quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

A TEORIA DO CAVALO MORTO: UM ALERTA PARA OS FUNDOS DE PENSÃO QUE PRETENDEM SOBREVIVER AO FUTURO DO TRABALHO E DA POUPANÇA

 


De São Paulo,SP.


A “Teoria do Cavalo Morto” é uma lição ancestral na cultura indígena americana do estado de Dakota, passada de uma geração para outra, que diz:


“Quando você descobre que está cavalgando um cavalo morto, a melhor coisa que você tem a fazer é desmontá-lo”

 

No mundo corporativo, no entanto, quando isso acontece, frequentemente buscam-se estratégias elaboradas para lidar com o problema, tipo:


  • Compra-se um chicote mais forte
  • Troca-se o cavaleiro
  • Cria-se um grupo de trabalho para estudar o assunto
  • Buscam-se outros países p/ ver como outras culturas cavalgam cavalos mortos
  • Reduzem-se os padrões para poder incluir cavalos mortos
  • Reclassificam-se cavalos mortos para cavalos vivos com invalidez
  • Contratam-se terceirizados para cavalgar o cavalo morto
  • Reúnem-se vários cavalos mortos para aumentar sua velocidade
  • Coloca-se mais recursos e/ou treinamento para aumentar a performance do cavalo morto
  • Faz-se um estudo de produtividade para verificar se cavaleiros mais leves podem melhorar a performance do cavalo morto
  • Decide-se que o cavalo morto não precisa ser alimentado, é mais barato e não acrescenta head-count, portanto, contribui substancialmente para economias do que outros cavalos
  • Redefine-se a performance esperada para todos os cavalos e claro ....
  • Promove-se o cavalo morto para uma posição gerencial



  • No contexto dos negócios um 
    cavalo morto pode ser um projeto, uma estratégia ou um empreendimento que deixou de ser viável, não importa quanto esforço ou recurso adicional você coloque nele.


Isso pode acontecer devido a mudanças nas condições do mercado, na competição, no contexto econômico ou simplesmente a má execução da iniciativa.


Independentemente da causa, o resultado é sempre o mesmo: você está colocando tempo e dinheiro em algo cuja probabilidade de sucesso é tão reduzida, que não vale a pena prosseguir.


Teoria do Cavalo Morto ajuda a enxergar exatamente as situações em que isso acontece, quando você deve continuar insistindo em um projeto que está fracassando e quando você deve abandona-lo e interromper as perdas.

Em suma, nos ajuda a aprender e identificar os cavalos mortos.


Empresas que tentaram cavalgar um cavalo morto


Uma empresa que foi vítima da Teoria do Cavalo Morto foi a Kodak, que dominava o mercado de filmes fotográficos e falhou em se adaptar as mudanças na tecnologia, não conseguindo pivotar com a chegada da fotografia digital.


A Kodak continuou a despejar milhões de $$$ no negócio de filmes, mesmo quando ficou claro que o mercado estava se afastando da fotografia tradicional. Quando reconheceu a transformação e tentou mudar já era tarde demais, a empresa faliu em 2012.


Outro exemplo clássico estudado nos cursos de MBA é o caso da Blockbuster, a gigante de aluguel de fitas de vídeo cassete. A Blockbuster foi lenta demais em se adaptar ao crescente mercado de serviços de streaming e locação de filmes online.


A Blockbuster continuou investindo na megaestrutura de lojas físicas, mesmo quando os consumidores passaram a se afastar das mídias físicas no mercado de música e filmes. A incapacidade em reconhecer a mudança no mercado e pivotar para um novo modelo de negócios acabou levando ao seu desaparecimento.


Nem sempre um cavalo morto significa a falência completa de uma empresa. Uma unidade de negócios, uma linha de produtos (um tipo de plano de previdência complementar, como foi o caso dos BD) ou um investimento que estejam sangrando $$$ e recursos, também pode ser um cavalo morto.




Veja o caso da unidade mundial de soluções digitais da Amazon, que inclui desde os autofalantes inteligentes com tecnologia de voz, como Alexa e Echo, até o serviço de streaming Prime Video. De acordo com a Business Insider, essa unidade da Amazon teve prejuízos de US$ 3 bilhões no 1º trimestre de 2022


Por mais de uma decada a Amazon vem tetando tornar a Alexa e o Echo o próximo meio de compras digitais. Comercializaram esses dispositivos pelo preço de custo planejando obter lucro quando as pessoas os usassem para comprar pela Amazon.


