segunda-feira, 22 de junho de 2020

TE CONTEI? ENSAIO CLÍNICO MOSTRA QUE PROGRAMAS DE "WELLNESS" NÃO TEM EFEITO SOBRE A SAUDE FISICA DOS EMPREGADOS


Credito de Imagem: www.sistemizecoach.com

De São Paulo, SP.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO:
O estudo foi conduzido pela “University of Illinois” com 4.834 empregados: um grupo com 3.300 participantes recebeu incentivos financeiros, triagem biométrica e avaliação de risco de saúde no local de trabalho, licença p/ atividades físicas, programas antitabagismo etc. O outro grupo não ganhou nada. A saúde dos dois grupos foi comparada depois de 12 e 24 meses. Membros do 1º grupo se sentiam melhor e passaram a ter um médico para cuidados primários, mas suas taxas de diagnostico de saúde não tiveram melhora significativa em relação ao outro grupo. Eles apenas sentiam ter uma vida mais saudável, mas sua saúde não estava melhor do que a do grupo de controle.  

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Segundo o estudo, programas de “wellness” não funcionam. 

CONCLUSÃO:

Se você quiser ter empregados mais saudáveis, vai ter que fazer mais do que apenas dar tempo livre e incentivos financeiros para eles procurarem um médico e se exercitarem via programas de bem estar

Grande abraço,
Eder.


Fonte: https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/article-abstract/2765690

sexta-feira, 19 de junho de 2020

SE VOCÊ QUER DESCOBRIR PARA ONDE VAI O DINHEIRO DA GENZ, SIGA O PROPÓSITO E REPENSE SEU MODELO DE NEGÓCIOS – PARTE II





De São Paulo, SP.

Tecnologia sozinha não muda modelo de negócio.
De acordo com um estudo publicado agora em fevereiro de 2020 pela Forrester Research, uma firma norte-americana de pesquisas de mercado e data analytics, os prestadores de serviços financeiros investem cerca de ¼ do orçamento de TI em transformação digital.
Porque então, mesmo com todo esse investimento, bancos, administradoras de cartão de crédito e investidores institucionais vêm se mostrando incapazes de criar e executar estratégias coerentes de transformação digital que atendam às expectativas das novas gerações em sua jornada financeira? 
O próprio estudo da Forrester, intitulado The state of digital transformation in financial services - 2020, fornece algumas pistas. De cara, percebe-se que há: (i) um problema de entendimento; e (ii) outro de foco, decorrente da condução dessa transformação.
i) Problema de entendimento
"Transformação digital" pode ser definida como um fenômeno que incorpora o uso da tecnologia digital às soluções de problemas tradicionais. A transformação digital não é um destino em si, mas um caminho numa viagem que nunca termina. As firmas que disseram “já ter terminado” somam 14% dos respondentes e aquelas que tem plena noção de que esse é um “estado permanente’”, são 26%.
Toda tecnologia desenvolvida nos últimos 10 anos, pelo menos, foi digital por natureza. Então, o que exatamente estão fazendo os 40% que responderam estar passando por uma transformação digital? Implantar um site próprio - algo que impressionantemente alguns fundos de pensão no Brasil ainda não fizeram - é uma transformação digital? Permitir que os participantes tenham acesso às suas contas de aposentadoria via dispositivo móvel - mesmo que majoritariamente apenas para consulta - pode ser chamado de transformação digital?
Nos fundos de pensão, por exemplo, para uma verdadeira transformação digital ocorrer hoje, seria obrigatório incorporar aspectos de DeFi, o campo da tecnologia digital que causará (dis)ruptura em todos os modelos de negócio financeiro, sem exceção. 
DeFi – abreviação de “descentralized finance” - finanças descentralizadas, geralmente se refere aos ativos digitais, aos “smart contracts” - contratos inteligentes, protocolos e DApps que são aplicativos descentralizados, construídos na plataforma Ethereum. Simplificando, são softwares financeiros construídos no blockchain que podem ser juntados como se fossem dinheiro de Lego. 
ii) Problema de foco e condução
O outro grande problema é que a maioria das firmas de serviços financeiros conta com o CIO - Chief Information Officer ou CTO - Chief Technology Officer para liderar (48%) e implementar (45%) as estratégias de transformação digital. Se por um lado esses profissionais possuem conhecimento e expertise técnica, não se pode dizer que tenham uma visão de negócios tão abrangente e estratégica quanto o CEO, a quem cabe junto com o conselho de administração, definir o futuro do negócio. 

