terça-feira, 7 de abril de 2026

GEN Z: A GERAÇÃO QUE POUPA CEDO, INVESTE DIFERENTE — E PODE DEIXAR OS FUNDOS DE PENSÃO FALANDO SOZINHOS

 

De Sāo Paulo, SP.


O sistema de previdência complementar corporativa, os fundos de pensāo, sempre viveu de uma suposição confortável:

Basta esperar o jovem profissinal amadurecer, a carreira avançar e o salário crescer, que o interesse pela aposentadoria aparece.

Só que a Gen Z (1996-2010), a mais jovem geraçāo a entrar no mercado de trabalho, chegou bagunçando essa lógica.

Os jovens não estāo esperando, estāo poupando mais cedo, investindo cedo, aprendendo sobre dinheiro antes mesmo de entrar de vez no mercado de trabalho. O mais importante, estāo formando sua visão de mundo financeiro longe do velho altar onde os fundos de pensão costumavam ser venerados. 

Segundo dados citados pelo The Atlantic, em média, a Gen Z começou a poupar aos 18 anos - bem antes das gerações anteriores - quase 50% já investem e muitos começaram antes mesmo dos 18.

O que mais impressiona: os domicílios que contam com Gen Z já acumulam, em termos reais, quase três vezes mais ativos em poupança voltada para a aposentadoria do que a Geração X (1965-1980) tinha na mesma idade.

Não estamos falando de uma geração desligada das finanças. Estamos falando de uma geração que pensa em dinheiro o tempo todo — talvez até demais. 

Aqui está o detalhe que deveria acender uma luz amarela — ou vermelha — no radar dos fundos de pensão: a Gen Z até poupa para o futuro, mas não necessariamente quer fazer isso pelos mesmos canais de sempre, usando os panos de previdencia complementar e veiculos tradicionais de poupança para o futuro.

Essa geração investe de forma diferente, porque confia de forma diferente.

O Fórum Econômico Mundial mostrou, com base no Global Retail Investor Outlook 2024, que a Gen Z tende a começar a investir mais cedo e é mais propensa do que outras gerações a aplicar em produtos mais complexos, como cryptoativos e ativos alternativos.

Entre os jovens investidores, o interesse por plataformas digitais, fintechs, IA e redes sociais como principal fonte de informação é muito maior do que entre os mais velhos. Quase 20% da Gen Z dizem que não investem via mercado financeiro tradicional porque não confiam nas instituições financeiras. 

Traduzindo para o português bem claro:

Essa não é só uma geração que quer retorno, é uma geração que quer autonomia, transparência, linguagem simples, acesso digital e coerência entre discurso e prática.

Os jovens não querem apenas “ter um plano de previdência complementar”. Eles querem entender onde o dinheiro está sendo investido, por que está sendo investido nesses ativos, quem ganha com isso e qual o efeito disso no mundo real.

E aí mora um problema ENORME para boa parte dos fundos de pensão.

O jovem que hoje compra cryptoativos, explora ativos alternativos, usa apps de investimento, acompanha finfluencers, testa IA para organizar as finanças e demonstra interesse maciço por investimento sustentável:

Não vai achar especialmente sedutor colocar sua poupança de longo prazo em estruturas que, muitas vezes, continuam excessivamente opacas, lentas, burocráticas e majoritariamente concentradas em títulos públicos.

O relatório Sustainable Signals, da Morgan Stanley, mostrou que 99% dos investidores Gen Z dizem ter interesse em investimentos sustentáveis. Já o Fórum Econômico Mundial destacou que a Gen Z quer combinar acesso, confiança, tecnologia e novos tipos (novas classes) de ativos. 

Em outras palavras:

Para essa geração, poupar não é apenas acumular patrimônio, só juntar dinheiro, é também uma expressão de propósitos e valores.

O dinheiro precisa render, claro, mas, se possível, também deve financiar inovaçōes, transição energética, novas tecnologias, economia real, impacto mensurável e ter algum sentido social.

Não por altruísmo romântico, mas porque essa geração cresceu olhando para um mundo caro, instável, desigual, digital e cheio de ruídos — e concluiu que simplesmente emprestar quase tudo ao Estado, via títulos públicos, talvez não seja exatamente a imagem do futuro que deseja financiar. 

Agora vem a parte mais incômoda para o setor. A Gen Z não está apenas chegando ao mercado, ela está chegando às posiçōes de liderança.

A Quartz lembrou nesta semana que os membros mais velhos da Gen Z já estão no fim dos seus 20 e poucos anos de idade e começam a ocupar posições de alta gerência, além de fundar suas próprias empresas. Eles chegam com expectativas próprias sobre trabalho, transparência, propósito, flexibilidade e valor criado pelas organizações. 

