terça-feira, 12 de agosto de 2025

NOVO CONSELHEIRO DE FUNDO DE PENSĀO? PRES'TENÇĀO NISSO!


De Sāo Paulo, SP.


👉 Quando Katharine Graham assumiu o jornal Washington Post, em 1963, ela era uma socialite tímida, que nunca tinha administrado nada na vida.

👉 Ao se aposentar, ela havia derrubado um presidente, posto fim à greve mais violenta da imprensa americana em geraçōes e construido uma das empresas com melhor desempenho financeiro na história dos EUA.

👉 Kay, como os amigos próximos a chamavam, nāo tinha treinamento, nāo tinha experiência prévia, tinha apenas um jornal perdendo dinheiro e um governo querendo que ele se alinhasse, incondicionalmente.

👉 Quando os editores lhe trouxeram documentos confidenciais, seus advogados imploraram para que ela nāo os publicasse. Ela publicou, mesmo assim.

👉 Nixon foi atrás dela com tudo que tinha. Entāo, explodiu o Watergate. Ela foi ridicularizada e isolada, enquanto corria atrás da história que derrubaria o presidente.

👉 Kay provou que é possível crescer em um emprego que parece impossível. Provou, também, que nenhum treinamento pode substituir "ter os valores certos e a coragem de agir de acordo com eles".

👉 Se você é conselheiro de um fundo de pensāo e por ser empregado da empresa patrocinadora, foi indicado para a posiçāo, mas está sentando na cadeira sem ter experiência nem conhecimento prévio do complexo mundo da previdência complementar, fica frio:

➡️ Basta lembrar de Katharine Graham, a Kay, do Washington Post …


Grande abraço,

Eder.


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

GESTĀO PASSIVA EM PLANOS CD: É UM ERRO PAGO PELOS PARTICIPANTES

 


De Sāo Paulo, SP.


No universo dos fundos de pensão, especialmente nos planos de contribuição definida (CD), onde o benefício final depende diretamente da rentabilidade acumulada ao longo da vida do participante, a estratégia de investimento passiva adotada pela maioria das entidades representa um erro estratégico grave e prejudicial aos seus participantes.

E não estamos falando de teoria: estamos falando de resultados.

Quando o benchmark não representa você

Ao seguir cegamente índices de mercado ponderados por capitalização, os fundos acabam priorizando as necessidades dos maiores tomadores de recursos e não as melhores oportunidades de investimento.

Em outras palavras: os fundos estão comprando o que o mercado está vendendo — e o mercado está vendendo, principalmente, dívida pública.

O problema é que quanto mais endividado um emissor, maior seu peso no índice.

Isso cria um paradoxo: quanto mais o governo se endivida, mais recursos os fundos alocam em seus títulos. Isso serve ao interesse do governo, mas não do investidor.

Resultado? Portfólios inchados de NTN-Bs, com pouca diversificação e retorno limitado.

A falácia da segurança: investimentos em renda fixa nāo sāo seguros

A pergunta que precisa ser feita é: estratégias passivas de renda fixa são seguras e eficientes para planos CD? A resposta, sem rodeios, é não.

Planos CD precisam buscar o maior retorno possível ajustado ao risco. Isso exige visão de longo prazo, diversificação e proatividade.

Quando se amarra 60% ou até 70% do patrimônio em títulos públicos, o que se está fazendo, na prática, é limitar a possibilidade de capturar prêmios de risco adicionais — exatamente o oposto do que seria desejável.

Investimento ativo é a nova segurança

Uma estratégia de investimentommativa e flexível apresenta diversas vantagens:

  • Horizonte de 30 a 40 anos: isso permite suportar volatilidade no curto prazo em busca de retornos superiores no longo.

  • Alocação multissetorial global: mais fontes de retorno potencial e muito melhor diversificação.

  • Ausência de viés passivo: liberdade para ajustar posições e capturar oportunidades.

Ao contrário do modelo atual, que parece ter medo de errar, por isso não ousa acertar, uma abordagem ativa coloca o interesse do participante em primeiro lugar.

Investir na economia real é Investir no futuro


Credito de Imagem: www.blog.traderbot.com.br


Fundos de pensão têm o poder — e o dever fiduciário — de ajudar a moldar o futuro dos seus participantes.

Isso não se faz comprando dívida de governos para financiar déficits. Isso se faz com investimentos em infraestrutura, energia limpa, inovação, educação, saúde infraestrutura, agroindustria.

