sexta-feira, 30 de setembro de 2022

TE CONTEI? A DICOTOMIA ENTRE UM MUNDO COM TECNOLOGIAS DIGITAIS E O ECOSSISTEMA DOS FUNDOS DE PENSÃO

 



De São Paulo, SP.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO:

Parece insano que o telefone celular que carrego comigo para todo lugar possa reconhecer precisamente quem eu sou a partir de 30.000 pontos de dados em 3D. Aí você é convidado a aderir a um plano de previdência complementar em um fundo de pensão e precisa assinar alguns pedaços de papel para autorizar o recolhimento de contribuições, indicar beneficiários e ser aceito. Ainda temos que: (i) inserir um cartão de plástico num caixa eletrônico e digitar 4 números para tirar dinheiro; (ii) apresentar um documento com foto ruim para pessoas que não checam a foto, para provar que você é você e poder votar, entrar num avião ou mostrar sua idade; (iii) entregar um caderninho em papel para o cara da imigração para entrar num país, o qual ele marca com um carimbo depois de escanear uma imagem impressa do visto.    

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

Usamos chaves para entrar em casa, cartões magnéticos para acessar catracas em edifícios e preenchemos formulários infindáveis colocando as mesmas informações neles toda vez, repetidamente. Meu processo de habilitação na PREVIC para integrar o conselho de um fundo de pensão contém as mesmas informações sobre minha formação, dados pessoais, capacitação etc., igualzinho ao processo de habilitação de 2011, quando fiz isso pela primeira vez. Se repensássemos o mundo usando tecnologias incríveis que já estão disponíveis, seria impressionante como nossa vida poderia ser melhor e mais fácil. Mas tudo parece tão lento, tão devagar.

 

CONCLUSÃO:

Tudo que é vital, que é mais importante, geralmente precisa ser mais seguro e leva mais tempo para mudar. Por isso que usinas nucleares e estações de energia elétrica ainda trabalham com disquetes, por isso também que fundos de pensão requerem assinatura em formulários e têm sido lentos em abraçar startups de tecnologia digital. Mas não precisava ser assim ....


Grande abraço,

Eder.


Fonte: Tom Goodwin, Fundador da “What We Have is Now”

terça-feira, 27 de setembro de 2022

TE CONTEI? CONSELHOS DELIBERATIVOS SEM DIVERSIDADE SÃO UM RISCO PARA OS PARTICIPANTES E SEUS FUNDOS DE PENSÃO ¯\_(ツ)_/¯

 



De São Paulo, SP. 


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

“Conselhos Deliberativos sem diversidade, não possuem diferentes perspectivas dos riscos, arriscam ter ideias entrincheiradas, pensamento enviesado e fraco processo decisório, o que coloca seus participantes em desvantagem”, disse David Fairs – Diretor de Políticas Regulatórias do “The Pensions Regulator”, o órgão regulador dos fundos de pensão do Reino Unido (a PREVIC deles). Falando de DE&I - Diversidade, Igualdade & Inclusão nos fundos de pensão Britânicos, disse mais: “... queremos ver conselhos com uma vasta gama de perspectivas, conhecimentos e experiências, onde todo mundo tenha oportunidade de contribuir e questionar (as decisões) sob diferentes pontos de vista ... o status quo não é aceitável”.  

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Assim como no Brasil, os conselhos dos fundos Britânicos em geral nada estão fazendo para buscar colegiados mais diversos, com pluralidade de gênero, orientação sexual, etnia, religião, origem educacional etc., cujas diferentes visões de mundo levam a melhores decisões. O órgão regulador de lá se mostra “preocupado” com a falta de prioridade dos fundos nessa área. Eles querem encorajar, e dar apoio aos conselhos para criação de uma cultura de DE&I. Como parte do plano de ação para chegar lá, incluirão - até o fim do ano ou no começo de 2023 - no “Código de Melhores Práticas” uma expectativa clara sobre diversidade e ainda publicarão um guia para ajudar os conselhos a entender a importância e cumprir com a expectativa

 

CONCLUSÃO: 

No curso de certificação de conselheiros de fundos de pensão da UNIABRAPP, costumo falar sobre a importância da DE&I nos colegiados. Exemplificando a relevância da igualdade de gênero nos conselhos, mostro a figura acima e explico que homens e mulheres, literalmente, enxergam o mundo de modo diferente. Na imagem, os pontos que mais atraem a atenção do nosso sistema visual em nível subconsciente, em milissegundos seu cérebro foca naquelas partes da imagem – na esquerda a visão do homem, na direita da mulher. O mapa de calor ("heat map") indica: em vermelho = maior atenção; em amarelo = atenção intermediária, em verde = menor atenção. Entendeu?


