sábado, 13 de janeiro de 2024

PERGUNTAS QUE TODOS DEVERIAMOS ESTAR NOS FAZENDO!

 

De Sāo Paulo, SP.


👉 Todo mundo costuma conversar consigo mesmo 24/7 ou perto disso. A qualidade desse diálogo interno conosco mesmo, em nossa mente, tem impacto real e tangível em nossa interação com o mundo real.

➡ Se você diz para si mesmo, repetidamente, que não é capaz de fazer alguma coisa, você acaba acreditando que isso é verdade. Você para de tentar;

➡ Se você fica dizendo para si mesmo que não é digno de algo, você passa a acreditar que isso é verdade. Você para de almejar aquilo;

➡ Se você diz para si mesmo, repetidamente, que não consegue evoluir, você começa a acreditar que isso é verdade. Você desiste de querer crescer.

Se você diz para si mesmo que nāo sabe qual será o futuro dos fundos de pensāo, você para de olhar para frente. Você desiste de procurar.


👉 Preste atenção ao seu diálogo interno: o que você tem repetido para si mesmo? 📣

🆙 “Cuidado com seus pensamentos, eles se tornam suas palavras; cuidado com suas palavras, elas se tornam suas ações; cuidado com suas ações, elas se tornam seus hábitos; cuidado com seus hábitos, eles se tornam seu caráter; cuidado com seu caráter, ele se torna seu destino” – Lao Tzu. ⛩

💯 “Ser a pessoa mais rica do cemitério, não me interessa. Deitar a cabeça no travesseiro toda noite e dizer que fiz algo maravilhoso, é isso que me interessa”. – Steve Jobs. 🖥


👉 Você ganha uma vida. ⏰ Uma chance. ⌚ Uma vez só. ⏳

👉 Eu estou ajudando a construir as soluções que permitem que as pessoas alcancem segurança financeira no futuro. 🚀 Esse vem sendo meu proposito e nisso, eu penso grande! 💪

👉 E você? O que você está fazendo com sua chance? 🤷‍♂️


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “The Laundry Cycle Theory, Illusory Truth Effect, & More”, escrito por By Sahil Bloom.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

O TIPO DE COISA QUE EU FARIA NUM FUNDO DE PENSĀO, SE TIVESSE UM CONTRATO TEMPORÁRIO PARA ATUAR COMO “CHIEF INNOVATION OFFICER”

 



De Sāo Paulo, SP.


O Chief Innovation Officer (CINO) - que em tradução direta seria Diretor de Inovações – é o executivo responsável pelos processos de inovação em uma instituição.

Seu papel envolve identificar estratégias, oportunidades de negócios e novas tecnologias para direcionar o crescimento e manter a competitividade. As características-chave do CINO incluem: colocar foco em programas de inovação, ter pensamento estratégico e adaptar a organização às tendências emergentes.

As competências requeridas pela função englobam um profundo entendimento dos processos de inovação, equilíbrio na assunção de riscos e capacidade de forjar uma cultura de transformação na organização

No ambiente atual das organizações, caracterizado por mudanças que acontecem num ritmo acelerado, as transformações são constantes. Isso pode ser desafiador até mesmo para o executivo mais experiente, que precisa lidar com os movimentos de fusões & aquisições, reorganizações societárias e mudanças de liderança.

É aí que entra o Executivo Temporário, cuja experiência é capaz de fornecer apoio e liderança durante esses tempos de mudança, permitindo que as organizações possam navegar mais rapidamente por esses períodos de transição, emergindo mais robustas do que nunca mais adiante.

Os executivos temporários são uma tendência que vem crescendo no mundo corporativo e isso ocorre por uma boa razão. Esses executivos trazem um conjunto de experiências, expertise e insights de alto valor, capazes de ajudar a guiar a organização que enfrenta desafios significativos de mudança. Eles podem ajudar a fechar a lacuna entre as lideranças que saem e as que entram, assegurando uma transição suave e continuidade das operações.

