quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Gerentes de Risco não concordam sobre a limitação de responsabilidade em contratos
Se você fosse fazer uma cirurgia para correção de miopia e seu oftalmologista pedisse para você assinar um termo de responsabilidade isentando-o de erro médico, principalmente em caso de cegueira permanente. Você o contrataria para lhe operar os olhos?
Pois é exatamente o que alguns prestadores de serviços estão fazendo.Essa é uma prática que vem sendo adotada no mundo todo há alguns anos por empresas de consultoria em benefícios, corretoras de seguros e firmas de auditoria contábil.
No caso de clientes das corretoras de seguros, diversos Gerentes de Risco dizem que nunca assinariam um contrato desses “Eles apareceram com isso e eu ri deles”, disse Jane A. Keegan, uma cliente da Marsh & McLennan responsável pela gestão de riscos do Porto de Oakland, na Califórnia-EUA.
Os argumentos apontados por Keegan para contratar uma grande corretora de seguros ao invés de uma pequena, é o razoável montante de passivos com o qual uma organização grande como a Marsh pode lidar, além do complexo conhecimento técnico que detém.
Assim como outros gerentes de risco, ela disse que entende a vontade da Marsh de limitar sua responsabilidade, mas um pouco antes da Marsh começar a pedir que seus clientes aceitassem a limitação de responsabilidade em seus contratos, o Porto de Oakland deu início a um processo de seleção de uma nova corretora de seguros.
“Não é segredo que a área de seguros é complicada e que erros são cometidos diariamente. Alguns custam mais do que outros. Mas a expectativa é que de uma forma ou de outra, o comprador do seguro estará totalmente protegido. Então é um desserviço, na minha opinião, que as corretoras de seguros tentem limitar suas responsabilidades”, declarou Fred O. Pachón - Vice-Presidente de Gestão de Riscos e Seguros da Select Staffing Inc., uma empresa baseada em Santa Bárbara, na Califórnia - EUA.
Em março de 2009 a Marsh começou a renegociar seus contratos impondo um teto de US$ 10 milhões para sua responsabilidade, teto esse que não se aplica em casos de erro doloso ou intencional.
Nem todas as corretoras de seguros estão seguindo essa prática. A “Wells Fargo Insurance Services Inc.”, quarta maior corretora de seguros do mundo, baseada em Chicago-EUA, analisou essa questão e decidiu não adotá-la, de acordo com Dave Zuercher, Presidente do Conselho e CEO.
A Willis Group Holdings Ltda. ainda não decidiu se adotará tal limitação e a Aon Corp. preferiu não se pronunciar, respectivamente a terceira e a segunda maiores do mundo.
O mercado decidirá se a prática de limitar a responsabilidade dos prestadores de serviço “pegará” ou não, principalmente no Brasil.
Seja como for, parafraseando um consultor sênior que conheço, a limitação de responsabilidade é uma prática que me causa “abissal estranhesa”.
Forte abraço,
Eder.
Fonte: Business Insurance
terça-feira, 28 de julho de 2009
Memorando Interno Revela que a ExcellerateHRO está Abandonando o Negócio de Teceirização de Processos de RH
A ExcellerateHRO que pertencia à Towers Perrin e Hewlett Packard até o mês passado (junho/2009) está saindo da área de Terceirização de Processos de RH (em inglês HR BPO), de acordo com um memorando interno do novo CEO da empresa, o Sr. Sanjiv Anand.
“A ExcellerateHRO optou por descontinuar seus serviços de terceirização de processos de RH” diz o memorando. “Como resultado dessa decisão, a ExcellerateHRO e seu único cliente multitarefa, multiprocessos — a Cardinal Health — concordaram mutuamente com uma rescisão antecipada do contrato de prestação de serviços, o que deverá ocorrer a partir de Dezembro de 2010”.
