quinta-feira, 31 de março de 2022

TE CONTEI? MILTON FRIEDMAN DISSE UMA VEZ QUE “INFLAÇÃO É TRIBUTAÇÃO, SEM LEGISLAÇÃO”, MAS PARECE QUE MUITA GENTE FALTOU ESSA AULA

 



 


 

De São Paulo, SP.



O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

O economista Milton Friedman pegou carona no slogan “no taxation without representation”, usado pelos colonos entre os anos de 1750 e 1760 que protestavam nas 13 colônias na América, contra tributos estabelecidos no distante parlamento Britânico, no qual não tinham representação, defendendo a independência e desembocando na revolução americana. Friedman explicava que o aumento de preços causado pela inflação, diminui o poder de compra das pessoas, como se fosse um imposto, reduzindo o valor do dinheiro no bolso e afetando principalmente os pobres e a classe média. A frase de Friedman foi "inflation is taxation without legislation".

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Para lutar contra os efeitos da inflação, investidores como fundos de pensão precisam procurar constantemente por ativos e oportunidades de investimento que não percam valor e superem a inflação, protegendo a poupança de longo prazo. Frequentemente, essas alternativas implicam em assumir mais riscos, mas os profissionais de investimentos sabem que devido aos efeitos da inflação, da volatilidade dos juros e da marcação a mercado, “existe mais risco, em não assumir riscos”. Por isso, é crítico assegurar que os portfólios de investimentos dos fundos de pensão estejam suficientemente diversificados e sejam flexíveis o bastante para aproveitar as oportunidades quando elas surgirem.

 

CONCLUSÃO: 

A maioria dos nossos fundos de pensão não se preparou adequadamente nem para cenários de baixa inflação e juros "subzero", nem para o cenário atual com grande aumento da inflação e consequente subida dos juros. Sentados em cima de 80% do patrimônio em títulos públicos (cadê a diversificação?), todos sabiam que passada a pandemia, inflação alta e juros altos não seriam apenas previsões, mas certezas, devido às políticas de “helicopter money” e auxílios emergências que despejaram trilhões $$$ na economia mundo afora e agora cobram seu preço. Analistas e profissionais de investimentos dos nossos fundos de pensão têm muito a aprender com seus pares do Reino Unido e dos EUA. Os primeiros investem em classes de ativos alternativos e buscam permissão legal para poder investir em ativos ilíquidos, enquanto os segundos, como o CALPERS, investem desde 2016 na infraestrutura da cryptoeconomia. Para investir em títulos públicos, algo que qualquer pessoa com um smartphone e acesso a Internet pode fazer a um custo ínfimo, os gestores brasileiros cobram taxas de gestão financeira altas demais. Fica facial entender as razões que afastam a GenZ da previdência complementar tradicional.


Grande abraço,

Eder.


  

 

Fonte: Inflation is taxation without legislation, escrito por escrito por Neil Jankelowitz


quarta-feira, 30 de março de 2022

TE CONTEI? A GOVERNANÇA DOS FUNDOS DE PENSÃO TENDE A EVOLUIR, AO INVÉS DE MUDAR ABRUPTAMENTE COM REVOLUÇÕES, MAS AS CRISES SÃO UM PROFUNDO DESAFIO PARA O INCREMENTALISMO

 



De São Paulo, SP.


 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Uma boa governança depende de: tempo, expertise e comprometimento coletivo. Fundos de pensão costumam superar as limitações de conhecimento e recursos internos do conselho, comprando tempo e expertise de assessoria externa, fazendo com que as deliberações do colegiado sejam maiores do que a soma das partes. Orçamentos em queda livre nas patrocinadoras e fundos vem reduzindo a alta qualidade, robustez e disponibilidade desse apoio, forçando os conselheiros - com restrições de tempo - a serem autossuficientes em áreas e domínios que não conhecem profundamente, criando tensão no desempenho adequado de seus papeis e responsabilidades, algo mais visível nos fundos menores, mas que atinge a todos indistintamente, afetando o comprometimento coletivo.  

