terça-feira, 9 de abril de 2024

O PAPEL DOS CONSELHEIROS DE UM FUNDO DE PENSĀO É CUMPRIR COM SEU DEVER FIDUCIÁRIO, NUNCA FAZER ALTRUÍSMO.

 


De Sāo Paulo, SP.


Não há espaço para o “eu-ismo” quando os conselheiros pensam e traçam estratégias sobre como seu fundo de pensão deveria funcionar.

“Eu-ismo”: refere-se a atitude ou comportamento caracterizado pelo foco excessivo centrado em si mesmo ou em um grupo específico. Usado para descrever indivíduos que priorizam seus próprios interesses, vontades ou desejos, acima daqueles dos demais. No contexto social ou de conselhos, refere-se a tendencia de se enfatizar, em grau extremo, interesses determinados, sem preocupação com outras partes envolvidas.

O papa da administração dos anos 80, Peter Druker, cunhou uma frase que ficou famosa: “a cultura engole a estratégia no café da manhã”, falava ele.

Druker queria dizer com isso, que uma organização pode ter a melhor estratégia do mundo, mas de nada adiantará se a cultura corporativa não permitir que ela venha a ser efetiva e corretamente implementada.

No segmento de previdência complementar fechada, os fundos de pensão, temos um problema estrutural na governança dos conselhos, que surgiu um par de décadas atrás quando a legislação alçou aos colegiados os representantes dos participantes.

Que fique bem claro, os representantes dos participantes podem e devem estar nos conselhos. O problema não foi, absolutamente, os conselhos passarem a contar com representantes de participantes, mas sim a forma como esses representantes vem atuando.

Um dos trabalhos prioritários do conselho é cuidar da cultura corporativa, começando pelas práticas do próprio colegiado e orientação de seus membros. O conselho é a consciência da organização.

Faça a consciência funcionar corretamente e o sucesso acontecerá, beneficiando a todos os stakeholders (partes interessadas) do fundo de pensão.

Misturar “eu-ismo” com dever fiduciário, não dá certo


Credito de Imagem: https://weigandomega.com/

O sucesso não rolou para Samuel Bankman-Fried, fundador da corretora de cryptomoedas FTX, nem para as conselheiras da OpenAI, Helen Toner e Tasha McCauley, que demitiram o CEO Sam Altman.

Todos os três eram devotos do altruísmo eficaz e procuravam, conforme eles mesmos diziam, beneficiar a humanidade através de suas atuações profissionais. Bankman-Fried vai “puxar” uns 25 anos de cadeia pelo uso indevido do dinheiro de terceiros. Toner e McCauley, prejudicaram empregados, investidores e a imagem da OpenAI.

O fracasso deles não deveria nos surpreender. Altruísmo nos conselhos é um “eu-ismo” com anabolizantes. Pressupõe que conselheiros podem usar critérios microeconômicos e se meter na gestão, da forma que considerarem mais adequada, para tomar decisões que resultarão em benefícios para aqueles que se propõe a defender.

É uma forma de “ética utilitária” buscando um bem maior, para um número maior, que alegadamente usa decisões supostamente objetivas – mas realmente aplicadas de forma seletiva – para medir o “bem” que eles se propõem a fazer.

O “eu-ismo” não tem lugar nos conselhos. É incompatível com as obrigações fiduciárias, às quais os conselheiros são incumbidos, eis que essas são orientadas, literalmente, para todas as partes envolvidas.

O dever fiduciário de cada membro do conselho é buscar, por meio da lealdade com o fundo de pensão e do devido zelo na supervisão de sua administração, melhorar a vida de todos – sim, incluindo dos participantes, mas também das empresas patrocinadoras e das demais partes interessadas.

Por isso, os conselheiros representantes dos participantes precisam colocar o “eu-ismo” de lado e traçar estratégias sobre o que seu fundo de pensão deveria fazer no mundo. Eles foram nomeados para cargos de conselheiro e precisam agir sob a perspectiva da organização, não da gestão voltada para interesses de apenas uma parte dela.

