quarta-feira, 9 de setembro de 2020

TE CONTEI? O FUTURO DO DINHEIRO PODE LEVAR A SERVIÇOS BANCÁRIOS SEM BANCOS, MAS HÁ PREVIDÊNCIA SEM FUNDOS DE PENSÃO?


 

De São Paulo, SP.


O QUÊ ESTÁ ACONTECENDO

Bill Gates cunhou a frase: “serviços bancários são necessários, bancos não”. Desde então, as fintechs, inovações, moeda digital e finanças descentralizadas vem desafiando o sistema financeiro tradicional. Tecnologias futuristas como “tokenização” de ativos e criptomoedas estão criando toda uma economia paralela onde “valor” transcende “dinheiro” e serviços financeiros vão se tornando uma transação P2P, i.e., entre indivíduos. O tempo em que alguém entrava pela porta de um edifício chiquérrimo, sentava-se diante de um gerente e apresentava uma lista de documentos para abrir uma conta bancária: “gone”, se foi, terminou, “zilt”, acabou, fim. O que vem depois?

 

PORQUE ISSO É IMPORTANTE: 

Em meio a essa enorme transformação, como você enxerga o futuro dos fundos de pensão? Da mesma forma que o dos bancos? Como o legado desses sistemas se conectará com as novas tecnologias? Clientes bancários atendidos por 10-15 anos, tudo o mais mantido constante, costumam seguir o gerente quando ele muda de banco. O nome disso é confiança. E no caso dos fundos de pensão? Qual papel a confiança desempenha? O que vem depois?  

 

CONCLUSÃO: 

Meu papel de “Professional Provocateur” é fazer as perguntas. As respostas podemos discutir em reuniões de conselhos de fundos de pensão. 


Quem quiser assistir o webinar completo, clique: aqui (não sei por quanto tempo ficará no ar).


Grande abraço,

Eder.



segunda-feira, 7 de setembro de 2020

ESG – DISCLOSURE, MATERIALIDADE DINAMICA E DUPLA MATERIALIDADE

 


 

De São Paulo, SP.


Ainda que lentamente, o susto com a pandemia vai ficando para trás enquanto empresas e fundos de pensão ensaiam a retomada das atividades. 

 

Você deve ter notado nesse retorno, que organizações de todos os tipos andam fazendo questão de demonstrar na mídia a preocupação com a saúde dos empregados. O assunto ganhou mais destaque do que as projeções de receita, discussões sobre perda de participação de mercado ou mesmo risco de crédito numa economia global cambaleante.

 

Um dos impactos do Covid-19 sobre as organizações foi um cuidado maior na comunicação de suas ações sociais para todas as partes interessadas, os chamados stackeholders. A mídia foi inundada com artigos e posts sobre iniciativas corporativas para proteger os empegados contra o vírus, focar no seu bem-estar e adequar o local de trabalho ao distanciamento. Uma mudança e tanto 

 

A letrinha “S” no ESG, que significa Social, repentinamente foi ampliada para além das tradicionais discussões em torno de diversidade, igualdade de gênero, cuidado com minorias e assuntos afins.

 

Em 1970 o New York Times publicou um ensaio do economista Milton Friedman no qual ele argumentava que os acionistas são o único grupo com o qual uma empresa precisa ser socialmente responsável. O objetivo das empresas, dizia Friedman, seria maximizar o lucro para os acionistas e esses poderiam, então, decidir por si mesmos de qual iniciativa social tomariam parte. 

 

Friedman entendia não caber a um executivo, apontado pelos acionistas para tocar o negócio, decidir qual questão social a empresa deveria privilegiar. Um executivo que gasta dinheiro da empresa em causas sociais está, na verdade, gastando dinheiro dos outros para atingir seus propósitos pessoais. A doutrina Friedman ou teoria do acionista, que chamou a atenção para um ponto ainda não resolvido da ética nos negócios, aparentemente deixava de fora os empregados de uma empresa e os participantes de um fundo de pensão. 

 

A verdade é que o mundo evoluiu e daqui para frente será menos relevante a quem cabe decidir, se executivos ou acionistas, como uma empresa trata as questões ESG. O importante mesmo, vai ser “o que” a empresa está fazendo e por isso começa a ganhar importância a comunicação e o reporte dessas medidas.

 

A comunicação com a sociedade terá que ser repensada e as posições adotadas pelas organizações em relação às questões ambientais, sociais e de governança terão que ser reportadas fidedignamente. Empregados, consumidores e ______ (complete com a categoria que achar importante) inevitavelmente irão comparar as empresas.