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

A esmagadora maioria dos fundos de pensão apenas segue as regulamentações da PREVIC e adere aos códigos de boas práticas existentes no mercado, ao invés de desenvolver seus próprios procedimentos ou adotar modelos com padrões mais elevados de governança. Essa melhoria incremental na governança dos fundos de pensão é uma resposta insatisfatória aos riscos e desafios globais da previdência complementar. A única forma de transformar o processo de decisão dos conselhos dos fundos de pensão é se espelhando nos modelos de governança corporativa das empresas de capital aberto que contam com boards profissionais, adotam processos rigorosos de seleção de conselheiros, remuneração de mercado e avaliação de seus membros - voltada para melhorar a competência profissional dos colegiados. Conselheiros profissionais permitem que sejam melhor gerenciados os conflitos de interesse entre as diferentes classes de participantes, entre esses e as patrocinadoras, além de equilibrar os diferentes níveis de expertise e comprometimento.

 

CONCLUSÃO: 

O diagnostico acima foi feito por Gordon L. Clark e Roger Urwin em um artigo acadêmico de junho de 2009, intitulado “Innovative models of pension fund governance in the context of the global financial crisis”, avaliando os fundos de pensão do Reino Unido. Estamos mais de uma década atrasados, que tal revolucionar o conselho do seu fundo de pensão?


Grande abraço,

Eder.


segunda-feira, 28 de março de 2022

O LANCE ATUAL, A BURRICE E O FUTURO DOS FUNDOS DE PENSÃO


Crédito de Imagem: https://soundcloud.com/colombiano/el-tunel-del-tiempo

 


De São Paulo, SP.


Num mundo com informações ilimitadas ao alcance de todos, parece que pensar por si mesmo está se tornando irracional e o espaço para opiniões divergentes vem encolhendo. 

 

Isso não é nada bom.

 

O “Lance Atual”

 

Ben Thompson - um analista de negócios, tecnologia e mídia americano, baseado em Taiwan – descreveu bem como a cultura da Internet está prejudicando o livre pensamento.

 

Ben fala de um meme que rola na Internet conhecido por “The Current Thing”, algo tipo “O Lance Atual” em tradução livre. Para os não iniciados, o meme zomba daquele pessoal nas mídias sociais que está sempre disposto a mostrar seu apoio ao .... lance atual.

 

O “lance” é geralmente uma causa política, um grupo social ou um assunto qualquer que vira notícia na grande imprensa e a galera das mídias sociais corre para mostrar seu “apoio” adicionando um símbolo à sua foto do perfil – tipo uma máscara anti-covid, uma bandeirinha da Ucrânia ou um logo do black lives matter


Quem já não viu um desses ou até quem já não fez isso?

 

Recentemente, nesse tweet abaixo, Elon Musk zombou desse meme para chamar a atenção ao seu apoio à Ucrânia, na guerra contra a Rússia:

 




Ao se posicionarem, as pessoas mostram ao mundo que escolheram um lado e isso satisfaz a necessidade humana que os indivíduos têm de pertencimento. Porém, ao “pertencer” a um dos lados as pessoas automaticamente se opõem ao outro e se fecham a toda e qualquer ideia que pareça ameaçar o lado que escolheu. 

 

Uma vez que optam por um dos lados, as pessoas renunciam à responsabilidade de pensar por si mesmas e na maior parte das vezes, sequer de pensar.

 

Minha experiência durante a pandemia ilustra bem isso. Tomei todas as três doses da vacina anti-covid assim que ficaram disponíveis para minha faixa etária, sempre usei a máscara e adotamos aqui em casa todos os protocolos de proteção recomendados. Nem por isso, deixo de ler artigos científicos que ressaltam os riscos e efeitos colaterais associados às vacinas e não tomo pelo valor de face os pronunciamentos sobre sua segurança vindo dos laboratórios e representantes das farmacêuticas que as produzem. Acredito que as autoridades possuem um papel importante na proteção a saúde publica, mas ao mesmo tempo avalio que o STF e a OMS pisaram na bola, cometeram erros, se envolveram em conflitos de interesse e colocaram a política na frente da saúde dos cidadãos, coisas que precisam ser discutidas abertamente.

