quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

FUTURO DOS INVESTIMENTOS DOS FUNDOS DE PENSÃO: O QUE ESTÁ A CAMNINHO

 


De São Paulo, SP.


Existe um ditado Dinamarquês que diz mais ou menos o seguinte: “é difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”.

 

No entanto, quando alguém faz uma previsão que você realmente acredita muito que vai acontecer, que você genuinamente aposta que vai se transformar em realidade, fica difícil não dar ouvidos. 

 

Pois é! As previsões # 3 e # 13 dentre as “21 Previsões para 2021”, que acabam de ser publicadas pela RIADAC, se encaixam nesse caso. Elas dizem mais ou menos o seguinte:

 

# 3. “Para os serviços do sistema financeiro – abrangendo firmas de planejamento financeiro e seus profissionais, investidores institucionais, gestores de investimentos, fundos mútuos e fundos de hedge, passando por fundos de pensão, family offices e departamentos financeiros das grandes corporações – o risco de reputação vai se deslocar do “porquê você investiu nisso” para “porque você não investiu nisso”? Ao final de cada trimestre, na medida que os gestores de ativos tentarem justificar suas falhas, veremos varridas para debaixo do tapete as verdadeiras razões de não terem investido em ativos digitais. 

 

# 13. “A tokenização vai disparar como um foguete e afetar ativos de todos os tipos – de tangíveis, como imóveis e itens colecionáveis (definição: aqui ) a intangíveis, como royalties de música e contratos profissionais com atletas/times esportivos ou artistas de cinema/TV/radio. Os tokens ganharão tração, preparando terreno para a explosão dos ativos digitais que acontecerá nessa década de 2020.

 

Ah, existem outras 19 previsões na lista da RIA Digital Asset Council e você pode encontrar todas elas: aqui

 

Deixando as previsões de lado

 

Estima-se que ao longo dos últimos 12 anos um valor de cerca de US$ 1 trilhão passou a existir na economia global. Pode ser um pouco mais, um pouco menos, uns US$ 100 bilhões de variação pra lá ou pra cá. 

 

Um dia esse valor pode chegar a US$ 10 trilhões ou US$ 100 trilhões ou permanecer em US$ 1 trilhão para sempre ou pode ir a US$ 0.

 

Independentemente do que vier a acontecer, esse US$ 1 trilhão em valor já se materializou e cresceu desde 2008 em redes financeiras baseadas no blockchain

 

Já está aqui.

 

Se você é um investidor institucional, um planejador financeiro individual ou um fundo de pensão, você perdeu US$ 1 trilhão em valorização do capital do seu cliente ou participante. Pode perder mais.

 

Independente de como se analise, a verdade é que os cryptoativos têm sido desaconselhados, mal compreendidos e subrepresentados no portfolio dos clientes pela maioria dos profissionais de investimentos. Os cryptoativos também não têm sido distribuídos pelos agentes fiduciários para o mercado massificado. 

 

Ao invés disso, os cryptoativos vêm sendo: (i) incluídos nos portfolios do varejo dominados por pessoas físicas, via corretoras de cryptoativos ou apps descentralizados; ou (ii) empacotados e protegidos para negociação segura por novos fundos que compram ativos para os maiores family offices e fundações filantrópicas / endowments do mundo.

 

Isso significa que são os investidores individuais e os investidores mais afluentes no mercado de varejo que estão investindo em cryptoativos e tem feito isso por conta própria, através de traders e carteiras digitais / wallets como Coinbase, Binance, Etoro ou Metamask.

 

Curiosamente, as pessoas que investem em cryptoativos adotam uma estratégia ativa em oposição ao marasmo dos investimentos passivos que tomou conta tanto do mercado de varejo (pessoas físicas) como de atacado (investidores institucionais como fundos de pensão).

 

O padrão passivo dos investimentos se disseminou no mercado de renda variável com fundos de pensão e pessoas físicas alocando grande parte dos patrimônios em fundos de ações e ETFs mundo afora. É fácil entender a razão. 

 

Gestores de ativos e planejadores financeiros, cuja receita é baseada em taxas de administração, preferem uma alocação diversificada e barata que entregue retornos equilibrados em um mercado estável. Isso é logico. É estatístico. É pura matemática. Quem vai discutir com Bill Sharpe?     