Inquestionavelmente, o ethos de um fundo de pensão é gerar segurança financeira futura na forma de benefício corporativo e do esforço individual de poupança de seus participantes.

Mas o trabalho do conselho de um fundo de pensão requer prestar atenção aos meios – como, exatamente, gerar essa segurança financeira, valorizá-la como um benefício oferecido pelas patrocinadoras e reconhecer a dedicação de poupança dos participantes – e não prestar atenção exclusivamente aos fins, i.e., apenas ao dinheiro, que não tem moral, nem personalidade.  

Os riscos da governança baseada no “eu-ismo”

Uma boa governança, voltada para todas as partes interessadas, diminui os riscos futuros e aumenta a probabilidade de a organização ser sustentável no longo prazo.

Se parte dos stakeholders for menosprezada e tratada casuisticamente, a relação do fundo de pensão com todas as suas partes interessadas, ficará subotimizada e os resultados sofrerão os efeitos disso.

Os deveres fiduciários sedimentam a ética na cultura do conselho, o “eu-ismo”, não.

Ah antes d’eu ir, só para constar, tudo isso que foi mencionado nesse artigo vale também, em gênero, número e grau, para os conselheiros nomeados pelas patrocinadoras. Essas coisas não sāo muito diferentes entre eles não e no caso deles, o “eu-ismo” é centrado nos interesses específicos das patrocinadoras.

É legítimo que um conselheiro leve em consideraçāo os interesses da parte que o nomeou - patrocinadoras ou participantes - mas no fim do dia, esses interesses precisam convergir no melhor interesse do fundo de pensāo e de ninguém mais.


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “For Boards, It’s Fiduciary Duties First, Effective Altruism Never”, escrito por Stephen Young.


segunda-feira, 8 de abril de 2024

IGNORE A REPUTAÇĀO DO SEU FUNDO DE PENSĀO AO SEU PRÓPRIO RISCO


Credito de Imagem: https://www.midas-pr.com


De Sāo Paulo, SP.


A reputação corporativa é crítica, ainda assim, 67% dos conselhos de administração deixam de se manifestar diante de crises totalmente previsíveis.

Fatores intangíveis representam 81% do valor de uma empresa de capital aberto e cada 1% de aumento na reputação, leva a um aumento de 2,6% em sua capitalização de mercado, de acordo com um estudo do The Reputation Institute, feito em 2018.

Em fundos de pensão, a reputação está fortemente ligada à credibilidade e ninguém confia o próprio dinheiro e junto com ele seu futuro, a um gestor sem credibilidade.

Quem é responsável pela reputação de um fundo de pensão?

O papel do conselho em elevar a reputação é parte crucial do sucesso de qualquer organização. Então, por que tantas reputações no setor ainda são manchadas de modo tão flagrante?

O maior desafio é que os conselheiros raramente têm controle sob a percepção que os outros tem do fundo de pensão. Uma excelente reputação, apesar de altamente desejável, é um ativo intangível e frequentemente difícil de definir e replicar.

Reputação é algo específico, mas também multidimensional. Um espectro de diferentes percepções sobre determinado individuo ou empresa, pode existir em qualquer dia.  A reputação profissional de uma pessoa pode aumentar ou ser distorcia através de uma análise mais minuciosa de seu passado e de suas experiencias.  

Acima de tudo, a reputação deve ser vista e entendida pelos conselhos dos fundos de pensão como um recurso escasso e crítico. A defesa e proteção da reputação de uma organização é uma questão bastante controversa.

Credito de Imagem: Mya Gates


Muitos Presidentes | CEOs acham que a diretoria executiva é a responsável. Porém, o estudo “Kakabadse Research” pinta um quadro diferente, mostrando que nas organizações de alta performance, o guardião da reputação é o conselho.

Isso porque o conselho é o único órgão na estrutura corporativa cuja missão é supervisionar toda a organização e isso claramente engloba a preocupação com os riscos associados a reputação.  

