quarta-feira, 24 de abril de 2013

Consertando um plano de benefício definido











From: Gerente de Tesouraria
To: CFO, Diretor Financeiro
Priority: High
Subject: Como assumir o controle do nosso plano de benefício definido?

Bom dia Chefe!

Notei hoje no café que você está preocupado com nosso plano de benefício definido, mas o que especificamente está tirando o seu sono?

Sua preocupação é com a rápida deterioração do equilíbrio financeiro-atuarial do nosso plano, causado pelo mergulho de nariz que as taxas de juros têm dado no Brasil nos últimos anos (desconsiderando esse “soluço” recente de aumento de 0,25% que foi só para controlar a inflação)?

Ou seriam os grandes saltos que temos experimentado anualmente nas despesas contábeis com o plano, que você precisa ficar explicando constantemente para acalmar os analistas de mercado?

Pode ser que você esteja irrequieto vendo tudo isso acontecer mesmo depois dos milhões e milhões de reais que a empresa contribuiu para esse plano de previdência ao longo dos últimos anos.

Não importa qual a raiz do problema, a Tesouraria tem uma estratégia que é solução para todos os males. Olha só:

1. Emitir títulos de crédito de longo-prazo a taxas incrivelmente atrativas: O custo para as empresas tomarem dinheiro emprestado está em níveis nunca vistos, quer dizer, nunca vistos no mundo do financiamento corporativo brasileiro. Uma empresa que já tem grau de investimento como a nossa, consegue vender papéis com prazos de 10 anos, de 30 anos, com taxas reais aí por volta dos 3% e 5%, respectivamente. Nunca antes na história desse país - talvez isso nunca volte a acontecer - tivemos uma situação tão favorável para as empresas financeiramente equilibradas, se beneficiarem do mercado para atração de capital.

2. Contribuir para o fundo de pensão com esse dinheiro emprestado, elevando o patrimônio do plano ao nível de 100% de cobertura dos compromissos: Isso trás um monte de vantagens. Primeiro, as contribuições corporativas para a previdência complementar são abatidas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. Por exemplo, considerando uma taxa de tributação marginal da ordem de 30% uma contribuição de R$ 100 milhões realmente só vai requerer R$ 70 milhões em dinheiro. Segundo, esse dinheiro será investido num portfolio diversificado de ativos de modo que podemos esperar um retorno de longo prazo superior aos juros da dívida contraída, resultando em uma despesa contábil menor e até num potencial acréscimo dos ganhos. Terceiro e último, um maior nível de cobertura dos passivos significa melhor avaliação da empresa pelos analistas já que as contribuições feitas com o dinheiro da dívida teriam efeito nulo sobre a nossa alavancagem financeira. Quando calculam o risco de crédito da empresa as agências de rating não tratam os passivos atuariais a descoberto como se fossem dívidas no balanço?

3. Ajustar a alocação do portfolio de ativos do plano de benefícios: Fizemos algumas simulações com nosso atuário e podemos dizer com razoável tranquilidade que o patrimônio de um plano atuarialmente equilibrado (sem déficits nem superávits), composto de 85% de renda fixa, 10% de renda variável e 5% de outras classes de investimentos (imóveis, empréstimos simples a participantes etc.) seria mais de 2/3 menos volátil do que o portfólio de investimentos que temos hoje. Isso significa que quando nosso patrimônio estiver cobrindo 100% dos compromissos do plano, conseguiremos permanecer próximos desse nível de cobertura mesmo em condições voláteis de mercado. Talvez você já tenha ouvido falar dessa tática pelo nome “LDI – Liability Driven Investing”. Nós testamos bastante essa abordagem e ela realmente funciona se corretamente aplicada. Se as empresas que patrocinam planos de benefícios definidos tivessem adotado a LDI como estratégia lá atrás em 2005, quando o mercado tinha condições mais estáveis e os planos estavam até superavitários, esses planos estariam sofrendo muito menos hoje diante do atual cenário econômico. Provavelmente essas empresas não precisariam se preocupar agora em ter que fazer aportes significativos daqui prá frente.

4. Incentivar os participantes a fazer saque e portabilidade: As regras em vigor permitem ao participante fazer saques, mesmo que limitados a 30% das reservas em alguns casos, e a optar pela portabilidade das reservas matemáticas para outro fundo de pensão, nesse último caso, desde que opte por isso um dia antes de se aposentar. Essas medidas ajudam a encolher o tamanho do problema representado por compromissos de benefício definido, permitindo que as empresas ganhem mais controle sobre um risco financeiro que é altamente volátil.

