quarta-feira, 7 de setembro de 2022

TE CONTEI? UM ARTIGO DO FMI DEVERIA SER 101 SOBRE CRYPTOMOEDAS, MAS ACABA MOSTRANDO QUE AS STABLECOINS SÃO UM BICHO-PAPÃO PARA OS BANCOS CENTRAIS

 



De São Paulo, SP,

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO:

“Stablecoins” são um tipo específico de cryptomoeda idealizadas para ter baixa volatilidade. Seu nome vem de “stable” que em português significa estável + “coin” que é moeda, no caso, digital. Visando ser mais estáveis do que as crypto tradicionais - sujeitas a grande volatilidade - as stablecoins lastreiam seu valor em algum ativo real ou virtual, seja uma moeda fiduciária (tipo Euro, Dolar etc), a commodities (tipo ouro), a ativos digitais (tipo outras cryptomoedas) ou se baseiam em um algoritmo para regular sua oferta e demanda (ao invés de ter lastro em outros ativos). Algumas das stablecoins mais conhecidas são: US Dollar Coin (USDC), Tether (USDT), MakerDAO (DAI), PAX Gold (PAXG), Binance USD (BUSD) e a quase finada Terra USD (UST) que usava uma crypto chamada LUNA para regular sua oferta.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

O FMI – Fundo Monetário Internacional publicou um texto acompanhado por um vídeo que supostamente deveria ser uma explicação do que são as “stablecoins”, mas é na verdade uma crítica a esse tipo de cryptomoeda, cuja capitalização de mercado atual gira em torno de US$ 150 bilhões. A iniciativa do FMI deixa claro que os países enxergam nas stablecoins uma ameaça ao seu sistema monetário. Como todo órgão baseado em uma autoridade central, o FMI prescreve a necessidade de um bando de regulamentação para o setor de cryptos e alega que depois que forem reguladas, as cryptomoedas não serão em nada diferentes do sistema financeiro como ele é hoje. Artigo completo no site do FMI, aqui: https://lnkd.in/dDGNvJ_S

 

CONCLUSÃO: Afinal de contas, porque diabos o dinheiro deveria ser um monopólio do Estado, Governos, Países? O que impede que qualquer um crie uma comunidade onde vigore o escambo de produtos, serviços ou de uma espécie de moeda própria? A base da moeda soberana de um país é "confiança", por que não podemos escolher em quem confiar? O que você acha?


Grande abraço,

Eder

terça-feira, 6 de setembro de 2022

O “Efeito Romanesco” e o Futuro dos Fundos de Pensão

 


De São Paulo, SP.


Alerta de TL;DR - Muita tinta tem sido gasta em busca da definição do que é inovação e entra ano, sai ano, as empresas martelam na cabeça de seus empregados que eles precisam inovar. A despeito dos milhões gastos por empresas e fundos de pensão contratando consultorias e projetos em busca de novas soluções, inovação é um mecanismo simples, que tem a ver com Reimaginar, Diversificar e de tempos em tempos, com uma rara e inovadora forma de Reduzir inovações existentes para gerar novos paradigmas.   

___________________________

Modelos de inovação (figura abaixo) vem sendo tratados quase que como criações sobrenaturais pelas firmas de consultoria em gestão, que ganham muito $$$ sempre inventando diferentes abordagens, frameworks e modelos para lidar com o tema.



Inovação pode ser reduzida a dois mecanismos básicos e elementares, sobre os quais incentivo vocês a pensarem ao procurar construir o futuro da previdência complementar:


1) Um fundo de pensão inovador - ou uma empresa qualquer - pode tentar trazer ao mercado uma forma inteiramente nova de fazer as coisas, visando proporcionar segurança financeira futura para as pessoas;


2) ... ou pode melhorar soluções existentes e inovações passadas, entregando melhorias incrementais, não menos revolucionárias, com novas capacitações que mudem o paradigma anterior. 

O primeiro tipo de inovação pode ser chamado de Reinvenção e o segundo, de Diversificação. Uma boa forma de entender esses dois mecanismos é olhando a evolução dos telefones celulares, cuja tecnologia permite hoje a qualquer um, fazer ligações de qualquer lugar.

