quarta-feira, 27 de abril de 2011

Série Neurociência & Previdência: Os mecanismos de segurança do cérebro e os planos de previdência


De São Paulo, SP.

Nós humanos conseguimos reconhecer objetos que observamos a partir de ângulos e orientações diferentes. Um tigre continua um tigre quer sua imagem seja observado de forma invertida ou não-invertida, como num espelho.
Porém, quando se trata de palavras, essa habilidade desaparece – palavras invertidas por um espelho, por exemplo, são especialmente difíceis de se ler.

Nesse caso, faz todo sentido que o nosso cérebro seja sensível a orientação porque diferentemente do que acontece com um tigre, um “d” não aparece como um “d” quando é invertido, mas sim como um “b”. O mesmo acontece com algumas outras letras.
Jon Duñabeitia, um pesquisador do “Center on Cognition, Brain and Language”, dos Países Bascos (Espanha), conduziu uma série de experimentos sobre o assunto.
Ele e sua equipe buscaram entender o que ocorre, no caso de letras, com a habilidade natural do nosso cérebro em reconhecer objetos independentemente de sua orientação.
O processo automático de reversão em nosso cérebro não funcionaria para letras, ou seria simplesmente suprimido num estágio subseqüente de processamento da informação? Considerando que começamos a ler e escrever mais recentemente em nossa história evolucionária, essa última explicação parece ser a mais provável.
A experiência conduzida por Duñabeitia usou um aparelho de eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral dos participantes da pesquisa. Diferentemente da tecnologia fMRI, o EEG é capaz de mensurar em frações de segundo as alterações que ocorrem no cérebro (apesar da resolução espacial das imagens ser de pior qualidade).
Duñabeitia observou um efeito primário no cérebro diante de palavras invertidas.
Ele verificou que o cérebro tem reações diferentes diante de palavras com orientação invertida e com orientação normal. Acontece da seguinte forma: durante os 150 milissegundos iniciais após a pessoa ler a palavra invertida, o cérebro percebe que a orientação está trocada. Passados 250 milissegundos, o cérebro coloca as palavras invertidas na orientação correta. Passados 400 milissegundos (menos de meio segundo), o cérebro volta novamente a orientação da palavra para o sentido invertido.
Ou seja, quando você lê palavras invertidas por um espelho seu cérebro automaticamente vira as palavras para a orientação correta e por um imperceptível instante de tempo você é capaz de ler palavras invertidas – então, seu cérebro suprime esse efeito, invertendo as palavras novamente e fazendo com que você não consiga mais lê-las.  
Esse resultado é consistente com a descoberta de que muitas crianças ainda jovens são capazes de ler e escrever de maneira invertida, espontaneamente.

Talvez porque seus cérebros ainda tenham que desenvolver o efeito que suprime a inversão automática.

Essa nova pesquisa tem um significado que ultrapassa a simples curiosidade. Pode nos ajudar a entender melhor o que causa a dislexia, que em alguns casos está associada a indesejável rotação automática de letras e palavras.

“Agora sabemos que a rotação das letras não é um problema exclusivo de algumas pessoas com dislexia, já que todos nós fazemos isso de maneira natural e inconsciente. O que precisamos entender é porque pessoas normais conseguem inibir esse efeito, enquanto outras com dificuldade de ler e escrever não conseguem”, ensina Duñabeitia. 

Sabemos um pouco mais sobre a rotação de letras e palavras em nosso cérebro e percebemos que esse desvio não impede que as pessoas prossigam com suas vidas. Temos vasto exemplo, como os da foto acima.

Essa experiência nos remete ao que ocorre com os jovens em relação a poupar para a aposentadoria. O cérebro dos jovens é incapaz de contornar um efeito chamado de "desconto hiperbólico", cuja raiz tem explicação em nosso processo evolucionário.

Em essência, o desconto hiperbólico nada mais é do que a incapacidade de nosso cérebro de focar perigos e recompensas muito distantes no tempo, preocupando-se com ações imediatas. Por questões de sobrevivência, isso fazia sentido 500 mil anos atrás. Hoje não faz mais. 

Conclusão, nem sempre o nosso cérebro age em nosso melhor interesse. Se você quer ser mais inteligente do que o seu cérebro, comece a poupar hoje mesmo....
Abraço forte,
Eder.

Fonte: Adaptado do artigo "Your brain unscrambles words in the mirror but then switches tehm back again", escrito por Christian Jarrett e publicado no Research Digest. Crédito de imagem: GoogleImages

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