* * * * *

É difícil entender porque os planos de benefício definido ainda aterrorizam o Brasil Corporativo mesmo diante de excelentes oportunidades para aliviar o problema. Talvez todo mundo esteja esperando por uma melhora nas condições de mercado (i.e., novos aumentos da taxa de juros e quem sabe, uma reanimação da bolsa). Bom, se o mercado colocou todo mundo nessa confusão, certamente ele pode puxar todos para fora né? Não obstante, esperar que o mercado faça o trabalho já se provou um tanto quanto infrutífero e caro. Eu sugiro agirmos agora e fazermos os mercados trabalharem para nós.

O que você acha?

Atenciosamente,

Gerente de Tesouraria

 

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Nota: O e-mail acima não se baseia em nenhum fato real e todos os personagens, figuras e descrições foram fantasiados. Qualquer semelhança com situações financeiras ou com estratégias de empresas e/ou fundos de pensão específicos terá sido mera coincidência.


Grande abraço,
Eder.




Fonte: Adaptado do artigo “Repairing a Pension Plan” escrito por Patrick Guido para o Capital Markets.
Crédito de Imagem: MMC

terça-feira, 16 de abril de 2013

50 Ferramentas de Tecnologia Educacional que você pode começar a usar hoje mesmo!


De São Paulo, SP.

Quem já não precisou atuar como "professor" em algum momento da carreira, né?

Seja fazendo para os empregados a apresentação do novo plano de previdência complementar da sua empresa, aplicando um treinamento técnico específico ou simplesmente mostrando os resultados da sua área para a Diretoria, todos nós já passamos por uma experiência assim.

Mas achar a melhor ferramenta de tecnologia educacional para ajuda-lo nesse processo pode ser uma tarefa árdua e demorada.

A busca pode até ser vista, por alguns, como um trabalho entediante e envolve, tipicamente, pesquisar e identificar uma série de aplicativos (apps, em inglês) ou ferramentas de Internet que lhe possam ser úteis e posteriormente, testá-las em casa.

No final dessa procura você provavelmente vai acabar não usando nenhuma porque cada ferramenta lhe tomará um tempo enorme se você quiser entender o funcionamento, se acostumar a usá-la e efetivamente implantá-la na “sala de aula”.

Por isso que a ajuda dada pelo Symbaloo (http://www.symbaloo.com/) é tão bacana. São detalhadas, em um só lugar, 50 ferramentas educacionais tecnologicamente avançadas que podem ser facilmente adotadas como suporte para qualquer apresentação e são todas muito simples para implantar e usar.

Seja o Dropbox, o SlideSahre ou o Stixy (espera aí, o quê?) há um monte de aplicativos que vale a pena conhecer.

Você não conhece todas as 50 ferramentas? Eu não conheço. Quem quiser basta clicar em cada ícone para conhecer mais sobre ela e ter uma ideia melhor do que a ferramenta faz.

Quer explorar mais alguma das ferramentas? Basta escolher uma e clicar em cima. Simples assim!

Para acessar o mosaico com as 50 ferramentas Clique aqui

Boa sorte!

Abraço grande,
Eder.



Fonte: Adaptado do artigo “50 Education Technology Tools You Can Start Using Today” escrito por Jeff Dunn.

Crédito de Imagem: www.edudemic.com

quinta-feira, 7 de março de 2013

Como seu cérebro pode prever o sucesso de uma campanha para divulgação do plano de previdência da sua empresa


De São Paulo, SP.

Nenhum dos grandes estúdios de Hollywood comenta, mas Fox, Paramount e alguns outros que tiveram suas produções na lista de candidatos ao Oscar de Melhor Filme de 2013, estão usando pesquisas de neurociência para testar de forma confiável, direta e em tempo real a reação (não consciente) de pessoas como a minha mãe, que adoram ir ao cinema.

Tudo começou com os estudos desenvolvidos por uma empresa norte-americana na área de neurociência, a Innerscope Research.

A turma da Innerscope mostrou 40 trailers de filmes, entre 2010 e 2012, para um Grupo de Teste com 1.000 indivíduos. Os trailers estavam “mascarados” no meio de anúncios, propagandas, comerciais, vídeos e conteúdo de Internet de vários clientes para os quais a Innerscope testava a reação do público aos estímulos emocionais causados pelas várias peças.

