segunda-feira, 6 de junho de 2011

De repente ... você está só. Chamamos isso de aposentadoria!





De São Paulo, SP.

Apesar dos participantes de planos de previdência complementar se beneficiarem de toda a governança e conforto durante a fase de acumulação, quando chegam na data da aposentadoria, súbitamente, estão por conta própria....

O tempo e atenção que as empresas dedicam ao empregado na fase de acumulação da poupança para a aposentadoria, nos planos corporativos, é tremendamente desproporcional ao foco dado à fase de “desacumulação”.

Campanhas de comunicação chamam a atenção para a importância de aderir ao plano, extratos anuais indicam a performance dos investimentos, informações sobre o nível de contribuições recomendado são disponibilizadas, relatórios anuais de gestão são divulgados, programas de educação financeira implantados, não faltam cuidados com o participante ativo.

O mesmo também ocorre nos planos de previdência complementar individuais, os PGBL e os VGBL.

Por vários anos todo o esforço, atenção e recursos tem sido dirigidos para a fase em que o participante está acumulando sua poupança para a terceira idade.

Pouco cuidado e orientação, no entanto, são dedicados na preparação e acompanhamento dos participantes a partir do momento em que eles efetivamente se aposentam.

Já em seu primeiro passo rumo a aposentadoria, o participante experimenta a sensação de abandono. Que forma de recebimento do benefício lhe atenderá melhor? Uma renda vitalícia? Uma renda mensal a ser paga por um período determinado de anos? Nesse caso, quantos anos escolher? Deve sacar uma parte do saldo acumulado no momento da aposentadoria? Sim, então quanto? Ao falecer, que percentual do benefício será deixado para o cônjuge?

Uma escolha errada no momento da decisão pela forma de receber o benefício pode ser fatal e fazer todo aquele esforço de acumulação descer pelo ralo.

Uma renda vitalícia pode ser 20% maior apenas por causa de uma diferença positiva de 1% no juros garantido na fase de concessão do benefício. Um benefício que não é reajustado pela inflação perde em épocas de crise financeira. É dinheiro que pode ser varrido do mapa da noite para o dia quando o participante faz uma escolha ruim já na partida.

Uma má escolha pode facilmente gerar o mesmo impacto negativo na renda  do aposentado que a aplicação em um investimento com baixa rentabilidade ao logo de todos os anos da carreira. Tal efeito não só não desaparece, como torna-se cumulativo durante os anos ou décadas da fase de aposentadoria.

No entanto, a cada ano, milhares de pessoas que pouparam diligentemente durante suas longas vidas profissionais tomam decisões desinformadas - e muitas vezes, irreversíveis - ao trocarem o salário pelo contra-cheque do fundo de pensão, a renda do trabalho pela renda da aposentadoria.

Tipicamente, uma média de apenas 2% a 3% dos participantes ativos de um plano de previdência corporativo se aposentam a cada ano. Mas esse número só tende a aumentar.

As decisões que os futuros aposentados terão que tomar em relação ao benefício de seus planos precisam ser esclarecidas muito mais cedo no tempo. Não adianta as empresas continuarem tratando o assunto apenas seis meses ou até menos, antes da data de aposentadoria.

Principalmente em tempos de economia turbulenta e longevidade ascendente, os futuros aposentados precisam de toda a ajuda que puderem obter.

A Pensions Income Choice Association, uma organização sem fins lucrativos na Inglaterra, quantificou em £$3,3 bilhões ao longo dos próximos 20 anos, o ganho potencial que decorreria de melhores escolhas do benefício pelos aposentados de lá. Não tenho números daqui, mas deve ser igualmente impressionante.

Grana que seria direcionada para o aumento de consumo e melhoria do padrão de vida dos aposentados, além de um maior recolhimento de impostos e ganhos para toda a sociedade.

As empresas patrocinadoras de planos de aposentadoria, fundos de pensão e seguradoras/entidades abertas de previdência complementar, claramente tem um trabalho por fazer.

A “desacumulação” de recursos não pode continuar a desempenhar um papel secundário em relação a acumulação.

A maioria das empresas e respectivas firmas de consultoria, tem direcionando seu foco para a implantação de planos de previdência complementar e mais recentemente, para a oferta de diferentes opções de fundos de investimentos nos planos.

Pouquíssima atenção é dedicada a otimizar a renda de aposentadoria dos empregados que deixam a empresa. O incômodo, riscos e custos não são vistos pelas organizações como um problema seu, mas sim dos empregados.

Em geral, a empresa e/ou fundo de pensão disponibilizam informações sobre as alternativas de benefício existentes, mas isso apenas deixa o participante num limbo e muito mais propenso a aceitar a opção default (padrão) prevista no regulamento do plano do que de pesquisar uma melhor alternativa para o seu caso.

O aconselhamento financeiro profissional e individual é um serviço praticamente inexistente no Brasil e as poucas ofertas desse tipo de serviço especializado, são inacessíveis a “nossotros”, pobres mortais.

A “desacumulação” de recursos na fase de aposentadoria é uma áerea crucial, que pode proporcionar rendas mais adequadas aos aposentados de planos de previdência complementar, muitos dos quais estão perdendo de forma dramática a chance de obter benefícios maiores.

Há quem considere a omissão em ajudar os aposentados a maximizar as rendas pagas pelos planos de previdência complementar, um escândalo nacional. Uma falha que nos atinge a todos, em termos de impostos não recolhidos, de benefícios menores para os assistidos e de padrões de vida inferiores aos que seriam possíveis.

Há soluções disponíveis e possíveis aqui e agora, mas requerem um reposicionamento dos fundos de pensão e de suas respectivas patrocinadoras.

Afinal, se os trabalhadores que participam de planos de previdência complementar fizeram tanto esforço em poupar, foi para poder olhar para amanhã e ver um futuro melhor!

Forte abraço,
Eder.

Fonte : Adaptado do relatório “Preparing Pension Members for Annuities”, escrito pela ClearPath Analysis.Crédito de imagem: www.imagensgratis.com.br

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