Tudo começou diversificando continuamente o acesso ao se buscar respostas para as perguntas: “E se eu pudesse falar ...”:

* ... com as pessoas que moram em outra cidade?

* ... do meu jardim, com as pessoas que moram em outra cidade?

* ... com qualquer um, a partir do meu carro?

* ... com qualquer um, de qualquer lugar no planeta?

Até que em 2007 o telefone foi reimaginado:

E se eu pudesse usar a Internet no meu telefone?

A partir daí, o telefone foi sendo novamente diversificado em ondas de conectividade e formas de utilização: “E se eu pudesse ...”:


* ... usar a Internet do meu carro?

... usar a Internet no meu pulso?




O ponto de corte da transição entre diversificação e reinvenção, obviamente, não é tão claro assim, porque as inovações que ocorrem em campos diferentes se encontram, se cruzam e tendem rapidamente a se tornar fractais.

Se por um lado os resultados desse processo podem ser genuinamente complexos, o mecanismo da inovação em si, não é nada complicado.

O “efeito romanesco”

O resultado consolidado de alternar reinvenção e diversificação, visto do alto, se parece com uma couve-brócolis romanesco (fig. anterior). Assim como em todo fractal, se você der um zoom em qualquer parte dele - como se aquela porção da figura fosse um campo de inovação - você descobrirá um nível de complexidade semelhante ao fractal inteiro - representando todo o mercado.


Isso significa, por exemplo, que se você mergulhar profundamente na complexidade das novas tecnologias de baterias de lítio, encontrará um nível de complexidade em inovação comparável a todo o mercado global de energia.



O “efeito romanesco” mostra que novos modelos de negócios da previdência complementar, portanto, dos fundos de pensão, poderão surgir da alternância entre inovações ocorrendo no centro do sistema financeiro (a reinvenção) e as interações no contexto de utilização das soluções (a diversificação). Em outras palavras, o momentum das mudanças poderá partir do centro, se aprofundar e se expandir para todos os contextos possíveis.

Mas também poderá vir de setores inimagináveis, tipo agetechs, biotechs, healthtechs e sabe-se lá mais de onde ...

Reinventar o fundo de pensão? Não, obrigado!

Por que o conselho deliberativo do seu fundo de pensão deveria evitar o caminho de reinventar o futuro dos fundos de pensão?

Bem, há inúmeras consequências práticas quando se persegue a inovação através do mecanismo simples da reinvenção, quando se trata de segmentos complexos.  

Toda empresa gostaria de ser disruptiva, virar o jogo, criar paradigmas, ser inovadora nesse sentido. Na prática, os exemplos daquelas que tentaram chegar lá por esse caminho são desapontadores.  

Enquanto a Xerox Parc tentava reinventar o computador, Steve Jobs na Apple “apenas” diversificou a indústria de PCs. Inventores disruptivos e gênios tendem a produzir, na melhor das hipóteses, negócios ruins. Fica, portanto, a advertência: reimaginar um mercado, produto ou serviço é inacreditavelmente difícil, ao passo que diversificar nos estágios iniciais, no momento certo, pode ser uma força devastadora - em inovação, tempo supera genialidade

Nota: Xerox Palo Alto Research Center (Xerox PARC) foi uma divisão de pesquisa da Xerox Corp. baseada em Palo Alto, Califórnia, nos EUA. A PARC foi fundada em 1970 e transformou-se em uma companhia autônoma em 2002.



Outa consequência do mecanismo da reinvenção é que frequentemente definimos mercados através dos produtos. Hoje em dia falamos do mercado de smartphones, não do mercado de comunicação. Isso é ruim porque seu portfolio de inovações pode ser fraco em telefones celulares e você acaba deixando de considerar mercados adjacentes como caminhos potenciais para destravar outras inovações.



No mercado de fundos de pensão isso seria equivalente a focar apenas em planos de previdência complementar corporativos, isso que se faz hoje, ao invés de considerar um propósito mais amplo, de fornecer segurança financeira futura para os participantes – seja lá qual horizonte de tempo entenda-se por “futuro” e qual definição você tenha para “participantes”.  

Os mercados adjacentes são parte do mapa fractal da inovação, deveríamos “brincar” com eles, dar zoom in e zoom out para encontrar conectividade com nosso mercado básico, deveríamos dar um “reboot” (reiniciar) no nosso programa de inovação.