Os indivíduos do teste usaram “cintos biométricos” para capturar os estímulos e medir a “atenção emocional”, com sensores grudados na pele para monitorar o nível de suor, o ritmo da respiração e as respostas motoras. Todas as informações biométricas eram complementadas com dados de um dispositivo denominado em inglês de “eye tracking”, que mede a atenção visual (i.e. a direção para onde os olhos estão apontando).

Cada trailer foi mostrado com antecedência de seis a oito semanas do lançamento do filme e ao cruzar os dados posteriormente, a Innerscope comprovou haver uma forte correlação entre as reações emocionais que as pessoas demonstraram assistindo ao trailer e o subsequente nível de sucesso de bilheteria do filme.

Oito semanas é tempo suficiente para modificar um trailer antes do lançamento, baseado na experiência emocional demonstrada pela reação do público, para acrescentar componentes que faltam e reintroduzir o trailer no mercado assegurando uma melhor “performance” da campanha de promoção do filme na semana de lançamento.

De acordo com as descobertas da Innerscope, se o trailer de um filme não for capaz de atingir determinado patamar de engajamento emocional (65 pontos na escala do estudo), haverá grande chance de gerar receitas inferiores a US$ 10 milhões na semana de lançamento do filme. Já um filme cujo trailer exceder os 80 pontos, muito provavelmente alcançará mais de US$ 20 milhões de bilheteria no primeiro final de semana.

Veja através do link abaixo, o nível de engajamento emocional das pessoas que assistiram o trailer do filme Piratas do Caribe (preste atenção no cursor que percorre a curva mostrada na tela).

Emotional Engagement with Pirates 4

Há outros aspectos, entretanto, que não podem ser desconsiderados, conforme ensina Melissa Mullen, ex-Diretora Global de Pesquisas Cinematográficas da Fox Entertainment Group:

“Um estúdio de cinema pode usar pesquisas de neuromarketing para produzir o melhor trailer que os consumidores poderiam assistir, mas isso precisa vir acompanhado de uma excelente campanha de marketing, com gastos em publicidade e promoção e criação de um zum-zum-zum sobre o filme a ser lançado. Não importa o quanto a audiência goste de um trailer, se os consumidores não souberem da existência do filme a bilheteria não será um sucesso na semana de lançamento”.

Pois é, porque os fundos de pensão não usam essas inovações antes do lançamento de novos planos de previdência complementar?

A campanha de divulgação sempre conta com uma apresentação de slides em PowerPoint e a reação dos futuros participantes à apresentação poderia ser previamente testada.

Porque não? Os métodos tradicionais nós já conhecemos. Está na hora de inovar!!!

Forte abraço,
Eder.



Fonte: Adaptado do artigo “How Your Brain Can Predict Blockbusters”, escrito por Kevin Randall para Fast Company.

Crédito de Imagem: Brain Maze- GrandeDuc via Shutterstock

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quanto tempo você acha que vai viver? Depende...



De São Paulo, SP

Quando foi pedido para um grupo de pessoas que estimassem a chance de viverem até a idade de 85 anos, a resposta foi que tinham 55% de possibilidade (em média) de chegar até lá.

Porém, quando se perguntou para outro grupo qual seria a chance de morrerem antes de atingirem a idade de 85 anos, a resposta foi que tinham 68% de possibilidade (em média) disso acontecer. Esse resultado equivale a dizer que há 32% de possibilidade de viverem até a idade de 85 anos.

Esse estudo foi feito pelo Professor John W. Payne da Duke University e mostra que um fenômeno psicológico conhecido em inglês por “framing”, ou seja, a forma pela qual uma pergunta é feita afeta a resposta que se obtém.

No exemplo acima, as pessoas enxergam sob uma ótica positiva o conceito de “viver” até certa idade e negativa o conceito de “morrer” antes de determinado ponto na vida. Como resultado, a expectativa de vida tende a ser menor no segundo caso.

Em resumo, a expectativa de vida é uma crença construída em nossa mente. Curioso, não acha?

Quem quiser fazer o "download" do estudo completo, basta acessar o link a seguir:

Life Expectancy as a Constructed Belief: Evidence of a Live-To or Die-By Framing Effect


Abraço grande,
Eder.


Fonte: The Daily Stat – Harvard Business Review http://web.hbr.org/email/archive/dailystat.php?date=021313

Crédito de Imagem: wppts.com

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