terça-feira, 28 de agosto de 2012

O poder de persuasão de um "smiley face" e as contribuições adicionais para os fundos de pensão


De São Paulo, SP.

Contas. Todos nós as recebemos e toda empresa as envia aos clientes. Como podemos encorajar as pessoas a pagá-las em dia, usando lições de economia comportamental?

Uma empresa de energia elétrica nos EUA tentou inúmeras estratégias para encorajar seus clientes a pagarem em dia as contas de consumo de energia.

Primeiro, incluíram na conta uma comparação do consumo dos clientes com o consumo dos seus vizinhos (figura a seguir).


Então, as pessoas que tinham consumo acima da média se sentiram envergonhadas em gastar mais energia do que os outros ao seu redor e começaram a economizar. Boa notícia!

Mas, os consumidores que tinham consumo abaixo da média dos vizinhos, repentinamente perceberam que poderiam relaxar um pouco e viram seu consumo de energia subir ... em direção a média. Má notícia!

O que aconteceu?

As pessoas são facilmente persuadidas pelo que os outros estão fazendo, seja para o bem ou para o mal. Como vimos, a tentativa funcionou com os grandes “gastadores” de energia, mas não deu certo com os  consumidores “light”.

Então, a empresa de energia elétrica voltou a prancheta para verificar o que poderia fazer. Reconhecendo a força da influência decorrente do que os outros estão fazendo, tentaram uma nova tática.

Na comparação do consumo dos vizinhos enviada aos consumidores, incluíram um pequeno sinal nas contas dos consumidores gastando abaixo da média: incluíram um smiley face!

Binnngoooo!!!

Aqueles gastando menos energia do que seus vizinhos estavam agora recebendo o reconhecimento pelo esforço positivo em economizar e através desse gesto simples, encorajados a continuar com o bom hábito. O que de fato continuaram a fazer.

Não subestime o poder do :)

Quando estiver lidando com incentivo ao pagamento de contas em dia, você pode adotar a mesma lógica. Inclua um gráfico mostrando a quantidade média de dias que os clientes em geral levam para pagar as contas, em comparação com o prazo que levam os clientes da sua empresa, a XYZ Co (Figura abaixo).



As chances são que os clientes da sua empresa XYZ Co. sejam influenciados e mudem o comportamento, tendendo a pagar as contas no menor prazo médio mostrado no gráfico.

Por outro lado, para que os clientes que pagam as contas em prazo inferior a média não se sintam desestimulados (empresa ABC Co. na figura abaixo), você deverá incluir na conta deles um incentivo para continuidade do bom comportamento: um smiley.




E então, que tal enviar um boleto para recolhimento de contribuição adicional no plano de previdência complementar de seu fundo de pensão, mostrando que as contribuições para PGBL e VGBL estão “bombando”?

Para os participantes que já fazem contribuições adicionais, inclua um "sorriso" na comunicação.

Grande abraço e boa sorte,
Eder.



Fonte: Adapatado do artigo Getting your bills paid: The persuasive power of a smiley face escrito por Bri Willians
Crédito de Imagens: 4.bp.blogspot.com e Max Whittaker for the New York Times

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Aumento de Portabilidade na Previdência Aberta: Perguntar não ofende!


São Paulo, SP

De acordo com dados publicados há poucos dias na mídia, em 2012 aumentou em 60% a quantidade de participantes que resolveram portar seus saldos de conta de uma para outra Entidade Aberta de Previdência Complementar.

A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida – Fenaprevi, associação que representa as empresas do setor, indica que nos seis primeiros meses de 2012 o valor transferido do plano de previdência de uma instituição para outra cresceu cerca de 59%.

“Mama mia”!!!

As projeções apontam para um recorde histórico de portabilidade. Ao final do ano, algo como R$ 6 bilhões terão trocado de mãos (de plano), comparados ao montante de pouco menos de R$ 4 bilhões em 2011.

“Ao que parece, o brasileiro está mais atento ao seu futuro e à evolução das reservas que acumula para a aposentadoria com aplicação em planos das modalidades PGBL e VGBL”, concluiu o jornalista de matéria publicada em um dos mais importantes jornais de economia do país.

“O movimento reflete a busca por taxas de administração e carregamento mais baixas em meio ao novo cenário de juros no Brasil”, completa o raciocínio.

Até aqui tudo bem, já que essa é uma explicação possível para o grande e súbito aumento nos movimentos recentes de portabilidade nos planos de entidades abertas.

Porém, tive que parar e analisar com mais cuidado o seguinte comentário de um dos principais executivos da Fenaprevi – Federação Nacional de Previdência Privada e Vida, a associação de empresas do setor: “Com a redução da Selic, muitas pessoas estão buscando melhores condições para acumular seus recursos". O movimento, na opinião dele, é importante para criar um mercado dinâmico e a portabilidade estimula a competição entre as empresas.

Será que eu entendi corretamente?

A associação de um setor, cujas empresas visam lucro, são ligadas predominantemente aos bancos (no Brasil) e tem que enfrentar metas de venda mais agressivas a cada ano, está enaltecendo as maravilhas da portabilidade por causa da redução de custos que traz para o participante??? Estimular competição, mercado dinâmico!

Possível, mas muuuuuito estranho....

Fiquei pensando, o que teria feito surgir essa repentina conscientização dos participantes (num período de 6 meses) sobre as virtudes do mecanismo de portabilidade?

Será que esse movimento de portabilidade é decorrente da mudança de planos dentro da mesma entidade aberta, que assim não estaria perdendo nenhum cliente?