Existem muitos tipos diferentes de executivo temporário, cada um com competências, experiencias e áreas de conhecimento únicas. Alguns são especializados em finanças, outros em operações, enquanto alguns focam em marketing, recursos humanos, TI e outras áreas funcionais.

Todos eles compartilham algumas características em comum, independente de suas experiencias. Eles são adaptáveis, flexíveis e capazes de entender ambientes complexos de negócios. Também possuem um track-record comprovado de sucesso em liderar organizações através de tempos de mudança.

Uma das vantagens críticas do executivo temporário é sua habilidade de “entrar jogando”. Enquanto os processos tradicionais de busca de executivos conduzidos por head-hunters podem demorar meses, até anos, o executivo temporário pode subir a bordo e já começar a trabalhar em questão de dias ou poucas semanas.

Quando uma organização enfrenta uma crise, o suporte imediato das lideranças é essencial. Um executivo temporário pode trazer uma nova perspectiva para os desafios enfrentados pela organização. Além disso, eles não são comprometidos pela história ou cultura da organização, algo de grande valor em tempos de mudança, quando os negócios precisam se adaptar à novas condições de mercado e novos modelos de atuação.

Em suma, os executivos temporários podem desempenhar um papel crucial em tempos de mudanças e transformações, ajudando as organizações a navegar nesses tempos difíceis.

Os desafios dos planos de previdência complementar


Quando fui diretor comercial no CCF Fundo de Pensāo Multipatrocinado, eu me reportava a um ex-gerente de banco que contava uma pequena história para ilustrar a importância de estar na mente dos potenciais clientes.

Existia uma operação bancária muito comum, que os diretores financeiros de grandes corporações costumavam fazer corriqueiramente, conhecida por “63” (por causa do número da resolução do Banco Central que a regulou).

O ex-gerente dizia que quando um diretor financeiro levantava os olhos para fazer uma 63, você precisava estar na frente dele. Por se tratar de uma operação que não tinha condições diferenciadas entre um banco e outro, se você estivesse presente ali, a operação seria feita com seu banco.   

Esse raciocínio pode ser aplicado, de certa forma, aos planos de previdência complementar. Os participantes costumam se descuidar do acompanhamento de seus planos, deixam de ajustar as contribuições ao longo do tempo, não sabem dizer a rentabilidade anual nem o nível das taxas de administração que pagam.

Tudo isso faz com que a maioria dos participantes de planos de previdência complementar chegue na aposentadoria sem ter poupado suficientemente, achando de forma simplória que por participar de um plano de aposentadoria terá segurança financeira no futuro.

Acompanhar sistematicamente a evolução da poupança individual é um dos grandes desafios daqueles que já aderiram a um plano de aposentadoria. Esses desafios incluem, também, atrair os jovens para os planos de previdência complementar.

Uma soluçāo para isso seria o fundo de pensāo estar na cabeça dos participantes e jovens, como uma "operaçāo 63".

Uma carta para seu futuro eu, escrita individualmente

Empresas e fundos de pensão poderiam e deveriam adotar diversas iniciativas para contornar os desafios descritos anteriormente. Uma dessas iniciativas, bem que poderia ser a que vou descrever aqui.

Peça aos empregados que ainda não aderiam ao plano - principalmente os mais jovens – mas, também aos participantes que já aderiram, para escreverem uma carta para seus “futuros eus”.

Escrever uma mensagem para a pessoa que você estima que você será no futuro, o forçará a refletir sobre diversos aspectos da sua vida. É um exercício tão impactante, que todo mundo deveria dar uma paradinha, sentar numa cadeira e experimentar isso.

O horizonte de tempo para abrir a carta no futuro pode ser de um ano, cinco anos ou dez anos.

Há quem escreva a carta em papel e guarde num lugar seguro para abrir ao final do tempo definido, mas por se tratar de uma campanha de marketing do seu fundo de pensão, que tal usar um pouco de tecnologia para isso?

