segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A morte lenta da aposentadoria, os homens e o sapo

De São Paulo, SP.

Esse artigo foi publicado há exatos dois anos, no "Valor Online" e reproduzo novamente para que você tire suas próprias conclusões....

"Anotem ai: Eu não sou sapo", disse o professor em minha primeira aula no mestrado. "Por quê?", perguntamos. "Porque os sapos são animais de sangue frio e não percebem mudanças lentas de temperatura, enquanto o ser humano é capaz de notar as mudanças que ocorrem à sua volta", respondeu.


Nunca mais esqueci essa lição e, desde então, procuro monitorar indicadores que apontem para mudanças. Eles estão em todo lugar e as transformações que prenunciam se desenrolam lentamente diante de nós. Por isso, o mais importante é conseguir antecipá-las. Assim, quero partilhar alguns indicadores que apontam para uma mudança profunda no conceito de aposentadoria.


Estimativas do "Bureau of Labor Statistics" mostram que a força de trabalho civil norte-americana aumentará em 17 milhões de pessoas nos próximos anos, atingindo 158 milhões em 2010. Segundo o BLS, haverá 168 milhões postos de trabalho disponíveis e uma falta de dez milhões de trabalhadores para ocupar tais posições. Para especialistas, o problema será agravado pela falta de empregados com nível de escolaridade adequada.


A carência de capacitação já é uma realidade na indústria de manufatura de países desenvolvidos e deverá se espalhar por outros setores nos próximos 15 anos, na medida em que a geração pós-guerra continue se aposentando. Faltarão empregados bem-treinados para ocupar posições em áreas, como tecnologia da informação e energia, o que acirrará a competição global por profissionais da linha de frente.


Nos mercados emergentes são verificados elevados índices de rotatividade, acarretando custos salariais crescentes. Essa rotatividade se deve à falta de uma força de trabalho mais qualificada, fazendo com que os talentos disponíveis mudem de emprego com mais freqüência, tornando mais caras sua atração e retenção. O planejamento da força de trabalho passou a ser uma questão fundamental para o desenvolvimento dos negócios.


Assim, uma mudança profunda no conceito de aposentadoria está se avizinhando. O modelo atual está sendo colocado em cheque, já que as pessoas estão vivendo cada vez mais e com um vigor antes inexistente. A realidade econômica dos aposentados força-os a continuar trabalhando e, em muitos casos, eles mesmos não querem parar. Se juntarmos a isso a escassez de mão-de-obra qualificada, conseqüência da diminuição da força de trabalho e da falta de capacitação, conclui-se que a permanência dos trabalhadores nas empresas irá ao encontro de uma necessidade das próprias organizações.


Eis que começa surgir a aposentadoria "em fases". Mais do que permitir que o empregado deixe o trabalho ativo em etapas, enquanto mantém uma renda adequada, esse conceito deverá transformar o atual fim abrupto do trabalho. A aposentadoria passará a acontecer em fases ou indefinidamente, permitindo ao colaborador manter também, em muitos casos, a satisfação.


Pesquisas indicam que cerca de 2/3 dos trabalhadores com mais de 50 anos esperam escalonar a aposentadoria. Mostram, também, que os empregados respondem favoravelmente aos esquemas informais que estão precedendo a aposentadoria em fases como, horário flexível, divisão de trabalho e tele-trabalho. Mas infelizmente, ainda existe uma discrepância entre o que os empregados desejam e aquilo que as empresas permitem.


O conceito de aposentadoria em fases pode não servir para todas as empresas, já que as pressões por custo podem requerer redução da atual força de trabalho; a idéia pode não ser adequada à cultura da organização; a força de trabalho pode ser ainda jovem; e até por não haver necessidade financeira para o empregado continuar a trabalhar; entre outros.


Portanto, calma! A aposentadoria tradicional ainda não morreu, ao menos por enquanto. Mas, é bom ficar de olho nos indicadores. Afinal, você também não é sapo...


Abraço,
Eder

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