 

Existe uma demanda vinda principalmente dos investidores institucionais, por maior padronização no reporte pelas empresas de informações sobre esses aspectos. Apesar de não haver uma abordagem única, existem algumas diretrizes para as organizações reportarem, com certo grau de padronização, o que andam fazendo em prol de sua sustentabilidade no longo prazo. 

 

Iniciativas como as do SASB – Sustainability Accounting Standards Board, do TFCFD - Task Force on Climate-related Financial Disclosure e do GRI – Global Reporting Initiative, fornecem um norte para que as empresas reportem os fatores ESG que consideram mais importantes para elas. Investidores institucionais como BlackRock, BNP Paribas e State Street, vem requerendo que as empresas divulguem suas iniciativas de acordo com esses padrões, para que seja possível comparar o perfil ESG de cada uma. 

 

Materialidade dinâmica e dupla materialidade dos fatores ESG

 

As empresas preocupadas com a sustentabilidade dos negócios no longo prazo, geralmente, revisam em ciclos de um ou dois anos a materialidade dos aspectos ESG que as afetam. O ano de 2020, porém, mostrou que os fatores ESG podem mudar de repente e passar a incluir aspectos que não vinham sendo considerados, como capital humano e pandemias. 

 

O Covid-19 reforçou o conceito de “materialidade dinâmica”, segundo o qual o impacto material dos fatores ESG para uma empresa e suas partes interessadas, evolui com o tempo. Além disso, o episodio causado pelo Sars-Cov-2 fez as empresas perceberem que a avaliação e o reporte dos impactos sobre os negócios advindos das questões ESG, não podem se limitar somente à materialidade financeira. 

 

Cresce o consenso de que as empresas precisam adotar o conceito de “dupla materialidade”, criado em 2017 por uma diretriz da Comissão para Reportes Não-Financeiros da Comunidade Europeia (EU Commission’s 2017 Non-Financial Reporting Directive). A ideia, essencialmente, é expandir as definições básicas de materialidade financeira e passar a considerar os impactos das empresas para a sociedade e o meio ambiente.

 

As informações adicionais que investidores, firmas que votam por procuração nas assembleias de acionistas e agências de rating estão requisitando das empresas, englobam aspectos ligados à inquietação social pipocando em países desenvolvidos.

 

Eu faço o que eu digo

 

Reportar iniciativas que buscam igualdade de gênero e diversidade étnica da força de trabalho já fazia parte das melhores práticas de empresas norte-americanas e britânicas. 

 

Nos países desenvolvidos uma empresa que se posiciona como preocupada com aspectos ESG e sequer demonstra em seus relatórios sociais que adota políticas para promover diversidade e igualdade de gênero, nem é levada a sério.

 

disclosure padronizado das iniciativas das empresas, demonstrando em seus relatórios financeiros e sociais as medidas adotadas na prática em defesa dos princípios ESG, permitirá que os stackeholders separem as sérias daquelas que estão apenas fazendo “greenwashing” ou “purpose-washing”.


 

“Greenwashing” ou banho verde:  termo que aponta para pessoas ou organizações que se apropriam de virtudes ambientalistas mediante técnicas de marketing e relações públicas, o famoso “jogar para a galera”.

“Purpose-washing” ou banho nos propósitos: semelhante ao banho verde, são declarações feitas por empresas ou indivíduos de forma inteligente e chamativa, na tentativa de convencer o mundo de que o planeta, as pessoas e os princípios ESG, vem antes dos lucros.

 

Veja o tipo de informação que vem sendo requerida por investidores institucionais, acionistas e agências de rating:

 

Investidores – Estão prestando atenção no reporte de informações pelas empresas sobre suas iniciativas de diversidade e inclusão e demandando mais métricas relacionadas ao assunto. Alguns investidores estão de olho em empresas cujo CEO andou fazendo declarações sobre planos de diversidade para saber as medidas concretas embasando tais declarações. Além disso, os investidores querem reassegurar que as empresas tenham processos de recrutamento que evitem viés racial e querem ver as metas, métricas e dados por trás dessas políticas.  

 

Acionistas – As grandes firmas que votam por procuração, representando acionistas, tem demandado que as empresas divulguem informações sobre a composição étnica de seus conselhos e diretorias executivas. Vários investidores institucionais estão usando dados compilados por essas firmas para orientar seus votos nas assembleias e começam a votar contra a recondução de boards nas empresas que avaliam ter diversidade insuficiente.   

