segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Paradoxos de nosso tempo – I: Educação


De São Paulo, SP.
Minha esposa e eu, pensando num futuro em que nossos filhos já não poderão mais contar conosco, ensinamos para eles que nada adiantaria se pudéssemos lhes deixar bens e dinheiro.
Bens e dinheiro, conforme aprendi com meus pais e ensinamos para eles, podem ser perdidos de várias maneiras. Podem ser roubados, podem ser corroídos por impostos, podem ser tomados por governos autoritários ou vendidos por um cônjuge desmiolado. Por isso, deixaremos algo para eles que ninguém, nunca, jamais poderá lhes tirar: educação
Educação é algo que nos dá a habilidade de adquirir e aplicar conhecimento. É a nova fonte de riqueza, a nova “propriedade”.
O grande paradoxo é que educação não se comporta como nenhuma outra forma de riqueza. Por exemplo, é impossível dar educação para alguém da noite para o dia, por decreto. Não dá para redistribuir educação da mesma maneira que se redistribui renda.
Educação não pode ser transmitida para os herdeiros, como se deixa bens quando alguém morre.  Mesmo se eu partilhar minha educação com você, eu mantenho toda a educação que eu tenho. 
Não é possível tirar essa nova forma de riqueza de ninguém. Uma empresa não é proprietária da educação de seus empregados e não pode impedir que eles saiam porta afora, se eles assim quiserem.
Uma outro característica é que educação no seu conceito mais amplo, é extraordinariamente difícil de medir. Isso faz com que seja difícil de tributar, diferentemente do que acontece com outras riquezas ou propriedades.
Se por um lado é impossível redistribuir educação, como se faz com renda, também é impossível impedir que alguém a obtenha. Teoricamente, qualquer um pode buscar aumentar sua educação e obtendo mais educação ter acesso à mais riquezas. 
Um exemplo na percepção do que é riqueza pode ser observado quando comparamos a quantidade de pessoas que é proprietária de sua própria casa. Em Bangladesh, 90% das casas são ocupadas pelo proprietário. Na Irlanda, são 82%. Na Alemanha o percentual cai para 45% e na Suíça, um pais rico, é de apenas 33%. 
Onde a educação prevalece a segurança não está na propriedade física, mas no grau de educação. Existe melhor uso para o dinheiro do que comprar casas. 
Infelizmente, a educação tende a ir onde a educação já está. Pessoas bem educadas tendem a dar uma boa educação para seus filhos o que lhes assegura melhor acesso às riquezas.  
A consequência dessa nova forma de riqueza é uma grande tendência a caminharmos para uma sociedade crescentemente desigual. A menos que sejamos capazes de construir uma sociedade em que todos tenham acesso à boa educação. 
Se quisermos um Brasil melhor, precisamos criar uma sociedade em que a cultura do aprendizado seja permanente e que todos busquem por educação tão avidamente quanto buscam atualmente pela casa própria.
Grande abraço.
Eder.

Fonte: Adaptado do livro "The Age of Paradox", escrito por Charles Handy
Credito de imagem: www.heligirl.com

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Investimentos responsáveis: quando o dinheiro fala a chance de mudar o mundo aumenta – os fundos de pensão vão se posicionar?




De São Paulo, SP,

Ao longo dos últimos 50 anos as empresas entendiam que seu papel na sociedade era dar lucro para os acionistas, um conceito descrito em 1970 por Milton Freedman, Nobel de economia.

Tchau querido! Na quinta feira passada, dia 19 de agosto, Business Roundtable, uma organização que defende interesses corporativos em Washington, publicou em seu "Statement on the Purpose of Corporations" - uma espécie de declaração das finalidades das corporações – a lista do que entendem ser as principais responsabilidades de uma empresa.

No documento aparecem, antes do foco nos acionistas, as seguintes finalidades: “criar valor para clientes”, “investir nos empregados”, "fomentar diversidade e inclusão", “tratar fornecedores de forma ética e justa", “apoiar as comunidades onde trabalham" e “proteger o meio ambiente". O texto tem 300 palavras e os acionistas são mencionados só lá pela palavra 250. 

A mudança pode não ser apenas retorica, como a maioria das iniciativas corporativas nessas áreas costuma ser. Você conhece muitos empregados com mais de 60 anos na sua empresa? Eu também não. Será que o papo de diversidade e respeito aos empregados não vale para idade, numa sociedade que reconhecidamente envelhece? Pois é!

Então. Precisamos de exemplos práticos na outra direção. Como se diz em inglês, precisamos ver as empresas “walk the talk”, “put their money where their mouth is”, ou seja, fazer efetivamente aquilo que estão falando. 