 

Corretoras de valores e planejadores financeiros americanos possuem hoje cerca de US$ 10 trilhões em ativos sob gestão, a maior parte disso seguindo estratégias passivas (gráfico abaixo).




Está claro que nem “as massas” nem os clientes institucionais estão sendo aconselhados pelos gestores de investimentos sobre cryptoativos e assim, vai ficando de lado o que realmente importa: agregar valor ao capital.

 

Clientes e participantes deixarão de ser seus clientes e participantes se os cryptoativos atingirem US$ 10 trilhões. Apenas para lembrar: 

  • O M1 nos EUA (dinheiro em circulação + depósitos a vista) soma US$ 7 trilhões;
  • A capitalização de mercado das empresas de tecnologia da NASDAQ durante a bolha das “.com” era de US$ 3 trilhões;
  • Todo o ouro do mundo soma US$ 8 trilhões;
  • Todas as reservas internacionais / cambiais somam US$ 10 trilhões;
  • O total de ações no mundo gira em torno de US$ 100 trilhões;
  • Todos as classes de ativos (incluindo imóveis, arte e o contratos futuros de torresmo) totalizam US$ 500 trilhões.    


Os nerds da comunidade crypto é que são os malucos?

 

Teoria dos jogos, bancos e fundos de pensão  

 

A teoria dos jogos distingue-se na economia na medida em que procura encontrar estratégias racionais em situações em que o resultado depende não só da estratégia própria de um agente e das condições de mercado, mas também das estratégias escolhidas por outros agentes que possivelmente têm estratégias diferentes, mas objetivos comuns (fonte: Wikipidia).

 

Pois a teoria dos jogos tem sido incapaz de apontar caminhos para o atual modelo de negócios de bancos e fundos de pensão, cuja concentração e diminuição em ritmo acelerado prenuncia que se nada for feito, haverá disrupção em breve.

 

A concentração de depósitos nos grandes bancos, aqueles com atuação nacional nos EUA como JP Morgan e Citi, têm disparado, enquanto nos pequenos bancos com operações locais ou estaduais vem caindo. (gráfico abaixo). 



Não só isso, a quantidade de bancos nos EUA que conta com garantia federal em caso de quebra, diminuiu quase que pela metade nos últimos 20 anos (gráfico a seguir).



O mesmo quadro de redução e concentração em busca de escala se verifica não apenas com os bancos no Brasil e em outros países, mas também com a quantidade de fundos de pensão em queda livre aqui e nos quatro cantos do mundo. 

 

Paralelamente, vemos Facebook, Google e Amazon tentando engolir os serviços bancários. Vemos empresas desenvolvendo produtos baseados em ativos digitais, para poderem competir globalmente. Vemos fintechs como Square e SoFi atuando com uma pegada de distribuição digital que abrange várias regiões e inclui serviços tão amplos quanto poupança, investimentos, saúde, crédito, comercio digital e meios de pagamentos.


A regulação pode até salvar bancos e fundos de pensão da extinção no médio prazo, mas a verdade é que sem procurar entender as novas classes de ativos digitais, sem testar os investimentos emergentes em cryptoativos e sem participar da construção dessa nova economia, clientes e participantes ficarão olhando do lado de fora, a valorização do capital acontecendo do lado de dentro. 

 

Se eu consigo testar isso em nível individual, buscando espelhar uma filosofia de investimento de longo prazo como na previdência, imagino que experts da área de investimentos dos fundos de pensão também consigam. 

 

Minha brincadeira com a cryptomoeda ETH renderia $ 11.411 em pouco mais de dois meses e meio (20/out/2020 até 13/jan/2021), para um investimento de $ 9.800 (figura abaixo). 



Estou apostando que esse retorno atinja uns $200.000 em quatro anos, mas pode-se ter $0 no final das contas. Testes são assim mesmo, o importante é aprender.  



Toda decisão de negócios começa com uma pergunta. O conselho deliberativo do seu fundo de pensão já se perguntou: “Que diabos são esses cryptoativos e como podemos investir com segurança nessas classes emergentes de ativos digitais?”