Em outras palavras: a economia real.

Além disso, ativos digitais surgem como uma nova fronteira de retornos potenciais. Ignorá-los, como faz a atual regulação brasileira, é perder o trem da história.

Num mundo onde os ativos tradicionais da velha economia da revoluçāo industrial começam a apresentar retornos decrescentes, investir em ativos digitais representa não apenas uma aposta no futuro, mas uma necessidade estratégica.

Conclusāo: está na hora de parar de comprar o que estão vendendo

O artigo da Allspring Global (“Are you buying what they’re selling? We are not. Here’s why.”) expõe de forma contundente essa armadilha da gestāo passiva de investimentos:

Os fundos de pensāo estão comprando o que o mercado está empurrando e não o que faz sentido para o longo prazo dos seus participantes.

Os fundos de pensão precisam recuperar seu papel de gestores ativos do futuro financeiro dos trabalhadores.

Isso significa sair da zona de conforto dos benchmarks e assumir responsabilidade por buscar as melhores oportunidades com maiores retornos e não apenas seguir o fluxo.

Se não mudarmos isso agora, os planos CD continuarão entregando resultados insuficientes - em alguns casos até medíocres - para garantir seguranca financneira futura para pessoas que deram o melhor de si em toda uma vida de trabalho.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Are you buying what they’re selling? We are not. Here’s why”, publicado pela Allspring Global.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts e conhecimento de mercado do autor, bem como em informações das fontes citadas.


STAKING: ALTERNATIVA DISRUPTIVA DE POUPANÇA E INVESTIMENTO PASSIVO EM ATIVOS DIGITAIS

 


De Sāo Paulo, SP.


Seria inimaginável na era industrial, mas hoje, com um simples smartphone e conexão à Internet qualquer um pode ter acesso à investimentos passivos em ativos digitais.

Caracterizadas pela rapidez, baixos custos e descentralização, as modernas opções de investimentos voltados para o longo prazo, se contrapõem a veículos tradicionais como planos de previdência complementar, poupança e alternativas frequentemente burocráticas, restritas e inacessíveis ao brasileiro comum.

Os ativos digitais, que seguem proibidos e fora do alcance dos participantes de fundos de pensão brasileiros, entregam retornos historicamente bem acima dos investimentos clássicos da economia industrial – cuja rentabilidade com o passar do tempo, tende cada vez mais a ser decrescente.

A inovação contínua e disruptiva dos ativos digitais e de toda uma economia que roda no blockchain, vem criando oportunidades de crescimento exponencial dos retornos em contraponto aos investimento tradicionais.

Os potenciais participantes de planos de previdência complementar se veem, agora, diante de alternativas de renda automatizada, acessíveis e com liquidez imediata — um salto em comparação aos produtos financeiros tradicionais de renda fixa, renda variável e fundos imobiliários, oferecidos pelos fundos de pensão.

Essas alternativas modernas oferecem liquidez, simplicidade e rentabilidade interessantes, disponibilizam interfaces intuitivas, abstraem a complexidade financeira, envolvem operações não-custodiais, com baixas custos de gestāo e sem taxas ocultas.

O que é staking e staking líquido?

Talvez você ainda nāo saiba, mas cryptomoedas podem gerar uma renda passiva para você. Como isso funciona? Uma das maneiras é chamada staking.

A palavra staking, em tradução livre, poderia ser definida como “apoio através de investimento”. Pense no staking como se você investisse suas cryptomoedas em uma conta de poupança com rendimento.

Ao invés de deixar suas cryptomoedas paradas numa carteira digital, numa wallet – o que seria equivalente a deixar seu dinheiro parado na conta corrente de um banco:

Você pode usar suas cryptomoedas para ajudar no funcionamento do blockchain e em troca, ser recompensado com o recebimento de rendimentos.

Quando surgiram as operações de staking tradicional, as cryptmoedas que você “investia” ficavam bloqueadas, presas por dias, semanas, meses ou anos, sem você poder tocar nelas durante o prazo do investimento.

Muito recentemente, surgiu uma nova abordagem chamada de staking líquido (liquid staking) que resolve isso.

