sábado, 14 de março de 2026

PODEMOS FAZER MAIS DO QUE ISSO. A PREVIDENCIA COMPLEMENTAR MERECE MAIS DO QUE UMA DATA COMEMORATIVA


 


De Sāo Paulo, SP.


Na última quarta-feira, 11 de março de 2026, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o PL (Projeto de Lei) nr. 3.346/2025, que institui o Dia Nacional da Previdência Complementar, a ser celebrado todo ano em 16 de abril.

O projeto foi aprovado na Comissao de Cultura (CCULT) e segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), em caráter terminativo.

Tudo bem, celebrar não é proibido. Aliás, reconhecer a importância histórica da previdência complementar também não é bobagem. O próprio projeto vincula a data à criação da PREVI, o fundo de pensāo dos funcionários do Banco do Brasil - ocorreida em 16 de abril de 1904 - e fala em conscientização, proteção financeira e valorização institucional do setor.

Mas convenhamos:

A previdência complementar brasileira precisa de mais do que bolo, vela e “parabéns pra você”.

Precisa de Congresso com visāo, precisa de agenda legislativa séria, precisa de tempo dos políticos gasto com o que realmente muda a vida dos poupadores de longo prazo — mais importante ainda, a vida dos escluídos previdenciaários, gente que nem sequer consegue entrar no sistema.

Enquanto se cria um dia nacional para celebrar a previdência complementar, continuam de pé alguns dos problemas mais óbvios do setor:

  • Baixa cobertura em todos os níveis salarais;

  • Excesso de fricção na explicaçāo do funcionamento dos planos;

  • Inexistencia de um mercado de anuidades (rendas vitalicias) no país,

  • Saldos com pequeno valor espalhados entre diferentes fundos de pensāo, abandonados, esquecidos no tempo e no espaço, consumidos até zerar por taxas de administraçāo;

  • Dificuldade de conexão do setor com os jovens;

  • Pouca criatividade no desenho dos produtos de poupança previdenciária e um debate público ainda tímido demais para o tamanho do desafio.

O Brasil tem um sistema de previdencia complementar relevante em patrimônio, mas ainda muito aquém do seu potencial como instrumento de proteção social e formação de poupança de longo prazo.

A ironia é que boas ideias não faltam, nem aqui, nem lá fora.

Nos últimos anos, outros países aprovaram ou aceleraram mudanças legislativas e regulatórias bem mais transformadoras.

Na Austrália, a agenda recente foi em outra ferida clássica: o atraso no depósito da poupança previdenciária do trabalhador. A legislação do Payday Super, aprovada em 2025, passou a exigir que a contribuição do trabalhador chegue ao fundo de pensāo em até sete dias úteis do pagamento do salário, reforçando a proteção do participante e facilitando a fiscalização.

Nos Estados Unidos, o pacote de lei conhecido por SECURE 2.0 continua produzindo efeitos práticos: incentivo reforçado para pequenos empregadores criarem planos de aposentadoria e até possibilidade de matching patronal vinculado ao pagamento de dívida estudantil qualificada — uma tentativa bastante inteligente de dialogar com a vida real de quem é jovem e está sufocado por outras prioridades financeiras.

Credito de Imagem: www.steinsperling.com

Percebe a diferença de foco? Lá fora, o legislador pergunta:

  • Como trazer mais gente para dentro da previdência complementar?

  • Como reduzir atrito?

  • Como evitar perda de poupança?

  • Como adaptar o sistema aos vinulos de trabalhado modernos?

  • Como transformar previdência complementar em infraestrutura financeira de longo prazo para a vida real?

Aqui, em Brasília, por enquanto, uma parte da energia vai para:

  • Qual é a melhor data para comemoração?

Não é má-fé, nāo é desconhecimento, mas certamente, é baixa ambição.