 

Falar sobre essas coisas, seja online ou off-line, é muito complicado apesar das questões individualmente não serem controversas em si mesmas. O problema é que algumas delas pertencem a um lado e outras pertencem ao outro lado

 

Então, você pode falar sobre algumas questões com certas pessoas e falar sobre outras questões com outras pessoas. Mas falar de ideias do Lado A para pessoas do Lado B, faz as pessoas automaticamente assumirem que você acredita em tudo o mais que as pessoas do Lado A acreditam. Por exemplo, alguém que coloque em dúvida se crianças pequenas deveriam usar máscara em parquinhos, em ambientes abertos, faz com que essa pessoa seja rotulada como anti-vacina, negacionista das mudanças climáticas, contra o voto eletrônico etc.  

 

Nessa guerra de posições as pessoas acreditam que aqueles que não estão totalmente do seu lado são seus inimigos, isso é ruim por vários motivos. Joga as pessoas umas contra as outras, faz parecer que discordam de mais aspectos do que realmente discordam e ao juntar todas as ideias em um único bloco acaba ressaltando apenas as diferenças, deixando as convergências de fora.     

    

Há uma consequência ainda pior, quando apoiamos um conjunto de ideias (i.e. apenas um dos lados) ao invés de pensarmos sobre cada uma delas de forma independente assumimos o risco de dar apoio a coisas das quais discordamos inteiramente.  

 

Por que fazemos isso? Por que as pessoas escolhem um lado? Porque faz sentido. Quando existe muita informação para ser processada, a maneira mais racional de opinar é escolher um lado e seguir com a maré. Isso é não apenas uma questão de conveniência, mas também uma forma racional de evitar riscos. Se todo mundo acredita em determinada coisa, o custo de acreditar em algo diferente aumenta dramaticamente, tornando o consenso a única opinião viável.

 

A burrice

 




Lance Atual nos remete a um episodio antigo do podcast chamado Café Brasil, no qual Carlos Magalhães (apelidado de Guto) falava de burrice. De forma irônica, Guto dá uma sacudida em todos nós.

 

Em primeiro lugar, dizia ele, a burrice não pode ser confundida com falta de informações. Isso é ignorância. Há pessoas ignorantes muito inteligentes. E há pessoas muito informadas e muito burras. Em segundo lugar, continua ele, a burrice também não pode ser confundida com doença mental. Terceiro, prossegue Guto, burrice não é sinônimo de desrazão. E razão não é sinônimo de inteligência. Na opinião dele, a burrice é uma questão de escolha. Todos os humanos nascem com o mesmo equipamento cerebral. O uso ou o não-uso daquilo que a evolução nos deu é opcional. Muitas pessoas optam por não usar. Esses, conclui ele, são os verdadeiros burros.

E Guto segue teorizando. Pensamentos complexos só podem prosperar quando a “memória de trabalho” está amplamente disponível. Quando essa memória é muito pequena, o indivíduo não é capaz de trabalhar com mais de duas variáveis, com sinais sempre opostos (tipo, se A é verdade, logo B é falso). É próprio do pensamento monofásico a desconexão entre os diferentes blocos de ideias. Por isso os burros caem sempre em contradição, embora nunca percebam esse detalhe. Ou pior, acreditam-se muito coerentes.

