segunda-feira, 10 de outubro de 2022

TE CONTEI? O QUE O “QUASI COLAPSO” DOS FUNDOS DE PENSÃO DO REINO UNIDO PODE ENSINAR AO SETOR DE FUNDOS DE PENSÃO BRASILEIRO




De São Paulo, SP.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: No dia 23/Set passado os preços dos títulos públicos entraram em colapso no Reino Unido, quando as taxas de juros dispararam e a libra esterlina desvalorizou 4% frente ao dólar, depois que o governo anunciou seu mini orçamento com aumento de gastos frente a uma inflação galopante. A deterioração do risco país ficou claro na abertura dos mercados em 25/Set, com a continuada queda da libra. Dia 26/Set as taxas dos títulos de 30 anos aumentaram 50bp, deixando-as 80bp maior do que antes do anuncio do orçamento, feito dois antes, num claro sinal de que a credibilidade do país honrar seus compromissos estava caindo vertiginosamente.


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Naqueles dias o BoE – Bank of England, Banco Central Inglês, começou a receber sinais da deterioração da liquidez e da severidade do impacto da forte alta dos juros sobre os Fundos LDI. Nota: Liability-Driven Investments são fundos de investimentos usados na estratégia de ALM de planos BD. Foram vendidos mais de £$50bn em títulos de longo prazo num curto período de tempo, em busca de liquidez, face a uma média de negociação diária de £$12bn nos dias anteriores. O BoE foi avisado por inúmeros gestores que, prevalecendo taxas tão elevadas, muitos fundos LDI atingiriam patrimônio líquido negativo em poucos dias, levando a sua iminente liquidação, o que inundaria o mercado com a venda de altos volumes de títulos num círculo vicioso, criando uma espiral que levaria caos aos mercados financeiros. Percebendo o problema e para salvas os fundos de pensão, os bancos ingleses e a economia global de uma quebradeira em massa, já que os próprios bancos estavam expostos pois tinham como garantia colateral dos Fundos LDI exatamente esses mesmos títulos públicos, o BoE entrou comprando títulos de longo prazo no dia 28/set reduzindo 100bp nas taxas dos títulos de 30 anos naquele dia. Isso colocou uma pausa no problema.


CONCLUSÃO: 

O pico dos juros num curto espaço de tempo desencadeou o colapso no valor dos ativos líquidos dos fundos LDI, aumentando significativamente sua alavancagem. Essa queda no valor liquido dos ativos foi refletida na chamada de margem forçando os Fundos LDI, em busca de um rebalanceamento e da desalavancagem, a: (i) venderem os títulos num momento de queda do seu valor e num mercado ilíquido (muitos tentaram, mas não conseguiram); ou (ii) chamarem os planos BD a injetarem mais capital nesses fundos que em muitos casos estariam valendo zero. A intervenção do Banco Central Inglês e demais autoridades de supervisão foi feita na esperança de que os fundos de pensão e seus Fundos LDI adotem as medidas necessárias para assegurar que estejam melhor preparados para um stress semelhante no futuro, num mercado altamente volátil. O vídeo acima tem uma boa explicação sobre o que aconteceu. O que isso tem a ver com o Brasil? Bem, o patrimônio dos fundos de pensão brasileiros é formado por +70% de títulos públicos. A sabedoria nunca está nos extremos ....


Grande abraço,

Eder.

 

 

Fonte: Some LDI investments ‘worth zero’ without BoEintervention, escrito por Alex Janiaud

 

 



sexta-feira, 7 de outubro de 2022

TE CONTEI? OS CONSELHOS PRECISAM AGIR AGORA PARA SALVAR O SETOR DE FUNDOS DE PENSÃO, QUE PODE TER UNS 10 ANOS PARA SE ADAPTAR OU DESAPARECER



 

De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO:

Os fundos de pensão estão enfrentando desafios sem precedentes ao redor do mundo e terão que tomar as maiores decisões estratégicas de toda sua história, enquanto preenchem seus conselhos deliberativos com os conhecimentos e as capacitações corretas. O segmento pode ter apenas cerca de 10 anos para mudar ou enfrentar seu desaparecimento. Com todas as forças e pressões interagindo, se não mudarmos, o pior cenário será o sumiço dos fundos de pensão com os planos corporativos migrando para alguma outra solução, outros tipos de gestão, outras plataformas de investimentos, seja na Austrália, Brasil, EUA ou Reino Unido.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

Enfrentando ventos de proa representados pelo futuro do trabalho, ventos de través soprados pelas enormes transformações demográficas, ventos de todas as direções vindos da economia digital, o setor está encrencado. Há questões estruturais a serem resolvidas. Estas vão demandar investimentos razoáveis, isso inclui uma mudança completa nas plataformas e sistemas de tecnologia usadas hoje, para permitir a individualização das soluções, a redução dos custos de administração e investimentos alinhados com uma economia em transição para o carbono zero. Também existem questões técnicas, como o desenvolvimento de novos modelos de plano, com regras e abordagens diferentes de tudo que está por aí. Tem havido pouco ou nenhum movimento nessa direção. A escala para justificar um fundo de pensão significa termos “marcas” fortes, grandes organizações o que requer a formação de alianças para se ter alguma esperança de resolver os problemas. Ao contrário do horizonte de tempo com que trabalham os fundos de pensão, todos esses movimentos precisam ser feitos logo.

