sexta-feira, 10 de novembro de 2023

SER DIFERENTE PODE SER PERIGOSO PARA ZEBRAS, NĀO PARA FUNDOS DE PENSĀO

 


De Sāo Paulo, SP.


Um grupo de pesquisadores estava tentando estudar as zebras em seu habitat natural, mas se deparou com um desafio.

Toda vez que estavam estudando uma zebra especifica e olhavam para baixo, para anotar os detalhes no notebook, perdiam de vista aquela zebra ao voltar a olhar o grupo todo.

As listras pretas e brancas tornavam extremamente difícil acompanhar qualquer zebra especifica numa multidão de animais idênticos.

Para resolver o problema, os pesquisadores passaram a pintar um ponto vermelho na zebra que estavam estudando, tornando mais facial acompanhá-la.

Funcionou – a zebra marcada se tornou muito mais fácil de rastrear, não apenas para os pesquisadores humanos, mas também para os leões que as caçavam.

Dentro de poucos dias, cada zebra sendo rastreada era morta pelos leões.

Conforme os pesquisadores aprenderam, destacar-se na multidão pode ser perigoso. Misturar-se no grupo costuma ser um mecanismo de sobrevivência.

Isso ficou conhecido como o “Efeito Zebra”.

Também experimentamos isso em nossas vidas. Fazer parte de uma multidão é confortável e fácil. Se destacar é difícil e desconfortável.

A diferença, no entanto, está nas recompensas.

Para as zebras, há muito pouca vantagem em se destacar. Para nós, a vantagem pode ser ilimitada ...

Substitua as zebras pelos fundos de pensão e os pesquisadores por pessoas e/ou empresas procurando planos de previdência complementar.

No passado, os fundos de pensão não precisavam se destacar uns dos outros, cada um era voltado para os empregados de determinada empresa ou grupo econômico.

Daí o nome “entidade fechada de previdência complementar”.

Não mais. Na medida em que os fundos de pensão se abrem para novos mercados, precisarão se destacar uns dos outros, precisarão ter algum diferencial para atrair potenciais participantes e patrocinadoras.

Seu fundo de pensāo quer ser bem sucedido nessa nova fase da previdencia complementar? Coloque um “ponto vermelho” nele, porque ele não é uma zebra!


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “How to be different”, escrito por Sahil Bloom


quinta-feira, 9 de novembro de 2023

O FUNDO DE PENSĀO DO FUTURO REQUER UMA “GUINADA” DE PARADIGMA, MAS HÁ UMA BARREIRA A SER SUPERADA



De Sāo Paulo, SP.


Paradigma é um modelo mental de como enxergarmos o mundo. No segmento de fundos de pensão, estamos cercados de pessoas que compartilham o mesmo modelo de previdência complementar. 

Desde que o modelo esteja funcionando, vamos vivendo nossas vidas, nos voltamos para o dia a dia sem pensar muito sobre ele. Tipo, se você vivesse numa estação espacial, a ausência de gravidade seria algo que você notaria o tempo todo ... até o dia em que, não notaria mais. 

Tecnologia, mudanças demográficas, transformações sociais, tudo vem conspirando para mudar as regras do jogo no campo dos fundos de pensão. 

Quando isso acontece, surgem grandes oportunidades para aqueles que são ousados o suficiente para imaginar um sistema diferente, um modelo mental que não seja simplesmente um ajuste do existente, mas uma reconstrução.

A TV aberta se baseava no paradigma dos mercados de massa, no qual a batalha da participação de mercado girava em torno do ganho de uns poucos pontos percentuais de audiência do mercado todo. 

A TV por assinatura mudou isso porque nichos de mercado podem representar um montão de expectadores lucrativos. De repente, aquele pequeno publico viabilizou a construção de novos gigantes da mídia.

ESPN e MTV não teriam funcionado num mundo com três ou quatro canais de televisão, mas funcionaram muito bem num com quarenta canais.

