
De Sāo Paulo, SP.
As sondagens de seguradoras para compra de anuidades por pessoas acima de 75 anos, mais do que quadruplicou desde 2024 no Reino Unido.
Anuidade - também chamada de renda vitalícia ou anuidade de seguros - é um contrato financeiro em que você entrega um capital acumulado para uma seguradora e em troca, ela garante o pagamento de uma renda mensal regular por toda a sua vida. O produto, inexistente no Brasil, foi desenhado especificamente para eliminar o risco de longevidade, ou seja, o medo de se viver mais do que o seu dinheiro durar.
De acordo com a seguradora britânica Standard Life, os pedidos de proposta por clientes com mais de 75 anos aumentou de 1,3% para 5,5% no acumulado até 2026.
O interesse, informa a seguradora da Terra de Sua Majestade, surge impulsionado por uma combinaçāo de fatores.
Um dos fatores sendo a atratividade dos preços das anuidades e outro a certeza oferecida pelo produto, que paga renda vitalícia, i.e., até o participante morrer.
A Standard Life estima um aumento de 39% na demanda pela compra de anuidades por indicaçāo de planejadores financeiros.
Essa maior demanda também tem a ver com um aumento na tributaçāo de saldos de previdencia complementar deixados como herança (IHT - Inheritance Tax), no Reino Unido, a valer a partir de abril de 2027.
Mas o ponto aqui nem é esse.
De acordo com o Head de Annuities da Standard Life, Pete Cowel:
As taxas de juros (das annuities) estão atualmente em níveis historicamente altos, atingindo os maiores patamares desde maio, depois da aprovaçāo de uma nova lei de previdência complementar. (no Reino Unido).
Vai de perdendo o bonde … de novo
O Brasil vive, neste momento, uma daquelas janelas raras que aparecem poucas vezes na história financeira dos países mais desenvolvidos.
Juros elevados;
População envelhecendo;
Planos de contribuição definida amadurecendo;
Trabalhadores chegando à aposentadoria com saldos acumulados
Nessa conjunçāo de fatores, faz mais sentido do que nunca uma pergunta angustiante: “como transformar poupança em renda segura, que dure pelo resto da vida”?
Essa é uma questāo que deveria estar no centro da agenda pública, regulatória e estratégica do setor de previdência complementar e de seguros.
Mas não está!
Juros altos, que tantos problemas causam à economia, têm pelo menos uma virtude quando se trata de previdencia:
Eles ajudam a tornar viáveis produtos de renda vitalícia (anuidades). Quanto maior a taxa de juros usada para precificar uma anuidade, maior tende a ser a renda mensal que pode ser oferecida ao participante aposentado
Em outras palavras, agora seria justamente o momento ideal para o Brasil idealizar, regular, testar e implantar em escala um verdadeiro mercado de anuidades.
Mas … o governo parece não ter percebido que esse bonde está passando.
Em vez de usar esta fase da economia para construir soluções capazes de proteger o aposentado contra o risco de viver mais do que o seu dinheiro, seguimos presos ao velho modelo:
poupadores acumulam recursos $$$;
fundos de pensão e seguradoras compram títulos públicos com retorno fácil;
o governo obtém financiamento garantido, liquido e certo.
Só que o participante, pobre participante, continua sozinho diante da pergunta mais difícil da fase de aposentadoria: quanto posso gastar sem correr o risco de ficar sem dinheiro?
É um arranjo confortável para o governo, cômodo para todos os gestores de investimentos dos fundos de pensāo, mas insuficiente para participantes e cidadãos.
No Reino Unido, a combinação entre juros mais altos, envelhecimento da população, mudanças tributárias e maior demanda por previsibilidade abre ainda mais espaço para as anuidades.
No Brasil, a mesma janela poderia estar sendo aproveitada pelas seguradoras para criarem produtos modernos, transparentes, flexíveis e adequados à nossa realidade:
anuidades vitalícias puras;
anuidades vitalicias reversíveis ao cônjuge;
anuidades parciais, combinadas com saques programados;
anuidades diferidas,
soluções híbridas de desacumulação;
produtos desenhados para diferentes faixas etárias e de renda.
Nada disso exige reinventar a roda, requer apenas reconhecer que o dever fiduciário da previdência complementar não se limita (nem termina) na acumulação.
A grande omissão brasileira está em tratar a aposentadoria como se o problema da seguranca financeira futura fosse apenas juntar dinheiro e fazer o saldo aumentar o maximo possível.
Não é!
O problema maior começa depois da aposentadoria: transformar patrimônio em renda, renda em segurança, segurança em dignidade e dignidade em liberdade.
Se o país perder mais essa oportunidade, não será por falta de condiçōes ideais de juros, de necessidade social ou de exemplos internacionais. Será por falta de visão …
Mais uma vez, o setor de previdência complementar e o mercado segurador terão assistido ao bonde da história passar diante de seus narizes — enquanto permaneciam sentados, confortavelmente, financiando o governo com a compra passiva de títulos públicos.
Grande abraço,
Eder.
Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Annuity demand from over-75s quadruples in two years”, escrito por Ellie Carric.
Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.

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