A transformação digital, centrada na experiência do consumidor (CX) e no aumento de receitas, conforme reportado no estudo, ganha como consequência um viés tecnológico e financeiro porque é isso que os encarregados das mudanças priorizam.
O atendimento das expectativas das novas gerações acaba ficando no meio do caminho diante de uma percepção equivocada de que a jornada financeira dos jovens se resume apenas ao uso de novas tecnologias. 
Perde-se a oportunidade de se iniciar uma transformação mais profunda no modelo de negócios que somente uma visão abrangente unindo tecnologia, marketing, vendas, flexibilização das estruturas organizacionais e atração de novas competências, permitiriam. 
Seja qual for sua definição de transformação digital, vai ficando claro concluir que ela é necessária, mas insuficiente para garantir a verdadeira transformação que os players do sistema financeiro precisam para sobrevivência no longo prazo: um novo modelo de negócios.
Siga o propósito, não o dinheiro 
Os membros das novas gerações, que eventualmente aderirem hoje a um fundo de pensão, participarão de planos de contribuição definida ou planos CD, como são conhecidos no jargão da previdência complementar. 
Diferentemente da maioria dos baby-boomers, que conta com benefícios garantidos por planos BD e não tem individualmente voz direta sobre o patrimônio de seus planos, a GenZ e os millenials têm possibilidade de escolher a alocação dos investimentos em seus planos e sabem que sua renda de aposentadoria poderá ser maior ou menor em consequência dessas escolhas.
A forma de modelagem dos planos CD, faz com que as escolhas dos participantes sejam feitas a partir da quantidade e tipo de alternativas de perfis de investimentos que cada fundo de pensão decide oferecer. 
Um detalhe importante, ao longo dos meus +30 anos desenhando, modificando e implantando planos CD como consultor, não presenciei nenhum fundo de pensão ouvir diretamente a opinião dos participantes para saber o que eles querem.
Em outras palavras, o participante não é ouvido diretamente no processo de criação, alteração e eliminação dos perfis, não tem voz ativa na definição da quantidade de alternativas, no tipo de investimento nem nas alocações dos ativos dos perfis. 
Um estudo da Legal & General, gestor de ativos do Reino Unido, mostra agora porque isso é um problema – recomendo a leitura. O trabalho intitulado “Finding The Greenest Generation“ lança luz sobre porque é preciso ouvir os indivíduos e relacionar seus propósitos, convicções e visões de vida ao que é feito com o dinheiro deles. 
Sem isso, os fundos de pensão - que se perguntam desde sempre o que fazer para atrair os jovens - não terão a menor chance de engajar a GenZ, que começa a conscientizar inclusive os mais velhos sobre a importância da sustentabilidade para o futuro dessa incrível garotada.
A pesquisa foi feita entre os atuais participantes de planos de previdência corporativos e abrangeu baby-boomers (56-75 anos), Geração X (41-55 anos) e Geração Y ou millenials (26-40 anos). A Geração Z (5-25 aos) não foi incluída porque ainda está chegando no mercado de trabalho, mas pode anotar aí: questões ambientais, sociais e governança (princípios ESG), com destaque para voluntariado, diversidade e igualdade, são mais importantes para eles do que para qualquer outra geração. 
Convicções vencem retornos e isso não está no manual dos gestores
Os jovens sabem que a batalha pela sustentabilidade e proteção do meio ambiente vem com uma etiqueta de preço maior, mas eles estão dispostos a pagar por isso. Uma millenial comentou: “Qualquer coisa que tem a ver com o meio ambiente – (produtos) orgânicos, seja o que for – custa mais caro, não é mesmo?”. Outra disse: “Para mim, o meio ambiente é mais importante. É o que deixaremos para nossos filhos, netos e bisnetos”.

  • 47% dos millenials do sexo feminino e 44% do masculino disseram que gostariam de reduzir significativamente a exposição (investimentos) de seus fundos de pensão à indústria de combustíveis fosseis, independentemente do impacto sobre o retorno dos investimentos e o valor de seus benefícios;
  • 75% das mulheres da Geração X e baby-boomers desinvestiriam o dinheiro do seu fundo de pensão de empresas com problemas de governança e discriminação na remuneração de mulheres;
  • 60% da Geração X prefeririam investir menos ou simplesmente não investir nada em empresas cuja percepção é de que causam impacto social negativo;
  • 47% dos millenials, 50% da Gen X e 49% dos boomers prefeririam uma política de investimentos que envolvesse primeiro um engajamento com as empresas investidas que não estivesse seguindo princípios ESG e só depois partir para o desinvestimento, comparados a 36% do total geral que prefeririam evitar completamente qualquer investimento nesse tipo de empresa.   

