segunda-feira, 29 de junho de 2026

QUE O TRABALHO MUDOU, NÓS SABEMOS, MAS OS FUNDOS DE PENSĀO MUDARĀO A TEMPO?

 


De Sāo Paulo, SP.


Tanto na ciência quanto na história, trabalho é uma ferramenta definitiva de modificação do estado das coisas.

Na física, trabalho (T) é uma grandeza que mede a transferência de energia para um corpo através da aplicação de uma força, que gera um deslocamento (a formula basica é T = F x D). O conceito é puramente vetorial e mecânico. A força precisa ter direção e sentido úteis para gerar deslocamento. Se você empurrar uma parede até cansar e ela não se mover, o trabalho na física é zero, não importando o seu esforço.

Na história, o trabalho humano, potencializado pelas máquinas a vapor, tinha como foco a transformação brutal da matéria-prima em produtos. O trabalhador na industria aplicava uma força real e exaustiva, mas perdeu o propósito subjetivo daquilo que produzia. Segundo a teoria da alienação de Karl Marx, o operário não era mais dono do processo e nem do produto final; seu único propósito imediato passou a ser a subsistência através do salário. Ele vendeu a sua capacidade física de gerar energia (trabalho), quantificada em horas, para que o sistema industrial a canalizasse em lucro.

Na etmologia, a palavra trabalho deriva do latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta de três pernas que imobilizava animais de traçāo (cavalos e bois) para colocar ferradura. Curiosamente, era também o nome de um instrumento de tortura usado contra escravos e presos, que originou o verbo tripaliare cujo primeiro significado era “torturar”. Nesse sentido insere-se também a antiga tradição bíblica do trabalho como castigo, ao condenar o homem comum expulso do paraiso (Adāo) à labuta para ganhar o pão de cada dia (”tu comerás o teu pão, no suor do teu rosto”).

O sistema de previdência complementar foi construído sobre uma premissa aparentemente sólida de trabalho.

Era uma linha reta: escola-emprego-carreira-aposentadoria. Esse modelo fez sentido por mais de um seculo, enquanto o trabalho também seguia uma linha reta.

Mas essa linha se quebrou.

O setor de previdência complementar já percebeu que há uma transformação em curso naquilo que, por força do hábito, ainda chamamos de “trabalho”.

Porém, nāo percebeu o suficiente!

Notar que o trabalho está mudando é apenas o primeiro passo. O passo realmente importante para o setor de fundos de pensāo é entender para onde essa mudança está levando o trabalho, o emprego, a renda, a contribuição previdenciária e a própria ideia de segurança financeira.

Os fundos de pensão nasceram em um mundo industrial, um mundo em que o trabalho era medido por unidade de tempo.

O empregado vendia horas de trabalho, a empresa comprava essas horas, o salário remunerava essas horas e a previdência era calculada sobre esse salário. A segurança financeira futura era financiada por uma relação relativamente estável entre empregado, empregador e planos de benefícios de fundos de pensāo.

Credito de Imagem: GettyImages


Essa arquitetura funcionava porque havia uma espécie de “física planetária do trabalho” embutida.

  • O emprego era o centro em torno do qual tudo gravitava.

  • A carreira era a órbita.

  • A empresa era o planeta.

  • A aposentadoria era o destino final.

A tecnologia não mudou apenas as ferramentas usadas no trabalho, ela mudou essa física inteira. As pessoas não vivem mais de um único emprego e muitas nem vivem de emprego, vivem de:

  • Projetos

  • Plataformas

  • Contratos

  • Consultorias,

  • Venda de conteúdo,

  • Comunidades,

  • Marcas pessoais,

  • Produtos digitais,

  • Renda de investimentos,

  • Participação em negócios,

  • Atividades paralelas e

  • Combinações que ainda nem sabemos nomear direito.

A carreira, como conceito, está desaparecendo e é aqui que os fundos de pensão precisam prestar atenção.

O setor pode até ter percebido que o futuro do trabalho está mudando, mas isso, sozinho, não assegura o futuro dos próprios fundos de pensão. Pelo contrário: pode apenas transformá-los em espectadores bem informados do próprio ocaso.

O desafio é redesenhar produtos, serviços e modelos de negocios para um mundo em que o trabalho é fragmentado, digital, instável, autônomo e na maioria dos casos, independente de um emprego formal.