Há apenas um problema – quase ninguém usa os dispositivos para isso. Em novembro passado a Amazon demitiu um contingente significativo de empregados que trabalhavam com a Alexa e o Echo, o que pode ser um indício - ainda não admitido – de que estejam cavalgando um cavalo morto ...


No segmento dos fundos de pensão, acabamos de ter um exemplo de player que estava cavalgando um cavalo morto, mas percebeu e apeou dele. A PrevChevron, que contava com apenas 115 participantes ativos, 61 assistidos e um patrimônio de módicos R$ 74 milhões, foi incorporada pela TexPrev agora em janeiro de 2023.


Como evitar um cavalo morto


Mesmo as empresas mais bem sucedidas podem ser vítimas da Teoria do Cavalo Morto e sinceramente, esse é um problema bem comum no mundo dos negócios.


A única forma de evitar isso é estar constantemente experimentando. Mini experimentos ajudam a calibrar a bussola e identificar em quais tendencias vale a pena investir, quais devem ser ignoradas e quais projetos devem ser abandonados antes que engulam o resto do seu negócio.


Plano família? Implante um. Deu certo? Prossiga. Deu errado? Descontinue.


Ao dar autonomia para a gestão experimentar – com algumas diretrizes a serem seguidas – o conselho deliberativo de um fundo de pensão vai testar dezenas de mini experimentos a cada ano e ao testar novos caminhos o tempo todo, estará a frente das tendencias ao invés de terminar atrás delas.


Fundos de pensão e a Teoria do Cavalo Morto


Apesar de alguns fundos de pensão não terem sequer começado a se mover em busca de um novo modelo de negócios, mesmo diante dos sinais evidentes de que estão cavalgando (i.e., atual modelo de negócios) um cavalo morto, muitos outros fundos já acordaram para o problema.


Dentre os que acordaram, há aqueles que estão adotando uma ou mais das estratégias listadas nos bulets acima, que serão incapazes de levá-los a algum lugar, a qualquer lugar.


Mas existem uns poucos que estão no caminho certo. Não obstante, estar com a proa na direção certa é necessário, mas pode ser insuficiente caso a velocidade das mudanças não seja rápida o bastante.


Teoria do Cavalo Morte nos lembra a importância de os conselhos deliberativos dos fundos de pensão serem proativos em reconhecer quando um projeto, uma estratégia, um tipo de plano ou uma ação, não são mais viáveis, de estarem cientes das mudanças nas condições do mercado de previdência complementar, de estarem abertos a mudar sua visão sobre o futuro, de evitar cair na mesma armadilha que caíram tantas outras empresas e negócios antes deles.


Teoria do Cavalo Morto tem a ver com a relação problemática entre uma organização e as pessoas que a tornam o que ela é, mais precisamente, com as tensões entre a complexidade das medidas necessárias para assegurar seu futuro e a simplicidade das ações individuais.


Quando as responsabilidades não estão claras, falta competência e não há liderança, uma organização pode ser presa fácil de uma forma paralisante de cegueira coletiva. Nesse ambiente, a verdade pode se tornar disruptiva na medida em que ela ameaça a suposta integridade da organização ou de seus players institucionais.


O problema é que a realidade, eventualmente, vai alcançá-los, sejam essas organizações empresas de capital aberto, sejam fundos de pensão.


Grande abraço,

Eder.


Fonte: The Dead Horse Theory: A Cautionary Tale for Entrepreneurs, Mission Daily. 


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

O que um chef de restaurante pode ensinar aos fundos de pensão sobre mudanças

 


De São Paulo, SP.


No início de cada ano costumo fazer algumas previsões para o segmento de previdência complementar e no final do ano analiso o percentual de acerto.


Se ao invés das previsões eu tivesse que dar um conselho, só um, para os fundos de pensão em 2023, esse conselho seria:

Para continuar, vocês precisam mudar.

René Redzepi é provavelmente o chef mais famoso do mundo. Seu restaurante Noma, em Copenhagen – Dinamarca, ocupa desde 2012 o topo de todas as críticas gastronômicas e aparece nos primeiros lugares nos guias e websites da boa cozinha.


Um filme de 2016, intitulado “Ant on a Shrimp“, presta uma homenagem à criatividade e incansável exploração de novidades culinárias por René e sua equipe.


O filme acompanha o chef e sua brigada de auxiliares ao fecharem seu restaurante por seis meses e se mudarem para Tokio, onde reinventam um novo menu a partir do zero.

René decidiu chacoalhar seu restaurante, desafiando a complacência que caracteriza qualquer negócio estabelecido há muito tempo. Nas palavras do próprio chef: “para continuarmos a ser o Noma, precisamos mudar”.