Modelo de negócios dos fundos de pensão
O presidente de um fundo de pensão tem uma serie de responsabilidades, de extrema importância. Tradicionalmente, 80% do seu trabalho está relacionado a governança, compliance, definir as alocações do orçamento e dizer para os gestores o que fazer. Os outros 20%, ele dedica a fazer projeções, interpretar números e definir a estratégia para escrever o próximo capítulo da história. 

Hoje em dia, essa proporção precisaria estar invertida, porque o futuro do atual modelo de negócios dos fundos de pensão é que (deveria?) está tirando o sono dos presidentes, não o orçamento. 

O modelo de negócios é uma mistura de estratégias, insights e ideias que não apenas produzem mudanças, mas reagem a elas.

Como os modelos de sucesso hoje são centrados no cliente (participante), eles estão se tornando mais fluidos, mais dinâmicos e mais estratégicos. A transformação do modelo de negócios dos fundos de pensão requer uma forte visão de futuro. Ninguém compra um carro com o assento do motorista voltado para o vidro de trás ...  

Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado dos seguintes artigos:
  • The state of digital transformation in financial services – 2020|Forrester Research|Feb.18, 2020
  • Finding The Greenest Generation|Legal & General Investment Management|2020



quinta-feira, 18 de junho de 2020

TE CONTEI? FRACIONALIZAÇÃO DE ATIVOS DIGITAIS É UMA TECNOLOGIA PROMISSORA PARA INVESTIDORES INSTITUCIONAIS





De São Paulo, SP.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 
Não param de surgir novas soluções usando a tecnologia dos ativos digitais ou “cryptoassets”. A "fracionalização" de ativos digitais é uma dessas sacadas inovadoras. Permite que ativos tradicionais de alto valor sejam fracionados via tokens ou cryptoassets em lotes de menor valor. Pense num investimento em infraestrutura – uma estrada, uma hidrelétrica etc. - um título público ou mesmo um fundo de “private equity”. 100% do valor do ativo é “quebrado” em frações e então o investidor pode comprar partes daquele ativo sem ter que comprar ele todo. 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 
A fracionalização permite a transferência imutável de ativos entre as partes, de forma confiável, segura e com maior liquidez. Viajando um pouco, imagina contas de “contribuição definida digitais” para participantes de fundos de pensão ... 
 

CONCLUSÃO: 
Nos próximos cinco anos, as inovações que surgirão nos mercados digitais são as que tem potencial para causar (dis)ruptura nos modelos de negocio atuais de bancos e fundos de pensão.

Grande abraço,
Eder.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

COMO AS NOVAS GERAÇÕES ESTÃO MUDANDO O SISTEMA FINANCEIRO E O QUE BANCOS E FUNDOS DE PENSÃO PODEM ESPERAR – PARTE I


Crédito de Imagem: https://www.facebook.com/Blendermaroc/



De São Paulo, SP.