Os burros gostam muito de frases peremptórias. Em geral são muito sérios. E quanto mais sérios, mais burros. Mas a principal característica de todos os burros é a crença inabalável. São crentes. Acreditam em uma realidade externa, objetiva e estável que pode ser fielmente representada pelas palavras. Acreditam que as palavras são etiquetas que se colam a coisas reais. Desconfiam de todos que não usam as etiquetas que consideram corretas. Se a burrice é opcional, a crendeirice não o é. É efeito colateral da escolha. E esse efeito, depois de acometer aquele que optou pela parvoíce, não o abandona mais.

Enfim, burrice não tem cura, finaliza Guto.

 

O futuro da previdência

 

Treze anos atrás criei um blog e comecei a escrever artigos sobre previdência (Blog do Eder). Já publiquei mais de 875 textos por lá e durante a pandemia, também passei a republicar posts e artigos no LinkedIn.

 

Escrevo principalmente sobre o futuro dos fundos de pensão, pois tenho paixão pelo setor e gosto de compartilhar meus conhecimentos e minha visão de mundo. Nem tudo que eu publico, às vezes pelo estilo, outras pelo conteúdo, agrada a todos. Como tem que ser mesmo. 

 

Obvio que não escrevo para desagradar nem para agradar ninguém e quando isso acontece é apenas um dano ou um efeito colateral, não intencional, fazer o quê né ... é o preço de escrever, de me expressar publicamente.

 

Se quisermos, no mundo real, avançar em direção ao futuro dos fundos de pensão, teremos que buscar a convergência de ideias, sem paixões, sem aderir incondicionalmente a qualquer grupo de convicções e sem, nunca, em momento algum, jamais, abdicar da independência de pensamento.

 

Todos nós, em certos momentos da vida, já nos vimos (ou nos veremos) atuando com as características descritas pelo Guto, seja por teimosia, vergonha de mudar radicalmente de ideia, ou qualquer outra razão que a própria razão desconhece. Em outros momentos, nos pegaremos aderindo incondicionalmente, na Internet ou fora dela, ao lance atual.

 

Diferentemente do Guto, eu acho que burrice tem cura, bastando para redenção, reconhecer quando formos tomados por ela. 

 

Portanto, vão aqui dois pedidos. Primeiro: quando estiverem lendo qualquer texto meu ou discutindo sobre o futuro dos fundos de pensão, tomem cuidado para são serem traídos pelo lance atual. Segundo: quando vocês me virem acometido pela burrice, ninguém é imune a ela, por favor, me avisem, me alertem, que eu corrijo ...

 

Grande abraço,

Eder. 

 

 

Fontes: Abrogation Theory, escrito por Dror Poleg e A Burrice, texto de Carlos Guimarães (Guto)

 

TE CONTEI? NUNCA HOUVE UM DESAFIO MAIOR DO QUE SE SENTAR HOJE EM TORNO DA MESA DO CONSELHO DE UM FUNDO DE PENSÃO

 



De São Paulo, SP.


 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Sai o covid-19, entra a guerra na Ucrânia e o mês de março vai caminhando para o fim. Os especialistas em liderança vão estudar durante vários anos o papel dos conselhos e CEOs das empresas durante esse período da história e ele deixa um par de grandes lições para os fundos de pensão: 1) Uma boa gestão pode ajudar a proteger os investimentos e os participantes dos riscos, mas não pode - ninguém pode - das incertezas; 2) Não fazer nada com relação ao futuro, às transformações em curso e aos desafios da inovação, não é mais uma opção. Uma década atrás, conselhos que se viam diante de questões sociais e geopolíticas polêmicas ou controversas – como a discussão sobre diversidade e igualdade de gênero nos colegiados, a luta pelas mudanças climáticas ou a busca por proposito pelas novas gerações – podiam se esconder debaixo da mesa até a tempestade passar. Hoje, não podem mais. A tempestade acaba achando-os.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O emprego e o trabalho estão se transformando numa escala nunca vista em toda a existência humana. O Bureau of Labor Statistics dos EUA estima que teremos, em média, 12 empregos ao longo da vida. Vamos pular entre: empregos na folha, contratos de prestação de serviços via PJ, contratos temporários, participação em projetos, conforme as oportunidades melhores forem se apresentando. A ideia de passar os primeiros 20 anos da vida aprendendo algo e treinando para um trabalho que faremos até nos aposentarmos, já era. O conhecimento, as competências, as habilidades que aprendemos na educação acadêmica formal estarão defasados antes de chegarmos ao 2º emprego. Isso requer uma flexibilidade para a qual nossos planos corporativos de previdência não foram desenhados. Os fundos de pensão simplesmente não estão preparados para o futuro do trabalho, nem as empresas estão, mas é para lá que caminhamos e caminhamos a passos largos.

