Todos os dias os atuários trabalham fazendo mágica para prever o imprevisível, estimar o inestimável e tornar o mundo um lugar mais seguro e acolhedor.
Os atuários sabem que a vida é repleta de riscos e cheia de incertezas, mas de uma coisa temos certeza, sem risco de errar: hoje é dia de celebrar.
A Geração Alpha é o grupo demográfico que vem logo após a Geração Z (gráfico acima).
Nascidos a partir de 2010 até 2025, os filhos dos Milênios são a primeira geração nascida integralmente no Século XXI.
Os Alpha estão sendo criados num momento de confluência de uma série de eventos históricos: uma pandemia em fase final, uma crise econômica de grandes proporções - com inflação gigantesca e um ponto de inflexão de uma série de avanços tecnológicos como inteligência artificial, blockchain e cryptoativos.
Todos esses elementos exercem forte influência na maneira que seus pais os educam e os preparam para a vida adulta – e sobre a visão de mundo dessa garotada.
Um estudo intitulado “A Brand’s Guide to Gen Alpha”, feito pela Morning Consult com 2.000 pais de crianças com idades entre 0 e 9 anos e outros 1.000 pais de jovens com idades abaixo de 18 anos, ajuda a entender o comportamento da Gen Alpha e a projetar o impacto futuro sobre diversos aspectos econômicos e sociais, por exemplo:
Os pais acreditam que os Alpha se darão melhor do que eles financeiramente, mas não em termos de saúde mental – pode colocar isso na conta do Covid-19
A vida dos Alpha hoje é profundamente digital, 54% deles têm um tablet e o futuro deles aponta para a realidade virtual
Os Alpha já estão influenciando os hábitos de compra dos pais, especialmente em relação a comidas, bebidas e o destino das viagens em família
Os pais da Gen Alpha estão preocupados com sua saúde financeira, devido ao impacto da recessão sobre seu estilo de vida, com desdobramentos sobre o futuro dos filhos.
Resultados que interessam para a previdência complementar
Os pais dos Alpha estão procurando aconselhamento financeiro sobre a melhor forma de preparar seus filhos para que sejam financeiramente bem-sucedidos.
Se por um lado a maioria procura ajuda entre parentes e amigos (42%), o que chamou minha atenção foi a quantidade de pais que busca esse tipo de apoio pesquisando diretamente na Internet (26%), por meio de apps de planejamento financeiro (23%), mídias sociais (19%) ou através de robot advisors e corretores de valores online (13%) - Gráfico a seguir.
Isso é importante porque meros 16% dos pais da Gen Alpha procuram suas empresas para obter orientação financeira sobre como poupar para o futuro de seus filhos, enquanto a maioria vai à luta sozinho na web ou via celular.
Extrapolando esse resultado para o Brasil, significaria dizer que os planos família - criados por muitos fundos de pensão - teriam que ultrapassar a barreira da comunicação, marketing e tecnologia para aparecer no radar dos pais da Gen Alpha (os Milênios) como opção preferencial de poupança para o futuro de seus filhos.
Outro resultado interessante para o segmento de previdência complementar são os 74% de pais que abriram ou planejam abrir uma conta de poupança para seus filhos da Gen Alpha.
Os 37% que já abriram uma conta visando poupar para o futuro de seus filhos, o fizeram quando o filho tinha menos de 4 anos de idade e os outros 37% que planejam abrir, estão pensando em fazê-lo quando o filho tiver 10 anos ou mais.
Novamente o que chamou minha atenção foi o fato de 7% dos pais que abriram uma poupança para o futuro dos filhos terem feito através de uma conta de previdência, percentual que sobre para 22% dentre aqueles que disseram planejar fazê-lo.
Trocando em miúdos, quando se trata de poupar para o futuro dos filhos existe um gigantesco potencial para oferta de planos de previdência complementar a partir do nascimento, pois a consciência dos pais da Gen Alpha já existe.
Nota: IRA em inglês significa Individual Retirement Account e são equivalentes a um PGBL, VGBL ou plano instituído aqui da Terra de Cabral.
Finalmente, os pais da garotada têm começado a educação financeira dos filhos cada vez mais cedo, introduzindo conversas sobre como gastar dinheiro, poupar, sobre os diferentes tipos de dinheiro (em papel, cartão de crédito e cheque), como pagar por suas compras na loja física e até explicando os diferentes tipos de moeda digital.
A Gen Alpha terá um sólido conhecimento sobre finanças. Talvez pelo fato dos pais, os Milênios, terem passado pela grande crise financeira mundial de 2008 e hoje estarem enfrentado outra turbulência no cenário econômico mundial, eles estão criando os filhos com bastante atenção para a segurança financeira futura.