A verdadeira “guinada” no paradigma veio do YouTube. Agora não se trata mais de tentar acrescentar uns poucos canais por assinatura. Tem a ver com abraçar a ideia de que existe um número infinito de canais.

Aquele espectro de escassez dos exemplos anteriores não é normal e muito menos útil. Ninguém no mundo da TV aberta ou da TV por assinatura entendeu isso nem fez algo a respeito. Estavam muito focados em tentar “acompanhar” as mudanças e não em “transformar”.  

Muitos amigos e colegas, muita gente boa no segmento tradicional de negócios dos fundos de pensão está lutando com a velha versão dos planos de previdência complementar. Com a crença de que o publico alvo é composto de pessoas com salários altos, que trabalham em empresas, que vão juntar dinheiro no começo da vida profissional, em contas individuais (modelo CD), para usufruir no fim da vida, com decisões de investimentos feitas por meia dúzia de gestores, sem ouvir a opinião dos donos do dinheiro, com uma governança controlada por um grupo limitado de representantes do “povāo”. 

O setor tem recursos, reputação e um pouco do “momentum”, mas ao invés de dar uma guinada em direção a um novo sistema de previdência complementar, novas soluções de segurança financeira futura, está girando em torno de umas poucas mudanças. 

Nem todos os paradigmas dão guinadas. Frequentemente, a humanidade fica presa num sistema culturalmente enraizado que é muito difícil mudar. 

Quando vemos uma oportunidade para transformar um setor inteiro como o de fundos de pensão, a contribuição que podemos dar é estar dispostos a abandonar nossa confiança em como as coisas costumavam ser. Esse é o trabalho árduo a ser feito, ao invés de simplesmente tentar fazer pequenas mudanças acontecerem. 


A barreira da micro gestão pelos conselhos

A micro gestão é uma estrada cansativa que leva a lugar nenhum. Procure na memória aquele que foi seu chefe favorito. Garanto que a palavra micro gestão não faz parte da sua lembrança. Ninguém gosta de micro gestores, nem eles próprios.

Abrir mão em favor de terceiros, do controle diário das minucias de um negócio, é uma necessidade. É impossível focar no futuro de qualquer organização se você ficar checando continuamente cada detalhe do negócio.

É esse impulso que domina os conselhos deliberativos dos fundos de pensão que não é fácil se livrar.

Quando uma empresa, uma startup, é pequena, todos trabalham em prol de um objetivo comum. Há confiança. É fácil dividir responsabilidades. Na medida que cresce, pequenas responsabilidades do dono vāo sendo confiadas a outras pessoas. É impossível fazer isso se você não tem a equipe sênior certa.

O fundador de uma startup pode tentar monitorar, no curto prazo, cada novo contratado com reporte direto, mas isso não é sustentável permanentemente e no longo prazo ele estará colocando pregos no caixão da empresa.

A micro gestão é horrenda, mesmo quando feita por pouco tempo. Não é boa para aqueles que trabalham para você e impede que você faça aquilo que deveria estar fazendo, que é focar no desafio maior de dar rumo á organização. 

A micro gestão é péssima para a liderança por causa da pressão contínua e intensa, que leva a exaustão completa. A falta de liderança sênior no topo, quase que inevitavelmente, leva a micro gestão.  

Uma das causas da micro gestão é a falta de confiança.

A micro gestão pode encobrir uma miríade de inseguranças, preocupações e dúvidas sobre o que você está fazendo, pode esconder o medo de que o fracasso está no horizonte. Pode acalmar, transmitindo a sensação de que você está no controle – quando na realidade, não está.

Como inevitavelmente se descobre no longo prazo, quando tudo começa a desmoronar e suas mãos na direção não são mais suficientes para controlar tudo.