A ExcellerateHRO foi criada em 2005 como uma joint-venture entre a EDS e a Towers Perrin. O comunicado da empresa informando que estará deixando de prestar serviços de Terceirização de Processos de RH vem a público apenas algumas semanas após a Hewlett-Packard, que comprou a EDS em maio/2008, ter adquirido a parte da Towers Perrin no negócio. Ao longo das últimas semanas os especialistas em terceirização de RH estavam especulando sobre uma possível venda da ExcellerateHRO pela HP ou de sua simples saída desse negócio.
“Na media em que o processo de integração da EDS com a HP está progredindo, a HP decidiu ser de seu melhor interesse descontinuar os serviços de terceirização de processos de RH da ExcellerateHRO” disse Annabelle Baxter, porta-voz da EDS, através de email e em resposta ao questionamento sobre o memorando. “Isso não terá impacto sobre outros serviços de terceirização de folha de pagamentos ou de RH hoje prestados pela EDS, uma empresa pertencente a HP”.
A porta-voz da Cardinal Health, Corey Kerr, confirmou o acordo mutuo entre as duas empresas para encerrar o contrato.
“Vamos passar os próximos 18 meses transferindo esses serviços para outro modelo de administração de RH” disse ela. A Sra. Kerr não informou se a empresa vai procurar outro prestador para terceirizar esses serviços.
Não nos surpreende que a HP esteja desisitindo dos serviços de Terceirização de Processos de RH, disse Michel Janssen, Diretor Executivo da Hackett Group, um firma de consultoria em BPO baseada em Miami.
“A verdade é que esse tem sido um mercado muito difícil para se ganhar dinheiro e eu não vejo a HP tentando fazer no longo prazo o que outros não estão conseguindo fazer”.
O pronunciamento da HP está deixando alguns especialistas preocupados sobre o que a ExcellerateHRO fará com os demais clientes de terceirização de RH herdados da EDS.
“Minha pergunta é: Porque a HP não quis ficar com esse negócio?” disse o Sr. Neil McEwen, Diretor Gerente da PA Consulting. “Parece ser um negócio ruim ou um negócio que está dando errado”.
Há poucas semanas, eu levantei essa bola aqui no blog (veja os outros posts sobre o assunto). Agora, mais do que nunca, as empresas que terceirizavam a administração de seus fundos de pensão no Brasil com a Towers Perrin, que transferiu para a ExcellerateHRO, que mudou para a HP ... deveriam estar trabalhando no “Plano B”.
Se precisar de ajuda, entrem em contato comigo. Asseguro que posso ajudar sua empresa a sair dessa...
Grande abraço,
Eder.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Na Seleção de uma Firma de Consultoria em Previdência Complementar, o tamanho não importa
De São Paulo, SP.
Quando se trata de selecionar uma firma de consultoria em previdência complementar, o tamanho é realmente importante?
Essa questão tem sido debatida durante anos e a resposta está parecendo ser “não”. Isso fica evidente, já que várias vezes organizações grandes e complexas usam pequenas firmas de consultoria na prestação de serviços. Tamanho pode ter correlação com a variedade na oferta de serviços, particularmente quando se trata de ser atendido em diversos países diferentes, mas nem mesmo a maior firma de consultoria em previdência complementar consegue oferecer tudo aquilo que um cliente pode precisar.
Um argumento que sempre foi válido em favor das pequenas firmas de consultoria é que essas são capazes de prestar serviços personalizados, com atendimento ao cliente feito pelos consultores de nível mais elevado e com maior experiência dentro da firma.
Colocado de forma simples, existe mais de uma maneira para se medir o tamanho de qualquer organização, incluindo firmas de consultoria em previdência complementar.
Por exemplo, as firmas de consultoria em previdência complementar são freqüentemente ranqueadas com base na receita líquida, mas também podem ser agrupadas por quantidade de escritórios, presença geográfica, número de funcionários etc.. Dependendo da perspectiva daquele que mede, todas essas são maneiras válidas para se ranquear as firmas de consultoria. Existe, então, mais de uma maneira para se organizar uma lista das firmas de consultoria atuando no mercado.