 

CONCLUSÃO: 

Conforme uma frase atribuída ao velho Peter Druker: “a melhor forma de prever o futuro é ajudando a construí-lo”. É esse o tamanho do desafio que os conselheiros dos fundos de pensão têm a sua frente. ¯\_()_/¯

 

Grande abraço,

Eder.



Fonte: Why Is It Now Time For Machines To Replace Certain Jobs, escrito por Bernard Marr.


sexta-feira, 25 de março de 2022

TE CONTEI? O EMPREGO PERMAMENTE E A APOSENTADORIA MARCAM O FIM DE UMA ERA: PRECISAMOS DE UM NOVO CONTRATO SOCIAL

 




De São Paulo, SP.



O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Contrato social não é um documento escrito, mas sim condições aceitas, regras de comportamento, papeis e responsabilidades dos atores sociais que permitem que uma sociedade prospere. São criados por meios formais (leis) e informais envolvendo cidadãos, governo, negócios, empregados e organizações da sociedade civil para que florescerem juntos. Os principais elementos do contrato social envolvem a rede de proteção social administrada pelo governo, paga por cidadãos e negócios e envolvem regras que regem as relações entre empresas e trabalhadores. No século XX o contrato social se expandiu para fornecer proteção de aposentadoria, saúde, condições de trabalho seguras, jornada de trabalho, ferias, licenças. O contrato social deve se adaptar às mudanças e transformações nas condições sociais e econômicas se quiser permanecer eficaz e relevante, mas principalmente, para permitir a estabilidade social e econômica.


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O conceito de aposentadoria ficou obsoleto, o de emprego também. Algumas pessoas não podem se aposentar, simplesmente porque não tem dinheiro suficiente para se manter por 20, 30 anos. Outras, que podem, não querem parar totalmente de trabalhar. Em comum, tanto uns quanto outros não querem mais passar 14 horas do dia durante a vida inteira trabalhando em um escritório ou em casa. A sociedade moderna, de uma maneira ou de outra, está se adaptando a ideia das pessoas nunca mais pararem de trabalhar e do trabalho em si mesmo ter outro significado. O contrato social vigente, estabelecido após a grande depressão, não cumpre mais com seus objetivos. Precisamos de um novo, que reconheça os avanços sociais e os progressos humanos como longevidade, o nº significativo de mulheres no mercado de trabalho, aumento dos níveis educacionais, novos modelos de emprego e de negócios, mudanças demográficas, avanços tecnológicos, novos hábitos sociais, novos contextos culturais. Um novo contrato social é não apenas bom como é do interesse das empresas porque cria um ambiente operacional estável, mais previsível, permite que inovem e prosperem, que atraiam talentos numa força de trabalho em transformação. As empresas precisam estabilidade econômica e social para prosperar. Precisamos de um contrato social para o século XXI. 


CONCLUSÃO: 

Em sua obra de 1762, Du Contract Social, o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau diz que o interesse de um só homem será sempre o interesse privado. No contrato social de Rousseau, os bens são protegidos e a pessoa, unindo-se às outras, obedece a si mesma, conservando a liberdade. Precisamos, portanto, "reescrever" o atual contrato social, se quisermos continuar livres.


Grande abraço,

Eder.




