, cerca de 50% da força de trabalho atual dos fundos de pensão e de suas atuais patrocinadoras, estarāo aposentados.

Serāo substituídos por novas gerações de profissionais, jovens acostumados a interagir com aplicativos velozes e com experiencias fantásticas dos usuários.

Os próximos empregados dos fundos de pensão costumam usar o Facebook, o TikTok, o Instagram, o BeReal. Eles esperam trabalhar com sistemas que funcionem com um workflow semelhante 👇👇👇


Mas parece haver uma grande diferença entre a expectativa e a realidade, eles trabalharão num mercado em que muitos fundos de pensão ainda usam planilhas em suas análises de riscos e registram suas políticas e diretrizes em PDFs.

Os fundos de pensão deveriam se perguntar: eu quero ser expert em quê? E deveriam fazer suas escolhas: o que vamos priorizar? A partir dai, deveriam buscar parceiros que sejam “best in class” naquilo que decidiram não ser seu foco principal.

O mercado de fundos de pensāo é pasteurizado, tem pouca diferenciaçāo, adota produtos praticamente identicos, sofre de falta de criatividade e inovações, mas uma convergência de fatores pode ajudar a mudar tudo isso 👇👇👇

Ao invés disso, os fundos de pensão procuram ser bons na avaliação de riscos, na gestão dos investimentos, no pagamento dos benefícios, em todas as suas operações, mas não têm a capacitação (nem estão tentando ter) para construir um excelente workflow voltado para fazer toda essa gestão da forma que as novas gerações apreciam e querem. Então, os jovens irão embora, eles não ficarão.

A análise de dados sempre ocupou papel central nos fundos de pensão. Por décadas, o foco esteve nos dados individuais dos participantes para as avaliações atuariais, nas projeções de renda vitalícia, nos cálculos de morte e invalidez ...

Só que hoje em dia a análise de dados tomou esteróides 👇👇👇


Se aprendemos algo nos últimos 7 anos, esse algo foi que o ritmo das mudanças, tem sido muito, muito rápido. Pense no final do ano passado, menos de um ano atrás. O ChatGPT surgiu de repente, em apenas dois meses atingiu 100MM de usuários e explodiu com as análises de dados e tudo o mais.

Os fundos de pensão precisam mudar suas estratégias, construídas para o longo prazo e investimentos incrementais e se voltar para a realidade imediata, na qual o foco na análise de dados (data analytics) precisa ser acelerado.

O impacto da análise de dados sobre os negócios vem acontecendo em uma velocidade dramática. Aqueles que a abraçarem rapidamente serão realmente competitivos, enquanto aqueles que demorarem .... 👇👇👇


Tomando como exemplo os planos multiportfolio. Quando você olha o processo de escolha do perfil de investimentos, onde o participante alocará suas contribuições, percebe que todo material de educação financeira, os folhetos sobre os perfis de investimentos, os documentos disponibilizados para que façam suas escolhas, são muito bons, mas todos em PDF.

Quando esses roteiros são empilhados junto com duzentos outros documentos com orientações - que o participante precisa tomar conhecimento - e se espera que o participante adote alguma ação com base neles, bem, isso será muito difícil e complicado para os participantes.

O workflow não é desenhado para mostrar ao participante, no momento certo da decisão, a informação real sobre performance e riscos dos portfolios, grau de risco etc, para que ele faça sua escolha.

O processo deveria ajudar o participante a dedicar mais tempo para pensar e decidir e não para ele gastar tempo vasculhando informações em texto, em PDFs e com tarefas administrativas.

A grande tendencia, que vai direcionar a elaboração das ferramentas de interação com os participantes, são sistemas inteligentes de recomendação, a otimização dos modelos gerais e dos apps para mostrar a informação certa, no momento certo.

Esse deveria ser o foco da construção de soluções pelos fundos de pensāo. Eles deveriam se armar com inteligência para responder os desafios dos participantes e fazer mais por eles.

No entanto, os fundos de pensão atualmente estão presos em silos, oferecem um único produto: “planos de aposentadoria” e entregam um único tipo de serviço em prol da segurança financeira futura das pessoas.

Os fundos de pensão precisam ser capazes de entregar um conjunto mais abrangente de produtos, serviços e soluções que ajudem as pessoas na busca pela segurança financeira.

Precisam usar análise de dados, identificar necessidades, evoluir nas soluções, agregar inteligência nos processos e facilitar as decisões dos participantes.

Minha formação básica é em modelagem de riscos atuariais. Quando eu comecei a fazer avaliações atuariais nos anos 80, tínhamos inúmeros processos para validar a qualidade e fidedignidade dos dados individuais dos participantes.

Isso não mudou muito de lá para cá, a não ser enviar esse trabalho para países com mão-de-obra mais barata, como a Índia, quando o ideal seria automatizar esses processos com o uso de Inteligência Artificial e liberar o tempo e o esforço dos atuários deixando-os livres para se dedicarem a análises e modelagens de riscos de alto nível. Enquanto isso 👇👇👇

Até recentemente, se você adotasse uma tecnologia nascente antes de seus competidores, você ganhava uns dez anos de dianteira. Devido ao ritmo alucinante das inovações, se você adotar uma nova tecnologia, uma nova solução hoje, você ganha no máximo um ou dois anos de dianteira.

O segmento que não se mexer agora, vai começar a curva de declínio rapidamente.  Se você prestar a atenção ao que vem acontecendo nos últimos anos com o outrora pujante setor das gigantescas firmas globais de consultoria atuarial, vai se dar conta de que no segmento de fundos de pensão, esse declínio já pode ter começado ... !

A construçāo de um novo modelo operacional e de negöcios precisa acontecer de forma a nāo apenas posiconar os fundos de pensāo para os desafios do momento, mas para ser adaptado continuamente às transformações. Ou seja, os fundos de pensāo precisam de um modelo operacional e de negócios escalável 👇👇👇


Por fim, segue um brainstorming para os fundos de pensāo que estejam querendo chegar no futuro, antes que o futuro chegue neles. Leve essa discussāo para seu conselho deliberativo e saia de lá com o compromisso de implementar mudanças - alguma mudança - ou saia de lá correndo para atualizar seu CV 👇👇👇


Espero que tenham gostado.


Grande abraço,

Eder.


Disclaimer: Esse artigo foi baseado no Webinar “Digitally Transforming P&C Operatrions for a New Era of Work”, organizado pelo SVIA - Silicon Valley Insurance Accelerator 👇👇👇


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