quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PARA ATRAIR A GEN-Z, FUNDOS DE PENSĀO TERĀO QUE IR ALÉM DOS PLANOS CD

 



De Sāo Paulo, SP.

Ao ser sabatinada pela Work and Pensions Committee - a Comissāo de Previdência e Trabalho da Câmara dos Comuns, no Parlamento do Reino Unido - Emma Douglas, a principal candidata do governo ao cargo de Presidente do Conselho do TPR (The Pensions Regulator), equivalente à PREVIC, soltou essa:

Existem “preocupações fundamentais” no cenário dos planos de contribuição definida (CD), mais do que nos planos de benefício definido (BD).

Emma estava externando o que todos já sabem, mas ninguém fala nem comenta: aposentar-se apenas com planos CD fará com que as novas geraçōes de aposentados pelos fundos de pensāo sejam mais pobres do que as geraçōes anteriores.

O problem está ali na esquina

A futura xerife dos fundos de pensāo britânicos lembra que algo precisa ser feito agora mesmo, porque a Geraçāo Z, que entrou no mercado de trabalho por volta de 2020, deverá começar a se aposentar em poucas décadas:

Precisamos pensar no que acontecerá na década de 2050, quando as pessoas se aposentarem com benefícios praticamente exclusivos de planos de contribuição definida. As preocupações atuais são mais existenciais no que diz respeito aos planos de contribuição definida.

Poupanças inadequadas

O problema com os planos CD nāo é falta de poupança para a aposentadoria, mas sim a formaçāo de uma poupança inadequada, ou seja, insuficiente, para entregar segurança financeira no futuro.

Com a completa saída de cena dos planos de beneficio definido (BD), restarāo apenas os planos CD como meio para formaçāo de poupança nos fundos de pensāo.

Nenhuma inovaçāo verdadeira surgiu desde que os planos CD entraram pela porta da frente dos fundos de pensāo no século passado e diga-se de passagem, nāo entraram para ser atores principais, mas sim coadjuvantes dos planos BD.

De lá para cá, o aumentado crescente da longevidade e a redução constante do beneficio pago pela previdencia social, vem aumentando assustadoramente a lacuna entre as antigas rendas vitalícias dos plano dos BD e as atuais rendas financeiras dos CD.

No Reino Unido a regulamentaçāo tem buscado assegurar que os planos CD, oferecidos pelos fundos de pensāo, entreguem valor verdadeiro aos participantes, considerando o valor que eles propiciam dada a contribuição feita pelo participante e as taxas de administração e gestão financeira cobradas dele.

O conceito de VfM - Value for Money

Credito de Imagem: www.tiaa.co.uk

Value for Money ou simplesmente VfM é uma forma de medir e comparar a qualidade e o valor entregue ao participante de um plano CD, com outros planos CD oferecidos por diferentes fundos de pensāo.

Para isso, os planos de contribuição definida do ReinoUnido precisarão publicar “dados claros” sobre:

  • Seu desempenho: rentabilidade;

  • Seus custos: taxas de administraçāo e gestāo dos investimentos; e

  • Qualidade do serviço.

O governo e os órgãos reguladores britânicos afirmaram que o foco se concentrará no valor a longo prazo, com medidas para demonstrar quais retornos e riscos os participantes de planos DC podem esperar nos próximos dez anos.

O VfM entregue pelos fundos de pensāo aos seus participantes será avaliado e comparado de forma “objetiva” e “robusta”, usando para isso um sistema de classificação (rating) com quatro pontos, que permitirá a identificação dos “top performers”, ou seja, dos fundos de pensāo com as melhores performances.

rating com as avaliações de custo-benefício será mostrado mercado em um sistema de cores, com verde escuro para um desempenho excelente, verde claro para um bom custo-benefício, âmbar para melhoria e vermelho para um custo-benefício ruim.

O governo e os órgãos reguladores vāo além. Querem estabelecer com o VfM uma estrutura de governança sólida, com expectativas objetivas para os administradores e provedores dos fundos de pensāo.

Medidas claras deverāo ser adotadas pelos planos quando estes não estiverem oferecendo um bom custo-benefício aos seus participantes, incluindo a proibição de novos negócios (adesāo de novas patrocinadoras) e a transferência dos membros para planos com melhor desempenho.