Existem ferramentas online como o “FutureMe”, para quem escreve em inglês, mas o pessoal de TI do seu fundo de pensão pode bolar uma solução tecnológica interna para fins dessa campanha (eles certamente curtirão a ideia)

Credito de Imagem: www.generativeai.pub

A estrutura da carta poderia ser deixada para cada empregado e participante escolher, mas eu recomendaria cobrir algumas áreas já que queremos chamar a atenção para segurança financeira futura:

  • Reflexões sobre o presente;
  • Visão do futuro;
  • Mudanças necessárias;
  • Previsões divertidas.

Seguem algumas instruções específicas que podem ajudar a estimular a escrita em cada um dos itens a serem cobertos na mensagem da carta.

Reflexões sobre o presente – pense numa análise que requer uma grande dose de introspecção. Descontrua a versão presente do seu eu:

  • O que está funcionando?
  • O que não está funcionando?
  • O que me fornece energia?
  • O que drena minha energia?
  • Que relacionamento me dá, genuinamente, prazer?
  • Que relacionamento me faz mal?
  • O que me surpreende sobre o presente?
  • Como estou hoje em termos financeiros e profissionais

Escrever essa parte da carta pode fazer a pessoa se sentir numa terapia.

Visão do futuro – imagine uma lista de seus desejos e aspirações, uma bussola do lugar para onde gostaria de estar se dirigindo.

  • Qual seria minha vida ideal no dia em que eu abrir essa carta?
  • Quais são os meus grandes objetivos de longo prazo, sonhos e ambições?
  • Quais os pontos intermediários que me ajudarão nessa trajetória?
  • Por que estou tentando atingi-los? Quais minhas motivações de verdade?
  • Se eu abrisse essa carta e tudo estivesse dando certo, o que teria acontecido ao longo do caminho para isso?
  • Quais são meus anti-objetivos? Quais perigos preciso evitar ao longo do caminho?
  • Como eu gostaria (realisticamente) de estar em termos financeiros e profissionais?

Crie uma imagem cristalina do seu futuro ideal.

Mudanças necessárias – Esse é o fluxo natural entre as reflexões sobre o presente e sua versão para o futuro. Pense na resposta para as seguintes perguntas:

  • Que mudanças preciso fazer na minha vida hoje para criar esse futuro?
  • Que ações cotidianas tornarão aquele futuro uma realidade?
  • O que eu precisaria fazer para atingir meus objetivos financeiros e profissionais?

Tenha em mente a regra do 1-em 60: Cada 1 grau de desvio na rota de um avião representa 1 milha de afastamento do destino a cada 60 milhas voadas. Pequenos desvios de curso nos momentos iniciais do voo levam, em viagens de longo curso, a grandes desvios em relação ao destino final. Faça os ajustes necessários no seu curso.

Previsões divertidas – Acrescente um pouco de leveza, termine sua carta com alguma coisa divertida.

  • Quais minhas previsões malucas para o futuro?
  • Os robôs e a IA tomarão conta do mundo?
  • Aquele funcionário high-potential vai ser o CEO da empresa?

Lembre-se que você está escrevendo para seu “futuro eu”, aproveite para se divertir.

Uma campanha de marketing interno, feita pelo fundo de pensão, serviria para “chacoalhar” as pessoas. Para os jovens que ainda não aderiram ao plano seria um grande momento de reflexão, com resultados positivos ao forçá-los a pensar sobre o aspecto financeiro futuro. Já para os que participam do plano, ajudaria a pensar sobre a adequação da poupança atual.

O momento em que as pessoas abrirão a carta no futuro, será mais uma oportunidade para refletir sobre o aspecto da segurança financeira, se a poupança está sendo adequada ou não.

Como parte da campanha, o fundo de pensão poderia distribuir uma projeção da renda de aposentadoria, baseada no saldo e no nível de contribuição atuais de cada participante. No caso dos nāo participantes, o extrato mostraria “Zero”. Essa projeção poderia ser distribuída em dois momentos: na época da redação da carta e no futuro, quando a mesma for aberta.