Outro dia li num artigo que “se você não está confuso sobre o que está acontecendo, então você não está prestando atenção”. Deve ter sido o mesmo autor do famoso “se você é o único a manter a calma enquanto todos a sua volta estão desesperados, é sinal de que você não entendeu bem o problema”.
Está em pleno andamento uma profunda transformação na relação das gerações mais novas com o sistema financeiro tradicional, que poderá ter desdobramento na atuação dos bancos em geral e dos fundos de pensão em particular.  
Numa “trilogia” de artigos vamos procurar analisar os indutores dessa transformação, as mudanças em curso e que impactos se pode esperar nos atuais modelos de negócios dessas instituições. 
Crises econômicas globais como a de 2008 e a pancada recessiva causada agora pelo COVID-19, afetam os jovens em início de carreira, postergam a acumulação de patrimônio, adiam sonhos e contribuem para mudar a perspectiva das novas gerações sobre investimentos e planos de aposentadoria.
Dentre os principais indutores das mudanças que estão por vir, destacam-se: o cenário de juros baixos, que chegou para ficar, novas tecnologias disruptivas e a visão de mundo dos jovens, esta última mal compreendida e aparentemente ignorada por grande parte dos investidores institucionais. 
Crises econômicas e o distanciamento do sistema financeiro tradicional
Bloomberg Analytics aponta que os millenials representam atualmente a maior parcela da força de trabalho dos EUA, onde somam 35%. Se acrescentada a Geração Z, dois em cada três trabalhadores americanos serão jovens adultos. Aqui no Brasil essas duas gerações já respondem por 58% de toda a população.
A crise global de 2008 afetou profundamente a geração dos millenials que, comparada aos baby-boomers na mesma idade nos EUA, acumulou metade do patrimônio, têm metade dos investimentos e ganha 20% a menos. 
Como consequência, eles postergaram o casamento, adiaram a compra da casa própria e desenvolveram uma relação superficial com o sistema bancário. Isso fez com que a Geração Z crescesse olhando para os bancos com certa desconfiança. Tanto que a maioria busca aconselhamento sobre finanças com familiares, amigos ou pesquisando sites online, ao invés de recorrer aos seus gerentes de banco.   
De acordo com o “Millennials Disruption Index”, da Viacom Midia53% dos millennials acreditam que seu banco oferece os mesmos serviços que qualquer outro banco e 33% acham que um banco é desnecessário.
Um quarto dos millenials diz ter preocupações frequentes com a segurança financeira e entre os principais fatores que os deixam estressados estão: não poupar o suficiente (35%), o rumo de suas carreiras (24%) e a falta de um planejamento adequado para a aposentadoria (21%). 
Nesse sentido a Geração Z se parece bastante com a antecessora, 71% dos que já estão empregados dizem estar de moderadamente a muito estressados sobre suas finanças e 66% tem medo do salário dar apenas para pagar as contas do mês-a-mês.
Isso tudo mostra que, diferentemente das gerações mais antigas, os jovens de hoje são muito mais receptivos a procurar satisfazer sua jornada financeira com alternativas à margem dos bancos tradicionais. Motivos semelhantes levam a supor que eles também estejam abertos a soluções de poupança além dos planos de previdência.
O interessante é que apesar de todo esse stress financeiro, a maioria tanto dos jovens millenials (83%) quanto da Geração Z (89%) é otimista em relação ao seu futuro financeiro, abrindo uma verdadeira avenida para exploração de soluções que os ajude em suas jornadas financeiras. 
Tecnologia como grande indutor das mudanças, mas não o único
Se por um lado os millenials foram criados em meio a expansão da tecnologia digital a Geração Z, por outro, não consegue nem imaginar um mundo desconectado da Internet. Ambas as gerações enxergam a tecnologia como um meio para resolver seus problemas e esperam que as soluções digitais sejam intuitivas, simples de usar e acessível por diversos canais integrados.
Três de cada cinco jovens da Geração Z dizem que não usariam um aplicativo ou website difícil de navegar ou lento para ser carregado.
As jovens gerações buscam soluções financeiras alinhadas com seus valores, que tem a ver com transparência, custo e liberdade de escolha. Por exemplo, se você é um jovem ligado em bolsa de valores e o Gilson Finkelsztain – Presidente da B3, disser algo que te deixe chateado, você não pode propriamente parar de operar na B3 e liquidar toda sua carteira de ações, porque a única opção para negociação da maioria dos papeis no Brasil passa obrigatoriamente por lá.
Já no mundo das criptomoedas, as coisas nunca são monótonas. Se a corretora de crypto com a qual você trabalha fizer alguma coisa que você discorde veementemente, você simplesmente leva seus criptoativos para outro lugar, opções não faltam.
BTW, esse mercado de capitais emergente parece nem precisar de supervisão para impor um bom comportamento aos seus agentes, porque a esmagadora maioria é composta por jovens e eles são sensíveis a todos os fatores mencionados anteriormente. 
Isso chama a atenção para o valor da transparência, o poder das escolhas e a importância da conexão com a comunidade. Não seria surpresa descobrir que o mercado de capitais tradicional está assistindo a tudo isso com bastante interesse.
A Geração Z tem mente aberta e quando se trata de aplicativos financeiros preferem plataformas digitais para transferência de dinheiro, como PayPal, Venmo e Google Pay. Nos EUA, estão entre os primeiros que usaram apps como Coinbase e Robinhood, para negociação de criptomoedas.
Se você quer entender como funcionarão bancos e fundos de pensão no futuro, preste atenção aos hábitos e preferências da geração que em breve vai dirigir a economia mundial. Como 98% da Geração Z tem um smartphone, que possuem em média desde os 10 anos de idade, diante de tanto conteúdo digital a disposição eles são muito exigentes nas escolhas. Eles cresceram vendo os perigos enfrentados pelos millenials, que deixaram uma grande pegada digital, então optam por aplicativos que publicam posts temporariamente ou de forma privada como Snapchat e Instagram. São muito menos propensos a partilhar seus dados pessoais e se afastaram das mega-plataformas como Facebook e Twitter.



