… e um Próspero Ano Novo para os leitores aqui do Blog.
O futuro do trabalho tem que valer para todos, o futuro dos fundos de pensão também.
HO-HO-HO
… e um Próspero Ano Novo para os leitores aqui do Blog.
O futuro do trabalho tem que valer para todos, o futuro dos fundos de pensão também.
HO-HO-HO
De São Paulo, SP.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO:
”Déjà vu” vem do francês, quer dizer “já visto”. É aquela sensação estranha de que você já esteve em certo lugar, já fez algo igual antes ou já experimentou a mesma situação. Geralmente nos pega de surpresa, nos faz sentir meio estranhos, tipo: será que vivi isso numa vida anterior? Nos últimos 200 anos as pessoas associavam essa sensação a algo sobrenatural, esotérico. A cientista Anne Cleary aprofundou estudos feitos por Allan Brown no início do Século XXI e comprovou que o fenômeno tem a ver com o funcionamento de nossa memória, muito mais do que com mediunidade ou coisas do gênero. Pesquisas mostram que o déjà vu ocorre quando há uma falha no armazenamento de informações no cérebro e os fatos que estão acontecendo são armazenados diretamente na área das memórias de longo prazo, sem passar por nossa memória imediata (curto prazo), dando a sensação do fato já ter ocorrido.
POR QUE ISSO É IMPORTANTE:
Consta que o grupo de trabalho da área de previdência, que está cuidando da transição de governo, preparou um relatório com dez medidas prioritárias a serem adotadas nos primeiros cem dias do novo governo (mais: aqui). Lendo algumas das medidas, tive a estranha sensação de que já vi esse filme antes. Na maioria dos casos, o déjà vu significa apenas cansaço, ansiedade ou estresse. Quando ocorre com muita frequência, é prolongado ou acompanhado de apagões, sensação de medo, raiva ou euforia, ou sintomas como coração acelerado, palidez e movimentos repetitivos com o corpo – não é o meu caso – pode indicar uma crise epilética.
CONCLUSÃO:
Dizem
que algumas vezes o déjá vu pode ser
um sintoma que acompanha crises de enxaqueca, podendo ocorrer antes ou durante
o episódio de dor de cabeça. Então, vou sugerir aos conselhos dos fundos de
pensão que fiquem atentos. Diante de sintomas que também podem ocorrer nesses
casos, como visão embaçada ou se tiverem vendo luzes, chequem o pulso da sua
governança, meçam a pressão do seu dever fiduciário e usem os remédios
indicados nessas situações ...
Grande abraço,
Eder.
De São Paulo, SP.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO:
No
dia 24-dez-2021 publiquei 10 previsões para os fundos de pensão no ano de 2022
(link: aqui).
POR QUE ISSO É IMPORTANTE: Vamos abaixo ao percentual de acertos (SIM) e erros (NÃO).
1) Prosseguirá a tendência de redução no nº de
fundos de pensão, com eliminação estimada de 2 a 5 entidades fechadas de
previdência complementar: SIM - No apagar das luzes de 2021 existiam 274 EFPC,
em set/2022 eram 272 (Fonte: Relatório Gerencial de Previdência Complementar do 3º T2022
da Subsecretaria
do Regime de Previdência
Complementar)
2) Alguns planos CD e CV multiportfólio de porte
médio serão pioneiros na implantação de perfis ESG e o assunto começará a
ganhar tração na gestão das políticas de investimentos: NÃO - O Diretor
Presidente de uma EFPC de porte médio do estado de SP me disse estar
desenvolvendo um perfil ESG em seu plano CD, mas a previsão de implantação é apenas
para 2023.
3) Surgirão, dentre os cinco maiores fundos de
pensão do pais, discussões sobre o reporte dos riscos das mudanças climáticas
nos portfolios de investimentos nos moldes do TFCD: SIM – Nos dias 1 e 2/7, a
Previ realizou a segunda edição on-line do webinar Políticas de
Investimentos com o planejamento das políticas para o período 2022-2028. Os
debates abordaram aspectos de finanças sustentáveis e a divulgação de
relatórios ASG incluindo o padrão do TCFD no âmbito das mudanças climáticas.
4) Haverá maior procura por investimentos
alternativos e ilíquidos na alocação de ativos, mesmo em meio a elevação
rápida, mas conjuntural, da taxa de juros soberana: NÃO – Relatório da Mercer
indica que aumentou a alocação média na LATAM para investimentos alternativos
em países como Peru, Colômbia e México, mas não menciona o Brasil.
5) As iniciativas de “rebranding” e a adoção de
novas marcas e nomes, distanciando os fundos de pensão de suas patrocinadoras –
a lá HP, Ericsson, Fundação CESP, Oderbrecht et all – chegarão com certo atraso
e ainda timidamente, na governança de seus conselhos deliberativos: SIM – Fui
convidado, junto com outro profissional de mercado, para integrar o Conselho
Fiscal de um dos maiores fundos de pensão do setor privado ... e aceitamos,
começamos em outubro. Somos dois membros independentes em um colegiado com 5
membros.