Pode parecer cedo para imaginar que isso mude a relação das empresas com seus fundos de pensão.

Mas não é!

O problema dos fundos de pensão nunca foi só regulatório ou financeiro, sempre foi também político, cultural e geracional.

  • Quem decide se a empresa vai implantar um plano CD como benefício?

  • Quem decide se vale a pena ampliar a contribuição da empresa?

  • Quem decide se o plano será tratado como peça estratégica, de atração e retenção, ou como um item burocrático do RH?

  • Quem decide se a poupança de longo prazo do trabalhador será vista como valor ou como custo?

A resposta é simples: os gestores.

Credito de Imagem: www.profitableleadership.com

Se a gestão passa a ser ocupada por uma geração que já aprendeu a investir fora dos fundos de pensão, a tendência natural é que esses executivos não demonstrem entusiasmo automático por um modelo que eles próprios não escolheriam para si.

Esse ponto é uma inferência, mas parece bastante plausível: se a Gen Z constrói sua relação com a poupança de longo prazo em plataformas, ativos e lógicas diferentes das da previdência corporativa tradicional, ao ganhar poder decisório dentro das empresas ela tende a prestigiar menos o velho arranjo dos fundos de pensão — a menos que esse arranjo mude radicalmente.

Essa inferência se apoia no fato de que a geração já investe cedo, prefere canais mais digitais, mostra mais abertura a crypto e ativos alternativos, valoriza sustentabilidade e começa a ascender à liderança corporativa. 

Dito de forma mais direta:

O risco para os fundos de pensão não é apenas perder o jovem como potencial participante, é perder a futura patrocinadora como viabilizador de sua existencia.

Isso muda tudo.

Durante décadas, o fundo de pensão podia sobreviver mesmo sendo pouco compreendido pelo empregado, desde que fosse bem compreendido — ou bem aceito — pela cúpula da empresa. Porém, o que acontece quando a própria cúpula passa a ser formada por gente que pensa assim:

“Por que eu colocaria dinheiro dos meus empregados — e da empresa — num veículo pesado, pouco flexível, pouco transparente e concentrado em dívida soberana, se essa mesma geração quer inovação, personalização, liquidez psicológica, propósito e exposição a oportunidades de crescimento?”

A resposta pode ser cruel, a empresa pode simplesmente:

  • não colocar dinheiro em um fundo de pensāo;

  • ou colocar menos $$$;

  • ou tratar o fundo de pensão como estrutura respeitável, porém dispensável.

Isso ajuda a explicar por que o debate sobre previdência complementar não pode mais ficar restrito a déficits, metas atuariais, duration e resoluçōes normativas da PREVIC.

Nada disso desaparece, mas tudo isso ficou pequeno demais. O verdadeiro desafio agora é outro: os fundos de pensão precisam voltar a ser “desejados” (vide meu artigo sobre marcas)

Precisam ser percebidos não como depósitos obrigatórios de um futuro abstrato, mas como plataformas inteligentes de construção de patrimônio, identidade financeira e impacto positivo.

Para conversar com a Gen Z, não basta prometer aposentadoria daqui a 35-40 anos, isso, sozinho já não emociona ninguém. Será preciso mostrar pelo menos cinco coisas:

  1. Primeiro: que o fundo de pensāo entrega retorno competitivo, acima dos titulos publicos;

  2. Segundo: que ele faz isso com transparência radical;

  3. Terceiro: que ele abre espaço para inovação, diversificação e novas teses de investimento;

  4. Quarto: que ele tem coerência com valores contemporâneos, inclusive naquilo que financia com o dinheiro dos participantes; e

  5. Quinto: que ele respeita a inteligência de uma geração que cresceu comparando tudo, questionando tudo e clicando em “sair” quando não gosta da experiência.

Se os fundos de pensāo não fizerem isso, o sistema corre o risco de viver um paradoxo inusitado e trágico ao mesmo tempo:

Justamente a geração que começou a poupar mais cedo, pode ser a geração que menos verá valor nos fundos de pensão.

Quando essa geração sentar na cadeira de gerência, diretoria, CHRO, CFO ou até de CEO, ela não vai assinar cheques por nostalgia.

Vai decidir com base naquilo em que ela propria acredita.

Hoje, tudo indica que a Gen Z acredita menos em estruturas fechadas (o nome entidades fechadas de previdencia complementar, nāo ajuda nada) e mais em ecossistemas abertos. Menos em promessas genéricas e mais em escolhas, menos em carregar o passado e mais em financiar o futuro. 