É por isso que gigantes de tecnologia e plataformas de mídias sociais como Amazon, Google e Meta (ex-Facebook) estão sempre se lançando em busca de negócios adjacentes, tão logo comprovam que podem estender sua pegada fractal para novos negócios, de forma produtiva.  

Redução, a reinvenção desprezada pelos fundos de pensão

Apesar do ciclo reinvenção | diversificação ser simples, existe uma terceira abordagem que geralmente escapa a maioria dos inovadores. É uma forma especial de reimaginar, de reinventar, que podemos chamar de redução.

Quando os ciclos de Reinvenção | Diversificação chegam ao fim, eles terminam com muito barulho de fundo. Geralmente com inovações mal projetadas, que já não resolvem problema algum, com produtos que tentam oferecer algo novo quando todas as possibilidades já foram esgotadas há certo tempo através da Diversificação.

Lembra da Tela de TV que precisava de óculos 3D para assistir? Geladeiras conectadas a Internet? Ou mais recentemente, da infinidade de celulares dobráveis? Em previdência, conhece os planos família? O multipatrocinado para estados e municípios?

Pois é ... o ciclo de inovação geralmente termina com um restart completo no campo das inovações, através de uma Reinvenção crítica, sucedida por ondas de Diversificação e o ciclo vai se repetindo.



O novo ciclo de Reinvenção é geralmente desencadeado por uma grande descoberta cientifica, que leva a criação de novos negócios a partir dela - a disruptura é lenta, mas percebida como rápida porque só é notada quando já está acontecendo.

O primeiro microprocessador se tornou disponível comercialmente em 1971, foi o Intel 4044, mas a revolução que nos trouxe até aqui graças ao microchip só começou por volta de 1996, com a invenção do primeiro smartphone.   

Algumas vezes um player entra mais tarde no campo da inovação, quando esse já parece completamente esgotado, mas não tenta criar um novo ciclo. A empresa permanece no campo estabelecido e reinventa um produto icônico, top do mercado, a partir de décadas de conhecimento acumulado sobre o que o mercado precisa naquele momento. Isso é a Redução.  



A Redução não é a diminuição de um campo de inovação, mas sim o resultado de anos e anos de Diversificação.  A Redução acaba sendo aquilo que a Reinvenção deveria ter sido anos atrás, se realmente tivessemos compreendido as necessidades do mercado e se a tecnologia corrtente tivesse disponivel na época.

Sim, o Iphone é um caso perfeito de Redução! Não, a Apple na verdade não inventou nada, toda a tecnolgia estava lá – touchscreen inclusive – mas eles “reduziram” o mercado de maneira maestral criando uma inovação iconica.



Quando uma Redução acontece, ela funciona como um buraco negro inescapavel que suga todo o resto do mercado: os competidores não conseguem escapar dele e não conseguem encontrar uma maneira de supera-lo.

Então, a unica solução é aderir. O conhecimento acumulado no mercado não permite ir mais além, todas as rotas, caminhos e ramificações foram explorados, restando imitar os Teslas e Apples do seu mercado.  

Na figura abaixo está um slide da Apple feito em 2012 quando processaram a Samsung por infingir sua patente (a Apple ganhou +US$ 1 Bilhão)



O lado nefasto do efeito de Redução é que a empresa que reduziu o mercado de forma genial em torno de sua inovação: também é sugada pelo próprio buraco negro que criou e não consegue mais escapar dele. Na figura abaixo, a “evolução” historica do Iphone.


O efeito de Redução pode ser encontrado em muitos mercados, como o de veículos elétricos e computadores pessoais. Na figura a seguir, o painel de uma Mercedes de 2014 que, assim como VW e a torcida do Coríntias do setor automotivo, não conseguiu escapar do buraco negro da Tesla ...


... e o laptop da Microsoft chamado “Surface Laptop Go” sugado pelo MacBookAir da Apple.



Se tornando um inovador no segmento de fundos de pensão

Uma Redução não ocorre com frequencia em determinado mercado, requer anos e anos de Diversificação depois de uma Reinvenção inicial. Obviamente, isso é algo extremamente dificil de atingir.