Nenhum outro órgão, individualmente, pode ser responsabilizado pela supervisão das complexidades envolvidas na defesa e promoção da reputação. A diretoria executiva tem uma função diferente – entregar a estratégia.

Todas as organizações se engajam com uma pluralidade de stakeholders, portanto, naturalmente, enfrentarão percepções contrastantes sobre a entidade.

Na medida em que os fundos de pensão começam a se abrir para patrocinadoras fora do círculo econômico que o fundou, sua imagem e sua performance, passada e presente, serão examinadas para determinar a reputação da organização, pois apenas assim será possível inferir seu futuro.

Por outro lado, é pouco provável que potenciais participantes avaliem a reputação de um fundo de pensão baseados simplesmente na performance dos investimentos.

A preocupação deles se concentra largamente na atratividade dos produtos e serviços e cada vez mais, em como a marca trata seus “clientes”, seus empregados, seus fornecedores e como age de forma mais ampla em relação ao ambiente.

As duas áreas de poder do conselho   

A governança dos conselhos tem apenas duas grandes áreas de poder:

  • Compliance, controles, processos, disciplina; e
  • Atuação sobre o conjunto de deveres fiduciários, o que requer familiarização com e cultivo do relacionamento, mindset dos stakeholders e formação da cultura organizacional.

A atuação sobre o conjunto de deveres fiduciários (stewardship, em inglês), permanece negligenciada na maioria dos fundos de pensão, devido ao desconforto de muitos conselheiros em levantar questões claramente pertinentes, mas sensíveis.

A maior parte da ênfase dos conselhos dos fundos de pensão brasileiros, até hoje, tem sido em compliance e no atendimento de obrigações processuais e legais.

Mesmo a definição e a supervisão da implantação da estratégia, tem sido dirigida por meio de compliance, o que levanta dúvidas se no novo cenário de abertura das entidades fechadas de previdência complementar, a maioria desses conselhos será capaz de fazer um exame significativo das condições de mercado.

Pesquisas em empresas de capital aberto mostram que 67% dos conselheiros, em mais de 40 países, não falam sobre temas sensíveis, apesar de compreenderem plenamente as consequências de seu silencio (soa familiar?).

Ficar psicologicamente paralisado, na verdade, melhora a percepção de cada individuo sobre os desafios que está enfrentando, o que fazer para remediar a situação e deixa claro os resultados negativos futuros.

Apesar disso é inibidora, para a maioria dos conselheiros, a ameaça de levantar uma questão desconfortável.

É preciso construir uma reputação


Credito de Imagem: https://embraconi.com.br/


Estamos na era do “rebrading”, na qual muitos fundos de pensão estão abandonando suas marcas originais e assumindo novas identidades, novos nomes, novos logos.

Terão que construir do zero sua reputação, pois o publico alvo mudou e as novas marcas nada significam no mercado aberto.

A reputação vem, indiscutivelmente, no topo de qualquer organização. A confiança que ela incorpora precisa ser cuidada de forma ativa, sensível e contínua, junto a todas as partes interessadas.

A construção da confiança, necessária para se ter um diálogo significativo com os atuais e futuros participantes, empregados, patrocinadoras de hoje e de amanhā, meios de comunicação e governo, não pode ser realizada através de atividades periódicas e pontuais.

Somente o conselho - guardião dos valores, da estratégia e dos padrões éticos da organização - pode proporcionar uma supervisão proposital que leve ao engajamento das partes interessadas.

Os conselhos são a essência da defesa e promoção da reputação dos fundos de pensão. A bola esta com eles!


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “Ignore reputation at your peril”, escrito por Andrew Kakabadse e Nada Kakabadse.


sexta-feira, 5 de abril de 2024

PARABÊNS SATOSHI NAKAMOTO - EU TAMBÉM DEFENDO A LIBERDADE FINANCEIRA, NUM MUNDO CADA VEZ MAIS DISTÓPICO

 


De Sāo Paulo, SP.


