segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

TE CONTEI? SE WALLY FOSSE MILLENIAL, MULHER E EXECUTIVO DE UMA GRANDE EMPRESA, SERIA DIFICIL ACHA-LO NO CONGRESSO DOS FUNDOS DE PENSÃO

 


De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

No início dos anos 80 Martin Handford, um ilustrador freelance, costumava retratar cenas de multidões em seus desenhos. Suas ilustrações chamaram a atenção de David Bennett, então diretor de arte de uma editora inglesa chamada Walker Books, que o convidou para criar um livro infantil usando aquele talento singular. Foi assim que surgiu o personagem Wally – renomeado para Waldo em 1987 quando o livro foi lançado nos EUA, por ser um nome mais atrativo para o público americano. Numa entrevista de 1990 Martin explicou que o personagem foi criado como elo conectando as cenas de multidões, fornecendo assim um foco e um proposito para o livro. Um livro em que cada página mostrasse apenas uma ilustração com multidão não teria um tema central. Acrescentar um personagem excêntrico para o leitor procurar, forneceu um propósito a cada página e o livro bombou! 


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Uma pesquisa feita com 468 dos 3.560 participantes do 42º Congresso Brasileiro de Previdência Privada ocorrido em outubro passado, mostrou o perfil do publico: 72% homens e 28% mulheres, 59% com idade igual ou maior que 56 anos, 25% na faixa de 46 a 55 anos e 14% entre 36 e 45 anos, 53% conselheiros de fundos de pensão, 16% CEO, VP ou Diretor de fundos e 31% outros cargos. Os Milênios são aqueles nascidos entre 1981 e 1995, os mais velhos deles estão hoje com 40 anos e muitos em altos cargos nas empresas. O CEO Global do Burger King, por exemplo, um Millenial que assumiu o posto em 2018 aos 32 anos, hoje com 35 anos estaria na mesma faixa etária que 2% dos participantes do congresso dos fundos de pensão. A baixa quantidade de Millenials e Gen Z, assim como as poucas mulheres que compuseram o publico do evento, são um reflexo do desafio que os fundos têm em atrair jovens para os planos de previdência e também de colocar em pratica a diversidade (no caso, igualdade de gênero) em seus conselhos deliberativos. Alem disso, pelo mesmo motivo que Martin Handford criou Wally, os investimentos dos fundos precisam ser feitos com propósito, conectando os participantes com seu dinheiro. Precisamos mudar isso.


CONCLUSÃO: 

Onde está Wally? ¯\_(ツ)_/¯


Grande abraço,

Eder.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

TE CONTEI? SEM DIVERSIDADE NOS CONSELHOS, SEM PROPÓSITO EM SEUS INVESTIMENTOS E SEM FOCO NAS MUDANÇAS CLIMATICAS, OS FUNDOS DE PENSÃO PODERÃO SER CANCELADOS PELA GEN Z

 

De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Os dois bilhões de adolescentes e jovens adultos nascidos depois de 1995 são descomprometidos, não se deixam levar por truques de marketing e dão forte apoio a “cultura do cancelamento” – eles simplesmente “desligam” aquilo que consideram publicamente problemático. Eles valorizam transparência, autenticidade e são “radicalmente” inclusivos, 76% deles se consideram ativistas na luta contra as mudanças climáticas. A Gen Z já cancelou marcas conhecidas e famosas, poderiam investidores institucionais como os fundos de pensão ser a próxima vítima? 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Essa turma consome marcas que promovem valores alinhados aos deles, tipo produtos ecológicos, bens alternativos ao consumo desenfreado, veganismo, justiça social, diversidade etc. Com uma habilidade sem precedentes para checar informações, a Gen Z não se deixa convencer facilmente e é particularmente atenta as práticas de greenwashing e pinkwashing – eles acabaram de cancelar a autora do Harry Potter, a J. K. Rowling, considerada um ídolo pelos Milênios, depois dela ter apoiado uma pesquisadora transfóbica que questionou a legitimidade da identidade transgênero. Por que esses jovens investidores, acostumados a desintermediação, já tendo visto um sem-número de intermediários desparecer diante de seus olhos (tipo gravadoras de musica, contas bancarias etc), optariam por investir sua poupança de longo prazo em nossos planos de previdência complementar do jeito que funcionam hoje? Será que eles não veriam os fundos de pensão como intermediários desnecessários entre o investimento de longo prazo deles e seu proposito? Eles estão escolhendo onde colocar o dinheiro deles por razões que vão muito alem (apenas) dos retornos, eles escolhem baseados na reputação da marca e num conjunto compartilhado de valores. Gastar saliva no website do seu fundo de pensão apenas mostrando preocupação com os aspectos ESG, sem reportar os riscos das mudanças climáticas pelo TFCD, provavelmente não vai funcionar por muito tempo. Ter meros 18% dos assentos ocupados por mulheres nos conselhos deliberativos dos fundos de pensão (pesquisa Mercer de 2018) como diria Boris Casoy: "... é uma ver-go-nha".

CONCLUSÃO: 

Existe o risco real da Gen Z simplesmente decidir que não precisa dos fundos de pensão da maneira como eles operam hoje ...


Grande abraço,

Eder.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

TE CONTEI? O CONSELHO DELIBERATIVO DO SEU FUNDO DE PENSÃO ESTÁ SUPERVISIONANDO EFETIVAMENTE A QUESTÃO DAS MUDANÇAS CLIMATICAS?




