segunda-feira, 13 de outubro de 2025

“DESCHATIZAR” OS FUNDOS DE PENSĀO NĀO TEM A VER COM DEIXÁ-LOS DIVERTIDOS, TEM A VER COM TORNA-LOS FUNCIONAIS.

 


De Sāo Paulo, SP.


Atuei durante toda minha carreira no segmento de previdência complementar. É um setor que carrega enorme responsabilidade. Os fundos de pensão existem para proteger as pessoas comuns de riscos, incertezas financeiras e da falta de renda nas idades mais avançadas.

Mas sejamos honestos, nas últimas décadas o setor se tornou chato, estagnou e começou a estolar. Toda conversa acaba nos mesmos temas – modelos complicados de gestão de riscos, regulamentação, sistemas legados, necessidade de educar financeiramente as pessoas.

O que vemos sāo mudanças incrementais e avanços pífios. O fim de uma era requer o começo de outra.

Os fundos de pensāo precisam ser reformulados. Nāo modernizados. Nāo adianta buscar novos públicos para os mesmos produtos. O que é preciso, fundamentalmente, é redefini-los.

Olhando de dentro para fora, enxergo ao menos três mudanças e soluções que dariam o primeiro passo em direção ao fundo de pensāo do futuro.

1. Orquestrador do ecossistema de previdência

Orquestração para fundos de pensão refere-se à coordenação estratégica, integração e automação dos diversos sistemas, fluxos de trabalho e fontes de dados envolvidos na gestão de um fundo. Trata-se de uma abordagem holística para a gestão de operações complexas, que incluem administração do relacionamento com participantes, investimentos, relatórios e conformidade regulatória.

A dinâmica de mercado vai moldar a nova era da previdência complementar corporativa e individual.

À medida que as carreiras se tornam cada vez mais fragmentadas — com atuação dos profissionais em inúmeras empresas diferentes — espera-se que os fundos de pensão ofereçam uma experiência unificada ao usuário.

Trata-se de uma mudança em relação à abordagem tradicional da previdência complementar, que resulta em contas de poupança espalhadas em inúmeros fundos de pensão e seguradoras diferentes, em vez de centralizadas em um lugar só.

Ter entidades e atendimento ao cliente separados por fundo de pensão e seguradora, torna quase impossível oferecer uma experiência verdadeiramente única ao poupador.

Dito isso, os clientes também esperam uma experiência personalizada para o seu perfil e necessidades. Eles querem produtos que se adaptem ao seu estilo de vida e desejam acessá-los quando e onde for mais conveniente.

As marcas de varejo e o e-commerce já têm estratégias bem estabelecidas, agora vemos cada vez mais fintechs e empresas de serviços financeiros adotando essa abordagem, buscando um produto, uma plataforma e uma experiência do cliente unificados.

Veja o exemplo da Revolut, fintech com sede em Londres que oferece serviços bancários atraves do mesmo aplicativo e a mesma experiência do usuário, esteja você no Brasil, na Inglaterra, na Espanha ou na Alemanha.

Ao invés de criarem uma colcha de retalhos de diferentes contas de poupança previdenciária — os fundos de pensāo (e as seguradoras) poderiam usar uma camada de orquestração para harmonizar a experiência do participante entre diferentes provedores.

A mudança impulsionada pelo mercado consumidor está forçando empresas e prestadores de serviço a oferecer experiências integradas e abrangentes, mas o setor de previdência complementar não acompanhou essa evolução.

Os pesos pesados ​​do setor de previdência complementar – fundos de pensāo e seguradoras – têm dificuldade em oferecer experiências unificadas por uma série de razões, que vão desde a burocracia interna até sistemas de gestāo fragmentados e falta de interconexão digital.

No passado era preciso ser proprietário, controlador de tudo. Ser dono dos dados, dono dos canais de distribuição, dono do conselho deliberativo.

O modelo moderno é o oposto disso: coordenação ganha de controle.

Será líder e sairá na frente o fundo de pensāo ou seguradora que entender como identificar, selecionar e alinhar os parceiros certos, ao invés de construir tudo dentro de casa. Estamos caminhando em direção a uma economia baseada em ecossistemas e a previdência complementar não é exceção.

