De São Paulo, SP.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Seis maneiras para fazer as pessoas pouparem mais para a aposentadoria
De São Paulo, SP.
A pergunta feita no ano passado, durante o Congresso
anual da Associação de Fundos de Pensão e Poupança para Aposentadoria do Reino
Unido (“Pensions and Lifetime Savings Association”), foi:
Como
podemos ajudar as pessoas a poupar o suficiente?
Ao longo de uma semana os dois grupos criados
para responder o desafio chegaram a três ideias-chave cada um, totalizando seis
sugestões sobre como alcançar esse objetivo.
1. Rebatizar a palavra aposentadoria
Há consenso de que os termos mais comuns
usados na área de previdência complementar não são nada positivos. “Pensão”, “Mortalidade”,
“Aposentadoria por Idade”, “Participante Assistido”, “Benefício por Invalidez”.
Isso causa uma impressão ruim nas pessoas, então, uma ideia que surgiu foi
banir e rebatizar o termo “aposentadoria” (tradução livre de pensions em Inglês). Descartar a palavra
aposentadoria e mudar inteiramente a
abordagem para passarmos a falar de poupança
ao longo da vida, pode ser um passo na direção correta. Uma forma para dar
início a essa caminhada é incorporando a educação previdenciária no currículo
nacional das escolas.
“Sentimos que poupança ao longo da vida é algo que precisa ser levado às
escolas e fazer parte do currículo de educação. É importante fazermos os jovens
falarem sobre poupar e tornar a poupança algo divertido. Penso que levar isso
para as escolas é a melhor maneira de começar”, apontou um participante de uma
das equipes.
2. Contribuição Compulsória
A segunda ideia foi tornar compulsórias as
contribuições para a previdência complementar, com um mínimo de 10% do salário
logo que entrarmos no mercado de trabalho.
“Todo mês são deduzidos dos nossos salários impostos
federais e contribuições para o INSS e por mais que todos se queixem, essa é a regra,
então nós nos conformamos, nós aceitamos e na maior parte do tempo nem pensamos
sobre isso. Se todo mês tivermos contribuições compulsórias deduzidas
dos nossos salários, eventualmente isso vai se tornar a norma e quando
finalmente nos aposentarmos todos vão ficar felizes por isso ter sido
obrigatório”, disse outro membro das equipes.
3. Painel de Controle Unificando a Poupança para Aposentadoria
Outra ideia foi criar um sistema que reunisse
em um único lugar todas as fontes de renda para a aposentadoria. Considerando o
sucesso dos serviços bancários móveis, uma equipe sugeriu a criação de um aplicativo
simples onde “você tivesse em um único painel de controle (dashboard) todas as suas poupanças/economias voltadas para a
aposentadoria”.
Apesar da equipe nunca ter ouvido falar antes de um app de previdência desse
tipo, ela se baseou na ideia de um aplicativo que não apenas permitisse às
pessoas enxergarem em um só lugar todas as suas economias e fontes de renda, mas
também permitisse às pessoas consolidar ou transferir essas economias entre as alternativas
existentes.
4. Programa de Fidelidade da Previdência
Outra das equipes também considerou a ajuda que
a tecnologia pode fornecer às pessoas para fazê-las economizar mais. A ideia
central deles foi um sistema de fidelidade voltado para previdência.
Eles consideraram um cartão para acumulação de pontos para troca por recompensas.
Nos moldes daqueles adotados nos programas de milhagem de companhias aéreas e
cartões de crédito que convertem pontos em produtos ou serviços.
Ao invés de receber os pontos daquela forma, a
pontuação poderia creditar fundos adicionais em nossos planos de previdência ou
contas de poupança.
“Os montantes acumulados nos programas de fidelidade
equivalem a uma soma de dinheiro que vale muito a pena. Podem chegar a cerca de
R$ 500 por mês por pessoa”, frisou um membro da equipe.
5. Educação Previdenciária em três etapas
A importância da educação financeira foi
enfatizada por mais de uma equipe. A ideia, dessa vez, foi centrada em um programa
de educação em três estágios-chave ao longo da vida: (i) imediatamente após a
formação acadêmica; (ii) no momento em que a pessoa se tornar um novo
empregado; e (iii) quando começar uma família.