Fonte: The Business Role in Creating a 21st Century Social Contractx, Working Paper da BSR



quinta-feira, 24 de março de 2022

TE CONTEI? UM CONSELHO PARA O SEU CONSELHO: PREPARE ASAP SEU FUNDO DE PENSÃO PARA FAZER O DISCLOSURE DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 



De São Paulo, SP

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

A Securities & Exchange Commission, equivalente americana da nossa CVM, aprovou há alguns dias uma minuta das regras que tornarão obrigatório para empresas listadas em bolsa nos EUA, a divulgação ao mercado dos riscos e oportunidades decorrentes das mudanças climáticas sobre suas operações, negócios e estratégias. É a coisa certa a fazer, porque: 1º) Os investidores institucionais querem. Uma minoria considerável deles, senão a maioria, tornou sustentabilidade parte de suas estratégias de investimentos, então, eles precisam de boas informações sobre as empresas para tomarem a decisão de investir; 2º) Muitas empresas grandes já estão fornecendo essas informações e várias delas vem assumindo compromissos com “emissão zero de carbono”. Mesmo sendo incertos os efeitos futuros das mudanças do clima sobre as empresas, o custo da transição delas para uma economia de “carbono zero”, não são e os investidores merecem saber; e 3º) No disclosure atual vigora o “escolha a métrica que quiser”, fazendo com que as comparações hoje não sejam consistentes nem confiáveis. É preciso padronizar isso e em algum momento as regras da SEC convergirão para as do TCFD.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Os conselhos deliberativos dos fundos de pensão costumam usar assessoria externa numa grande variedade de áreas. A governança e o reporte dos riscos de seus portfolios associados ao clima é um assunto novo e desconhecido para os conselheiros, que dependerão de especialistas externos até que desenvolvam capacitação interna nessa questão. Como, então, os conselhos dos fundos de pensão poderão assegurar que suas assessorias externas possuem conhecimento adequado e que estarão fornecendo apoio relevante, apropriado e útil? Resposta: buscando capacitação dos conselheiros sobre o reporte dos riscos das mudanças climáticas, sobre a economia de baixo carbono e sobre aspectos ESG. Afinal, a responsabilidade última por qualquer decisão sobre os investimentos é do próprio conselho.         

 

CONCLUSÃO: 

Independente se o seu conselho está ou não entre os “negacionistas” das mudanças climáticas, a avaliação e o discloure padronizado dos riscos e impactos sobre os investimentos, decorrentes de qualquer evento climático extremo, é bom para os investidores - participantes, no caso dos fundos de pensão. Na previdencia complementar eu diria que é fundamental para sobrevivência, porque as novas gerações jamais colocarão o $$$ delas em um carro cujo motorista dirige olhando pelo retrovisor.

 

Grande abraço,

Eder.



 

 

Fonte:  SEC unveils landmark climate change risk disclosure rule, publicado pela Reuters


quarta-feira, 23 de março de 2022

TE CONTEI? A PERCEPÇÃO DE RISCO DOS FUNDOS DE PENSÃO É MUITO FOCADA EM ASPECTOS INTERNOS E PODE ESTAR DEIXANDO ESCAPAR ALGO IMPORTANTE

 



De São Paulo, SP.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Por iniciativa da Comissão Técnica de Governança e Riscos da ABRAPP - Regional Sudeste, foi feita uma pesquisa bem interessante sobre os “Riscos do Sistema de Previdência Complementar Fechada". O trabalho ajuda a entender melhor a percepção de risco dos fundos de pensão brasileiros com diversos portes de patrimônio, quantidade de participantes, regiões do país, origem das patrocinadoras e outras variáveis. Relatório completo: aqui. No ranking geral de 2021, veja o que chama a atenção: i) Os top 3 riscos apontados, i.e. do 1º ao 3º lugar, foram: macroeconomia, taxa de juros e desempenho dos investimentos; ii) Tecnologia aparece em 10º lugar; iii) Concorrência em 13º e práticas comerciais em 14º lugar; iv) Mudança social surge na 16ª posição; e v) Governança corporativa ficou na 20ª colocação, dentre os 23 riscos mapeados.   