Eis que surge uma carta endereçada aos senadores americanos pelos CEO de 145 grandes empresas do país dizendo que: “não fazer nada sobre a crise de violência com armas na América é simplesmente inaceitável”. 

Na carta, escrita no dia 12 de setembro e reproduzida pelo New York Times, os lideres pedem mais rigor na verificação de antecedentes na compra de armas e leis mais rígidas para venda de armas e munições. Note que eles não pedem a proibição da venda de armas e sim mais rigor no controle de quem compra e usa armas. Nada a ver com estatuto do desamamento viu!

Empresas como Levi Strauss,Twitter e Uber, que assinaram a carta, inauguram a entrada da comunidade de negócios no debate das armas, um assunto que polariza os Americanos e que muitos consideram fora de controle.

A iniciativa surgiu na esteira do tiroteio que ocorreu agosto passado na loja do Walmart em El Paso – Texas, que matou 22 pessoas e ganhou destaque mundial.

“Violência com armas na América não é inevitável, ela é evitável” diz a carta. “Precisamos que nossos congressistas, com base no senso-comum, apoiem leis capazes de prevenir tragédias como essas”, completam. 

As empresas também estão pressionando o governo para permitir que o judiciário emita ordens provisórias tirando as armas das mãos de pessoas que representem risco de cometer violência, chamada de “lei de alerta antecipado” (tradução livre para red-flag law).

O Walmart, o maior empregador dos EUA, escreveu sua própria carta aos congressistas forçando o debate para proibir a venda de armas com grande poder de fogo como fuzis e metralhadoras. Além disso, anunciou que estava retirando determinadas armas e munição de suas prateleiras e desencorajando o porte ostensivo de armas em suas lojas. Outras empresas acompanharam a medida, alterando suas politicas de porte ostensivo de armas como Kroger, CVS e Walgreens.

Dentre as 145 empresas que assinaram a carta de 12 de setembro estão ABnB, Gap, Pinterest, Lyft, Brookfield e Royal Caribbean.

Conforme comentou o presidente da Levi Strauss, Chip Bergh, empresa cujo jeans Levis é um dos símbolos da cultura americana: “Considerando que esse é um assunto politicamente polemico, esses CEO (que assinaram a carta) estão de certo modo, colocando suas empresas em risco, mas os lideres não estão com medo de se engajarem”.

A mobilização das empresas faz sentido não apenas sob o ponto de vista social. Os CEOs estão dispostos a agir em todos os assuntos que causem impacto nos negócios e a verdade é que a violência com armas está afetando os negócios em geral. Sem falar que a maré esta mudando. Pesquisas mostram que opinião publica americana, independentemente da orientação politica (vermelhinhos e não-vermelhinhos), está preocupada com o assunto e apoia o aperto na legislação.    

Mas ... como diz o Jabor, tem sempre um mas, estão faltando alguns nomes famosos. Na lista das que não assinaram a carta, talvez achando que o risco politico fosse alto demais, estão algumas das maiores empresas americanas dos setores financeiro e de tecnologia, como Apple, Facebook, Google, JPMorgan Chase e Wells Fargo. 

O Mark Zuckerberg, que não assinou, parece concordar com a iniciativa, segundo fontes que o ouviram. Talvez tenha se abstido para evitar a luz dos holofotes num momento em que o Facebook está sendo acusado pelos republicanos de calar vozes conservadoras.

Como tudo na vida, tomar partido tem suas consequências. O Citigroup e o BofA (Bank of America) se afastaram esse ano do setor de armamento e anunciaram publicamente que terminariam o relacionamento comercial com fabricantes de armas, deixando de emprestar dinheiro para eles. Mesmo não tendo assinado a carta, os dois bancos foram retaliados pelo estado da Louisiana, comandado por conservadores, que aprovou uma lei proibindo-os de participar do lançamento de títulos públicos estaduais. 

Para o bem ou para o mal, as empresas estão se posicionando cada vez mais em defesa de questões sociais. Ao longo dos três últimos anos o mundo dos negócios se engajou em questões como imigração, mudanças climáticas e discriminação racial de maneira que seria impensável dez anos atrás.

Acho que minha pregação no deserto vai começar a surtir efeito. Já não é de hoje que venho defendendo a incorporação dos aspectos ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) nas politicas de investimentos dos fundos de pensão brasileiros. 

Em anos recentes, provoquei muita gente competente na área de investimentos dos fundos, de consultores a diretores de investimento, de atuários a conselheiros deliberativos, apenas para ouvir de volta comentários do tipo: “isso é modismo”, “isso entrega resultados piores” ou “os participantes não se interessam”.

