quarta-feira, 22 de junho de 2022

TE CONTEI? DE UM ESTACIONAMENTO DE EXPERIÊNCIAS A UM DRIVE-THRU DE EXPERTISES, O CONSELHO DO SEU FUNDO DE PENSÃO PRECISA MUDAR

 



De São Paulo,SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Rápido. Ágil. Eficiente. Nesse período de intensas mudanças as organizações vêm ajustando suas operações, investindo em sistemas, processos e tecnologias para se adaptarem a era digital e evitar disrupturas. E os conselhos? Pouco mudou lá no topo! Processos padronizados, normas, protocolos, pessoas que estão na organização desde sempre. O conselho precisa se espelhar no que está acontecendo na operação, se tornar mais dinâmico, mais veloz, ter um conjunto mais amplo e diverso de experts, que saibam navegar nas novas questões e desafios. O mindset do “aja agora, se desculpe depois”, que vigorou durante a pandemia, mostrou que grandes mudanças, afetando os negócios são possíveis diante do senso de urgência em continuar atendendo os participantes sem interrupções. Lockdown, fechar escritórios, mandar todos pra casa, ninguém tinha experiencia anterior na qual se espelhar, nem os conselhos.


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O papel histórico dos conselhos era servir de corpo estável, de guia, de assegurar que o fundo não se desviasse muito da rota. A estrutura típica dos conselhos, reuniões trimestrais, reportes esparsos, 100% das nomeações dos quadros da patrocinadora, foi desenhada para organizações hierárquicas, que se movem lentamente, que tinham uma ótica diferente sobre risco. Quando as mudanças deixam de ser periódicas e passam a ser constantes, essa estrutura de governança deixa de funcionar. A nova governança, que requer um mindset digital, passa pela avaliação de três elementos: 1) propósito: a maior de todas as perguntas: pra que serve o fundo de pensão? Qual o “porque” por trás dos produtos e serviços? Essa visão deixou de ser dos conselheiros, tendo tudo a ver com participantes e impacto, não adianta tentar adivinhar, tem que ouvi-los; 2) pessoas: a busca de conselheiros precisa focar em atitude vs experiencia, priorizar pessoas que ao invés de melhorar a rentabilidade do trimestre, possam agregar no desenvolvimento de produtos, que vejam risco como oportunidade; 3) processos: mandatos mais curtos, reuniões mais frequentes e com menor duração, um olhar mais pragmático na formação de comitês de apoio ao conselho, um fluxo de dados mais rápido que eve a melhores decisões. Mais na figura acima.


CONCLUSÃO: 

Quando tudo é prioridade, nada é prioritário. Os conselhos que mudarem, se tornarem ágeis, adotarem um pensamento tipo “se mova rápido, quebre coisas e aprenda”, sairão na frente dos demais num mercado cada vez mais competitivo.


Grande abraço,

Eder.



Fonte: Bringing a digital mindset to the board of directors


terça-feira, 21 de junho de 2022

TE CONTEI? O PARADOXO DO LIDER TÓXICO DIZ MUITO DO PORQUÊ A ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL ESTÁ MORRENDO NO MUNDO ATUAL

 



De São Paulo,SP.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Quando a psicóloga Mary-Clare Race estudou os distúrbios de personalidade no ambiente de trabalho, ela chegou a uma conclusão surpreendente: na maioria dos casos os líderes tóxicos não evoluíam na careira “apesar” dos seus problemas de comportamento, eles eram bem-sucedidos “por causa” deles. Em seus estudos no doutorado da University College London ela notou que quando alguém com comportamento problemático começava a ser promovido num grande banco, geralmente chegava mais rapidamente do que os outros nos postos do topo. “O paradoxo é que os líderes mais tóxicos são os mais bem sucedidos, porque se sentem mais dispostos a assumir riscos”, diz ela. A disposição deles em tomar decisões com consequências potencialmente negativas para os demais empregados, compensa, porque na maioria das vezes os resultados são bons para o negócio – pelo menos no curto prazo. 

