segunda-feira, 13 de abril de 2020

TE CONTEI? PORQUE É TÃO DIFÍCIL SABERMOS O LIMITE DO NOSSO CONHECIMENTO.



De São Paulo, SP.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO: Meu fundo de pensão vai acabar? Conseguirei recuperar o tombo na minha poupança de aposentadoria? Devo planejar minha viagem de ferias para setembro? Se tivéssemos mais certezas, a quarentena seria mais fácil de encarar. Porém, toda essa incerteza não nos impede de falarmos autoritariamente sobre coisas que não conhecemos bem. As opiniões que emitimos com suprema confiança, soam estranhas à luz da óbvia e inevitável ignorância sobre uma ameaça desconhecida. O excesso de confiança nos aflige o tempo todo, inclusive aos experts. POR QUÊ ISSO É IMPORTANTE: A humildade epistêmica, escreve Erik Angner, nos ensina que o conhecimento é sempre provisório e incompleto. Ser expert de verdade envolve não apenas saber as coisas sobre o mundo, mas também saber os limites da sua expertise. “A ignorância gera confiança com mais frequência do que o faz o conhecimento”, já dizia Darwin em 1871. CONCLUSÃO: Conforme estudo de Annie Duke "decision-making under uncertainty in poker"(decision-making under uncertainty in poker) a decisão certa não é garantia do resultado desejado. Decisões são apostas no futuro e não são certas nem erradas só porque deram bom resultado em qualquer interação em particular.

Grande abraço,
Eder.

terça-feira, 7 de abril de 2020

O que vai acontecer com seu fundo de pensão? Tudo bem não ter certeza, em tempos de incerteza!



Crédito de Imagem: www.cachorrogato.com.br

De São Paulo, SP.

Em 1935, dois anos depois de ganhar o Nobel de Física, Erwin Schrödinger propôs um experimento que se tornou uma das maiores contribuições para o desenvolvimento da mecânica quântica.

Schrödinger imaginou um gato hipotético colocado dentro de uma caixa, junto com uma garrafa de cianureto, um martelo ligado a um contador Geiger (instrumento que mede a radioatividade) e uma pequena quantidade de material radioativo.

A caixa, então, foi selada e ele esperou passar uma hora. O material radioativo na caixa era tão pouco, que a chance de haver um decaimento radioativo no curso de uma hora, o que acionaria o contador Geiger, era de 50/50. Se isso acontecesse e o contador Geiger fosse acionado, o martelo seria liberado, quebraria o frasco com veneno e levaria a morte do gato (vídeo explicando: aqui).

Sem abrir a caixa, podemos dizer se o gato está vivo ou morto? A resposta é: não. Até que a caixa seja aberta e saibamos se o veneno foi ou não liberado, o gato estará numa espécie de estado indeterminado – vivo e morto ao mesmo tempo ou de fato, nenhum dos dois.
    
Esse estado indeterminado é algo comum na física quântica. Em nosso mundo real, apesar de lidarmos com objetos muito maiores do que as partículas atômicas, muitas vezes também nos deparamos com situações em que não sabemos se algo é verdadeiro ou falso ou nenhum dos dois. Temos muita dificuldade em lidar com situações em que somos totalmente ignorantes - no sentido do conhecimento, não no pejorativo.

Somos todos epidemiologistas

Ontem no final da tarde participei de um “webinar” organizado por uma firma de consultoria de RH. Ouvi vários executivos partilharem suas experiências, o que pensam e o que suas empresas estão fazendo nessa crise do COVID-19.

Quando me desconectei do software de vídeo conferência, a única certeza que tive foi a de que não temos certeza de nada.

Os seres humanos têm uma profunda aversão a incerteza. A maioria do que lemos e ouvimos atualmente - produzido pela mídia, por “influencers”, por lideranças políticas ou por pessoas comuns, sem nenhum conhecimento específico - transmitem uma certeza inabalável. É como se apenas os especialistas reconhecessem que eles e somente eles, têm certeza sobre pouquíssima coisa. 

