sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

DEEPFAKE NA PREVIDÊNCIA: QUANDO O RISCO SISTÊMICO NĀO VEM DO MERCADO, MAS DO MEDO

 



De Sāo Paulo, SP.

Circulou recentemente na internet um vídeo produzido por IA (deepfake) com informações distorcidas sobre a previdência complementar.

Quem assistiu com mais atenção percebeu algumas nuances: voz mecânica, entonação estranha, cortes mal feitos. Um trabalho nāo tāo perfeito. Amador até.

Mas aqui está o ponto que realmente importa — esse não é o problema.

O problema é que esse tipo de vídeo, hoje malfeito, é apenas a versão beta do que está vindo por aí. Em poucos anos - talvez menos - será praticamente impossível para o cidadão comum distinguir um vídeo real de um vídeo gerado por inteligência artificial.

E quando isso acontecer, entra no radar da previdência complementarno um novo tipo de risco.


Risco sistêmico causado pela comunicaçāo

Quando se fala em risco sistêmico, a imagem clássica é conhecida:

👉 fundo de pensāo quebrado, insolvente;

👉 rombo atuarial, deficits impagáveis;

👉 má gestão dos investimentos, desvios;

👉 crise de liquidez.

Tudo isso continua relevante. Mas não é mais suficiente para criar um risco sistêmico. Vivemos numa era em que o pânico pode ser fabricado.

E pode ser fabricado em escala.

Basta um vídeo convincente — com rosto, voz e credibilidade simulados — dizendo que:

  • saldos de planos CD serão confiscados,

  • regras regulamentares vão mudar retroativamente,

  • fundos de pensāo vão “quebrar”,

Tudo isso pode provocar algo tão destrutivo quanto um choque financeiro real:

Uma corrida dos participantes e do público em geral, aos planos de previdência complementar para saques e/ou resgate integral dos recursos poupados.

Não por insolvência, nāo por problemas reais, mas pelo simples medo.


Deepfake: a tecnologia que ataca a confiança

Deepfakes são vídeos ou áudios criados por IA capazes de imitar pessoas reais, com alto grau de realismo. Voz, imagem, expressão facial, tudo pode ser replicado.

Essa tecnologia já:

  • interferiu em processos políticos,

  • foi usada em fraudes financeiras,

  • colocou em xeque a própria ideia de “prova audiovisual”.

Organismos internacionais, como a UNESCO, já alertam que estamos entrando numa “crise do conhecimento”:

O momento em que ver e ouvir deixam de ser garantia da verdade.

Traduzindo para o mundo da previdência complementar:

👉 A confiança do participante virou um ativo vulnerável.


O mundo já acordou para isso

Ainda não houve, ao menos que seja do conhecimento público, colapso em algum sistema previdenciário ou fundo de pensāo causado por deepfake.

Os governos mais atentos já entenderam esse risco — e começaram a agir.

Alguns exemplos:

  • União Europeia – AI Act

    Criou um marco regulatório que obriga a identificação de conteúdos gerados por IA, com multas pesadas para quem disseminar deepfakes sem rotulagem clara.

  • Espanha

    Avançou e foi além: multas que podem chegar a € 35 milhões ou 7 % do faturamento global de quem divulgar conteúdo sintético sem aviso.

  • Dinamarca

    Debate legislação para tornar ilegal a disseminação de deepfakes que imitem pessoas reais, tratando identidade digital como direito protegido.

  • Estados Unidos

    Leis recentes passaram a obrigar plataformas a remover deepfakes nocivos, colocando o tema definitivamente na agenda regulatória.

A mensagem é clara: deepfake deixou de ser curiosidade tecnológica e virou tema de estabilidade institucional.


E a previdência complementar com isso?

No Brasil, o foco da supervisão sempre foi - com razão:

  • solvência,

  • governança,

  • aderência às normas,

  • gestão de riscos financeiros.

Mas o risco informacional / de comunicaçāo ainda é tratado como assunto lateral, mas não deveria ser. Porque:

  1. Uma fake news bem feita pode ser disseminada em larga escala muito mais rápidamente do que qualquer comunicado oficial

  2. Modelos atuariais e gestāo de risco não capturam pânico coletivo

  3. A liquidez pode evaporar mesmo em sistemas saudáveis

Isso exige uma atualização urgente do conceito de risco sistêmico e da matriz de riscos dos fundos de pensāo.


O que cabe ao órgão fiscalizador fazer — já

Não se trata de censura, nāo tem a ver com controle de midias sociais, nem de controle de opinião.

Trata-se de proteção da confiança pública.

Algumas medidas são inevitáveis:

  • Canais oficiais com autenticação digital forte;

  • Padrões claros para vídeos e comunicações institucionais da previdencia complementar e dos fundos de pensāo;

  • Protocolos rápidos de resposta a desinformação comprovada;

  • Acordos com plataformas digitais para remoção de conteúdo fraudulento;

  • Educação do participante, explicando nas fontes de informaçāo confiaveis e quando desconfiar

Ignorar esse tema é assumir que o próximo “estresse sistêmico” virá apenas dos mercados. E isso, infelizmente, já não é mais verdade.


Conclusão

O vídeo recente sobre previdência complementar é ruim, mas o alerta que ele traz é sério. O risco sistêmico do futuro não virá apenas dos balanços.

Virá da quebra da confiança.

E quando a confiança some, nem o melhor plano, nem o melhor fundo, nem o melhor regulamento seguram o participante.

Proteger a previdência complementar hoje é também proteger a verdade compartilhada. E isso, gostemos ou não, virou um tema regulatório.

Abaixo, o video produzido com deepfake publicado no LinkedIn como alerta pelo Luiz Carlos Leāo, que gerou a ideia de escrever esse post:

Grande abraço,

Eder.


Fonte: Video intitulado “A falencia dos fundos de pensāo - como as aposentadorias viraram papel molhado”, publicado por Terry Rappeel.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts, na profunda experiencia profissional do autor e nas informações das fontes citadas.


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