A carta que eu teria escrito aos 24 anos para meu futuro eu


Credito de Imagem: www.concisewriting.com.au

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Janeiro de 1987

Oi coroa! Se você está lendo isso aqui, significa que está vivo, então, acho que parabéns né!  Acabei de conseguir meu primeiro emprego depois da faculdade, me mudei do Rio para São Paulo, entrei para o mundo corporativo, seja lá o que isso signifique.

Esse parece ser um momento apropriado para pensar no futuro.

  1. Espero que tenha casado com alguém legal. Não quero me casar hoje, mas imagino que não queira viver sozinho o resto da vida.
  2. Se tiver casado, espero que tenha dado uma neta para seus pais já que eles sempre sonharam em ter uma menina e só tiveram filhos homens. Espero que você seja um bom pai. Se você for ao menos metade do que seus pais têm sido para você, você será ótimo.
  3. Eu torço para você avançar na carreira, você tem muitas ambições e coragem para encarar os desafios, mas pega leve. Você ainda tem muito a aprender na profissão.
  4. Espero que você continue sendo muito presente na vida dos seus pais e demonstrando o amor que sente por eles. Eles não têm ideia do quanto significam para você.
  5. Espero que consiga continuar vivendo perto da sua família, sua mãe ficou triste quando você teve que sair de casa para morar em São Paulo, mesmo estando a uma hora e meia de carro da casa dela. Ela sorriu e te desejou boa sorte no novo emprego, mas ficou com o coração partido. Se conseguir viver por perto da família, seria muito bom.
  6. Espero que consiga visitar mais seus irmãos, eles representam uma parte insubstituível da sua vida. Sei que a luta diária engole todo tempo disponível, mas faça um esforço.
  7. Espero que esteja trabalhando em algo que você goste e te faça sentir realizado. Para ser honesto, não tenho ideia do que isso signifique, mas imagino que seja gostar de ir trabalhar numa quarta-feira qualquer.
  8. Espero que seus amigos mais próximos estejam com saúde e sejam bem-sucedidos na vida. Sei que isso é praticamente impossível, então, espero que eles saibam pelo menos o quanto você se importa com eles e gosta de tê-los como grandes amigos. É isso que conta.
  9. Por fim, espero que você esteja aproveitando a vida, se divertindo ao longo do caminho e poupando o suficiente para ter as coisas que gosta daqui a dez, vinte, trinta ... sessenta anos.

Não sei como terminar uma carta dessas. Tchau? Até logo?

Bem, te vejo daqui a muitos anos.

Eder.

______________________

É isso!

Seu fundo de pensão anda precisando de um Chief Innovation Officer temporário?

Me bate um fio ...


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “The Role of Interim Executives in Times of Change and Transition”, escrito por Henning Schwinum | “Write a letter to your future self”, escrito por Sahil Bloom.


quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

2024 SERÁ O ANO DO FUNDO MULTIPATROCINADO, DEVIDO À TEORIA DAS CONSEQUÊNCIAS INDESEJADAS E O EFEITO COBRA

 



De Sāo Paulo, SP.


A união, num mesmo fundo de pensão, de planos de previdência complementar corporativos de diferentes empresas, que nada tem a ver umas com as outras, não representa nenhum catalisador de mudanças, não são uma novidade e não constituem o futuro do setor.

Os fundos multipatrocinados são uma reação às mudanças de longa data que vem ocorrendo no mundo corporativo.

Configuram uma solução quase perfeita para o problema criado pela explosão de pequenas e médias empresas, resultante dos movimentos de venda de divisões, fusões, spin-offs e consolidações de empresas, que junto com novas tecnologias foram encolhendo os quadros de empregados.

Os fundos multipatrocinados estão por aí há décadas, desde que nos anos 80 um banco canadense operando no Brasil criou o primeiro deles, que foi o Fundo de Pensão Montrealbank (FPM), permitindo que empresas de diferentes grupos econômicos agrupassem o patrimônio de seus planos num mesmo lugar, resultando em custos, responsabilidade e trabalho administrativo menores, com rentabilidade mais interessante.