Ainda falta pouco mais de uma década, mas quando os Alpha finalmente entrarem no mercado de trabalho, eles já terão equacionado suas poupanças de longo prazo sem que para isso precisem de fundos dos pensão. A cada ano que passa as empresas contribuem com menos $$$ para seus planos corporativos, não com mais, fazendo esvanecer uma das maiores vantagens para alguém participar de fundos de pensão.
Quando os moleques e molecas da Gen Alpha se tornarem financeiramente independente dos pais, eles terão forte preferência pelas marcas que admiram.
Se as organizações de previdência complementar não começarem a construir marcas que se conectem com a Gen Alpha, que se alinhem com os propósitos deles, nem sejam por eles admiradas, se não oferecerem vantagens competitivas em relação às demais alternativas de poupança de longo prazo .... babau.
👉 As transações | pagamentos em tempo real (RTP ou Real-Time Payment) cresceram 63% em 2022, quando representaram 18% de todos os meios pagamentos. Em 2027 deverão representar 28% dos meios de pagamento.
👉 O complexo de vira-lata do brasileiro o impede de enxergar, mas os olhos do mundo se voltaram para o Brasil, considerado caso de sucesso mundial na adoção de pagamentos em tempo real, onde o governo obrigou os bancos a participarem do PIX.
👉 De acordo com as projeções em 2027 somente 0,9% de todos os pagamentos feitos no Brasil usarão dinheiro em papel e cada brasileiro com mais de 15 anos de idade fará em média, 51,8 pagamentos por mês via PIX, perdendo apenas para o Bahrein com 83,3 pagamentos mensais.
👉 Os pagamentos em tempo real são o futuro e deverão mudar a sociedade na medida em que estenderão a inclusão financeira para uma camada significativa da população que está hoje a margem do sistema financeiro (leia-se: sem conta em banco) e por isso sem acesso a produtos financeiros e de proteção como seguros e planos de previdência complementar.
Lendo um artigo esses dias, me deparei com um conceito bem interessante.
“Liquidez mental”: é a capacidade de se abandonar rapidamente crenças anteriores quando o mundo muda ou quando você se depara com novas informações.
Parece fácil né? Mas liquidez mental é coisa rara. Mudar de ideia é difícil. É mais fácil você se deixar enganar por algo falso do que admitir que aquilo em que acreditava mudou.
Einstein detestava a ideia de uma física quântica. Sua própria teoria era uma extensão da física Newtoniana clássica, que enxerga o universo funcionando de modo racional e de maneira que pode ser medido com precisão.
Aí ... surgiu a física quântica, uma ideia meio maluca de que não se pode medir alguns elementos do mundo físico, porque o próprio processo de mensuração de uma partícula subatômica altera seu movimento.
Credito de Imagem: www.getwallpapers.com
O máximo que podemos fazer ao tentar medir algumas partes do mundo físico é assumir a probabilidade de certas coisas acontecerem.
Para Einstein isso era quase uma heresia e ele deixava claro para seus pares o que achava da física quântica naquela época. Em 1927, falando para um grupo de físicos, ele disse:
“Você não pode criar uma teoria a partir de um monte de ‘talvez’. Deus não joga dados”
Mesmo quando começou a ter algumas dúvidas sobre a nova teoria, Einstein se manteve firme e profissional. Em certa ocasião comentou com um entrevistador:
“Tenho o mais alto grau de admiração pelas conquistas das gerações mais jovens de físicos, como a chamada mecânica quântica, mas acredito que restringi-la às leis da estatística será algo passageiro”
Colegas da comunidade cientifica sentiam-se desapontados. “Einstein, estou envergonhado contigo”, declarou o físico quântico Paul Ehrenfest, considerando que o grande físico estava sendo tão teimoso quanto aqueles que inicialmente duvidaram da teoria da relatividade de Einstein.
Cinco anos depois disso, um grupo de físicos quânticos ganhou o Prêmio Nobel de Física, validando a teoria quântica e solidificando sua contribuição para o campo da física teórica.
Não foi mencionado durante a cerimonia de premiação, mas foi o próprio Einstein quem indicou o grupo para ganhar o prêmio e escreveu em seu voto:
“Estou convencido de que essa teoria (quântica) indubitavelmente contém uma parte da verdade universal”
Einstein havia mudado de ideia.
O que a maioria das pessoas chama de convicção é, na verdade, um desprezo pelos fatos que as pode fazer mudar de ideia.
Isso é perigoso porque convicção soa como um atributo bom, enquanto seu oposto - ficar em cima do muro – faz a gente soar e parecer fraco.