“Acreditamos ser preciso ensinar como
funciona a previdência, o que é um plano de aposentadoria, quanto você precisa
poupar para ter uma boa qualidade de vida no futuro. Nós não aprendemos isso,
somos educados em terminologia financeira porque existe um estigma com a
palavra aposentadoria. Se você mencionar a palavra aposentadoria para alguém na
nossa geração nós levantaremos uma barreira para o assunto, mas é apenas um
jargão. Precisamos ser educados em termos leigos, assim nos sentiremos confiantes
em quanto investir para nosso futuro e em qual idade”.
6. Permanência Mínima nos Planos de Previdência
A última ideia foi só permitir que as pessoas
desistam de um plano de previdência complementar depois de seis meses da adesão.
Na opinião deles, esse é o tempo suficiente para as pessoas obterem maior
entendimento sobre seus investimentos voltados para a aposentadoria. Assim,
poderiam enxergar melhor os benefícios de contribuir com uma percentagem de
seus salários a cada mês.
* * * * * *
Em última instância, ambas as equipes destacaram
a necessidade de quebrar as barreiras entre as gerações mais jovens e os planos
de previdência. Aumentando a educação previdenciária e usando termos mais
simples, os poupadores se sentirão menos alienados sobre o assunto aposentadoria sendo mais provável que
permaneçam em seus planos de previdência complementar.
A introdução da tecnologia para auxiliar na consolidação da poupança previdenciária poderá ajudar a assegurar que a poupança para a aposentadoria esteja em primeiro plano nas mentes das pessoas e não que seja apenas algo a considerar no estágio final da vida.
Concluindo o desafio, foi pedido que a audiência
do Congresso votasse nas seis ideias. A ideia número 2 – poupança compulsória
ao longo da vida – foi a ideia mais votada e ganhou das demais com 30% dos votos.
Se num país que prima pela liberdade de
escolha a compulsoriedade da previdência complementar foi escolhida como
solução, anotem aí, veremos isso implantado por aqui ainda em nossa vida ativa.
Grande
abraço,
Eder.
Fonte:
Adaptado do artigo “PLSA 2016: Conference Challenge - breaking down the pensions stigma” escrito por Talya
Misiri, publicado no PensionsAge.
Crédito
de Imagem: Cartoon Stock
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Previdência Complementar,
Recursos Humanos
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Como a Economia Comportamental pode te ajudar a se aposentar rico
O Professor da Duke University, Dan
Ariely, especialista em economia comportamental, sabe que pequenas mudanças
podem causar grandes impactos. A missão do laboratório “Common Cents” que ele
coordena, focado em estudos sobre a tomada de decisões financeiras e tendo um
ano de existência, é definida como “Piratear o comportamento humano, para o
bem”.
Em seu primeiro relatório anual o
laboratório conta histórias de colaboração entre firmas de tecnologia
financeira (fintechs) como a Qapital e empresas de acesso a dados
tipo Plaid, com cooperativas de
crédito do Alaska e com organizações sem fins lucrativos como a plataforma de
empréstimos Kiva nos EUA.
O objetivo dessas parcerias tem sido
melhorar - através de uma visão comportamental - o bem estar financeiro de
Americanos de baixa renda ou de renda moderada. No entanto, muitos dos
comportamentos estudados pelo laboratório e das soluções encontradas, se
aplicam não só aos Americanos de todas as faixas de renda como a pessoas de
qualquer nacionalidade, inclusive aos Brasileiros.
“A indústria da tentação está
melhorando a cada dia mais”, disse Ariely numa entrevista recente. “A
tecnologia briga conosco porque é muito mais fácil nos seduzir e nos levar a
fazer as coisas pela emoção do que pela razão”. Seu laboratório desenha
maneiras para intervir sutilmente nas transações financeiras, dando uma chance
à razão nessa batalha.
Texto + restituição de impostos = poupança
Preencher a declaração de imposto de
renda é descrito por muitos defensores dos consumidores como “o momento de ouro
para poupar”.
Talvez seja o único momento do ano em
que as pessoas se concentram de forma holística em suas situações financeiras.
Além disso, restituições de impostos representam o maior cheque que muitas famílias verão ao longo do ano, com uma
restituição média nos EUA da ordem de R$ 9.900 ou US$ 3.000. No Brasil, segundo
a receita federal, a restituição média do imposto de renda em 2016, paga a
13,99 milhões de contribuintes, foi de R$ 1.410.