Às vezes, como líderes, sabemos do caos, mas freneticamente fazemos micro gestão para dar a impressão de que estamos no controle, uma tentativa drástica de encobrir o quão errado as coisas estão dando. 

Quando o conselho deliberativo do seu fundo de pensão ficar tentado a fazer micro gestão, dê um passo atrás e procure achar a raiz do problema. O conselho que faz micro gestão deixa pouco espaço para criatividade ou inovação. 

Existe um oceano de diferença entre interferência e apoio. O dever fiduciário dos conselhos é supervisionar e dar apoio à gestão, não se imiscuir nela.

Enquanto a barreira da micro gestão feita hoje pela esmagadora maioria dos conselhos dos fundos de pensão, não for ultrapassada, vai faltar tempo para o essencial: uma guinada de paradigma.


Grande abraço,

Eder.


Fontes: “Great Management Means Doing as You Would Be Done By”, escrito por Jan Cavelle | “The paradigma flip”, escrito por Seth Godin.


terça-feira, 7 de novembro de 2023

DE QUEM É ESSE TRABALHO?

 


De Sāo Paulo, SP.


Essa é uma história sobre quatro pessoas chamadas: “TodoMundo”, “Alguém”, “QualquerUm” e “Ninguém”.

Havia um trabalho muito importante a ser feito e foi pedido que “TodoMundo” o fizesse. “TodoMundo” tinha certeza de que “Alguém” faria o trabalho. “QualquerUm” poderia tê-lo feito, mas “Ninguém” fez.

“Alguém” ficou bravo com isso porque o trabalho cabia a “TodoMundo”.

“TodoMundo” achava que “QualquerUm” poderia fazer o trabalho, mas “Ninguém” percebeu que “TodoMundo” não faria.

No final, quando “Ninguém” fez o que “QualquerUm” poderia ter feito, “TodoMundo” culpou “Alguém”.

Essa historinha é atribuída a Charles Osgood e supostamente faria parte de um texto mais longo intitulado “The Responsibility Poem” (O Poema da Responsabilidade).

Essa história estava num mural da Lakeside Middle School, uma escola que frequentei nos EUA em meados dos anos 70 quando eu tinha cerca de 14 anos de idade. Isso nunca mais saiu da minha cabeça. 

Transmite a mensagem de que precisamos assumir a responsabilidade e não assumir que outros farão aquilo que você não quer fazer. 

É um conselho sábio para que nós sejamos a mudança que gostaríamos de ver acontecer. O lixo não recolhe a si mesmo. Coisas quebradas não se consertam sozinhas. Depende de você.


Grande abraço,

Eder.


Fonte: Sketchplanations 







quarta-feira, 1 de novembro de 2023

A RESPOSTA PARA FAZER AS PESSOAS POUPAREM PARA O FUTURO PODE ESTAR NO NEUROMARKETING, MAS TEM GENTE QUERENDO BANI-LO.

 



De Sāo Paulo, SP.


Num livro publicado em 2003 o Professor Gerald Zaltman, da Harvard Business School, mostrou que 95% de nossas decisões de compra são motivadas por emoções e acontecem na parte subconsciente do nosso cérebro.

No livro How Customers Think: Essential Insights into the Mind of the Market (Como os Consumidores Pensam: Insights Essenciais dentro da Mente do Mercado), Zaltman mergulha na mente subconsciente das pessoas.


O marketing tradicional, diz Zaltman, fala para nossa mente lógica, responsável por apenas 5% de nossas decisões de compra e deixa escapar 95% do poder de venda.

Sabe aquela sensação de que fazemos de tudo para conscientizar as pessoas sobre a importância de se aderir a um plano de previdência complementar, mas parece que estamos enxugando gelo?

Será que as descobertas de Zaltman poderiam ajudar os fundos de pensão e as entidades abertas de previdência complementar?