Aprofundando o entendimento sobre staking


Credito de Imagem: www.thekingscollege.co.za


Muitos blockchains modernos, tipo Ethereum, Solana, Tezos e outros, usam um sistema chamado Proof-of-Stake (PoS) ou uma variação dele, para garantir segurança da rede e permanecerem descentralizados – i.e., sem que um único individuo, grupo ou entidade controlem isoladamente a rede de blockchain.

Nesse sistema, validadores são escolhidos para verificar as transações e acrescentar “blocos” na “corrente”, ou seja, incluir informações em sequência no blockchain.

Mas para se tornar um validador – ou apoiar um deles – você precisa investir (stake) suas cryptomoedas, deixando-as bloqueadas (depositadas) como um sinal de confiança na rede de blockchain. Em troca, você recebe rendimentos pagos, geralmente, no mesmo token (na mesma cryptomoeda) que você investiu (staked).

O fato das suas cryptomoedas ficarem presas, significa que você não pode transaciona-las, movê-las ou usá-las de outras maneiras, até que o período de bloqueio termine. Isso limita a flexibilidade, especialmente se o mercado mudar radicalmente ou se você quiser mover rapidamente seus investimentos.

O staking líquido resolveu esse problema. Ao invés de travar seus tokens por meses nos validadores, o staking líquido permite que você invista suas cryptomoedas, receba rendimentos enquanto ajuda na segurança da rede e ainda use seus ativos mesmo eles estando investidos.

Funciona assim: quando você investe suas cryptomoedas em stake líquido, você recebe em troca um token especial (uma outra cryptomoeda). Esse token representa as crypromoedas que você investiu originalmente, que continuam a render e aumentar de valor na medida em que sendo creditados os “juros”.

Você pode usar esse token como se fosse uma cryptomoeda qualquer: pode negociá-la, alugá-la, usá-la como colateral para obter um empréstimo ou usá-la para fazer outros investimentos em alternativas descentralizadas (DeFi).

É o melhor dos dois mundos: recebe rendimentos enquanto suas cryptomoedas estāo travadas num investimento e ao mesmo tempo tem total liquidez.

Por que as pessoas usam o staking líquido?

1. Liberdade de movimento – Seus ativos nāo fica presos por um longo período, durante o qual você nāo pode acessá-los (sabe aqueles CDB de 180 dias?). Basta você usar ou trocar os tokens que representam os ativos investidos.

2. Mais meios de ganhar dinheiro – Como você tem liquidez, mesmo seus ativos estando investidos, você pode ganhar dinheiro adicional, usando-os para investir em outras coisas (DeFi), alugar ou dar como garantia de empréstimos.

3. Uso eficiente do capital - Com staking liquido, seus ativos estāo sempre trabalhando para você, seja garantindo a segurança e descentralização de uma rede de blockchain, seja participando da enorme economia da cryptografia.

Existem riscos?

Claro, seja crypto, ações, debentures, imóveis etc, staking nāo é livre de risco. Algumas coisas que se deve ter em mente:



O investimento em staking líquido deve ser feito com cautelosa. É preciso:

  • Entender a estrutura, os riscos e os contratos dos ativos digitais;

  • Avaliar como essa alternativa se encaixa nos objetivos individuais de estabilidade, previsibilidade e horizonte de investimentos;

  • Considerar regulamentação, governança e transparência, ao tomar decisões.

Entender esses riscos e escolher blockchains confiáveis e transparentes, pode ajudar a investir em staking líquido com mais segurança.

O futuro do staking

O staking líquido está se tornando rapidamente um componente fundamental da economia das cryptomoedas, tornando o investimento em crypto mais acessível, mais flexível e mais útil, especialmente para pessoas que queiram manter suas cryptomoedas ativas, não ociosas.

Enquanto a promessa de “previdência complementar para todos” nāo conseguiu sair do slogan do setor, a democratização da poupança de longo-prazo por meio dos ativos digitais (o staking líquido é apenas um exemplo) – já é uma realidade e isso fica evidente, quando:

Se pode investir em cryptomoedas como o SOL (da rede de blockchain Solana) transformando-as em tokens líquidos (mpSOL) com rendimento anual na faixa de 8,49%, sem exigir bloqueio dos ativos, nem altas quantias - é possível começar com apenas US$ 1 (R$ 5,6 reais); e

Se recebe rendimentos regulares (a cada ~2 dias) mantendo total flexibilidade para resgatar ou negociar o mpSOL instantaneamente, sem períodos de espera.