Isso significa também desenvolver modelos de governança que consigam lidar com a complexidade, sem se tornarem gargalos. Dez Comitês da Diretoria e dezenas de aprovações para mudar a marca do café? Isso não funciona quando se trata de inovação e propostas modernas.

O futuro está acontecendo mais rápido do que imaginamos. A maioria dos fundos de pensão ainda pensa e funciona como um silo. Ser um orquestrador de ecossistemas significa mudar a maneira como você toma decisões, não apenas com quem você faz parceria.

Dá pra fazer? Nāo apenas dá, como já é feito.

O Scottish Widows que faz parte hoje do Lloyds Bank Group – foi fundado em 1815 para dar apoio financeiro para viúvas e outros membros femininos das famílias. Oferece produtos financeiros, seguros e previdência complementar.

Seu aplicativo de previdência complementar, desenhado em parceria com uma firma especializada em open finance (a MoneyHub) permite que as pessoas possam ver todas as suas finanças juntas em um só lugar, se assim o desejarem.

Ao contrário dos aplicativos comuns - que enviam a pessoa para outros sites, tornando a jornada do usuário mais difícil – o app do Scottish Widows permite que a pessoa enxergue seus saldos de previdência complementar mantidos em outros provedores, dando uma ideia muito melhor da posição de sua poupanca para a aposentadoria.

2. De planos de previdência reativos para proativos

Muito vem se falando sobre apoio ao participante na fase de recebimento do benefício, mas nenhuma mudança dramática aconteceu até o momento, na atuação dos fundos de pensão durante a fase de concessão dos benefícios.

Os fundos de pensão, historicamente, focaram no que acontece antes da aposentadoria. Somente agora começa a haver a perceção de que é necessário agir depois dela.

Essa mudança é lenta, mas a necessidade de se fazer algo urgentemente é visível, principalmente em planos CD.

Apoio na fase de recebimento da renda é muito mais do que enviar e-mails e disponibilizar PDFs com orientações e sugestões.

Suporte de verdade significa ajudar o aposentado com a gestão da sua renda, espichando o máximo possível o período de recebimento, não apenas indicando quando a renda vai terminar.

Por exemplo, integrando projeções da renda continuamente nos informativos ao participante, não apenas disponibilizando um simulador na data de concessão do benefício. Ou usando insights comportamentais para ajudar o participante a tomar a decisão correta, não na teoria.

Essa é uma guinada na forma como os fundos de pensāo operam, não apenas na maneira como eles se comunicam com o participante.

Demanda novas capacitações: dados e análise de riscos individualizados, ciência comportamental, desenho de UX (experiência do usuário) ... coisas que não são tipicamente encontradas nas diretorias de seguridade e investimentos, certo?

Credito de Imagem: Getty Images

Mas a abordagem se paga: aumenta a segurança financeira das pessoas, eleva a confiança do mercado nas soluções oferecidas pelos fundos de pensāo, forja relacionamentos de longo prazo com os participantes, acrescenta relevância num mundo em que as pessoas esperam mais do que apenas uma renda dos planos de previdência complementar.

3. As pessoas nāo querem planos de previdência, elas querem soluções

A preocupação mais recente do setor de fundos de pensão brasileiros fica evidente ao se analisar os temas dos últimos congressos da ABRAPP. Ela emerge no centro da nuvem de palavras com os temas dos 13 últimos congressos (2012 a 2025):

Mundo Novo para Todos

Testemunhei em inúmeros oportunidades, seminários, encontros e discussões, a vontade de se redesenhar a previdência complementar, alinhando-a com um mundo novo e fazendo caber nela todas as faixas de renda.

Apesar de ter conhecimento da gestão de riscos, dominar os investimentos, ter acesso a tecnologia e possuir profissionais experientes, o setor vem falhando nas várias tentativas.

Por que essa busca flopou até aqui? Porque há uma compreensāo errada sobre o que as pessoas querem. Assume-se que as pessoas têm tempo, disposição e paciência para mergulhar em risco de investimentos, projeções atuariais, fluxo de caixa ...