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

Numa época dominada por planos CD e CV, é compreensível que os riscos mais importantes, na percepção das entidades de previdencia fechada, tenham a ver - direta ou indiretamente - com investimentos. Porém, os maiores riscos para um fundo de pensão hoje não são aqueles que afetam suas operações, mas sim aqueles que ameaçam a sua existência. Os riscos que podem causar disruptura no modelo de negócios dos fundos de pensão, responsáveis pelas grandes transformações desse início de século, começam a aparecer por volta da metade da lista. Tecnologia, que aparece em 10º lugar no ranking geral, sequer surge no ranking separado no qual os 10 principais riscos são apontados pelos fundos de pensão do setor privado (Lei nº 109/2001). Concorrência, desponta lá na 13ª posição, mas a competição com os fundos de pensão vem hoje de todo canto, qualquer pessoa com um smartphone e acesso a Internet pode comprar e vender ações, comprar títulos públicos, participar de fóruns de discussões e aprender sobre os movimentos do mercado, ter acesso a análises quantitativas, tudo a um custo ínfimo e muitas vezes sem custo nenhum, sem nem mesmo precisar de uma conta bancária. Práticas comerciais, em 14º lugar, está entre os maiores desafios de crescimento do sistema, ainda mais quando se aposta todas as fichas na venda de planos família. Finalmente, mudanças sociais, em 16º, tem tudo a ver com a sustentabilidade da previdência complementar no longo prazo, com o desafio de atrair os jovens da GenZ para os planos corporativos, sem os quais não haverá futuro.

 

CONCLUSÃO: 

Pivotar os fundos de pensão, criar novos modelos de negócio, implantar inovações, isso tudo vem por decisão lá de cima da organização, depende do Conselho Deliberativo, mas governança corporativanum setor que carece de conselheiros profissionais no colegiado, apareceu na “lanterninha”, em 20ª posição numa lista com 23 itens. Portanto, ou está tudo suave na nave ou como diz o título desse post, os fundos de pensão podem estar deixando escapar algo importante.  


Grande abraço,

Eder.


terça-feira, 22 de março de 2022

TE CONTEI? A ECONOMIA MUNDIAL DA LONGEVIDADE É DE US$ 20 TRILHÕES E INVESTIDORES INSTITUCIONAIS, COMO FUNDOS DE PENSÃO, DEVERIAM OLHAR MELHOR PARA ELA

 




De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

A Aging Analytics Agency estima que exista cerca de 1 bilhão de aposentados no mundo, pessoas acima de 60 anos, representando uma economia avaliada em US$ 20 trilhões hoje que projetada para 2026 atingirá US$ 27 trilhões. Dados longitudinais reunidos pelo Banco Mundial com base em informações da divisão de populações da ONU mostram que a quantidade de pessoas acima de 65 anos no Brasil deu um salto enorme, passando de 3,2% da população em 1960 para quase 10% em 2020 (gráfico abaixo) e já ultrapassamos a média mundial. Quem quiser brincar com os dados do Banco Mundial, pode acessar esse link: aqui



POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O envelhecimento do brasileiro não é propriamente uma novidade, mas geralmente é noticiado pela mídia como um problema, uma ameaça, um risco para o sistema de saúde etecetera e tal, raramente é abordado como uma oportunidade. A despeito das pessoas acima de 60 anos acumularem cada vez mais patrimônio, o lançamento de produtos geralmente não foca nesse segmento e são relativamente poucos os exemplos de inovações corporativas voltadas para ele. No entanto, já existem segmentos de negócios voltados para esse público, agetechs, biotechs, empresas focadas em medicina regenerativa em medicina de precisão etc. Eu gostaria de ser surpreendido positivamente por diretorias de investimentos de fundos de pensão, buscando oportunidades de investimentos nessas áreas, que além de retornos interessantíssimos, formariam um círculo virtuoso beneficiando a vida dos próprios participantes aposentados. 


