“Precariado” é um neologismo para uma classe social e econômica formada por pessoas em situação de precariedade, ou seja, que existem sem previsibilidade ou segurança, afetando o bem-estar material. Precariados não tem uma fonte de renda certa no longo prazo, tipo um emprego permanente tradicional. Se você opta por alugar um imóvel ao invés de comprar um, você se torna um “precariado”.
POR QUE ISSO É IMPORTANTE:
Estamos entrando num período de transformações rápidas e o mundo vai sair bem diferente dessa pandemia: trabalho remoto, robótica, inteligência artificial, tudo vai mudar. Milhões de pessoas estão pedindo demissão em massa em busca de oportunidades melhores, abrindo mão da segurança de um emprego “9 to 5” e arriscando mais em suas carreiras. As pessoas estão exigindo trabalhar em casa e dizem que vão pedir as contas se forçadas a voltar ao escritório em tempo integral. Querem trabalhar na praia, na montanha ou em cidades com custo de vida mais barato. Os mais aventureiros, chamados de ”nômades digitais” (não é pra qualquer um) querem trabalhar a partir de outros países e estes estão recebendo-os de braços abertos para movimentar suas economias.
CONCLUSÃO:
A “revolução do proletariado” foi substituída por outra, a "revolução do precariado" num mundo com trabalhos instáveis. Já são 55 milhões de americanos trabalhando na “Gig Economy” pulando de um emprego para o outro, atuando como freelance, autônomo, em empresas terceirizadas, como temporários etc. Eles trabalham em plataformas online e para empresas de tecnologia baseadas em apps como Uber, Lyft, TaskRabbit. Porém, liberdade e flexibilidade tem um preço: insegurança financeira, horários incertos, falta de plano de saúde e ... nenhum plano de previdência complementar corporativo. Depois disso, eu nem preciso dizer qual será o impacto nos fundos de pensão ... assista a serie da PBS, a produção é um show!!
Em 1950 Curt Richter, um psicobiologista e geneticista, conduziu uma experiência assustadora com ratos para estudar quanto tempo eles sobreviviam antes de se afogarem. Primeiro ele pegou uma dúzia de ratos, colocou-os em frascos de vidro, encheu-os com água e observou como se afogavam. Os jarros eram grandes para que eles não pudessem agarrar-se ou pular fora. Em média, eles paravam de tentar se salvar após cerca de 15 minutos. Mas então Richter imprimiu uma reviravolta na sua experiência. Logo antes de morrerem de cansaço, os pesquisadores tiravam os ratos dos frascos, os secavam e deixavam-nos descansar por alguns minutos antes de colocá-los novamente para uma segunda rodada de luta pela vida. Quanto tempo você acha que os ratos duraram? Mais 15 minutos? 10 minutos? 5? Não, 60 horas!
POR QUE ISSO É IMPORTANTE:
Acredite, os ratos nadaram por 60 horas seguidas. Os resultados mostraram que o ato de “salvar” os ratos antes de se afogarem, fazia com que estes nadassem aproximadamente 240 vezes mais quando os pesquisadores os colocavam de volta no frasco. Houve um rato que nadou por 81 horas. Os ratos acreditavam que iriam ser resgatados e por isso continuaram a nadar em um nível que previamente se achava impossível. Essa história costuma ser explicada em psicologia positiva como exemplo da importância da “esperança e otimismo”. Ela mostra que a maioria das pessoas pode fazer muito mais quando animada ou quando recebe estímulos positivos, mas desiste ou abandona algo quando não têm esperança ou sente que lhes falta valor suficiente.
CONCLUSÃO:
Os fundos de pensão estão passando pelo seu momento de tomada de fôlego em direção a sobrevivência. É preciso urgência na mudança de modelo de negócios. Num mundo em que o futuro do trabalho, a tecnologia e a evolução dos hábitos sociais convergem para levar a humanidade para uma nova era, assim como os ratinhos de Curt Richter, ganhamos um tempo precioso para nos salvar. Se nada for feito, voltaremos para os frascos e não vai adiantar nada nadarmos por mais 60 horas ...
Assumir a responsabilidade fiduciária por um plano de previdência complementar do qual dependerá o futuro de milhares de pessoas requer uma tomada de decisões consciente e cuidadosa e é algo nobre. Por outro lado, um emaranhado interminável de regulamentações que só faz crescer e os riscos de processos judiciais são capazes de tirar o sono de conselheiros, diretores de fundos de pensão e todos aqueles que trabalham com a gestão de recursos de terceiros. Uma medida preventiva para protegê-los é o seguro de responsabilidade fiduciária ... disponível nos EUA.
POR QUE ISSO É IMPORTANTE:
A responsabilidade fiduciária pode ser questionada quando: o retorno dos investimentos não atende as expectativas dos participantes; as taxas de administração cobradas dos participantes são consideradas excessivas; as opções de investimentos de planos multiportfólio são excessivas, o regulamento do plano é desconsiderado, há conflitos de interesse dos gestores e tantas outras situações. A legislação americana cita ainda o “dever de lealdade” (duty of loyalty) determinando que os responsáveis fiduciários defendam exclusivamente os interesses de participantes e beneficiários e não das patrocinadoras, quando tomando decisões sobre o plano. O “dever de prudência”, por sua vez, exige que se aja com cuidado, diligencia e habilidade nas decisões de investimentos que devem ser diversificados.
