segunda-feira, 27 de julho de 2009

Redução das Taxas de Gestão Financeira dos PGBLs deveria ser o foco de participantes individuais e empresas patrocinadoras

Os participantes de PGBLs e os executivos de empresas que patrocinam esse tipo de plano de aposentadoria - um dos principais produtos das entidades de previdência complementar aberta - deveriam, mais do que nunca, procurar meios para cortar os custos desses programas.


Diante das elevadas taxas de gestão financeira e do enorme declínio experimentado recentemente no retorno dos investimentos, a única forma de evitar no longo prazo perdas ainda maiores no patrimônio dos PGBLs é espremendo hoje as taxas de gestão financeira cobradas pelas entidades abertas.


As taxas de administração financeira dos PGBLs com alguma alocação em renda variável, começam em média por volta de 2% do patrimônio investido e podem alcançar mais de 4% nos contratos mais antigos.


Em um cenário de altos retornos, essas taxas passam desapercebidas. Porém, quando a taxa real de juros (SELIC) da economia cai para cerca de 4% ao ano, prenunciando que os retornos futuros dos investimentos serão decrescentes em todas as classes de ativos, a situação muda de figura.


Os participantes individuais e as empresas patrocinadoras têm dificuldade em voltar sua atenção para essas taxas porque não desembolsam diretamente nenhum centavo para seu pagamento. Em outras palavras, essa taxa não afeta diretamente o bolso do participante nem impacta o fluxo de caixa da empresa patrocinadora.


A taxa de gestão financeira é deduzida diariamente do retorno dos investimentos. É um custo quase “oculto” e não há obrigatoriedade legal para que as entidades abertas divulgam quanto está sendo deduzido mensalmente em reais dos recursos acumulados nos PGBLs. O efeito redutor da poupança previdenciária só é sentido no longo prazo, quando é sentido...


Se os retornos dos investimentos voltarem para níveis históricos, diminuirá a pressão para redução das taxas de administração financeira dos PGBL. Mas se a performance do IBOVESPA e dos investimentos de renda fixa não voltarem para níveis históricos, essas taxas deverão cair rapidamente.


Vale a pena uma comparação com aquilo que ocorre nesse momento nos EUA. O Sr. Robert Arnott, “chairman e fundador da “Research Affiliates”, uma firma de Newport Beah, “Califórnia, em co-autoria com John West, Diretor de Produtos, mencionaram em seu newsleter que um portfólio com gestão passiva e alocação na proporção de 60/40 em ações/renda fixa obteve em 2008 retorno bruto (antes de deduzir a taxa de gestão) 3,4% superiores a um fundo com alocação semelhante, porém, com gestão ativa.


“Acredito que os investidores vão favorecer simplicidade, ao invés de complexidade, taxas menores, no lugar de taxas maiores, mais liquidez e não menos liquidez e transparência ao invés de opacidade”, escreveram na newsletter de Marco/2009.


Guardadas as devidas proporções, eu também acredito que isso ocorrerá aqui no Brasil. Acho mais. Penso que podemos esperar realocações de ativos e re-balanceamento dos PGBLs ao longo do primeiro semestre de 2010. Os gestores dos investimentos tomarão decisões em 2009, mas provavelmente só as implementarão ao longo de 2010.


As entidades abertas vão se preocupar muito mais com alterações nas alocações dos ativos e na estrutura de risco dos PGBLs do que com o corte de custos e diminuição de taxas de gestão financeira.


Pense nisso! Se precisar de ajuda para renegociar seus contratos junto as entidades abertas , peça ajuda. Estou a disposição. Eu adoraria trabalhar com você!


Forte abraço,

Eder.

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