CONCLUSÃO: 

É importante identificar oportunidades de investimentos nos estágios iniciais de evolução, imagine quem investiu na Internet antes do estouro das empresas “.com”. A falha em identificar oportunidades hoje pode significar a perda da próxima grande revolução nos investimentos. A economia da longevidade é certamente uma delas. Amanhã pode ser tarde demais. Voltarei ao assunto em futuros artigos.


Grande abraço,

Eder.



Fonte: Why older people should be an innovation focus, escrito por Maija Palmer e Thomas Bro. 



segunda-feira, 21 de março de 2022

TE CONTEI? PORQUE SEU FUNDO DE PENSÃO PRECISA DE UM “CHIEF IMPACT OFFICER”, MAS O CONSELHO DELIBERATIVO AINDA NÃO SE DEU CONTA DISSO



Crédito de imagem: https://60mais.com.br



De São Paulo, SP.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO: 

Ainda vigora nos conselhos deliberativos e diretorias de fundos de pensão a percepção (errada) de que investir com foco em sustentabilidade vai contra os retornos financeiros, que isso é coisa de ativista de mudanças climáticas. Essa “tchurma” ainda não se deu conta do que vem acontecendo com o sentimento e o comportamento dos consumidores: a preocupação com sustentabilidade está impactando tudo, desde o alimento que as pessoas compram, os carros que andam, os serviços financeiros que elas escolhem até o alinhamento de suas preferencias com as marcas que usam. Ah, mas meu participante não tá nem aí pra essas coisas! Engano seu, é preciso olhar para além daquilo que se enxerga. Pesquisa no UK com 2 mil consumidores em out/2021 mostrou que 30% da população prefere investir em fundos sustentáveis, mesmo que não performem tão bem quanto um fundo comum, só que metade dos entrevistados não tem a mínima ideia de onde seu fundo de pensão investe, mesmo com 57% deles tendo dito que gostaria de saber. Ou seja, a questão está “latente” e quanto mais jovens aderirem ao plano, mais isso vai vir à tona.


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: 

O CIO - Chief Impact Officer é um novo bicho que está surgindo na floresta dos C-Level, diferente do Head de “Corporate Social Responsibility”, o CIO responde por todo processo da organização que gere qualquer tipo de impacto social ou ambiental, sob o ponto de vista da receita, dos resultados mesmo. A Kate Nicholis escreveu um artigo sobre as 5 razões para uma startup ter um CIO, que valem também para um fundo de pensão, veja quais são: 1) O mercado: talentos, investidores, governos e o publico em geral esperam que as empresas tenham opiniões e ações sobre as grandes questões – tipo guerra na Ucrânia; 2) Um responsável: as estruturas das empresas são complexas e alguém precisa se encarregar das batalhas, se todo mundo tenta fazer tudo, acaba que ninguém faz nada; 3) Tem que ser no topo: *impacto* é difícil de coordenar estrategicamente, a responsabilidade é multifuncional, envolve RH, inovação, marketing, jurídico, operações, requer alguém de cima; 4) Dedicação exclusiva: leis de privacidade de dados, D&I, justiça social, mudanças climáticas, o emaranhado de assuntos demanda atenção em tempo integral; e 5) Longo prazo: se você esta construindo algo duradouro e esse é o horizonte de fundos de pensão, precisa começar hoje, sustentabilidade é um titulo que você compra hoje, mas só vence no futuro. 


CONCLUSÃO: 

No mundo pós-pandemia, as pessoas estão se dando conta de que não faz sentido nenhum ter a segurança financeira, uma boa renda de aposentadoria, sem ter uma sociedade justa e um meio ambiente saudável onde aproveitá-la.


Grande abraço,

Eder.



Fonte: Schemes need to pay attention to members’ sustainable demands, escrito por Karol M. Nicholis


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