CONCLUSÃO:
Certo está Martinho da Vila na música Segure Tudo: “Segure tudo que for conquistado ... segure tudo que não for demais ... para não terminar a vida no tal do bloco da saudade ... segura e não larga essa tal felicidade!
O ano é 2045! Em meio a um mundo real em conflito e com recursos escassos existe um imenso mundo virtual, onde a maioria da humanidade passa seus dias, onde você pode ir a qualquer lugar, fazer qualquer coisa e ser quem quiser. Os limites são nossa própria imaginação. OASIS, um exemplo de mundo virtual imaginado por Steven Spielberg no filme “Ready Player One” – Jogador 1, em português - está virando realidade. Em breve um número sem fim de mundos virtuais será interligado num universo virtual que já está sendo chamado de METAVERSO.
Trailer legendado do filme "Ready Player One" ou "Jogador Um":
Estamos caminhando a passos lagos para uma sociedade digital global com uma moderna infraestrutura construída a partir de blockchains - como Bitcoin, Ethereum, Solana, Flow e Arweave - na qual o dinheiro deixa de ser baseado em moedas nacionais e cede lugar às cryptomoedas.
No Metaverso as pessoas interagem através de redes e plataformas sociais na Web 3.0, passam o tempo e se engajam por meio de comunidades virtuais. No Metaverso está o futuro do entretenimento e o futuro do trabalho também, lá estão novas oportunidades profissionais e de negócios.
Nele os ativos, sejam eles reais ou virtuais, serão representados por NFTs – Non-fungible tokens, os tokens não-fungíveis que são capazes de criar escassez no mundo digital. Os sistemas financeiros serão totalmente descentralizados e economias inovadoras surgirão.
Mídia e conteúdo estão sendo reinventados e novas maneiras de distribuir, atribuir valor e interagir com os mesmos começam a surgir nesses mundos digitais como Upland, Sandbox e outros.
Empresas de games como Axie, Infinity e Zed vão muito além de simples plataformas de jogos, permitindo que as pessoas ganham dinheiro na forma de cryptomoedas como Ethereum, monetizem suas performances e obtenham retornos passivos como ganham em investimentos financeiros.
Sistemas financeiros descentralizados removerão os intermediários que existem hoje no sistema bancário tradicional permitindo que você consiga um empréstimo em apenas 30 segundos dando como colateral (garantia) suas cryptomoedas ou NFTs (ativos digitais). Aliás, isso já é realidade.
A tecnologia por trás das NFTs permite que se produza escassez na Internet. Tipo, um quadro ou uma música, que são criações únicas, podem ser representados digitalmente na Web fornecendo uma espécie de certificado de autenticidade de ativos digitais.
Isso é poderosíssimo porque permite que se crie a propriedade não-replicável de ativos digitais o que simplesmente abrirá a porta para inimagináveis novas classes de ativos no mundo digital.
Isso vai revolucionar os fundos de pensão que lidam com investimentos e classes de ativos reais que passarão a poder ser levados pelo participante acompanhando-o para outros lugares, sejam eles no mundo real ou nos mundos digitais, ligados a seu avatar.
Isso representara uma mudança e tanto de paradigma e abrirá as portas para investimentos em ativos alternativos pelos fundos de pensão, tanto no mundo real como no mundo digital.
No Metaverso, onde os fundos de pensão também estarão presentes, a realidade vai se misturar com ficção e será projetada por “Realidade Estendida” (Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Realidade Mista).
Na sociedade atual dominada pelas empresas e negócios somos todos consumidores. Esse papel vem mudando ao longo da última década e meia, com os consumidores cedendo lugar e sendo substituídos por “assinantes”, na chamada “subscription economy”. O próximo passo é sermos parceiros, transformando em participação nossos interesses nas empresas e negócios alinhados com nossos propósitos, aqueles negócios e marcas nas quais acreditamos.
Modelos de negócio inteiramente novos estão sendo criados e setores da economia que nunca existiram antes estão surgindo. O conselho deliberativo do seu fundo de pensão está a par dessa nova era que se avizinha?
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Mestre em Administração Profissional pela EAESP/FGV, Bacharel em Ciências Atuariais pela UFRJ,com especialização em Propaganda & Marketing pela ESPM-RJ e em Governança Corporativa pelo IBGC. Mais de 25 anos de atuação no mercado de previdência complementar, Membro nº 641 e ex-Diretor do Instituto Brasileiro de Atuária e ex-Professor do MBA de Gestão de Riscos Financeiros e Atuariais da USP/FIPECAFI. Gerenciou inúmeros projetos internacionais e regionais na área de benefícios, tendo morado em Jacksonville, FLA-EUA e em Lincolnshire, CH-EUA. Ocupou cargos de alta gerência e direção nas maiores empresas globais de benefícios, em fundos de pensão, em seguradoras e em bancos.
Desenvolve Pesquisas, Projetos e Palestras sobre Previdência, Seguros (RE), Benefícios a Empregados, Programas de Saúde, Economia Comportamental, Neuromarketing e Investimentos Responsáveis.