6) A natural dança de cadeiras nos conselhos
abrirá espaço para igualdade de gênero, mexendo ligeiramente a agulha dos
atuais 18% dos assentos ocupados por mulheres: SIM – A EnerPrev, fundo de
pensão da Energias do Brasil, além de possuir membros independentes em seu
conselho deliberativo, adota composição que privilegia a igualdade de gênero, caminhando
para a paridade pois conta atualmente com duas mulheres entre os seis membros.
7) Os planejamentos estratégicos feitos em 2021
por muitos fundos de pensão que buscam reposicionamento, se mostrarão difíceis
de implementar em paralelo com sistemas legados, sofrerão restrições de custos
e enfrentarão resistência de estruturas e mentes que não são amigáveis às
inovações: TALVEZ – Difícil de comprovar.
8) Os fundos de pensão focados exclusivamente em
planos instituídos atrairão maior nº de clientes | participantes e crescerão entre
10% e 20% a mais do que aqueles que oferecem planos patrocinados - excluídos os
planos de estados e municípios: SIM – A população dos planos instituídos cresceu
43% no período 2019 a jun-2022. Quantidade de participantes ativos das EFPC
entre 2021 e jun-2022: planos patrocinados = menos 6 mil | planos instituídos =
mais 5 mil (Fonte: RGPC – SURPC)
9) Os planos “família” vão começar a patinar,
diante da dificuldade de venda e da falta de uma estrutura de gestão moderna,
com tecnologias digitais, deixando evidente a dificuldade dos fundos de pensão
patrocinados em administrar planos individuais: SIM – A evolução da quantidade
de participantes ativos nos planos instituídos foi: 2019 a 2020 = 29,7% | 2020
a 2021 = 9,5% | 2021 a jun-2022 = 2,8% (Fonte: RGPC – SURPC)
10) Os fundos de pensão que atraíram planos de
estados e municípios em 2021 enfrentarão aumento significativo de despesas
administrativas e precisarão ajustar suas estruturas de gestão, seus
investimentos e os desenhos dos panos a um público diferente do seu: NÃO – Estão
disponíveis apenas dados gerais, mas a taxa de administração média entre todas as
EFPC foi de 0,27% em 2021 e 0,28% até Set-2022, indicando pequeno aumento no
agregado.
CONCLUSÃO:
O percentual de acertos das previsões foi de 60%, considerando como não realizada a previsão que é difícil de comprovar. Caso desconsiderada, o acerto sobe para 67%.
Em breve, as previsões para 2023.
De São Paulo, SP.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO:
Arrependimento é uma emoção, uma emoção negativa que nos faz sentir pior, não melhor. É desencadeada quando pensamos em algo do nosso passado e desejamos ter feito de modo diferente ou não ter feito. É incrivelmente complexo cognitivamente porque requer viajar mentalmente ao passado, imaginar o contrafactual em relação ao que aconteceu e então voltar ao presente e ver o presente reconfigurado por causa da revisão na decisão. É uma emoção comum, +80% das pessoas dizem ocasionalmente pensar nisso e curiosamente, quanto mais envelhecemos mais nos arrependemos daquilo que deixamos de fazer (duas vezes mais prevalente) do que daquilo que fizemos (comum entre os mais jovens).
POR QUE ISSO É IMPORTANTE:
Arrependimentos, apesar de
dolorosos, nos ajudam a andar para frente. Daniel H. Pink catalogou mais de
15.000 arrependimentos de pessoas de 100 países e as classificou em quatro principais
categorias de arrependimentos: básico, ousadia, moral e conexão (ou relacionamento).
Essa última, com maior quantidade de casos compartilhados. O interessante é que
arrependimentos de conexão – a menos que a outra pessoa tenha morrido ou esteja
inacessível – podem ser revertidos porque são arrependimentos de inação, contra
os quais basta agir.
CONCLUSÃO:
A transição entre o modelo de negócios dos
atuais fundos de pensão e os fundos do futuro ainda está em andamento. Uma
conversa incrivelmente poderosa e talvez transformacional, dentro de um
conselho deliberativo, seria as pessoas em posição de liderança dizerem: “Hei,
pessoal, hoje quero partilhar com vocês um arrependimento que tenho, o que
aprendi com ele e o que vou fazer com isso”. E então, falar sobre o motivo de
não ter incorporado conselheiros profissionais no colegiado até hoje, coisa que
mudará em 2023. 😊
Fonte: What Is thePower of Regret? A Conversation with Daniel Pink, escrito por Josh Wright
Mestre em Administração Profissional pela EAESP/FGV, Bacharel em Ciências Atuariais pela UFRJ, com especialização em Propaganda & Marketing pela ESPM-RJ e em Governança Corporativa pelo IBGC. Mais de 25 anos de atuação no mercado de previdência complementar, Membro nº 641 e ex-Diretor do Instituto Brasileiro de Atuária e ex-Professor do MBA de Gestão de Riscos Financeiros e Atuariais da USP/FIPECAFI. Gerenciou inúmeros projetos internacionais e regionais na área de benefícios, tendo morado em Jacksonville, FLA-EUA e em Lincolnshire, CH-EUA. Ocupou cargos de alta gerência e direção nas maiores empresas globais de benefícios, em fundos de pensão, em seguradoras e em bancos.
Desenvolve Pesquisas, Projetos e Palestras sobre Previdência, Seguros (RE), Benefícios a Empregados, Programas de Saúde, Economia Comportamental, Neuromarketing e Investimentos Responsáveis.
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License.