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Mary-Clare explica que a liderança disfuncional tem suas raízes na forma que a sociedade vê o progresso na carreira e como as empresas apoiam as pessoas uma vez que estas assumem posições de liderança: “muitas empresas sabiam ter um problema de comportamento toxico de lideranças disfuncionais no ambiente de trabalho, mas não queriam que se levantasse a lebre sobre isso porque senão teriam que lidar com o problema”, explicou. A cultura corporativa está repleta de exemplos de lideranças assim, mostrando que a prática segue forte no ambiente das empresas. A estrutura das empresas tradicionais não apenas recompensa os comportamentos errados, ela tende a recompensá-los da maneira errada. Empregados com performance estelar são promovidos para posições em que precisam gerenciar um monte de gente, mas gestão de pessoas pode não ser uma habilidade que eles dominam.

 

CONCLUSÃO: 

Somente quando mudarem os velhos processos de gestão herdados da revolução industrial, só quando evoluir a ideia do que é sucesso e progresso profissional, indivíduos que não foram feitos para gerenciar ninguém poderão avançar no mundo do trabalho, sem tornar miserável a vida dos outros e suas próprias vidas. A organização digital está chegando.


Grande abraço,

Eder.

 


Fonte: The toxic leader paradox: Workplace Trends, June 2022, escrito por Lila MacLellan



segunda-feira, 20 de junho de 2022

TE CONTEI? A DEMOGRAFIA, QUE JÁ DERRUBOU FUNDOS DE PENSÃO, ESTÁ PRESTES A LEVAR AO CHÃO O DRAGÃO CHINES

 



De São Paulo, SP.


 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Em entrevista recente a um podcast, apenas baseado em extrapolação, Elon Musk disse que a China deverá atingir 2 ou 3 vezes o tamanho da economia dos EUA: com um PIB de US$ 17,5 Tri a China cresceu 8,1% em 2021 contra um PIB dos EUA de US$ 23,0 Tri que cresceu 5,7%. Visionários deveriam estudar demografia, antes de fazer previsões assim.  

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

A China precisa crescer para pagar sua dívida monumental, mas vai começar a se contrair nos próximos 10 anos com o declínio populacional. A demografia vai quebrar a China, demógrafos da Xian Jiaotong University estimam que o país perderá metade da população nos próximos 45 anos e no final desse século poderá ter 1/3 da população atual. A turma do “partidão” sabe disso, alteraram a política do filho-único em 2015 para política de três filhos por família em 2021, sem sucesso, não houve aumento na taxa de natalidade. Ninguém sabe o tamanho da dívida acumulada da China, estima-se em 350% do PIB anual, mas num país opaco que esconde as coisas, pode ser muito maior. Em 2008 os chineses super-estimularam a economia financiando a infraestrutura à custa de uma enorme dívida publica interna, cujo equacionamento - que acarretará grande sofrimento doméstico - vem sendo postergado com medo da instabilidade social que causará. A dívida imobiliária, por outro lado, não tem mais solução e incorporadoras começam a entrar em default com a Sunac, a 4ª maior do país, deixando de pagar seus títulos e a dívida de US$ 350 Bi da Evergrande Group parecendo impagável. Mesmo com os preços mantidos artificialmente com ajuda do governo, as vendas de novos imóveis caíram 46,6% em abril, por valor, a maior queda ano-a-ano desde 2006 o que levou a redução de 44% em metros por andar de novas construções, fazendo despencar a demanda por material de construção. O setor imobiliário responde por 25% a 30% do PIB Chines e 70% do patrimônio dos chineses estão ligados às suas propriedades, com apartamentos sendo sua reserva de valor (equivalente a $$$). Diante da incapacidade do Banco Popular da China em acompanhar o aumento das taxas de juros do FED -EUA, investidores começam a tirar seu capital da China: a saída recorde de US$ 17,5 Bi em março seguiu movimento de fevereiro e está limitado a China, pois não se verificou nos demais países emergentes. Isso num momento em que a China precisaria diminuir os juros para estimular a economia, o que apenas agravaria a fuga de capitais. O renminbi Chinês, entre as moedas mais fortes de 2021, perdeu 7% de valor nos últimos três meses, com a maior queda da história em abril.

