quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

TE CONTEI? FUNDOS DE PENSÃO: O QUE VEM A SEGUIR E EM QUAL MERCADO ELES CAUSARÃO DISRUPTURA.

 



De São Paulo, SP.


 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO:

Vamos responder olhando para o AirBnB. A resposta óbvia, no caso deles, é: o mercado de hotéis. Em seu livro “The Innovator's Dilemma”, Clay Christensen descreve como as inovações disruptivas começam pelo extremo inferior de um mercado, atendendo as pessoas sensíveis aos preços ou que simplesmente não podem pagar pelos produtos. Foi assim que o AirBnB começou, atendendo pessoas que mal podiam pagar por um hotel e dispostas a dormir num colchonete no apartamento de um estranho. Gradualmente, passou a atender pessoas que podiam pagar um hotel simples, mas queriam uma experiência ou local diferentes. Evolui então para turistas, famílias e grupos com alto poder aquisitivo. Um caminho nada óbvio, que tornou o AirBnB a maior marca de hotelaria do mundo, com capitalização de mercado maior que Marriott, Hilton e Accor (juntas).

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

O destino final do AirBnB, porém, não é o mercado de hotelaria, mas o mercado habitacional e seu impacto será muito mais disruptivo para quem aluga apartamentos do que para quem gerencia hotéis. “Por que leva 30 segundos para achar, pagar e se mudar para um apartamento no AirBnB e 30 dias ou mais para se mudar para o mesmo apartamento através de um contrato de locação tradicional? ”, pergunta Konrad Putzier no Wall Street Journal. Na matéria, Putzier diz que o AirBnb está lançando um serviço para locação de apartamentos com os maiores proprietários e gestores de imóveis dos EUA. A trajetória do AirBnB mostra como a disruptura em um mercado acaba afetando outros.

 

CONCLUSÃO:

Engana-se quem pensa que o futuro dos fundos de pensão está nas faixas salariais mais altas, na turma muito acima do teto do INSS ou nos empregados com vínculo empregatício das grandes empresas. A disruptura na previdência complementar vai começar por baixo, nas rendas mais modestas, na economia informal, nos “sem conta em banco", nos pequenos negócios. Depois, vai evoluir para as rendas mais altas e .... causar disruptura nos mercados de crédito, investimentos e meios de pagamentos. Quer embarcar nessa? Podemos fazer isso juntos!

 

Grande abraço,

Eder.


 

Fonte: Airbnb's Double Disruption, escrito por Drog Poleg


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

NO MUNDO DO FAZ DE CONTA, O FUNDO DE PENSÃO QUE NÃO SE PREOCUPAR COM O “G” DE ESG SERÁ ALVO DA SELEÇÃO NATURAL

 




De São Paulo, SP.


Acontecimentos na semana passada expuseram a hipocrisia do board de empresas que são notórias por sinalizar suas virtudes, mas que ao invés de demonstrarem sua coragem, preferiram se esconder debaixo da mesa esperando as coisas se acalmarem e o problema passar.

A bomba que expôs o sério problema de governança, veio da China. Quinta-feira passada, enquanto discutíamos o imbróglio das eleições presidenciais aqui no Brasil, 12 pessoas foram queimadas vivas num prédio em Xinjiang.

Com a porta de saída do prédio soldada por causa da política de lockdown, que visa alcançar Covid19-zero na população, os bombeiros não puderam entrar para apagar as chamas e as pessoas presas dentro do prédio não puderam fugir.

Protestos contra o partido comunista Chinês irromperam em Shangai, Pequim, Wuhan e até em Toronto, Nova York e São Francisco, assim como em outras partes do globo. Independentemente de sua orientação política, é difícil alguém no mundo ocidental negar que os protestos são por uma causa justa.

Por isso, ficaram todos chocados quando começaram a chegar notícias de que a Apple – sim, a tão queridinha empresa da maçã – prejudicou a capacidade dos manifestantes se comunicarem, limitando a função AirDrop dos smartphones vendidos na China continental.

Isso mesmo depois da divulgação em meados de novembro de que trabalhadores da fábrica de Iphones em Zhenzhou haviam apanhado da polícia, simplesmente porque queriam ir para casa, estavam confinados na planta há semanas.

Aparentemente, o board da Apple optou por tapar o nariz e virar a cara para as atrocidades de um regime autoritário, em troca dos benefícios e vantagens que um país com mão-de-obra barata e potencial massivo de mercado, como a China, pode oferecer.

Qualquer empresa genuinamente preocupada com direitos humanos, zelosa de sua reputação corporativa e do impacto que acontecimentos desse tipo podem causar sobre seus empregados, clientes e acionistas, teria se perguntado: O que deveríamos estar fazendo em relação a esse problema? Que resposta deveríamos dar?

Uma verdade inconveniente para Al Gore e os demais membros do conselho da Apple é que as pessoas notam, sim, a covardia dos conselhos que tentam se esquivar de questões difíceis. Principalmente quando esses mesmos conselhos são rápidos em propagandear suas virtudes em outras áreas. A hipocrisia do Al Gore e companhia é impressionante!  

É fácil posar de paradigma das virtudes corporativas quando tudo que um conselho precisa fazer é aprovar uma polpuda doação filantrópica ou mudar a página de governança do website para descrever o comprometimento do conselho com ESG.

Outra coisa é se livrar de um fornecedor Chines de baixo custo por causa de abusos nos direitos humanos ou avisar a um regime autoritário que seu produto funciona da mesma forma em todo lugar do mundo e não será alterado.