Grande abraço,

Eder.

 

Fonte: TPR publishes diversity action plan following 'worrying' research, escrito por Sophie Smith

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

TE CONTEI? NINGUEM ABANDONA UM FUNDO DE PENSÃO POR COMUNICAR DEMAIS, MAS PODE SAIR DE UM QUE COMUNICA DE MENOS

 


De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Quando o cenário econômico é extremamente instável e os retornos dos investimentos caem, a comunicação com os participantes deveria subir, mas muitos fundos de pensão não sabem o que dizer. Se as pessoas não sabem o que está acontecendo e faltam informações, elas tendem a tirar suas próprias conclusões   

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Aqui vão algumas sugestões do que comunicar nessas situações: (i) coloque os momentos de queda dos mercados no contexto histórico: explique que as baixas são sucedidas por altas, mas não adianta só falar: MOSTRE (tipo o gráfico acima); (ii) use mais recursos visuais na comunicação, quanto mais visual, mais rápida é a assimilação da mensagem e por mais tempo fica retida – nosso cérebro processo imagens 60.000 vezes mais rápido do que texto; (iii) mostre que é impossível tentar acertar os movimentos do mercado, então você pode acabar vendendo na baixa, comprando na alta e perdendo; (iv) lembre o participante que o papel do fundo de pensão é cuidar dos investimentos dele exatamente para não deixa-lo tomar decisões irracionais, baseadas em emoções. Veja o que acontece na alocação em ações por pessoas físicas, investidores institucionais e planejadores financeiros, quando há uma queda de 10% a 20% no S&P500, nesse estudo: aqui.

 

CONCLUSÃO: 

Numa pesquisa de 2019 da YCharts, 63% dos investidores disseram SIM quando perguntados se “Uma comunicação mais frequente e/ou personalizada de seu planejador financeiro resultaria em maior confiança na estratégia de investimentos” e outros 85% afirmaram considerar a frequência e estilo de comunicação ao decidir se contratam ou não os serviços de um planejador financeiro. Não coloque apenas “Feliz Natal” no extrato de fim de ano do seu fundo de pensão se o ano foi ruim, ao invés disso: explique.


Grande abraço,

Eder.


Fonte: Samantha Russell - Chief Evangelist, FMG Suite.


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

SÉRIE - AS PLACAS TECTÔNICAS EMPURRANDO OS FUNDOS DE PENSÃO PARA UMA NOVA CONFIGURAÇÃO | PARTE III: A DISRUPTURA NA FRONTEIRA DOS NEGÓCIOS

 



De São Paulo, SP.


Vamos para a terceira e última parte da série de três artigos nos quais estamos abordando as placas tectônicas que estão se movimentando e empurrando os fundos de pensão para uma nova configuração.

Nos últimos 240 anos passamos por umas cinco revoluções tecnológicas, a mais recente delas iniciada em 1971, provocada pela tecnologia da informação e das telecomunicações, ainda em curso.

Revoluções tecnológicas são processos bem destrutivos, elas definem um novo meio de produzir e de viver, mas a sociedade leva um longo tempo para assimilar as mudanças.

Cada revolução tecnológica traz consigo mudanças de duas naturezas: (i) técno-econômicas; e (ii) sócio-institucionais, com enorme potencial para criação de riqueza, pela transformação da economia, sociedade e instituições.

Surgem novos paradigmas, que mudam a lógica dos negócios, provocando um salto quântico em todos os setores, segmentos e indústrias, com disruptura para todo lado.

Cada revolução traz, também, um realinhamento político, cultural, dos valores e aspirações – sabe o lance das mudanças climáticas, da sustentabilidade, do veganismo, da diversidade & inclusão? Pois é ...

O sucesso vai para aqueles que melhor entendem que algo diferente está acontecendo, se amoldam ao novo potencial, olham e andam para a frente. Esses são os fundos de pensão passando por rebranding, implantando planos família, se movimentando, buscando novos modelos de negócios, como a Vivest (ex-FCESP) e outros.