Os fundos multipatrocinados, no entanto, requerem um interesse comum entre as empresas patrocinadoras, para evitar que prestadores de serviços e fornecedores de serviços em geral não se aproveitem cobrando taxas de administração e honorários maiores dos clientes.

A Teoria das Consequências Indesejadas e o Efeito Cobra

As pessoas são complicadas, a vida é complicada, o ecossistema de fundos de pensão é complicado. A despeito dos nossos melhores esforços e boas intenções, temos um histórico notável em bagunçar as coisas de maneira inesperada.

A Teoria das Consequências Indesejadas tem uma explicação simples para isso: as consequências indesejáveis surgem sempre que tentamos regular um sistema complexo usando uma solução simples.


“Teoria das Consequências Indesejadas” - Crédito de Imagem: Sketchplanations


Isso frequentemente acontece em tentativas governamentais de larga escala que procuram controlar segmentos ou atividades econômicas complexas usando leis, regulamentações, políticas ou medidas relativamente simples.

Nessas situações, vão acontecer coisas que não foram antecipadas e os exemplos são inúmeros como o rodízio de automóveis em São Paulo, que tentou restringir o número de carros em circulação e acabou levando as pessoas a simplesmente comprar um segundo e até um terceiro carro.

É o caso da Resolução CNPC nr. 32 (e outras revisões regulatórias) aprovada pelo governo no final de dezembro passado, sob o argumento de preservar o patrimônio previdenciário dos participantes e garantir a proteção dos mesmos em caso de retirada de patrocínio.

A mudança da regulamentação de retirada de patrocínio - que demorou anos para ser concluída - tende a causar o “Efeito Cobra”, um caso específico da Teoria das Consequências Indesejadas que surge quando uma ação tomada com determinado objetivo leva ao resultado oposto do que se desejava.

O Efeito Cobra ganhou esse nome quando, diante de uma epidemia de proliferação de serpentes, o governo Indiano passou a oferecer uma recompensa em dinheiro para quem capturasse uma cobra e entregasse às autoridades. As pessoas passaram, então, a criar cobras em casa para “vender” ao governo, aumentando o problema.



O ano dos multipatrocinados

Em essência, os planos de contribuição definida e os fundos multipatrocinados existem para permitir que participantes individuais e patrocinadoras invistam o patrimônio de seus planos de forma coletiva, buscando mais eficiência, melhores taxas de administração e uma solução tributariamente mais vantajosa.

As estimativas de aumento da quantidade de planos CD administrados por fundos multipatrocinados nos EUA, apontam para um crescimento de 50% nesse tipo de plano entre 2021 e 2029, que deverão passar de 654 mil para 970 mil planos, comparado a um crescimento de 24% nos nove anos anteriores a 2021.

Essa projeção, feita por uma firma de consultoria chamada Cerulli Associates, é conservadora no aumento de novos planos e agressiva na quantidade de migrações de planos BD para planos CD com transferência de gestão para fundos multipatrocinados, chamados nos EUA de PEP – Pooled Employer Plans, principalmente de empresa menores.

As grandes firmas de consultoria estrangerias atuando no Brasil, responsáveis no passado pela criação de dezenas de fundos de pensão e aprovação de centenas de novos planos de previdência complementar corporativos, passaram a funcionar sob um modelo diferente de negócios.

Elas não são pagas hoje em dia para criar novos planos nem aprovar novos fundos de pensão, elas são pagas para fechar planos e transferir a gestão dos já existentes.

As dificuldades impostas pelo governo para término de planos administrados pelos fundos de pensão, ao apertar a regulamentação que possibilita a retirada de patrocínio por decisão das empresas patrocinadoras, é o maior incentivador para a migração de planos BD para planos CD, com concomitante transferência de gestão para fundos multipatrocinados, numa espécie de “rouba monte”.

Esse movimento, que o governo não pode impedir, tem resultados bem diferentes daqueles intencionados pelas novas regulamentações que criaram figuras, tipo, fundo de preservação do patrimônio ou fundo de preservação da longevidade.