 

Agências de rating – Algumas das maiores agencias de rating estão aplicando questionários específicos sobre as medidas adotadas em relação ao Covid-19, na avaliação das empresas. A S&P, por exemplo, incluiu aspectos sociais relativos a desigualdade e injustiça social em suas avaliações.  

 

Fica bem claro que a pandemia ressaltou a relevância dos aspectos ESG para as empresas. Em um primeiro momento, aquelas que se preocupam com questões ambientais, sociais e de governança estão sendo recompensadas. Pelo andar da carruagem, em um segundo momento, ao invés da recompensa para as que adotam esses princípios, virá punição para as que não adotam.

 

Seu fundo de pensão, está atento a tudo isso?

 

Grande abraço,

Eder.



Fonte: Adaptado do artigo "ESG Communications FAQ: How to Build Back Better?", escrito por Heather Keough e Chris Plath.


Credito de Imagem: https://www.elevatelimited.com

 


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

TE CONTEI? MUDANÇA CLIMÁTICA NÃO É COISA SÓ DE POLITICO E GENZ, OS CONSELHOS DOS FUNDOS DE PENSÃO PRECISAM SABER


 

De São Paulo, SP.


O QUÊ ESTÁ ACONTECENDO: 

Os cerca de 250 maiores fundos de pensão britânicos, com patrimônio superior a £1bn, terão que divulgar publicamente a partir de 2023 os riscos que seus participantes correm em função das mudanças climáticas e o que farão para atingir a meta de emissão zero de carbono. Já a partir de 2022 a regra será obrigatória para os cerca de 100 fundos com patrimônio > £$ 5bn. Os fundos terão que seguir a governança, gestão de risco, métricas e diretrizes do TCFD-Taskforce on Climate-related Financial Disclosures. O Reino Unido será a sede da COP26 no ano que vem, em Glasgow.  

 

PORQUE ISSO É IMPORTANTE: 

Todos os 195 países que assinaram o acordo de Paris (COP21) em 2015, Brasil inclusive, terão que cumprir as regras de emissão zero de carbono até 2050, visando limitar o aquecimento global a menos de 2,0c até o fim desse século. Os fundos de pensão dos países que empurrarem o assunto com a barriga, terão problemas sérios daqui a poucos anos, com agências de rating, imagem institucional, pressão social, retorno dos investimentos e regulamentação.

 

CONCLUSÃO: 

O conselho deliberativo do seu fundo de pensão está a par do assunto? Ou vai pedir desculpas em 2032 junto com os lideres do video de deepfake abaixo? Adotar os princípios ESG é apenas o 1º passo de uma longa caminhada ...





Grande abraço,

Eder.


Fonte: Hundreds of UK pension schemes to fall under climate risk reporting rules, escrito por Michael Holder

 


terça-feira, 1 de setembro de 2020

TE CONTEI? BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE AS MUDANÇAS NO MUNDO DOS FUNDOS DE PENSÃO

 


 

De São Paulo, SP.


O QUÊ ESTÁ ACONTECENDO: 

Três níveis de explicação para todos poderem entender: 1) Para uma criança de 5 anos: amanhã vamos guardar seus brinquedos em um lugar diferente; 2) Para alguém com 15 anos: o futuro dos fundos de pensão parece muito com o passado, mas é muito mais abrangente, mais rápido e inclusivo; 3) Para um profissional de fundos de pensão: cada geração usa meios para economizar para o futuro a partir da tecnologia da sua época, os meios usados pelas gerações anteriores convivem por um breve período com os novos e tendem a desaparecer por completo. 

 

PORQUE ISSO É IMPORTANTE: 

Olhe o que aconteceu com as corretoras de valores. Os operadores de bolsa na Merrill Lynch, criada em 1914, falavam cara-a-cara com seus clientes. Já os operadores da Charles Schwab, criada em 1971, usavam o telefone. Na E-Trade, criada em 1982, as ordens de compra e venda chegavam pelo website e na Robinhood, corretora lançada em 2013, o meio usado para negociação é um app. As novas tecnologias nem sempre tiram do mapa a velha guarda, mas ocasionalmente tiram do mercado os players dominantes.   

 

CONCLUSÃO: 

Prepare-se para um mundo melhor, com soluções de previdência mais baratas, mais populares e mais acessíveis.


Grande abraço,

Eder.

 


Fonte: Quartz Daily Brief 



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