Parece que ele vai meio que fechar o restaurante, de verdade, o inverno de 2024 será o último do Noma como hoje ele é conhecido.


Um novo capítulo está sendo escrito e o Noma 3.0 está a caminho. Em 2025 o restaurante será transformado em um grande laboratório – um experimento pioneiro na culinária, dedicado a desenvolver inovações gastronômicas, criar novos sabores e compartilhar de modo mais abrangente o fruto desses esforços.


O prédio onde funciona o restaurante será mantido como um centro de pesquisa de alimentos, um laboratório da gastronomia focado em inovações culinárias. A equipe, ocasionalmente, viajará pelo mundo fazendo eventos e servindo novos menus para uns poucos convidados sortudos.  


René explica a dimensão do que quer fazer:

Nessa nova fase, continuaremos a viajar em busca de novas maneiras de compartilhar nosso trabalho. Há algum lugar no mundo que devamos ir para aprender (culinária)? Então faremos um “pop-up” do Noma lá e quando tivermos reunido novas ideias e sabores suficientes, faremos uma temporada em Copenhagen. Servir convidados continuará a ser parte do que nós somos, mas ser um restaurante não mais nos definirá. Ao invés disso, a maior parte do nosso tempo passaremos explorando novos projetos e desenvolvendo muito mais ideias e produtos.

Nosso objetivo é criar uma organização que perdure, dedicada a um trabalho inovador no setor de alimentos, mas também redefinindo as fundações de um restaurante para a equipe, transformando-o num lugar em que você possa aprender, você possa tomar riscos e você possa crescer.  

Sem dúvida trata-se de uma revolução no setor de restaurantes, culinária e gastronomia.


A surpresa que aguarda os fundos de pensão ali na esquina


Cada segmento da economia precisa lidar com sua versão do “dilema da inovação”, precisa entender que o tempo matará o que um dia foi a sua galinha dos ovos de ouro.


Os fundos de pensão já passaram do pico de sua atividade, precisam encarar esse declínio e mudar. “O Dilema da Inovação” foi publicado pela primeira vez em 1997 por um Professor de Harvard chamado Clayton Christensen.



Clayton descreve como empresas incumbentes perdem participação de mercado ao ouvirem seus clientes e fornecer para eles aquilo que aparenta ser o produto de maior valor, enquanto novas empresas que oferecem produtos com tecnologia ruim para os clientes com baixo valor, vão melhorando-a de forma incremental até tomar mercado dos negócios estabelecido.


A IA - Inteligência Artificial vai virar de cabeça para baixo o setor de investimentos e junto com ele, a poupança de longo prazo para a “aposentadoria”.


Vamos abstrair por um momento a vantagem fiscal e a contrapartida feita pelos empregadores nos planos dos fundos de pensão. Se você parar para pensar, as instituições de previdência complementar são intermediários para os quais os participantes fornecem seu dinheiro, que investido retorna para seu dono, lá no futuro, na forma de renda.


Só para vocês terem uma ideia do que a IA já é capaz de fazer, vejam a orientação dada para um jovem solteiro, sem filhos, com 23 anos de idade, que ganha US$ 5.000 por mês, deve US$ 10.000 de crédito estudantil e pergunta para o ChatGPT o que deve fazer:



O ChatGPT ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento, imagine do que a IA será capaz quando esse e outros aplicativos forem mais desenvolvidos e integrados com a folha de pagamentos da empresa onde esse jovem trabalha, com sua conta bancaria, com sua administradora de cartões de crédito e com sua caderneta de poupança.


Ao invés de fornecer aconselhamento genérico como esse acima, a IA será capaz de oferecer orientação personalizada, fazer recomendações de investimentos individualizadas e uma vez contando com sua aprovação, implementá-las automaticamente.


Os investimentos do plano de previdência complementar do futuro não serão feitos por pessoas de um fundo de pensão, serão realizados por robôs atuando como copilotos de sua poupança para o futuro.


Ou seja, os fundos de pensão terão que se reinventar, oferecer algo novo, bem diferente do que oferecem hoje.

Retornos atuais e taxas de gestão no nível cobrado hoje serão impraticáveis


De acordo com o “Credit Suisse Global Investment Returns Yearbook 2021” os retornos que serão obtidos nos investimentos em renda variável e renda fixa pela Geração Z – aqueles nascidos entre 1997 e 2010 – serão bem inferiores aos obtidos pelas gerações passadas.


O estudo feito por Elroy Dimson da Cambridge University, Paul Marsh e Mike Staunton da London Business School, analisou os retornos médios obtidos desde 1900. 