O “neuromarketing” é um olhar, literalmente, dentro do cérebro enquanto ele toma decisões. Busca identificar quais são os gatilhos que fazem as pessoas decidirem, como se obter um “sim”, como as cores, odores, visão e audição podem influenciar nossas decisões de compra e por aí vai.

Nas mãos de marketeiros inescrupulosos, antiéticos e criminosos, o neuromarketing pode ter um poder insuperável de manipulação.

O grande medo representado pelo neuromarketing

Uma mensagem criada pelo neuromarketing se comunica diretamente com o centro emocional do cérebro e se conecta de forma intima com nosso sistema de crenças.

O neuromarketing é uma ferramenta poderosa para explorar nossos sentimentos, para prever e potencialmente, até manipular o comportamento do comprador. É esse poder manipulador, capaz de impulsionar desejos e convertê-los em vendas, que vem provocando debates sobre sua ética.

Os críticos mais ferrenhos têm sugerido que o neuromarketing seja banido, da mesma forma que aconteceu com as propagandas subliminares nos anos 50.

Em 1958 James Vicary, que tinha uma firma de pesquisas de mercado, alegou que a inserção de palavras “Coma Pipoca” e “Beba Coca-Cola” nos fotogramas dos filmes cinematográficos, havia aumentado (nos cinemas) a venda de Coca-Cola em 18,1% e a venda de pipoca em 57,8% .

Vicary afirmou que a mensagem colocada em um único fotograma era longa o suficiente para ser registrada pelo subconsciente, mas curta demais para ser notada pelo consciente das pessoas.

Isso causou indignação e pânico generalizado no publico, temeroso de uma suposta influência indesejada em seu subconsciente, em seus pensamentos e comportamentos.

A reação do publico levou ao banimento do que ficou sendo conhecido como “propaganda subliminar”, ainda que posteriormente tenha ficado provado que Vicary havia mentido sobre os resultados obtidos (vídeo a seguir)


Com uma roupagem diferente, as propagandas subliminares ganharam espaço ao longo do tempo. Logo após a proibição de comerciais de cigarro na Europa, o Marlboro tentou contornar a restrição usando uma tática visual subliminar.

Os carros de Fórmula 1 da Ferrari apareceram com o desenho de um código de barras sem nenhum nome próximo a imagem, diferente do que acontece com o logotipo dos demais patrocinadores.

Se você considerar a altíssima velocidade com a qual os carros passam no campo de visão do publico em um autódromo, você logo notará o marketing subliminar que a Marlboro estava tentando fazer com as Ferrari.


Uma tentativa de fato muito inteligente, mas que não durou muito tempo e logo as imagens tiveram que ser removidas dos carros.

O gênio do neuromarketing já saiu de dentro da garrafa há muito tempo e talvez, agora, seja tarde demais tentar colocá-lo de volta. Uma vez que um marketeiro aprenda sobre neuromarketing e veja os resultados mensuráveis que ele produz, não há caminho de volta ao marketing tradicional.

A questão ética, porém, permanece. Por enquanto, a responsabilidade ética está circunscrita às marcas, cuja reputação as impede de ultrapassar essa linha.

Previdência complementar e neuromarketing

Está provado e comprovado que não tem funcionado a contento as abordagens correntes que procuram convencer as pessoas - principalmente os jovens - a poupar para o futuro.

A solução mais adotada atualmente pelos fundos de pensão e entidades abertas se apoia na “Educação Financeira”, mas sabemos que apenas 5% de nossas decisões de “compra” se baseiam na lógica.

Porque não usar abordagens que explorem os outros 95%, ou seja, nossas emoções, para levar as pessoas a poupar? Isso só é possível através do uso (responsável e ético) do neuromarketing.

O que você acha sobre isso? Você é um crítico do neuromarketing e acha que devemos bani-lo como fizemos com as propagandas subliminares ou é um fã (como eu), que está disposto a tentar algo diferente?


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “Should NeuroMarketing be banned?”, escrito por Colleen Backstrom.


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