Na medida em que mais blockchains adotem proof-of-stake (PoS) em seu funcionamento e mais plataformas de DeFi abracem as operações com tokens de staking liquido, essa alternativa de investimento de longo-prazo vai se tornar uma opção padrão para detentores de cryptomoedas.

A combinação de acessibilidade, liquidez e potencial de rendimento torna o staking e os ativos digitais (tokenizados) alternativas poderosas, especialmente num mundo digital.

Grande abraço,

Eder.


Opiniões: Todas minhas | Fonte: “Crypto Curious: Liquid Staking”, publicado no MoonPay Memo.

Disclaimer: Não deveria ser preciso dizer isso, mas receio ter que deixar explicito: esse texto não é aconselhamento financeiro, não é orientação de investimentos, não recomenda a compra de nenhum ativo real ou digital, nem de valores mobiliários, nem de coisa nenhuma. Aja com prudência.


domingo, 10 de agosto de 2025

EXPLICANDO PARA UMA CRIANÇA DE DEZ ANOS PORQUE OS PLANOS CD AMERICANOS, OS 401(K), ESTĀO EVOLUINDO E OS NOSSOS NĀO

 


De Sāo Paulo, SP.


Antigamente, uma das maneiras de se ter um beneficio de aposentadoria era trabalhar para uma empresa por muitos e muitos anos. A empresa te pagava um salário e quando você se aposentava ela continuava te pagando até você morrer.

A empresa tinha obrigação de te pagar um certo valor todo mês - uma renda vitalícia - e para cumprir com essa obrigação, ela separava e investia dinheiro num fundo de pensão, para assegurar que teria o suficiente para te pagar.

Se investisse muito bem, teria mais do que o suficiente para te pagar e podia guardar o que sobrasse. Se investisse mal, teria menos do que o necessário e precisava colocar mais dinheiro do bolso para te pagar o que devia.

Essa situação era ruim, nāo apenas para a empresa – que tinha que colocar mais dinheiro – mas também para você, porque te deixava exposto à riscos. Existe uma lei no Brasil, a Lei Complementar 109 regulando os planos de poupança para a aposentadoria, que requer das empresas nas quais os aposentados confiam, uma gestão prudente de seus fundos de pensão, para que as pessoas não percam todo o dinheiro (chamamos isso de papel fiduciário).

Outra forma de economizar para a aposentadoria era trabalhar para uma empresa por décadas. A empresa te pagava um salário e você mesmo poupava e investia parte desse salário por sua conta. Ao se aposentar, a empresa não te pagava nada – você nāo recebia renda nenhuma de aposentadoria da empresa – mas começava a gastar o dinheiro que você mesmo havia economizado e investido. Se tivesse investido mal, teria menos do que precisava e isso era um problema seu, nāo do seu empregador. Se quisesse, podia investir todo o seu dinheiro em caderneta de poupança ou - para obter uma dispersão maior dos possíveis retornos - podia investir parte em ações, parte com os bancos (por ex. em CDBs), parte em apostas esportivas e até na megasena, algumas dessas escolhas sendo, obviamente, muito ruins.

Porém, a forma mais comum (chamamos de paradigma) de se poupar para a aposentadoria em 2025 é uma terceira alternativa, que fica no meio do caminho entre as duas primeiras: um plano de contribuição definida (plano CD). Nessa alternativa, você nāo recebe uma renda até morrer; a empresa nāo continua te pagando um valor fixo depois que você se aposenta. Ao invés disso, igual a segunda alternativa, você separa e investe uma parte do seu salário todo mês (e a empresa coloca um dinheiro extra para você).

Diferente do que acontece na segunda alternativa, você nāo pode investir como quiser o dinheiro que está poupando – você nāo pode jogar no jogo do bicho, nem colocar dinheiro no salão de manicure da sua tia. Ao invés disso, sua empresa te dá uma lista (tipo um menu) de opções de investimento e você escolhe entre elas. A empresa tem a responsabilidade – lembra do papel fiduciário? – de te dar uma lista prudente de opções de investimento. Se uma dessas opções for, por exemplo:

“caso você queira, levaremos todo seu dinheiro para Las Vegas e apostaremos na roleta, no vermelho 17”

… e você escolher essa opção e a bolinha parar no preto 21 da roleta, fazendo você perder toda sua poupança de aposentadoria, você certamente processará na justiça seu empregador e provavelmente ganhará a ação (isso nāo é nenhum aconselhamento legal).