A equipe de Ariely fez um estudo para
aumentar o montante poupado da restituição do imposto de renda pelos usuários de
um aplicativo para smartphone que se comunica com seus usuários principalmente
através de mensagens de texto.
Os usuários conectam suas
contas-correntes com o aplicativo e um algoritmo analisa seus padrões de gasto
e de poupança. Isso permite que o aplicativo julgue quando transferir pequenos
montantes da conta corrente para a poupança, sem que o usuário sinta falta
desse dinheiro.
Num dos estudos, foi enviada uma
simples mensagem de texto para um grupo de controle logo depois de uma
restituição ter sido creditada em sua conta. Perguntava qual a percentagem do
valor restituído o usuário estaria disposto a poupar. A resposta: em média 10%.
Os demais participantes do estudo receberam
uma mensagem antes da restituição ter sido creditada em suas contas. O
texto dizia que os membros deveriam receber em breve uma restituição e
perguntava quanto estariam dispostos a poupar quando o dinheiro fosse
creditado: estes responderam, em média, 15%. O aplicativo, então, automaticamente
transferia os montantes para a poupança do usuário quando o dinheiro aparecia
na conta corrente.
Nos dois casos, dentre aqueles que
responderam a mensagem de texto optando por poupar, a taxa média de poupança para
o grupo de controle (aqueles que já haviam recebido o dinheiro) foi de 12% enquanto
para os participantes do estudo (aqueles que ainda não tinham o dinheiro em
suas contas) foi de 22%, quase o dobro da média de poupança do grupo de
controle.
“Comprometimento prévio é uma
ferramenta que ajuda as pessoas a efetivamente fazerem aquilo que decidiram”,
escreveu no relatório anual Kristen Berman, responsável pelo laboratório em São
Francisco. “Ao invés de confiar em nós mesmos como sendo excelentes pessoas, tornamos
mais difícil para o nosso futuro eu estragar as coisas”.
Os programas que nos fazem poupar de
forma automática removem as tentações. “Todos nós olhamos os extratos bancários
e quando vemos um monte de dinheiro em nossa conta, nos sentimos ricos e
gastamos mais do que deveríamos” diz Ariely. “Se o saldo for pequeno,
gastamos menos”.
Uma maneira de neutralizar isso é programar
tipos diferentes de pagamento automático. Se você paga prestações de um imóvel
todo mês e vencem poucas semanas após você receber seu salário, Ariely sugere
que você tenha outra conta apenas para aquele pagamento. Transfira o dinheiro
automaticamente para essa outra conta quando seu salário for depositado, mesmo
que o vencimento seja apenas dali a algumas semanas.
Um plano de previdência complementar
é um mecanismo que te faz assumir um compromisso previamente. “Imagine um mundo
no qual você não tivesse um plano de previdência e tivesse que decidir todo mês
o quanto poupar” sugere Ariely. “Seria um mundo terrível, sob a perspectiva de poupança”.
Melhor ainda são programas que transferem contribuições para um plano de
previdência complementar. A Fidelity Investments, nos EUA, fez
algumas contas sobre isso. Consideraram um jovem empregado com 25 anos de idade
ganhando US$ 40 mil por ano, com aumentos salarias anuais de 1,5% acima da
inflação. Se esse empregado aumentasse suas contribuições para um plano de
previdência em 1% ao ano por 12 anos, teria um benefício mensal de
aposentadoria acrescido de US$ 1.930.
Ganho = mc
²
A forma como as coisas nos são apresentadas pode ser poderosa tanto para o bem como para o mal. A equipe de Ariely fez um estudo para testar a associação que as pessoas fazem entre poupança e a forma de remuneração, no caso, pagamentos por hora versus contrato com pagamento anual. "Quando apresentamos o salário em termos de contrato anual, as pessoas pensam mais no longo prazo e poupam mais", disse ele. "Já quando as pessoas pensam no salário com base na hora trabalhada, não é que não entendam os números, mas sim que de repente elas passam a pensar no curto prazo. Isso significa, por exemplo, não poupar em um plano de previdência.
Prazo + recompensa = $
Kiva, a firma Norte-Americana de
empréstimos através de crowdfunding,
procurou o laboratório de Ariely por que apenas 20% dos pequenos negócios que
procuravam empréstimos, completavam o formulário que haviam começado a preencher.