Uma patrocinadora ou fundo de pensão em busca de serviços de consultoria, poderia considerar a quantidade de consultores seniores o numero de anos de experiência ou o nível de qualificação do quadro de profissionais como fatores determinantes para escolha de um prestador de serviços.
O tamanho medido através da receita obtida, da quantidade de escritórios ou da presença geográfica, acredito, não reflete integralmente o papel que se espera de uma firma de consultoria. Esse papel, consiste no aconselhamento profissional e independente em todas as fases de um plano de previdência\fundo de pensão, seja no seu desenvolvimento, na sua implantação ou durante a sua gestão. Esse papel de aconselhamento é muitas vezes considerado intrínseco ao que as boas firmas de consultoria deviriam fazer.
Gerentes de Risco entrevistados recentemente nos EUA pela Revista Business Insurancesobre a escolha de uma corretora de seguros, disseram que “tamanho não importa” e que “não é o principal fator” na escolha. Mais importante, disseram, é a “profundidade e qualidade dos serviços”, o “conhecimento e expertise de seus profissionais”, ter “as pessoas certas” que precisam estar acessíveis e “ter acesso ao mercado”. Ainda, “cultura e relacionamento”, “habilidade de alavancar tecnologias” e capacidade de “servir como uma extensão da empresa”, suplantam tamanho.
Guardadas as peculiaridades, penso ser igualmente válidos para as firmas de consultoria em previdência complementar os fatores apontados pelos Gerentes de Risco como os mais importantes na seleção de uma corretora de seguros. Uma patrocinadora ou um fundo de pensão em busca de uma firma de consultoria em previdência complementar podem requisitar em sua solicitação de propostas, perguntas sobre esses fatores.
Uma firma de consultoria em previdência complementar pode ser a No 1 em mais de uma forma, mas as melhores firmas de consultoria em previdência complementar são aquelas consideradas top por quem mais importa: seus clientes.
Forte abraço,
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Towers Watson: Números da "fusão"
O nome da nova companhia será "Towers Watson & Co". Considerando que a Watson Wyatt era isoladamente maior do que a Towers, o fato desse último nome preceder o da Watson soou um pouquinho estranho.
Fica ainda mais nebuloso pelo fato de não terem anunciado onde será a sede da nova empresa. Divulgaram apenas uma pista, o quartel general da Towers-Watson (TW) será no nordeste dos EUA.
Considerando que a base da Towers é hoje em Stamford-Connecticut e a da Watson fica aqui perto de Washington, em Arlington-Virgínia, eu diria que é a Watson quem está dando as cartas....
As duas em números:
* Receitas anuais totais em 2008:
- Watson = US$ 1,7 bilhões;
- Towers = US$ 1,7 bilhões
* Receitas anuais na área de benefícios:
- Watson = US$ 1,5 bilhões;
- Towers = US$ 900 milhões
- Combinadas = US$ 2,4 bilhões
* Número de empregados:
- Watson = 7.700
- Towers = 6.300
As receitas anuais combinadas, de US$ 2,4 bilhões, reportadas na área de benefícios respondem por 55% do total de receitas da Towers-Watson e a colocam em primeiro lugar no ranking, deixando a Mercer em segundo com US$ 1,9 bilhões (base 2008).
A Mercer emitiu uma nota dizendo que sempre atuou em um ambiente competitivo e que está confiante com o reconhecimento de seus pontos fortes pelo mercado e por seus clientes que, entende, continuarão a privilegiar a sua marca. Disse, ainda, que a competição com a nova firma será saudável.
Na segunda-feira que passou, dia 7 de julho, conversei em Nova York com o presidente de uma das grandes firmas globais de consultoria em benefícios. Ele me disse que o pessoal da Mercer ainda está meio perdido, sem saber o que vão fazer, mas assim que souberem, informarão ao mercado...