Credito de Imagem: Brian Jones/Las Vegas News Bureau


Ou seja: no plano CD as pessoas são responsáveis pela própria poupança de aposentadoria, mas não inteiramente responsáveis. A empresa delas tem certa obrigação (de novo, responsabilidade fiduciária) de orientar o investimento e não deixar as pessoas fazerem loucuras. Isso também está na Lei 109/2001, mas precisa ser entendido historicamente. Nos velhos tempos, as empresas se comprometiam a pagar uma renda até a pessoa morrer, então, tinham que investir responsavelmente, por isso desenvolveram expertise para gerenciar com prudência o dinheiro das aposentadorias.

A poupança para aposentadoria nos dias de hoje requer que os trabalhadores, individualmente, tomem decisões de investimento. Mas enquanto as empresas continuam usando certa expertise para investir com prudência o dinheiro da aposentadoria, em certos momentos os trabalhadores gostariam de apostar, individualmente, um pouquinho mais. As empresas adotam um papel paternalista ao direcionar a decisão de investimento dos trabalhadores, para tentar evitar que eles percam todo o dinheiro. Se as empresas não levarem isso a sério, elas serão processadas.

O ponto principal de tudo isso, claro, sāo as normas legais sobre que tipos de investimentos podem ou nāo ser oferecidos. Essas normas mudam com o tempo. No Século XIX – muito antes dos planos CD e da Lei 109/2001 – era considerado imprudente investir em ações individuais de empresas (ao invés, digamos, de emprestar dinheiro para o governo ou para empresas, investindo em títulos públicos ou dividas privadas). Isso mudou totalmente no século XX com a evolução das bolsas de valores. Nos anos 70, quando surgiram no mercado americano pela primeira vez os fundos mútuos de investimentos, alguns empregadores ficaram de fora, achando que violaria seu dever fiduciário e nāo seria prudente colocar dinheiro nesses fundos, que reuniam ações de várias empresas num mesmo investimento.

Por volta do final dos anos 90, no entanto, as autoridades encarregadas de regular a poupança para a aposentadoria passaram a considerar os fundos mútuos de investimentos “uma boa opçāo, que deveria ser encorajada” e a gestão ativa dos investimentos (i.e. a compra direta de ações individuais de empresas) nāo tāo boa e deveria ser desencorajada. A lógica era: (i) investir em ações isoladas tende, no longo prazo, a não superar consistentemente o mercado; (ii) as taxas de administração de açōes sāo muito mais altas do que as dos fundos mútuos; e (iii) provavelmente é mais prudente investir em fundos mutuos do que contratar gestores ativos. Em 2018 os tecnocratas brasileiros resolveram proibir por completo o investimento dos planos de aposentadoria em imoveis, obrigando-os a investir apenas em fundos imobiliários.

Essa visão que privilegia os fundos mútuos não é universal, com algumas empresas e seus fundos de pensão ainda fazendo regularmente a gestão de carteiras de ações individuais em seus planos de contribuição definida, mas há enorme pressão para manter baixas as taxas de administração, o que é mais fácil conseguir investindo em fundos mútuos.

Todo mundo entende que investimentos têm riscos e que se o perfil de investimentos do menu oferecido por um plano CD perder dinheiro, isso nāo é necessariamente culpa do empregador nem de seu fundo de pensāo. Mas, se o perfil de investimentos oferecido por um plano de contribuição definida cobrar o dobro da taxa de administração cobrada por outros fundos de investimentos semelhantes, isso (sim) parece imprudente e pode ser um grande problema.

Atualmente, as coisas que as pessoas mais falam quando conversam sobre o que deve ou nāo estar entre os investimentos oferecidos pelo seu plano de contribuição definida, sāo: (i) crypto; (ii) investimentos socialmente responsáveis; e (iii) investimento em startups e na economia real.

A questão essencial nāo é se deveria ser permitido ou nāo você investir nessas coisas, mas sim o que acontece se as autoridades deixarem seu fundo de pensāo investir nessas coisas e sua poupança para a aposentadoria perder dinheiro. Pelo fato dos planos de contribuição definida envolverem tanto escolhas individuais dos trabalhadores como paternalismo das empresas (e do governo) e também pelo fato do governo poder ser acusado de ter sido imprudente se deixar você investir em coisas que perdem dinheiro, os reguladores da previdência complementar tendem a permitir apenas classes de investimento claramente consideradas “prudentes” sob determinadas normas e visões.