Em psicologia existe um conceito chamado de “Ilusão do Fim-da-História”. É a ideia que as pessoas têm de que, apesar de suas personalidades e pensamentos terem mudado muito no passado, seu modo de enxergar o mundo não mudará tanto no futuro. Escrevi sobre isso: aqui
Damos risada sobre como pensávamos quando tínhamos 20 anos de idade, mas assumimos aos 40 que seremos praticamente as mesmas pessoas aos 60.
Isso ocorre, em parte, porque é muito doloroso aceitar que nossas crenças atuais podem estar erradas, serem passageiras ou subjetivas.
Investimos tempo e esforços naquilo que acreditamos, machuca reconhecer que o ROI (retorno sobre o investimento) das convicções pelas quais nós tanto lutamos, pode ser limitado e ter data de validade.
Existem muitas coisas na vida – particularmente em questões políticas e de investimentos - para as quais as pessoas não querem necessariamente a verdade, elas querem a certeza.
Mudar de ideia é difícil porque é a admissão de que aquela certeza que você pensou ter era, na verdade, ilusória. É mais fácil se agarrar às suas crenças pelo resto da vida.
Crédito de imagem: www.susquehannastyle.com
Teste o que pensa o conselho do seu fundo de pensão
Experimente perguntar para seus conselheiros deliberativos:
“Sobre o que você mudou de ideia (ou de convicção) nos últimos cinco, dez anos?”
O prazo maior força a pessoa a pensar em coisas mais significativas, não em quem ela acha que vai ganhar o Brasileirão (futebol) esse ano.
Eu ficaria muito desconfiado se ouvisse algum conselheiro dizendo, “nada”. Talvez quem responda isso ache ser um sinal de inteligência – o fato de seu conhecimento ser tão preciso que não é necessário mudar.
Eu acho que é um sinal de teimosia ou ignorância em relação ao mundo ao redor. Se diante do futuro do trabalho, da economia digital, dos novos vínculos de emprego, da IA, enfim, de tudo que mudou na última década, um conselheiro continuar vendo a previdência complementar da mesma forma que a via há mais de cinco anos, comece a se informar melhor sobre o instituto da portabilidade ...
Um dos fundadores do cartão de crédito Visa, Dee Hock, costumava dizer:
Uma crença não é perigosa, até ela se tornar absoluta
Quando suas crenças se solidificam, você começa a ignorar informações que podem forçá-lo a rever suas ideias e atualizá-las.
Pode parecer estranho, mas aquilo sobre o que você tem a maior convicção é que tem mais chance de estar errado ou incompleto, justamente por ser a coisa mais difícil de mudar, atualizar e abandonar quando for necessário.
Acenda uma luz amarela se o conselho do seu fundo de pensão tiver convicções firmes tipo: planos CD são o melhor meio atual de se poupar para o futuro; as pessoas que mais precisam de cobertura da previdência complementar são aquelas que ganham muito acima do teto do INSS; títulos públicos constituem a melhor classe de ativos para fundos de pensão, governança é o menor dos riscos que temos em nossa entidade de previdência; o único lugar para procurar novos conselheiros é nas patrocinadoras etc.
Tenha cuidado especial com crenças que se tornam parte da identidade (cultura) corporativa do seu fundo de pensão.
Religião e política são polêmicas porque quase por definição são crenças que fazem parte de sua identidade – você não está lidando apenas com ideias e filosofias, mas com tribos e pertencimento, algo que cai no campo das emoções, não da razão.
“Somos criados com uma capacidade quase que infinita de acreditar nas coisas, porque as crenças são vantajosas para nós, não porque estejam remotamente relacionadas com a verdade”, diz também Dee Hock.
As coisas podem se tornar um problema quando, num ambiente de baixa “Liquidez Mental”, as pessoas classificam na mesma categoria: sua crença na empresa patrocinadora, sua crença no fundo de pensão e sua crença na segurança financeira futura.
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Mestre em Administração Profissional pela EAESP/FGV, Bacharel em Ciências Atuariais pela UFRJ,com especialização em Propaganda & Marketing pela ESPM-RJ e em Governança Corporativa pelo IBGC. Mais de 25 anos de atuação no mercado de previdência complementar, Membro nº 641 e ex-Diretor do Instituto Brasileiro de Atuária e ex-Professor do MBA de Gestão de Riscos Financeiros e Atuariais da USP/FIPECAFI. Gerenciou inúmeros projetos internacionais e regionais na área de benefícios, tendo morado em Jacksonville, FLA-EUA e em Lincolnshire, CH-EUA. Ocupou cargos de alta gerência e direção nas maiores empresas globais de benefícios, em fundos de pensão, em seguradoras e em bancos.
Desenvolve Pesquisas, Projetos e Palestras sobre Previdência, Seguros (RE), Benefícios a Empregados, Programas de Saúde, Economia Comportamental, Neuromarketing e Investimentos Responsáveis.