Mesmo para receber empréstimos a juros zero. Então, o laboratório incluiu um
prazo para envio do formulário. Essa simples alteração levou a um aumento de
24% no recebimento de formulários completos em relação a um grupo de controle
cujos formulários não tinham prazo nenhum para submissão.
“Prazos são, basicamente, uma forma de fazer com que as intenções não se
evaporem e se tornem parte de uma realidade imediata”, comenta Ariely. “Precisamos
aproveitar as situações em que as pessoas possuem boas intenções e ajudá-las a
traduzir essas intenções em ações. Prazos são uma excelente maneira de fazer
isso”.
Digamos que você não tem um testamento. É improvável que você vá atrás de um
hoje, disse Ariely. Mas você poderia se comprometer a procurar um advogado e
marcar uma até o final do mês. Se você anotar
os passos e definir um prazo, não há garantia de que você fará o que se propôs,
mas você estará ciente de que não fez
isso. Definir um prazo torna mais difícil manter a ilusão de que você está
agindo.
Há inúmeros outros projetos sendo conduzidos pelo Laboratório Common Cents. No entanto, existe um fato que se aplica a todos nós. Os pequenos empurrões financeiros podem, no limite, ajudar. Agora, a forma mais simples e poderosa para os empregados pouparem significativamente mais é ganhando maiores salários. Talvez o Ariely e a turma dele possam testar um pouco de economia comportamental para convencer o seu chefe ou sua empresa sobre isso né!
Se você e sua empresa quiserem repetir uma das experiências do Laboratório Common Cents, fale comigo, tenho o maior interesse em aplicar esse novo conhecimento nos fundos de pensão aqui no Brasil.
Abraço grande.
Há inúmeros outros projetos sendo conduzidos pelo Laboratório Common Cents. No entanto, existe um fato que se aplica a todos nós. Os pequenos empurrões financeiros podem, no limite, ajudar. Agora, a forma mais simples e poderosa para os empregados pouparem significativamente mais é ganhando maiores salários. Talvez o Ariely e a turma dele possam testar um pouco de economia comportamental para convencer o seu chefe ou sua empresa sobre isso né!
Se você e sua empresa quiserem repetir uma das experiências do Laboratório Common Cents, fale comigo, tenho o maior interesse em aplicar esse novo conhecimento nos fundos de pensão aqui no Brasil.
Abraço grande.
Eder Costa e Silva
Crédito
de Imagem: Ilustrações por Sasapost
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Previdência Complementar
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Porque a política de redução dos juros do Banco Central Brasileiro e do Banco Central Europeu poderá causar grande impacto nos fundos de pensão
De São Paulo, SP.
Em 2015 o Banco Central
Europeu (EBC – European Central Bank)
anunciou um programa de expansão de compra de ativos chamado de QE - Quantitative Easying (Flexibilização
Quantitativa, em tradução livre). O
programa era parte da política de estabilidade de preços do EBC e levou,
posteriormente, a redução da taxa de juros. É difícil determinar o impacto
exato do programa sobre as taxas de juros, mas o Banco Central Europeu estimou
que o impacto nos títulos com prazo de 10 anos foi uma redução dos juros da ordem
de 47 pontos base.
Os fundos de pensão na
Holanda tem um patrimônio da ordem de €1,3 trilhões – 168% do PIB do país. Cerca
de 94% desse patrimônio pertence a planos de benefícios definidos. Nesse tipo de plano os benefícios são
“garantidos” de modo que cortes nas rendas de aposentadoria só são permitidas pela
legislação holandesa como último recurso.
Por serem “garantidas”, o
órgão regulador da previdência complementar holandesa determina que os fundos
de pensão usem como fator de desconto no cálculo de suas obrigações, a taxa de
juros livre de risco na economia. Isso
faz com que os fundos de pensão holandeses, da mesma forma que no resto do mundo, sejam muito sensíveis às mudanças nas
taxas de juros.
Nas últimas décadas as
taxas de juros na Zona do Euro caíram devido a queda da inflação (também da
expectativa de queda da inflação), do crescimento econômico e da mudança na estrutura
demográfica da população. O declínio da taxa de juros reduziu o nível de
cobertura das reservas dos fundos de pensão, ou seja, as obrigações são hoje
bem maiores do que o dinheiro existente para pagá-las. Devido a esses níveis
reduzidos de cobertura das reservas, os benefícios dos fundos de pensão na
Holanda deixaram de ser reajustados pela inflação já faz muitos anos e em
alguns casos, os benefícios foram reduzidos (a legislação de lá determina
isso). Ao mesmo tempo, aumentaram as contribuições para custear os fundos de
pensão.
