De Sāo Paulo, SP.
Os maiores desafios atuais do segmento de fundos de pensāo, no Brasil e no mundo, giram em torno de ajudar as pessoas a:
Se envolverem / engajarem mais com seus planos de previdencia complementar;
Economizarem o suficiente para a ter a renda de aposentadoria que desejam;
Administrarem seu dinheiro de forma eficaz quando chegarem lá.
Milhões de pessoas ainda poupam pouco, começam a se poupar muito tarde e têm dificuldades para tomar decisões importantes sobre suas rendas de aposentadoria.
Diante desses desafios, surge a pergunta:
Será que a IA e as novas tecnologias digitais poderiam oferecer suporte aos participantes, para melhrar os resultados nessas áreas?
O que a IA esta fazendo nos fundos de pensāo
A inteligência artificial já está tendo impacto individual na gestāo financeira de longo prazo, com um grande número de pessoas usando-a em seu dia a dia.
Em 2025, o Lloyds Banking Group estimou que 28 milhões de pessoas no Reino Unido a utilizavam para gerenciar seu dinheiro — e esse número só cresceu desde então.
Apesar da IA prometer muito mais, por enquanto, ela vem apenas sendo incorporada aos processos operacionais dos fundos de pensāo para transformar a prestação de serviços.
Em paises como a Inglaterra, a IA está sendo utilizada quando os participantes ligam para um fundo de pensāo para falar sobre seus planos de previdencia complementar.
Soluçōes de IA como o “Genesys” auxiliam os atendentes a falar com os participantes sobre seus planos de previdência, automatizando um processo que antes era altamente manual.
A IA captura as anotações da chamada em tempo real, permitindo que os atendentes concentrem toda a atenção na conversa em si. Ela também ajuda a finalizar as ligações com registros claros do que foi discutido e dos resultados acordados.
Isso pode economizar cerca de quatro minutos por chamada. Considerando um fundo de pensāo que receba mais de 2.000 chamadas por dia (uma média), isso gera um ganho de eficência operacional significativo.
O que a IA deveria fazer
Mas a verdadeira oportunidade para os fundos de pensāo não está em economizar tempo no atendimento – esse não é o objetivo.
Eliminar encargos operacionais e administrativos só ajudará os participantes, se as equipes de atendimento ao cliente passarem a estar mais presentes nas conversas, respondendo mais rapidamente às duvidas dos particpantes e se concentrando no que é mais importante para a pessoa do outro lado da linha.
Quando bem utilizada, a IA pode tornar as interações mais pessoais e não menos.
A IA pode ajudar a identificar se alguém precisa de apoio adicional, inclusive destacando se a pessoa que liga tem alguma vulnerabilidade, para que a área de atendimento do fundo de pensāo possa responder adequadamente.
A IA consegue identificar problemas dos participantes, como dificuldades financeiras subjacentes, se ele tem alguma neurodiversidade ou se tem dificuldade de comunicação, algo que o atendente no telefone talvez não tenha percebido.
Nesses casos, o participante poderia ser encaminhado a uma area especifica para receber apoio adequado.
O potencial da IA está em poder melhorar os resultadosdos participantes diretamente. Não porque ela possa automatizar tarefas, mas porque pode ajudar a fornecer um serviço mais personalizado e eficaz, desde que seja implementada de forma criteriosa e apoiada pelas salvaguardas adequadas.
Claro que melhorar o engajamento dos participantes, o planejamento e a gestāo da renda de aposentadoria, envolve muito mais do que apenas o uso de IA.
A IA não é uma solução mágica, que resolverá todos os problemas.
Contudo, usar IA apenas para melhoria de processos, otimizaçāo da produtividade e aumento da eficiência operacional, sem que isso se traduza em melhoria efetiva para o participante em sí, é focar nos meios, nāo nos fins dos fundos de pensāo.
O objetivo no uso da IA deveria ser:
Fornecer informações e orientações às pessoas para que elas entendam melhor seus planos de previdencia complementar;
Dar apoio ao participante, de forma clara e direta, online e nas redes sociais, onde as pessoas geralmente buscam informações.
Oferecer às pessoas ferramentas digitais para entenderem suas poupanças atuais voltadas para a aposentadoria e o que precisam economizar
Dar aos paricipantes o controle sobre a formaçao de renda futura, com a oportunidade de se envolverem mais cedo, para que tenham tempo de melhorar seus resultados, talvez ajustando suas contribuições ou recebendo a pensão mais tarde.
O uso da tecnologia com foco na organizaçāo, ajuda os gestores, nāo necessariamente os participantes, que é o que interessa.
Grande abraço,
Eder.
Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “AI’s real promise?: better member outcomes”, escrito por Matthew Bailey.



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