Mostrou, então, que o retorno anualizado médio de uma carteira composta por 70% em renda variável e 30% em renda fixa, ficou acima de 5,5% para os Baby-boomers (1946 a 1964), Geração X (1965 a 1980) e Millenials (1981 a 1996).  

Porém, as projeções para os retornos da Gen Z apontam para meros 2% a.a., significativamente menores do que os obtidos por todas as gerações anteriores



Para compensar os baixos retornos, a Gen Z buscará as menores taxas de gestão possíveis e vai privilegiar orientação e retornos otimizados. Algo que apenas um nível de automatização elevado é capaz de entregar e os atuais fundos de pensão não são.



Sabedoria é uma combinação de humildade e curiosidade dirigida. Sem a primeira, a segunda é inútil e você não aprenderá verdadeiramente nada.

A decisão certa é cara, a errada custa uma fortuna. O mais importante de tudo: o que o seu fundo de pensão está fazendo?


Fazendo um paralelo com a reinvenção do Noma por René Redzepi:

Fornecer segurança financeira futura para os participantes continuará a ser parte do que os fundos de pensão fazem, mas ser operadores de planos de previdência complementar não mais os definirá.

 

Grande abraço,

Eder.


Fonte: To continue, you must change..., escrito por Phillipe Meda | Five Fintech Predictions for 2023 – The Investable Surprises, escrito por Mark Goldberg | Young people stand to make dismal returns on their investments, The Economist.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

A diferença entre pensar e agir explica a razão da maioria dos conselhos ser tão boa em tomar decisões com magnifica irrelevância para o futuro dos fundos de pensão

  


De Sao Paulo, SP.

 

Disruptura é o deslocamento de negócios, mercados e atividades que resulta de mudanças econômicas, sociais, ambientais, políticas, regulatórias ou tecnológicas.

 

Está ficando vez mais obvio para todos – ou deveria estar – que os ciclos de disruptura estão se tornando mais regulares e seus impactos mais profundos do que os ciclos econômicos com os quais executivos e empresas estavam tão acostumados.

 

A reestruturação das operações, a implantação de novos modelos de plano de previdência (planos família) , a busca de menores custos de administração, as melhorias no sistema de governança dos fundos de pensão, todas essas coisas de uma maneira ou de outra tem sido feitas e consequência de disrupturas nas patrocinadoras e no próprio mercado. 

 

O novo driver da economia é a disruptura. Cada CEO, cada diretor, cada gerente, cada empregado de fundo de pensão, têm que lidar hoje em dia não apenas com os desafios dos custos, competição crescente e atracão de novos participantes, mas também com as mudanças repentinas no ambiente de negócios da previdência complementar e as inevitáveis tendencias de longo prazo que estão transformando a forma como se poupa para obter segurança financeira futura. 

 

O mundo continua ficando mais complexo, estamos na era das disrupturas na qual o normal acabou. Três em cada quatro CEOs dizem que suas organizações estão se deparando com enormes quantidades de disruptura e 72% deles dizem que suas equipes não têm a agilidade necessária para lidar com elas.

 

Resultado: 75% dos CEO temem que suas organizações não estejam se adaptando rápido o suficiente e 85% dizem que não sabem por onde começar.

 

Nada menos que 98% (ou seja, quase todas) das empresas esperam mudar seu modelo de negócios nos próximos três anos e 31% - um aumento de seis pontos percentuais em relação ao ano passado – estão mudando esse ano.

 

Todos esses dados são do estudo “AlixPartners Disruption Index 2023, que mede o nível de disruptura através das principais regiões do mundo e segmentos de atividade – inclui serviços financeiros e assistência médica, mas não inclui a América Latina.

 

O desafio para os fundos de pensão deixou de ser apenas a busca de um novo modelo de negócios, passou a ser em quanto tempo serão capazes de fazê-lo. Conseguirão pivotar antes de sucumbir?

 

A pressão sobre os CEOs é enorme e 70% deles estão preocupados com a manutenção de seus próprios empregos. Acontece que aqueles que deveriam ajudá-los, seus conselhos de administração, representam na verdade o maior empecilho:

 

83% dos CEOs dizem que seus conselhos de administração frequentemente os impedem de lidar com as disrupturas.



Efeito das mudanças demográficas sobre os negócios

 

As mudanças demográficas, traduzidas pelo envelhecimento e declínio populacional, afetarão a demanda por bens e serviços. O foco será transferido de artigos de bebês, carros e ensino superior para assistência a saúde, medicina, robótica e mercados emergentes. 