Como fica a previdência complementar nesse mundo?

  • Se a renda do futuro será mais irregular, os planos precisam aceitar e ter sistemas para receber contribuições intermitentes;

  • Se o vínculo empregatício é mais curto, o saldo acumulado precisa ser portátil de verdade e acompanhar automatiamente o participante para onde ele for.

  • Se as pessoas terão múltiplas fontes de renda, o plano precisa receber contribuiçōes mensais não (apenas) de salários, mas de fontes variadas de recolhimento, tipo, % de gastos com cartōes, aluguéis, honorários PJ, debito em conta-corrente etc.

  • Se a educação financeira tradicional não engaja, o setor precisa estar nas plataformas tipo TikTok onde as pessoas realmente estão no dia-a-dia.

  • Se a vida será menos linear, os produtos precisam deixar de ser lineares.

Não basta oferecer acumulação para uma aposentadoria aos 65 anos, será preciso oferecer segurança financeira ao longo de toda a vida:

  1. Seja entre momentos de perda de renda: a pessoa fica sem trabalho;

  2. Seja diante dos riscos: invalidez, morte, longevidade;

  3. Seja em situaçōes de emergência: gastos inesperados com saúde, acidentes, despesas com a casa ….

Isso significa criar soluções para pausas de carreira, transições profissionais, períodos de renda baixa ou nula, requalificação, empreendedorismo, desacumulação parcial, proteção contra longevidade, renda complementar temporária, fundos de emergência e orientação financeira personalizada.

Credito de Imagem: Shutterstock


Em outras palavras:

Os fundos de pensão precisam sair da lógica de “guardar dinheiro para o fim da vida” e entrar na lógica de “entregar segurança financeira para uma vida imprevisível”

A previdência complementar brasileira tem uma oportunidade enorme, mas essa oportunidade não está em ajustar o modelo antigo. Está em redesenhar o modelo, criar um modelo novo, antes que outros fora do setor de fundos de pensāo façam isso.

Neobanks digitais, fintechs, plataformas de investimento, seguradoras, big techs, exchanges, carteiras digitais e agentes de inteligência artificial já estão disputando a atenção financeira das novas gerações.

Eles não precisam pedir licença ao sistema de previdência complementar para oferecer soluções de longo prazo para os consumidores.

Eles aparecem no celular, falam a linguagem do usuário e entregam conveniência.

Se o sistema de previdência complementar quiser continuar relevante, precisará entender que:

  • O produto previdenciário do futuro não será apenas um plano de acumulaçāo de capital seguido de desacumulaçāo, na forma de renda contínua.

  • Será uma plataforma, que entrega segurança financeira ao longo da vida, de toda ela, que dá suprte no curto, nomedio e no longo prazo.

Uma plataforma:

  1. Que acompanha a pessoa ao longo de toda a vida e conversa com suas fontes de renda reais hoje, amanhā e depois;

  2. Que permite contribuições pequenas ou grandes, variáveis e automáticas;

  3. Que aceita múltiplos vínculos de trabalho, proprio ou emprego.

  4. Que ofereça orientação em tempo real, digital, rápida e facil de acessar, de qualquer lugar e a qualquer hora;

  5. Que use IA para orientar, educar e ajudar nas decisões;

  6. Que permita transições entre acumulação permanente e desacumulação temporária ou permanente;

  7. Que proteja contra os riscos de longevidade, mas também contra os riscos de uma vida profissional instável.

O fundo de pensão do futuro não será um lugar para onde o trabalhador manda contribuiçōes mensais, mas sim um lugar que organiza sua vida financeira.

Aqui no TECONTEI estamos apenas antecipando o caminho. O trabalho deixou de ser linear, a carreira deixou de ser previsível e a aposentadoria deixou de ser um evento isolado no final da vida.

A separaçāo entre aposentadoria e vida ativa, simplesmente, nāo existe mais.

O trabalho nāo vai desaparecer, mas nunca mais será o mesmo e os fundos de pensão desaparecerāo se ficarem ancorados no antigo conceito.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Careers Are Collapsing. Jobs Are Dying. The Smartest People Are Doing This Right Now”, escrito por Thomas Oppong.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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