A diretora executiva do TPR, Nausicaa Delfas, comentou:

“Milhões de pessoas dependem da renda da aposentadoria para se sustentarem na terceira idade. Precisamos garantir que elas obtenham o melhor retorno possível pelo seu investimento. Essa estrutura dará poder aos tomadores de decisão para aprimorarem seus planos ou consolidarem-se fora do mercado. Queremos garantir que façamos isso da maneira correta e ajudemos a transformar a poupança para aposentadoria de milhões de pessoas.”

Calcanhar de Aquiles dos planos CD: rentabilidade x custo

O ministro das Pensões do Reino Unido, Torsten Bell, foi certeiro:

“É simplesmente muito difícil para as pessoas saberem se suas economias para a aposentadoria estão rendendo o que elas desejam. Isso não está certo quando falamos de algo tão importante quanto a segurança das pessoas na aposentadoria.”

Diferente dos nossos, os tecnocratas da Terra de Sua Majestade já perceberam algo óbvio. Valor e bom custo-benefício em planos de previdencia complementar não se resumem apenas à baixas taxas de administração – envolvem:

  • Desempenho sólido;

  • Bom serviço; e

  • Transparência.

O papel do governo é ajudar a garantir melhores retornos para os participantes dos planos de previdência, nāo apenas melhor rentabilidade e menor custo, mas sim que um fundo de pensāo entregue o melhor valor possível pelo dinheiro pago pelo poupador.

Enquanto nāo surge nada melhor do que os planos CD para atrair a Gen Z, é o que se tem para hoje

Grande abraço,

Eder.


Fonte: “There are ‘fundamental concerns’ for DC, Emma Douglas says”, escrito por Holly Roach | “TPR, DWP and FCA publish consultation on VfM framework”, escrito por Martin Richmond.


CERCA DE 40% DOS FUNDOS DE PENSĀO BRASILEIROS TENDEM A SE TORNAR INVIÁVEIS

 


De Sāo Paulo, SP.

Relatório Gerencial de Previdência Complementar do 3T/2025, divulgado pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, traz um retrato preocupante do sistema de fundos de pensão no Brasil:

Cerca de 33% das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) possuem patrimônio inferior a R$ 500 milhões e outras 7%, aproximadamente, estão na faixa entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão

Ou seja, quase 40% das entidades operam em patamares de escala que historicamente têm se mostrado economicamente frágeis.

Fonte: Relatório Gerencial de Previdência Complementar do 3T/2025 - PREVIC / SUSEP (extraçāo: 10/11/2025)

Viabilidade econômica: o desafio da escala

O custeio de um fundo de pensão não se resume apenas à gestão de ativos; envolve um conjunto complexo de despesas fixas, variáveis e contínuas, incluindo:

  • Governança corporativa robusta (com compliance e controles eficazes);

  • Auditorias contábeis e nos benefícios periódicas;

  • Avaliaçōes atuariais, cálculos e projeçōes anuais;

  • Tecnologia de gestão, sistemas de informaçāo e proteçāo cibernética;

  • Custos administrativos per capita e de gestāo dos investimentos.

Entidades menores, em termos de patrimônio e quantidade de participantes, sofrem com uma despesa administrativa per capita proporcionalmente muito mais alta, já que não conseguem diluir essas despesas com um número suficiente de participantes e volume de recursos sob gestão.

A consequência prática é que, abaixo de certo limite de patrimônio e número de participantes, a equação de receita versus despesa deixa de fechar — gerando um alto risco de inviabilidade econômica operacional.

No Brasil, não existe um “patrimônio mínimo oficial” definido pela PREVIC ou pelo Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) que determine estatutariamente a extinção de uma entidade quando esta cruza um determinado nível de ativos sob gestão.

Em vez disso, o regulador tem evoluído para um modelo baseado em indicadores de viabilidade técnica e econômica, que consideram a sustentabilidade do custeio no longo prazo e a capacidade do fundo de pensāo de manter o serviço ao participante com rigor de governança.