Desculpe pessoal, mas parece que o movimento que começou com a Geração Z (que sabidamente se importa com questões sociais) e está agora se aprofundando com a Geração Alpha, é muito mais amplo. 

O mercado está exigindo ação - e as empresas estão escutando. E nós, fundos de pensão? Vamos ficar nessa inércia até quando? 

Abraço grande.
Eder.


Fonte: Adaptado dos artigos “America’s CEOs Seek a New Purpose for the Corporation”, escrito por Alan Murray e “’Simply Unacceptable’: Executives Demand Senate Action on Gun Violence”, escrito por Andrew Ross Sorkin.

Credito de imagem: www.parvaconsuting.com

domingo, 22 de setembro de 2019

A revolução da identidade via blockchain



De São Paulo, SP.

O conceito de blockchain não é nada intuitivo e entendê-lo requer alguma familiaridade com lógica e matemática. Mas deixe-me te dizer uma coisa, essa tecnologia vai mudar o mundo! Já está mudando, só que você ainda não está percebendo.

Veremos transformações numa escala igual, senão maior, a que estamos vivendo desde que surgiu a Internet. Hoje vou pinçar apenas uma das áreas em que o blockchain está causando disruptura e que vai te afetar – positivamente – muito em breve.

Vamos falar de “identidade digital descentralizada”.

O que é identidade?

Identidade pessoal, segundo o artigo 8º da Convenção da ONU, é um direito fundamental do ser humano. Num nível mais básico, identidade inclui:

  • Nome e sobrenome
  • Data e local de nascimento
  • Nacionalidade
  • Alguma forma de identificação como passaporte, CPF, carteira de trabalho, RG etc.
Sem uma identidade valida você não consegue votar, trabalhar numa empresa ou abrir uma conta no banco. Não consegue nem entrar numa balada. Durante minha adolescência eu costumava ir muito para Miguel Pereira, uma cidade no interior do Rio de Janeiro. Lembro de um garoto que me marcou muito, o Celso.

Nascido e criado na roça ele simplesmente não havia sido registrado pelos pais. Sem Certidão de Nascimento e já com 18 anos, o Celso não tinha RG. Sem titulo de eleitor, ele não votava. Sem carteira de trabalho, ganhava a vida no campo. O cara era invisível para a sociedade, não podia provar quem ele dizia ser – aliás, podia até não ser o Celso ...

Existem diversos problemas com a identidade no modelo atual, que ocorrem porque os dados são armazenados em bancos de dados e servidores centralizados. Isso gera três questões importantes:

#1 - Emissão de identidades

As identidades só podem ser emitidas por instituições centralizadas - Detran (CNH), Policia Federal (Passaporte), Ministério do Trabalho (Carteira de Trabalho), Receita Federal (CPF) etc.. Você depende de uma dessas instituições para emitir sua identidade. As autoridades centralizadas podem conceder identidade para quem elas quiserem e você não pode reivindicar a propriedade de sua identidade.

#2 - Descuido com seus dados pessoais

As instituições que emitem e guardam os dados de sua identidade, podem ser descuidadas e seus dados podem ir parar na mão de terceiros - lembra do caso dos CD com uma lista dos CPF, vendida na Rua Santa Efigênia em São Paulo? Pois é!

Na Internet existem diferentes plataformas online e cada uma requer que você crie uma forma de identificação. Para entrar no Facebook você precisa criar um perfil, o mesmo vale para o Twitter, Youtube, Instagram, Vero, Reddit e todas as outras mídias sociais, sem exceção.

O problema é que cada uma dessas plataformas está criando uma identidade sua. Estamos emprestando nossas identidades para elas e da mesma forma que ocorre com as autoridades governamentais que emitem identidades, também não temos a propriedade das mesmas. Isso pode ser devastador, como vimos acontecer com o Facebook no episódio que ficou conhecido como “Caso da Cambridge Analytica”.

Escrevi sobre isso no meu blog, você pode ler o artigo aqui: Caso Cambridge Analytica

#3 - Roubo de identidades

Por fim, sua identidade pode ser roubada. Se você não tem nenhum conhecido cujo cartão de credito tenha sido clonado, se belisca que você está hibernando. Esse tem sido um problema recorrente no mundo digital e cria uma dor de cabeça daquelas. O roubo de sua identidade pode ocorrer para várias finalidades.

O mais comum aqui no Brasil tem sido a clonagem de cartões de débito e de credito para cometerem fraudes em compras online ou em caixas eletrônicos.

Existem, porém, roubos de identidade mais sofisticados.