 

Não perguntou ainda? Puxa vida, pensei que comprar na alta e vender na baixa fosse coisa de amadores .... lembre-se, sou um "professional prococateur"!

 

Grande abraço,

Eder.



Fonte: How the OCC is building Crypto America and saving banks from extinction, The Fintech Blueprint.



 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O "COINDESK DAILY" DE HOJE ESTÁ MUITO BOM! QUEM QUISER FICAR POR DENTRO DA COMUNIDADE CRYPTO, DEVERIA ACOMPANHAR.

 


De São Paulo, SP.

Resumão:

  • Traders estão apostando alto nas opções de compra de bitcoins (BTC), com estimativas de até US$ 72 mil para final de janeiro, enquanto a bolsa americana anda de lado;
  • A censura do Tweeter e Amazon que baniram as contas de Trump das redes chamou a atenção para as mídias sociais "descentralizadas" sobre as quais tenho escrito bastante aqui (a Web 3.0);
  • Liberdade de expressão está no centro das soluções da comunidade crypto e já se prevê o começo do fim de "big techs" como Facebook, Tweeter et cia;
  • Autoridades do tesouro britânico veem as Stablecoins como um meio rápido, barato e fácil para transações financeiras globais, devem sair na frente dos EUA;
  • A rede social de avatar 3D "IMVU" teve aprovação da SEC (CVM americana) para lançar seu token digital VCOIN, baseado no ERC20 da plataforma de blockchain Ethereum. Os usuários poderão comprar bens e serviços na plataforma digital da IVMU com esse token e os vendedores poderão transformar as VCOINS em dinheiro real. 


Não entendeu nada? Comece a estudar Blockchain, Web 3.0, Realidade-X (ou Realidade-Transversa), criptoeconomia ... 

O futuro dos fundos de pensão está nesse novo mundo, não no antigo.


Grande Abraco,

Eder.

TE CONTEI? OS CONSELHOS DEVERIAM AVALIAR A LONGEVIDADE DAS PATROCINADORAS ANTES DE ASSINAREM CONVÊNIOS DE ADESÃO


Credito de Imagem: http://heylead.com


De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Artigo da revista “Pensions Expert” defende o uso de ferramentas que permitam uma tomada de decisão profissional na aceitação de novas patrocinadoras. Convênios de adesão, em geral, são encerrados por: aquisição da patrocinadora, quebra da empresa, transferência para outro fundo de pensão ou término do plano. Todas custosas, com perda de receita e impacto nos investimentos dos fundos de pensão, por isso, seria papel fiduciário dos conselhos, além de componente importante da adesão, avaliar a saúde financeira da patrocinadora no longo prazo.

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O futuro do trabalho e a transformação do setor levarão à mudanças estruturais nos fundos de pensão no longo prazo. Durante as múltiplas décadas da vida de um plano de previdência, a saúde e natureza da patrocinadora mudarão. Potenciais patrocinadoras deveriam, portanto, ser avaliadas de maneira mais estratégica.

CONCLUSÃO: 

Faz sentido. Aceitar qualquer patrocinadora é o caminho certo para problemas futuros. Vi isso acontecer nos anos 90 no antigo fundo multipatrocinado de um banco francês e por conta disso um banco brasileiro está tendo dor de cabeça até hoje.

Grande abraço,

Eder.



Fonte: Trustees should monitor sponsor longevity when assessing covenant, escrito por Benjamin Mercer


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

DISRUPTURA DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, DIFICIL ENXERGAR HOJE, MAS UMA MUDANÇA INEVITAVEL DE PARADIGMA


Credit de Imagem: https://www.diaphanes.net 


De São Paulo, SP.


Não é de hoje que as transformações no mundo corporativo vêm reduzindo drasticamente o quadro de empregados das empresas de todos os setores, da manufatura ao setor de serviços.

 

O mundo não é uma curva discreta, muito pelo contrário, segue uma curva contínua. Porém, se tivéssemos que pontuar no tempo o início desse movimento no setor industrial eu ficaria com um episódio na já longínqua década de 1990.

 

O COMEÇO DO FIM

 

O protagonista foi um engenheiro Espanhol, nascido nos países Bascos, José Ignácio López de Arriortúa. Ele foi o criador de uma abordagem que começou nas fabricas de veículos, se espalhou pelo mundo industrial e revolucionou o sistema de produção.   