Mas há também aqueles que se apegam às velhas ideias, aos velhos objetivos, aos velhos valores individuais ou coletivos, que olham sempre para trás e para trás vão ficando. A falha em responder às transformações do mercado pode ser fatal.

Carlota Perez, uma Britânica de origem Venezuelana, professora honorária do Instituto de Inovações e Politicas Publicas da University College London, explica tudo isso no vídeo abaixo (em inglês), fala sobre como as revoluções tecnológicas se sucedem e se sobrepõem – TL;DR o vídeo tem duração de 01:04:48, mas recomendo muito que assistam, mesmo que sua paciência para vídeos longos seja igual à da Gen Z J




Entendendo os ecossistemas de negócios

Nos anos 1930 o botânico Britânico Arthur Tansley introduziu o termo “ecossistema” para descrever uma comunidade de organismos interagindo uns com os outros em seus ambientes: ar, água, terra etc. Para prosperar, esses organismos competem e colaboram uns com os outros em busca dos recursos disponíveis, co-evoluem e se adaptam conjuntamente às disrupturas externas.

Em 1993 o estrategista de gestão James Moore publicou um artigo na Harvard Business Review intitulado “Predators and Prey: A New Ecology of Competition” (Predadores e Presas: A nova Ecologia da Competição) no qual adaptou o conceito biológico fazendo um paralelo com empresas que operam num mundo onde o comercio é cada vez mais interconectado, se adaptando, evoluindo e competindo para sobreviver, algumas vezes indo à extinção. Moore sugeriu que uma empresa não deveria ser vista apenas isoladamente num setor, mas como membro de um ecossistema de negócios abrangendo participantes através de múltiplos setores.


Um ecossistema de negócios hoje é uma rede (network) de organizações – incluindo fornecedores, distribuidores, clientes, competidores, agências governamentais etc. - envolvidas na entrega de um produto ou serviço especifico, através tanto de competição como de colaboração.

A ideia é que cada entidade do ecossistema afeta e é afetada pelas demais, criando uma relação em constante evolução na qual cada entidade precisa ser flexível e adaptável para sobreviver, da mesma forma que nos sistemas biológicos. Ecossistemas criam fortes barreiras de entrada para novos competidores, uma vez que já consiste de players que o fazem funcionar.

Por fim, ecossistemas de negócio demandam um engajamento B2B eficaz e eficiente entre os parceiros porque são multi-stakeholders e business-to-business por natureza. A parceria requer processos digitais, conexão de dados, ferramentas colaborativas e integração de modelos de negócio para vender, fazer marketing e desenvolver soluções conjuntas.

Ecossistema em previdência complementar ou previdência lego

Para ficar fácil de entender, vou dar um exemplo genérico e um especifico.

Em julho passado, minha esposa e eu resolvemos fazer um fondue no fim de semana. Preparamos uma lista de tudo que precisávamos e fomos ao supermercado. Quando entramos, tinha um grande banner com os dizeres: “Inverno Gourmet: Tudo para fondue”.

Embaixo do cartaz, uma mesa enorme com absolutamente tudo para se fazer fondue de carne ou de queijo. Tinha molhos, queijos, carnes, pão, óleo vegetal, vinho, copos, pratos, aparelho de foundue, garfinhos e ... álcool gel.

Putz, álcool gel não estava na nossa lista! Isso implicaria voltar ao mercado para comprar esse item que havíamos esquecido.

Esse é um bom exemplo genérico de ecossistema de soluções, mas vamos a um exemplo simples e especifico.

Imagine que você vai registrar no cartório, seu filho que acabou de nascer. Ao pagar a taxa de registro, lhe oferecem por mais R$ 50 (embutidos na taxa) um plano instituído ou um PGBL que já pode sair no CPF e nome do recém-nascido.

O pai (ou a mãe) orgulhoso, feliz da vida, totalmente bobo, de olho no futuro do nenê, quase certamente vai querer. Ele não foi comprar um plano de previdência complementar, mas sai do cartório com um.

A previdência lego é a incorporação de poupança para a aposentadoria, proteções para riscos de invalidez e morte, na compra de outros produtos, serviços ou plataformas – embutida em um ecossistema de soluções.


Retrospectiva e conclusão:

Chegamos ao fim dessa série de artigos. Como consequência do movimento das placas tectônicas, principalmente das mudanças demográficas, passaremos por grandes mudanças em uma pequena janela de tempo, nos próximos anos.

