segunda-feira, 18 de novembro de 2024

ESTÁ NA HORA DE UM NOVO FUNDO DE PENSĀO?



De Sāo Paulo, SP.


Inovação e transformação raramente têm a ver apenas com tecnologia. Tem muito mais a ver com a interface entre seres humanos, tecnologia, regulamentações e como as organizações de fato mudam, na vida real.

A implementação de uma nova tecnologia é inerentemente confusa e propensa a ser mantida refém de coisas como aqueles no poder hoje, o ego e o “aqui não fazemos assim”.

A promessa de novas tecnologias é trazer soluções melhores e de fato elas surgem rapidamente, mas na realidade elas são implantadas de modo muito mais confuso.

Um bom exemplo são as tecnologias de votação. Veja o que acontece nos EUA onde, dependendo do distrito, da cidade e do estado, o processo de votação pode ser completamente diferente, sem muita razão aparente para isso.

O processo de votação nos EUA atualmente é um híbrido entre cédulas em papel, contadas a mão, máquinas mecânicas com alavancas, scanners óticos e seis outros tipos de tecnologia totalmente distintos.


Vivemos numa era em que uma nova tecnologia raramente mata as antigas, ela apenas expande o passado. Estamos ao mesmo tempo na era do papel, na era industrial, na era digital e na era da IA.

É meio que um mito pensar que quem se move primeiro, o pioneiro, no uso de uma nova tecnologia, tem vantagem.

O mito da vantagem de ser o primeiro

O Uber pode ser hoje a maior companhia de taxi por aplicativo do mundo, mas está longe de ter sido a primeira. A Zimride surgiu três anos antes.

Books.com foi a primeira livraria online, criada três anos antes da Amazon.

O VRBO surgiu dez anos antes do AirBnB.

Carros elétricos como o Electrobat precederam o Tesla em mais de um século.


Credito de Imagem: Flickr | Electrobat 1895

Adoramos pensar que o mundo de move em alta velocidade e temos obsessão pela ideia de que o primeiro leva vantagem, mas um exemplo atrás do outro nos ensina que ser o primeiro nāo é tudo.

Facebook versus Friendster, Spotify versus Napster, Nvidia versus AMD, Instagram versus Hipstamatic ...

Uma das melhores metáforas sobre inovação é o surfe. Se você remar devagar demais e demorar muito, você perde o timing da onda. Se remar muito rápido e se adiantar demais, será apanhado por um caos de espuma, areia e agua, levantados pelo estouro da onda.

Mas se pegar a onda no momento certo, fará tudo parecer fácil, sem esforço até inevitável. O mesmo ocorre com as novas tecnologias.

Inovação e transformação só prosperam na interseção entre novas tecnologias, novos comportamentos e novas infraestruturas.

  • Preparação para novas tecnologias - as tecnologias certas precisam se alinhar para destravar as possibilidades:
    • A Netflix precisou da velocidade da banda larga para deslanchar, nāo bastava apenas o conceito de vídeo-on-demand por streaming.

O Uber precisou de smartphones com chips de GPS, sem os quais o app conectando passageiros e motoristas simplesmente não funcionaria.

  • Novas culturas – o comportamento dos consumidores precisa se encaixar no que está sendo oferecido:

O AirBnB só se tronou possível quando a Internet levou as pessoas a confiar o bastante para ficar na casa de estranhos.

  • Novas infraestruturas – a infraestrutura precisa estar pronta para suportar as novas ideias.

O mercado de carros elétricos só pode florescer com o desenvolvimento de uma robusta rede de estaçōes de recarga,

E novamente, tudo tem a ver com timing. Nas palavras de Victor Hugo:

“Nāo há nada mais poderoso no mundo do que uma ideia cuja hora chegou”

Qual a hora de termos um novo fundo de pensāo?

O segredo é saber como focar no que realmente importa, ter confiança, esperar até chegar a hora certa e estar preparado para dar o salto quando for preciso.

No ambiente atual há uma pressão implacável para pular de cabeça em cada nova tendencia: ser o primeiro a integrar IA, ser pioneiro no blockchain, o primeiro endereço no metaverso. Mas para quê?

Inovação tem a ver com fazer o movimento no momento certo, não em fazer porque todo mundo está fazendo. Às vezes existe mais riscos em se mover cedo demais, quando os principais sistemas legados ainda são capazes de performar de modo eficaz.

O que os clientes e o mercado realmente precisam? Temos o alinhamento entre tecnologias, cultura e infraestrutura, necessario para as inovaçōes florescerem?

Está na hora de um novo fundo de pensāo? O que você acha?


Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Innovation is like catching a wave”, escrito por Tom Goodwin.


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