O impacto nos
participantes e empresas patrocinadoras dos fundos de pensão holandeses,
decorrente desse declínio, tem sido enorme. O valor das obrigações aumentou em
cerca de €100 bilhões. O patrimônio também aumentou – devido aos preços maiores
dos títulos (efeito da marcação a mercado) e ao hedge das taxas de juros – mas, esse aumento foi da ordem de €40
bilhões. Ou seja, os participantes e as patrocinadoras ainda terão que arcar
com aproximadamente €60 bilhões, isso representará um aumento de 20% nas
contribuições, se as taxas de juros continuarem baixas em função da política do
EBC.
Graças a um mecanismo de
suavização previsto na regulamentação de previdência complementar holandesa, a
redução de 47 bps nas taxas de juros apontado
acima não teve efeito imediato, portanto, ainda não foi sentida pelos
participantes dos fundos de pensão. O mecanismo de suavização existe para
evitar as flutuações diárias nas taxas de juros, que acontecem de forma
aleatória devido à volatilidade de curto prazo dos mercados - fundos de pensão
são, por natureza, investidores de longo prazo. Em função dos longos períodos
em que suas obrigações têm que ser pagas, o mecanismo de suavização evita que
os fundos de pensão sofreram os efeitos de curto prazo de políticas de juros
como a estabelecida pelo Banco Central Europeu através da QE.
Não obstante, a QE não é
mais uma questão de curto prazo. Quanto mais tempo perdurar e quanto mais tempo
as taxas de juros permanecerem baixas, mais prejudiciais serão aos poupadores Europeus
de planos de previdência complementar.
Nos próximos três anos os
fundos de pensão holandeses poderão “implodir” se as taxas de juros permanecerem
baixas. Os efeitos da suavização sobre o cálculos dos compromissos, prevista na
regulamentação holandesa, duram 5 anos e terminarão em 2020. A partir daí, caso
as taxas de juros continuem no patamar reduzido de hoje e os fundos de pensão
não atinjam o nível mínimo de capital requerido para cobrir suas obrigações, em
muitos fundos de pensão haverá mais cortes nos benefícios e aumento das
contribuições.
No dia 13 de fevereiro de
2017, o Parlamento Holandês alertou os formuladores de política na Europa para
os efeitos das baixas taxas de juros nos participantes dos fundos de pensão
Europeus. Se persistirem, poderão envenenar lentamente o sistema Europeu de previdência
complementar.
E no Brasil?
O sistema de fundos de
pensão no Brasil é composto por 307 instituições com patrimônio da ordem de R$
800 bilhões, o que representa quase 13% do PIB. Quando fecharam os balanços de
2016, os fundos apuraram um déficit da ordem de R$ 71 bilhões.
Assim como na Holanda, o
déficit do sistema Brasileiro acontece em planos de benefícios definidos. Cerca
de 90% do déficit está concentrado aqui em 10 entidades, a maioria patrocinada
por empresas estatais. Apesar de localizado, o valor é significativo e sempre preocupa
por causa do risco sistêmico que pode causar na imagem dos fundos de pensão
como um todo.
No cálculo de suas
obrigações os fundos Brasileiros utilizam uma taxa de desconto que, simplificando,
é baseada em uma média das taxas de juros de longo prazo definidas pelo Banco
Central nos três anos anteriores ao cálculo.
Essa média existe como
mecanismos de suavização, bem semelhante ao adotado pela Holanda. A única diferença
é que na lá a média cobre um período de 5 anos e no Brasil esse prazo é de 3
anos.
Por isso, a taxa de
desconto utilizada pelos fundos de pensão para apurar as obrigações em 2016
refletiam a política de juros altos que vinha vigorando desde 2013. No apagar
das luzes de 2016 a taxa de juros nominal dos títulos públicos de longo prazo era
de 13,75% ao ano.
Porém, devido a queda
abrupta da inflação e ao baixo crescimento econômico, a política monetária
passou por uma inflexão no início de 2017 e o mais recente boletim Focus do
Banco Central, de abril, aponta previsão média do mercado para Selic nominal de
8,75% em dezembro. Uma queda e tanto! Perto de 40% de redução em apenas 1 ano.