Minha esposa morou muitos anos nos EUA e teve hackeado não apenas o numero do cartão de credito, mas também informações pessoais como endereço e RG. Com base nos dados pessoais roubados, os bandidos digitais abriram uma conta bancaria em nome dela e pediram empréstimos. Poderiam ter colocado propriedades no nome dela e cometido inúmeros outros crimes que recairiam sobre ela.

Um dos casos de maior repercussão no campo do roubo de identidade, ocorreu nos EUA com uma grande empresa de concessão de credito ao consumidor chamada Equifax. O roubo atingiu quase metade da população americana. Durante quase três meses, foram hackeados os nomes, nº da carteira de trabalho (que lá eles chamam de Social Security) e datas de nascimento dos clientes.

Resumindo, o sistema de identificação conforme conhecemos hoje não está funcionando, não temos nenhum controle sobre nossos dados, os terceiros responsáveis pela emissão e guarda de nossas identidades são vulneráveis a ataques, eles podem ser descuidados ou mesmo corruptos e nossos dados podem vazar, caindo nas mãos de criminosos e pessoas mal intencionadas.

Blockchain e identidade digital descentralizada

Incorporar a tecnologia blockchain pode resolver todos esses problemas. Blockchain, em termos simples, é uma serie de dados, imutável e com marcação temporal, gerenciada por um conjunto de computadores, que não pertence a nenhuma entidade isoladamente. Cada uma dessas series de dados (ou blocos de dados) são protegidas e ligadas uma à outra usando princípios de criptografia, formando uma corrente (i.e., uma corrente de blocos ou blockchain).

A razão de todo mundo estar tão animado com o blockchain, se deve à três características listadas a seguir:
  • Descentralização: nenhum dado no blockchain pertence a uma entidade única centralizada. Todos os computadores (no blockchain são chamados de "nodes" em inglês ou "nós" em português) ligados à rede do blockchain guardam / armazenam os dados
  • Imutabilidade: uma vez que os dados tenham sido registrados no blockchain, não podem mais ser modificados (adulterados). Isso se deve a uma "função hash criptográfica" (uma espécie de algoritmo de criptografia)
  • Transparência: todos os computadores (nodes) da rede tem acesso e podem ler os dados no blockchain
A maior mudança que o uso do blockchain vai causar, será no conceito de identidade em si. Hoje a identidade serve para provar quem é você. Por exemplo se você que entrar em um prédio, você mostra seu RG para provar que esta autorizado a entrar.

No novo conceito de identidade digital descentralizada usando blockchain, você não precisa provar quem é você. O que você precisa provar é que está autorizado a entrar no prédio. Isso muda tudo!

Veja como isso vai ser possível.

Zero-Knowledge Proofs ou Provas de Conhecimento-Zero

O que é "Zero-Knowledge Proof" (zkp)? O ZKP é um protocolo de validação das transações (dados) acrescentadas ao blockchain.

ZKP significa, basicamente, que uma pessoa A pode provar para uma pessoa B que ela tem conhecimento de determinada informação, sem dizer para a outra qual é essa informação.

Vamos chamar a pessoa A de provador e a pessoa B de verificador.

O novo conceito de identificação se torna especialmente útil, porque acrescenta uma camada de privacidade ao provador, mas o ZKP precisa satisfazer certos parâmetros para funcionar:
  • Integridade: se a afirmação é verdadeira, um verificador honesto (isto é, aquele que segue o protocolo corretamente) vai ser convencido deste fato por um provador honesto
  • Corretude: se a afirmação é falsa, nenhum provador desonesto poderá convencer um verificador honesto de que a afirmação é verdadeira
  • Conhecimento-zero: se a afirmação é verdadeira, o verificador não terá nenhuma ideia sobre qual é a informação que o provador detém
Um bom exemplo de aplicação do ZKP é a caverna do Alibabá e seus 40 ladrões. Vamos ver como funciona.

O provador (P) está dizendo para o verificador (V) que ele sabe a senha da porta secreta que fica no fundo da caverna e quer provar para o verificador que ele sabe, sem ter que dizer qual é a senha. O desenho a seguir ajuda a entender.


O provador (P) pode entrar na caverna pelo caminho A ou pelo B, qualquer um dos dois. Vamos supor que ele decida entrar pelo caminho A e que atinja a porta secreta no fundo da caverna


Quando ele chega lá o verificador (V) aparece na entrada da caverna e sem saber qual caminho o provador usou, pede que o provador aparece na entrada da caverna vindo pelo caminho B.

No diagrama acima, como você pode ver, o provador de fato aparece vindo pelo caminho B. Mas e se isso aconteceu por pura sorte? E se o provador não soubesse a senha, tivesse entrado pelo caminho B, ficado preso na porta do fundo da caverna e por pura sorte o verificador tivesse pedido para ele aparecer no caminho B, onde ele já estava originalmente?