Dia 05 de abril é aniversário do Satoshi Nakamoto.

As cryptomoedas chegaram para ficar e serão uma grande parte do nosso futuro financeiro, por isso vamos celebrá-las.

Os já iniciados ou os mais astutos, poderão se perguntar: “Espera aí, o Satoshi Nakamoto não é um cara anônimo”?

Verdade, ninguém sabe quem é Satoshi Nakamoto, se é homem, mulher, americano, japonês. Se é alguém da CIA, da ABIN, do MI6? Pode até nāo ser um indivíduo e sim um grupo de pessoas.

Então, como pode 05 de abril ser aniversário dele? Bem, a história é interessante e curiosa, apesar de continuarmos sem saber a identidade dele, dela ou deles.

Existem diversas trocas de comunicação entre o Sataoshi Nakamoto e pessoas que participavam de um fórum de discussões, lá por volta de 2010, quando o Bitcoin surgiu pela primeira vez.

O fórum, parecido com o Reddit (meu avatar abaixo), Voat ou Hive, era chamado de “Bitcointalk”, algo tipo “Papo Bitcoin”.

Naquela época o Bitcoin era apenas uma ideia, discutida por um grupo de entusiastas da cryptografia e havia zero Bitcoins em circulação.

Satoshi Nakamoto compartilhou no fórum de discussões o “White Paper” do Bitcoin - uma espécie de documento persuasivo, descrevendo com evidências a lógica, o raciocínio de funcionamento e o código fonte do Bitcoin.

No perfil do Satoshi Nakamoto descrito no White Paper do Bitcoin aparecia como data de nascimento dele o dia 05 de abril de 1933. Isso não foi por acidente, nem era uma data aleatória, foi intencional.

Se você consultar os livros da história econômica dos EUA, descobrirá que no dia 05 de abril de 1933 o governo americano aprovou uma lei determinando que possuir ouro em casa era ilegal. A lei formalizou a “Executive Order nr. 6102” (um ato normativo do chefe do poder executivo) emitida pelo Presidente Franklin D. Roosevelt.

Isso aconteceu no meio da depressão econômica que havia se iniciada com a quebra da bolsa em 1929, havia uma crise bancária nos EUA, default de créditos, uma bagunça danada contaminando o sistema financeiro.

Naquela época, os bancos centrais adotavam o padrão ouro e mantinham as reservas nacionais em barras de ouro físico. Com a crise, não havia ouro suficiente nos cofres da reserva nacional para amparar os créditos em circulação.

A única forma de interromper a crise foi o governo emitir a Ordem Executiva nr. 6102. Todo mundo que guardava ouro em casa, fosse nos cofres particulares, debaixo do colchão, aonde fosse, teve que entregar o ouro para o governo americano recapitalizar o sistema bancário dos EUA.

Foi um evento icônico e quem tem cabelos brancos lembra bem do choque semelhante que foi o confisco das contas bancárias vivido aqui mesmo, em Terras de Cabral, arquitetado no governo Collor pela então ministra da fazenda, Zélia Cardoso de Mello.

O Bitcoin e as cryptomoedas surgiram a partir de um grupo de pessoas que busca assegurar que isso nunca mais venha a acontecer outra vez, que nunca mais qualquer governo, Estado ou nação, sejam capazes de confiscar em massa o $$$ e a soberania individual das decisões financeiras de seus cidadãos, sobre o que fazer com ele.

O Bitcoin procura defender os valores democráticos e evitar que qualquer governo no futuro confisque sua propriedade, sua poupança, seus investimentos, seu dinheiro.  

Os ideais de liberdade, direito de propriedade e busca da felicidade de um país inteiro, não podem ser decididos por um pequeno número de pessoas.

Hoje já se pode guardar ouro físico nos EUA e a Zélia devolveu nosso dinheiro - depois de ficar com ele por 18 meses, deixado um rastro de perdas inflacionárias, sonhos destruídos, empresas quebradas e vidas partidas.