O poder de compra está se deslocando das gerações mais antigas para as mais novas, a Gen Z e os Millenials. Esses últimos estão naquele momento doce da vida, em que constituíram família e passa a ser importante a compra de uma casa, de poupar para o futuro (seu e dos filhos) de buscar segurança.

A pandemia despertou os Millenials para a necessidade de proteção, o Covid-19 mostrou a importância da segurança financeira, da compra de seguros – vida, saúde – e da poupança via plano de previdência complementar.

Como consumidores, procuram produtos e serviços de prevenção num lugar só, sem fricção, partilhando seus dados em troca. Por isso a importância dos ecossistemas de soluções, eles querem acessar seguros, previdência, saúde e bem-estar no smartphone, da mesma forma que já fazem com pagamentos digitais via Apple Pay, Sansum Pay etc.

Os fundos de pensão precisam mudar, ao invés de “fazer digital”, precisam “ser digitais”, precisam focar na experiência do consumidor, entender o que eles precisam, se preparar para a próxima fase da jornada digital, porque até aqui, não vêm fazendo um bom trabalho para atrair as novas gerações.


Um jovem da Gen Z nos EUA durou apenas um mês trabalhando para uma seguradora. “Não quero trabalhar onde a tecnologia não está”. Quando compram, as novas gerações se preocupam com o proposito e o valor social das marcas, o mesmo quando trabalham para uma empresa.

Os muros que delimitavam as Entidades Fechadas de Previdência começam a ruir e em breve serão destroçados pelas forças do mercado. Eu até brinco que deveríamos passar a chama-las de Entidades Escancaradas de Previdência.

Para manter a escala necessária para sua sobrevivência, a sustentabilidade de longo prazo dos fundos de pensão vai força-los a soltarem as amarras de suas patrocinadoras e atuarem em ecossistemas de soluções.

A previdência lego representa oportunidades de cross sell (venda cruzada) e up sell (agregar valor a compra original), embutindo planos de previdência complementar em outras soluções.

Os bancos e administradoras de cartão de credito, as mídias sociais e mecanismos de busca na Internet, sabem que sua esposa vai ter um bebe antes dele nascer. Os fundos de pensão poderiam fazer parcerias para distribuir seus produtos. Uma vantagem competitiva, um fluxo de receitas adicional, ninguém está fazendo ....

Não é mais o Silvio Santos que vem aí, agora quem vem aí é a previdência lego!


Grande abraço.

Eder. 


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Cuidados na Portabilidade

Hora no Mundo?

--------------------------------------------------------------------------

Direitos autorais das informações deste blog

Licença Creative Commons
A obra Blog do Eder de Eder Carvalhaes da Costa e Silva foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em nkl2.blogspot.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://nkl2.blogspot.com/.

Autorizações


As informações publicadas nesse blog estão acessíveis a qualquer usuário, mas não podem ser copiadas, baixadas ou reutilizadas para uso comercial. O uso, reprodução, modificação, distribuição, transmissão, exibição ou mera referência às informações aqui apresentadas para uso não-comercial, porém, sem a devida remissão à fonte e ao autor são proibidos e sujeitas as penalidades legais cabíveis. Autorizações para distribuição dessas informações poderão ser obtidas através de mensagem enviada para "eder@nkl2.com.br".



Código de Conduta

Com relação aos artigos (posts) do blog:
1. O espaço do blog é um espaço aberto a diálogos honestos
2. Artigos poderão ser corrigidos e a correção será marcada de maneira explícita
3. Não se discutirão finanças empresariais, segredos industriais, condições contratuais com parceiros, clientes ou fornecedores
4. Toda informação proveniente de terceiros será fornecida sem infração de direitos autorais e citando as fontes
5. Artigos e respostas deverão ser escritos de maneira respeitosa e cordial

Com relação aos comentários:
1. Comentários serão revisados depois de publicados - moderação a posteriori - no mais curto prazo possível
2. Conflitos de interese devem ser explicitados
3. Comentários devem ser escritos de maneira respeitosa e cordial. Não serão aceitos comentários que sejam spam, não apropriados ao contexto da dicussão, difamatórios, obscenos ou com qualquer violação dos termos de uso do blog
4. Críticas construtivas são bem vindas.




KISSMETRICS

 
Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License.