Para testar a validade, o experimento é feito múltiplas vezes. Se o provador for capaz de aparecer no caminho correto todas as vezes, isso prova para o verificador que o provador de fato tem a senha, mesmo que o verificador não tenha conhecimento de qual é essa senha.

Aplicação do ZKP no mundo real

A aplicação que nos interessa aqui tem a ver com proteção de senhas e identidades digitais descentralizadas.

Suponha que você quer fazer login num website usando uma senha. No protocolo padrão (atual) você (cliente) escreve a senha e envia para o servidor. O servidor vai comparar a senha que voce enviou com a que ele tem armazenada no sistema (isso é feito por criptografia). Se os valores baterem, você pode entrar no sistema.

Consegue perceber a grande vulnerabilidade nessa abordagem atual? O servidor possui uma versão em texto da sua senha e sua privacidade esta nas mãos dele (nesse caso o verificador). Se o servidor ficar comprometido ou for atacado, sua senha vai cair nas mãos de um hacker com consequências imprevisíveis.

Para evitar que isso aconteça, o zero-knowledge proof ou prova de conhecimento zero é absolutamente essencial e uma mudança de paradigma em todos os sentidos. O ZKP é parte da tecnologia blockchain aplicada ao setor de identidade digital. Aqui focamos apenas na explicação do conceito de ZKP, mas para entender em detalhes como funcionam as identidades digitais descentralizadas, como são emitidas e a forma de comprovação do proprietário da identidade, é preciso compreender outros aspectos do que é blockchain.

Para deixar mais palpável a aplicação da identidade digital descentralizada, assista o vídeo a seguir. Ele mostra como vai funcionar o “passaporte digital” / identidade digital descentralizada, desenvolvido com a tecnologia blockchain por uma startup britânica chamada ObjectTech. O projeto de passaporte digital foi feito em conjunto com autoridades de imigração de Dubai e está previsto para ser lançado por lá em 2020. 


Quem tiver interesse em conhecer mais sobre blockchain, deixe indicado nos comentários. Havendo muitos interessados, prometo escrever outros artigos sobre o tema. 

Grande abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado dos artigos “What is zkSNARKs? The Comprehensive Spooky Moon Math Guide” e “What is Cryptoeconomics? The Ultimate Beginners Guide”, escritos por Ameer Rosi.

Credito de Imagens: Scott Twombly (YouTube channel) e www.technologysalon.org.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Cambridge Analytica - História do caso Facebook




De São Paulo, SP.