Precisamos e buscamos a certeza. Não apenas no que os outros dizem. Quando somos convidados a nos expressar sobre assuntos complexos, temos opiniões fortes e as afirmamos com base em nossas próprias certezas.

Uma pesquisa feita pela IPSOS perguntou para pessoas de diversos países com que grau concordavam ou discordavam da afirmação: “As restrições de viagem e o isolamento em larga escala não deterão a propagação do vírus COVID-19” (nota: apenas reforçando o que foi dito acima, o nome do vírus é Sars-Cov-2; COVID-19 é o nome da doença causada por ele).

A resposta sincera deveria ser: Não Sei. A maioria das pessoas não tem a mais remota ideia de quais são os vários mecanismos de contágio, qual a proporção de transmissão do vírus em cada um deles, como esses mecanismos são afetados por tais medidas em nível individual e em nível coletivo, com que abrangência as medidas estão efetivamente sendo adotadas, quando uma pessoa começa e quando deixa de ser contagiosa e por aí vai.

Mesmo assim, como mostra o gráfico abaixo, isso não impediu que as pessoas tivessem a maior convicção em suas respostas. A proporção mais alta de “Não Sei” foi na Alemanha, apenas 11%. No Brasil, míseros 5% disseram não saber (pesquisa completa: aqui).


Desconfortável, mas ok

Nós, seres humanos, não conseguimos lidar com a incerteza. Demandamos certeza do tipo preto no branco. No entanto, esse pensamento binário nos fornece uma visão distorcida do mundo. Não parece haver espaço em nossas posições para o equivalente ao gato do Dr. Schrödinger: não há lugar para “não concordo nem discordo”.

Algumas vezes, nós simplesmente não sabemos a resposta e isso não deveria ser um problema. Em um trabalho científico intitulado “I don’t know” (“Eu não sei”, em português) os professores Matthew Backus, da Universidade de Columbia e Andrew Little de Berkeley, concluíram que é do interesse de especialistas expressar desconhecimento se for impossível saber o efeito de determinada politica, ao se tomar uma decisão.

Não saber determinada coisa é desconfortável, especialmente quando temos que tomar uma decisão. Então, nos inspiramos em alguma certeza para agir, ainda que essa certeza seja imaginaria. Quando não dispomos de fatos, nos baseamos em nossa experiência passada para confirmar nossa crença e tentamos convencer os outros.   

Abandonar nosso passado, porem, significaria proclamar nossa ignorância, algo que não é fácil para as criaturas que somos, avessas a incertezas. 

Mas admitir que realmente não sabemos, permitiria reconhecer que existem múltiplas verdades. Por isso, seria bom reconhecer nossa ignorância e só fazendo isso é que podemos superá-la.

Você não sabe o que vai acontecer com seu fundo de pensão? Tudo bem não saber, ninguém sabe e só saberemos depois que a caixa com o Sars-Cov-2 for aberta ...

Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo "Embrace your ignorance", escrito por Koen Smets (https://medium.com/@koenfucius/embrace-your-ignorance-9c0948cd2a98).


segunda-feira, 6 de abril de 2020

FASE 3 DA CRISE: COVID-19


Credito de Imagem: Matt Dunham/AP 

De São Paulo, SP.

Vamos chegando na terceira fase da pandemia causada pelo COVID-19, mais ou menos no mesmo estágio que a maioria dos países do mundo. Na primeira fase estávamos identificando a ameaça e na segunda passamos a responder à mesma. 

Nessa fase agora passamos a avaliar e monitorar se as respostas estão surtindo efeito e a administrar a dose do remédio para que ele não mate o paciente. 

Vão se avolumando os alertas para os efeitos de uma overdose do remédio usado para debelar o novo coronavírus: catástrofe econômica, caso não se planeje um retorno ao trabalho já a partir de maio.

Os CEOs das empresas americanas querem ter uma conversa dura com todo o país para mostrar quais serão as consequências se o isolamento, nos moldes atuais, ultrapassar meados de maio. O que eles têm a dizer se aplica não apenas aos EUA, mas também ao Brasil e a vários outros países ao redor do mundo.