Não obstante, os sinais de que o mercado está pronto para passar por uma reviravolta dessas, são obvios:  quando os incumbentes (palyers atuais)  estão patinando há anos sem conseguir inovar e o maximo que os novos entrantes conseguem oferecer são ideias derivadas das atuais, então, o mercado está pronto!

Depois dos planos BD, o segmento maximo que o fundos de pensão conseguiram produzir no mundo todo foram planos CV e CD e decadas já se passaram desde então.

Não apenas faltam novos players, os atuais estão minguando.

Se você conseguir tirar a venda dos olhos do seu conselho deliberativo, que está impedindo que ele veja o crescimento exponencial de novas soluções nos investimentos, nas transferencias financeiras, nos meios de pagamento, na economia digital, no futuro do trabalho, no mundo corporativo, na demografia e tudo o mais, enquanto os clientes se tornam mais refinados em suas expectativas, a única limitação que restará para seu fundo de pensão inovar será: você dá liberdade para um time supimpa de visonários liderar as mudanças em diração o amnahã?


Grande abraço,

Eder.


 P.S.: As PensionTechs estão chegando para mudar o mercado, tipo UFUND , vai lá checar que vale a pena!

 

Fonte: “Les trois voies de l’innovation : Réimaginer, Diversifieret Réduire”, escrito por Philippe Meda



quinta-feira, 1 de setembro de 2022




Cajamar, 1º de setembro de 2022


 

Ref.: Uma carta para você que não tem cryptomoedas

 

 

Queridos amigos,


Escrevo essa carta porque estou convencido de duas coisas: (i) nosso sistema monetário, nosso sistema financeiro, nosso sistema de previdência complementar e os demais mecanismos que usamos hoje para buscar a segurança financeira futura estão, fundamentalmente, caminhando rapidamente para se tornarem disfuncionais; e (ii) abraçar um dinheiro mais evoluído vai, no longo prazo, beneficiar as pessoas individualmente e beneficiar a sociedade como um todo.

Nossa poupança, nossos investimentos, nosso dinheiro, são assuntos sensíveis – a maioria das pessoas das gerações mais antigas não gosta de falar disso, seja porque tem pouco e sente vergonha ou porque tem muito e sente medo. Menos pessoas ainda entendem a natureza do dinheiro, o que é chocante, afinal de contas, dinheiro é algo essencial na civilização moderna.

O mundo mudou significativamente nas ultimas duas ou três décadas, o mundo do dinheiro também mudou, mas temo que o sistema monetário, o sistema financeiro e o sistema de previdência complementar, não mudaram necessariamente para melhor.

O simples fato de: (1) governos ao redor do mundo criarem do nada trilhões (com “T” mesmo) de dólares; (2) mesmo com mais de 7.000 bancos espalhados pelo planeta, mais de um bilhão de pessoas não ter acesso a contas bancárias - inclusive a faxineira aqui de casa que mora a ½ hora de São Paulo; e (3) haver participantes de planos de previdência complementar vivendo mais do que a poupança que fizeram durante toda uma vida – coisas assim atestam o quão desconectados esses sistemas estão da realidade.

O que vem pela frente me preocupa, mas ainda assim sou otimista, porque vem surgindo uma alternativa.

 

MOIP ou Money Over Internet Protocol

 

Tirando o dinheiro em papel, ou seja, as notas e moedas que estão na nossa carteira ou debaixo do colchão, 90% do nosso dinheiro, investimento, poupança e previdência complementar são passivos registrados no balanço proprietário de algum banco, entidade de previdência complementar ou instituição de poupança.

Em outras palavras, até aqui nosso dinheiro vinha sendo um passivo registrado no balanço pertencente a alguma instituição financeira, responsável por “guardar” nossa reserva de valor.

Aí chegou aquela galera da comunidade crypto e fez uma revolução. Eles perguntaram: “... e se criássemos softwares e protocolos que permitissem guardar nossa reserva de valor, nosso dinheiro, na Internet, que permitisse transferir e usar o dinheiro diretamente como meio de pagamento, sem passar por uma instituição financeira”?