... quando a maioria delas foca em coisas inteiramente diferentes: permanecer competitiva no mercado de trabalho, pagar as contas hoje, criar os filhos. Pilotar planos de previdência complementar não é prioridade, é apenas mais uma tarefa da lista de coisas a fazer.

É uma questão de assimetria. As pessoas nāo estāo buscando planos de previdência complementar. Elas estāo recorrendo a eles por que buscam proteção, estabilidade e apoio nos momentos de stress e transição financeira.

Os fundos de pensāo respondem com a possibilidade do participante trocar o perfil de investimentos, escolher a forma de recebimento da renda, PDFs com relatórios anuais, alertas e aditivos no regulamento dos planos.

O que funcionaria? Uma previdência complementar que viesse embutida nas coisas que as pessoas já fazem: numa transação financeira, numa compra, no pagamento de um serviço – ex.: poupança feita diretamente com percentual dos gastos com cartões de débito, crédito e PIX.

As pessoas não querem um processo separado de contribuição, não querem ter que correr atrás de cobertura para riscos que mudam, ficar fazendo contas.

Elas querem opção de renda default na data da concessão do benefício, em função das características do participante, ajustes automáticos dos perfis de investimentos para preservar a renda na fase de concessão etc.

Desenhos e funcionamento de planos que pareçam óbvios, não inteligentes. Modelos de negócios que tornem as coisas mais fáceis, não mais complicadas. Simples assim.

Isso significa abandonar a ideia de que a poupança em planos de previdência complementar precisa ser uma “compra independente”.

Acredite, ninguém vai querer outro veículo de poupança para o futuro quando surgir um com uma solução completa para seus problemas. Um que aja como orquestrador dos serviços de segurança financeira e pense como os economistas comportamentais.

Os veículos de poupança de longo prazo que se apegarem aos modelos antigos de negócios, não falharão da noite para o dia. Eles perderão relevância lentamente.

O mundo se move rápido. Startups pequenas e inteligentes já estão mordendo a cadeia de valor da previdência complementar.

Planos de previdência complementar e fundos de pensāo não precisam ser chatos – as previsões acima mostram isso – e eu como “Deschatizador da Previdencia” estou aqui para não deixar que isso aconteça.

Resumindo e concluindo

A única maneira do setor sobreviver é se adaptando. O problema é que os fundos de pensāo podem não ser capazes de se ajustar com a rapidez necessária.

Seriam os fundos de pensāo capazes de - um dia - adotar essas e outras inovações e pivotar? Com certeza.

Conseguiriam fazer isso hoje? Provavelmente nāo!

Vivemos um momento crítico em que nativos digitais estāo encontrando veículos de investimento na cryptoeconomia, com baixa taxas de administração e alta rentabilidade, para gerar a poupança que lhes fornecerá segurança financeira no futuro.

Os grandes fundos de pensão não oferecem nem as inovações, nem a consolidação da poupança que os poupadores precisam, nem as soluções que eles adorariam. Isso gera complexidades, ineficiências e entrega uma experiência complexa e insatisfatória para o usuário final.

Em suma, não atendem as demandas que os novos poupadores têm.

Quem entrar em cena daqui a cinco ou dez anos atendendo essas demandas, poderá estar chegando tarde demais.


Grande abraço,

Eder.


Opiniões: Todas minhas | Fontes: “Three Predictions for the Insurance Industry”, escrito por Mirela Dimofte | “Embrace orchestration: the perfect time for insurers and brokers is now”, escrito por Quentin Colmant | “How digital innovation is changing pension engagement”, escrito por Matthew Bailey.


sábado, 11 de outubro de 2025

O PRINCIPIO DE HÉRCULES E OS FUNDOS DE PENSĀO


De Sāo Paulo, SP.


👉 Uma antiga fábula conta que um fazendeio viajava com sua carroça por uma estrada de terra e de repente, uma chuva forte começou a cair.

👉 Quando o temporal finalmente terminou, a estrada havia se transformado em um lamaçal dificil de atravessar.

👉 O fazendeiro foi fazendo seus cavalos avançarem com muito esforço, enquanto eles lutavam para arrastar a pesada carroça pela lama. Entāo, uma das rodas afundou num buraco e ficou completamente presa, atolada.