 

Quando o mercado geral se reduz ou cresce menos, há mais competição do tipo oceano vermelho, é isso que temos visto com os fundos de pensão.

 

Uma estratégia de oceano vermelho envolve competir em segmentos já existentes da economia, o que requer lidar com níveis intensos de competição e envolve a comoditização, com empresas competindo basicamente por preço.  

 



Fundos de pensão e instituições operando no segmento de previdência complementar terão que extrair seu crescimento de inovações, roubando no caminho market share dos concorrentes. O outrora amistoso mercado de fundos de pensão, no qual inexistia concorrência propriamente dita, verá aumentar a competição entre as organizações. 

 

O crescimento é sempre mais difícil quando se atua num mercado em que a população não está crescendo – imagine então atuar num negócio em que a quantidade de potenciais consumidores (empregados) está declinando a olhos vistos.

 

Os impactos dos movimentos demográficos sobre o business de previdência complementar vão muito além do obvio ululante e surrado argumento da longevidade

 

O que significa a desglobalização para os fundos de pensão

 

Após o fim da guerra fria diminuíram as barreiras para o fluxo de capitais, informação e pessoas ao redor do mundo. Tecnologias como a Internet e Smartphones facilitaram grandemente a comunicação e proliferação da quantidade de dados gerados.

 

Porém, mais recentemente, as barreiras tecnológicas e dificuldades para as comunicações estão aumentando. Na web a intolerância levantou a bandeira da fake News e virou motivo de censura, ameaça a liberdade de expressão e banimento de websites, páginas e canais de informação que muitas vezes apenas pensam diferente. 

 

O realinhamento na cadeia global de suprimentos que está em curso não significa o fim da globalização, mas significa que as empresas precisam se preparar para um futuro com mais barreiras para trocas comerciais, maiores custos e incertezas crescentes.

 

Para os fundos de pensão, o impacto se dará na alocação de investimentos no exterior, que tende a ficar mais cara, mais arriscada e talvez, menos interessante. Durante períodos em que há maior confiança e cooperação, as trocas comerciais e os investimentos entre os países tendem a aumentar. O contrário também é verdade.

 

Tecnologia: a maior ameaça para o futuro os fundos de pensão

 

 

As mudanças induzidas pela tecnologia se tornam mais rápidas, abrangentes e invasivas a cada ano. É impensável achar que alguma parte de nossas vidas não será afetada.


Os fundos de pensão patrocinados por empresa de manufatura – que fabricam alguma coisa – sumirão do mapa. Existem hoje cerca de 3,5 milhões de robôs industriais e essa quantidade cresce a uma razão de 14% ao ano. Ou seja, a população de robôs dobra a cada cinco anos e robôs não precisam de planos de aposentadoria.

 

No setor de varejo o estrago será semelhante. Em 2018 cerca de 80% dos consumidores americanos pretendiam visitar uma loja física para fazer as compras de fim de ano. Quatro anos depois, em 2022, apenas 57% dos consumidores pretendiam visitar uma loja física para fazer compras. Menos lojas, menos empregados, menos fundos de pensão.

 

O setor financeiro vem sendo afetado em igual magnitude. De acordo com o site Statista o pagamento por meios digitais vai crescer na ordem de 12,7% ao ano entre 2023 e 2027 quando atingirão mundialmente o valor de US$ 15,2 trilhões.

 

A quantidade de cheques processada pelo banco central americano em 2021 foi de 3,7 milhões, metade do nº de cheques processada há 10 anos e um quarto do que era processada em 2001. Quanto mais os serviços financeiros se tornam digitais, menos necessidade de agencias bancárias, menos empregados e menos fundos de pensão patrocinados por bancos.   

 

A aceleração das mudanças provocadas pela tecnologia abre a porta para a entrada de novos entrantes no mercado de previdência complementar e forca os incumbentes a fazer alterações radicais em seus negócios para sobreviver. 

 

As inovações tecnológicas criam valor e ameaçam as fontes de valor tradicionais, mudam a forma como os fundos de pensão interagem com seus participantes, os encanta ou os deixa frustrados.  

 

 

A única forma dos fundos de pensão sobreviverem a esse turbilhão de disrupturas causadas pelas megatendências em curso, como as mudanças demográficas, a desglobalização, a transição para uma economia de baixo carbono, a revolução tecnológica etc, é sendo proativos e não reativos.

 

Encarar as disrupturas como oportunidades ao invés de ameaças é para poucos, exatamente os poucos que sobreviverão a essa era de intensas mudanças.

 

Grande abraço,

Eder.


 

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