De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

“Queremos ir além do que é exigido”, disse Daniel André Stieler, diretor-presidente do maior fundo de pensão brasileiro, durante a abertura do 21º Encontro Previ de Governança Corporativa. Durante a palestra magna do evento, Francisco da Costa e Silva, ex-CVM (de repente, somos até parentes), comentou de forma brilhante o impacto negativo sobre a governança das organizações, decorrente da falta de discussões, debates e questionamentos nos conselhos de administração das empresas de capital aberto, fóruns essencialmente de ... discussões e debates, em que 100% dos acionistas chegam com os votos prontos para votação. Fausto Ribeiro, Presidente do Banco do Brasil, patrocinadora principal da Previ afirmou: “... estamos atentos aos aspectos ASGI e queremos contribuir para o desenvolvimento de um mercado de capitais onde a transparência, a qualidade e publicidade das informações seja cada vez mais eficiente”. Finalmente, Vania Borgerth lembrou o reporte obrigatório pelas instituições financeiras, a partir de 2022, dos riscos das mudanças climáticas seguindo o TCFD. Nota: no Reino Unido já é obrigatório a partir de out/2021 para os fundos de pensão com patrimônio acima de 5 bilhões de libras, a partir de 2025 sera para todos. Quem quiser assistir o evento todo pode acessar esse link aqui: https://www.youtube.com/watch?v=_lPTQx_ho90&t=1171s

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

A KPMG, em seu relatório “Boardroom Climate Competence: Getting Ahead of the Curve” - link aqui: https://lnkd.in/dRX7y5w4 - mostrou que a grande maioria dos conselheiros das empresas de capital aberto nos EUA não se sente confiante em seu papel de supervisão dos riscos e oportunidades decorrentes das mudanças climáticas. Susan Angele - Senior Advisor do KPMG Board Leadership Center, fala no video acima que os investidores lá fora querem saber: qual é a “Competência Climática” e a “Fluência em Clima” do seu conselho? Olha o problema: numa pesquisa com 463 conselheiros feita pela KPMG, 51% disseram que o assunto nem está na agenda estratégica da empresa!!! Sugestão da Susan para as empresas abertas que eu estendo para a Previ e todos os nossos fundos de pensão: comecem a educar o conselho deliberativo inteiro sobre mudanças climáticas, tragam especialista para falar para os conselheiros, ponham os conselheiros para buscar certificação sobre o tema. Fica a dica Daniel Andre Stieler


CONCLUSÃO:

Milenials e Gen Z são especialmente sensíveis a esse assunto e empurrarão fortemente essa agenda. Fundos de pensão e empresas estão correndo sério risco de reputação por estarem demorando a se mover e terão, em breve, dificuldade na atração de talentos e de clientes porque a partir-se 2025 teremos no Brasil e nos EUA mais pessoas das gerações combinadas Milenials + Gen Z do que Baby-boomers + Gen X.


Grande abraço,

Eder.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

TE CONTEI? AS FINTECHS ESTÃO MODIFICANDO O SISTEMA FINANCEIRO, AS INSURETECHS O SETOR DE SEGUROS, MAS NEM SINAL DAS PENSIONTECHS

 



De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Para qualquer lado que você olhe vai encontrar uma fintech transformando o modelo de negócios e causando disruptura no sistema financeiro tradicional. São corretoras de valores abrindo caminho para investimentos em cryptomoedas, como a Coinbase ($67B, 2012, EUA), plataformas democratizando os investimentos em ações, como a Robinhood ($35B, 2013, EUA) e até bancos digitais como o nosso Nubank ($30B, 2013, Brasil). A FintechLIVE publica todo mês a lista das fintechs unicórnios do Século XXI – empresas com valor de mercado acima de US$ 1 Bilhão. Em 30/Set. eram 238 com valor total de US$ 2,21 Trilhões, lista completa aqui: https://fintechlabs.com/the-238-fintech-unicorns-of-the-21st-century-sep-2021/. Quando olhamos o segmento de InsureTechs, a quantidade de unicórnios cai dramaticamente, com apenas 23 identificadas pela Sabine VanderLinden, considerada “The InsureTech Queen”, com valor de mercado total de US$ 60 Bilhões. Aí você “googa” PensioTech a procura de unicórnios e ... nada, zilt, zero, nenhuma.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

As fintechs e insuretechs unicórnios surgiram graças a convergência de circunstâncias muito, muito especiais. Começaram do zero, startups sem sistemas ou estruturas legadas, operando com abordagens pouco ou nada reguladas, oferecendo inovações sem concorrentes, baseadas em novas tecnologias. O modelo de negócios delas não pode ser replicado pelos bancos, corretoras, seguradoras e demais incumbentes, i.e., empresas atuais, cujas estruturas e sistemas existentes diminuem a velocidade das mudanças e frequentemente, até as tornam impossível. Entre 2019-2020 os bancos investiram US$ 1,3 Trilhões em transformação digital, US$ 900 Bilhões foram desperdiçados porque não entregaram o resultado esperado (fonte: Statista). Segundo o Boston Consulting Group, 70% das transformações digitais iniciadas durante a pandemia não funcionaram como esperado. Há fatos e há opiniões. Acima, fatos. Aqui, uma opinião: se entidades abertas e entidades fechadas não pararem de competir e passaram a co-petir e co-existir, a parede vai se aproximar mais rápido. A tecnologia não causa enormes mudanças, ela apenas as acelera ...

 

CONCLUSÃO: 

John Maynard Keynes, o precursor da macroeconomia, disse certa vez: “When the facts change, I change my mind. What do you do, sir?”, algo como: “Quando os fatos mudam, eu revejo minha opinião. O que o senhor faz?”.


Grande abraço,

Eder.


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