Para você entender melhor, pense no que aconteceu com as ligações telefônicas. Até os anos 90, usávamos a rede proprietária, isto é, as linhas telefônicas, de alguma empresa de telefonia para fazer uma ligação. Hoje usamos o Facetime, o Whatsapp, o Messenger e outros apps e falamos através da web, com base em softwares e protocolos de Internet, os chamados TCP/IP – Transmission Control Protocol / Internet Protocol. Fazemos hoje ligações p/ qualquer parte do mundo 24 x 7 x 365, baseadas nesses protocolos, a custo zero.

O TCP/IP está para a comunicação de voz e dados assim como o MOIP – Money Over Internet Protocol está para uso, transmissão e guarda da reserva de valor, $$$, no mundo digital. É toda uma arquitetura de serviços financeiros, de ativos, de dinheiro, inteiramente nova, é disruptivo.




 A essa altura você já deve ter ouvido falar de Bitcoin, Ethereum, XRP, Litecoin, Solana e tantos outros protocolos, chamados de cryptomoedas. O Bitcoin já foi assunto até de episódios do The Simpsons, The Big Bang Theory e inúmeros outros programas e noticiários de TV. Mas a despeito da cobertura da mídia sobre o assunto, ainda é mal compreendido em larga escala o que de fato são as cryptomoedas e o papel delas na economia.

Seja o que for que você tenha ouvido falar ou o que você pense sobre cryptomoedas, elas são muito mais do que nossos olhos conseguem enxergar - até porque são digitiais e portanto, invisiveis. Graças às intervenções monetárias causadas pelos bancos centrais espalhados pelo mundo, a narrativa sobre as cryptomoedas está começando a mudar.

Cryptomoeda não é mais sinônimo de criminalidade nem de dinheiro transacionado na “dark web” e vem se firmando como o equivalente a dinheiro confiável, hedge (proteção) contra o sistema corrente, um voto pela liberdade, um paradigma diferente para a moeda.

 

Porque as cryptomoedas são necessárias

 

Não vou te falar sobre como funcionam as cryptomoedas, nem sobre a incrivel historia de como surgiram, não vou falar do misterioso criador do Bitcoin, nem da cryptografia ou da teoria dos jogos por trás delas. Você pode ler sobre tudo isso em inúmeras fontes de informação e afinal, isso aqui é uma carta, não um livro. Vou te falar, entretanto, sobre porque elas são necessárias.

A capitalização de mercado do ouro é hoje de US$ 9 trilhões, dos imóveis é globalmente de US$ 223 trilhões. A capitalização de mercado de todas as cryptomoedas em 01 de agosto de 2022 era de US$ 1,13 trilhões. Apesar de ainda estar nos estágios iniciais de desenvolvimento, as cryptomoedas caminham para capturar parte ou todo o valor de mercado do ouro e dos imóveis, desmonetizando esses e outros ativos nesse processo. O mundo caminha para ser reprecificado em cryptomoedas.

Dinheiro é uma ferramenta essencial para qualquer situação que requeira cooperação em larga escala, é um dispositivo de mensuração, um mecanismo substituto para escambo, um meio de guardar valor e patrimônio no espaço e no tempo. Dinheiro é muitas outras coisas e é essencial para o funcionamento de uma sociedade complexa.

O amago do problema com o dinheiro convencional é que ele requer confiança para funcionar. Precisamos confiar no banco central para que o dinheiro não perca valor, mas a historia do dinheiro é cheia de episódios de quebra dessa confiança. Crises financeiras e a recente pandemia mostram claramente que nosso dinheiro tem problema, está quebrado, não funciona.

O poder de compra do dólar vem caindo continuamente desde 1913 e a tendência mostra que deverá cair mais ainda. As cryptomoedas são uma inovação monetária, muito mais do que uma inovação tecnológica.


 

O Covid-19 revelou a fragilidade não só da cadeia global de suprimentos, mas principalmente do nosso sistema financeiro e monetário. Numa questão de dias passamos a imprimir $$$ ilimitadamente via politicas de flexibilização quantitativa (quantitative easing) mundo afora, injetando liquidez na economia, salvando (outra vez) com o seu, o meu, o nosso $$$, bancos muito grandes para quebrar, fazendo de tudo para evitar o colapso do sistema financeiro.

Se por um lado a linguagem econômica é sofisticada, por outro, a repercussão é simples: inflação galopante é o que acontece e o impacto para as pessoas sempre o mesmo, o dinheiro que você economizou desvaloriza e seu poder de compra se reduz, esteja seu $$$ debaixo do colchão ou na conta bancaria.