Supondo que a política de
juros baixos do Banco Central do Brasil permaneça nos próximos anos, o impacto
dessa redução só será sentido pelos fundos de pensão em 2020. Da mesma forma
que na Holanda, o efeito será drástico, podendo-se esperar grande impacto no
equilíbrio dos planos de previdência, com déficits maiores e aumento imediato de
contribuições para participantes e empresas patrocinadoras.
Há solução para isso? Sim,
há solução. Vamos tomar um café e eu te conto.
Grande abraço,
ECCS.
Fonte: Adaptado do artigo “PGGM: ECB’s policy could cause Dutch
pension system 'implosion'”, escrito por Agnes Joseph / Niels Kortleve e
publicado em 25/04/2017 na revista Pensions
& Investment Europe.
Crédito de Imagem: Deutschland
Magazine
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Renda Vitalícia
quarta-feira, 5 de abril de 2017
As pessoas te julgam em segundos, o que elas estão avaliando? Algo fundamental se você quer fazê-las poupar para a aposentadoria
Prof. Amy Cuddy da Harvard Business School
A
Professora Amy Cuddy, da Harvard Business
School, vem estudando há mais de 15 anos, junto com seus colegas Psicólogos
Susan Fiske e Peter Glick, a primeira impressão que as pessoas causam quando
são apresentadas aos outros. Eles descobriram que há alguns padrões nessas
interações.
Em
seu novo livro “Presença” (Presence,
em Inglês), a Professora Amy diz que as pessoas respondem rapidamente a duas
perguntas quando te conhecem pela primeira vez:
- Eu posso confiar nessa pessoa?
- Eu devo respeitar essa pessoa?
Os Psicólogos se referem a essas duas dimensões, respectivamente, como credibilidadee
e competência e idealmente você deveria querer ser percebido como tendo
ambas.
Curiosamente, diz a Professora Amy, a maioria das pessoas, especialmente
num contexto profissional, acredita que
competência é o fator mais importante. Afinal de contas, as pessoas querem
provar que são espertas e talentosas o bastante para cuidar do trabalho que
você tem para elas.
Não obstante, a credibilidade ou
cordialidade constituem o fator mais
importante sobre a avaliação que as pessoas fazem de você.
"Sobre uma perspectiva evolucionária”, diz a Profa. Amy, "É
mais crucial para nossa sobrevivência saber se uma pessoa merece nossa
confiança”.
Faz todo sentido quando você considera que na época do
homem-das-cavernas era mais importante se o seu colega hominídeo iria te matar
e roubar todos os seus pertences ou se ele era competente o bastante para
acender uma boa fogueira.
Porém, enquanto competência é
uma característica altamente valorizada, a Profa. Cuddy diz que ela só é
avaliada depois que a confiança é
estabelecida. Além disso, focar demasiadamente em apresentar seus pontos fortes
pode ser um tiro pela culatra.
Ela ensina que trainees com MBA normalmente são muito preocupados em ser
percebidos como inteligentes e competentes.
Isso pode leva-los a faltar a eventos sociais, não pedirem ajuda (socorro) e
serem, geralmente, avaliados como inacessíveis.
Esses “high potentials” ficam surpresos quando não conseguem uma oferta
de emprego e a razão é porque ninguém chegou a conhecê-los e confiar neles como pessoas.
A Professora Cuddy diz:
Se alguém que você está tentando influenciar não confia em você,
certamente você não irá muito longe. Você pode até levantar suspeita porque vai
parecer manipulador.
Uma pessoa afável e confiável, que também possui pontos fortes,
causa admiração. Mas apenas depois que essa pessoa conquistou sua confiança é
que os pontos fortes dela se tornam algo positivo, ao invés de uma ameaça.
Portanto, se você quer
convencer alguém que você nunca viu antes na vida, a poupar para a
aposentadoria, antes de apresentar suas credenciais na área de previdência
complementar, procure ser visto como um ser humano que merece confiança.
Sem isso, não vai convencer ninguém!
Grande abraço
Eder.
Fonte: Adaptado do artigo People size you up in seconds, but what
exactly are they evaluating?, escrito por Jenna Goudreau e publicado no
Business Insider.
Crédito de Imagem: Craig Barritt/Getty
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