Será que as próprias entidades abertas é que estão estimulando esse movimento frenético de portabilidade, incentivando (de alguma forma) os clientes a migrarem de um produto para outro?

Será que isso tema alguma coisa a ver com a criação da tão festejada (pela mesma Fenaprevi) Tábua de Mortalidade Brasileira, a BR-EMS, adotada nos novos produtos das entidades abertas?

Será que os clientes dos planos das entidades abertas sabem que receberão uma renda menor nos novos produtos de previdência aberta, estruturados com base na Tábua de Mortalidade BR-EMS, quando comparada a renda proporcionada pelos atuais produtos, baseados na Tábua de Mortalidade AT2000, usada até aqui pelo mercado de entidades abertas?

Bem, essas são apenas perguntas, mas confesso estar curiosíssimo para saber as respostas...

Forte abraço,

Eder.



Fonte: Eder Carvalhaes da Costa e Silva

Crédito de Imagem: www.adamtglass.com

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Não somos estúpidos. Apenas suscetíveis!

De São Paulo, SP

Você entra na Ofner para tomar um café e se depara com duas ofertas. Na primeira, é oferecida uma xícara de café 33% maior. Na segunda, é oferecido um desconto de 33% no preço da xícara de café.


Qual das duas ofertas é o melhor negócio?

“São praticamente iguais!” diria você, se pensasse como os estudantes que participaram de um novo estudo publicado no Journal of Marketing.

Mas ... você estaria errado.

As ofertas parecem equivalentes, mas, na realidade, um desconto de 33% é o mesmo que um aumento de 50 por cento na quantidade.

Vamos a matemática: digamos que uma xícara padrão de café custe R$ 1 e tenha 3 mililitros (R$ 0,33 por mililitro). A primeira oferta lhe dá 4 mililitros por R$ 1 (R$ 0,25 por mililitro) enquanto a segunda lhe dá 3 mililitros por 66 centavos (R$ 0,22 por mililitro).

O pulo do gato: conseguir algo a mais “de graça” faz você se sentir melhor do que conseguir a mesma coisa pagando menos.

As implicações desse simples fato são enormes.

Vendendo cereais? Não fale de desconto. Fale sobre quanto aumentou o tamanho da caixa! Vendendo um carro? Deixe de lado o consumo em km/litro. Fale sobre quantos km se consegue rodar a mais devido ao tamanho do tanque de combustível.

Por isso os vendedores de PGBL só falam da taxa de carregamento zero e “pulam” a taxa de administração financeira!

Há dois grandes motivos pelos quais esse tipo de truque funciona.

Primeiro: os consumidores não tem a mínima ideia de quanto custa qualquer coisa, por isso, para tomar decisões, se baseiam em partes do cérebro que não são estritamente quantitativas.

Segundo: apesar nós humanos gastarmos em reais, tomamos decisões baseados em fatores e raciocínios que nos tornam meio analfabetos em matemática, incapazes de lidar com números.

Pense nisso quando for comprar um plano de previdência numa seguradora ou entidade aberta.

Abraço grande
Eder.  

Fonte: Adaptado do artigo "The 11 Ways That Consumers Are Hopeless at Math", escrito por Derek Thompson
Crédito de Imagem: Avadhut Hembade


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Estariam os planos BD usando taxas de desconto “cor de rosa”?


De São Paulo, SP.

Os fundos de pensão do país podem parecer mais saudáveis do que realmente estão, porque ao calcularem seus compromissos futuros com os aposentados, não estão sendo conservadores o suficiente.

Um relatório da DBRS informa que as taxas de desconto estimadas- usadas para calcular o passivo futuro dos fundos de pensão – são razoáveis no curto e médio prazo, mas preocupantes no longo prazo.

“No entendimento da DBRS, o nível de cobertura das obrigações dos planos de benefício definido está superestimado e as taxas de desconto muito agressivas que vem sendo adotadas, não refletem o cenário atual de queda da taxa de juros”, informa o relatório.

“Potenciais problemas surgirão na medida em que a geração atual de participantes ativos vá se aposentando. Como resultado, a DBRS antecipa que os pagamentos de benefícios para os assistidos desses planos tenderão a crescer dramaticamente entre 2011 e 2029. Isso poderá gerar insuficiências futuras nas reservas dos planos de previdência complementar, demandando contribuições significativas das patrocinadoras e tornando os planos muito difíceis de administrar no longo prazo”, prossegue o texto.

Os planos de benefício definido tem que honrar uma promessa e pagar um determinado valor prometido ao empregado que se aposenta. Por isso muitas empresas estão mudando para os planos de contribuição definida nos quais os pagamentos são determinados pela performance dos investimentos (ao invés da promessa de um valor fixo).

O estudo de uma grande firma de Consultoria Atuarial mostra que 97% dos planos de previdência complementar pesquisados tem problema de solvência.

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Se você chegou até esse ponto do artigo com a impressão de que estou descrevendo a situação dos fundos de pensão e planos de previdência complementar no Brasil, sinto muito, mas errou.

Esse artigo foi publicado na imprensa Canadense no dia 1º de maio desse ano e descreve a situação dos fundos de pensão e planos de previdência de lá.

Qualquer semelhança? Mera coincidência.....

Abraço forte,

Eder.


Fonte: Adaptado do artigo “Are DB Plans Using Rose-Coloured Discount Rates?”, escrito por Caroline Cakebread e publicado no Canadian Investment Review

Crédito de imagem: Wikimedia Commons - Caravaggio - The Incredulity of Saint Thomas

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Cuidados na Portabilidade

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