Em 2014 a Cambridge Analytica, uma empresa Britânica afiliada a uma firma de consultoria politica, contratou um russo naturalizado americano chamado Aleksander Kogan, que trabalhava como analista de dados na Universidade de Cambridge na Inglaterra. Kogan foi contratado para obter determinadas informações sobre o perfil e as preferências (likes) de usuários do Facebook.
Ele desenvolveu um aplicativo chamado “Essa é sua vida digital” (em inglês, “thisisyourdigitallife”). O app reunia uma série de pesquisas e foi divulgado na época como tendo objetivo acadêmico, encorajando os usuários a preencherem os questionários em troca de pequenas quantias em dinheiro.
Cerca de 300 mil usuários do Facebook baixaram o aplicativo, sabendo que seriam coletadas informações pessoais básicas. O que os usuários não sabiam é que além de coletar muito mais informações do usuário, não somente as básicas, o aplicativo coletava dados das pessoas em sua lista de amigos.
Isso foi possível por causa da maneira que o Facebook funciona. Só mais tarde se descobriu que o aplicativo declarava que coletaria informações das pessoas que constavam “nos termos de serviço do usuário”. Mas vamos combinar, você lê os tais termos de serviço na íntegra para saber que inclui sua lista de amigos?
O número de pessoas atingidas pelo vazamento de dados foi estimado em 50 milhões, que se transformaram depois em 87 milhões dos quais 71 milhões eram usuários dos EUA.
Quais dados foram vazados? 
Depois que o escândalo estourou o Facebook informou aos usuários afetados que foram vazados dados de seus perfis públicos, datas de nascimento, cidades de residência e as páginas nas quais deram likes.
Mas não foram apenas esses os dados que foram vazados, em função da configuração de seus perfis, alguns usuários deram permissão ao aplicativo para acessar suas “time lines”, “news feed” e suas mensagens. 
Devido à falha no desenho da plataforma do Facebook, Kogan de fato tinha permissão, ainda que de forma genérica, para coletar aquelas informações. Num e-mail de Kogan divulgado pela Bloomberg ele alega: “Nós informamos claramente que os usuários estavam nos dando o direito de usar seus dados de forma ampla, inclusive podendo vender e autorizar terceiros a usa-los”.
Desde 2007 o Facebook tem permitido que aplicativos de terceiros tenham acesso à dados dos usuários. O que aconteceu no caso de Kogan, foi que o aplicativo dele coletou informações de amigos dos usuários cujas configurações de privacidade permitiam.           
O Facebook alegou ter sido enganado, achando que era tudo para fins acadêmicos e disse que sua politica corporativa foi violada quando Kogan repassou os dados para a Cambridge Analytica. No entanto, Kogan mostrou que os termos e condições do aplicativo usado no Facebook mencionavam especificamente que os dados seriam usados “para fins comerciais”.
O Facebook declarou que tomou conhecimento dessa questão em 2015 e que exigiu, então, a destruição de todos os dados fornecidos para terceiros. A Cambridge Analytica divulgou ter deletado todos os dados e que também conduziu uma auditoria interna para assegurar não existir nenhum backup.
Não obstante, um relatório do New York Times, bem como diversos documentos e e-mails, sugerem o contrário. Como o resultado das investigações ainda estavam pendentes, o CTO (Chief Technolgy Officer ou Diretor de TI) do Facebook, Michael Schroepfer, disse não poder confirmar se a Cambridge Analytica ainda mantinha algum dado e quais seriam.
Olhando a politica do Facebook, parece ser possível sim que eles tenham vendido para a Cambridge Analytica, através de Kogan, por determinado preço, dados de usuários. 
Extratos financeiros e troca de e-mails sugerem que Kogan recebeu US$ 800 mil da Cambridge Analytica e ficou com o direito a manter os dados – que ele poderia vender novamente, se quisesse.
Note que os dados do usuário incluíam sua localização e eram detalhados o suficiente para permitir que a Cambridge Analytica criasse um perfil psicográfico – um mapa psicológico das pessoas segregado demograficamente. Esse mapa pode ser usado para decidir que tipo de mensagem seria mais eficaz para se anunciar no Facebook ou em outras plataformas online, bem como para influenciar determinado grupo de pessoas e de um local em particular, em campanhas politicas – estratégia chamada “modelagem ou segmentação psicográfica”.
Vários partidos políticos usaram essas informações para tentar influenciar a opinião publica. A Cambridge Analytica recebeu dinheiro de políticos que usaram as informações para fins eleitorais – em 2015 e 2016 foram usadas por Donald Trump nas eleições para presidente dos EUA e por Ted Cruz para senador, em 2016 na votação do Brexit e em 2018 no México, nas eleições gerais do partido revolucionário institucional.
A Cambridge Analytica negou ter usado os dados do Facebook fornecidos por Kogan, nas eleições americanas de 2016. Disse, também, não ter empregado modelos ou técnicas psicográficas em beneficio da campanha de Donald Trump. Não esta claro, porem, se a empresa usou os dados de alguma outra maneira para entender melhor e influenciar os eleitores.
O Reino Unido tem leis de proteção aos dados que proíbem o uso de informações  pessoais sem consentimento. Por ter falhado na proteção das informações dos usuários, o Facebook foi multado em £500,000 (US$663,000) pelo equivalente do Ministério das Comunicações do Reino Unido. 
Em 2011 o Facebook havia fechado um acordo com a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC-Federal Trade Comission) se comprometendo a obter consentimento explicito dos usuários antes de partilhar suas informações. A FTC está investigando agora se o Facebook violou posteriormente os termos daquele acordo de 2011 e estará sujeito a milhões de dólares em multas se o fez. Em março de 2019 um processo aberto pelo Advogado Geral dos EUA em um tribunal de Washington, alegou que o Facebook tomou conhecimento das praticas improprias de obtenção de dados pela Cambridge Analytica, meses antes do caso vir a publico em dezembro de 2015. 
O Facebook segue sob investigação das autoridades dos EUA e Inglaterra. Partidos políticos dos dois países exigiram respostas do Facebook o que culminou com a ida forçada de Mark Zuckerberg ao congresso americano, no final de 2018, para testemunhar.
O buraco, no entanto, é bem mais embaixo.
De acordo com um artigo publicado pelo  “End Gadget”, um site de tecnologia, o Facebook tem servido de uma espécie de classificados para venda de identidades roubadas. Criminosos cibernéticos tem feito anúncios no Facebook de informações roubadas como endereços, nº de cartões de credito, datas de nascimento e RG (imagem abaixo). Parece que isso vem acontecendo há anos sem nunca ter sido investigado.