 

CONCLUSÃO:

Há grandes decisões estratégica que os conselhos precisam tomar para assegurar que seus fundos de pensão tenham um futuro. Seja trazendo conselheiros profissionais independentes, consultorias externas ou estudando, é importante que os conselheiros tenham uma opinião abrangente do que pensam estar a caminho e coletivamente tenham uma visão de como responderão. Os conselhos precisam levantar o olhar para além do horizonte, ver a direção para onde o setor caminha. Se quiserem saber onde os fundos estarão nos próximos 10 anos, precisam prever, imaginar, como será o mercado, como serão os consumidores e como isso se alinha com suas estratégias atuais. O que acontecerá com os fundos de pensão daqui a 10 anos, será uma consequência das decisões que tomarem hoje! Quanto tempo eles têm?


Grande abraço,

Eder.

 


Fonte: “Boards advised to ‘act now to save auto sector”, escrito por Gavin Hinks. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

TE CONTEI? PAUL AKERS AUTOR DE “2-SECOND LEAN” FALA EM ‘CONSERTAR O QUE TE INCOMODA’, TEMOS UMA OPORTUNIDADE DE FAZER EXATAMENTE ISSO COM OS EXTRATOS DOS FUNDOS DE PENSÃO

 





 

De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO:

 “Lean” é uma filosofia originada no sistema Toyota de produção que surgiu num cenário de crise no pós-guerra quando era necessário ter autodisciplina e economia de recursos para garantir a sobrevivência dos negócios. Lean Thinking pode ser traduzido como “Pensamento Enxuto”. Somente após entender o que é esperado pelo cliente, é possível focar em quais ações internas que ajudam na formação do valor e, então, identificar quais são os desperdícios durante seu processamento.

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

A forma como a informação é apresentada visualmente pode ter um grande impacto na experiência do consumidor | participante de um fundo de pensão. A figura acima mostra como as informações de um simples cartão de embarque aéreo podem ser melhoradas.

CONCLUSÃO:

Que tal melhorarmos o extrato enviado periodicamente pelos fundos de pensão para seus participantes?


Grande abraço,

Eder.



Fonte: Jason Premo - LinkedIn


terça-feira, 4 de outubro de 2022

TE CONTEI? “AUF WIEDERSEHEN” (TCHAU QUERIDOS) CREDIT SUISSE E DEUTSCHE BANK. MAS E SE ESSES DOIS TRADFI FOSSEM CRYPTOBANKS?




De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

O Credit Suisse vem perdendo dinheiro por três trimestres seguidos enquanto a galera de Wall Street dá lucro. Suas ações estão em queda (+40%) desde o começo do ano porque fez apostas ruins, emprestou $ 5,5 BI para Archegos Capital Management, um family office que quebrou e teve outros bilhões de francos suíços congelados em operações com a firma de serviços financeiros Greensill Capital. Sem falar na dívida de $4,1 BI que tem com o Deutsche Bank. Temos um Lehman Brothers 2.0 a vista, só que com esteroides! O Lehman tinha ativos de US$ 600 BI quando submergiu em 2008, o Credit Suisse e o Deutsche têm 4,6 vezes mais, tem US$ 2.800 BI.

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O histórico do Credit Suisse inclui espionagem, lavagem de $$$, fraude fiscal, manipulação de cambio, financiamento do oleoduto Keystone e outros destruidores do clima, ligação com oligarcas Russos etc. O CEO do Credit Suisse – Ullrich Koerner – emitiu um memo interno na sexta-feira passada, declarando que o banco está num momento crítico, mas tudo vai ficar bem. Só sabemos disso porque o memo vazou para a imprensa, mas teremos que esperar os relatórios trimestrais para saber como esse imbróglio vai se desenrolar. Isso contrasta com os projetos de DeFi, porque no novo sistema financeiro descentralizado podemos saber tudo em tempo real. Se o Credit Suisse rodasse no blockchain, teríamos acesso ao seu balanço, a qualidade de seus ativos, ao nível de cobertura do seu capital, todo dia, todo momento, a todo instante.  

CONCLUSÃO: 

Talvez as autoridades não deixem os dois bancos quebrarem contaminando o sistema financeiro global e os coloquem sob intervenção antes disso, conforme aprenderam com a crise de 2008. Mas uma coisa é certa, o atual sistema é pouco transparente, não produz informações públicas em tempo real e está a anos luz das inovações da economia digital, a cryptoeconomia. Lembre-se disso na próxima vez que alguém criticar o novo sistema financeiro descentralizado que vem surgindo ....


Grande abraço,

Eder.

 

 

 

 



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