Segundo os CEOs, um massivo número de empresas, grandes e pequenas, sumirá do mapa se o governo e a iniciativa privada não começarem a planejar urgentemente a forma de setores da economia retornarem ao trabalho.

O risco de se adiar a discussão

Todos têm consciência de que muitos segmentos da economia não poderão retornar as atividades antes de junho ou mesmo depois disso, mas o que chama a atenção é a falta de urgência na discussão sobre quais setores poderão voltar mais cedo ao trabalho.

 As conversas dos CEOs ainda estão ocorrendo de forma restrita, limitadas aos fóruns empresariais, porque eles temem parecer insensíveis se abrirem essa discussão e levarem a preocupação para o domínio publico, num momento em que todos estão apavorados.

Por outro lado, reconhecem que esse é um debate que o país precisa iniciar urgentemente, ainda que haja alguma discordância sob a ótica e o timing de se fazer isso.    

O retorno ao trabalho pode começar por geografia, demografia ou tipo de trabalho. Provavelmente o planejamento incluiria o uso de máscaras e luvas. Talvez nem seja perfeito, talvez não seja capaz de identificar e permitir o retorno de pessoas que tiveram o vírus e foram curadas, bem como daqueles que possuem anticorpos e são imunes ao vírus.

Infectologistas entendem que o retorno deve acontecer quando certo ponto da curva for atingido e se começar a descer, quando nenhum novo caso for identificado e não houver mais mortes durante certo período de tempo. O ponto de vista deles é que só a partir daí fará sentido relaxar as exigências de distanciamento social.

Não há consenso sobre quando será o momento do retorno, mas os CEOs alegam que é preciso definir um prazo realista e que precisam conversar honestamente com seus empregados sobre o que vai acontecer. Eles se perguntam:
  • A partir de que ponto um negócio se torna irrecuperável?
  • Qual o ponto em que eu simplesmente mando todo mundo embora, fecho as portas e devolvo as chaves para o proprietário do imóvel?

As empresas temem que, enquanto tiverem afastados, seus empregados se vejam forçados a agarrar a primeira oferta de emprego e não possam contar com eles durante a retomada         

Empreendedores e presidentes de empresas também sabem que depressão e vícios acompanham os empregados durante uma recessão econômica. Ninguém quer falar disso, mas quando retornam ao trabalho, empregados deprimidos e com vícios nem sequer trabalham.

Dimensão econômica dessa crise

Os gastos públicos do governo americano no ano de 2020, em percentual do PIB, estão mais próximo do que aconteceu na II Guerra Mundial do que o verificado na pior crise econômica até hoje. 


E estamos apenas no começo, os gastos ainda deverão aumentar. 

A diferença é o escopo do pacote econômico para salvar a economia do coronavirus. O alvo vem sendo bem diferente do que aconteceu na reconstrução depois da II Guerra Mundial.

A crise do COVID-19 levará a grandes mudanças sociais, grandes mudanças nos negócios e grandes mudanças na política. A dimensão das mudanças será proporcional ao tamanho do evento, da mesma forma que as reformas que redesenharam o mundo depois da II Guerra Mundial,  

Finalizando

Nas próximas semanas dessa terceira fase da crise, espere ver e ouvir mais e mais grupos de discussão publica sobre a retomada planejada ao trabalho, inclusive no nosso segmento de fundos de pensão. 

Se demorar muito para começarmos a discutir isso, o medo vai aumentando e aumentando. As empresas estão dispostas a arriscar discutir alguns horrores para evitar outros.

Abraço
Eder.


Fonte: Adaptado de texto escrito pelo Mike Allen - Axios AM
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sábado, 4 de abril de 2020

A liberdade, uma vez perdida, é perdida para sempre!





De São Paulo, SP.

Dependendo de onde você está no mundo, nesse momento, provavelmente você está enfiado em sua casa há umas três semanas. Talvez tenha perdido seu emprego, talvez ainda tenha um e esteja se equilibrando entre o home-office e cuidar dos filhos ou de parentes idosos. Talvez você ou alguém que você conhece tenha pegado o COVID-19.