Lopez, ex-comandante da área de suprimentos da GM e Vice-Presidente Mundial de Operações da VW, concebeu o Consórcio Modular levando o princípio organizacional da terceirização aos extremos. Nesse modelo produtivo o fornecedor ou parceiro é responsável pela montagem e garantia dos "módulos de montagem", cabendo à montadora a supervisão e teste dos veículos. 

Tudo surgiu em 1994, quando Lopez propôs a estratégia de radicalização do “just in time”, que sozinho já havia economizado US$ 4 bilhões para a GM em apenas um ano. Lopez propôs levar os fornecedores para dentro da fábrica para que eles próprios instalassem seus componentes diretamente na linha de montagem. As montadoras passariam, assim, a deixar de executar atividades de montagem, cuidando somente da logística, qualidade e engenharia de manufatura. 

A ideia era que se transformassem em organizações de marketing e vendas, desenvolvendo novos produtos e controlando a cadeia de valor agregado. 

Em novembro de 1996 a VW, com esse conceito, iniciou a operação de sua fábrica de caminhões e ônibus em Resende no estado do RJ, um investimento de US$ 300 milhões. A capacidade de produção na época era de um veículo a cada 10 minutos ou 30 mil por ano.

 

Como resultado, apenas 290 dos 1.750 empregados da fábrica eram da VW. Os empregados da VW, a minoria, inspecionavam os veículos ao final do processo.

 

Mais: aqui

 

A VW, que chegou a ter mais de 100 mil empregados no Brasil, conta hoje com pouco menos de 15 mil. O mesmo aconteceu com o processo de manufatura no mundo todo, afetando desde fabricas de veículos a construção de aviões. 

 

Esse ponto de inflexão nas indústrias de veículos (e em outras) não para aqui. Tecnologia e mudanças sociais, induzidas pelas novas gerações, estão prestes a levar a redução de empregos para outro patamar com um novo conceito de mobilidade substituindo o velho hábito das pessoas possuírem um carro e automação dominando por completo as linhas de produção.

 

Quem quiser saber mais sobre o assunto pode checar um artigo que escrevi no meio do ano passado sobre os impactos no setor de seguro auto: aqui

 

UMA ESCALA QUE É PARTE DO PROBLEMA, NÃO DA SOLUÇÃO!

 

A análise a seguir foi baseada em números da economia americana, mas é facilmente ampliada para a maioria das economias e países do mundo hoje. Podemos inferir que mesmo no Brasil, o cenário não é muito diferente.

 

Recessões são caracterizadas por perda de empregos, o que parecia afastado até dezembro/2020 ... quando o saldo foi negativo, 123 mil empregos foram perdidos nos EUA no último mês do ano que passou (gráfico abaixo). Algo que não acontecia desde abril/2020 e contrariou economistas que previam 349 mil novas posições para dezembro/2020. 



 Os EUA têm hoje 10 milhões de desempregados a mais do que havia em fevereiro/2020. 

 

As maiores empresas nos EUA, aquelas com +1.000 empregados, ejetaram 169 mil pessoas de seus empregos no ano passado. Não é problema de caixa, pois foram inundadas com dinheiro barato pelo FED em março/2020 o que reabriu o mercado de créditos e jogou no chão o custo de novas dívidas. 

 

O fato de grandes companhias estarem cortando empregos ao invés de contratar, aponta para a chegada de um novo paradigma no qual os negócios passam a fazer de tudo para aumentar a produtividade ao mesmo tempo que reduzem custos, majoritariamente através de empregos e custos trabalhistas. 

 

As grandes corporações estão nesse momento lutando por uma fatia maior de um bolo menor. Graças ao impacto negativo da pandemia do Coronavírus sobre os orçamentos domésticos, as empresas não têm espaço para aumentos significativos de preços ao mesmo tempo que precisam investir pesado em atualizações tecnológicas para se manterem competitivas.

 

Tudo isso para dizer que a escala, da qual os fundos de pensão dependem hoje e sobre a qual seu modelo de negócios foi erigido, faz parte do problema e não parte da solução.