Propósito, liberdade, trabalho e crenças - como funcionam as novas gerações
A Geração Z entende bem a importância do lucro, mas acredita que as empresas deveriam buscar, também, um impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, além de priorizar diversidade e inclusão no local de trabalho. 
Para os millenials, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal está no topo das prioridades, com mais da metade dizendo que sua paixão é mais importante que seu contracheque. A Geração Z demonstra, desde cedo, uma forte ética em relação a trabalho. Eles planejam trabalhar durante os estudos universitários (38%) e mesmo antes disso 25% já possuem um trabalho em tempo parcial enquanto 22% ganham algum dinheiro com bicos e pequenas tarefas. 
Para a Geração Z, que está marchando contra as mudanças climáticas e cunhou o termo “Ok, Boomer”, a experiência do consumidor na jornada financeira não está centrada apenas em obter o maior retorno possível para suas aplicações. As gerações mais jovens buscam, também, associar seus investimentos a um proposito pessoal, marcado por uma forte preocupação com justiça social e questões ambientais. Eles têm horror a discriminação.
Apesar de mal ter entrado no mercado de trabalho, a Geração Z já gasta anualmente US$ 44 bilhões e influencia gastos familiares de outros US$ 600 bilhões. A relativa prosperidade que vinham experimentando lhes deu uma independência que seus antecessores millenials não tiveram, por causa da recessão global de 2008. Muitos “GenZ”, como são algumas vezes chamados, deixaram a casa dos pais ainda jovens para morar sozinhos e se entregaram ao empreendedorismo em maior número do que os millenials.
Estudos mostram que a GenZ se interessa mais por serviços contínuos do que por pagar por um único item ou por uma experiência única. Isso explica o sucesso de serviços por assinatura como Netflix e Spotify e preferência pelo aplicativo do Uber ao invés de corridas de taxi. 
Oportunidade para fundos de pensão, desde que sob novo modelo de negócio
A despeito dos percalços enfrentados no início da vida profissional, os millenials cresceram, seguiram em frente e os mais velhos estão hoje beirando os 40 anos. Muitos acabaram se tornando melhores em lidar com dinheiro do que as gerações anteriores. Cerca de 2/3 deles poupam, 54% fazem orçamento doméstico e 57% seguem a risca os objetivos financeiros que traçaram em seus orçamentos. 
Quase metade dos millenials se planeja com orçamento doméstico, possui em média US$ 15 mil em suas poupanças e os principais objetivos de suas economias são: fazer frente a emergências (64%), juntar para a aposentadoria (49%) e economizar para compra da casa própria (33%). 
Apesar da Geração Z ainda ser muito nova para tirarmos conclusões sobre seu comportamento financeiro, começam a emergir aqui e ali alguns padrões e tendências de como esses jovens organizam suas finanças. 
Um estudo sobre a Geração Z feito em 2017 pelo CGK - Center for Generational Knetics intitulado Meet The Throwback Generation apurou que 35% deles planejam começar a poupar a partir dos 20 anos de idade, comparados com 12% dos millenials
Outro estudo, dessa vez um relatório do “Betterment for Business” apontou que 88% poupa ativamente ao menos parte do que ganham mensalmente, 73% contribuem para aposentadoria com no mínimo 3% da renda e 23% contribuem com mais de 8%.
Se não houver desvios ao longo do tempo e a tendência apontada por todos esses dados se concretizar, a Geração Z será a primeira a chegar na aposentadoria com uma situação financeira melhor do que as anteriores. 
Eles são muito cautelosos com dívidas e desde cedo 37% tem cartão de crédito, com 8 em cada 10 tendo adquirido o cartão aos 18 anos de idade ou mais cedo. A Geração Z tem tudo para se dar bem com crédito e poupança, 60% deles planejam obter empréstimo estudantil para pagar a faculdade e metade desses espera ter que pegar emprestado uns US$ 30 mil. 
Prever o futuro implica em estar de olho nos dados, antecipar tendências, conforme muito bem ilustrado por uma frase sensacional que vi no website da App Annie (https://www.appannie.com), uma das maiores agências mundiais de dados de inteligência de mercado de dispositivos moveis:
“.... produtos e estratégias de publicidade feitos sob medida para as demandas da Geração Z, são vitais para o sucesso futuro das marcas. Deixe de fazer isso e você estará arriscando terminar do lado errado da briga entre Netflix e Blockbuster” 

Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado dos seguintes artigos:



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