Credito de Imagem: AdobeStock


Fundos mútuos de investimentos em 2025, são claramente prudentes. Ações individuais, em 2025, um pouco arriscadas. Investir diretamente em imoveis em 2025, nada prudente. Mas e crypto? Seria uma opção prudente para seu empregador e seu fundo de pensão, incluir crypto no menu de investimentos do seu plano de contribuição definida?

Eu acho que a resposta obvia é: “ano passado nos EUA nāo era prudente, mas a regulamentação lá mudou e agora é”. Aqui no Brasil continua nāo sendo prudente, porque o entendimento do governo é que “crypto é muito volátil”. Mas essas, tipo, nāo sāo respostas com embasamento econômico-financeiro. Acontece que em 2024 o governo americano era bastante cético sobre permitir crypto e outros investimentos nos planos de contribuição definida, mas em 2025 há um governo diferente que adora crypto. Por isso, essa mudança está sendo formalizada nos EUA. Da mesma forma, o dia em que os tecnocratas tupiniquins finalmente mudarem de ideia e passarem a permitir crypto nos planos de contribuição definida brasileiros, nada terá mudado em relação aos fundamentos econômicos e ao nível de volatilidade do ativo, tudo continuará sendo o mesmo. A mudança será, apenas, de visāo de mundo e das circunstâncias do momento …

O Presidente Trump assinou um decreto na quinta-feira passada permitindo que os planos de contribuição definida, os 401(k), ofereçam investimentos em cryptomoedas, imóveis, private equity (leia-se startups) e investimentos alternativos. Essa foi uma grande vitória para os setores da economia americana que estāo de de olho nos US$ 12,5 trilhões mantidos nesses planos.


Credito de Imagem: www.bitcoinmagazine.com


O decreto fará o Labor Department - o Ministério do Trabalho do Tio Sam - reavaliar a atual proibição dos planos de aposentadoria investirem em ativos alternativos. Levará, também, a um maior esclarecimento da posição do governo sobre a responsabilidade fiduciária associada com a oferta de perfis de investimentos com alocação em classes de investimentos alternativos, como crypto.

Nāo está claro o quanto essa história toda tem a ver com a ascensão dos cryptoativos como classe de investimentos e quanto tem a ver com a necessidade de redução do paternalismo do governo na regulaçāo dos planos de contribuição definida.

Fora do mundo da previdência complementar, as pessoas têm, de longe, muito mais alternativas de investimentos e opções muito mais interessantes para aplicar seu próprio dinheiro, do que que tinham alguns anos atrás.

Você pode comprar ações individuais, de qualquer empresa na bolsa de valores e agora pode comprar (aqui no Brasil mesmo), frações de um prédio comercial em Osaka – Japão (que foi tonekizado), pode investir em startups de lançamento privado de satélites, como a Rocket Labs da Nova Zelândia e a Space X dos EUA e pode apostar em mercados preditivos na Web3, como Polymaket e Alchemy. Você nāo pode comprar ações tokenizadas da OpenAI, mas dá um mês e isso poderá acontecer.

Puxado por cryptoativos, meme coins e apostas legalizadas nos esportes (bets), as normas gerais sobre que tipo de investimentos as pessoas comuns fazem, devem ser autorizadas a fazer ou podem gostar de fazer, mudaram.

Há uma ampla aceitação e o entendimento geral de que deve ser permitido às pessoas fazerem todo tipo de investimento e apostas loucas com o dinheiro delas, de que um pouco de excitação é bom para os investimentos e que é uma boa característica do sistema financeiro oferecer algumas alternativas divertidas de aplicação.

E se isso for verdade, então, o sistema de previdência complementar e os planos de contribuição definida também vāo passar a oferecer alguma dessas alternativas.

Nāo é possível antecipar quando, mas num futuro próximo será permitido aos fundos de pensão brasileiros oferecer crypto e algumas outras opções mais “selvagens” nos perfis de investimentos de seus planos de contribuição definida.

Nos EUA, se você escolher alguma dessas opções e elas não derem certo, é problema seu. No Brasil, o governo acha que é problema dele, mas quando as coisas dāo errado, mesmo depois de você ter seguido tudo aquilo que ele determina que pode ser feito, o problema continua sendo seu …

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “401(k) Plans Will Get More Fun”, escrito por Matt Levine.



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