Histórias assim deixam bem claro que o formato de identidade atual não esta mais funcionando e que uma solução urgente é necessária.
No artigo da semana que vem vou falar da “identidade digital descentralizada”, um conceito que vai revolucionar as identidades como conhecemos hoje, graças a tecnologia blockchain.
Abraço,
Eder. 

Fonte: Rajarshi Mitra - BlockGeek
Credito de Imagem: Chesnot/Getty Images e End Gadget

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Já dá para prever se você vai morrer nos próximos anos. Evitar ainda não é possível, então, comece a poupar antes que seja.




De São Paulo, SP

Se um simples exame de sangue pudesse prever sua morte com 5 a 10 anos de antecedência e precisão de 83% de acerto, você o faria? 

Um grupo de cientistas europeus baseados na Holanda acabou de concluir um estudo que durou 17 anos e envolveu 44.168 pessoas, com idades entre 18 e 109 anos. A pesquisa, liderada pela epidemiologista molecular Eline Slagboom, da Universidade de Leiden, foi publicada no jornal científico “Nature Communications“. 

Isolando um conjunto de 14 substancias metabólicas, dentre as 226 do inicio  do estudo, os pesquisadores descobriram que é possível prever com bastante acurácia quem vai morrer nos próximos anos.

Os 14 biomarcadores que eles identificaram indicam, basicamente, o nível de açúcar no sangue, a existência de inflamações, o nível de colesterol (HDL), a quantidade de albumina – uma proteína produzida pelo fígado que indica problemas no rim ou no próprio fígado, acetoacetato – um ácido comumente usado para testar diabete e isoleucina – um aminoácido que pode causar danos nas células cerebrais e levar a morte.   

Os biomarcadores foram isolados com base nas 5.512 pessoas que morreram ao longo do estudo. Então, a equipe monitorou esses biomarcadores em um novo grupo de 7.603 pessoas, acompanhadas a partir de 1997. Foi nesse segundo grupo de pessoas que os pesquisadores foram capazes de prever quem morreria num período de 5-10 anos, com 83% de acertos.

A acurácia caiu para 72% de acerto quando a idade das pessoas testadas superava os 60 anos e o grupo pesquisado era composto apenas de Finlandeses - ainda é preciso extrapolar o estudo para população global. 

Não obstante, considerando que os biomarcadores identificados no estudo são largamente utilizados para testar problemas cardiovasculares, câncer e inflamações, reconhecidos como causas de mortalidade que independem de etnia, os exames de sangue podem de fato dar pistas aos médicos sobre a longevidade esperada de seus pacientes.

A questão é: será que as pessoas querem saber?

Ter consciência de que vai morrer, pode levar a pessoa a entrar numa espiral depressiva, fazendo-a simplesmente desistir de viver. Mas também pode fazer com que valorize cada dia de vida, com uma visão mais inspiradora de sua existência

Como alguns desses marcadores são reversíveis, tipo o indicador do nível de colesterol e o de inflamações, as pessoas poderiam adotar uma alimentação mais saudável ou passar a se exercitar mais, evitando assim a inevitabilidade da previsão. 

A capacidade de prever a morte é apenas um passo para aumentar nosso tempo de vida. As novas tecnologias estão caminhando exatamente em direção ao aumento da longevidade.

Portanto, não se iluda, a preocupação do século XXI não é morrer cedo, o novo normal é “morrer tarde”, ou seja, viver bastante e não ter poupado o suficiente para aposentadoria. 

Fica a dica!

Grande abraço,


Fonte: Adaptado do artigo “New blood test accurately predicts when people will die — within 5–10 years”, escrito por Derek Bares.

Crédito de imagem: @RealMORTE

terça-feira, 3 de setembro de 2019

QUERIDO EU: escreva para seu "futuro eu" e explique porquê decidiu poupar para a aposentadoria (sério).




De São Paulo, SP.

Enquanto a ciência estuda o ser humano sob a perspectiva biológica, a filosofia nos analisa sob outra perspectiva. Nosso corpo muda continuamente e dizem que a cada sete anos todas as células do nosso corpo terão sido substituídas. Ou seja, o corpo que eu tenho hoje não é o mesmo que eu tinha há sete anos. No entanto, eu continuo "eu" mesmo.

O filósofo francês René Descartes sugeriu que nossa verdadeira identidade, que chamou de "alma", são nossos pensamentos e nossa mente. Já o filósofo inglês John Locke contra argumentava que os pensamentos mudam com o passar do tempo e são momentâneos, portanto, não podem ser nossa identidade, porque a identidade precisa ser consistente ao longo do tempo. 