As consequências não intencionadas pelo governo com as resoluções recentemente aprovadas será “engordar” os fundos multipatrocinados, que estão melhor posicionados para receber a explosão de transferências de planos de outros fundos de pensão, sem a parafernália de imposições que passaram a existir para término de planos.

Pois é, as autoridades ainda tem muito a aprender sobre as soluçōes em sistemas complexos, como é o caso do setor de fundos de pensāo ….


Grande abraço,

Eder.



Fonte: “2024 Will Be the Year of the PEPs”, escrito por Fred Barstein.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

FUTURO DOS PLANOS CD: OS PLANOS DE CONTRIBUIÇĀO DEFINIDA PASSARĀO POR UMA GRANDE MUDANÇA.

 


De Sāo Paulo, SP.

O conceito de plano CD surgiu logo na sequência da aprovação, em 1974, da lei que regulou a previdência privada nos EUA, conhecida por ERISA ou Employee Retirement Income Security Act (a nossa, a Lei nr 6.435, veio em 1977).

Quando foram criados, os planos corporativos de contribuição definida – que nos EUA são conhecidos por 401(k) – não foram concebidos para ser o principal meio de poupança e investimento para a aposentadoria.

Mas foi a partir dos anos 80, com o declínio dos planos de benefícios definidos (BD), motivado pela obrigação das empresas americanas reconhecerem o passivo do benefício em seus balanços (US GAAAP; FAS87), que os planos CD se disseminaram.

As limitações dos primeiros planos CD emergiram rapidamente.

Ao colocarem a decisão e os riscos dos investimentos nas mãos dos empregados, logo ficou claro que a maioria dos americanos conhecia muito pouco sobre poupança e investimento de longo prazo, para a aposentadoria.

Os participantes, em sua vasta maioria, não são profissionais de investimentos, mas passaram a ser tratados como tais da noite para o dia. Lá por volta do final da década de 90 e início dos anos 2000, foi se tornando cada vez mais evidente que a maioria dos empregados não era proativa e simplesmente deixava de tomar por conta própria as medidas necessárias para gerir sua conta de aposentadoria.

Um número significativo de empregados deixava mesmo de aderir ao plano CD oferecido por seu empregador, não poupava parte do salario para a aposentadoria nem investia em um portfolio diversificado, apropriado para sua idade e condição financeira.  

Para tentar contornar o problema, o Congresso Americano aprovou em 2006 o PPA - Pension Protection Act, determinando que os planos CD oferecessem portfolios padrão (default) de investimentos e escolhas automatizadas.

Essas medidas diminuíram, em certo grau, a complexidade de escolha dos investimentos, mas muitas dificuldades permaneceram para os americanos  tentando poupar para a aposentadoria.


Opções de investimentos

Após a aprovação do Pension Protection Act os planos passaram a oferecer como padrão, três opções de investimentos

  • TDF ou Target-Date Funds: conhecidos no Brasil como fundos ciclo de vida, esse perfil de investimentos trabalha com uma data específica para a aposentadoria e vai ajustando automaticamente o nível de risco ao longo do tempo. Focam um crescimento dos retornos maior e mais agressivo nos primeiros anos e se tornam mais conservadores buscando menores riscos próximo a data definida para a aposentadoria. Os TDFs oferecem um portfolio diversificado, combinando várias classes de ativos num único fundo e simplificando o planejamento dos investimentos. São uma ferramenta eficaz para os participantes que não querem se envolver, nem colocar a mão na massa, na gestão de longo prazo de sua aposentadoria.