👉 O fazendeiro desceu da carroça, olhou para a roda e amaldiçou sua má sorte, reclamando para si mesmo do atraso. Olhou para o céu e pediu que Hércules viesse em sua ajuda.

👉 Hércules apareceu, mas ao invés de desatolar a carroça, disse para o fazendeiro: ✅ “Levante a roda com o ombro e toque os cavalos. Você acha que vai conseguir mover a carroça só olhando para ela?”

👉 O fazendeiro fez conforme orientado e com grande esforço a roda se soltou, fazendo a carroça dar um pulo e andar bruscamente para a frente. O fazendeiro subiu na carroça, sentou no banco e continuou sua viagem.

👉 O "Principio de Hércules" nos mostra que a força suprema para resolver os problemas reside em nós mesmos.

👉 Aplicando-o aos fundos de pensāo, fica claro que ninguém virá em sua ajuda. Ninguém resolverá seus problemas. Ninguém mudará a mentalidade atual. Ninguém entregará a soluçāo magica que precisam, nem apontará o caminho da sobrevivência.

👉 Sair do buraco em que estāo depende dos fundos de pensāo. Só deles. Apenas deles.

👉 Acreditar no contrário é fazer um grande desserviço ao setor, aos participantes atuais e a economia do país. É abrir mão do arbítrio, ceder, esperar por resgate, amaldiçoar a sorte, presumir que os outros virāo resolver seus problemas. É ser a vítima.

👉 O "Principio de Hercules" é um lembrete de que você é que está no comando. Nāo adianta os conselhos deliberativos olharem para o céu, eles devem olhar é para dentro.

👉 Quem vai soltar a roda é você, nāo tire as māos dela.


Grande abraço,

Eder.

Fonte: The Hercules Principle, Sahil Bloom

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

@GOVERNADOR TARCISIO, EU AQUI DE NOVO: QUE TAL FAZER DO SPPREV o CONSOLIDADOR OFICIAL DOS SALDOS DE PLANOS CD DEIXADOS PARA TRAS COM PEQUENO VALOR?

 


De Sāo Paulo, SP.


Excelentíssimo Sr. Governador Tarcísio de Freitas,

Permita uma nova contribuição ao debate previdenciário, visando proteção financeira futura dos trabalhadores do Estado de São Paulo:

Proponho que o SPPREV - São Paulo Previdência assuma o papel de fundo consolidador para os saldos residuais de planos de contribuição definida (panos CD) deixados para trás com pequeno valor, quando trabalhadores da iniciativa privada do Estado, mudam de emprego.

A ideia é que os saldos pouco expressivos — frequentemente dispersos, subutilizados, que acabam sendo consumidos por despesas administrativas — sejam automaticamente agrupados dentro de um mecanismo de consolidação estatal dentro do escopo do RPPS paulista (via SPPREV), garantindo que eles não se percam nem “definhem” em fundos de pensāo com elevada diluição de custos.

Segue a justificativa com maior profundidade, fazendo um paralelo com a experiencia internacional, os riscos que precisam ser tratados no Brasil e as modificações regulatórias necessárias para viabilizar isso.


O fenômeno dos “saldos de pequeno valor”

Credito de Imagem: www.n2english.net/


No Reino Unido — que hoje é uma referência nos avanços da previdência complementar — a consolidação dos chamados “small pots”, ou seja, os saldos de conta de previdência complementar com valores pequenos, emergiu como um problema crescente: milhões de contas de previdência complementar em planos CD muitos com valores baixos, que não estão ativos, mas continuam “pendurados” no sistema, são consumidos pelos custos e vão sumindo do mapa com pagamento de despesas administrativa, em prejuízo da poupança de aposentadoria dos indivíduos.

Um relatório recente do Pensions Data Project identificou que mais de 2 milhões de “small pots” poderiam ser automaticamente consolidados, propondo que isso seja feito por fundos de pensão consolidadores (“default consolidators”). Se essa política for aprovada na Terra da Sua Majestade, essa consolidação tenderia a elevar os saldos médios dessas contas de planos CD em mais de 25 %, reduzindo o número de contas pequenas e aumentando a eficiência do sistema de poupança para o futuro.