Os fundos de pensão ainda têm tempo para reagir, mas já não têm mais o direito de presumir lealdade geracional, mesmo em tempos de adesāo automática.

A Gen Z não está rejeitando a ideia de futuro, ao contrário, ela está obcecada por ele. O problema é que, cada vez mais, ela quer construir esse futuro sem pedir licença ao passado.

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fontes: “The Sneaky-Saver Generation”, escrito por Faith Hill | “Gen Z-ers are becoming bosses. Here’s what that means for everyone else”, escrito por Matthew Fray.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


segunda-feira, 6 de abril de 2026

BMW, ROLLS-ROYCE E DUAS LIÇŌES QUE OS FUNDOS DE PENSĀO NĀO APRENDERAM (AINDA)

 



De Sāo Paulo,  SP.

No mundo dos fundos de pensão brasileiros, a conversa costuma girar em torno de déficits, metas atuariais, performance dos investimentos, governança, compliance, custeio … e um desfile interminável de siglas que faria qualquer cristão de boa vontade pedir um café forte.

Mas há um ativo importantíssimo que continua quase invisível no sistema de previdência complementar fechado, os fundos de pensāo, no Brasil: marca.

Sim, marca!

Para muto alem de assunto para marketeiros: marca não é perfumaria. Marca é percepção. É confiança. É reputação acumulada. É aquilo que faz uma instituição ser lembrada, respeitada, desejada — ou … ignorada.

Tem uma história ótima, dessas que parecem roteiro de filme, que aconteceu de verdade, que deveria ser motivo de reflexao para conselheiros e diretores.

Duas liçōes sobre marca que valem a pena ser aprendidas

Liçāo #1

A BMW colocou o logo dela nos carros da Mercedes e da Audi, de graça, foi uma jogada de mestre.

Em 2016, a BMW descobriu que os motoristas na Russia viviam tampando a placa dos carros só para nāo pagar pedágio. Percebendo uma oportundade, a BMW lançou uma faixa exclusiva nos pedagios, liberada apenas para quem tinha uma BMW.

O negocio bombou na hora.

Entāo, o inesperado aconteceu: os donos de Mercedes e Audi começaram a reclamar, querendo entrar na jogada também. Ao invés de acabar com as faixas exclusivas, a BMW teve uma outra ideia, genial!

Eles disponibilizaram o logo da BMW para imprimir em vários tamanhos e diferentes dimensōes, para as pessoas colocarem em seus carros.

Em poucos dias, as estradas estavam lotadas com carros da Mercedes e Audi com o emblema da BMW. Tudo, para poderem passar nos pedágios de graça.

A BMW nāo somente fez economia para seus proprios clientes, como transformou os carros dos concorrentes em propanada ambulante.

O que tudo isso nos ensina:

Quando sua marca é forte o suficiente, até a concorrência vira outdoor pra fazer propaganda dela

A BMW procou que posicionamento nāo é só sobre o que voce vende, mas o quanto as pessoas querem fazer parte daquilo que voce representa.

Liçāo #2

Em 1998, a Vickers dona da Rolls-Royce Motors, colocou a empresa à venda. A BMW entrou na disputa com uma oferta de cerca de £$ 340 milhões.

Credito de Imagem: BMW/Divulgaçāo

Fazia sentido, a BMW já tinha relação próxima com a operação e conhecia o negócio por dentro. Mas a Volkswagen apareceu no meio do caminho, mais agressiva e venceu o leilão com uma oferta de £$ 430 milhões.

Até aí, parecia vitória clássica de quem colocou mais dinheiro na mesa. Só havia um pequeno detalhe que passou desapercebido.

A Volkswagen comprou a fábrica, os projetos, as instalações e a operação automobilística, mas:

Os direitos sobre o nome e a marca Rolls-Royce, no setor automotivo, não faziam parte daquela transação.

Esses direitos pertenciam à Rolls-Royce plc - ligada ao negócio aeronáutico - e acaram sendo adquiridos separadamente pela BMW em julho de 1998.

A própria BMW registra em sua história corporativa que garantiu os direitos da marca e do nome Rolls-Royce naquele momento, assumindo depois a responsabilidade integral pela Rolls-Royce Motor Cars a partir de 2003.

Traduzindo para o português mais claro possível:

A VW comprou o corpo, a BMW levou a alma, a VW ficou com o que era visível, a BMW ficou com o que tinha significado.

A Volkswagen levou tijolo, aço, ferramental e operaçōes. A BMW levou aquilo que realmente sustentava o valor simbólico do negócio:

  • o nome;

  • a autoridade,;

  • a herança;

  • a percepção de excelência;

  • um negocio construído durante décadas.