O Bitcoin é tão legal e atrativo porque é uma opção de reserva de valor, como o ouro, só que não pode ser censurado, não tem controle centralizado por ninguém, não tem fronteiras, você não precisa da permissão de ninguém para tê-lo, guardá-lo ou gastá-lo. É um dinheiro global, algo completamente diferente do dinheiro físico.

A história tem muitas lições interessantes a nos dar. Por tudo isso, celebramos o aniversário do Satoshi Nakomoto todo dia 05 de abril, desde 2010, quando o Bitcoin se apresentou ao mundo.

Para aqueles que torcem o nariz para inovações nos fundos de pensāo

Você já descartou uma ideia brilhante simplesmente porque não foi originada dentro da sua cabeça, sua equipe ou seu fundo de pensão?

Bem-vindo a síndrome do “Não foi Inventado Aqui” (NIA) 🎉. Um viés de comportamento fascinante que impede a inovação e impacta a colaboração.



Quer um exemplo? O Walkman da Sony. Transformou o modo de ouvirmos música dando muito mais mobilidade para a experiencia, com uso de fitas cassetes.

O walkman foi completamente ofuscado pelo iPod da Apple, em parte, porque a Sony optou por assegurar que ele não fosse compatível com o MP3, um formato que não foi a Sony que criou.

Algumas razões por trás da Síndrome do NIA:

  • Proteção do Ego: as pessoas sentem que adotar ideias de fora diminui seu valor e sua competência;
  • Aversão a Risco: tentar algo novo carrega riscos consigo e confiar em métodos familiares nos faz sentir mais seguros (muito comum em fundos de pensão);
  • Normas Culturais: Alguns fundos de pensão priorizam o desenvolvimento interno para manter controle e reforçar a cultura organizacional.

Como superá-las:

  • Fazer um esforço para desenvolver uma cultura na qual novas ideias, independente de onde venham, sejam bem-vindas e avaliadas com base no seu mérito, não na sua origem;
  • Colaborar com instâncias externas para alavancar a diversidade de perspectivas e de experiências (a luta por conselheiros profissionais nos fundos de pensão);
  • Mudar o foco do local de origem da ideia para seu potencial impacto e benefícios no fundo de pensão;

Encoraje o pensamento crítico dentro da sua equipe, questionando suposições fundamentadas no mindset do NIA

“A inovação não tem fronteiras – a não ser aquelas que criamos em nossa cabeça”.

Portanto, vamos abrir as portas e dar as boas-vindas para ideias frescas, dar o braço para as inovações da economia digital e fazer nossos fundos de pensão florescerem de maneiras que nunca imaginamos 😉!

Grande abraço,

Eder.


Fonte: Behavioral Economic Group, escrito por Oleh Matynenko | “Happy Birthday Satoshi! - April 5, 2024”, vídeo gravado por Bryce Paul


terça-feira, 2 de abril de 2024

PORTABILIDADE–AUTOMÁTICA: A DIFERENÇA ENTRE GENEROSIDADE E MEDO NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

 



De Sāo Paulo, SP.


Medo é autocentrado, focado em nós mesmos.

No dia a dia, nossos medos têm a ver conosco. O que vai acontecer se eu fizer essa apresentação, lançar esse projeto, ficar preso no trânsito, aparecer um jacaré ...?

Generosidade tem a ver com os outros. “Como posso ajudar”?

Pular na água para salvar alguém se afogando, impede que nos preocupemos sobre como nossa roupa vai ficar encharcada ou se a água está extremamente gelada.

Se o conselho do seu fundo de pensão estiver preocupado com o participante, ao invés de com a performance dos investimentos no ano, também fica mais fácil conduzir a gestão dos planos de previdência complementar.

Em novembro passado, o brasileiro Caio Castro Benicio de 43 anos, tornou-se herói em Dublin – Irlanda, ao impedir que um homem armado com uma faca matasse uma menina de cinco anos.