O modelo britânico propõe que os fundos de pensāo transfiram automaticamente (como prática padrão / default), os saldos inferiores a certo patamar - por exemplo, £$1.000, cerca de R$ 7.000 - para fundos de pensão consolidadores, autorizados pelo governo, com opção do participante para que isso não seja feito, o chamado “opt-out”, o famoso “pede pra sair”.

A proposta britânica prevê a criação de uma infraestrutura de dados, uma espécie de cadastro central, chamada de “Small Pots Data Platform”, que faria o “encontro de dados”, verificação de identidades e coordenação da transferência entre esquemas cedentes e receptores.

Tudo isso permitirá que recursos pouco expressivos deixem de ser consumidos em burocracias ou taxas de administração e que os participantes vejam o fruto de suas contribuições de poupança para a aposentadoria, consolidados em menos contas, ao invés de ficarem dispersos e perdidos em inúmeros fundos de pensão diferentes.

Artigos britânicos de política pública ressaltam que o status quo — com muitas pequenas contas “órfãs” ou “inativas” — não é uma pratica sustentável. Propõem, assim, a consolidação automática de saldos ate determinado valor.

Esse exemplo britânico sugere que uma abordagem similar no Brasil — adaptada às nossas especificidades — poderia ser viável e altamente benéfica para os trabalhadores, principalmente os de renda mais baixa.


Na Terra do Tio Sam também há fragmentação


Credito de Imagem: iStock


Nos Estados Unidos, o fenômeno de contas de aposentadoria dispersas e perdidas é bem documentado. Trabalhadores que mudam de emprego frequentemente deixam para trás contas com saldos pequenos em planos 401(k), os planos CD dos americanos, em fundos de pensão de que participavam anteriormente. Essas contas “abutres” (small-balance accounts) geram custos de manutenção desproporcionais em relação ao saldo. Na maioria dos casos, acabam consumidas prematuramente em função do abandonado ou esquecimento.

Alguns estudos acadêmicos e do governo nos EUA já debatem a criação de consolidadores “auto-default” ou mecanismos de “rollover automático” (transferência automática) para evitar que contas pequenas se percam no sistema, bem como incentivos para consolidar contas de aposentadoria antigas em contas mais eficientes, como IRAs (contas de previdência complementar individuais).

Ou seja: o problema da fragmentação de saldos “pequenos” não é exclusivamente britânico ou europeu — é estrutural em sistemas de previdência complementar na era da troca constante de emprego e participação em múltiplos planos de previdência complementar corporativos.


Brasil: saldos devorados por taxas de administração


Credito de Imagem: www.oglobo.com.br


No Brasil, especialmente no segmento de entidades fechadas de previdência complementar, constatamos um grave problema: muitos participantes migraram entre regimes (RGPS, RPPS e EFPC, fundos de pensão), e deixaram seus planos CD com saldos pequenos, que acabam sendo consumidos pelas taxas de gestão — até zerarem.

Em textos anteriores como nos artigos Em defesa da consolidação automática e Usar saldos não reclamados de planos CD para Pagar Despesas é Correto?), venho chamando atenção para:

  • Parte significativa dos saldos de planos CD de baixo valor tende a desaparecer antes mesmo de ser aproveitada como renda de aposentadoria da previdência complementar, em razão da cobrança de taxas de administração.

  • Há uma ineficiência sistêmica nesse processo, pois os fundos absorvem esses saldos sob rubricas contábeis ou taxas internas, geralmente prejudicando participantes de menor renda, para quem cada real importa mais.

  • A consolidação dos saldos “não reclamados” em fundos de pensāo consolidadores, poderia dar visibilidade para os trabalhadores sobre seus recursos e reduzir a perda para os participantes menos favorecidos.

Esse fenômeno atinge especialmente aqueles com contribuições menores e os profissionais em início de carreira, que não acumulam grandes saldos nos planos de previdência complementar.

Se não houver intervenção dos governos, continuará haver uma espécie de “taxa oculta de diluição da poupança previdenciária” que penaliza justamente quem tem menos poder de mobilidade social e vigilância.