Consolidação global não é fenômeno isolado

A tendência de consolidação e redução no número de fundos de pensão não é exclusiva do Brasil. Países desenvolvidos enfrentam esse mesmo movimento por pressões de custos, exigências regulatórias maiores e economia de escala.

  • Na Holanda, o total de fundos de pensão caiu de cerca de 1.000 no ano 2000 para menos de 200 em 2022, em grande parte devido à consolidação e à busca por estruturas mais eficientes.

  • No Reino Unido, a quantidade de planos de previdência complementar ocupacional (planos corporativos) também encolheu ao longo da última década, com muitos sendo transferidos para “master-trusts”, i.e., fundos de pensāo maiores.

  • Na Austrália o setor de fundos de pensão (planos corporativos) conhecidos como “Superannuation”, tem passado por uma intensa consolidação, resultando em uma redução significativa no número de entidades independentes. Existem hoje cerca de 89 fundos regulados pela APRA - Autoridade Australiana de Regulação Prudencial, marcando uma queda de mais de 80% nos últimos 20 anos, com fundos menores fundindo-se para formar “gigantes” da previdência.

  • Relatórios internacionais indicam que em várias economias da OCDE a tendência de consolidação decorre tanto de regulação mais exigente (como IORP II na Europa) quanto da busca por eficiências de custo e investimento.


Emprego, tecnologia e “escala”

Um vetor subjacente ao risco de inviabilidade é a mudança estrutural no mercado de trabalho:

  • Empregadores estão, cada vez mais, substituindo empregados por tecnologia e trabalho terceirizado ou sob demanda por empregos na folha de pagamentos.

  • Estruturas de emprego mais fluidas reduzem o número de vínculos formais, historicamente a principal fonte de novos participantes para fundos de pensão corporativos.

Essa dinâmica reduz o pool de contribuintes ativos e amplia a dependência de um grupo menor de participantes, fragilizando ainda mais a equação econômica das entidades menores.


Projeção: quanto tempo até a extinção?

Traçar uma linha exata no tempo é, inevitavelmente, incerto — mas podemos propor cenários plausíveis baseados na velocidade histórica de consolidação internacional, na redução da quantidade de fundos de pensāo no Brasil nas ultimas décadas e no ritmo atual de pressões econômicas e regulatórias:

  • Cenário conservador: o setor passará por fusões e incorporações graduais ao longo dos próximos 5 a 10 anos.

  • Cenário acelerado: com o agravamento dos custos administrativos, baixa entrada de novos patrocinadores e maior exigência regulatória, um movimento mais rápido de consolidaçāo e extinçāo de fundos de pensāo brasileiros — na ordem de 3 a 7 anos — torna-se plausível e até provável.

A lógica é simples:

Os fundos de pensāo que não conseguirem desenvolver escala suficiente para cobrir custos fixos tenderāo a migrar para modelos mais eficientes - enfrentando fusão com fundos maiores, terceirização de funções centrais ou simplesmente, término das operações com transferência de planos e patrimônio.


Conclusão

O Brasil conta hoje com um sistema de previdência complementar essencial para a proteção de milhões de participantes e assistidos.

Mas uma parte significativa do setor — cerca de 40% das EFPCs — opera em níveis de patrimônio e escala que historicamente têm mostrado alto risco de inviabilidade econômica, se considerados os custos fixos e as exigências contemporâneas de governança.

Com a combinação de mudanças no mundo do trabalhopressões regulatórias por melhores práticas de gestão e tendências globais de consolidação de fundos de pensão, é razoável projetar que nos próximos 4 a 8 anos veremos um processo contínuo de incorporações, fusões ou fechamentos, até que o sistema se torne mais concentrado em busca da sustentabilidade.

Esse futuro não está gravado em pedra, mas segundo o relatório mais recente da previdência complementar brasileira, acende-se, claramente, uma luz amarela e um sinal de alerta .

Grande abraço,

Eder.


Opiniōes: Todas minhas | Fonte: “Relatório Gerencial de Previdência Complementar do 3T/2025”, publicado pelo Ministério da Previdência Social .

Disclaimer: Esse artigo foi escrito com uso de IA, baseado em prompts, na profunda experiencia profissional do autor e nas informações das fontes citadas.


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