O mais curioso é que o próprio Brasil já mostrou que consegue avançar, quando quer. A Resolução CNPC/MPS nº 60, de 2024, ainda que com mais de dez anos de atraso, inovou ao permitir a inscrição automática de participantes em planos administrados por fundos de pensāo, como mecanismo de incentivo à proteção social de longo prazo.

O problema é que isso ainda é mais exceção do que parte de um projeto nacional.

Bastaria, aliás, fazer um pouco de “Lavoisier Previdenciário”:

Num congresso em que nada se cria, tudo se pode copiar e adaptar para melhor.

Aqui mesmo no Canal TECONTEI?, várias ideias já foram lançadas.

Em um artigo recente, foi defendida a possibilidade de usar a previdência complementar como apoio à compra da primeira moradia, algo que já existe, em formatos diferentes, em países como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Singapura e África do Sul.

A tese é simples: para o jovem, aposentadoria aos 65 pode parecer um planeta distante. Casa própria, não. Se a previdência complementar quiser continuar relevante para novas gerações, precisa conversar com as angústias concretas da vida adulta.

Em outro post no TECONTEI?, chamei atenção para o avanço britânico na discussão sobre “small pots” — aqueles saldos pequenos, largados para trás quando a pessoa muda de emprego.

A proposta: consolidação automática fazendo “o saldo seguir o participante” e atacando um problema real: poupança fragmentada, perdida, corroída por custo administrativo e por puro esquecimento.

Isso não é detalhe operacional; isso é defesa do patrimônio previdenciário do trabalhador.

Houve também a defesa explícita de um olhar para fora, com menos soberba e mais pragmatismo: copiar mecanismos que já funcionam em outros mercados e transformar a velha retórica da “previdência para todos” em desenho institucional de verdade.

Traduzindo tudo isso para uma agenda mínima que o Congresso deveria estar discutindo com urgência, em vez de se contentar com o calendário festivo, daria para listar pelo menos quatro ou cinco frentes.

  1. A primeira: portabilidade e consolidação automática de saldos pequenos, para impedir que a poupança do trabalhador desapareça em gavetas previdenciárias espalhadas por empregos antigos.

  2. A segunda: novos usos socialmente inteligentes da poupança previdenciária, como apoio limitado e bem regulado à primeira moradia e contribuicoes para a previdencia equivalentes ao credito estudantil sendo pago pelo empregado, especialmente para estimular a adesāo, engajamento e percepção de valor pelos jovens.

  3. A terceira: criaçāo de um mercado de anuidades (rendas vitalicias) pelas seguradoras brasileiras atraves de regulaçāo ou permissāo de compra de anuidades diretamente pelos participantes/grupo de participantes, no mercado internacional.

  4. A quarta: inclusão previdenciaria, incentivando micro e pequenas empresas a oferecer previdencia complemetar aos seus empregados, através de crédito tributário e/ou alocando em plano de previdencia complementar cerca de R$ 50/mês por membro da familia que recebe auxilio social do governo (bolsa familia)

Credito de Imagem: www.acheconcursos.com.br/

Nada disso é mirabolante. Nada disso exige reinventar a roda. E várias dessas ideias já foram testadas, debatidas ou aprovadas em outros países.

Por isso, o ponto não é atacar o PL do Dia Nacional da Previdência Complementar como se ele fosse um escândalo. Não é. O ponto aqui é outro: ele simboliza a distância entre a liturgia política e a urgência real do setor.

A previdência complementar brasileira não precisa apenas ser homenageada.

  • Precisa ser atualizada.

  • Precisa ser ampliada.

  • Precisa ser destravada.

  • Precisa ser redesenhada para um país mais velho, mais informal, mais digital, mais desigual e muito menos previsível do que aquele para o qual grande parte das regras foi imaginada.

Em resumo: se o Congresso quer mesmo prestar uma homenagem à previdência complementar, há um jeito melhor do que criar uma data.

É criar um futuro para ela.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Projeto criando “Dia Nacional da Previdência Complementar” é aprovado em comissão da Câmara”, PreviDigest.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas


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