Proposta: o SPPREV como consolidador estadual


Credito de Imagem: www.aojesp.org.br


A sugestão que faço aqui é para o Estado de São Paulo, por meio de seu regime de previdência dos servidores (via SPPREV), assuma o papel de fundo consolidador automático dos saldos de pequeno valor dos planos CD. A estrutura seria algo como:

  1. Elegibilidade: definir um patamar máximo (por exemplo, até R$ “X” mil) para que o saldo residual de um plano CD seja elegível para consolidação. Aqueles com saldos acima permanecem sob o controle do fundo de pensão original, podendo optar pela migração, nesse caso, voluntária.

  2. Transferência | Portabilidade automática: aplicar mecanismo de portabilidade automática para o SPPREV, dos saldos elegíveis, com processo administrativo padronizado e transparente.

  3. Opção de escolha / opt-out: permitir que o participante manifeste preferência por outro fundo de pensão para consolidar sua poupança ou permaneça no plano administrado pelo fundo de pensão original, desde que isso não inviabilize a consolidação.

  4. Infraestrutura digital: construir ou adaptar uma plataforma de integração de dados entre planos cedentes e o SPPREV, realizando “encontro de dados” e verificações de identidade, similar ao modelo britânico de Small Pots Data Platform.

  5. Governança e supervisão: definir critérios de autorização para que os planos cedentes possam participar, estabelecer supervisão estadual (e eventualmente federal), padronizações de transferências e penalidades por falhas.

  6. Captação e alocação: garantir que os recursos consolidados sejam investidos sob estratégia adequada, com custos mais baixos e escala, beneficiando o participante.

  7. Transparência e acompanhamento: dashboards específicos para que o participante veja todos os seus saldos consolidados e acompanhe o rendimento agregado.

Com isso, o SPPREV passaria a absorver e gerenciar eficientemente recursos dispersos, agregando escala, evitando perdas administrativas pelo participante e garantindo que pequenos saldos não se percam — um serviço que, em muitos casos, será vital no futuro para os trabalhadores.


Questões regulatórias: o que mudar ou adaptar

Para viabilizar essa proposta serão necessárias alterações legislativas/regulatórias, tanto no âmbito federal quanto estadual. Abaixo alguns pontos a considerar:

Na esfera federal: Leis Complementares 108/2001 e 109/2001

  • A Lei Complementar 108/2001 estabelece normas de relacionamento entre entes públicos e entidades fechadas de previdência complementar.

  • A Lei Complementar 109/2001 regula o regime de previdência complementar, definindo modelos de planos, regras e obrigações.

Para permitir a consolidação automática dos saldos de pequeno valor sob regime público estadual, talvez seja necessário inserir dispositivos que:

  1. Autorize expressamente a migração, transferência ou portabilidade de saldos de planos CD para um consolidador público estadual, com regras especiais de consentimento ou presunção de adesão para pequenos saldos.

  2. Estabeleça diretrizes nacionais minimamente uniformes para consolidação automática, evitando grande heterogeneidade entre Estados.

  3. Crie autorização para que entidades fechadas de previdência complementar públicas ou privadas possam atuar como consolidadores padrão, sob regime de autorização da Previc ou órgão equivalente.

  4. Normatize obrigações de padronização de dados, interoperabilidade e transferência entre planos cedentes e consolidadores.

  5. Estabeleça limites de responsabilidade, penalidades e garantias para que participantes não sejam prejudicados em erro de migração.

Pode haver necessidade de lei complementar federal específica ou alteração expressa nas LC 108 e 109 para inserir esse tipo de consolidação automática no arcabouço legal.

Na esfera estadual de São Paulo

  • A SPPREV foi criada pela Lei Complementar estadual 1.010/2007 (Lei Complementar 1.010/07, que institui a SPPREV como entidade gestora do RPPS estadual).

  • O Estado também instituiu regime de previdência complementar estadual por meio da Lei 14.653/2011.

Para habilitar a consolidação via SPPREV, pode ser necessário:

  1. Lei complementar estadual autorizando expressamente que a SPPREV funcione como consolidador dos saldos de planos CD com pequeno valor (pleno poder para receber, gerir e redistribuir).

