De Såo Paulo, SP.
Em 2013 um grupo de pesquisadores de Harvard conduziu um estudo com 19 mil pessoas, para as quais fizeram apenas duas perguntas:
1. Quanto os seus valores, preferências, personalidade e prioridades, mudaram nos últimos 10 anos?
2. Quanto você espera que seus valores, preferências, personalidade e prioridades, mudem nos próximos 10 anos?
O resultado foi fascinante. Em todas as faixas etárias - de adolescentes a indivíduos com quase 70 anos - as pessoas responderam consistentemente que haviam mudado muito no passado, mas nāo esperavam mudar muito no futuro.
No estudo, publicado na Revista Science, os pesquisadores escreveram:
“As pessoas, ao que parece, consideram o presente como um divisor de águas no qual finalmente se tornaram quem serāo pelo resto de suas vidas.”
O fenômeno foi chamado de “Ilusāo do Fim da História”.
Entender essa ilusāo - e aprender como evitá-la - teria grande impacto nos fundos de pensāo, pois envolve a capacidade de se navegar pelas incertezas e mudanças que teremos pela frente na previdência complementar e no mundo. É importante porque:
A IA está mudando a natureza do trabalho numa velocidade cresccente;
Trajetórias de carreira corporativa, antes seguras, parecem cada vez mais frágeis;
Setores inteiros e instituiçōes que evoluíam lentamente, estão se transformando drasticamente em prazos cada vez mais curtos;
Pressupostos antigos sobre os quais foram construídos os fundos de pensāo, tipo, estabilidade, emprego e renda, estāo ruindo.
Sem duvida, essa é a Era da Incerteza e parafraseando o almirante Romano Caio Plinio Segundo - conhecido como Plinio, o Velho: “a única certeza é que nada é certo”. Em seu livro The Other Side of Change, a cientista cognitiva Maya Shankar, escreveu:
“Quando nos sentimos intimidados no início de uma mudança, há algum conforto em saber que a pessoa que passará por toda a experiência será diferente da pessoa que somos neste exato momento. Nos tornaremos novas pessoas do outro lado da mudança, de maneiras que somos capazes de moldar.”
Isso é chave para o fundo de pensāo que quiser evitar a Ilusāo do Fim da Historia. O erro que os fundos de pensāo cometem é presumir que as incertezas à frente demandarāo que sua versāo atual enfrente os desafios de amanhā.
Nāo é assim que funciona.
A incerteza externa é um catalisador para a mudança interna. Fundos de pensāo não sāo entidades fixas, nāo sāo soluçōes finalizadas, mas em processo de constante transformação.
Inovaçōes transformam as perspectivas. Novos desafios forjam novas habilidades. Novos capítulos criam novos valores. O fundo de pensāo de hoje não é o mesmo que era há um ano — e não será o mesmo daqui a um ano.
Somente quando os fundos de pensāo reconhecerem que seu crescimento é contínuo, irāo parar de ver a incerteza como algo a ser evitado e começarāo a vê-la como algo a ser abraçado - isso vale para os investimentos, para os desenhos de plano e para as solucões de poupança que hoje oferecem.
Este não é o fim da história, é apenas o começo, pode acreditar.
Grande abraço,
Eder
Fonte": “The End of History Illusion”, Sahil Bloom.


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