As cryptomoedas resolvem isso, por não serem baseadas em passivos, como o sistema atual, por terem oferta estritamente limitada, por não poderem ser criadas arbitrariamente, por não dependerem de um poder central ou uma autoridade máxima que possa corrompe-las.

As cryptomoedas são o antidoto para a teoria monetária moderna. É necessário endireitar o mundo tortuoso do dinheiro fiduciário e analógico.

 

O melhor dinheiro que já foi inventado

 

As propriedades monetárias das cryptomoedas, desenhadas a partir do zero, foram criadas para ser superiores a todas as demais formas de $$$: são extremamente portáveis, perfeitamente escassas, altamente divisíveis, facilmente verificáveis, duráveis, fungíveis e extremamente resistentes à censura.

Tais propriedades não foram atribuídas as cryptos por nenhuma autoridade central, elas emergem naturalmente do próprio sistema que as construiu.

As cryptomoedas são o dinheiro do povo, feito pelo povo, para o povo, não controlado por ninguém, auditável e utilizável por todo mundo. São superiores a imóveis e ouro por muitas razoes, nenhum outro ativo pode ser magicamente transmitido por meio da Internet ou de qualquer outro canal de comunicação.

Elas possuem a maior densidade de valor dentre todos os ativos, pois são pura informação. Você pode ter em sua mente uma quantidade de Bitcoins equivalente a um bilhão de reais e guardar esse patrimônio mesmo se estiver totalmente nú.

 



As cryptomoedas são um investimento no futuro, não necessariamente um investimento especulativo. Conforme o meme acima, deveriam ser vistas não como ativos a serem trocados de volta por reais, dólares ou euros. Quando você entender o que elas são, não vai mais precisar vender suas cryptos.

 

Abraço,

Eder.

 


Disclaimer: Não deveria ser preciso dizer isso, mas receio ter que deixar explicito: esse texto não é aconselhamento financeiro, não é orientação de investimentos, não recomenda a compra de nenhum ativo real ou digital, nem de valores mobiliários, nem de coisa nenhuma. Publiquei o texto porque achei que poderia ser útil para alguém. Para você que não me conhece na vida real, sou apenas um cara qualquer das mídias sociais, posso até ser um hamster. Aja com prudência.


Fonte: Dear Family, Dear Friends, escrito por Gigi

 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

TE CONTEI? O MAU HÁBITO DE ALGUNS CONSELHOS DELIBERATIVOS DE FUNDOS DE PENSÃO

 



De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Todos nós em algum momento já tentamos mudar um habito para melhorar nossas vidas. A razão pela qual muitas tentativas de eliminar um mau habito falham, é que maus hábitos não surgem do nada. Ninguém levanta um dia e decide começar a fumar e beber toda noite. Maus hábitos geralmente têm a ver com preencher algum desejo, conforto ou necessidade desatendido. Tentar remover o mau habito deixando tudo o mais intocado, não elimina essa necessidade e pode simplesmente levar a substituição de um habito ruim por outro ainda pior. Por isso, a abordagem que costuma dar mais certo é substituir um mau habito por um habito bom, benigno ou menos prejudicial – ou tentar lidar com a necessidade subjacente.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE:

Conselhos deliberativos são feitos de pessoas que podem facilmente criar maus hábitos, a menos que estejam atentos para evita-los. É mais fácil concertá-los no início, antes que se incorporem à cultura da organização. Um dos principais maus hábitos de conselhos de fundos de pensão é a “micro gestão” da diretoria executiva, conselheiros que pensam ser seu papel administrar o dia a dia da organização. Isso mina o trabalho dos diretores e elimina a eficácia de suas decisões. Se o conselho não vai deixar a liderança liderar, para quê ter uma liderança afinal de contas?

 

CONCLUSÃO: 

Dedique algum tempo para educar o conselho, ajude-o a entender que os maus hábitos podem minar sua boa governança e como qualquer hábito ruim, um puxa o outro. Qual hábito ruim você já viu nos conselhos deliberativos dos fundos de pensão e como este foi superado?


Grande abraço,

Eder.


 

Fonte: FS – Farnam Street

 

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