terça-feira, 5 de outubro de 2010

Novo plano de previdência complementar: uma alternativa de investimento que vale a pena evitar


De São Paulo, SP.

A “XPTO Seguros e Previdência” (pseudônimo), em um movimento considerado socialmente injusto e contrário aos interesses dos consumidores, desencadeou no mês passado uma revolta entre corretores de seguros e consultores atuariais ao enviar uma carta diretamente aos seus clientes, sem que os primeiros fossem informados com antecedência.

A carta oferecia aos participantes de planos do tipo PGBL, VGBL e FGB (como são conhecidos os produtos de previdência aberta) uma oportunidade única. Como parte de um programa de troca, os participantes que cumprissem com “determinados critérios de elegibilidade”, estavam sendo convidados a fazer uma troca vantajosa de seus atuais produtos por um novo plano de previdência complementar.

O problema, porém, de acordo com alguns especialistas, é que se fizerem a troca os clientes perderão “benefícios valiosos” decorrentes da mudança da “tábua atuarial” adotada no novo plano.

A verdade é que os novos planos de previdência não são um produto tão bom assim para os investidores (leia-se, participantes ou clientes) e o problema é que as vendas de planos de previdência estão ”bombando”. No primeiro semestre desse ano, aumentaram em 8% as vendas de PGBL em relação ao mesmo período do ano passado e no segundo trimestre, as vendas de VGBL cresceram 18%.

Além das vendas estarem aumentando, os chamados consultores financeiros e atuariais não parecem estar muito preocupados com os problemas inerentes aos novos planos de previdência.

De acordo com uma pesquisa do ramo, feita agora em 2010, 47% dos corretores/ consultores disseram que o item que consideram mais importante quando recomendam um novo plano de previdência para seus clientes, são as “tábuas de mortalidade”. Mais preocupante ainda é que apenas 18,7% dos consultores considera as alternativas de investimentos o mais importante. Porém, desesperador, é que somente 17,9% analisa primeiro as taxas cobradas para administração do plano.

Todos esses resultados nos levam a uma conclusão: os investidores (novamente, leia-se, participantes ou clientes) não estão sendo protegidos quando compram um novo plano de previdência complementar.

Um dos motivos é que as “tábuas atuariais” adotadas nos novos planos de previdência (como as taxas de juros usadas nas projeções) são irrealistas. Outro motivo é que as taxas de administração são uma má notícia. Manter o seu dinheiro preso por anos e sendo grandemente penalizado pelas taxas de administração, não é uma boa decisão de investimentos.

Pelo que eu sei, se os novos planos de previdência fossem de fato uma excelente oportunidade de negócio, as seguradoras não precisariam oferecer nenhuma vantagem para que seus clientes os trocassem pelos antigos planos.

O resumo da ópera é que a história da “XPTO Seguros e Previdência” é apenas mais um exemplo de seguradora (e de corretores de seguros/consultores e bancos que vendem os seus produtos) que deixa de observar o melhor interesse dos seus clientes.

Deveremos presenciar um mini-boom na venda dos novos planos de previdência na medida em que as seguradoras, bancos e distribuidores desses produtos continuem a oferecer vantagens para quem os trocar pelos antigos planos.

Mas, como todos sabemos, “quando a esmola é demais o santo desconfia” e a confiança em um produto vale tanto quanto a confiança na empresa que o comercializa...

* * * * * *

Se você leu o texto até o final, deve estar se perguntando: afinal, qual o nome da “XPTO Seguros e Previdência”? Bem, caro leitor, o nome real é Hartford Financial Services Group e o episódio, verdadeiro, não aconteceu no Brasil, mas sim nos EUA. Adaptei-o do artigo original intitulado “An Investment Opportunity Worth Avoiding”, escrito por Brian Rezny e publicado no Morningstar Advisor.

O objetivo? Chamar a atenção dos participantes dos planos de previdência (PGBL, VGBL, FGB etc.) para avaliarem com muito cuidado – de preferência com ajuda de um consultor atuarial independente e isento – os ganhos e perdas com a troca de produtos de previdência complementar.

Se esse tipo de coisa acontece na terra do Tio Sam, fico de cabelo em pé só de pensar no que pode acontecer abaixo da linha do equador...

Forte abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado do artigo intitulado “An Investment Opportunity Worth Avoiding” de Brian Rezny publicado no Morningstar Advisor



Um comentário:

Adriano Carvalho disse...

Muito bom o seu alerta. O mesmo acontece sempre que uma nova regulamentação entra em vigor.
Realmente contar com uma assessoria profissional e responsável é a melhor alternativa.
Parabéns pelo artigo.
Abraço

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