  • Balanced Funds ou Hybrid Funds: no Brasil chamamos de fundos balanceados ou fundos multimercado. São veículos de investimentos que buscam equilibrar a alocação de diferentes classes de ativos, misturando ações de baixo-médio risco com títulos de renda fixa e outros instrumentos financeiros. Esses fundos diversificam os investimentos espalhando as alocações em diferentes classes de ativos e vão ajustando essas alocações com base nas condições de mercado. Destinam-se, normalmente, aqueles que buscam equilibrar retorno com estabilidade, perseguindo ganhos moderados com baixa exposição a risco. Ou seja, seguem estratégias mais conservadoras de rentabilidade na poupança para aposentadoria.
  • Managed Accounts: nāo existe um equivalente direto em planos de previdência complementar no Brasil. Os managed accounts são destinados aos participantes que buscam estratégias individuais, isto é, perfis de investimentos sob medida. Os investimentos são customizados para atender características e necessidades especificas do participante, considerando seu perfil pessoal de tolerância a risco, eventuais outros ativos que o participante tenha fora do plano de previdência e um planejamento financeiro personalizado dos investimentos do plano CD.

Se por um lado todas as três alternativas default entregam uma gestão profissional dos investimentos, por outro, na maioria dos planos CD a principal opção é o TDF.

Os fundos ciclo de vida representam nos EUA 98% dos investimentos dos planos de previdência complementar corporativos do tipo CD, de acordo com um estudo da Wilshire, uma firma de consultoria em tecnologia de investimentos.

Porém, os TDFs claramente precisam evoluir, pois atualmente não oferecem customização suficiente, ainda mais se considerarmos a turbulência econômica dos anos recentes.

O choque inflacionário que se seguiu a pandemia, mais o aperto monetário e fiscal sem precedentes expôs as deficiências no desenho dos portfolios de investimentos. Ficou evidente a necessidade de se incorporar ativos reais e alternativos às estratégias de investimento, de modo a tornar os portfolios mais resilientes diante da inflação.

A necessidade de maior flexibilidade e mais diversificação nos planos CD vem sendo discutida há anos, tendo levado ao aumento de planos multiportfolio e fundos multipatrocinados.

Por tudo isso, prevê-se que o futuro dos investimentos dos planos de contribuição definida (CD) será em direção a um modelo com muito maior personalização e uma “customização automatizada”.

Portfolios de investimento baseados no ciclo de vida, multimercados e balanceados tenderão a desaparecer, com participantes demandando soluções mais personalizadas e predominância de perfis de investimentos customizados individualmente.  

No Brasil ainda temos um longo caminho a percorrer, inclusive no ambiente regulatório. Ainda convivemos com vários planos CD nos quais os participantes sequer escolhem onde investir suas contribuições e tantos outros que disponibilizam perfis estanques (conservador, moderado e agressivo) como se isso representasse alguma liberdade de escolha pelo participante.

A era da personalização

A customização dos investimentos dos planos CD cresceu de 6% em 2005 para 59% em 2019 e as projeções apontam que em 2030 cerca de 80% das contas individuais serão investidas com base em características financeiras, propósitos pessoais e perfil de risco de cada participante.   

Esse movimento em direção a personalização será acompanhado pela ascensão do modelo de Advisor–Managed Accounts (AMAS), abordagem na qual especialistas em investimentos assessoram não apenas as patrocinadoras e o fundo de pensão, mas atuam fornecendo assessoria em nível individual aos participantes.

Até hoje, patrocinadoras, consultores e participantes, todos focavam predominantemente em como poupar e investir o suficiente para uma aposentadoria tranquila. Não obstante, planejar os investimentos e a poupança somente até a data de aposentadoria, ao invés de planejar os investimentos ao longo da aposentadoria, já se mostrou insuficiente.  

O foco nos próximos anos passará a englobar, também, os gastos e investimento da poupança segundo o estilo de vida de cada um, durante a fase de aposentadoria.

Os planos CD buscarão se conectar com os participantes em um nível maior e passarão a ser fatores chave tanto o engajamento emocional, como o comportamento individual.

Mais sobre personalização dos planos CD: aqui.

Quem tiver interesse no relatório completo da Wilshire sobre o futuro dos planos CD pode acessar esse link: aqui.


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “The future of 401(k) plans: Personalized target date funds, advisor managed accounts”, escrito por Scott Wooldridge.


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