Tanto que, em 2003, a BMW passou a fabricar os carros Rolls-Royce em Goodwood, na Inglaterra, em uma nova planta criada sob sua responsabilidade.

Essa história é deliciosa porque desmonta uma ilusão muito comum no mundo corporativo — e também no universo dos fundos de pensão.

A ilusão de que o valor está apenas naquilo que é tangível.

No nosso setor, isso aparece o tempo todo. Há entidades que falam de tamanho do patrimônio, número de participantes, estrutura administrativa, organograma robusto, quantidade de comitês, pilhas de regulamentos, hectares de burocracia e toneladas de PowerPoint.

Tudo isso pode ter sua utilidade, mas nada disso, por si só, constrói uma marca forte. Sem marca forte, o fundo de pensāo pode até existir formalmente, mas não ocupa espaço real na cabeça nem no coração de ninguém.

Por isso somos vitima de participante que não entende o plano, patrocinadora que trata a entidade como mero apêndice operacional, conselheiros que não percebem o valor estratégico da comunicação e …

… jovens que acham previdência complementar algo mofado, distante, sem identidade e com falta de propostito

Acabamos com instituiçōes que passam décadas administrando dinheiro de terceiros, sem jamais construir relevância pública.

É quase como se muitos fundos de pensão acreditassem que bastasse existir para serem respeitados.

Não basta!

A marca é o que transforma uma organização técnica em uma instituição reconhecida. É o que faz alguém olhar para um fundo de pensāo e pensar: “ali tem seriedade”, ou “ali tem modernidade”, ou ainda “ali é um lugar em que meu dinheiro para o futuro estará em boas mãos”.

Sem isso, sobra apenas a estrutura e estrutura, sozinha, raramente desperta confiança.

A lição da BMW é poderosa justamente porque mostra que o ativo mais valioso nem sempre é o mais aparente. No caso da Rolls-Royce, não era a fábrica, era a marca. Não era o chão de fábrica, era o imaginário. Não era o maquinário, era o significado.

Credito de Imagem: FRAME

Agora troque “carro de luxo” por “fundo de pensão”.

O que vale mais no longo prazo? Um monte de processos internos que ninguém vê? Ou uma reputação sólida, inteligível e respeitada nāo só por participantes, patrocinadores e reguladores, mas pela sociedade inteira?

A resposta parece óbvia, mas o sistema de previdencia complementar corporativo continua agindo como se marca fosse um luxo dispensável.

Num ambiente em que o setor disputa atenção com bancos, fintechs, influenciadores, plataformas digitais, gestoras independentes, seguradoras, produtos de investimento de todo tipo e até promessas mirabolantes embaladas em vídeo de 30 segundos:

Continuar subestimando marca é um erro estratégico.

Fundo de pensão que não constrói marca corre o risco de virar o quê? Uma instituição correta, prudente, tecnicamente perfeita … e completamente irrelevante.

Tenho chamado a atenção da comunidade de fundos de pensão para isso há tempos:

É preciso construir marcas.

Marca no sentido sério da palavra, não no sentido cosmético. Não estou falando de trocar logo, inventar slogan bonito ou fazer posts com fotos de banco de imagens e velhinhos de mãos dadas ao pôr do sol.

Estou falando de algo mais profundo:

  • criar uma identidade clara;

  • criar uma narrativa compreensível;

  • criar uma voz reconhecida pelo publico,

  • criar uma reputação coerente;

  • criar uma presença que comunique valor;

  • criar utilidade, modernidade, confiabilidade; e

  • criar propósito.

Num sistema que ainda opera muito “fora do radar” d grande publico, isso deveria estar no centro da agenda. Porém, a previdência complementar fechada no Brasil segue, em grande parte, fora do campo de visão das pessoas comuns.

Talvez porque muita gente ainda ache que marca é assunto de montadora de automoveis, cias aéreas, varejistas, bancos, empresas de consumo.

Marca é assunto de toda instituição que depende de confiança e se existe um negócio que depende de confiança, esse negócio é previdência complementar.

No fim, a história da BMW e da Rolls-Royce deixa uma provocação incômoda para os fundos de pensão:

Vocês estāo cuidando apenas das suas fábricas… ou também dos seus nomes?

No longo prazo, as pessoas podem até abrir a boca de admiraçāo e respeitar grandes patrimônios, mas é a sua marca que decide se alguém vai realmente acreditar se você terá um futuro.

Quem quiser assistir aos videos curtos que deram origem a esse artigo, pode clicar nesses links da aqui “Lelinha Gentil” e aqui “Lelinha Gentil2

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: "Lelinha Gentil”, no TikTok.

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompt do autor, em sua profunda experiencia profissional e nas informações das fontes citadas.


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