 

O QUE VEM DEPOIS 

 

Vai ficando claro que o modelo de negócios dos fundos de pensão precisa mudar. Em artigos publicados na mídia durante essa semana, técnicos do setor defendem a soltura das amarras dos planos corporativos. Os fundos de pensão passariam, nessa concepção, a poder receber empregados de qualquer empresa e não apenas os empregados da empresa que os criou.

 

Se por um lado essa ampliação dos planos corporativos para um publico maior parece resolver o problema da escala, da mesma forma que tentam fazer os planos família, por outro não muda o paradigma. 

 

Os fundos de pensão permanecem, assim, girando em torno de um mesmo modelo de negócios, comprovadamente desgastado e baseado em um contrato social erigido em torno do vínculo de emprego.

 

O futuro da previdência complementar, por mais paradoxal que pareça, não resta em cima de planos corporativos nem de planos individuais, mas sim de um novo paradigma. Reconheço que é bastante difícil para o momento, vislumbrar a disruptura que está por vir no modelo atual de fundos de pensão e dos planos individuais. 

 

Não basta apenas acompanhar todas as mudanças sociais, tecnológicas e humanas em curso no mundo ao longo das últimas décadas e depois projetar o que vem pela frente. É preciso um “quê” de escritor de ficção cientifica :)

 

Arrisco um palpite, então:

 

1.   O atual modelo de previdência complementar vai se misturar com as contas bancárias e juntos, fundos de pensão e o sistema financeiro atual darão lugar a mecanismos de gasto e poupança de curto, médio e longo prazos. Ou seja, previdência e consumo deixarão de ser segregados no tempo e farão parte de uma mesma solução;

2.   Os investimentos saltarão do mundo físico e entrarão no mundo digital, de onde nunca mais sairão, ampliando as classes de investimentos que existem, fragmentando os ativos (hoje reais, amanhã digitais), democratizando o acesso à poupança e alcançando indivíduos de todos os extratos de renda e matizes sociais, sem aquela historia de que pessoas de baixa renda não precisam poupar porque são cobertas pela previdência social;

3.   A pessoas se unirão em torno de projetos - termo usado pela comunidade de criptoativos e blockchain, ao invés de empresas - cujas soluções de poupança e consumo se alinhem com seus propósitos, objetivos e visões de vida. Solidariedade, comunidade e escala ganharão uma nova perspectiva, livre inclusive das fronteiras entre países e regiões;

4.   Os projetos serão pulverizados uma vez que focados no que as pessoas pensam e buscam, não naquilo que as empresas pretendem e querem. Suas soluções de investimento, poupança e consumo serão construídas como peças de lego, com parcerias que transcenderão as limitadas ofertas atuais. Escrevi sobre isso numa serie de artigos, o primeiro deles: aqui 

5.   Lucro e retorno de investimentos deixarão de ser um fim em si mesmos e sua maximização clássica, presente nos livros de economia, perderá sentido se não vierem alinhados com os propósitos dos verdadeiros donos do dinheiro. Empresas e investimentos que não se preocupem (de verdade) com aspectos ESG, serão marginalizados, senão banidos da legalidade. Algo muito maior e individualizado do que o simples “stackeholder capitalismo”; e

6.   O surgimento de uma economia da longevidade abrirá as portas para que o dinheiro dos poupadores seja investido em inovações na area de saude (healthtechs e agetechs) que estenderão seu tempo de vida, reverterão o envelhecimento e permitirão melhores condições de vida para os idosos, além dos retornos financeiros desses investimentos. Escrevi um ensaio, cuja primeira parte é essa: daqui.

 

Bem, poderíamos continuar divagando sobre o futuro dos fundos de pensão por muitas e muitas linhas a mais. Ainda que meus palpites acima precisem ser mais bem calibrados, creio que já deu para vocês terem uma ideia do quanto mudarão as estruturas e modelos atuais.

 

Que venha essa nova era! Se você quiser chegar nela antes, vamos juntos revolucionar o conselho do seu fundo de pensão, muitas dessas mudanças começam por ele!

 

Grande abraço,

Eder.



Fonte: "Job losses suggest labor markets 'dark days' could return", escrito por Dion Rabouin.



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