Cada um de nós tem um monte de coisas com o que se preocupar agora. Enquanto isso, o maior realinhamento de poder da história moderna vai se desenrolando bem na frente dos nossos olhos. O que é mais preocupante, todos estão sobrecarregados demais para fazer alguma coisa sobre o que está acontecendo.

Nas últimas semanas, os líderes mundiais expandiram o poder que possuem, de forma e amplitude que não encontram precedentes históricos. Tudo em nome da luta contra o coronavirus.

Na Tailândia, o governo pode agora censurar a mídia. Na Coreia do Sul, as autoridades estão usando o celular das pessoas, seus cartões de crédito e seus registros de GPS para rastrear em tempo real os pacientes infectados com o COVID-19. Nos EUA, o Departamento de Justiça solicitou aos legisladores o poder de demandar que os réus fiquem detidos indefinidamente, sem julgamento, durante emergências como esta.

Taiwan, que tem uma população de 24 milhões de habitantes, está mantendo 55 mil cidadãos em casa com o uso de uma “cerca digital” e a polícia de Hong Kong usa o coronavirus como argumento para apertar o cerco contra os manifestantes que clamam por liberdade. Enquanto isso, a ONU está fazendo um acordo com a TENCENT, a maior empresa de softwares de vigilância da China, explica Mary Hui uma repórter baseada em Hong Kong que cobre geopolítica e negócios na Ásia (artigos: aqui)

Nem precisamos ir tão longe, os exemplos fervilham por aqui mesmo. No Rio de Janeiro o governo estadual impediu o transporte de passageiros intermunicipal bem como o vindo de outros estados. Em São Paulo, o comercio está proibido de abrir e em diversas outras cidades e estados brasileiros o livre trânsito de mercadorias e pessoas foi restringido. 

A crise do COVID-19 prejudicou as formas da sociedade se organizar, proibindo aglomerações. Sem mais protestos do publico nas ruas. Enquanto isso, os governos nacionais vão descobrindo meios para aumentar a vigilância e apertar os controles (mais: aqui).    


Especialistas em estudos políticos nos EUA começam a debater em que ponto os poderes dados aos governantes durante uma emergência, se tornam tirânicos. Um estado de emergência, dizem eles, se justifica se: (1) a ameaça é publicauniversal e existencial; e (2) se os poderes extraordinários forem autorizados pelas pessoaslimitados no tempo e proporcionais.  Quem dominar o inglês pode ouvir a discussão nesse podcast: aqui.

O COVID-19, que vem sendo chamado de “o grande equalizador” por matar democraticamente e indistintamente qualquer um (artigo: aqui), certamente se enquadra na primeira parte das justificativas acima, mas e na segunda? 

Não se encontra muita evidência na história de que os governos tenham interesse em nos devolver poder, uma vez que esse lhes tenha sido dado. Os ataques terroristas do 11/setembro/2001 nos EUA expandiram o poder do governo e a permissão para que as liberdades pessoais fossem violadas sobreviveu à emergência do momento por mais de uma década.

Não faltam exemplos mundo afora, mostrando que movimentos que iniciam com a defesa da liberdade acabam, na maioria das vezes, descambando para o seu cerceamento. 

Vale notar que em pouquíssimos casos, a declaração de estado de emergência aprovada nos quatro cantos do mundo por causa do COVID-19, veio acompanhada de uma cláusula de reavaliação (artigo do NYT: aqui).

No que tange aos outros pontos, quem determina qual perda de nossos direitos pessoais é proporcional à ameaça? E quem pode falar em nome das pessoas numa situação como essa? 

Aconteça o que acontecer, não podemos deixar que a resposta seja simplesmente: quem quer que esteja encarregado no momento.

Bom para refletir!

Grande abraço,
Eder.


P.S.1: O que o COVID-19 está fazendo com a gente não é propriamente o que expressamos através da figura de linguagem que estamos usando. A quarentena vem nos juntando e nos unido, sem negar o espírito do “distanciamento social”.

P.S.2: O título desse artigo é uma frase de John Adams, Presidente Americano no período de 1735 a 1826: “Liberty once lost, is lost forever”. 


Fonte: Adaptado de texto escrito por Annabelle Timsit para o Quartz Daily Brief
    
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