 

CONCLUSÃO: 

A demografia vai desempenhar um papel importante no futuro da China, mas ficar apenas olhando seus efeitos não vai ajudar em nada seu destino, da mesma forma que apenas projetar aumentos na longevidade não levou os fundos de pensão a solucionar o problema.


Grande abraço,

Eder.


 

Fonte: The Chinese Economy is in a Death Spiral, escrito por Gordon Chang



domingo, 19 de junho de 2022

TE CONTEI? SE VOCÊ É CONSELHEIRO DE UM FUNDO DE PENSÃO E NÃO SABE LIDAR COM IMPASSES, PROVAVELMENTE NÃO ESTÁ CONTRIBUINDO PARA A MELHOR DECISÃO

 


De São Paulo, SP.



O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Perdi a conta de quantas vezes presenciei reuniões de conselho discutindo coisas que não tem a menor importância. Tomar uma decisão e ver o que acontece é tremendamente poderoso, mas você precisa fazer de tal forma que se alguma coisa der errado você possa consertar, sem que o erro custe uma exorbitância para o fundo e seus participantes. Quando você se depara com situações em que não pode se dar ao luxo de errar, é muito difícil fazer a coisa certa, então, se você é conselheiro e está procurando fazer a coisa certa, a coisa certa pode ser eliminar o custo de cometer um erro ao invés de tentar adivinhar qual é a coisa certa. 


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Isso nos remete a melhor forma de eliminar impasses diante de uma tomada de decisões: o melhor a fazer é eliminar o custo de cometer erros. Ward Cunningham, conhecido na comunidade de softwares por ter boas ideias como a linguagem Wiki, coloca de forma brilhante como fazer isso: discutindo sobre programação, digo “... acho que a melhor forma de fazer isso é A”, então alguém diz, “acho que é B”, aí eu digo “não, é A” e a pessoa diz “queremos fazer B”. Nesse ponto você para e diz: “beleza, faça B, não vai nos prejudicar tanto se eu estiver certo e você fizer B, nem se eu estiver errado e fizermos A, porque dá pra concertar os erros, então vamos descobrir o que acontece”. Na maioria das vezes, diz Ward, escolher entre A e B não tem diferença, é inconsequente. Claro que outras vezes gera consequências, por isso é melhor estabelecer as circunstâncias, tentar B e ver o que acontece. Então parte-se para B e aparece uma dificuldade no caminho, um bug ou um impasse, que você poderia (ou não) estar pensando quando propôs A. O cara diz, “está complicado trabalhar nesse programa” e você responde “Ei, posso tentar resolver esse bug”. Então ele exclama, “você faria isso?” e você retruca, “Claro, vou trabalhar nesse bug, você fez B, vamos trabalhar em B”. Ao assumir a responsabilidade de usar o máximo possível B, você cria a oportunidade de fazer o que precisa ser feito para chegar a uma solução que muitas vezes nem é voltar para A e sim ir para C.  


CONCLUSÃO: 

Decidir é uma experiencia de aprendizado para todas as partes. Quando se decide sem experimentar, ninguém aprende, você ganha e alguém não ganha ou vice-versa. Vira uma batalha. Como coloca Ward no exemplo acima, “vamos programar e ver o que acontece, se não funcionar, mudamos”.


Grande abraço,

Eder.



Fonte: Collective Ownership of Code and Text - A Conversation with Ward Cunningham, Part II , escrito por Bill Venners


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