  2. Ajustes no estatuto da SPPREV para incluir função de consolidador, definir requisitos de governança, alçadas e limites de atuação.

  3. Regulamentação estadual que estipule os patamares, critérios de elegibilidade, processos de migração e comunicação aos participantes.

  4. Ajustes orçamentários e de custeio inicial para suportar infraestrutura digital, transferência de dados e custos de transição.

Ainda, pode-se prever convênios com municípios ou autarquias estaduais para estender esse mecanismo de consolidação além do âmbito estritamente do estado de São Paulo.


Benefícios para o governo estadual

  • Eficiência econômica: ao consolidar pequenos saldos dispersos, o Estado pode internalizar a gestão com menor custo unitário e economias de escala.

  • Proteção social: evitar que empregados com menor renda percam suas poupanças acumuladas, hoje consumidas por taxas e burocracia.

  • Modernização institucional: o SPPREV ampliaria seu papel e relevância, tornando-se um instrumento de política previdenciária estadual mais amplo e sofisticado.

  • Atratividade política: uma iniciativa pioneira nessa linha poderia servir como modelo nacional e render visibilidade política ao governo estadual.

  • Risco contido: ao limitar àqueles saldos de pequeno valor e manter mecanismos de opt-out, os riscos de portabilidade errada são mitigados.


Críticas potenciais e como enfrentá-las

  • Risco de transferência para consolidadores ineficientes: mitigado com critérios rigorosos de autorização e supervisão estadual/federal.

  • Reações dos fundos de pensão originais: planos cedentes podem resistir à perda de patrimônio. Isso requer regra clara de transferência.

  • Custos de transição: implantação de infraestrutura tecnológica e adaptação podem exigir financiamento inicial, que pode ser previsto no orçamento ou via parcerias.

  • Complexidade regulatória: exigirá coordenação entre esfera federal e estadual, e envolverá ajustes legais.

Mas esses desafios são menores em comparação com o custo invisível de deixar que muitos saldos sejam gradualmente consumidos por estruturas administrativas.


Se o senhor Governador aceitasse abrir diálogo com a equipe técnica da SPPREV, da Procuradoria-Geral do Estado e com especialistas em previdência, poderíamos desenhar um projeto piloto que consolide saldos até determinado limite (por exemplo, até R$ 5.000 ou R$ 10.000) e testar internamente antes de escalar.

Esse piloto permitiria mensurar impactos operacionais, custos, adesão e riscos, para então expandir.

Estou à disposição, Sr. Governador, para colaborar nesse desenho — alinhando interesses financeiros, técnicos e sociais para que o Estado de São Paulo lidere uma inovação previdenciária de impacto nacional.

Grande abraço,

Eder


Opiniões: Todas minhas | Fontes: “Evidence builds for default consolidators as small pot concerns grow”, escrito por Sophie Smoth.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor e informações das fontes citadas.


AI ACADEMY - PROMPTS INTERESSANTES

 


De Sāo Paulo, SP.


1️⃣ Abra o Gemini e selecione NanoBanana como modelo de IA
2️⃣ Faça upload de uma foto sua
3️⃣ Use o pompt abaixo e pressione "Enter"
4️⃣ Aprimore o resultado se necessario

✅ Prompt em ingles (foi esse que usei): Using the attached picture as an exact reference, generate a high-resolution professional headshot that preserves 100% of my facial features, including face shape, hair, skin, tone, and expression. Apply studio quality lighting and a soft neutral background, and adjust my attire to formal professional wear, ensuring the image exudes confidence and approachability.

✅ Prompt em portugues: Usando a imagem anexa como referência exata, crie uma foto profissional de alta resolução que preserve 100% das minhas características faciais, incluindo formato do rosto, cabelo, pele, tom e expressão. Aplique iluminação com qualidade de estúdio e um fundo neutro suave, e ajuste meu traje para um traje profissional formal, garantindo que a imagem transmita confiança e acessibilidad

👉 O resultado foi para meu perfil no LinkedIn. Esse é um momento incrivel da historia para estar por aqui.

Grande abraço,

Eder.

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