“Agi por impulso, parei, joguei a moto no chão e usando o capacete nocauteei o agressor”. Caio encontrou coragem e superou o medo para salvar, generosamente, uma criança.

É mais do que uma mudança de narrativa. É uma mudança de intenção.

Esse deveria ser o próximo passo da legislação!



As pessoas trocam de emprego, em média, cerca de 12 vezes ao longo da vida, permanecendo 4,3 anos em cada um (fonte: Bureau of Labor Statistics, dos EUA).

Está na hora de estancar a “sangria” que drena a poupança para aposentadoria quando o participante de um fundo de pensão muda de emprego.

Essa sangria acontece, principalmente, nos saldos de pequeno valor, acumulados em planos de contribuição definida (CD). Os mais afetados são, predominantemente, as minorias: trabalhadores de baixa renda, jovens, mulheres ...

A poupança voltada para a aposentadoria é perdida por vários motivos: (i) os participantes com saldos menores tendem a optar pelo resgate, usando o $$$ para outras finalidades; (ii) os saldos não reclamados (a maioria de pequeno valor) permanecem no plano até serem totalmente esgotados por dedução das taxas de administração; (iii) os saldos portados para planos individuais de mercado pagam maiores taxas de carregamento e gestão financeira, sugando a poupança previdenciária.

Em 2022 a Fidelity estimou que a cada ano, cerca de US$ 92 bilhões são drenados do sistema de previdência complementar americano, seja pelos resgates ou porque são consumidos pelas taxas de administração. Em Terras de Cabral, “no data, baby”.

Para interromper essa perda, a reforma da legislação americana de previdência complementar, feita dois anos atrás, estabeleceu a figura da portabilidade-automática nos planos CD e criou duas organizações para supervisionar o sistema de transferências.

A “Portability Services Network – PSN" (Rede de Serviços de Portabilidade) e a “Retirement Clearinghouse – RCH” (Câmara de Aposentadoria) foram criadas através de parcerias público-privadas.

Funcionam compartilhando dados e fornecendo capacitação para as transferências. São formadas por grupos representativos do setor. Os vídeos abaixo ajudam a entender melhor a PSN e a RCH (só disponíveis em inglês, sorry).





Por quê o governo brasileiro deveria correr para aprovar a portabilidade-automática e torná-la obrigatória em planos CD (funcionaria da mesma forma que a adesão automática, na qual os participantes podem optar por não aderir)?

Bem, primeiro porque beneficiaria as minorias, mas também porque alavancaria consideravelmente a poupança previdenciária do país, o que vai beneficiar a economia lá na frente. Correr: para nāo perdemos +10 anos, como ocorreu na adesāo automática. …

Nos próximos 40 anos, estima-se que os participantes dos fundos de pensão americanos trocarão de emprego 175,6 milhões de vezes. Segundo essas projeções, a portabilidade-automática deverá gerar um incremento liquido de US$ 2 Trilhões na poupança previdenciária dos americanos, contra um aumento de US$ 155 Bilhões sem a portabilidade-automática.

A portabilidade-automática assegura que os participantes permaneçam conectados com suas poupanças previdenciárias quando mudam de emprego e elimina o problema dos chamados “planos perdidos”.

Que inveja dos americanos! Quando eles mexem nas regras do sistema de previdência complementar deles, o foco não é dificultar a retirada de patrocinio, nem empurrrar os deficits com a barriga, mas sim aumentar de forma inteligente a poupança previdenciária das minorias e ao mesmo tempo, alavancar a poupança interna do país.

Quer um exemplo melhor de generosidade vencendo o medo?


Grande abraço,

Eder.


Fonte: “Generosity and fear”, escritos por Seth Godin | “DOL proposes new 401(k) 'auto-portability' regulations for job changers” e “No more 401(k) plan 'leakage': SECURE 2.0 auto-portability now in effect”, escritos por Scott Woodridge


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