Segundo especialistas, a Watson possui maior presença global do que a Towers e domina alguns mercados importantes como o da Inglaterra. Por outro lado a Towers, diferentemente da Watson, trabalha com consultoria para seguradoras e possui uma unidade de corretagem de resseguros, sendo mais forte na área de saúde.
A união deve complementar as duas empresas, mas deixará algumas lacunas como a de serviços de administração terceirizada de benefícios, uma área dominada globalmente pela Hewitt e no Brasil pela Mercer.
A Watson saiu desse setor em 1990 quando abandonou a joint-venture que mantinha com a "State Street Global Advisors". Já a Towers, vendeu há alguns anos, para a EDS quase 90% desse " business" e se livrou dos 10% restantes em junho passado, vendendo o restante para a HP antes de anunciar a fusão.
A fusão ainda não foi aprovada pela autoridades "antitrust" dos EUA, mas estas deverão dar um ok uma vez que continuará existindo competição num setor que não possui barreira a entrada de novas empresas.
Os acionistas da Watson votarão a fusão no terceiro trimestre. A esperar.
Grande abraço
Eder.
Fonte: Business Insurance
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Integração Watson e Towers gera dúvidas
As ações da Watson Waytt cairam US$ 7,7 na segunda feira, dia 29 de junho e passaram a ser cotadas a US$ 38 depois da fusão com a Towers Perrin, anunciada no domingo.
Os analistas da Citi Investment Research trocaram a recomendação de buy (comprar) para hold (aguardar) para as ações da Watson Wyatt. Estão antecipadando o receio de que a integração tenha o mesmo destino verificado em movimentos semelhantes. Em outras palavras, temem que Watson-Towers tenha o mesmo destino desastroso da Hewitt + Exult e da People Soft + Oracle.
Os clientes já viram histórias como essa. Estão com medo de perda na qualidade dos serviços, fuga dos melhores profissionais etc.. "Fusões como esta geram uma grande revoada de talentos" disse Neil McEwen consultor de gestão da PA Consulting. Isso deve mesmo acontecer, afinal a nova empresa já admite que haverá demissões, só não diz quantas, nem onde.
A participação da Towers na ExcellerateHRO foi vendida para a Hewlett-Packard no início de junho. Dizem os analsitas, em preparação da empresa para a fusão. Mark Mactas, o novo Presidente da Watson-Towers nega, afirma que foi coincidência....
E os clientes da Towers e da Watson no Brasil? O que devem esperar?
Bem, as empresas que escolheram a Towers para terceirizar a administração de seus fundos de pensão devem ficar atentas. Não há garantias de que a HP vá manter essa unidade de negócios.
Se notarmos a concentração em atividades básicas, experimentada após de a própria fusão da HP com a Compaq, é bem provável que antes de piscar os olhos os clientes de outsourcing acordem no colo de outro controlador que não a HP.
O quadro de consultores com experiência de mercado está depalperado em ambas. Fontes do mercado dizem que faltam consultores seniores experientes na Watson Wyatt (não sou eu quem diz).
Na Towers, esse nível essencial de profissionais partiu no início da década, quando a empresa deixou a Argentina, vendeu escritórios ao redor do mundo e restringiu sua atuação na América Latina aos escritórios do Brazil e México.
A Towers sofria de falta de governança, sempre foi uma empresa de capital fechado equivalente aqui no Brasil a uma empresa Ltda. Os números anunciados como resultado da fusão são apenas estimativas, já que a Towers nunca publicou um balanço.
O movimento Watson-Towers pode desencadear outros semelhantes, quem sabe uma Mercer-Hewitt? Ou uma Aon-Alexander Forbes?
Relevem o viés que podem alegar que tenho por ser concorrente da Towers Perrin e da Watson Wyatt. Os fatos estão aí para análises e projeções estratégicas. Se acaso eu fosse cliente de qualquer uma das duas, seria isso que faria.
Como dizem os especialistas, a melhor forma de antecipar o futuro é ajudando a contruí-lo.
Abraço forte.
Eder.
Fonte: "Workforce Management"
Hora no Mundo?
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