Locke sugeriu que a manutenção de uma quantidade mínima de memória, que permanece constante durante nossa vida, é que nos torna nós mesmos. Por exemplo, eu sou eu e não outro porque lembro da minha infância, adolescência e vida adulta. Ele chamou essa consistência de "uniformidade da consciência".

Porém, a definição de Locke é insuficiente, porque bebês muito jovens não tem consciência do "eu", a distinção entre "eu" e os outros se desenvolve com o tempo. Além disso, a maioria das pessoas não tem lembranças (memória) senão após certa idade - geralmente após os dois anos - e seria absurdo dizer que o bebê que eu fui não é a mesma pessoa que o adulto que sou hoje. 

Então, como nem mente nem memória podem ser nossa verdadeira identidade, a filosofia ocidental ficou sem saída. A despeito de Platão, Descartes, Locke e outros terem buscando uma resposta, a maioria das pessoas continua se perguntando: Quem sou eu?

Nessa busca infindável pelo nosso verdadeiro eu, não seria legal se o seu "eu passado" pudesse se comunicar com o seu "eu futuro"? Tipo, enviando um email? Muita coisa pode mudar em um ano, não é mesmo? Imagine então em 3, 5, 20 ou em 50 anos!  

Desde 2002 é possível descobrir o quanto, no passado, você era brincalhão, bobo, sério, compenetrado, sonhador, emotivo, inseguro, ingênuo o que for. Enfim, descobrir no futuro como você era no passado.  

Matt Sly e Jay Patrikios foram os criadores de um site chamado "Future Me" que tem uma missão muito simples: criar emails auto-endereçados, armazená-los e enviá-los na data que você (remetente e destinatário ao mesmo tempo) definiu para entrega.    

O "Future Me" fornece uma visão fascinante de como a mente de pessoas comuns como você e eu, evolui através do tempo, nessa jornada de mão única chamada vida, que não nos permite voltar atrás nem mudar o que vem pela frente.

Recomenda-se que você use um endereço de email pessoal tipo Gmail ou similar, ao invés do seu email corporativo. Afinal, seu futuro eu poderá muito bem ter mudado de emprego.

Caso necessário, você pode voltar à sua mensagem e mudar o endereço de email que programou, para assegurar que ela seja entregue. Se quiser, você também pode anexar fotos aos emails que mandar para o seu futuro "eu".

Você tem, ainda, a opção de tornar sua mensagem pública ou mantê-la em caráter privado, mas o site se reserva o direito de publicar trechos de mensagens de usuários, ressalvando o anonimato. 


Tristes, engraçadas, assustadoras, chocantes, parte das milhares de mensagens recebidas pelo site foram reunidas e publicadas no livro "Dear Future Me: Hopes, Fears, Secrets, Resolutions", publicado em 2007 (capa na figura ao lado).

Ao nos dirigirmos a nós mesmos, embasados pela tecnologia que espicha e encurta nossa noção de tempo, não conseguimos deixar de nos questionar se o "eu" que sou aos 40 anos será o mesmo aos 62. Daqui a 30 ou 50 anos quem será você na outra ponta, quando soar o aviso no inbox indicando: "Você recebeu uma nova mensagem"?

O site não cobra nada pelo uso do servidor de emails que transcende ao tempo, mas impõe limites no prazo para entrega das mensagens. O máximo é de 50 anos e o mínima de 1 ano. “Não queríamos nos tornar um serviço de recados do tipo: Querido futuro eu, não esqueça de apanhar a roupa na lavanderia", disseram os fundadores do site.

Seja um soldado americano pedindo a si mesmo para voltar da guerra do Iraque ou um  paciente com Alzheimer escrevendo frequentemente para seu futuro eu visando manter um senso de regularidade, as mensagens refletem as alegrias e os dramas humanos que cada um enfrenta em seu cotidiano. 

Há até remetentes que enviam para si mesmos mensagens suicidas, curiosamente sem mencionar como pretendem lê-las no futuro.

Por fim, seja qual for sua motivação, incentivo que você escreva para seu futuro eu sobre como está sendo importante sua decisão de fazer um plano de previdência complementar hoje. Liste as coisas que pretende fazer quando essa nova fase da vida chegar e lembre que terá dinheiro suficiente na sua poupança de aposentadoria. 

Lá na frente, o seu "futuro eu" vai recostar na poltrona, ler um email do seu "eu passado" e agradecer a ele por ter tomado uma decisão tão importante. 

Segue o link, agora basta escrever.


Abraço grande.
Eder.


Fonte: Adaptado dos artigos "Who Am I? Finally, There Is an Answer to the Eternal Question of Self-Identity", escrito por Tsur Taub e "Dear Me", escrito por J.R.Moehringer.
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