Mas tem também a BlackRock. Esta outra entrou para a lista negra do fundo de pensão dos funcionários públicos do estado americano da Florida, que retirou US$ 2 bilhões que estavam sob gestão da BlackRock.

Em dezembro do ano passado, o diretor executivo do Consumer Research, uma das maiores organizações de defesa do consumidor nos EUA, emitiu um alerta aos consumidores sobre a BlackRock. Enviou carta aos governadores dos dez estados cujos fundos de pensão tinham os maiores valores sob gestão daquela asset manager.

A carta expressava preocupação dos laços da BlackRock com a China, suas elevadas posições em investimentos no país e os riscos inerentes a tais investimentos, uma vez que as empresas chinesas são pouco transparentes e os investimentos nem são feitos diretamente nas empresas, mas sim por meio de outros mecanismos opacos.

Curiosamente, Apple e BlackRock tem um conselheiro em comum. Susan Wagner, co-fundadora da BlackRock que foi Vice-presidente de seu Conselho e COO. Por ter se aposentado em 2012, Susan é considerada hoje uma conselheira independente sob as regras da bolsa de Nova York.

Além de Susan, Larry Fink, que também é co-fundador da BlackRock e preside seu conselho de administração, integram o colegiado de 16 membros (uauuuu) cerca de 5 conselheiros que ocupam a cadeira há mais de 20 anos cada um.

Na Grã-Bretanha, considera-se que um conselheiro que tenha ficado na cadeira por mais de 10 anos, já perdeu sua independência faz tempo.

Durante minhas aulas para conselheiros de fundos de pensão, tenho dito reiteradamente que as novas gerações é que salvarão o mundo. Eu falo isso porque para a Geração Z e mesmos Millenials, não são propriamente os produtos que importam.

A admiração que eles têm por uma marca ou empresa decorre do alinhamento de propósitos individuais com os propósitos corporativos. Quando o que está em jogo são “valores” e não valores $$$, maçãs e pedras pretas são jogadas fora com a maior facilidade...

Sabe por que seu fundo de pensão ainda não foi impactado por isso? Dá uma olhadinha na idade média dos novos participantes e na proporção de participantes das novas gerações em relação aos demais e você vai entender a razão.



.... e lembre, sem novos participantes ou sem uma preocupação genuína com essas questões, seu fundo de pensão vai caminhar para extinção, bem ao estilo da seleção natural de Charles Darwin.


Grande abraço,

Eder.

 

 

Fonte: Will Three Virtue-Signaling Boards Address orIgnore Tough Governance Issues: Apple, BlackRock and Kering, escrito pela minha querida Beverly Behan.

 



sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

TE CONTEI? O QUE MOSTRA O RELATÓRIO GERENCIAL DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO 3º TRI-2022 SOBRE O FUTURO DOS FUNDOS DE PENSÃO

 




De São Paulo, SP.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO:

Foi publicada uma das melhores radiografias do sistema de previdência complementar brasileiro. Essa pérola é feita pela subsecretaria de previdência complementar do ministério do trabalho e previdência, com dados até o mês de setembro/2022. Lendo com atenção, pode-se inferir para onde caminham os fundos de pensão

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

1) Quantidade: a tendência mundial de redução no nº de fundos de pensão segue firme. No Brasil foram diminuindo em todos os anos nos últimos 10 anos, eram 328 em 2013, restaram 272 em 2022 - no pico totalizavam uns 370 no inicio dos anos 2000; 2) Menos jovens: a faixa etária de 25 a 34 anos é o ponto de entrada no mercado de trabalho, eles eram 26% do total de participantes dos fundos de pensão em 2015, em 2021 eram 17%, uma redução de quase dez pontos percentuais, seguindo queda contínua ano a ano (gráfico acima). Todas as demais faixas etárias tiveram aumento ou manutenção do % de participantes; 3) Contribuição média: o ticket médio nos planos CD e CV dos fundos de pensão em 2022 é respectivamente de R$ 246 e R$ 442. Nos VGBLs das seguradoras (entidades abertas), esse ticket médio é de R$ 1.687! Essa diferença se verifica em todos os anos desde 2013 e pode indicar muita coisa, tipo, fundos de pensão excluem a economia informal de seus planos ou não capturam a mudança dos vínculos de trabalho tradicionais para vínculos PJ, temporários e outros ou ....; 4) Alvos para consolidação: cerca de 40% dos fundos de pensão tem patrimônio inferior a R$ 500 milhões e outros 32% tem patrimônio entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões. Uma conta de padaria mostra que metade dos atuais fundos de pensão, cerca de 130 a 140 deles, se tornará inviável se considerarmos uma escala mínima em torno de R$ 1,3 bilhões para justificar a manutenção de uma estrutura dessas. Esses, são alvos potenciais para consolidação no curto prazo, próximos 5 a 7 anos; 5) Sucessor de BD e CV? De R$ 1,15 trilhões de patrimônio dos fundos de pensão, nada menos que R$ 1 trilhão estão em planos BD e CV, que caminham para extinção. Apenas R$ 0,15 trilhões estão em planos CD, que chegaram no Brasil há +30 anos e seriam os sucessores naturais dos demais planos. Será mesmo que planos CD são o futuro?

 

CONCLUSÃO:

Essas e outras análises podem ser feitas a partir dos dados divulgados no relatório. Se você está focando no presente e no passado dos fundos de pensão, vai enxergar uma linda história, mas se o seu foco for o futuro da previdência complementar, os dados não vão te mostrar um quadro muito promissor. Para se preparar para o futuro, você vai precisar de outros dados e análises.


Grande abraço,

Eder.



Fonte: Relatório completo: aqui

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