De Sāo Paulo, P.
A missāo principal que originou os fundos de pensāo foi: “garantir que as pessoas tenham renda para viver com segurança financeira até morrer”.
No entanto, quando você analisa os saldos acumulados nos planos de contribuiçāo definida, percebe que nāo há como garantir que o dinheiro vá durar até o fim da vida.
A previdência complementar foi desenhada para nos entregar segurança financeira no futuro. Ao invés disso, passou a focar na otimizaçāo do retorno dos investimentos.
Tornamos a previdência complementar sem fins lucrativos, mas passamos a deduzir do lucro (retorno) dos investimentos o custeio da estrutura de administraçāo, o que reduz o beneficio que as pessoas teriam, se nāo fosse assim.
Constuimos um sistema que pressupōe que todos os participantes sāo experts em alocaçāo de ativos, colocando nas pessoas o peso da responsabilidade pela gestāo de suas poupanças previdenciárias. Quanto melhor seu desempenho, maior seu beneficio.
Nem sempre foi assim.
Os fundos de pensāo, em seus primórdios, se baseavam nos ideais de uma renda previsivel, constante e ininterrupta. A promessa era de um beneficio mensal que, somado à aposentadoria do INSS, garantiria uma renda vitalicia em torno de 70% (um pouco menos, um pouco mais) do último salário da pessoa.
Mas quando um negocio é construido em torno da longevidade e ela começa a aumentar indefinidamente, o incentivo é simples: colocar um limite na evoluçāo do custo do produto.
Primeiro, reduziram o beneficio da previdencia complementar, a garantia de 70% do ultimo salario, desceu para 60%, depois para 50%, entāo para 45% … até que, finalmente, inverteu-se a lógica toda.
Passou-se a garantir o valor a ser poupado mensalmente, mas tirou-se a segurança de que o dinheiro da renda de aposentadoria seria pago até você morrer.
Há anos que chamamos pelo nome errado, nāo é mais “previdência complementar”, é a “previdência que der para juntar”.
A mudança ocorreu gradualmente, entāo, de repente.
Os planos de beneficio definido (BD) puros, deram lugar aos planos mistos (um plano BD, junto com um plano CD). Esses, cederam lugar aos planos de contribuiçāo variável (CV) - durante a vida ativa plano CD, na aposentadoria, plano BD - e esses, terminaram onde estamos hoje, em planos de contribuiçāo definida (CD) puros.
Essa mudança levanta uma questão que deveria nos incomodar a todos: “se os planos de previdência complementar nāo sāo mais de “previdência compementar”, o que eles são exatamente?
Talvez precisemos reconhecer que o que temos agora serve a um propósito diferente daquele para o qual nos inscrevemos décadas atrás.
Há valor nos planos de contribuiçāo definida (CD). As pessoas poupam para ter algum dinheiro nas idades mais avançadas, algo que jamais teriam se de outra forma nāo tivessem economizado.
Mas vamos parar de fingir que o plano CD é uma soluçāo que entrega segurança finaneira absoluta até a morte, porque nāo entrega. É uma infraestrutura de poupança para o futuro, com previdência em seu nome porque economizar e poupar é ser previdente e não o contrário.
Talvez a coisa mais honesta que se possa fazer é corrigir essa distorçāo, mudar esse nome, reconhecer o que esses planos entregam hoje.
Enquanto continuarmos chamando os planos CD de “previdência complementar”, estaremos induzindo as pessoas a pensar que eles complementam a renda da previdência social, até o fim …
Grande abraço,
Eder.
Opiniōes: Todas minhas | Fontes: “How social media stopped being social”, escrito por Tom Goodwin


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